“Ferin”: a segunda livraria mais antiga de Lisboa


A Ferin, a segunda livraria mais antiga de Lisboa, fundada em 1840, quase fechou as portas por problemas financeiros. Esse ano foi resgatada pelo dono da livraria “Ler devagar”, José Pinho.

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Livraria Ferin, a segunda mais antiga de Lisboa. (Fotos: Fernanda Sampaio)

O nome original da livraria era “Jean- Baptiste”, um belga que fixou- se na capital portuguesa na altura das guerras napoleônicas.   Ele teve onze filhos e sete deles dedicaram- se ao mundo dos livros.

A livraria fica num dos  lugares mais charmosos de Lisboa, o Chiado, bairro com grande tradição livreira. Veja aqui uma lista de livrarias e sebos (alfarrabistas) no bairro. Escritores como Fernando Pessoa e Eça de Queirós frequentavam o bairro, este último, a Ferin.

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A livraria foi passando de geração em geração, mas agora também tem outros acionistas que não são da família. Muito válida a iniciativa para manter essa livraria aberta com seus 170 anos de vida.

 

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Livros raros (e caros) para presente de Natal


Um presente bastante especial para o Natal que se aproxima, são os livros raros e antigos autografados por algum escritor de renome. Só que essas obras não para qualquer bolso, os preços são bastante elevados.

Por exemplo, “Odas elementales”, de Pablo Neruda, edição limitada de 1954, só saíram duzentas cópias numeradas e assinadas pelo autor, custa R$ 4.942,55 (ou 1.304, euros). Veja:

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Outra obra interessantíssima é essa edição do grande Gabo, Gabriel García Márquez, autor do maravilhoso “Cem anos de solidão”. O colombiano faleceu em 2014 e seus livros autografados já valem mais que ouro,  “Diatriba de amor contra un hombre sentado”, de 1994, custa quase seis mil reais! Reparem que Gabo desenhou uma flor junto com a dedicatória, lindo!

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Achou caro os dois anteriores? Então, prepare- se para o próximo: edição de 1942 de Jorge Luís Borges, “El jardín de senderos que se bifurcan”, custa quase 15 mil reais!

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Os três anteriores foram livros em espanhol, mas na nossa língua encontrei um muito especial, primeira edição de “Rampa” (1930), de Adolpho Rocha, pseudônimo do escritor português Miguel Torga. Essa joia, amigos, só vai levar quem dispuser de R$ 31.634,26!

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Agora, um dos livros que mais interessantes e que mais me emocionam, confesso, é esse exemplar do francês Guy de Maupassant. Primeira edição numerada (só 150 exemplares) de “Notre coeur” (“Nosso coração”), de 1890. Ele custa R$ 13.076,54. O livro tem 127 anos e está cheio de anotações do Guy. Não é o máximo?!

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Qual é o seu preferido? Aceito qualquer um de presente de Natal, tá? 😀

Tesouros da “British Library” (vídeo).


A Biblioteca Britânica é uma verdadeira joia da humanidade, ela é a guardiã de tesouros de valor incalculável. Nela há manuscritos de todas as épocas, de todos os povos, de todas as disciplinas. Eu estive passeando na biblioteca, sofri Síndrome de Stendhal, chorei na frente de originais de escritores, que jamais pensei que iria ter a oportunidade de ver. Você que é apaixonado por literatura como eu, vai entender.

Nem dá pra citar todos, impossível, mas digo que vi a letra do próprio punho de vários escritores e gênios das artes, literatura, música,  como Dostoievski, Proust, Tolstoi, George Orwell, Freud, Leonardo da Vinci, Mozart, Stefan Zweig, etc…

shakesEdição de “Orlando Furioso”, de Shakespeare, de 1591. (British Library)

Se você não pode, por enquanto, conhecer em pessoa essa biblioteca incrível, pode consultar vários textos no site, clica aqui.

Não gravei muito, porque como disse, estava extasiada, fora que não permitem gravar dentro da sala dos tesouros. Mas veja o videozinho aqui, clica e inscreva- se no canal! 🙂

4. Livrarias de Madri: “El Corte Inglés” da Praça do Sol


Essa livraria é de fácil acesso para o turista que chega na cidade de Madri. Ela fica situada na Plaza del Sol, com entrada lateral pela Calle de Preciados, no coração da cidade.

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A Plaza del Sol com a estátua de Carlos III e ao fundo o edifício da Real Casa de Correos.
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 Uma das poucas livrarias em Madri com letreiro também em inglês. Os espanhóis são muito conservadores quanto ao seu idioma, tentam evitar os anglicismos.

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A entrada na esquina entre Calle de Preciados e a Plaza del Sol.

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A livraria escolheu um prédio muito especial, um que recebeu o ilustre escritor argentino, Jorge Luis Borges (Buenos Aires, 24/08/1899 – Genebra, 14/06/1986), um dos mais importantes escritores do século XX. Nesse edifício funciona ainda o Hostal Americano, melhor localização impossível, com preços bons. Fica a dica de hospedagem em Madri. Foi nessa pensão em 1920, que Borges começou a escrever os seus poemas ultraístas. O Ultraísmo foi um movimento literário de vanguarda na Espanha e Argentina (principalmente nesse último) que era contrário ao Irracionalismo da Geração de 98 na Espanha e ao Modernismo. Eu sonho com uma placa dessas na entrada do meu edifício: “Aqui morou a escritora brasileira Fernanda Sampaio Carneiro Jiménez”. Sonhar ainda é grátis! Deixo aqui para a posteridade esse meu sonho, se um dia acontecer (já não estarei mais aqui), fica o registro….kkkkkkkk11061183_452988444856721_4394047631093596962_nUm dos corredores no térreo da livraria que guarda os livros clássicos.

11119127_452988521523380_316653948848671498_nNo subsolo. Fácil de “se perder” por aí e esquecer do tempo.

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 A visão quando descemos do primeiro andar. A livraria está distribuída em três andares, térreo, primeiro e subsolo. O acervo é rico, encontrei muitas traduções de escritores brasileiros, originais em língua portuguesa não há.

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Logo na entrada da livraria, pela porta que dá para a praça. Esse cantinho simpático, charmoso.

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No subsolo, destaque para a escritora americana Amy Tan, que conheci pessoalmente no último 23 de abril, quando esteve na cidade para o Dia Internacional do Livro.

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Olha o que encontrei! O nosso saudoso imortal Lêdo Ivo. Tinha outros títulos também.11268969_452988728190026_802147643095454341_n
A  visão geral do edifício com a mítica placa do “Tío Pepe”, a marca de um azeite-de-oliva da Andaluzia que ficava no alto de outro prédio na praça, mas foi retirada, porque o imóvel foi vendido para a gigante Mac americana, que pretende abrir uma mega loja no local.

Essa livraria só não vai levar uma nota dez, porque não tem livros em português. Recomendo!

Livrarias de Madri (2): “La Central de Callao”


A primeira livraria La Central foi inaugurada em Barcelona em 1995 e foram abertas mais cinco lojas, duas em Barcelona e três em Madri. A de hoje fica no centro, no bairro Callao em uma casa- palácio de 1.200 m2, possui mais de 70.000 livros em áreas variadas como filosofía, história, ciências sociais, artes e literatura.

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 De uma das janelas da livraria, que normalmente ficam fechadas nos comércios por motivos óbvios. Nesse caso, alguém poderia jogar livros ou ainda tentar pular. Gente sabe como é…mas acho legal os comércios que dão esse voto de confiança ao cliente, que não lacram tudo e não colocam um segurança atrás de você, como se fosse um delinquente ou um suicida em potencial (entendo também que o principal motivo sejam as crianças que sobem sempre aonde não devem). Na Casa del Libro chega a ser desagradável, o segurança circulando e te observando. Se existem câmaras não é necessário ninguém sair atrás dos clientes. Ponto positivo para a La Central, que tem um segurança a entrada, mas não fica no nosso pé.

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Cerca de 40% do fundo bibliográfico da La Central está formado por livros estrangeiros, aos quais incluem- se as principais novidades editorias em língua francesa, inglesa, italiana, alemã e portuguesa. A La Central procura atender todos os tipos de pedidos, inclusive livros de distribuição irregulares ou difíceis de conseguir. (La Central)

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Várias atividades literárias são realizadas na livraria, saraus poéticos, apresentação de livros, “conta contos”. Eles fizeram esse canto de leitura, mas é pequeno. Faltam mais sofás ou cadeiras espalhadas pelas salas.

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Na livraria tem um café- restaurante El Bistrô (térreo) que se vê pelo pátio interior e uma coquetelaria que só abre em dias de eventos. Ainda não provei, mas em breve irei e darei a nota.

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O interior do edifício foi reformado, mas mantiveram alguns elementos originais como as portas, os tetos e as lâmpadas, que dão esse ar industrial. O chão também é rústico.

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Essa livraria vai levar nota 9, só não leva a nota máxima porque os lugares para sentar são escassos e faltam mais livros de escritores brasileiros.  São três andares apinhados de livros.

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No térreo ficam as caixas e uma papelaria.

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E um painel com as dicas de leituras dos clientes.

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O acervo é mais interessante que o da Casa del Libro, porque a variedade de idiomas é maior, inclusive livros em português, que na Casa del Libro não há. E eles separam as estantes em literatura original e traduzida, adoro isso! Essa é a pequena estante de literatura brasileira e portuguesa (mais desta última), original e traduzida.

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Eu peguei os livros da Nélida Piñón que estavam todos espalhados, os coloquei todos juntos e em destaque…hehehe…eu voltei no dia seguinte e ainda estavam do mesmo jeito. Não sei se a minha estratégia de marketing em prol da boa literatura funcionará, mas ficaram mais visíveis.

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Boa literatura brasileira em destaque com o selo da loja, que recomenda a leitura:

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Eu costumo subir pelas escadas, mas há um moderno elevador na livraria:

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Quando subimos as escadas, há estantes com livros recomendados:

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Um deles é o “Livro do desassossego” de Fernando Pessoa:

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A fachada:

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Gostou? Que achou dessa livraria? Que nota você dá?


Endereço:

Postigo de San Martín, 8
Madrid
telefone: 917 90 99 30

Aberta de 10:00-22:00

Livrarias de Madri: La Casa del Libro


Começando a série “Livrarias de Madri”, onde pretendo apresentar e avaliar as livrarias da cidade onde é a minha casa. Madri é a capital do reino da Espanha, para quem não sabe, o país fica na Península Ibérica (Europa) e vive sob o regime de monarquia parlamentária. Não é conto de fadas: temos rei, rainha e princesas.

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A primeira livraria da série pertence a uma rede com 34 lojas, sendo que 10 estão em Madri, La Casa del Libro, fundada por Alejando Grassy em 1923, um relojoeiro de luxo, dono também do Edifício Grassy, um dos mais lindos da Gran Vía, onde funciona hoje a loja da Rolex. La Casa del Libro pertence ao poderoso Grupo Planeta.

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O catálogo da livraria conta com mais de 1 milhão de títulos com livros de todas as épocas, gêneros e em vários idiomas. Na Casa del Libro da avenida mais central e importante da cidade, La Gran Vía (A Grande Avenida), é a maior do grupo.

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Gran Vía de Madri

Há anos mantinha uma estante de livros em português, que infelizmente, foi retirada. Agora em português, só livros de aprendizagem do nosso idioma e dicionários. Com isso, perdeu pontos.

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Um dos andares superiores (são cinco, mais térreo e subterrâneo). Essa loja é a mais antiga do grupo, com 92 anos, que também funciona como centro cultural, com lançamentos de livros, cursos de literatura e vários eventos relacionados com o mundo dos livros, tanto para crianças quanto para adultos.

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Essa parte fica no térreo, é a mais bonita e o local onde moram todos os clássicos e edições de luxo. Minha preferida! Vista do térreo e mezanino.

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A Casa del Libro possui uma loja virtual com um excelente serviço e ainda você pode vender na web deles os livros que já não quer mais. Um mensageiro busca o livro na nossa casa e o envia ao comprador. O dinheiro entra na conta religiosamente. Compro e vendo livros com eles há muitos anos e estou 100% satisfeita.

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A propaganda de Paulo Coelho é massiva, o escritor está em todos os lugares e sempre muito visível, até em postos de gasolina, excelente plano de marketing, acho que as pessoas acabam comprando por cansaço. Nesse caso, toda a obra de Habbit (copiei de você, Gerson!) agrupada num só lugar.

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Em todos os andares existem cantinhos agradáveis para sentar e tranquilamente folhear os livros. Na loja da Calle Alcalá, há um cantinho desses com máquina de café expresso grátis para os clientes.

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Literatura pra cachorro! Enquanto seu dono lê tranquilamente, o seu bichón maltês (a mesma raça do meu Luigi) tira um cochilo completamente alheio ao movimento. Mais educado que muitos humanos!

Quando vier pela cidade, não deixe de visitar essa loja. Essa é uma, que quando entro, sofro Síndrome de Sthendal. Só não dou nota 10, porque faltam livros originais em português.


Librería Casa del Libro

Gran Vía, 29- Madrid- España

Site da Casa del Libro