Resenha: “A livraria”, de Penelope Fitzgerald


Depois de ter assistido o filme (leia a resenha aqui), fiquei com vontade de ler a obra que inspirou a diretora espanhola Isabel Coixet, “A livraria”.

“A livraria” (1996) foi dividida em dez capítulos e é uma obra com fundo autobiográfico. A autora, Penelope Fitzgerald, mudou nomes e alguns dados nesse seu primeiro romance (de oito escritos), e o mais importante da narrativa tem a ver com a sua própria vida. No posfácio ilustrado com gravuras da autora e intitulado “A comédia humana”, o genro de Penelope nos deixa dados curiosos sobre a semelhança da obra e a vida da sogra. Penelope escreveu esta história quando tinha 61 anos, seu marido havia falecido há pouco tempo, como a personagem principal, Florence Green.

Florence é descrita como uma mulher sem grandes atributos físicos, nem financeiros, pouco vaidosa e que leva uma vida, digamos, “medíocre”, sobrevivendo com a pensão de viúva. É comum as pessoas se acomodarem em situações ruins, por medo de que fique pior, caso tentem algo diferente. Florence era assim também, prudente, só que ela decidiu que era primordial comprovar se era capaz de sobreviver com o próprio esforço. É um motivo excelente para uma mudança. E assim o fez. Comprou uma casa velha de frente para a praia, com muita dificuldade, pedindo um empréstimo ao diretor do banco, que não estava muito convencido do sucesso do seu empreendimento.

Entendo o sentimento de Florence. Há coisas aparentemente absurdas que temos que fazer sim ou sim, independende das consequências. Ao montar a livraria “Old House” numa casa caindo aos pedaços e cheia de mofo, a possibilidade de sucesso num povoado frio e ventoso da costa inglesa, era mínima. Em Hardborough (que significa “Cidade dura”) não é que existissem muitos leitores. A autora passou por circunstâncias similares vinte anos antes de escrever este livro, tempos duros, só que na cidade Suffolk e depois em Southwold. O marido, um advogado sem sucesso, trabalhava em Londres e ela arranjou um trabalho de meio período na livraria “Sole Bay Books” (fechada em 1990), foi essa livraria e sua dona, Neame, as inspirações dessa obra. Na Sole Bay rondavam fantasmas, um “poltergeist” citado no livro. No filme de Coixet esses fantasmas não tiveram protagonismo e, de um modo geral, os filmes são só “baseados” em obras, são sempre diferentes dos livros. Esse não é diferente.

A notícia de que Florence iria abrir uma livraria correu como o vento. E isso despertou muita inveja.

“Old House”, uma casa que já havia sido alagada várias vezes e resistiu, além de ser mal- assombrada, era a segunda casa mais antiga do povoado, só perdia para a casa do senhor Brandish, a “Holt House” (“A casa do bosque”), construída há 500 anos. Os fantasmas são chamados de “rappers” (golpeadores) na cidadezinha. E por isso a casa tinha ficado abandonada vários anos, ninguém quis comprar por causa dos fantasmas.

Os seres humanos são muito piores que os fantasmas, são terríveis. Bastou alguém se interessar pela casa abandonada que outros colocaram o olho em cima também. Acontece na vida constantemente, reparou? Você se interessa por algo ou alguém, aparecem vários querendo o mesmo; o moço (ou moça) lá sozinho, basta alguém se interessar, que vem alguém querendo o que é de outro. Parece que desperta a cobiça, a maldade ou a inveja mesmo.

Abaixo, a edição espanhola lida, muito caprichada, com cartas manuscritas, além de várias fotos e outros documentos reais da personagem protagonista retratada, o alter ego da autora. Não vou colocar todas para preservar os direitos da autora.

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30629497_974289716059922_4084566975701843968_nFitzgerald, Penelope. La librería. Editora Impedimenta, 2ª edição, Madrid, 2017. Páginas: 202

Ps: Obrigada a todos que enviaram mensagens nesse período ausente (quase quatro meses). Sou uma bloqueira nata, eu vou, mas sempre volto. Valeu!

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Resenha: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley


“Admirável mundo novo” foi publicado em 1932 e começa com um longo prefácio escrito em 1946, onde o autor tenta justificar suas falhas artísticas. Pensou em reescrever, corrigir, mas acreditou que perderia a essência da obra. Contudo, não deixou de sentir uma espécie de remorso artístico, deve ter recebido críticas ruins na época. E vai levar outra aqui. Agora entendo o porquê desse livro ser tão popular: é um tremendo besteirol! Literatura besta mesmo. Huxley deveria ter reescrito.

Sempre prefiro ler o prólogo no final, não gosto quando o autor tenta explicar, justificar, prevenir o leitor do que virá. Acho uma perda de tempo falar no início sobre personagens e fatos ainda desconhecidos. Para mim, um posfácio faz mais sentido. Mas, de todas as formas, é interessante ler o pensamento do autor sobre a sua própria obra. No entanto, leia depois de terminar.

Meu espírito já estava amarrando para ler este livro. “Surpreenda- me!”, pensei. Não surpreendeu, meu faro me dizia que devia ser ruim. Acertei. Quando li logo na terceira página do primeiro capítulo “ovo bokanovskiano” pensei em desistir, mas segui, mesmo ferindo o meu bom gosto literário.

A história começa num laboratório de manipulação genética, onde produzem óvulos de homens e mulheres para que sejam padronizados, o “Processo Bokanovsky”, o verbo é “bookvskizar”. Ai, Pai, esse livro não é sério:

-Noventa e seis gêmeos idênticos fazendo funcionar noventa e seis máquinas idênticas.

Eu costumo colocar a página nas minhas referências, mas o PDF lido não vinha numerado, uma falha grande da editora “Escrytos”.

Detectando que era não é um livro sério, nem sequer bem escrito, tentei me divertir com o que imaginou um homem de 38 anos, no princípio do século XX.

Nesse período da pós- guerra mundial, época da publicação, o acesso aos livros e às notícias não devia ser muito fácil. Mas deviam saber o que os nazistas faziam com os prisioneiros, eles já barbarizavam desde a I grande guerra. O desgraçado do médico Josef Menguele, por exemplo, o que fugiu para o Brasil, viveu e morreu no litoral de São Paulo, fazia experimentos terríveis com os prisioneiros no campo de concentração na II Guerra, o monstro usava gêmeos para provas genéticas muito cruéis. Quem sabe pode ter surgido desses casos, de algum precedente, a semente desse livro…ou nada a ver, quem sabe?

Sinceramente, não considero mérito nenhum Huxley ter criado esse mundo com clones humanos. Creio que a humanidade imagina esse tipo de coisa desde o princípio da Idade Moderna.

Este livro é ruim em 1937 ou 2018. É uma obra supervalorizada. Também é certo que não é o tipo de literatura que gosto, um livro muito desgostoso pra mim, que preguiça de livro! Vai ver é manjar para você. Não me leve a sério, é só a minha opinião.

Falando em opinião, essa será a base das resenhas em 2018. Já não vou escrever posts didáticos desmembrando a obra, descrevendo personagens e tudo mais, não vou fazer análise textual, porque não vou mais mastigar pelos demais, ler por quem não lê e vem aqui só para copiar resenhas para a escola. Quero influenciar (ou não) leituras e não dar leituras prontas. Acredite: tenho motivos sólidos.

Não recomendo esse livro, mas se você quiser ler só para contrariar, então lá vai…

A edição que comecei em espanhol (foto) foi substituída por uma portuguesa, um ebook, que você pode comprar aqui na melhor livraria online de Portugal, Wook.  O e- book é bem acessível, custa €3,99 (cerca de 16 reais).

26195921_1184382081664147_626662719178770417_nHuxley, Aldous. Un mundo feliz, Random House Mondadori, Barcelona, 2009. Páginas: 255

Vinte e quatro livros para 2018


Numa tentativa de ser mais disciplinada, listei vinte e quatro livros que eu tenho grande vontade de ler e resenhar neste ano que vai começar amanhã. Alguns deles não são nada populares no Brasil, inclusive nem têm edição brasileira, por isso mesmo o meu interesse. Vamos colocar no ar novidades e não livros mais que mastigados, não é?! Fora que há que se traduzir mais e mais autores estrangeiros no Brasil, como há que se traduzir muito mais literatura brasileira no exterior. Forçar esse intercâmbio faz circular autores, idiomas, livros e mais conhecimento.

E como sugestão: aprenda idiomas! Espanhol e inglês são obrigatórios se você quiser ser um cidadão do mundo, além de expandir seu próprio universo interior, também para a sua vida profissional.  Saber idiomas é a chave para entender melhor outras culturas e saberes. E no âmbito literário, saber inglês, francês, espanhol, fora o nosso português, te abre um leque imenso de opções literárias, ainda mais com a Internet e a possibilidade de ler em e-books. E você, estrangeiro, que está lendo isto com tradutor, aprenda também português. 🙂

Vamos às minhas escolhas (as capas são as edições que eu tenho).

  1. “A ópera dos mortos”, de Autran Dourado

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Este é um livro que quero ler há muito tempo, por isso é o primeiro da fila. O mineiro Autran Dourado, falecido em 2012,  foi um dos maiores escritores do Brasil. O romance “A ópera dos mortos” (1967), é considerado por muitos a obra- prima do autor.
Ópera dos mortos. Romance. [Tapa blanda] by DOURADO, Autran.-

2. “A grama vermelha” (“L’erbe rouge”/ “La hierba roja”), de Boris Vian.

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Esse não achei tradução em português, mas não deve demorar. O francês Boris Vian (1920-1959), morreu com 39 anos, foi engenheiro, cantor, músico, tradutor, inventor entre outros, uma vida intensa. Ele tem uns títulos de livros “curiosos”: “Escupiré sobre vuestra tumba (Pocket) (“Irei cuspir- vos nos túmulos” ou “Que Se Mueran Los Feos ” (Qu”e morram os feios”). Eu tenho outro que está na lista Espuma dos Dias (Em Portuguese do Brasil), esse com edição brasileira da finada Cosac Naify.

3. “Contigo na distância” (“Contigo en la distancia”), de Carla Guelfenbein.

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A autora é chilena e Contigo En La Distancia (Premio Alfaguara 2015)” (“Contigo na distância”) ganhou um prêmio literário importante na Espanha, o Alfaguara (2015). A história foi baseada na vida de Clarice Lispector.

4. “A cidade sitiada”, de Clarice Lispector.

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Livro sem ler de Clarice não dá! A autora é para ser lida e relida, sempre. “A cidade sitiada” é o terceiro romance da autora.

A cidade sitiada

6. “Grandes esperanças”, de Charles Dickens

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Este clássico do inglês Dickens deve ser daqueles que provocam lágrimas. Conta a história de um órfão, Pip e as dificuldades que enfrenta na vida.

Grandes esperanzas (El Libro De Bolsillo – Literatura)

7. “A camisa do marido”, de Nélida Piñón

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São nove contos da grande Nélida Piñón, escritora carioca, uma das minha autoras favoritas.

A Camisa do Marido (Em Portuguese do Brasil)

8. Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles

9789722339650

Esse já comecei a ler várias vezes e não avancei por problemas alheios ao livro.

Ciranda de Pedra

9. Paris não acaba nunca (livre tradução), de Enrique Vila- Matas

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O escritor espanhol me contou na Feira do Livro de Madri (2017), que estava em negociações com uma editora brasileira. Algumas de suas obras fora editadas pela finada Cosac Naify. Por enquanto, você pode ler em espanhol.

 París No Se Acaba Nunca (CONTEMPORANEA)

10. “1984”, de George Orwell

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Eu li “A revolução dos bichos” em 1996, lembro o ano, e adorei. Este, “1984”, está na lista há milênios, não pode passar de 2018.

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11. “13,99€”, de Frédéric Beigbeder

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Eu não tenho nenhuma referência do autor nem do livro, exceto o que conta na contracapa. A gente tem que fazer isso sim, “comprar livros pela capa”. Fiquei curiosa na livraria e vou pagar (já paguei, literalmente) pra ver.

13,99 Euros (Compactos)

12. “O grande Gatsby”, de F.S. Fitzgerald

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Outro clássico que está na estante faz tempo. Achei uma edição bilingue português- inglês baratinha:

O Grande Gatsby: The Great Gatsby: Edicao Bilingue

13. “Elegia”, de Philip Roth
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Elegía (CONTEMPORANEA)

14. “O clube da boa estrela”, de Amy Tan

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Conheci essa autora americana de origem chinesa, aqui em Madri. Tenho duas obras autografadas.

El Club de la Buena Estrella

15. “Matar um rouxinol”, de Harper Lee
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Matar a un ruiseñor: SERIE: CINE

16. “Trópico de capricórnio”, de Henry Miller

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17. “Um mundo feliz”, de Aldoux Huxley

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18.”O buda dos subúrbios”, de Hanif Kureishi

El Buda De Los Suburbios (Otra vuelta de tuerca)

19. “Os maias”, de Eça de Queirós

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Os Maias

20. Os filhos da América, de Nélida Piñón

Outro da Nélida. A edição que eu tenho é a espanhola. O nome ficou muito diferente: “La épica del corazón”

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La épica del corazón

21. “Em busca do tempo perdido- À sombra das meninas em flor”, de Marcel Proust

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Li a primeira parte e adorei! Veja aqui a resenha.

En busca del tiempo perdido. Estuche (13/20)

22. “Viagens na minha terra”, de Almeida Garrett

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Viagens na Minha Terra (Completo) (Portuguese Edition)

23. “Memorial de Aires”, Machado de Assis.

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Memorial de Aires (Série Machadiana Livro 4) (Portuguese Edition)

24. “Onde andará Dulce Veiga”, de Caio Fernando Abreu

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Onde Andará Dulce Veiga ? (Em Portuguese do Brasil)

A lista é muito otimista, são vinte e quatro livros, dois por mês, mas alguns são bem extensos, como “Grandes esperanças”, com quase 800 páginas, “Os Maias”, com mais de 700 e assim por diante, mas a intenção é administrar o tempo para dar certo.

O que você achou das minhas escolhas? Vamos embarcar comigo nessas leituras?!

Aproveito para desejar um feliz 2018, espero que você comece o ano com esperanças renovadas, com projetos, sonhos, e que ao longo do ano, todos eles se realizem com alegria e saúde!

 Em 2018, mais e melhor! Feliz ano novo!

 

Resenha: “Os vestígios do dia”, do Nobel Kazuo Ishiguro


Kazuo Ishiguro (Nagasaki, 08/11/1954), japonês, mas oficialmente é britânico, já que o Japão não admite dupla cidadania. Foi morar com os pais na Inglaterra quanto tinha cinco anos. É doutor em Escrita Criativa e ganhou o Nobel de Literatura nesse ano, uma escolha muito mais unânime que o anterior Bob Dylan. Ishiguro estreou como escritor em 1982 com o livro “Pálida luz nas colinas”. É casado com  Lorna MacDougall.

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Os principais temas das suas obras são: o tempo, a memória e a esperança; e também, a amizade e o amor. Assuntos que me parecem fascinantes. Em sua obra também há algo de literatura fantástica.

O objeto dessa resenha é o livro “Os vestígios do dia” (“The remains of the day”, 1989), que virou filme protagonizado por Emma Thompson e Anthony Hopkins. Há traduções com nomes diferentes:  “Os restos do dia” e “Despojos do dia” (2009). O filme foi indicado ao Oscar e o livro ganhou o Man Book Prize, o prêmio mais importante da língua inglesa. Esse livro é considerado a obra- prima de Ishiguro.

Outro livro dele que foi para a telona: “Nunca me abandones” (2010), com a participação de uma atriz que adoro, Keira Knightley, está na Netflix, inclusive. Mas esse fica para uma outra resenha. 

Vamos à obra.

A história acontece na Inglaterra durante o mês de julho de 1956, há um prólogo explicando. A história acontece em seis dias. Stevens é o narrador- personagem, ele é mordomo há trinta e cinco anos na mansão  “Darlington Hall“. O antigo dono, Lord Darligton, faleceu e a mansão foi vendida ao “mister Farraday“, um estadunidense. Ele viaja para a sua terra por cinco semanas e sugere ao mordomo que faça uma viagem para conhecer a Inglaterra, seu país, durante alguns dias. Stevens conhecia sua terra através de um livro de sete volumes chamado “As maravilhas da Inglaterra”, de Jane Symons, da década de trinta. O protagonista cita a autora muitas vezes.

Na mansão chegaram a trabalhar vinte e oito criados; agora, apenas quatro: Stevens, as novatas Rosemary e Agnes, além de mistress Clements, essa, trabalhadora antiga. O mordomo é perfeccionista e serviçal, mas sente- se esgotado.

Depois de receber uma carta de uma ex- trabalhadora da mansão, miss Keaton, o mordomo aceita a proposta do patrão. Pretende ir de carro (do patrão e gasolina paga por ele) até o oeste do país, e no caminho, deseja encontrar com a mulher para ver se ela aceita voltar a trabalhar na mansão. Stevens começa a planejar a viagem.

O jeito muito “british” do mordomo, polido, formal, perfeccionista contrastando com o do patrão americano, brincalhão, irônico e informal ficam bem marcados na narrativa.

No primeiro capítulo: “Primeiro dia pela noite- Salisbury”, a mansão fica sozinha pela primeira vez em séculos. Todos os empregados saíram de férias, além do patrão, que foi para os Estados Unidos.

Stevens começa a ver o mundo, pela primeira vez, sem ser a trabalho. Hospeda- se numa pensão em Salisbury. O mordomo vê uma paisagem deslumbrante e faz uma declaração de amor ao país:

(…) o caráter único da beleza desta terra é consequência de uma falta evidente de grandes contrastes e de espetacularidade, no entanto se destaca, ao contrário, por sua serenidade e comedimento, como se o país tivesse uma íntima e profunda consciência de sua grandeza e sua beleza, e não necessitasse exibí- la.” (p.37)

O homem tenta ser o melhor na sua profissão. Stevens discorre longamente sobre “o que é ser um bom mordomo?” Em Londres, era (ou é?) um assunto muito importante, tanto, que havia até clubes privados e sociedades para mordomos, como a Hayes Society, dos anos vinte. Só entravam os de alta classe. Essa história de chamar de “gentleman” a um homem com modos refinados vem muito disso, desses clubes sociais ingleses, que exigiam bons modos e um refinamento muito superiores à maioria dos mortais. Uma conduta impecável. O seu pai também foi mordomo e demonstrou o nível de exigência pessoal que a profissão impõe, passo a relatar no trecho abaixo:

O filho mais velho do mordomo, Leonard, faleceu na guerra da África do Sul de uma maneira nada honrosa. Seu batalhão atacou civis, foi uma ação irresponsável comandada por um general incompetente, muitas mortes poderiam ter sido evitadas, inclusive a do seu filho. O pai de Stevens teve que atender esse general por quatro dias na casa onde trabalhava por causa de uma festa, servindo o homem que odiava como se fosse qualquer outro convidado, mas era o responsável pela morte de seu filho. O general deixou uma gorjeta importante ao mordomo e ele a doou à uma instituição de caridade.

O pai do protagonista, Stevens ( igual do filho) aparece como uma figura que desperta compaixão, pena e até um pouco de tristeza. A velhice que, se tivermos sorte aparece como algo limitante fisicamente, mas forte, que enfrenta sem medo as adversidades. Stevens pai é assim. Ele levou uma queda e desmaiou enquanto carregava uma bandeja. A partir disso, o patrão e outros empregados começaram a achar que ele não era mais válido, apesar de ter servido a mansão durante 54 anos. Os erros, tudo indica, são mais importantes que os acertos, mesmo que infinitamente menores que as benfeitorias. Stevens não se desesperou, mostrou- se absolutamente digno quando o próprio filho lhe comunicou que ele passaria a executar tarefas mais simples.

Uma coisa que me chamou muito a atenção é a escravidão branca. A negra, cruel e perversa, já conhecemos bem, mas a branca é pouco falada. Se essa obra tiver alguma verossimilhança com a realidade, que acho que tem, esses empregados domésticos ingleses eram praticamente escravos. Viviam em quartos minúsculos, uma pobreza franciscana, um nível de exigência altíssimo, horas infinitas de trabalho e a remuneração ínfima. Uma espécie de escravidão sim.

Stevens é testemunha de várias reuniões na mansão, que começaram em março de 1923, entre homens poderosos de vários países europeus. Eles tentavam chegar a um acordo de conciliação com a Alemanha no período pós- guerra.

Numa dessas reuniões, Stevens pai passou mal e teve que ser levado ao seu quarto. O filho continuou servindo os senhores, enquanto seu pai desfalecia. O filho só pode ver o pai dois dias depois estando na mesma casa. O pai quis saber se o serviço estava saindo perfeito, e depois, aconteceu esse breve diálogo, íntimo, em tom de despedida: (p.106)

— Espero ter sido um bom pai.
Sorri e lhe disse:
— Estou muito contente que se sinta melhor.
— Me sinto orgulhoso de você. É um bom filho. Desejaria ter sido um bom padre, ainda que temo que não tenha sido.
— Agora tenho muito trabalho, mas amanhã pela manhã falaremos de novo.

Horas mais tarde, Stevens foi avisado que seu pai estava muito mal. Mas, “a obrigação em primeiro lugar”. O seu pai estava morrendo enquanto ele, com um sorriso, servia o jantar. É ou não é uma escravidão?! Além disso, os filhos nunca acham que os pais irão morrer.

A atitude do filho, a aparente frieza, também é uma forma de auto- engano, de fuga, de querer barrar o inevitável, como se ignorar o fato do seu pai estar morrendo, impedisse que ele se fosse para sempre. Stevens filho, não era frio, inclusive teve que enxugar o rosto com um lenço durante o trabalho. De fato, seu pai faleceu quatro minutos depois dessa última cena (p. 114).

Stevens não tem coragem de subir para fechar os olhos do pai. Dá a desculpa de que o pai gostaria que ele continuasse a trabalhar. Fiquei com um nós na garganta. Pude sentir a dor e a desorientação de Stevens.

A dor e a morte ficam nos bastidores. Stevens desceu com uma garrafa de vinho do Porto para os senhores que estão na sala de fumar. Tudo contado com muita sutileza, um trabalho fino de escritura.

Monsieur Dupont exige do mordomo umas vendas para a dor dos seus pés, enquanto a sua própria dor não era sabida por ninguém.

Stevens recorda esse dia como um grande triunfo. Não deixou a sua dor pessoal atrapalhar seu serviço como mordomo. A “dignidade” que é exigida aos mordomos de alto nível.

No segundo dia da viagem, o Ford do patrão quebra e Stevens para em uma mansão e pede auxílio. É ajudado pelo empregado do casarão, que faz todas as funções na casa, que é de um coronel. A mansão está em desuso, o dono quer vendê- la. No Ford só falta água no radiador. Ele acaba conhecendo o lugar e pessoas que não falam muito bem do seu antigo patrão, lorde Darlington. Stevens o defende em nome dessa “dignidade” de mordomo que foi aprendida ao longo de trinta e cinco anos de serviço.

No terceiro dia de viagem, ele se hospeda em uma pousada chamada Coach and Horses, em Taunton, Somerset. Nós viajamos também com o protagonista. Esta pousada realmente existe, veja aqui.

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Pousada “Coach and Horses Inn”, citada no capítulo “Terceiro dia pela manhã”, p. 137

O dono da pousada chama Bob e ronca demais, segundo os frequentadores do bar. O mordomo tenta ser engraçado, igual faz com o patrão americano, que sempre espera que Stevens devolva com humor suas colocações. E diz que não tem importância que o homem ronque e o compara com um galo. Depois arrepende- se pensando que pode ter ofendido as pessoas, já que ninguém achou graça. E o mordomo reflete sobre como pode ser perigoso usar o humor.

O passeio pelo condado de Somerset é entremeado por lembranças da sua vida em Darlington Hall. E a ansiedade de rever miss Kenton vai aumentando. Agora só faltam quarenta e oito horas.

O quinto capítulo acontece no “Terceiro dia pela tarde”, em Moscombe, perto de Tavistock, Devon. (p.153)

Ele começa falando dos judeus e conta sobre um episódio desagradável, quando o patrão, Lorde Darlington, mandou despedir criados judeus, porque podiam ofender alguns convidados e comprometer a segurança, influenciado por mistress Carolyn Barnet. Havia duas moças judias que trabalhavam há seis anos na mansão. Para Stevens, o que falava o patrão era lei. Para miss Kenton não. Ela despediu as moças a contragosto e muito ofendida. A relação ficou difícil com o mordomo durante semanas, inclusive ela ameaçou abandonar a casa.

Tempos depois o patrão, arrependido e sem a influência de mistress Barnet, mandou localizar as moças de volta, Ruth e Sarah. Enquanto isso, tiveram que substitui- las por outras duas. Uma delas, Lisa, era muito bonita e o mordomo se opôs, sob a insistência de miss Kenton. Ela coloca em evidência que o mordomo não gosta de contratar mulheres bonitas para que ele mesmo não caia em tentação. O homem rebate o pensamento de todas as formas. Depois de um tempo, Lisa vai embora e fica comprovado que o mordomo tinha razão sobre a falta de competência da moça. Stevens renunciou totalmente a sua vida pessoal e amorosa para servir a outros.

A viagem continua e Stevens recorda sempre episódios vividos com miss Kenton. Claro que até aqui já estou convencida do seu amor por essa mulher, mas como ele é muito reservado e na obra inteira vai revelar esse fato. Ele fazer essa viagem só para vê- la, já é um grande indício. O que não é dito é muito importante nessa narrativa.

Há várias situações, com pretextos profissionais, que Stevens tenta se aproximar de miss Kenton. Há alguns arrependimentos. Ele imagina como teria sido se tivesse feito diferente. Mas agora ele está tentando ao menos. Está a um dia de encontrar Miss Kenton.

O último capítulo é “Sexto dia pela tarde- Weymouth” é de apertar o coração. Tempo, maldito tempo…

Stevens chega a essa cidade no litoral, já cansado de dirigir, depois de termos acompanhado todas as suas lembranças e sentimentos em relação à várias coisas e, principalmente, à senhorita Kenton. Claro que já estava esperando um encontro romântico, mas seria óbvio demais.

Ele conta como foi o encontro com miss Kenton dois dias depois. Ela chegou no hotel que ele estava hospedado de surpresa, o Rose Garden, em Little Compton. Esse não achei exatamente com o mesmo nome e nem no mesmo lugar.

O reencontro. Ela, envelhecida, com um olhar triste, só que mais calma, resignada. Continua casada, é ainda a senhora Been. Ficou separada apenas cinco dias, foi quando escreveu a carta a Stevens contando como se sentia desgraçada e enchendo o homem de esperanças. Tem uma filha e já vai ser avó.

Ela ainda se sente desgraçada, mas tem que fazer o que tem que fazer, como ele que precisou servir aos senhores enquanto o seu pai estava morrendo. A vida é assim, somos o resultado das nossas escolhas. A obrigação supera os sentimentos pessoais:

“(…) ‘Que fiz com a minha vida?’, e penso que teria preferido seguir outro caminho, que talvez tivesse me dado uma vida melhor. Por exemplo, penso que a vida teria sido melhor com o senhor, mister Stevens. (…) Depois de tudo, não se pode retroceder o tempo. Não podemos sempre estar pensando no que poderia ter sido.” (p. 247)

“A senhora tem toda razão, mistress Benn. Já é tarde demais para retroceder o tempo. Além do mais, não viveria tranquilo se por culpa destas ideias a senhora e seu marido fossem desgraçados. Como muito bem observou, todos devemos agradecer pelo que de verdade temos. (p. 247)

É uma história muito realista, que acontece com muita gente…o tempo e sua inexorável crueldade.

Esse é um livro com trechos brilhantes, e que no seu conjunto, consegue retratar bem um período e uma camada específica da sociedade inglesa, além de suas paisagens. A narrativa é limpa e clara, trabalhada cirurgicamente, nada falta, nada sobra. É uma obra também de silêncios que contam muito. Capta alguns sentimentos universais, principalmente o estrago do tempo e o  sacrifício pessoal absoluto em nome da honra e da dignidade.

O título da obra é um resumo perfeito da história. Depois de tudo, só ficaram vestígios, restos do que foram, do que queriam, do que um dia sonharam.


O meu exemplar de referência é uma edição espanhola (vocês já estão cansados de saber que eu moro na Espanha, não é?!), que ao pé da letra fica “Os restos do dia”. A tradução de Ángel Luis Hernández Francés, muito boa. Vocês podem encontrar essa edição brasileira aqui: “Os vestígios do dia”, da Companhia das Letras, ou aqui. 

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Ishiguro, Kazuo. “Los restos del día”, Anagrama, 9ª edição, Barcelona, 2017. Páginas: 255 #falandoemliteratura @falandoemliteratura

Resenha: “Os pilares da terra”, do inglês Ken Follett


Eu tenho formação acadêmica em Letras, o que ajuda a olhar a literatura de uma forma  profissional e crítica, observando elementos artísticos, técnicos e de estilo, que podem passar despercebidos para muitos leitores; mas minha aversão aos best- sellers não vem disso, surgiu muito antes: se é popular não presta, é literatura fácil. Eu já tinha essa percepção desde cedo, na adolescência. É só senso comum. Simplesmente, não perdia meu tempo, preferia (e ainda prefiro) os clássicos de qualquer época ou idioma, porque a vida é muito curta e a boa literatura muito ampla para perder tempo com livros ruins. Mas, será esse um best- seller diferente? Despi- me dos meus preconceitos e fui de mente aberta. Veja o resultado.


O inglês Ken Follett (Cardiff, País de Gales, 05/06/1949), quando publicou “Os pilares da terra” (1989), já era um escritor de êxito, vendia muito, principalmente livros de suspense. Começou a publicar com vinte e cinco anos, mas com vinte, já escrevia e foi quando ele começou a visitar catedrais. Sua família participava de uma espécie de seita religiosa, que o proibia de entrar em templos religiosos. Saía pouco durante a infância e juventude, e foi assim que mergulhou no mundo da literatura.Ken Follett in Berlin, 2014Ken Follett em Berlim, 2014. O autor é casado, tem dois filhos e mora no Reino Unido.

Follett viajava pela Inglaterra só para visitar catedrais, suas visitas duravam até dois dias. Ele anotava tudo, seu principal interesse era a arquitetura dos templos, como e quem os construía. E começou a investigar. Descobriu que a maioria das catedrais eram construídas por gente muito pobre, com um sacrifício impressionante, gente que não tinha onde morar nem o que comer. Ficou fascinado. Foi nessa época que teve a ideia de escrever um livro sobre a construção de uma catedral. Só que sentiu que não tinha capacidade para desenvolver esta história, necessitava de recursos que ainda não possuía. “Os pilares da terra” foi publicado doze anos depois, foram mais de três anos de trabalho, de domingo a domingo. Quem conta tudo é o próprio autor no prólogo do livro, o que pareceu interessante. Dei um voto de confiança. Seguimos.

“Os pilares da terra” (1989) é o primeiro de uma trilogia. A saga continua com “Um mundo sem fim” (2007) e o recém- lançado, “O círculo de fogo” (2017).


A obra

A primeira parte do livro data de 1135- 1136 (século XII). A história começa com a execução por enforcamento, em uma praça pública, de um jovem ruivo, bem ruivo, “cabelos cor de cenoura”, de olhos verdes. O rapaz roubou um cálice valioso em uma igreja e foi enforcado diante de sua mulher grávida. Ela lançou uma maldição ao padre, ao monge e ao cavaleiro que mataram o seu amor.

O personagem principal é Tom Builder, um pedreiro dos bons. Ele foi dispensado da uma construção de uma catedral em Exeter (capital do condado de Devon, uma das cidades mais antigas da Grã Bretanha). Isso ele não engoliu. Ficou ruminando durante anos, o orgulho ferido, pois sabia que era capaz. Com essa história ele aprendeu que para a construção de uma catedral, não basta ser bom, a construção tem que ser perfeita:

Isso porque a catedral era construída para Deus, e também porque a estrutura era tão grande que a mais leve inclinação nas paredes, a mais ínfima variação naquilo que deveria ser reto e nivelado, poderia enfraquecer fatalmente o conjunto. O ressentimento de Tom havia se transformado em fascínio. ” (p.55)

Então, amigos e amigas, essa obra trata disso: de contar a história de um pedreiro ambicioso e ressentido, que decidiu construir uma catedral na Inglaterra. O ódio, o orgulho, quando bem administrados, também podem ser um bom motor para construir grandes coisas.

Tom é casado com Agnes, a considera sua alma- gêmea. O casal tem dois filhos, Alfred de quatorze anos e Martha, de sete. Veja a “moral” da época. O pai dava cerveja à menina. Será que há pais que ainda fazem isso?! O almoço da família: um pedaço grande de toucinho fervido, pão e cebola. Nesse almoço, Agnes comunica que está grávida mais uma vez. Tom nem sabia a idade da mulher. Na Idade Média, a natalidade era alta, já que não havia métodos anticonceptivos, mas também havia uma alta mortalidade infantil. Falta de vacinas, de antibióticos, de higiene… no medievo acreditava- se que o banho fazia mal à saúde.

Tom estava construindo uma casa para Lorde Percy Hamleigh, um homem muito rico, pai de William, noivo de Aliena, filha do Conde Shiring. A moça rompe o noivado e a casa que seria para ambos, já não é mais necessária. Tom havia posto todo seu dinheiro nela. O rapaz chega à cavalo quase atropelando a pequena Martha, dispensa os trabalhadores, mas Tom teve que segurar as rédeas para que William o pagasse.

Tom e sua família começou a andar sem destino certo. Não tinham cavalos, carroças, nada. Pareciam retirantes nordestinos fugindo da seca. Eles buscavam um local para a construção da catedral. A mulher grávida, a menina pequena e o inverno chegando. Martha, cansada, demorava para acompanhar os demais, ficava para trás. Ela e o porco. A menina foi atacada por um ladrão, levou uma porrada na cabeça. O ladrão levou o porco. A menina desmaiada, sangrando, e a mãe, fria, disse que a menina iria sobreviver e que o pai fosse atrás do porco. As pessoas tinham que ser duras para sobreviver. Tom e Albert foram atrás “dos ladrões”, eram quatro. Houve luta, mas um dos ladrões levou o porco embora. Eles haviam comprado o porco na primavera para engordá- lo e vendê- lo no inverno. Com o dinheiro daria para alimentar a família durante meses.

Entram em cena Ellen, uns dez anos mais jovem que Tom, e seu filho adolescente, Jack. A mulher ajudou Agnes a cuidar de Martha ainda desmaiada. Ellen e Jack moram na floresta, porque a mulher é “fora da lei”. Seu crime? Ter xingado um padre. Lembra da execução do início? A jovem grávida, mulher do enforcado? Ela reaparece mais tarde com o filho que estava na sua barriga. (p.94)

Ellen conta a sua história a Tom; este sente uma atração pela mulher.

Cheguei na página 100, já irritada e arrependida por ter começado a leitura desse livro, mas segui.  Raramente largo a leitura de um livro. Continuei esse extenso, pobre e decepcionante “Os pilares da terra”. Umas fórmulas mais que mastigadas e muitos clichês, muito pouco criativo. Básico, simples, bobo. As primeiras páginas foram até interessantes, consegui visualizar um ambiente medieval, sujo e violento, mas depois a narrativa perdeu essa característica de época. Fiquei na dúvida também, se foi a tradução brasileira que prejudicou a obra. A linguagem pareceu- me muito contemporânea. Veja como o autor é “criativo”:

“A fome é o melhor tempero”. (p.139)

A família passa fome, frio e enfrenta muitas dificuldades. Uma boa parte do livro, que é bem monótono e aborrecido para o meu gosto, é falando sobre isso.

Agnes deu a luz ao quinto filho  (dois já haviam morrido) no relento e no inverno. Nasceu um menino. A parte escatológica do nascimento é bem desagradável, o marido descreveu e falou sobre os odores da placenta, depois a queimou. A mulher morreu, sofreu uma hemorragia e foi enterrada numa cova funda por causa dos lobos, para que seus “ossos se conservassem até o dia do Juízo Final”. O autor conta, tudo, tudo com os mínimos detalhes, até os mais sórdidos e desagradáveis. O pai, quer dizer, o monstro, abandonou o bebê perto da cova da mãe, porque não tinha como alimentá- lo.

Claro que o autor matou Agnes para entrar Ellen na parada. Tom transa com um anjo imaginário, um delírio, mas era a mulher em carne e osso. E foi ela, obviamente, que tinha encontrado o bebê que Tom voltou, arrependido, para recuperar.

Pessoal, não vou contar mais, porque não vale a pena. Não vale a pena perder tempo com esse livro.

Follett sabia que não era um autor especial, que seus livros eram entretidos, o grande público gostava, mas tinha consciência, a auto- crítica suficiente para perceber que não eram livros importantes artisticamente falando. Acha que este é especial, sua grande obra. Não é. Grande obra em extensão, mas em qualidade não. Follet é uma baita de um sortudo. Ficar milionário, viver num castelo, por causa de obras assim, tão primárias, com uma linguagem tão plana e pobre, caramba…tem gente esperta no mundo. Enquanto isso, os autores de verdade… o mundo invertido.

22406233_875949182560643_8850533865946442572_nFollett, Ken. Os pilares da terra. Arqueiro, São Paulo, 2016. Epub. Páginas: 2655*

*Não esqueça: a quantidade de páginas em livros digitais pode variar de acordo com seu e- reader e tamanho da fonte.

 

O britânico Kazuo Ishiguro ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2017


O Nobel de Literatura 2017, Kazuo Ishiguro, 62 anos, é japonês, mas optou pela nacionalidade britânica em 1982. A lei japonesa não permite a dupla nacionalidade.

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O autor foi escolhido pela Academia, porque…

“suas novelas de grande força emocional que mostram o abismo baixo nosso ilusório sentido de conexão com o mundo”.

Depois do polêmico vencedor do ano passado, Bob Dylan, venceu agora um autor dedicado só à literatura. No anúncio disseram que sua escrita é uma mistura de Kafka com Jane Austen. Parece interessante!

Já vou ali correndo buscar  Os resíduos do Dia (1989), parece um livraço!

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Congratulations, Kazuo!

Resenha: “Intimidade”, do inglês Hanif Kureishi


“Ferir alguém é um ato de involuntária intimidade” (p.08)

Ler esse livro foi como entrar em um profundo transe, um abandono completo do mundo exterior. Poucos livros têm me despertado essa sensação, terminei impressionada. Isso sim é boa literatura, intensa e o motivo de manter esse blog há nove anos!

Hanif fez o difícil parecer muito fácil. É um dos melhores livros que li nos últimos tempos. A resenha saiu grande, tenha paciência, quando o livro é bom eu me empolgo. Nem falei sobre a bio do autor, fica para um próximo post.


Como é acabar um casamento? O que passa pela cabeça das pessoas que querem se separar?

Esse é um romance psicológico que faz refletir muito sobre sentimentos, necessidades e relações, o fim de um relacionamento importante e tudo o que isso implica. A maior parte da narrativa o autor nos joga dentro dos pensamentos do protagonista. A história descreve a agonia de um homem, Jay, de quarenta e poucos anos, que deseja acabar com o seu casamento de seis, com dois filhos pequenos. Luta entre a necessidade do ser e a obrigação, a pena contra a ânsia de liberdade. A estabilidade contra a falta de desejo. A hipocrisia contra a verdade. O imposto pelo real. O real: um amor do passado, que nunca passou.

Conforme vai contando os detalhes do seu casamento, compreendemos o que sente e entendemos que ninguém merece viver dessa forma. A maioria das pessoas julga o fracasso de um casamento, “qual o problema deles?”, sem nenhum conhecimento de causa. Ah, levianos…

“Será amanhã”, está convencido da decisão, mas não encontra a melhor forma, a que provoque menos dor. Tem consciência que vai machucar a família, mas é inevitável. E fica a briga entre a razão e a emoção. Começa a argumentar, encontra vários motivos e vê que ele não é um louco irresponsável. Muitos casamentos, cada vez menos (ainda bem) são uma cárcere de pena perpétua, asfixiam.

Jay não suporta Susan, está cansado fingir, de não poder ser realmente quem é. A mulher é do tipo de pessoa que sempre fala mal de alguém, porque assim parece que ela é melhor, sabe? Susan é exigente com os outros, cheia de cobranças.

O narrador- personagem com pretensão à fuga começa a descrever a vida familiar, a intimidade do casal, o dia a dia maçante. As crianças pedem biscoitos, ele as serve como se fosse um mordomo, elas não agradecem e nem tiram os olhos do televisor.  A casa confortável, mas não tem nada a ver com ele, tudo do gosto da mulher, com os móveis e objetos que ela gosta.

“Mas não me sinto em casa na minha casa, Amanhã pela manhã abandonarei tudo isso. definitivamente. Adeus.” (p. 14)

Ele senta no chão ao lado das crianças. Quer gravar bem na memória todo o mal estar que sente para poder recordar depois, na casa do amigo Victor, para não voltar atrás. Sente até náuseas, vontade de gritar. Sabe que vai poder ver os filhos quantas vezes quiser, mas também é consciente que vai sentir falta de algumas coisas, a voz filhos, vê- los andar de bicicleta, por exemplo,  tudo relacionado com as crianças.

Ele, com a vida acomodada, roteirista de televisão e cinema, “tem tudo para ser feliz”, como costumam dizer…mas e os sentimentos? Essa parte as pessoas normalmente não levam em consideração, como se o mundo interior fosse menos importante, fraqueza, por isso a depressão vem sendo um grave problema. Sentimento é tabu.  Fingir que não sente é como se estivesse tudo resolvido. Não está.

(…) é melhor que as coisas nos provoquem medo, que tédio. A vida sem amor é um tédio inacabável. (…) É fácil matar- se sem morrer. (p.17)

Ele conta o tempo que passou deprimido, anos, e chega à conclusão que foi maior que todo o prazer sexual que sentiu no casamento. Ele não quer ser como muitos que “aceitam um estado de relativa infelicidade, como se fosse uma obrigação”. (p.17)

E até por preguiça, não é? Por acomodação, falta de coragem, medo, covardia, por achar que o padrão se repetirá. Ele compara a esposa com a mãe. Muitas esposas, com fim de manter seus casamentos falidos, assumem esse papel. Problemas de auto- estima/dignidade/valores caducos ou falta de recursos financeiros- estas últimas estão perdoadas, as primeiras, não.

Uma frase que achei muito interessante, quando Jay fala da vulgaridade da televisão e sobre uma coisa que  detesta: “a democratização forçada do intelecto“. Os governos populistas tentam democratizar a universidade, mas esse é um caminho equivocado. A universidade não deve ser democrática,  é uma das poucas coisas que não devem ser assim, pois precisa ser um campo de excelência e das ciências superiores, onde devem estar os melhores. Não fomentemos a era da mediocridade também nas universidades.

Voltando ao nosso protagonista: ele começa a somatizar a ansiedade, vai para o corpo toda a agonia de viver uma vida que não quer. As coisas do coração deixam marcas profundas, as melhores e piores na vida das pessoas.

“Me palpita o nervo ocular. Parece que tremem as minhas mãos. Me sinto vazio e os nervos em carne viva, como se me tivessem enfiado algo mortal. Meu corpo sabe o que passa (…) (p. 25)

Jay recorda um amor do passado, não consegue esquecer Nina;

(…) sempre estará comigo de certa forma (…). Ainda sou incapaz de deixá- la ir embora. (p.26)

Ele perdeu o apetite. A esposa acaricia o seu rosto, enquanto ele pensa em Nina. Essa traição (involuntária e incontrolável), talvez seja a pior, a física não é nada perto disso. Mas Susan é muito perspicaz, como a maioria das mulheres:

 “Talvez ela perceba a velocidade e confusão dos meus pensamentos”. (p.26)

Se ela fosse irresponsável, seria mais fácil, mas Jay não encontra argumentos práticos: ela é uma esposa fiel, excelente dona de casa, ótima cozinheira e mãe. Um “eu sempre amei mais outra pessoa que você”, bastaria?

Ela é uma mulher eficaz e organizada. Nossas geladeiras e congeladores sempre estão cheios de sopa, verduras, vinho, queijos e sorvetes; as flores e arbustos do jardim estão perfeitamente classificados; a roupa das crianças, lavada, passada e dobrada (…) (p.29)

Outro dia eu li algo interessante sobre os diferentes tipos de amor (desculpe a falta de referência bibliográfica, foi folheando um livro na biblioteca),  classificando- o em dois tipos: “o amor de alma” e o “amor funcional”. O amor de alma (a “alma- gêmea”) é um amor que quase nunca dá certo, porque ambos não conseguem administrar a intensidade. É algo tão forte e incontrolável que assusta (sorte de quem consegue, é o sentimento mais incrível e inexplicável que existe!); já o amor funcional, a grande maioria dos casos, é aquele que funciona, justamente porque é morno, fácil de controlar, previsível, o amor funcionário público, mas também não é pra todo mundo, muita gente não suporta.

O nosso protagonista não conseguiu ficar nesse tipo de amor funcional,  ele escolheu o movimento, preferiu desconstruir para construir algo melhor. Cita um verso de um poema que leu na juventude, “Em movimento”, de Thom Gunn (p.28):

Alguém sempre está mais perto quando não fica quieto.

A mulher é muito previsível e isso o irrita. Eles se conhecem desde crianças. Começa a descrever o psicológico da mulher. Ela sempre pensando em reformas da casa. Lê livros sobre culinária. No casamento está tudo muito bem dividido, cada um com suas tarefas. E confessa (p.31):

Não foi sua inteligência nem beleza que me fascinaram. Nunca houve uma grande paixão; talvez esse seja o problema. Mas houve satisfação. Eu gostava da sua destreza e habilidade para sair de problemas. Não estava indefesa diante o mundo, diferente de como eu me sentia. Ela era sincera e firme, sabia como fazer as coisas bem; sempre invejei a sua capacidade; me conformaria em possuir só metade do que ela tem. (…) Se eu fosse muito forte e capaz, não precisaria dela e teríamos que nos separar.

Isso é típico do “amor” funcional: a utilidade. O coração é que deve escolher.

No trabalho, Susan é cruel com quem é inseguro e não tem nenhuma piedade em fazer com que o outro se sinta inútil. O vigor de Susan é esgotador, ela não cansa de repetir mil vezes sobre o esplendor da sua alma e mente. É implacável, mas fingida, sempre tem no rosto um sorriso (falso). É tão auto-suficiente, nunca se decepciona consigo mesma, jamais vai cair num caos interior, porque calcula tudo muito bem, é fria, quase maquiavélica.

É tirana, dura, severa, raramente chora, mas estoura com facilidade. É esnobe e fútil, adora títulos e admira quem tem classe social superior. Jay odeia isso, detesta a “putrefata” casta social, que ela adora participar ativamente.

Jay nunca tem tempo para os próprios pensamentos e a satisfação de não fazer nada. “Não fazer nada era a melhor maneira de fazer algo” (p.52). Ele percebe um certo desespero na hiperatividade da esposa, “como se fosse o seu trabalho o que a mantivesse inteira.” (p.52).

As coisas e pessoas frágeis não se sustentam por si sós, usam escudos: trabalho, religião, casamento, esportes (em excesso). Pensar e perceber as mataria.

Foi a esposa que o afastou do seu auto- conhecimento, de ter opinião, decisão e necessidades próprias, porque foi se acostumando a todas as situações que lhe foram sendo impostas, ou seja, uma marionete, subterfúgio, escada para as necessidades da mulher.

Jay repete toda hora: “hoje é o ultimo dia”, “amanhã acaba tudo”. Ele quer se livrar das ordens da esposa tirana, que ele não gosta e sempre acaba fazendo tudo o que ela quer.  A mulher nota que o marido está deprimido e o chama para conversar. Cobra coisas e até uma foto dela na sua escrivaninha. Mas a foto que ele deseja é a de Nina (p.40):

Se tão só eu pudesse ver o seu rosto outra vez. Mas nem sequer tenho uma fotografia.

(…) Minha infelicidade não beneficia a ninguém, nem a Susan, nem aos meninos, nem a mim mesmo. Mas, talvez a felicidade- esse estado que se experimenta uma satisfação global, em que a pessoa tem tudo, incluída a música- é o resultado de uma aprendizagem. E é óbvio que não encontrei nesta casa. Talvez não tenha procurado ou não soube assimilá- la.” (p.41)

Eu poderia destacar o livro todo, muito bom! Ele dá respostas sobre a infelicidade em casamentos aparentemente estáveis. O personagem não estava disposto a cumprir as expectativas sociais, as aparências, em detrimento da sua morte diária como homem, como pessoa, como ser independente. Matar a pessoa como se isso fosse obrigação, um assassinato consentido, é caro demais, não acha? Ele mesmo se faz a pergunta e dá a resposta (p.42):

Quando as coisas começaram a ir mal com Susan? Quando eu tirei a venda dos olhos, quando decidi que queria ver as coisas.

Fingir que as coisas não existem, não as farão desaparecer. Que bom seria se todos nós afrontássemos as verdades com todas as suas consequências. O casamento como forma de controle, não de prazer. Adivinha quem inventou essas regras? Na minha opinião, a instituição mais fake e desmoralizada que já inventaram (p.44):

O povo não quer que desfrutes demais, acreditam que é ruim para você. Poderíamos começar a desejar todas as horas. Que perturbador é o desejo! É um demônio que nunca dorme nem está quieto. O desejo é travesso e não se dobra aos nossos ideais e por isso temos tanta necessidade dele. O desejo zomba dos nossos esforços humanos e os fazem dignos de consideração. O desejo é o anarquista mais antigo e o primeiro agente secreto (…). E justo quando acreditamos que o temos baixo controle , nos decepciona e nos enche de esperança.

São os homens que têm que ir embora. A culpa fica com eles, como culpariam a mim. Entendo a necessidade de culpabilizar; a ideia de que alguém com mais vontade, coragem ou sentido do dever havia agido de outra maneira. Tem que haver, em alguma parte, a vulneração deliberada da moral que vá mais longe que a simples anarquia, para preservar a ideia de justiça e de sentido no mundo”.

Sobre “são os homens que têm que ir embora”, não concordo, isso independe do gênero. Uma escolha errada é fácil de acontecer por muitos motivos, mas isso não tem que ser cadeia perpétua, sempre é tempo de ratificar.

Jay começa a pensar no seu (excelente) pai e no que ele pensaria se estivesse vivo. Começam os problemas de consciência. Sabe que seu pai ficaria horrorizado com a sua fuga escondida, indigno, desleal. Susan procurava o sogro quando eles brigavam e o homem repreendia o filho em prol da mulher, “ela é uma joia” (p. 54). O senhor, machista, achava que as mulheres não podiam valer- se sozinhas, o filho herdou um pouco isso também. O pai de Jay, falecido há seis anos, era funcionário público e escritor. O fracasso fazia mais fortes as convicções do homem, “Era um tipo duro” (p. 55). Para o seu pai tudo devia ser feito sem nenhuma espécie de recompensa, assim pensava:

“O matrimônio proporciona poucos prazeres. Não podes ir embora e aproveitar a vida. Tanto ele como mamãe estavam frustrados e eram incapazes de encontrar uma maneira de conseguir aquilo que desejavam, fosse o que fosse. Mas mantinham a fidelidade e honestidade um com o outro. Mas infiéis e desonestos consigo mesmos.” (p. 56)

Um casal de classe média baixa dos anos cinquenta jamais teria se separado. Meus pais permaneceram debaixo do mesmo teto a vida inteira. (p.57)

 Grave é que isso continue acontecendo em 2017, não é? A mãe de Jay preferia passar o dia todo fora, que em casa com o marido, estar com outras pessoas era mais agradável.

Susan o acusa constantemente de falta de entrega. Ele tentava, mas… (p.59)

Creio que a mente sempre está concentrada..em alguma coisa que interessa (…) como o rosto de Nina e as carícias dos seus dedos compridos.”

(…) Continuo considerando minha falta de amor por Susan uma fragilidade, um fracasso de que sou responsável.

E mais uma parte do drama sentimental e dos absurdos que as pessoas se submetem (p.62):

 – Quando penso que minha mulher e eu estivemos juntos todas aquelas noites e aqueles anos estéreis e complicados, não entendo nada. talvez fosse uma espécie de idealismo louco. Eu havia feito uma promessa que teria que cumprir a qualquer preço. Mas, por quê? O mundo jamais se recuperaria com o fim do meu casamento (…) era uma obsessão absurda e cega”.

Jay começa a pensar em coisas triviais como a roupa que vai levar na sua fuga. A única coisa que pensa são em alguns ternos (ele foi indicado a um Oscar), sapatos elegante e confortáveis, a fotografia autografada de John Lennon e alguns discos.

Não pense que ele quer desfazer seu casamento por Nina. Jay tem consciência que ninguém vai substituí- la. Ele quer ir embora por si mesmo e para acabar com a farsa. Antes,  pediu Nina em casamento. Ela não quis.

Jay não leva muito em conta a opinião de sua mãe, ela também queria fugir no seu tempo, mas não tinha dinheiro. Sabe que a mãe vai dizer que é ruim para as crianças. O machismo vomitivo:

“Susan se sentia orgulhosa de mim. Um homem pode proporcionar a uma mulher dignidade e status”

“Ela preferia uma relação desequilibrada e deteriorada a não ter nenhuma” (p.71)

Susan trabalha muito e mesmo muito cansada, mas não falta aos muitos eventos sociais que é convidada. Adora ser popular e requisitada, ter muitos contatos, pois para ele isso é símbolo de um bom status. Jay sabe que ser uma mulher separada será um drama para Susan.

Uma mulher de meia idade com filhos não tem muito “charme” e Susan sabe disso. (p.70) Eu usei um eufemismo para “charme”, na verdade, o autor usou “cachê”. Jay e Susan são misóginos e sexistas. Pior é a mulher, porque joga pedra no próprio telhado. Mas a história é reflexo, não poderia ser diferente.

Ele não suporta a mulher, mas continua pensando em ter relações sexuais com Susan. Esse é um tabu desfeito, creio. As pessoas já sabem diferenciar um desejo físico de amor até nos últimos minutos antes de dormir, na sua última noite na casa; aliás, a história toda acontece nessa noite. Jay dá exemplo da cultura indiana: os casais “copulam” quando sentem necessidade e depois cada um vai para o seu lado, que nessa cultura as relações não são muito românticas.

Jay é completamente apaixonado por Nina. Ele não entende o motivo. O amor quando chega, não se explica, é impossível, às vezes nada tem a ver com o que desejamos. O amor é um bicho desgovernado. Ele se entregou à Nina, inevitável.

Eu podia ter me esforçado mais com Susan? (p.86)

Nenhum esforço é suficiente, é só um prolongamento da mentira, das aparências. Amor não se força, se o amor dependesse da nossa vontade, que maravilha seria!

Caros amigos e amigas, não desanimem. O amor, o dos bons, existe sim.  Reciprocidade é a chave. Todo mundo deseja esse tipo de amor, nada é tão incrível e fascinante como ele. Quando você estiver com alguém que algo consiga parar os ponteiros do relógio no seu mundo, preste muita atenção. É ele ou ela. 

Esse livro me escolheu, não fui eu quem o escolhi. O caixa da Casa del Libro que me indicou: “quer ler um livro fantástico sobre o amor?”. Eu não sabia que esse livro, assim do acaso, se tornaria um dos meus preferidos.

Pessoal, o final me fez chorar.


Abaixo, Hanif Kureishi. Eu o conheci pessoalmente em Madri. Tenho outros dois livros do autor autografados, veja aqui, que espero ler o mais brevemente possível.

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E essa é a edição espanhola lida, espero que você o encontre na sua cidade, um dos livros mais fantásticos da vida! O nome original em inglês é “Intimacy”.

18768621_800383593450536_9012993706213832746_oKureishi, Hanif. Intimidad. Anagrama, Edição limitada, Barcelona, 2015. Páginas: 143