PDF grátis: “Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas”


Um bom livro que reflete sobre as artes contemporâneas sob várias perspectivas: histórica, semiótica, filosófica, que serve como introdução às artes. Possui uma boa bibliografia para ajudar na sua pesquisa. A publicação é da Universidade Federal da Bahia.

Então segue o PDF grátis de “Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas”, da professora Maria Celeste de Almeida Wanner, clica aqui.

O meu em papel:

Boa leitura!

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Novidade: lançamento da Revista ABRESCCO!


Saiu a primeira edição da revista “ABRESCCO” (“Aproximações Brasil Espanha em Cultura e Comércio”), que é uma empresa de assessoria e consultoria, criada pelo advogado Antonio Peres Junior (presidente), o empresário Joaci Goes Filho, o professor Pedro Corrales, do “Instituto de Empresas Business School” e o economista Juan Miguel Hortelano.

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Os quatro sócios e Luciana, esposa de Antonio Peres. Foto: Peres Junior Advocacia

A revista criou uma ponte entre a Espanha e o Brasil, apresentando artigos, reportagens, entrevistas sobre os dois países, no âmbito empresarial, financeiro e cultural. Nessa primeira edição muito especial e com matérias de peso, muitas informações financeiras e curiosidades históricas interessantes, tanto para empresários, como para os vários perfis de leitores. Também é curioso ler o que pensam empresários e diplomatas sobre a sociedade espanhola e brasileira. A edição está recheada de personalidades de destaque, especialistas nos dois países.

A Espanha está mais presente no Brasil, que o Brasil na Espanha em se tratando de negócios. Leia e revista e veja a quantidade de empresas espanholas no Brasil. Você também vai comprovar que a Espanha e o Brasil têm mais coisas em comum do que a maioria das pessoas pensa.

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Antonio Peres Junior, presidente da ABRESCCO

A edição impressa sairá nos próximos dias e será distribuída, além da Espanha e Brasil, em Portugal e na Suíça. Mas, você que não está nesses países e quer conhecer a ABRESCCO, clica aqui!

O editor da revista é João Compasso (também editor da Revista Bossa), parabéns João! Eu fiz a tradução e revisão, Amable González foi o responsável pelas belas fotografias e o designer é Gonzalo López. Eu já trabalhei antes com os três na Revista BrazilcomZ.

A capa da ABRESCCO, fevereiro de 2016, 1ª edição:

16730199_741720082650221_1196979426683841731_nParabéns aos sócios, sucesso e vida longa à Revista ABRESCCO!

Dênisson Padilha lança “Trilogia do asfalto” no próximo dia 19


Em seu quinto livro, Dênisson Padilha Filho traz contos premiados em edição de bolso.

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“Trilogia do asfalto” revela os binômios desolação/busca e vastidões/clausuras em contos permeados de poesia e não-ditos . O lançamento acontece em Salvador no dia 19 de abril, terça, às 19h.

Visitas ao passado, paixões e assuntos mal resolvidos. Estes são alguns dos elementos comuns aos contos do novo livro do escritor e roteirista Dênisson Padilha Filho, Trilogia do asfalto [Editora P55, 2016, contos]. O lançamento será no dia 19 de abril, terça-feira, na Tropos – GastroBar, Rio Vermelho.

O livro é uma edição de bolso que faz parte da já aclamada coleção Cartas Bahianas, da EditoraP55, e traz três histórias, duas das quais premiadas em concursos literários importantes e tradicionais.

O conto Roupa íntima, amor felino foi o vencedor do XXIV Prêmio Internacional Cataratas de Conto e Poesia de Foz do Iguaçu 2015 – Categoria Conto. O conto Como assim, dar pra ele? foi o 5º colocado no XXV Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho – 2015. Outra história é Naquela manhã de fogo, um conto cheio de não ditos, subtextos e poesia, e que sustenta as ideias de desolação, asfalto e rodovia que permeiam o volume.

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Dênisson Padilha Filho (1971) é baiano. Escritor e roteirista de audiovisual. É mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA. É autor de O herói está de folga (Kalango, 2014, contos), Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012, contos e novelas), Carmina e os vaqueiros do pequi (2003, romance) e Aboios celestes (1999, contos). Participou de algumas antologias e tem textos publicados em diversas revistas literárias. Foi vencedor do Prêmio Internacional Cataratas de Contos-2015. Mantém a coluna CONTO AFORA em seu blog dpadilhafilho.wordpress.

Conheça outros trabalhos do autor | dpadilhafilho.wordpress.com/

Fontes | Dênisson Padilha Filho |(71)99122-5876| dpadilhafilho@gmail.com

Serviço:

Lançamento: Trilogia do asfalto [Editora P55, 2016, contos]

Onde: Tropos – GastroBar, Rua Ilhéus, 214, Parque Cruz Aguiar, Rio Vermelho (Salvador/BA). (71) 3023-3307

Quando: 19 de abril [terça], 19h.

Quanto: R$ 20,00

(Texto: divulgação)

                      

 

É o silêncio…de Pedro Kilkerry


A Bahia é a capital cultural do Brasil. Respira talento nas mais variadas disciplinas, música, literatura, dança, artes plásticas, cinema, arte dramática, só para citar alguns dos grandes: João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Antônio Torres, Antônio Brasileiro, Juracy Dórea, Caetano Veloso, João Gilberto, Castro Alves, Glauber Rocha, Othon Bastos, Regina Dourado, Chica Xavier…

Pedro Kilkerry (Santo Antônio de Jesus, 10/03/1885 – Salvador, 25/03/1917), mistura de um irlandês com uma escrava baiana alforriada, foi um grande poeta, mas totalmente desconhecido na época, teve um reconhecimento tardio. Nunca publicou um livro, seus escritos foram dispersos em revistas e jornais da época, depois recolhidos por Andrade Muricy em “Panorama do movimento simbolista brasileiro” e foi objeto de estudo de Augusto de Campos. Poeta simbolista e moderno, usa “aliterações, homofonias, onomatopéias, no campo sonoro; palavras- chave e neologismos, no léxico; e, o que lhe dá uma feição muito atual, a capacidade de distanciar- se da matéria literária para poder referir- se a ela, metalinguísticamente:” (Bosi, 2004, p. 286)

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É o Silêncio…

É o silêncio, é o cigarro e a vela acesa.

Olha-me a estante em cada livro que olha.

E a luz nalgum volume sobre a mesa…

Mas o sangue da luz em cada folha.

Não sei se é mesmo a minha mão que molha

A pena, ou mesmo o instinto que a tem presa.

Penso um presente, num passado. E enfolha

A natureza tua natureza.

Mas é um bulir das cousas… Comovido

Pego da pena, iludo-me que traço

A ilusão de um sentido e outro sentido.

Tão longe vai!

Tão longe se aveluda esse teu passo,

Asa que o ouvido anima…

E a câmara muda. E a sala muda, muda…

Àfonamente rufa. A asa da rima

Paira-me no ar. Quedo-me como um Buda

Novo, um fantasma ao som que se aproxima.

Cresce-me a estante como quem sacuda

Um pesadelo de papéis acima…

……………………………………………………………..

E abro a janela. Ainda a lua esfia

últimas notas trêmulas… O dia

Tarde florescerá pela montanha.

E ó minha amada, o sentimento é cego…

Vês? Colaboram na saudade a aranha,

Patas de um gato e as asas de um morcego.

 

Resenha: “Adeus, velho”, de Antônio Torres


Adeus, velho (1981) é uma leitura que agarra desde o primeiro parágrafo, não consegui parar de ler até o final. É o sonho de todo leitor encontrar livros assim, não é?! Essa é uma história de uma família brasileira simples, mas espetacular. Um mundo imenso mora em cada personagem. Godofredo, o pai, criou os filhos para serem como ele, da lavoura, da roça. Acha estudo uma perda de tempo. Os filhos foram saindo em debandada de um a um (ou de dois em dois). A mãe é diferente, mas morreu cedo depois de parir essa legião de filhos.

Nessa história a protagonista é Elvira, grande novidade! Os seis livros anteriores que li do autor são todos personagens masculinos (os protagonistas). Se bem que os “satélites” são personagens fortes, como a mãe e a irmã de Totonhim na trilogia Essa TerraO cachorro e o loboPelo fundo da agulha. E nesse livro os personagens secundários são fortes também. Os irmãos de Virinha, principalmente Mirinho, tem um papel importante na obra. Ele estabelece uns diálogos mentais fantásticos com Virinha e com “Negão”, seu irmão adotado.

“Zé Preto”…o irmão que sofreu uma grande injustiça. Zé era também chamado de Zé Preto, por ser mesmo um tição, volumoso e esperto. Cresceram juntos, foram criados juntos, debaixo do mesmo teto. Considera- o um irmão, um bom irmão- e não apenas um agregado, como se dizia que ele era. (p.74)

Além de Zé Preto, o velho Godofredo ainda adotou mais uma menina, a Nívea. O velho Godofredo teve dezesseis filhos e mais dois adotados. Dezoito!

Mirinho trabalha também no Banco do Brasil como Totonhim. Esse personagem funciona como narrador das histórias dos irmãos.  Mas olha…Antônio Torres acertou e cheio com Elvira, “Virinha”! Ela é o alter- ego, o pensamento, a ação, a ingenuidade e o fogo, a repressão familiar e o desejo de liberdade, de muitas moças, mas muitas mesmo, ainda arraigado em tradições, costumes ou seja lá o que for, super conservadores e de um moralismo exacerbado, isto é, só em relação às mulheres. Homem pode tudo. As mulheres criam filhos que podem tudo e filhas que não podem nada. E os filhos e filhas farão o mesmo com seus filhos e filhas. E isso não é só coisa de interior e cidade pequena. No caso dessa história sim, acontece em uma cidade pequena da Bahia. De certa forma, Virinha conseguiu a liberdade sonhada.

A história vem em tempos diferentes, Virinha voltando para casa depois de ser desvirginada e largada. É a época do surgimento dos aparelhos de depilação azuis, grande novidade. Pois, esses aparelhos foram lançados no Brasil em 1968, a adolescente Virinha é mais ou menos dessa época; depois aparece já mulher com mais de quarenta anos e presa.

 Virinha perde a virgindade aos dezessete anos com um caminhoneiro que nem sabe o nome e ele a larga na estrada. Essa parte é muito, muito, muito forte! Senti muita pena de Elvira. A menina sonha em sair dali, ganhar o mundo e a sua liberdade, por isso acreditou no homem e não pensou nas consequências. Ganhou o “sobrenome” de puta, coitada. Igual sua tia Izoldina, rica e dona de um prostíbulo. É na casa dessa tia que Virinha quer morar.

Mais tarde, Elvira, “a fera da Barra”, está enjaulada porque matou, supostamente, João de Deus Sobreira, caminhoneiro, no Farol da Barra em Salvador. Foi degolado, mutilado.

A narrativa é bastante crítica em relação à vida e costumes nessa pequena cidade. O povo fofoqueiro que julga e condena, que enaltece os que voltam com dinheiro. O dinheiro que apaga o que antes incomodava. Cuidar da vida alheia nesse tipo de lugar é algo corrente. Coitado de quem cai na língua do povo. O povo sempre ganha algum apelido engraçado e depreciativo, ou o nome vai para o diminutivo, mas todo mundo perde o seu nome de batismo. Antônio Torres conta com graça essas coisas, é bem divertido. O livro tem partes de comédia, de tragédia, alguns trechos de prosa poética, filosófica.

Dezoito irmãos e todos estão sós (três morreram tragicamente); pelo menos Mirinho sente- se assim, sozinho. Todos do mesmo pai e mãe e tão diferentes. E não é assim mesmo?! Mirinho atravessou a Bahia para cuidar da irmã e ela preferiu dormir quando saiu da cadeia, mal agradeceu os esforços do irmão. Virinha tem quarenta e poucos e mora no edifício Júpiter na Avenida Sete em Salvador. Achei graça, eu já estive nesse edifício muitas vezes, será que cruzei com Virinha?! 😀

Em Mirinho concentra- se o complexo mundo das relações familiares. Ele e os pais; ele e os irmãos. O sentido de obrigação e a incompatibilidade entre eles, conflitos interiores, dilemas difíceis de serem resolvidos. Existe uma força de atração- repulsão muito forte dentro dessa família. A compatibilidade entre irmãos na infância virou só lembrança na maturidade. Perderam- se uns dos outros, já não se reconheciam, mas algo ainda os unia:

(…) Sim, Virinha. Ainda uma vez mais, Virinha. Jurara nunca mais procurá- la. Mas, e esse medo, essa solidão, essa dor? (p.124)

Virinha agora volta para contar as suas memórias, o seu mundo interior cheio de lembranças, digressões de caráter variado numa atmosfera onírica, os familiares chegam de visita, mas ela os repele, eles são pesados, incomodam, sufocam, Virinha só quer dormir, dormir. O subconsciente sempre sincero e muitas vezes inconveniente. E quando acorda quer dormir de novo: ex- presidiária com mais de 40 anos, a única renda que tinha era a dos quartos alugados no seu apartamento, as prestações atrasadas, sentia- se uma tabaroa por causa do seu sotaque.

Mas eu quero é saber…Virinha matou ou não matou o homem? Não vou contar, só vou contar que a reunião final dos irmãos para a despedida do pai foi uma tragicomédia. Eu sempre imagino os livros de Antônio Torres em forma de minissérie, filme ou novela. Não sei porquê ninguém pensou nisso ainda.

Ler Antônio Torres vicia, esse foi o sétimo livro que li do escritor. Você lê o primeiro e sente vontade de ler todos. Veja a bibliografia do escritor cronologicamente em suas primeiras edições, assim você pode começar do primeiro em diante:

Um cão uivando para a lua – 1972
Os homens dos pés redondos – 1973
Essa terra – 1976
Carta ao bispo – 1979
Adeus, velho – 1981
Balada da infância perdida – 1986
Um táxi para Viena d’Áustria – 1991
O centro das nossas desatenções – 1996
O cachorro e o lobo – 1997
O circo no Brasil – 1998
Meninos, eu conto – 1999
Meu querido canibal – 2000
O Nobre Sequestrador – 2003
Pelo Fundo da Agulha – 2006
Minu, o gato azul – 2007 (história para crianças)
Sobre pessoas – 2007 (crônicas, perfis e memórias)
Do Palácio do Catete à venda de Josias Cardoso – crônica, 2007

(fonte: www.antoniotorres.com.br)

16423_609746302482149_6045389316855845523_nAutor e obra. (foto: Facebook de Antônio Torres)

Torres, Antônio. Adeus, velho. Record, Rio de Janeiro, ePub, 2011. 196 páginas

Nos dias 18 a 25 de janeiro,  Antônio Torres estará em Lisboa para participar de 3 eventos:

1. III Colóquio Internacional Interdisciplinar Literatura, Viagem e Turismo Cultural no Brasil em França e Portugal, que se realizará na Universidade de Lisboa, de 19 a 21 de janeiro.

2. Palestra, pela manhã, na Escola Secundária de Camões (Liceu Camões), dia 22.

3. Também no dia 22, à noite, palestra na Casa da América Latina.

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Era assim que eu te chamava desde sempre, “velho”. O meu velho, Fernando Marques Carneiro (Porto, 13/10/1942- Feira de Santana, 25/09/2014), o Portuga, que eu não pude me despedir e não esqueço nenhum dia. Adeus, velho.