Falece na Espanha o poeta Lêdo Ivo


Esse é o tipo de post que não gostaria de escrever. Faleceu nessa madrugada em Sevilha (Espanha), o poeta brasileiro Lêdo Ivo (Alagoas, Maceió, 18 de fevereiro de 1924- Sevilha, Espanha, 23 de dezembro de 2012). Ele começou a passar mal depois do almoço de ontem, foi levado para o hospital, mas não resistiu, provavelmente de um enfarte.

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Minha filha, o grande poeta e eu. Um dia emocionante, que nos deixou lindas lembranças. 

Estive com ele no ano passado, na apresentação do seu livro “Calima”, onde tive a honra de conversar com o poeta que é membro da Academia Brasileira de Letras. Muito gentil, carinhoso, disse que a minha filha parecia uma “pintura de Velásquez”, frase que jamais irei esquecer.

O coração pregou- lhe uma peça. Ele que também falou da fugacidade das coisas no seu livro “Calima”:

Coração presunçoso

De nada adianta

negar a verdade.

Não temos passagem

para a eternidade

 

O mormaço avança

e envolve a cidade.

Tudo é provisório.

Nada é realidade. (…)

Descanse em paz, mestre! Já estamos sentindo saudades…

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“Calima”, Lêdo Ivo


Como todos os homens, sou inacabado/ Jamais termino de ser (p. 10)

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Foto: Fernanda Sampaio

Lêdo Ivo (Maceió, 18-02-1924) escritor de prosa e verso, esteve no dia 13 de abril de 2011 na cidade de Madri (Espanha) apresentando o seu livro “Calima” (“Mormaço”), em português e espanhol.

“Calima” é um livro de poemas denso, um pouco triste, que fala muito da morte, mas também do amor e da vida, como se fosse uma conclusão de tudo. Da sua jornada,  tudo o que ficou  e não ficou. Poema (p. 80):

Não te iludas mais

nessa caminhada.

Não há diferença

entre um mausoléu

e uma cova rasa.

O tempo não passa

de um filho da puta

que, ao passar por nós,

de nós leva tudo

e não deixa nada.

E da fugacidade das coisas (p. 36):

Coração presunçoso

De nada adianta

negar a verdade.

Não temos passagem

para a eternidade


O mormaço avança

e envolve a cidade.

Tudo é provisório.

Nada é realidade. (…)

A apresentação foi no 2º andar da livraria La Central do Museu Rainha Sofia. Cheguei e fiquei observando Lêdo Ivo folheando livros no 1º andar. Ele passou por mim e eu o cumprimentei, trocamos algumas palavras, “brasileira de onde?!”, simpático. Subiu para o 2º andar pelo elevador e eu subi pelas escalas, a sala já estava cheia. Fiquei de pé o tempo todo, poucas cadeiras para muitos assistentes. A apresentação começou com o crítico Juan Manuel Bonet (Paris, 1953) que é crítico literário e o mais importante expert em pintura da Espanha, depois a leitura dos poemas feita por Lêdo em português e Martín López-Vega (1975, Poo, Asturias) poeta e editor, em espanhol.

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Juan, Lêdo e Martín. (Foto: Fernanda Sampaio)

“Calima” é uma edição bilingue (português e espanhol) e consta de 120 poemas que falam de temas diversos, de Maceió e de Paris, de sentimentos e realidades, outros são puro lirismo e outros a crua realidade.

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Foto: Fernanda Sampaio

O meu livro autografado por lêdo Ivo

Ivo, Lêdo. Calima. Vaso Roto, Barcelona, 2011. 313 páginas