Obra completa grátis: “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust


O escritor Marcel Proust (Auteuil, 10/07/1871- Paris, 18/11/1922), um dos maiores escritores franceses e do mundo, escreveu uma obra- prima chamada “Em busca do tempo perdido”, que foi dividida em 7 partes e você pode baixar inteira em PDF:

1. “Do lado de Swann” ou “No caminho de Swann” (depende do tradutor), leia aqui a resenha do Falando em Literatura.   PDF grátis aqui.

2. “À sombra das moças em flor”. PDF grátis aqui.

3. “O caminho de Guermantes”. PDF grátis aqui.

4. “Sodoma e gomorra”. PDF grátis aqui.

5. “A prisioneira”. PDF grátis aqui.

6. “A fugitiva”. PDF grátis aqui.

7. “O tempo recuperado. PDF grátis aqui.

O crédito e o agradecimento vai para o pessoal do Projeto Phronesis pela digitalização dos livros.

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Resenha de filme: “A família Bélier”


Essa é uma produção francesa, que conta a história de uma família: mãe, pai, filha mais velha e filho caçula. Vivem em um sítio no interior da França, fabricam queijo e depois vendem em uma feira. A moça tem 15 anos e leva uma vida típica de adolescente, exceto por uma coisa: ela serve de intérprete da linguagem de sinais para os seus pais e irmão, que são surdos- mudos. Ela é a única que fala e ouve na casa.

Leia o post completo lá no PalomitaZ, na Revista BrazilcomZ.

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O FOTÓGRAFO SEBASTIÃO SALGADO RETRATADO EM “O SAL DA TERRA”


Sebastião Salgado (Aymorés, Minas Gerais, 08/02/1944) formado em Economia, é o maior fotógrafo brasileiro da atualidade e de toda a história do Brasil, consagrado entre os melhores do mundo. Em 1969, exilou- se em Paris por causa da ditadura no Brasil. Ganhou o “Príncipe de Astúrias” na Espanha. O fotógrafo lançou o livro Genesis,  Como o próprio nome diz, é sobre a natureza mais selvagem e primitiva, que o fotógrafo registrou durante 8 anos em suas andanças pelo mundo. Seu filho criou o documentário “Sal da Terra”….

Continue lendo o texto original postado lá no PalomitaZ, na Revista BrazilcomZ (Espanha).

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Livro grátis: Olga, de Fernando Morais


Um best seller brasileiro para baixar grátis em vários formatos ou ler online. O livro conta uma história real (é uma biografia) da corajosa Olga. Sinopse:

A obra fala sobre a vida de Olga Benário alemã, judia e comunista, que se envolveu com Luís Carlos Prestes. Ela veio ao Brasil para lutar com ele pelos ideais comunistas. Acabou sendo presa e deportada grávida para a Alemanha pelo governo brasileiro, tendo como presidente Getúlio Vargas. Morreu numa câmera de gás de um campo de concentração em 1942.

O autor é Fernando Morais (Mariana, Minas Gerais, 1946), que esteve recentemente no Salão do Livro de Paris. Ele é um viciado fumador de charutos (busquem no Senhor Google, em quase todas suas fotos está com um charuto na boca…cof,cof, cof! Detesto, o cheiro é vomitivo, a fumaça é insuportável. Nem vou colocar foto dele aqui, a minha política pessoal barra fotos de fumantes), ah,  é  jornalista especializado em biografias.

Até no perfil dele do Salon du Livre de Paris está segurando um charuto. Será que ele acha bonito?! Não pode largar o charuto nem pra tirar uma foto?! Não fume, moçada. Primeiro, porque é um acinte à beleza, ao bom gosto e aos bons ares; depois, porque faz mal à saúde alheia e por último, porque faz mal pra você mesmo, mas como esta  é uma decisão sua, deixo em terceiro lugar, porque é (parcialmente) um problema seu. O ruim mesmo é quem não quer fumar e fuma passivamente por causa de fumantes mal educados (que são muitos!). Fumaça impregna, incomoda, irrita. Ah, e as doenças provocadas por cigarros, charutos e afins, incluindo a dos fumantes de drogas ilegais, quem paga depois são os cidadãos, pois  vão se operar, se tratar, se curar nos hospitais públicos, por isso é um problema de todos. E os governos irresponsáveis ganham fortunas vendendo estas merdas e como o dinheiro está acima de tudo, permitem. Vício em cigarro não é doença, é burrice. É modinha pra maria-vai-com-as-outras, gente sem personalidade, que acha que ganha alguma enfiando essas porcarias pela boca e poluindo o nosso ambiente. Ufa, pronto, falei! Não caia nessa, meu caro, minha cara adolescente, é pra você essa mensagem. Não queira estropiar seus dentes e seu hálito, que vai ficar pior que latrina, fora o aumento da possibilidade de você ter câncer, enfisema, problemas gerais e ainda vai ficar mais pobre, cigarro é caro! Deu pra reparar que odeio cigarro, maconha e charuto?

Bem, mas estamos Falando em Literatura…baixe o livro charutado e esfumaçado aqui:

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Começou o Salão do Livro de Paris, Brasil é o convidado de honra


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Começou ontem à noite oficialmente, o 35º Salão do Livro de Paris, com a presença do ministro brasileiro, Juca Ferreira e o francês,  Fleur Pellerin. O Brasil é o país convidado de honra. A comitiva brasileira não é das mais numerosas, 43 escritores brasileiros estão em Paris, em edições anteriores esse número quase chegou a dobrar. O Ministério da Cultura anunciou ano passado que seriam 48, que aconteceu com os outros 5?

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O custo para o governo brasileiro foi de 4 milhões de reais. Segundo a web do Ministério da Cultura do Brasil, o país quer aprofundar o intercâmbio cultural com a França. Juca Ferreira fez um discurso destacando a diversidade literária do Brasil:

Sinto-me muito honrado por estar ao lado de um time de escritores tão representativo da literatura brasileira contemporânea, tão representativo de sua diversidade, sob vários pontos de vista. Trouxemos para a França um panorama bem diverso da produção literária brasileira, uma boa amostra de sua qualidade”, afirmou o ministro.

Cerca de 30 traduções brasileiras serão lançadas na Feira, verba que veio das “Bolsas de Tradução”, da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

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Imagem do Salão do Livro de Paris 2015

É notório nas livrarias espanholas um maior número de traduções de literatura brasileira nas estantes, possivelmente por causa desses incentivos do governo federal para fomentar a nossa literatura no exterior.

Veja aqui o perfil de todos os escritores brasileiros que participam do Salão do Livro.

Paris é uma festa! Coluna de Ancelmo Gois


Assim intitulou Ancelmo Gois a sua coluna no O Globo, “Paris é uma festa!”. A festa literária brasileira a partir do dia 20 de março, devido ao Salão do Livro de Paris, que acontecerá em três dias, mas depois haverá apresentações e eventos na Sorbonne, por exemplo, até o fim do mês. Veja a coluna, eventos e autores:

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Com um agradecimento ao mestre Antônio Torres que nos manda notícias fresquinhas nessa ponte Brasil-Espanha!

“No café da juventude perdida”, Patrick Modiano


(…) Às vezes te oprime o coração quando pensa nas coisas que podiam ter sido e que não foram, ainda digo agora inclusive, que a casa continua vazia esperando- nos. (Ronald, p. 128)

Prepare uns sapatos confortáveis porque você vai caminhar muito pelas ruas de Paris! Livro com encanto, tom nostálgico, de memórias, mistério, de um amor inesquecível passe o tempo que passe, aconteça que acontecer. A cafeteria “Le Condé”, em Paris, é o ponto- de- encontro de jovens e de gente madura com espírito boêmio. O que um filósofo sentimental chamava de ‘juventude perdida’ (p.14). Anos 60, a época do surrealismo francês em uma das suas faces mais aloucadas, a patafísica de Alfred Jarry, Boris Vian, Eugène Ionesco e Julio Cortázar. Ainda não foi editado no Brasil.

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 Patrick Modiano (Boulogne-Billancourt, 30/06/1945) na bela biblioteca da sua casa. (Foto: France Today). Modiano ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2014.

Os personagens são Louki, Zacharias, Tarzan, Jean- Michel, Fred, Ali Cherif, Annet, Seu Carlos, Mireille, Adamov e o doutor Vala. A dona da cafeteria é a dona Chadly. Um dos narradores- personagem encontra- se com Chadly às margens do Sena, quando a cafeteria já havia fechado há muitos anos, em seu lugar havia uma loja de bolsas. A senhora temia pelo futuro daquela turma sem futuro . “Que será que foi deles?” Eles não estavam preocupados com o futuro, viviam só o presente, queriam descobrir quem eram.

A história gira em torno de Louki, que vai sendo construída aos poucos, o livro é cheio de sutilezas, converte em grande o que parece ser normal, cotidiano, descreve o que pensamos e sentimos em centelhas de segundos, aquelas percepções, insights, sensação de déjà vu, “eu já vi isso antes”…esse livro me fez sorrir…isso é boa literatura!

O cenário parisiense, toda a cartografia da cidade vai sendo desenhada: os encontros na Avenue de la Grande- Armée, o rio Sena, o bairro Porte- de- Maillot, os metrôs, Neuilly (uma cidade metropolitana de Paris), enfim, nesse livro temos um mapa da cidade das luzes.

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Pimm’s é um licor que serve como base para coquetéis criado em 1823 pelo escocês James Pimm. Louki e a amiga Jeannette tomam um “Pimm’s champagne” no bar “Le Canter” (Jeannette é uma das donas), na rua de La Rochefoucauld.

Tem gente que faz coisas que parecem insignificantes ou inúteis, veja o que fazia Bowing: ele escrevia num caderno todos os nomes das pessoas de frequentavam a cafeteria, simplesmente para que existissem. Quando a gente coloca nome em alguém, ela deixa de ser uma a mais na multidão. Isso te parece inútil?! Ele queria acabar com o anonimato da grande cidade.

(…) Bowing estava desejando salvar do esquecimento as borboletas que dão voltas durante breves instantes ao redor de uma lâmpada.(Caisley, p.16)

Mas também tem uma coisa: um nome sem significado e sem história é só um nome marcado à tinta num papel. O doutor Vala comentou com Bowing que achava engraçado esse experimento dele “de patafísica”, mas o narrador corrige: “Ele confundia tudo: patafísica, o letrismo, a escritura automática, as metagrafías e todos os experimentos que realizavam os frequentadores mais literatos do Le Condé (…)”. (p.22)

Ninguém da turma do Le Condé sabe o nome verdadeiro de Louki. Ela mora perto do cemitério de Montparnasse.

Caminhava com essa sensação de leveza que, às vezes, sentimos em sonhos. Já não temos medo à nada, todos os perigos são irrisórios. Se as coisas ficam feias de verdade, basta despertar- se. Somos invencíveis. Caminhava, impaciente por chegar ao final, ali aonde não havia mais que  céu azul e um vazio. (Louki, p.84)

O narrador 1 mora no boulevard Saint- Michel, nº 85, em um quarto alugado, é aluno da Escola Superior de Minas na Sorbonne, ele mantém segredo aos colegas da cafeteria, tanto sobre o lugar onde mora quanto sobre o lugar que estuda, não parece muito convencido da sua escolha profissional.

“Vivemos à mercê de certos silêncios. Sabemos muito uns de outros. Assim que fazemos por encontrar- nos.” (Ronald, p.29)

Um outro narrador, que chamarei de 2,  (pensamos que é um narrador, só no final do livro que descobrimos que são dois) tem uma obsessão por descobrir quem é Louki. E foi conseguindo: o nome, “Jacqueline Choureau”, de solteira “Delanque”. Foi casada com Jean- Pierre Choureau, a quem Louki havia abandonado há dois meses. Ela, 22, o ex- marido, 36. A mãe trabalha no Moulin Rouge. O romance vai sendo construído aos pedaços, o tempo vai e volta, presente- passado. Também vamos descobrir quem é o narrador, mas não vou revelar, vou deixar para vocês descobrirem também. Só o nome: Caisley. Nessa obra nada é por acaso, tudo vai sendo amarrado, costurado com uma precisão matemática! Seu primeiro nome só vamos descobrir na última página.

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O restaurante “Au chien qui fume” (“O cachorro que fuma”), na rua Cherche- midi, Montparnasse, citado pelo narrador 1, (p.33), ele entrou para tomar um conhaque, nervoso com a possibilidade de encontrar Louki. Ficção e realidade. O restaurante realmente existe (foto acima), como muitos lugares citados no livro, que nos leva pela mão num passeio gostoso por Paris. Vous vous promenez? Paris é uma cidade dividida por 20 distritos (arrondissements), que começa no ponto mais central e vai circulando a cidade em forma de aspiral.

Na metade do livro mais ou menos (p. 59) vai ficar ainda mais interessante, porque agora entra Louki com própria voz para explicar a sua história e como ela vê os frequentadores do Le Condé, a mesma coisa que fez Caisley.

Louki sofria ataques de pânico, Modiano conseguiu explicar esse problema incômodo e o que passa na cabeça da pessoa com um ataque de ansiedade. A metáfora de fios desunidos é perfeita! É isso, é como se a pessoa estivesse desconectada do mundo e de si mesma, o mal-estar toma conta de tudo:

“De repente, sentia uma sensação de vazio pela rua. A primeira vez foi diante do bar que havia ao lado do Cyrano. Passava muita gente, mas isso não me tranquilizava. Cairia redonda e essa gente continuaria seu caminho sem fazer- me caso. Caída de tensão. Corte de corrente. Tinha que esforçar- me para voltar a unir os fios.” (Louki, p. 78)

Ela tinha “agorafobia”, não podia sair dos limites do seu bairro. Sentia que não podia ultrapassar a fronteira. Traumas do seu passado. O medo de viver às vezes é tão grande que o cérebro procura um meio de desconectar. Ela estava só, sua mãe morreu há quatro anos e ela cresceu sem o pai. Não tem família.  Frequenta as sessões de Guy de Vere (nome de um personagem do poema “Lenore” de Edgar Allan Poe), uma espécie de guru espiritual. Jacqueline o conheceu na Livraria Vega, que realmente existe e é uma editora de livros esotéricos, espiritualistas.

Desse livro eu senti falta de uma descrição física mais detalhada de Louki, Caisley e Ronald. Não consegui visualizá- los. Gosto de Andersen, Proust ou Dostoiévski, por exemplo, que desenham os personagens, fazem um retrato- falado dos personagens.

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Essa é a “Place de la République”, onde nossos dois “flâneurs” Louki e Ronald passeiam. A famosa estátua que simboliza “Liberdade, fraternidade e igualdade”. Essa noite dormiram no mesmo quarto de hotel.

Encontram- se Louki e Ronald. O narrador cita um fenômeno interessante que acontece com a maioria de nós,  o “Eterno Retorno”, uma teoria filosófica de Nietzsche que tem a ver com o tempo e a repetição periódica de acontecimentos, a inevitável alternância de coisas boas e ruins:

Ainda hoje acontece algumas vezes: ouço, pela noite, uma voz que, pela rua, chama o meu nome. Uma voz rouca. Arrasta um pouco as sílabas e a reconheço rápido: a voz de Louki. Dou a volta e não há ninguém. (…) Tudo volta a começar, igual que era antes. Os mesmos dias, as mesmas noites, os mesmos lugares, os mesmos encontros. ‘O Eterno Retorno’. (Ronald, p. 95)

Já teve essa sensação alguma vez?

É uma única história contada sob várias perspectivas. Uma delas é como Ronald vê a relação entre Louki e Jeannette Gaul. Assim que percebemos que tudo, todas as histórias têm mais de um ponto de vista, tudo é relativo. As histórias condicionadas pelo tempo, o vivido e o lembrado, podem ser diferentes.

Quando de verdade amamos uma pessoa, temos que aceitar a parte de mistério que existe nela…Porque é por isso que a amamos, verdade (…)? (Ronald, p. 118)

Essa história é sobre Paris e sobre um relacionamento que acaba, mas que o amor nunca termina. Não é um romance romântico, é tudo muito sutil, conta sem contar, um verdadeiro quebra- cabeças. O final…melhor não contar. Surpreendente.

E aí, vai colocar na sua lista? Essa é a edição espanhola lida:

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Modiano, Patrick. En el café de la juventud perdida, Anagrama, Barcelona, 6ª edição, 2014.

Preço: R$ 92,14, Saraiva (Brasil).

Preço: EUR 14, 90, Casa del Libro (Espanha), dependendo do frete, compensa.

Páginas: 131