Onze livros para sorteio!


Na véspera da Páscoa, vamos animar o coreto?! Sorteio de 11 livros, já que só faltam 10 pessoas para atingirmos 11 mil curtidas no Facebook.

Escolhi 11 livros da minha biblioteca para o sorteio:

  1. “O desejo de Kianda”, do angolano Pepetela, comprado em Lisboa.
  2. “Amar se aprende amando”, do brasileiro Mário de Andrade.
  3. “A poesia da notícia”, do brasileiro Thiago David.
  4. “Pedro”, do brasileiro Luis Taques.
  5. “Olhares”, do português Rui Chafes, edição bilingue inglês- português, comprado na Universidade de Coimbra.
  6. “Ensino da língua materna”, da portuguesa Maria José Ferraz, muito bom para professores.
  7. “Navegando”, do brasileiro Rubem Alves.
  8. “Em busca do tempo perdido- Sodoma e Gomorra”, do francês Marcel Proust.
  9. “O alienista”, do insuperável brasileiro Machado de Assis.
  10. “Meio ambiente e formação de professores”, da brasileira Heloísa Dupas Penteado, também excelente para professores.
  11. “Só”, do português Antônio Nobre, também comprado em terras lusas.

Agora, atento(a) para as regras do sorteio:

  1. Curtir a página do Falando em Literatura no Facebook.
  2. Marcar três amigos no post do sorteio (esse) que vai estar no Facebook.
  3. Pode participar gente de qualquer lugar do mundo.
  4. Uma pessoa não pode ganhar dois livros. Ganhando um, automaticamente sairá do sorteio dos demais.

Não é obrigatório, mas seria gentil que compartilhassem o post também.

E atenção! Este sorteio só será realizado se, no mínimo, 50 pessoas marcarem seus amigos lá no Facebook.

Detalhe: os livros já foram lidos por mim, alguns estão como novos, mas há alguns que estão sublinhados e com anotações (antes eu fazia isso, agora não mais).

O sorteio será realizado no dia 15 de maio de 2017.

Anúncios

Voltando…primeiro post de 2017!


Olá, amigos e amigas, voltei! Já estava com saudade de vocês e do blog. Vou começar a contar sobre os últimos livros que li e de algumas outras novidades. Já é 13 de fevereiro, vamos lá!

A resenha de hoje é sobre um livro lido em dezembro, na altura do Natal: Histórias da Terra e do Mar, da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 06/12/1919- Lisboa, 02/06/2004), seu avô paterno era dinamarquês, e pelo lado português, de família aristocrata. Seu tio era o dono da fazenda, que hoje é o Jardim Botânico do Porto. Considerada uma das maiores poetisas portuguesas do século XX, ela também escreveu contos, ensaios, peças para teatro e  era tradutora. Foi professora universitária do curso de Letras e mãe de cinco filhos.

Sophia de Mello Breyner Andresen  01.jpgSophia de Mello

Vamos ao livro, uma obra composta de cinco contos:

História da Gata Borralheira

A história dividida em dois capítulos, realmente tem atmosfera de conto de fadas, mas não só o da Gata Borralheira como sugere o título, inclui também a história da Cinderela e da Branca de Neve, mas com um final infeliz. Será que  da modernidade pra cá (o livro foi publicado em 1984, mas o conto vem com a data de 1965) não comporta mais histórias de grandes amores com finais felizes?

Lúcia, 18 anos, moça pobre, foi convidada para um baile. Foi mal vestida e com um sapato velho e ralado. Ficou num canto, sozinha, nenhum rapaz a tirou para dançar. Se você nunca passou por isso, imagina a cena e a sensação. Depois foi morar com a tia rica casou com um homem rico. Conheceu o mundo oposto ao seu (p.26):

O mundo tem um preço, e Lúcia pagou o preço do mundo.

Lúcia reencontrou- se com o único homem que dançou no baile há vinte anos. O homem reapareceu de forma mágica. Ele era o outro caminho.

Um conto muito interessante que nos faz refletir sobre as escolhas que fazemos. E se a gente escolhesse o que não escolheu? Como teria sido?

O silêncio

Era complicado.

Assim começa a história de Joana, uma dona-de-casa muito solitária, que leva uma vida ordenada e silenciosa. A palavra “silêncio” é repetida muitas vezes, incomodando, como parece incomodar a vida de Joana; ao mesmo tempo,  o silêncio é o seu único interlocutor. Tanto silêncio é interrompido pelos gritos de uma mulher, uma briga de casal, que a protagonista espiava da janela.

A casa do mar

Esse conto é uma descrição minuciosa de uma casa do mar, que foi construída em cima de uma duna, afastada das demais casas. Particularmente, por não gostar de textos descritivos, foi o que menos gostei. Não me disse muito, mas isso não significa que ele seja ruim- ao contrário, é muito bem escrito. A inspiração foi a sua casa de Lisboa.

Saga

Esse conto remete às origens dinamarquesas da autora e demorou quase uma década para ser escrito (1972- 1981). É o texto mais longo do livro e conta a história, a “saga” do menino Hans, de uma família dinamarquesa que mora no interior da ilha de Vig ( realmente existe,  pertence à Dinamarca). O pai, Sören, ex-marinheiro, alto, magro, austero e silencioso. Ele impunha o mesmo silêncio aos demais (p. 57):

(…) sabia que é no silêncio que se escuta o tumulto, é no silêncio que o desafio se concentra.

Os dois irmão de Sören morreram em um naufrágio, por isso vendeu o barco e comprou as terras no interior da ilha. No entanto, permanece inquieto e taciturno.  Uma vez marinheiro, sempre marinheiro. É o destino da família.

O filho Hans quer ser também marinheiro, “capitão de navio”. O pai já viu gente demais sepultada no mar, quer mandar o filho estudar em Copenhague. O rapazinho fugiu em um navio inglês que passou pela ilha.

O bisavô da autora veio de barco da Dinamarca até o Porto. O personagem Hans está inspirado nele.

Sophia conseguiu, em um texto curto, narrar as peripécias, aventuras e desventuras de uma vida inteira. Dos 14 anos do protagonista até a sua morte, já idoso. Destaco um trecho que achei genial, pois condensa tanta verdade, mas de difícil percepção e síntese, ainda mais assim tão bem explicada:

E Hans compreendeu, como todas as vidas, a sua vida não seria mais a sua própria, a que nele estava impaciente e latente, mas um misto de encontro e desencontro, de desejo cumprido e desejo fracassado, embora, em rigor, tudo fosse possível. E compreendeu que as suas grandes vitórias seriam as que não tinha desejado, e que, por isso, nem seriam vitórias.

Eu prefiro não explicar o trecho acima, só sente….

Vila d’Arcos

Uma prosa poética deliciosa! Um texto bem curtinho, o mais curto do livro. Sophia pega na nossa mão e nos leva para passear pela “Vila d’Arcos”. Sophia tinha um bom gosto e sensibilidade impressionantes para escrever. Esse texto carrega uma lição de vida.

sophia

Mello Breyner Andresen, Sophia. Histórias da Terra e do Mar, Porto Editora, Porto, 2015. Páginas: 95

Gostei bastante deste livro, recomendo, anota na lista!

Daqui a pouco eu volto para contar uma novidade. Fique atento!

 

 

 

Resenha: “A queda”, de Albert Camus


 “A queda” (1956), do francês Albert Camus, pegou- me logo por causa da primeira frase do livro:

Posso oferecer- lhe os meus serviços, meu caro senhor, sem me tornar inoportuno? (p.7)

Um livro que começa dessa forma para mim é irresistível. Aliás, esse tipo de livro é o que gosto: o que faz pensar, que te faz construir e desconstruir, que lê o nosso pensamento mais íntimo, que diz sem dizer, que oculta nas entrelinhas o essencial. Enfim, um livro que vale a pena!

Papo de bar. O personagem pega alguém para iniciar uma conversa em um bar no porto de  Amsterdã chamado “México City”. O narrador- personagem, Jean Baptiste Clemente, formado em Direito, é “juiz- penitente” (ele explica o que vem a ser essa profissão). Dirige- se a um “senhor” com o questionamento citado e que despertou a curiosidade dessa leitora. Nesse “diálogo” só ouvimos uma voz, não sabemos nada do que o outro responde, fica o enigma. Esse é um dos elementos de um bom livro: a surpresa, a novidade, a sensação agradável de nunca ter lido nada parecido  e de não conseguir adivinhar o que vem depois. Isso é difícil, dificílimo em literatura, já que tudo é cópia da cópia da cópia,- ainda mais agora, a era da facilidade, da rapidez e do descartável.

A obra é curta (85 páginas), mas não é “rápida”. Exige atenção, tudo é importante, se pular uma linha vai fazer falta depois. Não salte parágrafos, muito menos páginas. Abaixo, um trechinho dos muitos que destaquei (p.16):

111

E nesse “diálogo”, o narrador vai dizendo quem é e do que gosta sem dar a chance do outro adivinhar. Assim vamos desencapando o personagem. Sabemos que é um homem de meia idade, frequentador dos bares do porto, que já foi bem sucedido, mas que por algum motivo (que vamos descobrindo) abandonou a vida anterior. Mora no bairro judeu na pós- guerra, depois de Hitler quase arrasar com tudo.

Quando você lê o título, o que lhe vem à cabeça? A queda de alguém poderoso e que perdeu tudo? “A queda” (1958) em questão é outra, muito mais profunda e interessante. Romance escrito por um filósofo foge de superficialidades e obviedades, ele mergulhou fundo nas questões. Camus recriou em forma de ficção, o seu pensamento filosófico acerca do homem. É como se fossem exemplos,  a materialização das suas ideias.

O narrador começa a dar a nota sobre algumas cidades europeias. Veja a crítica apimentada sobre Paris, a sua terra natal (igual que a do seu interlocutor mudo):

(…) Paris é uma autêntica ilusão de ótica, um imponente cenário habitado por quatro milhões de siluetas. Perto de cinco milhões no último recenseamento? Está bem, devem ter feito meninos. Não me admiro. Sempre me pareceu que nossos concidadãos tinham duas paixões violentas: as ideias e a fornicação.  (…) Bastar- lhes- á uma frase para definir o homem moderno: fornicava e lia jornais. (…) (p.9)

Jean conta sobre o seu passado, sua vida plena e feliz. Ele adorava ajudar os demais, sentia- se bem com isso, recompensado; era equilibrado, boa saúde, bom corpo, belo, honesto, bem conceituado, era respeitado. Fazia tudo o que esperavam dele. Um cidadão modelo. Considerava- se um sujeito de sorte, no entanto, queria sempre mais e mais. “Cada alegria fazia- me desejar outra” (p.21).

Algo aconteceu em uma noite de outono perto do Sena, em Paris, e tudo mudou. Esse dia ficou marcado: o início da sua queda. O homem cheio de virtudes ajudava os demais por vaidade. Ele conseguia enganar a sociedade, os amigos e clientes, no entanto, o auto- engano é mais complicado:

(…) Quando me ocupava de outrem, era pura condescendência, em plena liberdade, e todo o mérito revertia a meu favor: eu subia um degrau no amor a mim mesmo. (p.32)

O personagem começa a desvendar- se. Na verdade, o que sentia pelo outro e a sua dor, suas dificuldades, não lhe importavam muito. Jean era superficial, esquecia rápido, não se envolvia de fato com ninguém. A sua reputação é o que importava. Fazer o correto com uma intenção ruim tira o mérito?

Jean Baptiste esquecia até de quem o ofendia, não porque era bom ou perdoava, simplesmente os esquecia, não lhes importava. Ele era completamente egocêntrico:

(…) Nunca me lembrei senão de mim mesmo. (p.33)

A memória, a consciência naquela noite voltou. E conviver com as próprias verdades pode ser algo bem perigo, muitas vezes, até mortal. Começou a relembrar acontecimentos e viu que algumas de suas reações eram por pura covardia e não bondade. Uma farsa.

(…) Que importa, não é assim, humilhar o próprio espírito se desse modo se consegue dominar o mundo inteiro? (p.36)

A natureza foi generosa com Jean Baptiste. Era bonito e tinha facilidade com as mulheres, mas amou verdadeiramente uma só mulher durante toda a sua vida. Antes ele buscava “objetos de prazer e conquista”, mas com essa mulher ele passou a ser o “objeto”:

O verdadeiro amor é excecional, dois ou três em cada século, mais ou menos. O resto do tempo, há a vaidade ou o tédio. (p.37)

A pior forma de amor? Essa (p.39):

(…) Mas uma certa raça, a pior e a mais infeliz: ‘Não me ames e sê- me fiel!’

O livro é muito intenso, todos os parágrafos são interessantes, um livro inteiro “sublinhável”.

Uma das histórias que ele contou (páginas 43 e 44) mostra que ele realmente não tinha uma essência nobre,  ele só ajudava se houvesse “plateia”, se pudesse ser reconhecido. Você conhece alguém assim?

A conversa sai de passeio, sai do bar, os dois homens (que a essas alturas já desconfio que não são dois mesmo, será ele e sua consciência?) caminham até a casa de Jean. No dia seguinte vão para a ilha de Marken para ver o Zuiderzee, que é um golfo, uma ilha de pescadores quase desértica, pitoresca, “Uma aldeia de bonecas, não acha?” (p. 45). O protagonista diz que vai mostrar o que realmente há de importante ali.

Comenta sobre o suicídio, já teve pensamentos nesse sentido:

(…) Os homens só se convencem das nossas razões, da nossa sinceridade e da gravidade das nossas penas com a nossa morte. Enquanto vivos,  nosso caso é duvidoso, não temos direto senão ao ceticismo. (p.46)

Conclui que os suicidas, muitas vezes, abandonam a vida como meio de punição ao outro. No entanto, nem com a morte isso acontece, porque a faculdade de esquecimento do homem é muito forte. A pessoa perde a vida e o outro vai continuar, sem mais. O suicídio não é efetivo como vingança ou castigo.

Diz que as pessoas estão prontas e dispostas sempre para duas coisas: julgar e fornicar. (p.48)

Também conta que uma das maiores ofensas às pessoas, algo que realmente as incomoda é a felicidade e o sucesso (p. 49):

(…) Mas para ser feliz é preciso não nos ocuparmos muito dos outros. As alternativas, contudo, ficam dessa forma limitadas. Feliz e condenado, ou absolvido e desgraçado. Quanto a mim, a injustiça era maior: eu era condenado de felicidades antigas.”

Que tristeza, não? Quem nunca teve essa necessidade de esconder felicidades para não despertar invejas? Repare em “gente- corvo”, que te abraça num momento de infelicidade com um dissimulado sorrisinho nos lábios, sente- se bem com a desgraça alheia, numa falsa atitude de bondade. Fuja!

A lucidez em Camus é como farol que ilumina. Alguns chamam até de pessimismo. Eu chamo de “verdade”. Todos querem ser inocentes, mas ninguém é. Veja isso:

Eis o que nenhum homem (salvo os que não vivem, quero dizer os sábios) pode suportar. A única defesa está na maldade. As pessoas apressam- se, então, a julgar, para elas próprias não serem julgadas. Que quer? A ideia mais natural para o homem, o que lhe surge ingenuamente, como do fundo da sua natureza, é a ideia da sua inocência.

Eu disse que era um livro profundo. E “sufoca”, fica mais intenso ainda a partir da página 50. Se eu for destacar tudo, vou acabar escrevendo o livro inteiro aqui. Eu acho que a filosofia ensina mais e descreve melhor o homem do que qualquer outra disciplina.

Desse livro ficam mais perguntas que respostas: o homem é tão desvirtuoso por causa da sociedade que criou e suas exigências ou é próprio da natureza humana, independente da época e local? E sim: o homem é mais que imperfeito. Quem leva a vida a sério sofre.

Quase todo mundo leva uma vida dupla: o que se é (ou pensa ser) e a que se mostra ao outro.

O tempo. Nos ensinaram a correr desde cedo. A maioria corre por medo de não conseguir realizar tudo o que se pretende ou sonha. Aí vem o pensamento da morte que fica cravado em quem tem a consciência do fim.

Todo o processo de perda, a queda do personagem, tem um objetivo final, que é desprender- se de todas as convenções e amarras em busca da liberdade.

Com isso fabrico um retrato que é de todos e de ninguém. (…) Mas, ao mesmo tempo, o retrato o retrato que apresento aos meus contemporâneos torna- se um espelho. (p.81)

Só no final que você vai descobrir realmente quem é o interlocutor. E se você ler só a última página não vai entender nada, vai ter mesmo que passar por todo o processo que eu passei.


Albert Camus (Mondovi, Argélia, 07/11/1913- Villeblevin, França, 04/01/1960), jornalista, doutor em Filosofia, romancista, ensaísta, dramaturgo e militante político da Resistência Francesa, que lutava contra o nazismo. Ganhou o Nobel de Literatura em 1957. Em 1943, Camus passou três dias em São Paulo. Sofria de tuberculose. A doença atrapalhou bastante a sua carreira acadêmica, não pode ser professor. Morreu cedo, aos 46 anos, em um acidente de carro. O escritor checo Jan Zabrana (1931-1984) afirmou em seu diário, que o acidente foi proposital,  foi assassinado pelo governo russo.

albert-camusTuberculoso e fumante. Difícil achar uma foto de Albert Camus que não esteja com um cigarro na boca.


A edição lida é da portuguesa “Livros do Brasil”, que pertence a Porto Editora. Aproveito para deixar o link de uma das páginas da editora com vocabulário e dicionário da língua portuguesa, que você pode consultar online, Espaço da Língua Portuguesa, clique aqui.

Esse livro é daqueles que eu gostaria de ter escrito, está na linha de Sartre e Dostóievski, humanista.  Recomendadíssimo, coloque na sua lista!

40072-c3bdcfdab21a44ecacc48275daab2aa6Camus, Albert. A queda. Livros do Brasil, Porto, 2015. 85 páginas

A livraria Lello no Porto, a do “Harry Potter”


Voltando das férias com novidades! Visita a uma das livrarias mais lindas do mundo e outra visita a uma das cafeterias mais lindas do mundo, que têm algo em comum, além da beleza, leia:

A livraria Lello e Irmão (1919), na cidade do Porto, já era muito famosa e ilustre antes de aparecer na saga de J.K. Rowling (a autora fará 50 anos no dia 31), “Harry Potter”. A escritora britânica mudou- se para o Porto em 1991, nove meses depois da morte da sua mãe. Ela não deve ter boas recordações, porque disse que esteve no “fundo do poço”. Casou com um português, o casamento fracassou em menos de um ano. Nem tudo foi ruim já que inspirou- se na cidade para escrever sua obra mais famosa, além de ter tido uma filha; sentada no Café Majestic, Joanne terminou de escrever “A pedra filosofal” durante as manhãs; de tarde/noite, dava aulas de inglês numa escola de idiomas (quem foram seus alunos?). J.K. tem uma filha portuguesa, Jessica Isabel Rowling Arantes, que nasceu em 27 de julho de 1993 (faz aniversário três dias antes de sua mãe), a moça é filha de Jorge Arantes.

Joanne Rowling é formada em Letras com francês, além de saber o nosso idioma. No Natal de 1993 ela já estava em Edimburgo sozinha com sua filha de seis meses. Pensa que a vida dos escritores é uma mar-de- rosas? A literatura a salvou (pelo menos da falta de dinheiro).

Essa semana estive na Lello e no Café Majestic. Veja as fotos:

lello1Estilo neogótico, o edifício foi construído especialmente para ser a livraria do francês Ernesto Chardron, que faleceu aos 45 anos. A livraria passou por outros donos até chegar aos irmãos Lello.

lello2

Eu adoro visitar livrarias com história, que foram frequentadas por escritores importantes e gosto de escolher a dedo os meus livros. Eu tinha em mente uma lista que ficou a ver navios. Fiquei surpresa logo na entrada: um rapaz falando inglês organizando a fila e limitando a entrada das pessoas. Como?! Sim, para entrar na Lello existe fila. O sol estava quente, “mas já que estou aqui”, fiquei. Não demorei muito para entrar, descobri o motivo: as pessoas entram, fazem fotos e vão embora. Ninguém compra nada, elas querem ver apenas o cenário da biblioteca da escola de Hogwarts.

lello

O calor dentro da loja estava insuportável sem ventiladores nem ar- condicionado e ainda com tanta gente barrando as passagens com câmaras, selfies, caras e bocas. Apenas curiosos incômodos e inconvenientes. Escolher livros?! Impossível. Peguei um rapidamente para ter alguma lembrança desse dia. Frustrada, fui para o caixa vazio, comentei com o rapaz que era impossível escolher livros com tanta gente e tanto calor.

lello0

Há uma cafeteria no 1º andar, mas também estava vazia. Parece que uma das mais famosas e visitadas livrarias do mundo não tem uma vendagem à altura e nem digna de toda a sua história. Qual a solução? “Cobrar entrada”, foi o que pensei. E coincidentemente, vi ontem este artigo que diz que a partir de agosto irão cobrar 3 euros para entrar na livraria e serão descontados se a pessoa comprar algum livro. E os clientes fiéis pagarão 10 euros por ano e terão acesso ilimitado. Acho justo. A Lello também é editora, veja aqui o catálogo. O diretor é José Manuel Lello.

lell011

Pelo valor histórico e artístico, além do seu acervo, que conta com literatura variada, portuguesa e livros em inglês, a Lello merece ser visitada. Mas não seja um turista inconveniente, não atrapalhe e nem interrompa, “pode tirar uma foto?”, as pessoas que estão vendo os livros.

lello5

Fotografando as fotógrafas (quatro!) mirando para o alto:

lello8

E depois de visitar a Lello e sair com um livro debaixo do braço, fui tomar algo no Café Majestic .Veja o livro que eu trouxe da Lello, o segundo do americano Henry Miller (Nova York, 1891), “Trópico de Capricórnio”, de 1939 (o primeiro foi “Trópico de Câncer”, 1934). Eu não tinha nada dele e fiquei curiosa. Miller era um tipo boêmio, parece que horrorizou as pessoas na época por seus livros terem conteúdo sexual, foi proibido em todos os países, exceto na França, onde morava. Será que é para tanto? Depois eu conto.

11752625_498833600272205_4765247967586338298_n

O Café Majestic é de 1921, mantém o charme da Belle Époque e fica na zona central do Porto, em um calçadão para pedestres (“peões” em Portugal). O café servido realmente é muito gostoso e o croissant com massa de brioche é delicioso, recomendo!

11745866_498815773607321_282216978281679439_n

O interior, que não é tranquilo, os garçons trabalham em ritmo frenético, está cheio de turistas e suas câmaras, não é um lugar que convida à leitura.

11751821_498815883607310_7228569367285846952_n

PS: As fotos foram meio que destruídas com o endereço do site em letras garrafais propositalmente, porque as pessoas copiam e não dão o crédito.

Concurso de ensaios sobre Oscar Niemayer


Oscar Niemayer (clique aqui para ver a fundaçao Oscar Niemayer) é o arquiteto brasileiro mais internacional, consagrado por suas obras originais, criativas, inovadoras. Foi o arquiteto que projetou Brasília, a capital do Brasil e que mais recentemente fez um projeto arrojado, um edifício futurista, o Mac (Museu de Arte Contemporânea que fica em Niterói, no Rio de Janeiro).

Oscar vai fazer 100 anos e a Universidade do Porto lançou um concurso de ensaios para comemorar a data, destinado a estudantes brasileiros e portugueses, ao que transcrevo abaixo:

No âmbito da celebração do 100º aniversário de Oscar Niemeyer a Faculdade de Arquitectura lança um concurso para elaboração de um texto de reflexão teoria/crítica, em português, aberto a todos os estudantes de arquitectura de faculdades portuguesas e brasileiras e a todos os estudantes da Universidade do Porto.

OBJECTIVO
Elaboração de um texto original (não publicado) de reflexão sobre a obra e/ou vida de Oscar Niemeyer.

APRESENTAÇÃO
O texto não poderá exceder os 7.500 caracteres (notas e eventuais legendas incluídas); o título será destacado; fonte Times New Roman 12; a 1, 5 espaços; justificado.
Serão entregues cinco impressões do ensaio (texto e imagens) em papel A4 branco; todas as páginas serão identificadas pelo mesmo número de código no canto superior direito e numeradas (1/x, 2/x(…), x/x) no canto inferior direito.
Imagens (facultativo): as imagens ou serão directamente integradas no corpo do texto ou se forem enviadas em folhas próprias, estas deverão ser numeradas e identificadas pelo mesmo número de código, acompanhadas ou não de legenda(s).

DATA LIMITE
A data limite para entrega dos ensaios é 15 de Setembro de 2008 (carimbo dos correios).

MAIS INFORMAÇÕES:
Serviço de Relações Públicas e Internacionais
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
T: +351 22 605 71 03/15
F: +351 22 605 71 98
Email: sre@arq.up.pt
http://sigarra.up.pt/faup/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=566