Manuel Bandeira e Drummond no Parque dos Poetas em Portugal


Alguns sonhadores pensaram que seria uma boa ideia criar um parque onde a poesia fosse a grande atração. E realmente foi uma excelente ideia! Alguns dos idealizadores do parque:  Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras (1985-1989), o poeta e escritor David Mourão-Ferreira e o escultor Francisco Simões.

IMG_3881

Poesia com vistas ao mar. Esse é o labirinto.

O Parque dos Poetas é grande, tem “22 hectares de área verde. Quarenta artistas plásticos. Sessenta esculturas dos maiores poetas de sempre. Um museu ao ar livre. Equipamento desportivos, infantis, lúdicos. O magnífico Templo da Poesia. O único parque de poesia no mundo está em Oeiras.” É o único parque do mundo dedicado só à poesia!

leitura

O parque tem um edifício para exposições. No último andar, um mirador com vistas ao mar e uma sala de leitura com alguns livros, onde também se pode tomar um cafezinho e descansar.

Nele estão representados os 20 maiores poetas portugueses do século XX, 13 trovadores e poetas do Renascimento e 27 esculturas de poetas.

As  informações acima estão num planfleto informativo/mapa, que peguei quando visitei o parque nesse mês. Quem assina o texto é o atual presidente da Câmara, Paulo  Vistas. Ele esqueceu de mencionar os poetas de outros países lusófonos. Brasileiros há dois: Carlos Drummond de Andrade, que vai ficar para uma próxima visita (o parque é gigante, não deu tempo!) e Manuel Bandeira, que tem um cantinho muito especial no parque.

IMG_3914

O pernambucano Manuel Bandeira (Recife, 19/04/1886- Rio de Janeiro, 13/10/1968) foi poeta, cronista, tradutor, imortal da ABL (1940). Dele é o famoso poema “Vou- me embora pra pasárgada”:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Pasárgada foi uma cidade persa que não existe mais, hoje é território do Irã; um lugar, ironicamente, não muito conhecido por ser pacífico. A Pasárgada de Bandeira é mais idílica.

Escultura

Versos de Manuel Bandeira no Parque dos Poetas (Portugal)

Quem criou o conjunto de esculturas de Manuel Bandeira no Parque dos Poetas foi também um pernambucano, o fantástico Francisco Brennand (11/06/1927):

Francisco Brennand

O artista plástico pernambucano Francisco Brennand (Facebook)

Conheça um pouquinho mais do parque no vídeo abaixo (é curtinho). No chão do monumento à Bandeira está o poema “Canção das duas Índias”:

Entre estas Índias de leste
E as Índias ocidentais
Meus Deus que distância enorme
Quantos Oceanos Pacíficos
Quantos bancos de corais
Quantas frias latitudes!
Ilhas que a tormenta arrasa
Que os terremotos subvertem
Desoladas Marambaias
Sirtes sereias Medeias
Púbis a não poder mais
Altos como a estrela d’alva
Longínquos como Oceanias
— Brancas, sobrenaturais —
Oh inacessíveis praias!…

Para a web do Parque dos Poetas, clique aqui.

Anúncios

Você sabe o que significa “serendipity”?


O termo “serendipidade” vem do inglês “serendipity”. A palavra foi inventada pelo escritor britânico Horace Walpole (século XVIII), ela apareceu em um dos seus contos.

O “serendipismo” acontece quando algo muito legal surge por acaso. Exemplo: um físico está estudando sobre a teoria de cordas e descobre um novo elemento químico, que não tem nada a ver com seu estudo inicial; você está procurando o fio do seu computador e encontra os seus óculos perdidos há meses; a moça cruzou a rua fugindo do ex- namorado e esbarra no seu novo amor. A história está cheia de casos de cientistas que estudavam uma coisa e encontraram outra.

“Serendipity” está relacionada com acontecimentos bons e agradáveis, então é uma palavra feliz. Em espanhol, “serendipia”. Esse post surgiu, serendipitosamente, quando eu procurava ontem um romance clássico na livraria e encontrei esse de poesia contemporânea espanhola:

 

20292955_835630809925814_2228474037094248917_n

20376048_835630786592483_3204756588155701777_n.jpg“Descobrimento feliz e inesperado que acontece quando se está procurando outra coisa diferente”.

20374781_835630789925816_6829196623110258514_n“Eu me perdi./ No caminho/ descobri alguém.// Era eu.// Não tenhas/ medo de procurar respostas.// Porque, do contrário,/ terás uma vida/ cheia de perguntas.”

12279156_10205192228144605_8350898324068306919_n

David Sadness  (nome artístico de David Olivas) é um jovem fotógrafo e poeta de Albacete, Espanha.

5 de junho: aniversário de 118 anos de Federico García Lorca


Um dos maiores escritores da língua espanhola, Federico García Lorca (Fuentevaqueros, 05/06/1898 – Víznar, 19/08/1936), poeta e dramaturgo, completa hoje 118 anos de nascimento. Formado em Letras e Direito, mudou de Granada para Madri onde conheceu inúmeros intelectuais.

Viajou para Nova York e Cuba, voltou em 1936 para a sua cidade natal, onde foi preso e fuzilado, dizem, pelos seus ideais liberais. 

Lorca era homossexual. A Espanha vivia uma ditadura, os gays não “existiam”. O escritor era um insulto à moral e aos bons costumes, fora seus ideais políticos. Foi eliminado.

a84e5c2bf5037a4166e980de8149ccd0

Na foto acima, Lorca aos 18 anos com Salvador Dalí que tinha 24. Eles eram muito mais que amigos, mas comenta- se que não foi um amor consumado. (Será?! Eu acho que foi sim). Tudo indica que Dalí era homossexual, mas nunca assumiu publicamente, então, oficialmente, o romance nunca foi assumido. A foto desprende intimidade, não?

dali

No livro “Querido Salvador, Querido Lorquito”, do jornalista Víctor Fernández, reúne cartas de Dalí a Lorca com conteúdo apaixonado, beirando o erótico. Ambos tinham relacionamento com outras mulheres para dissimular.

A opção sexual dos artistas influenciou nas suas obras? Sim, por isso comento.

Leia os poemas de García Lorca (em espanhol). E- book grátis!

Deixo a dica de um filme que conta a história dos artistas com protagonista famoso, Robert Pattinson:

Resenha: A poesia da notícia, de Thiago David


Quem planta violência/ não colhe cidadão. (Thiago David)

Um pouco de literatura brasileira contemporânea. Thiago David estreia com “A poesia da notícia”. Ele é um jovem poeta e compositor carioca nascido em 1987. É publicitário, mas não exerce, sonha em poder viver só de literatura.

Esse livro foi uma grata surpresa, principalmente por se tratar de poesia. Estamos carentes de bons poetas na pós- modernidade (desculpe a quem ofender possa). Thiago conseguiu algo que eu desejava há tempos: um reflexo do nosso tempo, a nossa cara, – mais que isso- , a representação de um pensamento coletivo, é algo mais profundo ( e nem sempre agradável de se constatar). Acho que ele conseguiu de uma forma bem interessante com versos simples e eficazes. Parece que tudo está no lugar, não sobra nem falta.

Thiago resgata o que há de humano em nós. O problema do outro… é do outro?

thiagoFoto: Facebook do autor

Notícia pode virar poesia? Claro! O consagrado modernista Manuel Bandeira fez isto, veja o “Poema tirado de uma notícia de jornal”.

O cotidiano está cheio de poesia, mas as notícias são descartáveis, amanhã terá uma nova e a de hoje estará na cesta de lixo. A poesia é uma boa tentativa de imortalizar o “banal”. A repetição torna as pessoas insensíveis, o comovente não comove mais ninguém, exceto quando o fato acontece com elas ou alguém próximo. A poesia é uma forma de reeducação sentimental.

Vamos à obra:

“A poesia da notícia” está dividida em 13 temas: Cotidiano e Sociedade, Policial, Política, Eleições, Internacional, Esporte, Cultura, LGBT, Racismo, Mulher, Saúde, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, ou seja, abarca uma boa parte dos fatos sociais.

Os títulos dos poemas são manchetes de jornais. No poema abaixo, uma notícia tão repetida, mas interpretada com um olho poético, veja como muda. Essa manchete carrega um verdadeiro drama. Veja (p.10):

PREÇOS DE IMÓVEIS EM SP NÃO VÃO PARAR DE SUBIR, DIZ ESPECIALISTA

Olhando os classificados,
pensando de onde tirar tanto dinheiro
(em comparação com meu salário),
torço imensamente pra que essa alta de preços,
não afete o mercado 
que vende papelão.
É bom ter a certeza de que algo cobrirá o chão.

Muita gente passou por isso. Perder um objeto é muito mais que uma questão financeira. Nisso mora a diferença entre o preço e o apreço, o valor real das coisas. Outro ponto que chama a atenção no título é o “circula livremente”. Como se livro e biblioteca não precisassem de atenção, cuidado e vigilância (p.12):

BANDIDO INVADE BIBLIOTECA NACIONAL NA MADRUGADA, CIRCULA LIVREMENTE E ROUBA COMPUTADOR E MONITOR

Roubaram um laptop
e um monitor de madrugada.
Mas não sabem como foi difícil encontrar a versão original
de Macunaíma e Na estrada.
A antologia poética de Drummond era pesada
a do Pessoa, impossível de ser carregada.
Coube no laptop todas as obras
oficiais, traduzidas e raras
para serem levadas 
digitalizadas

No poema acima, vejo a preocupação do poeta com a musicalidade, as rimas, a cadência do poema. As palavras foram escolhidas e estudadas para ficarem no lugar correto, não é aleatório, nota- se o trabalho.


O próximo poema parte de uma notícia que chocou muita gente. Vocês devem lembrar do adolescente que foi amarrado em um poste no Rio de Janeiro, não? Alguns festejaram o ato de barbárie. O castigo foi inválido, o menor voltou a roubar. Leia a sábia conclusão do poeta:

MENOR PRESO AO POSTE É FLAGRADO EM NOVO ROUBO

Suponho, observando aqui,
que esses tais "justiceiros"
imaginaram ter dado uma grande lição.
Mas pelo que eu entendo,
chicote deixa marca,
mas a marca mais a raiva
do que qualquer instrução.
Quem planta violência
não colhe cidadão.

E o absurdo do nosso tempo, todo mundo colado nas redes sociais, na internet, até numa situação extrema (p.129):

FACEBOOK CRIA BOTÃO PARA SOBREVIVENTES DE DESASTRES

De baixo da lama
da terra, da lava,
da bomba, da água,
da chuva, da pedra,
do fogo, na queda,
no susto, no escuro,
no meio do medo,
uma reza em silêncio
insiste:
– Que ainda haja internet! –


Eu gostei muito desse livro, uma leitura agradável, corre fácil, ao mesmo tempo que te faz pensar. É dos poucos que tenho lido onde a literatura é genuinamente nacional. Alguns escritores brasileiros escrevem como europeus. E eu não vejo nenhum europeu escrevendo como brasileiro. Ainda se faz literatura europeia no Brasil. Isso era para ter acabado no Romantismo.

“A poesia da notícia” é também um documento histórico do nosso tempo (por causa dos títulos), mas, por causa da poesia, atemporal. Vou arriscar com essa afirmação: daqui a 20, 30, 50 anos, vai continuar atual. Thiago acertou com esse livro.

Quem é brasileiro vai se identificar e quem é estrangeiro vai aprender como é o Brasil.

Habemus poeta!

13173714_606698272819070_4934630404326740764_n

David, Thiago. A poesia da notícia. Editora Oito e Meio, Rio de Janeiro, 2016. Páginas: 148

Blindness and Insight: The Meaning of Form in F.S. Flint’s Malady, by Elton Uliana


 

Blindness and Insight: The Meaning of Form in F.S. Flint’s Malady

flint

 

 

Frank Stuart Flint (London, 19 December 1885 – Berkshire, 28 February 1960)

Malady (F.S. Flint)

I MOVE:

perhaps I have wakened;

this is a bed;

this is a room;

and there is light . . .

 

Darkness!

 

Have I performed

the dozen acts or so

that make me the man

men see?

 

The door opens,

and on the landing —

quiet!

I can see nothing: the pain, the weariness!

 

Stairs, banisters, a handrail:

all indistinguishable.

One step farther down or up,

and why?

But up is harder. Down!

Down to this white blur;

it gives before me.

 

Me?

 

I extend all ways:

I fit into the walls and they pull me.

 

Light?

 

Light! I know it is light.

 

Stillness, and then,

something moves:

green, oh green, dazzling lightning!

And joy! this is my room;

there are my books, there the piano,

there the last bar I wrote,

there the last line,

and oh the sunlight!

 

A parrot screeches.


F.S. Flint’s Malady is the archetypical Imagist poem.[1] The poem urges its readers to visualize objective images but Flint’s radical principles of clarity, cadence and exactness powerfully suggest a blinding, disorientating subjective condition. In the early twentieth century just the same kind of ontological anxiety, alongside an irreverent crisis in artistic representation took the form of Modernism. In this context, the pragmatic question of what kind of event is really happening in Malady is inseparable from Flint’s shifting contrast between objective binary oppositions, from the poet’s ‘unrhymed cadence’ technique and from the graphic image of the poem on the page.[2] This study will analyze Malady to elucidate the assertion that the Imagist paradigm the poem represents is inextricably aligned with the shared aesthetics of Modernist narrative. I shall argue that Malady is a kind of phenomenology of language, one in which the meaning of the words in the poem is closely bound up with the image and the experience of them. In addition, I will suggest that the blindness of the speaker is a metaphor for the blindness of the modern human subject where dissolubility and fragmentation are part its aesthetic.

Malady signals a development in poetic perspective. If its true that the poem rejects verbal inventiveness, ‘nearly-exact’ or ‘decorative words’, it is also true that it tersely draws attention to this fact.[3] It does so by continuously posting signifiers that refer unambiguously to material objects, making the poem strikingly visual and forcing the reader to ‘ideate’ such visions in the imagination: ‘this is a bed;/this is a room; and there is light…/Darkness!’, (lines 3-6).[4] The poet depicts external objects in an astonishingly compacted manner and by repeatedly questioning their stability in relation to the speaker and to their binary oppositions (‘But up is harder. Down!’, line 19), the author engraves the subjective experience of this ‘man’ (who ‘is ill and cannot see’) at extraordinary length in the mind of the reader.[5] This powerful imagist effect is enhanced with a combination of language precision, emphatic punctuation and sharp line breaks. The poem’s self-conscious sculpturedness not only allows for, but also imposes pause, silence and mental elaboration. In addition, the words are direct and emotionally blank, which fuelled by a circumspection of thought become a kind of emotional response in itself, increasing thereby the destabilizing, dizzying effect: ‘Stairs, banisters, a handrail:/ all indistinguishable.’ (lines 15-16). As a result, the speaker’s vertiginous perplexity becomes palpable and strikingly visible.

These formal innovations extend also to prosody. Like end-rhymes, regular metre is peculiar to most poetry which preceded Flint’s generation. These are precisely the features that Malady rejects. Instead, the images are compressed into short lines of distinctive syllabic count: ‘I move: / perhaps I have wakened; /this is a bed;/ this is a room;/ and there is light . . .’ (line 1-5). The iambic foot with which the second line begins echoes the metrical rhythm of the opening line and this pattern operates to mutually reinforce the mood of both lines. Perhaps the reader would be expecting after that some kind of regularity, something like a rising, bouncing iambic rhythm. But being undisputedly of a Modernist strand, the poem is not bound to regularity.  Significantly, the pattern is broken in the third line where a sudden rhythmic modulation occurs.  The stress falls from the second syllable (‘I move’ and ‘perhaps’) to the first syllable ‘this’, a strategy which in turn, is reproduced in the following line, thus generating another kind of regularity, one that will be equally displaced subsequently. By diverting the rhythm of the language from its anticipated course the poet arguably infuses the words with new content and function.  Indeed, in my view, he invites the reader to participate in the composition by generating his or her own personal pauses, inflection and intonation. It becomes then plausible to suggest that these cumulative verbal effects endow the straightforward scenario depicted with dizzying emotional color. Notably, Flint’s poetic method is structured in Imagist concerns with expressing ‘new moods’ by figuring out new prosodic relations.[6]

This new method has another nuance. With an insightful brushstroke Flint subjects the space described, a universally ordinary bedroom (in the sense that it could be anyone’s bedroom) to a powerful transformation.  In replacing a few words (‘a’ bed, ‘a’ room – lines 3,4, by ‘my’ room, ‘my’ books – lines 30,31), the meaning radically changes and the space becomes distinguishably personal, the speaker’s own recognizable bedroom. This semantic shift is performed with a grammatical one: the substitution of the impersonal indefinite articles by definite personal ones. Indeed, this aesthetic denouement has the overpowering effect of changing the psychological landscape of the speaker from painful to peaceful.

There is an abiding paradox operating in the poem: this is the fact that Flint makes ubiquitous, forceful and artificial use of conventional punctuation and in making these typographical signs so promptly conspicuous, the poet highlights the very artifice that the Imagists wish to clear poetry from.[7] With the exception of the third stanza, which is a four-line sentence with three enjambments, every other line of the poem is a strictly independent clause terminated by an emphatic punctuation mark (reticent only in line 5, ‘and there is light…’). For a critic like T.S. Eliot, speaking about poetry in general, such punctuation signs are ‘naïve, usually superfluous and overemphatic’. In truth, far from being a grammatical solecism, the incisive punctuation in Malady becomes a formal staple upon which the poetic image can be assembled by the reader. The special pathos in this is that intervening repeatedly on the poem’s phrasal movement and graphic shape, Flint allows the audience to experience the images at different lengths and intensity. Sometimes by stumbling towards points of arrival (‘But up is harder. Down!’, line 19), sometimes by moving away from points of departure ( ‘Me?’, line 22), the reader is able to emulate, to enact the experience of the speaker. According to Mercedes Romon-Alonso, these typographical incisions are trivial and highlight the critical fallacy on which Imagism has been built.[8] In my view, if this showcase of ink marks betrays Imagism and places practice and theory in dialectic, it does so by sharply materializing a form which seeks simultaneously to contain and extend the speaker’s complex emotional drama on the page. In this way, Flint experiments with new poetic forms for contemporary concerns.

The closing movement of Malady starkly stages a defamiliarizing device. It explores, rather unexpectedly, an external image that is apparently unrelated to the speaker’s mood: ‘A parrot screeches.’ (line 35). Flint’s final line abruptly disrupts the poem’s semiotic situation and leaves the reader intrigued, perplexed and puzzled. Suzanne Clark has suggested that the sentence is embroidered into the piece as a kind of sophistry, linking more or less desultorily the sensations of the speaker with the squealing sound of the parrot.[9] For the critic, the line is spurious and appears to be meaningful but it is actually vapid. In my view, far from being self-indulgently meaningless, the sudden appearance of the parrot imbues the poem with a redemptive quality. It restores beauty, brightness, hope and insight, if momentarily, to the life (or indeed death) of the individual speaking in the poem. Pushing the image to an extreme, it can be metaphorically understood as representing some kind optimism for the collapsing, shattered modern subjectivity. In one way, lurking on the surface of the poem is both the personally chaotic, dissolute interiority of the poet’s persona and the universally fractured state of modern sensibility. In another, the poem functions to foreground key concepts of Modernist aesthetics with affected awareness.

 Malady typifies, rather magnificently, the modernist disbelief that traditional poetic conventions could capture the experience of the modern world. I have argued that the relationship between form and content in the poem is typically a modernist one. If Flint’s poetics is suffused with recurrent, sharp, clear-cut images of everyday life, it is also punctuated with the painstaking drama of human disintegration and meaninglessness, an inherent condition of modernity and one which the modernists have been profusely concerned with representing.[10] For Flint, and for the modernists in general, literature is about complicating ideas of form so far that these ideas reflect the subjective apprehension of modern life.

Bibliography

Artridge, Derek, Poetic Rhythm (Cambridge:  Cambridge University Press, 2002)

Clark, Suzanne, Sentimental Modernism (Indianapolis: Indiana University Press, 1999)

Copp, Michael (ed.), Imagist Dialogues: Letters between Aldington, Flint and Others

(Cambridge: The Lutterworth Press, 2009)

Davis, Alex. (ed.), The Cambridge Companion to Modernist Poetry (Cambridge: Cambridge University Press, 2007)

Herman, Theo, The Structure of Modernist Poetry (London: Croom Helm, 1982)

Hughes, Glenn (ed.), Imagist Anthology (London: Chatto & Windus,1930)

Iser, Wolfgang, The Act of Reading: a Theory of Aesthetic Response (Baltimore: The John Hopkins University Press, 1980)

Jones, Peter, Imagist Poetry (ed.) (London: Penguin, 2001)

Kolokotroni, Vassiliki (ed.) Modernism: An Anthology of Sources and Documents (Edinburgh: Edinburgh University Press, 1998)

Levenson, Michael H., A Genealogy of Modernism: A Study of English Literary Doctrine 1908-1922 (Cambridge: Cambridge University Press, 1986)

Romon-Alonso, Mercedes, H.D. Sublimity and Beauty in Her Early Work (1912-1925), Durham University, 1999,  [http://etheses.dur.ac.uk]

[1] See ‘Imagism: Preface to some Imagist Poets’ in Modernism: An Anthology of Sources and Documents, ed. by Vassiliki Kolokotroni, Jane Goldman, and Olga Taxidou (Edinburgh: Edinburgh University Press, 1998), p. 268-269.

 
[2] Kolokotroni (1998), p.268.
[3] Kolokotroni (1998), p. 269.
[4] Wolfgang Iser, The Act of Reading: a Theory of Aesthetic Response (Baltimore: The John Hopkins University Press, 1980), p. 136-137.
[5] In a letter to the editor of The Nation Flint explains, after being called ‘Prose-impressionist’ and accused of confusing ‘white blur’ with significance by one of the periodical critics, that ‘the man is ill and cannot see; and there is no impressionism therefore, but exact rendering.’

This is also an evidence that the speaker in the poem is a male figure. See Michael Copp (ed.), Imagist Dialogues: Letters between Aldington, Flint and Others (Cambridge: The Lutterworth Press, 2009), p. 96.
[6] Kolokotroni (1998), p. 269.
[7] Kolokotroni (1998), p. 269.
[8] Mercedes Romon-Alonso, H.D. Sublimity and Beauty in Her Early Work (1912-1925), Durham University eTheses, 1999,  [http://etheses.dur.ac.uk/4691/1/4691_2160.PDF?UkUDh:CyT], assessed 9 Jan 2015.
[9] Suzanne Clark, Sentimental Modernism (Indianapolis: Indiana University Press, 1999), p.132.
[10] Michael H. Levenson,  A Genealogy of Modernism: A Study of English Literary Doctrine 1908-1922 (Cambridge: Cambridge University Press, 1986), p.5.


 

Um texto de Elton Uliana, brasileiro residente em Londres, bacharel em Literatura Inglesa pela Universidade Birkbeck College, University of London.

Filme “Eclipse total”, a história da paixão entre Rimbaud e Verlaine


Impressiona, é forte, é incrível a história de amor entre os franceses Paul Verlaine e o adolescente de olhos verdes Arthur Rimbaud, poetas simbolistas que modificaram o panorama poético mundial. O filme é inglês, de Agnieszka Holland, protagonizado por Leonardo DiCaprio, que faz Rimbaud e David Thewlis, que interpreta o feíssimo Verlaine, muito mais velho que Arthur com apenas 16 anos.

                                                Arthur Rimbaud

                                                      Paul Verlaine

Veja o filme na íntegra com legendas (mal escritas) em português:

A língua portuguesa, ” última flor do Lácio”


Língua Portuguesa (Olavo Bilac)


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!