Literatura contemporânea: “Variedades”, de Fabio Gorodski


Vou apresentá- los um autor brasileiro contemporâneo, que vive em Berlim: Fabio Gorodski.

12705310_132934600427016_4479523696054801250_n

Aqui o blog do autor. Fabio Gorodski tem uma vasta formação musical, conhecimentos notados no conto “comprimidos” (p.13)  e já teve um poema adaptado a um curta- metragem, veja.

Se não contei mal, o livro é composto por 39 contos. “Variedades: uma narrativa e vários episódios”, de Fabio Gorodski, vem com textos datados em épocas e lugares muito diferentes. Todos os títulos com letras minúsculas e a falta de vírgulas nas frases ao estilo de Saramago logo no primeiro conto; a segunda frase, ao contrário, existe uma vírgula sem necessidade. Alguma transgressão do autor, suponho, há trocas lexicais em alguns trechos.

Vejamos alguns contos, assim começa o primeiro  “aluga- se quarto e sala” (p. 7):

Uma cozinha uma mesa um copo. Um sachê: hortelã, e água. No ar, um quê de erva e um certo calor, ainda. Entre o recipiente e a mesa, uma toalha delgada (…).

Alguém morre num quarto e sala.  Esse foi escrito no México em 1988.

O texto que o escritor trouxe do Afeganistão (2001) foi intitulado “playmobil” (p.43), que remonta ao jogo de peças para encaixar, e é nessa linha que vai o texto, da geometria para chegar à conclusão que “o mundo é uma esfera”.

O conto (ou deveria chamar de crônica?) sobre o Rio de Janeiro é o menos sutil, mais cruel talvez, se compararmos com outros contos e a pobreza das várias cidades que Gorodski circulou. O olhar sobre a própria casa é mais imperioso, menos condescendente? “realismo mundano” (p.47) é chocante.

É possível classificar povos e culturas em poucas linhas? Não sei, mas o autor captou momentos, suas sensações diante de situações concretas. Como não sei absolutamente nada do autor, não sei se as cenas dos contos foram vivenciadas, presenciadas ou imaginadas, Fabio é músico e pode ter viajado para tocar em todos esses lugares, mas isso não importa, vamos no texto. Em “mixirica, gomo, caroço”, o autor escreveu, possivelmente, estando na China em 2009. Ele faz uma analogia de uma mixirica com o mundo. Concordo com ele:

Há dois tipos de pessoas, as transparentes e as opacas (p.93)

Nesse conto a história é sobre uma suicida.

O livro é um punhado de signos de elementos urbanos, do cotidiano do mundo. Além dos lugares citados, o autor esteve (?) no Canadá, Chile, Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Tailândia, Suíça, enfim, muitos países. E com aquele olhar (in)discreto sobre as coisas que normalmente passam despercebidas.

O título faz jus ao conteúdo, realmente são histórias muito distintas entre si. A capa é interessante, a leitura começa nela, papel rasgado que deixa transparecer fragmentos de textos. Quem se interessar por esse livro pode comprar direto na editora Chiado. Aproveito para agradecer pelo envio do livro.

livro

Gorodski, Fabio. Variedades: uma narrativa e vários episódios. Chiado, Portugal, 2016. 132 páginas

Anúncios

Gente linda é gente que lê


Quando andamos pela rua e vemos gente compenetrada com suas leituras, não dá vontade de ler também? “Ahhh…por que não trouxe meu livro!” Gente linda, é gente que lê no ônibus, no metrô, no banco da praça, no avião, embaixo de uma árvore, na sala de espera do médico, na cafeteria…gente que não pode andar sem um livro, gente que inspira! (Todas as fotos são minhas, cópias com créditos, ok?)

O leitor e a bicicleta, Parque del Retiro, Madri3055075073_cec2176b2b_z

Lendo em dupla, Parque del Retiro, Madri3055077449_9a3fa906a3_z

Leitor solitário, Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa3598141478_701f8840de_z

Leitura e descanso, jardim do Museu do Prado, Madri.
3748956332_130e597f85_z

Concentração, Parque del Retiro, Madri.3748958862_db4402304a_z

Leitura e cerveja, cidade de Madri.4014096954_97b3e03021_z

João Ubaldo Ribeiro na praia de Calafell, Tarragona, Espanha2833449306_d5063357eb_z

Leitura e sol, jardim do Museu do Prado
3055091281_f2e39a355a_z

Santa Iria de Azóia, Lisboa3235582137_a0f7a268bd_z

Uma pequena intelectual, dias felizes, são dias com livros! Arroyomolinos, Madri.3253185711_c78728f850_z

Parque das Nações, Lisboa.3281038950_d7ffd8667a_z

Santa Iria de Azóia, Lisboa.3310526209_bbde43f452_z

E você, costuma ler aonde?

A Universidade de Alcalá de Henares, Espanha


No último fim de semana fiz uma imersão cultural em Alcalá de Henares- a segunda cidade que me sinto melhor na Europa (a primeira é Paris).

A história da Universidad de Alcalá de Henares é muito interessante, é a 4ª mais antiga da Europa, suas atividades começaram em 1239, mas o grau superior só foi implantado em 1499 por um padre franciscano chamado Cisneros, um grande defensor da cultura e da arte. Graças a esse padre a universidade foi conservada e manteve as suas atividades, pois o mandatário político da época queria vender o edifício, recortar a fachada em pedaços e vendê- la para o exterior, prática comum na época. No final, vários vizinhos da cidade compraram os edifícios da universidade, formaram uma fundação de coproprietários, foi assim durante muito tempo passando de geração em geração, até que os herdeiros cederam os edifícios ao governo de Madri, mas com a condição de que os conservassem em perfeito estado.

Os nós na fachada (nos dois lados da porta) fazem referência à ordem franciscana e significam castidade, pobreza e obediência, junto com outros símbolos católicos, como São Pedro e São Paulo segurando uma coluna e no alto, um brasão familiar do político que reinava em Alcalá na época, mostrando as duas forças poderosas, religião e política.

Na Sala do Paraninfo acontecem atos oficiais, formaturas e o famoso Prêmio Cervantes, o mais importante da língua espanhola. Na antessala estão as placas de todos os escritores premiados, como Octávio Paz, Jorge Luiz Borges e o último prêmio Nobel Mario Vargas Llosa. O prêmio é anual e concedido pela trajetória do autor, então geralmente ganham quando estão idosos. É obrigatório recebê-lo em pessoa. Reparem que no ano de 1979 Gerardo Diego e Jorge Luis Borges receberam no mesmo ano, foi uma exceção. Diego estava muito doente, acharam que ele não resistiria até o dia da solenidade, então chamaram a segunda opção: Borges. O que aconteceu? Diego não morreu e Borges já havia sido convocado, tiveram que dar dois prêmios, Borges ficou muito ofendido por ter sido a 2ª opção. No final, Borges morreu primeiro que Diego.

O interior da Sala do Paraninfo está como na época da sua inauguração, exceto o chão que é uma réplica, o resto está tal como em 1499. O chão foi estragado porque durante um período em que a universidade parou com suas atividades, essa sala foi usada como estábulo pelo prefeito da cidade que não era amante das artes.

Nesse púlpito que dá pra a igreja (que está em reforma) era onde os doutorandos apresentavam as suas teses, com um professor- anjo de um lado, que o ajuda e auxiliava, e vários professores que sentavam na sua frente e faziam perguntas dificílimas. Nesse dia tocavam os sinos das igrejas e se o doutorando fosse aprovado era um dia de festa, pois o recente doutor era obrigado a pagar um banquete para a cidade inteira (a maioria dos estudantes era de família nobre e com posses), mas se o aluno fosse reprovado, a população o levava para um desfile de humilhação pública: colocavam no estudante orelhas de burro (de verdade, sangrando) e faziam um corredor para que ele passasse e fosse cuspido até ficar branco. A perda do banquete era imperdoável.

Muitos estudantes ilustres frequentaram essa universidade, como os poetas Quevedo e Lope de Vega. A universidade tinha as suas próprias leis, não estava sujeita às leis da cidade de Alcalá e tinha sua própria cárcere. Ia para a prisão quem não falasse em latim, por exemplo. Quevedo tinha fama de farrista, conta- se que ele sempre saltava pela janela da biblioteca para cair na noite de Alcalá, para beber e namorar. A universidade tinha um regime de internato para rapazes, as mulheres não podiam estudar naquela época. Quevedo voltava bêbado altas horas da madrugada, tentava subir por onde saiu, mas não conseguia e sempre ficava na prisão por esse motivo.

A única mulher a se doutorar nessa universidade no século XVIII foi María Isidra Quintina de Guzmán y la Cerda (1768 – 1803), uma exceção. Ela conseguiu uma permissão do Rei Carlos III para apresentar sua tese, mas sem assistir aulas, ela teve que estudar em casa. Ela só conseguiu ser a primeira acadêmica da Espanha ( e a segunda da Europa, a primeira é uma italiana) porque era de família nobre e com boas relações com o rei. A sua tese foi brilhante, ela foi aprovada e ficou conhecida como a “doutora de Alcalá”. Hoje ela é lembrada com o seu nome numa rua de Madri.

C’est PARIS!


E pelo poder d’uma palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Para te nomear
(“Liberdade”, Paul Éluard)

Escadarias da Catedral de Montemartre

Eu costumo dizer que cada cidade tem um cheiro, uma atmosfera. Se eu fechar os olhos e recordar Paris… Paris cheira à liberdade e à baguette recém saída do forno. Paris desprende cultura (híbrida), mas tem algo muito próprio, uma cidade com encanto. Da minha recente viagem a Paris, trouxe mais de 5000 fotos. Subi na Torre Eiffel, naveguei num bateau mouche pelo Rio Sena, fiz um passeio num ônibus turístico por toda a cidade, andei num carrinho muito engraçado, que cruzou as ruas estreitas do bairro fervilhante de Notre Dame, estive no Museu das Armas e Hotel dos Inválidos, onde está a tumba de Napoleão Bonaparte, também vi a Monalisa no Museu do Louvre, passei pela Champs Elisèe e pelo Arco do Triunfo, fiquei um dia inteiro na Disney comemorando o aniversário da minha pequena e ainda fui à Catedral de Montmartre, que como se pode ver, lotada de gente:

O bairro de Montemartre é o mais alto de Paris. As vistas da Catedral de Montemartre são divinas. Você pode subir até a catedral em um funicular, ou se estiver com disposição, pode subir pela imensa escadaria.

Um pouquinho do interior da Catedral de Montmartre:

Nesse bairro também existe uma área dos cabarets, sex shops, uma zona de prostituição, onde também perambulam bêbados e vagabundos. Abaixo, uma foto do cabaret Moulin Rouge de 1889, que ficou popularmente conhecido por causa do filme Moulin Rouge:

Voulez-vous coucher avec moi, ce soir?

E não pense em fazer dieta em Paris, porque a baguette, os croissants, queijos e vinhos, além dos doces são irresistíveis:

Paris é cheia de gente em todos os lugares, a cidade é fervilhante, mas na Torre Eiffel você vai encontrar milhares de pessoas, turistas do mundo todo, além dos vendedores de souvenirs com réplicas da Torre. Subir pelo elevador para ver a incrível paisagem parisina em 360º exige paciência e resistência física para aguentar a longa espera, no meu caso,  mais de duas horas:

Pelo alto e agora vista do chão:


A Torre Eiffel pode ser vista também do rio Sena, recomendo o delicioso passeio de bateau mouche, que percorre o rio Sena por cerca de uma hora:

A Catedral de Notre Dame, fica num bairro que leva o mesmo nome, é um dos mais movimentados, com skatistas fazendo apresentações, com bares de moda, barcos cruazando o rio Sena e uma vida noturna bem agitada:

E para finalizar por agora ( terá a segunda parte), a grande Edith Piaf, Sous le ciel de Paris ( o vídeo tem fotos bem interessantes, de Paris antiga):

Palácio Nacional de Mafra, Portugal


Hoje eu conheci Mafra, uma cidadezinha encantadora que fica a 25km da cidade de  Lisboa. Nela está o Palácio Nacional de Mafra e o Convento de Nossa Senhora e Santo Antonio de Mafra construídos em 1717 pelo rei dom João V, edificações consideradas obras- primas do barroco português.

É proibido tirar fotos no interior, mas transgredi por uma boa causa: para mostrar arte, beleza, cultura e história pra quem quiser ver:

A biblioteca do Palácio de Mafra é impressionante, grandiosa, imponente com seu piso de mármore em três cores diferentes, estantes de madeira ao estilo rococó repletas com 40.000 livros entre os séculos XIV ao XIX . Estão encadernados em couro com títulos gravados em ouro.  Entre esses livros está a 2ª edição de “Os Lusíadas” de Luis de Camões.

Olha aonde foi parar o ouro do Brasil: na capa de livros.

Detalhe do Barroco português na Biblioteca do Palácio de Mafra.

O Palácio é ligado ao Convento. Essa é a enfermaria onde os doentes graves, os freis franciscanos, ficavam para recuperar- se ou então para serem retirados cadáveres pela escadinha anexa. Ao fundo, o altar. As camas que ficam nesses reservados eram arrastadas para o centro do corredor para que os doentes pudessem assistir a missa aos domingos.

Essa foi a minha sala preferida, a sala dos pianos. Imagino os saraus que  faziam aí.

Vida de reis para plebeu ver.

Lula apóia o Timor- Leste


O Timor- Leste é um país , ex- colônia portuguesa, localizado na ilha de Timor, que fica entre a Austrália e a Indonésia. O presidente Lula assinou seis acordos com o presidente Xanana Gusmão ( reparem no nome: uma mistura ocidental e asiática) que pretendem ajudar o Timor com informações, tecnologias e troca de experiências. Pelo dados abaixo, fica claro que o país precisa mesmo de muita ajuda. Os índices de mortalidade infantil, de expectativa de vida e analfabetismo são assustadores:

Nome Oficial: Timor Leste (Timor Loro Sa’e)
Capital: Dili
Localização: Sudeste da Ásia
Geografia:
Área: 14.609 km².
Hora local: +11h.
Clima: equatorial.
Cidades: Dili (60.150) (1980); Baucau, Ermera, Bobonaro.
População: 750 mil (2001)
Nacionalidade:timorense (ou maubere).
Idioma: português, tetum.
Religião: cristianismo 86% (católicos 100%), islamismo e crenças tradicionais 14% (1997).
Densidade: 51,3 hab./km² (2001).
Pop. urb.: 7,5% (2000).
Fecundidade: 3,85 filhos por mulher
Expectativa de vida M/F: 49,2/50,9 anos;
mortalidade infantil: 121/1000 (2000-2005).
Analfabetismo: 40%.

Economia:
Moeda: dólar americano.
PIB: US$ 228 milhões (1999).
PIB agropec.: 21,3%.
PIB ind.: 28,9%.
PIB serv.: 49,8% (1999).
PIB per capita: US$ 304 (1999).
Força de trabalho: 341,9 mil (1993).
Export.: US$ 46 milhões (1999).
Import.: US$ 82 milhões (1999).
Parceiros comerciais: Indonésia.

Timor-Leste é um território com cerca de 19.000 Km2 e cerca de 700.000 habitantes, que ocupa metade de uma ilha situada entre a Malásia e a Melanésia, 500Km a norte da Austrália. A população de Timor-Leste é de origem Malaia, Melanésia e Polinésia e, contrariamente ao que acontece com as restantes ilhas do arquipélago indonésio, não teve praticamente contacto com o Islão ou com o hinduísmo.

(fonte: portalafro.com.br)

Gastronomia portuguesa: pastéis de nata


Os famosos pastéis de nata portugueses podem ser encontrados nessa tradicional doçaria(PT)/doceria (BR) da foto abaixo, eles que criaram a receita original; fica pertinho do Mosteiro dos Jerónimos:


Quer um pedacinho?! Estavam recém- saídos do forno, quentinhos e deliciosos! Momento de esquecer as calorias e desfrutar!

Se você nao pode vir a Portugal, mas quer provar essa delícia, você pode tentar fazer em casa:

Pastéis de Nata

Ingredientes:
1,3 kg de massa folhada
0,5 l leite m.g.
275 g de açúcar
35 g farinha s/fermento
sal q.b. (pitada)
margarina q.b. (1 noz)
5 gemas
1 ovo


Preparação:
Coloque o leite ao lume com a noz de margarina.
A seco misture a farinha com o açucar e sal e quando o leite levantar fervura adicione a mistura mexendo energicamente.
Retire do lume, deixe arrefecer um pouco e adicione o ovo e as gemas.
Acescente baunilha ou limão a gosto.
Leve a cozer a 290º-300º cerca de 8 minutos.
Nunca deixe mais tempo para que o recheio não saia das formas.