O Ministério da Educação quer retirar a Literatura Portuguesa do currículo, por quê?


Falando em Literatura…a “boa nova” do momento, espero que essa sandice não seja levada adiante.

Gostaria que o governo brasileiro nos explicasse e justificasse a “brilhante” ideia de retirar a Literatura Portuguesa do currículo escolar. Gostaria de saber como essa cúpula “genial” de pensadores e especialistas em Educação chegou à conclusão que seria um benefício para a Educação nacional excluir a literatura que influenciou e precedeu a nossa, e que continua sendo importante.

Deixar de ler na escola Eça de Queirós, Fernando Pessoa, José Saramago, Camões e Alexandre Herculano, vai melhorar a qualidade da Educação brasileira?

Talvez a ideia seja optar pelo “nacionalismo” no pior sentido da palavra. Ler só a literatura brasileira e “ensinar” só a riqueza cultural do Brasil, “mais próxima à realidade do aluno”. Essa é a bandeira dos “educadores”, que nunca conseguiram ler uma obra inteira na vida e agarram- se a essa teoria fuleira para acomodar- se. O sócio- interacionismo, tal como a linguística mal interpretada, entendida superficialmente por gente despreparada para exercer funções docentes, trouxe um verdadeiro caos à Educação do Brasil.

O Brasil não produziu literatura brasileira, propriamente dita, até chegar no Romantismo. Que vão fazer, apagar a história literária do Brasil? Quando político se mete aonde não deve, só sai coisa ruim. Por que não vão cuidar do mosquito, da violência, da corrupção que ASSOLAM o Brasil e são mais urgentes?!

Aguardo explicações do Ministério da Educação para justificar mais essa tentativa de aculturação massiva que estão pensando em implantar. Aguardemos…

O que é importa é a ARTE e ela está acima de ideologias políticas. Ah, sem esquecer do mestiço mais ilustre, o brasileiro Machado, que amante da boa literatura, deve estar bem “feliz” aonde estiver.

Enquanto isso, professores de literatura portuguesa e universidades de Letras de todo o país, aprendam tupi- guarani ou irão ficar desempregados!

Perdoa, Fernando Pessoa, eles não sabem o que fazem!

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Xícaras literárias da Vista Alegre, porcelana portuguesa


A fábrica portuguesa de porcelanas Vista Alegre é uma das mais famosas e prestigiosas do mundo. A fábrica (1920) fica na cidade de Ílhavo (Aveiro) e suas peças estão espalhadas pelo mundo todo, expostas em museus e usadas pela realeza. No entanto, essa plebeia, não resistiu e trouxe de Lisboa para o Falando em Literatura esse conjunto de “chávenas” para café com caricaturas de escritores consagrados. As peças sempre levam a assinatura de algum artista. A fábrica tem um museu, mas agora está em reformas, fechado para visitas.

As xícaras fazem parte de uma coleção chamada “A viagem”, do artista António Antunes (Vila Franca de Xira, 1953). Ele é diretor do Salão de Humor Gráfico World Press Cartoon. António fez uma série de desenhos que podem ser vistos na estação Aeroporto do Metrô de Lisboa. São 50 figuras em 49 painéis espalhados pela estação e estão divididas em músicos, escritores, atores e pintores, que também foram parar nas porcelanas da tradicional Vista Alegre.

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Os escritores são:

Natália Correia (Fajã de Baixo, São Miguel, 13/09/1923 — Lisboa, 16/03/1993), consagrada escritora portuguesa de prosa e verso, deixou uma rica e vasta obra. Foi política, presa, teve sua obra censurada. Casou quatro vezes, trabalhou na tv, foi jornalista. Com um pé no surrealismo, era amiga de Mário Cesariny, outro escritor que também faz parte dessa séria de “xícaras literárias”. Uma vida muito intensa, refletida nas suas escrituras, e arrebatada, repentinamente, por um ataque ao coração. Conheça mais sobre essa grande escritora portuguesa aqui.

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De amor nada mais me resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto;
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

(in, «Poesia Completa», D. Quixote, Lisboa, 1999)


José Saramago (Azinhaga, Portugal, 16/11/1922 – Lanzarote, Espanha, 18/06/2010), esse dispensa apresentações, não é? Creio que é o mais conhecido escritor português, junto a Fernando Pessoa. O único escritor em língua portuguesa que ganhou um Nobel de Literatura. Sua escritura é caracterizada pela falta de pontuação e sua crítica ácida à sociedade portuguesa, que considerava passiva, parece que mantinha uma relação amor- ódio com o seu país. Eu sou absolutamente apaixonada pela obra de Saramago. “Claraboia” (primeira foto) foi seu publicado postumamente. Foi o seu segundo livro, mas parece que o autor não gostava muito e o deixou engavetado. O viúva tratou de publicá- lo depois de sua morte. Leia mais sobre ele aqui.  Veja a resenha do último livro de Saramago, “Alabardas”, romance que, infelizmente, ficou inacabado. Saramago sai com a cara meio enfezada na caricatura, mas era bem o contrário, era uma pessoa doce, bem humorada e simpática:

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E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? (in, “A maior flor do mundo”, José Saramago)


Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 02/06/2004) foi uma escritora de prosa e verso, dessas imperdíveis, seus versos são cânticos às memórias da sua infância e da sua terra. O mar é um tema constante na sua escritura. Foi a primeira portuguesa a ganhar o Prêmio Camões. Professora universitária, formada em Letras e mãe de cinco filhos.

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Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

(in No Tempo Dividido, 1954, Sophia de Mello)


Mário Cesariny (Lisboa, 09/08/1923 – Lisboa, 26 de Novembro de 2006) poeta e pintor, principal representante do surrealismo português.  Anarquista, revolucionário e questionador, de humor ácido. Fascinante! Coloca na sua lista.

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Eu, Sempre…
Eu sempre a Platão assisto.
Pessoalmente, porém, e creia que não
Tenho qualquer insuficiência nisto,
Sou um romano da decadência total,
Aquela do século IV depois de Cristo,
Com os bárbaros à porta e Júpiter no quintal.
( in “O Virgem Negra”, Mário Cesariny)


O Facebook de António Antunes, clique aqui.

A web da Vista Alegre, clique aqui.


Estás convidada e convidado para um café literário aqui no Falando em Literatura. Vem!

“A metade indivisível”, crônica do escritor português António Vilhena


Falar de amor parece fácil, mas é bem o contrário. Existe muita literatura a respeito, tanto em prosa quanto em verso, e às vezes, parece que pouco mais há para ser dito. Engano. O amor (ou o desamor) sempre será fonte de inspiração na literatura.

Essa crônica do português António Manuel Vilhena (Beja, 14 de outubro de 1960), psicólogo e escritor de verso e prosa para adultos e crianças, nos apresenta a sua visão sobre o assunto. Seu último livro “Cartas a um amor ausente” (ouça na voz do autor) foi para os palcos, virou peça de teatro.

Você acredita que é possível amar alguém por toda a vida?

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António Vilhena mora em Coimbra e é o novo curador da Casa da Escrita (ainda vai tomar posse). (foto: Facebook do autor)

Conheça a Casa da Escrita em Coimbra inaugurada em 2010, antes residência do escritor João José Cochofel (falecido em 1982):

Leia o texto de António Vilhena:

A metade indivisível

Há amores que existem para eternizarem a esperança, são uma espécie de lua branca aureolada no imaginário dos poetas. Mas que seria do amor se não fossem os exemplos raros que atravessam as vidas para viverem na literatura ou no cinema? Todos conhecemos grandes histórias de amor que se fixaram à galeria dos mitos, mas que tiveram vida própria e corações inquietos, “gente com lágrimas” e medos, viagens adiadas e promessas de encontros, vestidos de noiva e flores, zangas e reencontros. Há no amor e na guerra irracionalidades que escapam aos que não escutam o silêncio do beijo e das armas. Há um rio íntimo onde os peixes desejam ser outra coisa quando a força das marés os impede da orla da praia. Quem não “odiou” o seu amor? Quem não puxou os cabelos, mordeu os lábios, vociferou palavrões ou outras pragas? Há um mundo próprio de quem ama, invisível a quem vai comprar coentros, mas que ilumina a vida e as utopias como sangue nas veias. Ter um amor é viver na paciência do outro, na tolerância, no jeito ridículo que transforma cada coisa num tesouro de encantamentos. Mas são as zangas, as provas mais difíceis, que colocam o amor nos leitos mais profundos da sobrevivência. É nesses momentos que o pior e o melhor parecem vizinhos, que tudo parece perder sentido, que a luz dá lugar à treva, que o mundo dos sonhos parece ceder à guerra dos ratos. Quando isso acontece, há um tempo para as águas lavarem as pedras e devolverem o fundo transparente do rio aos olhos dos amantes. As zangas tiram a respiração e no calor das conversas soltam-se palavras como flechas. Depois vem o arrependimento. Mas as palavras já estão coladas à pele do outro. Cada silêncio é um misto de esperança e de reencontro, de borboletas na barriga e de sede. A fonte das incertezas é o medo da decisão errada. A escritora de “O Amante”, Marguerite Duras e Yann Andréa conheceram melhor do que ninguém o fogo do amor num copo de água. A força do seu amor nunca sucumbiu às zangas. Yann regressava sempre roçando as mãos pelas paredes até encontrar o grande silêncio nos olhos de Duras. Tal como Yann Andréa reconheceu em DURAS, o nome de cinco letras, que amava absolutamente, Gabriel reencontrou-se, também, com o nome da sua amada, de cinco letras e a mesma verdade: amava-a absolutamente. “Aquilo que sabemos, você e eu, é isto: gostamos um do outro. Que acontecimento. Que história. Que amor”- escreveu Yann. Gabriel, também, sabia da zanga da sua paixão, quase a roçar o ódio, quase a encomendar-lhe o funeral antes de o lançar aos leões. Ao lado dessa zanga, quase ódio, moram, também, outros sentimentos paradoxais. É na antítese dos sentimentos que o amor assume as suas vicissitudes. Porém, há um tempo para escalar a raiva e outro para acolher, estender a mão, tocar, abraçar e recuperar a paz. “Há amores que resistem às pedras do caminho”. As rugas representam o tempo, a cristalização de muitos passos, talvez, de angústias, de medos e de sacrifícios. O que pensará alguém que chega à idade das rugas, templo escavado de memórias? Duras deixou-nos um rosto velho, mas sábio de emoções. O que atravessa o amor é a soberania da metade indivisível, o sentimento de que na tristeza há sempre uma flor que resiste à zanga. Duras empresta-me as palavras finais de “O Amante” para terminar esta crónica: Dissera-lhe que era como dantes, que ainda a amava, que nunca poderia deixar de a amar, qua a amaria até à morte.

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Bibliografia (fornecida pelo autor):

Data 1987

Publica o livro Do Ventre da Terra, poesia, dedicado ao amigo de sempre, o escritor Manuel da Fonseca, apresentado em Coimbra pelo Prof. Doutor José Carlos Seabra Pereira.

Data 1989

Publica o livro Trança D`Água, poesia, com prefácio do Prof. Doutor José Carlos Seabra Pereira.

Data 1991

Publica o livro A Eterna Paixão de Nunca Estar Contente, prosa poética, com prefácio de Natália Correia.

Data 1993

É convidado a escrever um texto para a apresentação dos catálogos das exposições, em Coimbra, dos cartoonistas António e Carlos Laranjeira.

Data 1995

Coordena a antologia de jovens poetas de Coimbra, Memória da Palavra, editada pela Delegação regional da Cultura do Centro, com prefácio do Doutor José Carlos Seabra Pereira.

Data 1996

Publica o livro Mais Felizes que o Sonho, poesia, com prefácio do escritor Fernando Dacosta.

Data 2004

Edita o livro de crónica, Diálogos de Rosa e Espada, com prefácio da Prof. Doutora Maria Teresa Roberto.

Data 2006

O Piano Adormecido (infantil)

Data 2012

Canto Imperecível das Aves (poesia).

A Formiga Barriguda (infantil).

Data 2013

Templo do Fogo Insaciável (poesia).

As Férias da Formiga Barriguda (infantil).

Data 2014

Cartas a Um Amor Ausente (poesia).

A Orquestra da Formiga Barriguda (infantil)

Os sebos, você é cliente?


Confesso: tenho uma certa resistência aos sebos por uma questão higiênica, mais que qualquer outra coisa. Tenho uma certa resistência às bibliotecas públicas e ao empréstimo de livros pelo mesmo motivo. As pessoas comem e bebem lendo, lavam sempre as mãos quando pegam um livro? Lêem em lugares públicos, na rua, em ônibus, parques, trens, sentam em livros, os colocam no chão. Os livros sofrem e são vítimas dos germes e bactérias. Vítimas de espirros e fluidos humanos de todas as qualidades. Os livros usados são comida para fungos, ácaros, insetos e outros bichos estranhos. Notou a minha apurada noção dos seres invisíveis e prejudiciais à saúde? Pois é. Eu entro em um sebo e espirro e me esquivo e me agonio e saio rápido.

Com tudo isso, com esse ataque hipocondríaco evidente, reconheço o valor e necessidade dos sebos. Dormem neles verdadeiros tesouros, edições esgotadas, anotações interessantes de seus antigos leitores, dedicatórias de escritores importantes e a curiosidade, “por que alguém se desfez desses tesouros?”. A morte, a falta de espaço, o desinteresse, a falta de dinheiro. Dinheiro. Os sebos são baratos. Veja esse, na Calle Alcalá em Madri, Espanha. Por 10 euros você leva os títulos que quiser. Individualmente, valem 2,90 euros. Entrei para ver o que tinham de literatura brasileira. Quase nada, um livro e era em italiano; e outro de um português, veja:

11403183_472207096268189_5093967367782752670_n“Nas asas dos sentidos” prova que a literatura não tem limites nem exclusões. Augusto Deodato Guerreiro é um professor português, doutor em Ciências da Comunicação, vê pouco, mas enxerga longe.

11401156_472207122934853_8406705896811813826_nA letra evidenciando o problema visual do poeta Deodato Guerreiro. Guerreiro mesmo. E a dedicatória ao professor….Félix?

11401374_472207172934848_6687936878467399946_nE a edição italiana de Tieta, de Jorge Amado.

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“Tik Books”, na rua Alcalá, Madri.

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Um sebo ou loja de livros usados na capital espanhola. Em Madri há duas lojas, veja.


 

E você, costuma frequentar sebos? O que já encontrou de interessante neles?

E-book grátis: “Livro do desassossego”, de Fernando Pessoa no seu 127º aniversário


Hoje é o dia de dois Fernandos que nasceram em Lisboa: Santo Antônio ( nome de batismo “Fernando”) e Fernando Pessoa. Ambos fizeram e ainda fazem milagres.

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Pessoa andando pelo bairro do Chiado em Lisboa

Fernando Pessoa faria hoje 127 anos, faleceu jovem, aos 47 anos por causa de problemas hepáticos. Deixou- nos poemas que elevaram a poesia portuguesa (e mundial) ao mais alto nível. “Livro do desassossego” é uma reunião de textos fragmentados com pensamentos do autor, que usa um heterônimo: Bernardo Soares,  ajudante de guarda- livros em Lisboa. Vale a pena ler!

Baixe grátis aqui o “Livro do desassossego”. Essa edição faz parte do acervo do governo português, do “Plano Nacional de Leitura”.

Veja a programação para o aniversário do autor na Casa Fernando Pessoa, a casa onde morou nos seus últimos 15 anos de vida e que virou museu no Campo de Ourique, Lisboa.

Livrarias de Madri (3ª): “Pasajes”


A livraria internacional Pasajes (“Passagens”) é especializada em livros em outros idiomas, mas como sempre, o português é muito pouco privilegiado, uma estante pequena com uma maioria de escritores portugueses e três ou quatro livros de escritores brasileiros. Clarice Lispector, Nélida Piñón e Rubem Fonseca. Bons, mas tenho todos.

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Essa livraria foi fundada em 1999 e ganhou um prêmio de “Bibliodiversidade” em 2008 da Associação de Editores de Madri. Os funcionários sabem falar diferentes idiomas, o que facilita a busca de livros para quem chega e não sabe falar espanhol.

15568_445717428917156_7723586494150428344_nA livraria pertence à Editora Trotta, que editou toda a obra de Walter Benjamin. O nome da livraria vem de um livro do escritor “Passagens”, “o ar livre de um céu azul sem nuvens curvado sobre a folhagem, e no entanto, ficou coberto com o pó de muitos séculos por milhões de folhas às que se agitavam à fresca brisa do afã, o pesado fôlego do pesquisador, a tormenta do tesão juvenil e o sopro indolente da curiosidade”. (livre tradução)

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No alto das estantes fotos de grandes personalidades literárias.

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Na vitrine, livros em francês expostos.

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Em “Pasajes” há livros em espanhol, inglês, francês, alemão, português, russo, italiano, chinês, entre outros.

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A livraria é bem “standard” no quesito arquitetônico/decorativo, o único elemento diferente é essa coluna, suponho que da construção original e que foi mantida.

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São várias salas distribuídas em dois andares.

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Em cada sala há um funcionário para das informações.

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O acervo é bom, mas tem algo nessa livraria que faz com que eu não me sinta muito à vontade. Normalmente entro, compro o que preciso e saio rápido. Não sinto vontade passear e olhar livros. Falta charme e janelas. Acho que é meio claustrofóbica. Por isso e pela escassa oferta de literatura brasileira, vai levar uma nota 5. Já que é internacional, deveria valorizar mais o idioma, que também pertence à União Europeia. É uma livraria de “passagem” mesmo, já que não tem lugar pra sentar e nem cafeteria.

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Um espaço para os professores oferecerem seus serviços.

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O acesso à livraria é fácil. Saindo da Plaza de Colón (uma com a enorme bandeira espanhola), na rua justo em frente é a Génova. Na Praça de Colombo também fica o Consulado do Brasil.

Librería Pasajes

Callé Génova, 3- Madrid

Aberta de segunda à sábado de 09:30- 21:30


Veja as outras livrarias resenhadas AQUI.

PDF grátis: Florbela Espanca


Florbela Espanca, poetisa portuguesa, nasceu e morreu no mesmo dia 8 de dezembro (Vila Viçosa, 1894- Matosinhos, 1930). Seu nome de batismo: Flor Bela Lobo, filha de Antonia da Conceição Lobo e pai desconhecido. Sofria de neurastenia, casou duas vezes e divorciou- se duas vezes. Perdeu a mãe que sofria de neurose e perdeu também o seu irmão, o que agravou seus problemas psicológicos, além de um edema pulmonar. Suicidou- se no dia que nasceu e dia também do seu primeiro casamento. (fonte: citi.pt)

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Viveu pouco, mas muito intensamente os seus 36 anos. Sua primeira obra “O livro das mágoas”, versos sofridos, doídos:

A MINHA DOR
À você

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal …
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias …
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve … ninguém vê … ninguém …

Sua obra caracteriza- se pelas fortes emoções, pela dor e pelo desejo de ser feliz. Florbela tornou- se uma das escritoras portuguesas mais conhecidas e até de culto, possivelmente porque conseguiu colocar nos seus versos a dor e a esperança de muita gente.

PDF grátis do livro “O livro de mágoas” (1919)