Fiz um exame de DNA, veja o resultado


Eu sou fascinada por assuntos ancestrais. E para descobrir mais sobre os meus, comecei a fazer a minha árvore genealógica no ano passado e depois completei com um exame genético.

Pelo lado paterno (português), consegui avançar bastante, já que Portugal soube conservar muito bem os seus registros paroquiais e teve a deferência de disponibilizar, gratuitamente, os arquivos digitalizados na internet. Consegui chegar até a minha sétima geração (e seguirei). Tais arquivos me levaram a conhecer a minha cidade raíz em Portugal e tive uma grande surpresa ao visitá- la, mas esta história, possivelmente, será contada num livro.

Se você desconfia ou tem certeza de que tem ancestrais portugueses, pode procurar os registros no Tombo.

Já a minha busca pelas raizes brasileiras está sendo infrutífera. No cartório da cidade de Ipirá (Bahia), onde nasceram minha mãe, avós e bisavós, não acharam nenhuma certidão destes últimos, o que impede de avançar. Dos trisavós eu sei os nomes de uma das ramas, nenhum dado mais.

Agora há uma esperança: os mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) estão digitalizando os arquivos paroquiais do Brasil. Registros de nascimento, casamento, batizado e óbito. Estou olhando os de Feira de Santana e Cachoeira, pois no final do século XIX, a cidade de Ipirá (então chamada de “Camisão”) pertencia a estas outras localidades.

Faltam páginas nos livros, há páginas ilegíveis, fora a letra dos sacristãos, que são verdadeiros hieróglifos, parece que escreviam para ninguém entender. Está sendo um trabalho árduo e é preciso ter olho bom e muita paciência.

Se você tem curiosidade em descobrir as suas raízes, algum imigrante europeu que foi para o Brasil ou os registros já citados, vá lá no Family Search. Basta registrar- se, é tudo gratuito. Eu encontrei os registros de imigração do meu pai, avó e tios que imigraram de Portugal ao Brasil nos anos sessenta. Encontrei documentos com fotos deles que não conhecia. E tem uma parte útil disso também, o de resgatar nacionalidades estrangeiras, já que tem muita gente com vontade de morar em países diferentes.

“Quem sou eu?” Quem já não se fez esta pergunta? Pelo menos uma resposta genética é possível.

Eu fiz um teste no “My Heritage”, que é uma empresa de um cientista de Israel, Gilad Japhet, mas o laboratório fica em Houston, nos Estados Unidos. O processo é bem simples. Você faz um registro no site ou aplicativo, pede um kit (agora custa 59 euros) e não demorará a chegar. No kit há duas hastes com algodão compridas, que você irá passar no interior da boca por dois minutos de cada lado e depois colocar dentro de uns tubinhos com um líquido que conservará o seu material genético. Coloca- se num envelope já timbrado e o envio pelo Correio é por nossa conta. Podemos acompanhar no aplicativo o passo- a- passo do processo de extração do DNA. O resultado demora um mês. Veja qual é a minha herança étnica, eu achei incrível, três continentes!

Claro ficou que os meus predecessores também tinham alma imigrante como eu! Esse teste pode mostrar vestígios antigos, de mais de 500 anos. Quanto menos DNA, mais provável que seja antigo. Herdamos 50% de cada um dos pais, 25% dos avós e irmãos, e de bisavós cerca de 12% do nosso material genético. Mas falar de DNA não é coisa simples, é muito complexo, até mesmo para os cientistas.

O My Heritage tem um banco genético enorme e vai cruzando os dados armazenados. Já encontrei primos que jamais pensaria conhecer por causa deste teste. Hoje tenho amizade com uma prima de quarto ou quinto grau, brasileira que mora nos Estados Unidos. E estou conhecendo muita gente interessante. A última foi uma prima da Bahia, compartilhamos sobrenome e genética, além do gosto pelas Letras. Na minha lista há cerca de 1300 primos distantes. Minha mãe e irmãos também fizeram o teste, o que elucidou (um pouco) o que herdei de qual progenitor.

A minha pele é branca, alvíssima…mas vejam: tenho sangue nigeriano, norte- africano (região do Marrocos, Líbia, Egito, Argélia, Tunísia e o Saara, eminentemente muçulmana) e indígena americano. Acho que uma boa tentativa de acabar com o racismo no mundo seria que todo bebê deixasse a maternidade com um teste genético. Meu marido, que também fez o teste, além de ibérico, irlandês e italiano, também é judeu asquenaze (asquenazita, vi que no Brasil também chamam assim, uma gente muito inteligente, a maioria dos vencedores de prêmios Nobel tem essa etnia. Meu marido é inteligente mesmo, casou comigo…hahaha!). Ou seja, ele casou- se com uma pessoa com sangue mouro, “inimigos” (veja o eterno conflito entre muçulmanos e judeus em Jerusalém/Faixa de Gaza/Israel).

Ninguém é puro, homens e mulheres misturaram- se durante milênios. Ter consciência de quem me precedeu enriqueceu- me muito. Comecei a me interessar e a pesquisar sobre esses países, meu mundo expandiu- se.

A minha composição genética/geográfica ancestral faz muito sentido. Eu já montei várias histórias e suposições. E consigo imaginar como deveria ser cada dessas figuras que ficaram marcadas nas minhas células. O corpo conta histórias.

Hoje em dia há correntes que pensam que o DNA não é imutável, que nosso modo de vida, de pensar, de agir e de sentir pode modificá- lo. Veja que livro interessante (esse não tem muito a ver com etnias, é mais sobre saúde e estilo de vida):

Durante muito tempo acreditamos que os genes determinassem nosso destino biológico e que fossem imutáveis, mas recentes descobertas no campo da genética mostram que eles são dinâmicos e podem ser influenciados por diversos fatores. Em Supergenes, a dupla de médicos Deepak Chopra e Rudolph Tanzi discorre sobre como a ciência atual sustenta que nossos genes reagem a tudo o que fazemos, dizemos e pensamos. Oferecendo um cardápio de escolhas para 6 esferas da vida – dieta, estresse, atividade física, meditação, sono e emoções –, em três níveis de dificuldade, os autores também mostram, de forma muito prática, o que devemos fazer no dia a dia para ativar o melhor do nosso código genético pela vida afora.

Eu quis compartilhar com vocês a emoção dessas descobertas. Se você fizer o teste, me conta o resultado depois. Até a próxima!

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Resenha: “Tartufo”, de Molière


Você sabe o motivo da cor amarela ser considerada de má sorte para os atores? Continue lendo para descobrir!

Literatura clássica francesa. Livros seculares como “Tartufo”, do parisino Molière, emocionam- me muito! Uma obra assim você não pode deixar de colocar na sua lista de leituras. Ela representa com perfeição arquétipos sociais, como a hipocrisia, por exemplo. Uma obra aclamada há quase 350 anos, viva e atual.

Molière nasceu Jean- Baptiste Poquelin e foi batizado em 15 de janeiro de 1622, portanto, há 396 anos, um velhinho quase quatrocentão. Não se sabe a data exata do seu nascimento. Era filho de tecelãos, uma família burguesa, que servia a casa real francesa. O autor tinha três formações universitárias: Humanidades, Filosofia e Direito, profissão que exercia, mas não gostava. Abandonou o Direito para dedicar- se ao teatro, sua paixão. Renunciou também o trabalho de tecelão da monarquia que herdaria do seu pai, isso foi em 1643. A família era boêmia, frequentava teatros, inclusive a irmã de Moliére, Magdalene, era atriz famosa. Para ela, usava- se uma expressão “femme d´esprit”, uma mulher inteligente e culta. O sentido original dessa expressão mudou um pouco com o tempo e agregaram ao seu significado a malícia e o humor.

A biografia de Molière, considerado o “pai da comédia francesa”, é muito interessante, mas só vou dar uma pincelada, porque é extensa, recomendo que leiam na íntegra. Nessa edição espanhola (foto), o prólogo é bem interessante, conta toda a cronologia do autor. Ele montou uma companhia de teatro com alguns sócios, foi nessa época que adotou o nome artístico de “Molière”. A companhia foi um fracasso, endividaram- se, não puderam pagar e Molière foi preso.  Depois de solto, saiu de Paris, começou a apresentar- se com a companhia pelo interior da França e deu certo. O dramaturgo tinha muitos inimigos, principalmente atores, desafetos que foi ganhando pela vida. A realeza censurou as suas obras também. Molière teve um filho, Louis, que morreu na infância e teve uma filha, “Esprit Madeleine”, que adulta chamava- se “Madame de Montalant” e um outro menino chamado Pierre. Se eu não contei errado, Moliére encenou vinte e três peças. Ele escrevia e atuava também.

Segundo este prólogo biográfico e crítico, Moliére era um homem sério, calado, triste, feio, baixo, de sobrancelhas e traços grosseiros, e parece que estava acima do peso. Creio que foi uma descrição injusta, o homem não me parece tão pouco agraciado assim, achei até simpático, que você acha?

Doente, perdeu bastante peso e ficou miudinho. Vivia sempre vermelho por causa dos ataques de tosse, tinha tuberculose. Já perto de falecer, também morreram a sua irmã Madeleine e um outro filho, isso prejudicou a sua saúde, dizem. Ele levava suas dores para o palco, sua última obra: “O doente imaginário”. Agora vem a história da cor amarela:

Molière teve uma convulsão em cima do palco, na última cena e vestia amarelo. As pessoas acharam que ele tinha morrido, o que só veio acontecer horas mais tarde na sua casa. E ainda por cima escreveu este epitáfio para o personagem: “Aqui jaz o rei dos atores. Agora se faz de morto e na verdade, o faz muito bem”. Virou lenda. Os sacerdotes recusaram- se a dar- lhe extrema- unção por causa da obra “Tartufo”, principalmente. A Igreja detestava Molière, ele os delatava nas suas obras.

A assinatura de Molière

Então, vamos descobrir o motivo dessa obra ser tão polêmica. “Tartufo” tinha sido censurada durante muito tempo, mas foi autorizada a ser representada pela primeira vez em 5 de fevereiro de 1669 e foi um sucesso absoluto. São doze personagens e a história acontece na casa de Orgón, em Paris:

E Dorine endossa e revela a hipocrisia que acontece no meio social que frequentam (p.101):

– Não será Daphné e o maridinho dela que falam mal de nós? Aqueles cuja conduta mais se presta ao ridículo são sempre os que se metem a falar mal dos outros. Estão sempre prontos a observar o mais leve indício de simpatia para com alguém, espalham a notícia com o maior açodamento, desvirtuando as coisas a seu talante e apresentando-as como querem que sejam vistas. Julgam poder justificar as próprias ações neste mundo, dando às dos outros o colorido que lhes convêm, e procuram inocentar as próprias intrigas com a ilusória esperança de parecerem íntegros; ou então fazer recair alhures algumas migalhas esparsas dessa reprovação pública, que os sobrecarrega em demasia.

Senhora Pernelle, mãe de Orgon
Orgon,marido de Elmire
Elmere, mulher de Orgon
Damis, filho de Orgon
Mariane, filha de Orgon e apaixonada de Valère
Valère, apaixonado de Mariane
Cléante, cunhado de Orgon
Tartufo, falso devoto
Dorine, dama de companhia de Mariane
O senhor Loyal, sargento
Flipote, criada da senhora Pernelle

A senhora Pernelle é uma matriarca déspota, que critica com crueldade toda a sua família. Todos estão alvoroçados, porque receberá a visita de Tartufo, que a mãe idolatra e sua família detesta. A madame reprova várias condutas, até o fato de receberem visitas e a vizinhança comentar, reclamar do barulho e do entra e sai e Cléante rebate (p.101):

(…) – Não há como garantir-se contra calúnia. Não nos preocupemos com os mexericos tolos; esforcemo-nos por viver em completa inocência, dando aos faladores plana liberdade.

Quando algo incomoda demais em alguém, é espelho. A pessoa vê no outro o que tem em si em abundância e o reflexo provoca mal- estar. Disso ao ódio é um pulo. Por isso a Igreja e a Realeza incomodaram- se tanto com Molière? Claro!

O machismo e a inversão de valores também foram assuntos tocados por Moliére. Na cena IV (p.105), acontece um diálogo entre Dorine e Orgón sobre Tartufo e a mulher de Orgón, Elmere, que estava passando muito mal com uma enxaqueca, não dormiu a noite toda, não conseguiu comer e estava sangrando muito. Tartufo, o hóspede deles, jantou um banquete, bebeu vinho, dormiu tranquilamente, e ainda por cima, ELE era o “pobre homem”! O “pobre homem” saiu de manhã para rezar e fortalecer sua alma de bom cristão.

Orgon e Cléante têm falas imensas. Fiquei pensando na memória de elefante que têm que ter os atores que representam esses personagens. Adoraria ver esta obra encenada. Cléante tem uma fala brilhante sobre o verdadeiro e o falso. Claro que a carapuça deve ter caído em muita gente naquela época, e hoje ainda, obviamente. A falsidade. Como saber se uma pessoa está sendo sincera ou simplesmente o seu discurso é manipulado para conseguir certos objetivos? Você consegue perceber?

Tartufo aparece na cena VII declarando- se para a esposa de Orgon, Elmere. E ela surpresa, “tão bom cristão”. Enquanto isso, Orgon estava querendo obrigar a filha a casar- se com Tartufo por dinheiro. E Tartufo culpa a mulher pelo seu desejo de cobiçar a mulher alheia (a partir daqui usei o PDF em português para facilitar as citas):

– Ah! Mas nem por ser devoto eu não sou menos homem; e quando se chega a ver seus celestes atrativos, o coração torna-se escravo e não raciocina mais. Sei que essas palavras parecem estranhas partindo de mim, mas, senhora, apesar de tudo, não sou um anjo; e se condena a confissão que acabo de lhe fazer, deve culpar seus encantos.

Iria ficar tudo em segredo, mas Damis ouviu tudo escondido e depois chega o marido também e o armou- se o barraco. Mas, pensa que Tartufo foi banido da família pela ousadia de assediar a mulher do dono da casa que estava hospedado?! O marido solucionou o problema obrigando Tartufo a casar- se com sua filha. Você acha que Orgon trocaria a posição social de Tartufo por honra e dignidade?!

A história tem reveses. Quem parece que vai ganhar, perde e vice- versa. Um texto bem contruido, amarradíssimo e surpreendente! Muito gostoso de ser lido, recomendadíssimo!

Molière. Tartufo. Catedra. Letras Universales, Madrid, 2010. Páginas: 179

Se quiser ler um PDF em espanhol (grátis!), clica aqui.

Se preferir ler em português, é só clicar aqui (grátis!).

Se quiser ler em inglês, clica aqui.

Boa leitura!

PDF grátis: “O ente e a essência”, de São Tomás de Aquino


O opúsculo* “O ente e a essência” (PDF GRÁTIS AQUI), provavelmente escrito entre 1252 e 1256, é como se fosse um panfleto, só tem 48 páginas.  E como o próprio nome diz, a obra trata da essência das coisas, a metafísica. Incrível poder ler o que pensava esse senhor há quase 800 anos e ver que tentava racionalizar o misticismo.

A natureza da espécie é indeterminada em relação ao que é o indivíduo, tal como a natureza do género, em relação à espécie. (T.A.)

Tomás de Aquino nasceu na Itália em 1225, faleceu aos 49 anos e foi canonizado 50 anos após a sua morte. Era de família nobre, nasceu num castelo. Nessa época e nesse tipo de família era normal mandar os filhos servirem à Igreja. Possivelmente, Tomás não devia ter vocação para a guerra e nem as conquistas.

Significar a essência como um todo e como uma parte. (T.A.)tomas-de-aquino

                                                      Possível imagem de Tomás de Aquino.

O livrinho é muito explicativo e didático. Nota- se que o autor era um frade professor. Ele explica tudo muito bem, como os termos do título “ente” e “ser”. Tomás foi o maior representante da escolástica, a filosofia ensinada nas escolas medievais, que comparava a fé, a religião católica, a Bíblia, com a filosofia; e quando era a filosofia de Aristóteles, tinha um nome engraçado: peripatética. Tomás ensinava a filosofia peripatética. Nessa obra ele também fala de Sócrates.

Deus possui todas as perfeições no seu próprio ser.

Os acidentes individuais derivados da matéria  diferenciamos indivíduos de uma mesma espécie.

Fica aqui essa mini- resenha, pequena, senão eu conto o livro todo. Leiam, nem que for por curiosidade.


*o·pús·cu·lo

1. Livro pequeno sobre artes, ciência, etc. (Priberam)

 

Os sebos, você é cliente?


Confesso: tenho uma certa resistência aos sebos por uma questão higiênica, mais que qualquer outra coisa. Tenho uma certa resistência às bibliotecas públicas e ao empréstimo de livros pelo mesmo motivo. As pessoas comem e bebem lendo, lavam sempre as mãos quando pegam um livro? Lêem em lugares públicos, na rua, em ônibus, parques, trens, sentam em livros, os colocam no chão. Os livros sofrem e são vítimas dos germes e bactérias. Vítimas de espirros e fluidos humanos de todas as qualidades. Os livros usados são comida para fungos, ácaros, insetos e outros bichos estranhos. Notou a minha apurada noção dos seres invisíveis e prejudiciais à saúde? Pois é. Eu entro em um sebo e espirro e me esquivo e me agonio e saio rápido.

Com tudo isso, com esse ataque hipocondríaco evidente, reconheço o valor e necessidade dos sebos. Dormem neles verdadeiros tesouros, edições esgotadas, anotações interessantes de seus antigos leitores, dedicatórias de escritores importantes e a curiosidade, “por que alguém se desfez desses tesouros?”. A morte, a falta de espaço, o desinteresse, a falta de dinheiro. Dinheiro. Os sebos são baratos. Veja esse, na Calle Alcalá em Madri, Espanha. Por 10 euros você leva os títulos que quiser. Individualmente, valem 2,90 euros. Entrei para ver o que tinham de literatura brasileira. Quase nada, um livro e era em italiano; e outro de um português, veja:

11403183_472207096268189_5093967367782752670_n“Nas asas dos sentidos” prova que a literatura não tem limites nem exclusões. Augusto Deodato Guerreiro é um professor português, doutor em Ciências da Comunicação, vê pouco, mas enxerga longe.

11401156_472207122934853_8406705896811813826_nA letra evidenciando o problema visual do poeta Deodato Guerreiro. Guerreiro mesmo. E a dedicatória ao professor….Félix?

11401374_472207172934848_6687936878467399946_nE a edição italiana de Tieta, de Jorge Amado.

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“Tik Books”, na rua Alcalá, Madri.

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Um sebo ou loja de livros usados na capital espanhola. Em Madri há duas lojas, veja.


 

E você, costuma frequentar sebos? O que já encontrou de interessante neles?

“Seis propostas para o próximo milênio”, Ítalo Calvino


               Minhas reflexões sempre me levaram a considerar a literatura como universal, sem distinções de língua e caráter nacional, e a considerar o passado em função do futuro (…) (p. 9)

O “próximo milênio” já chegou e esses textos visionários e atuais servem para todas as pessoas envolvidas com letras e artes, um livro para estar na cabeceira e sempre consultar. São valores e virtudes que Calvino considerava importantes no labor artístico.

“Seis propostas para o próximo milênio”, que são cinco na verdade,  são conferências para as Charles Eliot Lecturer, que o escritor Ítalo Calvino (Santiago de las Vegas15/10/1923 – Siena19/09/1985) escreveu para a Universidade de Harvard em 1985, ano do seu falecimento; infelizmente, não chegou a apresentar nenhuma conferência, elas foram escritas para o ano letivo de 1985-1986, mas não houve tempo, o escritor nem chegou a escrever a sexta, “Consistência”, pois pretendia escrevê- la em Harvard. Um AVC o levou antes, uma pena.

Filho de italianos, Calvino nasceu em Cuba, mas mudou- se ainda bebê para a Itália. É considerado um dos mais importantes escritores italianos do século XX.

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Ítalo Calvino

O original de Calvino em inglês (p.8), ao pé-da-letra: “Seis notas para o próximo milênio”:

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1. Leveza 2. Rapidez 3. Exatidão. 4. Visibilidade 5. Multiplicidade 6. Consistência (que não chegou a ser escrito)

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Estamos em 1985: quinze anos apenas nos separam do novo milênio.(p.11)

O livro inteiro é belo, muitas referências literárias. Antes do primeiro capítulo Leveza, Calvino faz uma pequena introdução e fala da própria experiência como escritor, quarenta anos de profissão e a procura por uma definição global da sua obra. Pensa no futuro da literatura e do livro na era tecnológica numa época em que a Internet, por exemplo, não era nada popular. Que pensaria Calvino hoje sobre os e-books, a popularização da Internet e das redes sociais ligando o mundo todo?

Na primeira conferência ele tenta defender a leveza em detrimento do peso, que o prejudicou no início da carreira, pois petrificava tudo, e por isso, naquele momento, a leveza era seu projeto de futuro. Ele usa a literatura, fala através de alegorias, conta o mito de Perseu e de Medusa, onde ele mostra a fragilidade dos monstros. Acha que se usasse alguma história contemporânea, irremediavelmente teria que condenar a humanidade ao peso, como fez Kundera em A insustentável leveza do ser. Ele dá exemplos de textos literários em verso e prosa exemplificando a leveza. É o capítulo mais longo, quem sabe, também o mais importante.

No segundo capítulo, ele fala sobre a rapidez, também usa um exemplo literário, a lenda do imperador Carlos Magno. Ele explica que a verdadeira estrela desse conto é o próprio conto, a forma de narrar. Uma verdadeira aula de literatura, sobre o fazer literário.

Em Exatidão, ele dá três chaves principais que servem para diversos tipos de trabalhos em muitos âmbitos. O simples que às vezes é tão difícil: 1. um projeto de obra bem definido e calculado; 2. a evocação de imagens nítidas, incisivas, memoráveis; 3. uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação. (p.71) Calvino admite que a Exatidão é difícil, que ele mesmo começa uma história e termina em outra completamente diferente. Há vastas dispersões e os mínimos detalhes, ele cita Flaubert Le bon Dieu est dans le détail”, ao pé-da-letra, “O bom Deus está nos detalhes”, algo assim, “Deus mora nos detalhes”.

Em Visibilidade, ele começa logo citando Dante no Purgatório para ilustrar a imaginação, o sonho, a fantasia “Poi piovve dentro a l’alta fantasia” (” Chove dentro da alta fantasia”) (p.97), o escritor era uma enciclopédia, a quantidade de citas é imensa. O capítulo termina assim, achei uma delícia essa “definição” do que é literatura:

Seja como for, todas as ‘realidades’ e as ‘fantasias’ só podem tomar forma através da escrita, na qual exterioridade e interioridade, mundo e ego, experiência e fantasia aparecem compostos pela mesma matéria verbal; as visões polimorfas obtidas através dos olhos e da alma encontram- se contidas nas linhas uniformes de caracteres minúsculos ou maiúsculos, de pontos, vírgulas,parênteses; páginas inteiras de sinais, representando espetáculos variegado do mundo numa superfície sempre igual e sempre diversa, como as dunas impelidas pelo vento do deserto. (p. 114)

A última conferência, Multiplicidade, começa com uma citação do autor Carlo Emilio Gadda. Calvino gostava de contar histórias. Gadda foi o objeto de análise para exemplificar a multiplicidade. A conclusão é que o romance é uma grande rede, que é melhor o autor distanciar- se da própria realidade do Eu, do self,  mas com grande sinceridade e verdade, usando a imaginação.

Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis. (p. 138)

Esse é um livro para encantar, para aprender e para pensar no fazer literário.

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Calvino, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. Cia das Letras, São Paulo, 2001. 141 páginas

Resenha: Seda, Alessandro Baricco


Era 1861. Flaubert estava acabando Salammbô, a luz elétrica ainda era uma hipótese e Abraham Lincoln, do outro lado do oceano, estava combatendo em uma guerra que o final não veria. (p.25)

Conhecendo um pouco da literatura italiana contemporânea. O italiano Alessandro Baricco (Turim25 de janeiro de 1958) é jornalista, crítico de música, dramaturgo e prosista. Baricco é um dos mais prestigiosos escritores da atualidade, faz sucesso na Europa (e no mundo). Ele fundou em 1993, uma escola literária em Turim chamada “Scuola Holden”, em homenagem ao personagem do livro “O apanhador no campo de centeio”, de J.D. Salinger. Também é professor convidado do mestrado em Narrativa da Escola de Escritores de Madri. A sua escritura em “Seda” é criativa, adorei as frases curtas, verbais e nominais, principalmente no início do texto. A princípio, o texto é ágil, muito gostoso de ser lido, mas depois tornou- se um pouco repetitivo, com as idas e vindas de Joncour da França ao Japão. Foi com esse livro que Alessandro ganhou projeção internacional. Contudo, na minha opinião, o livro poderia ter ganhado mais se Baricco tivesse optado pela prosa poética, algo mais de existencialismo, ao invés da narrativa descritiva e repetitiva. Faltou poesia.

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 “Seda” é a história de Hervé Joncour, 32 anos, ele trabalha comprando e vendendo bichos-de-seda. É o ano de 1861, Joncour vive com a esposa Hélène em Lavilledieu numa casa confortável na periferia da cidade. Você sabe como é o ciclo de vida de um bicho-de-seda? Assim:

No começo de maio os ovos se abriam, liberando uma larva que, depois de trinta dias de enlouquecida alimentação à base de folhas de amora, procedia a recluir-se novamente em um casulo, para evadir- se depois do mesmo definitivamente duas semanas mais tarde, deixando trás de si um patrimônio que, em seda, podia- se calcular em mil metros de fio cru e, em dinheiro, em uma boa quantidade de francos franceses (…) (p. 8)

Um homem chamado Balbidou levou a ideia, o cultivo do bicho-da-seda e as fábricas de tecido para a cidade. Com isso, mudou o destino de Joncour que, antes da seda, iria servir ao Exército. Balbidou é um personagem cativante, inteligente, cheio de energia. Ele soluciona um problema grave de uma praga que ataca aos bichos-de-seda. Descobre que não há como lutar contra a praga, só preveni- la. Estudou e descobriu que o Japão é maior produtor de bichos-de-seda, esse povo é o que faz a seda mais linda do mundo. Naquela época o Japão era no fim do mundo e uma terra desconhecida, que matava os estrangeiros que tentavam entrar no país. Enviou Joncour ao Japão para salvar Lavilledieu da praga, que partiu sozinho para a Terra do Sol Nascente. A narrativa segue com as aventuras de Joncour no Japão sem falar nem entender o idioma. É uma obra muito fotográfica, é como se estivéssemos assistindo um filme. Ele volta a Lavilledieu com os ovos de bicho-de-seda, os que logo se transformariam em larvas e depois nos melhores fios de seda do mundo. Tal feito aumentou a produção e a riqueza da cidade. Joncour volta outras vezes ao Japão e nós viajamos com ele pela geografia nipônica, além de seus usos e costumes.

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Joncour levou para França um bilhete, uma mensagem escrita em japonês. Uma misteriosa mulher que deu- lhe uma massagem colocou o papel em sua mão. Na França, procurou a prostituta japosesa, madame Blanche, para decifrar a mensagem. “Volte ou morrerei.”

A praga continuava na França e o governo contratou um jovem biólogo chamado Louis Pasteur para tentar resolver a doença que atacava os bichos-de-seda. Enquanto a praga permanecia na França, Joncour continuava viajando para o Japão para contrabandear ovos saudáveis, sempre hospedava- se na casa de Hara Kei, que era uma espécie de rei no seu povoado. Anda na rua, encontra uma jovem que nunca viu antes, fazem “amor” durante horas, não falam nada e ela vai embora. Aí faltou verossimilhança, deixei de acreditar na história e comecei a achar o livro uma bobagem com essa cena sexual gratuita. Mas vamos lá, mais uma tentativa de acreditar no livro. Ele volta mais uma vez para a França e outra vez o autor repete toda a sequência da viagem pela quarta vez. Uma narrativa circular, sempre volta na mesma coisa. A impressão que ficou é que são micro-contos repetidos, o mesmo sobre o mesmo. Faltou também uma melhor caracterização temporal, não consegui transportar- me ao ano de 1861. A narrativa volta a melhorar depois da quarta viagem de Jancour ao Japão, que estava em plena guerra. A Aldeia de Hara Kei foi destruída. O francês é expulso do Japão com uma escopeta na cabeça e muito ouro no bolso. Consegue comprar ovos com as larvas no caminho, mas morrem no transporte. Chega na França com as mãos vazias. Constrói um grande parque com jardins lindos ao modo japonês. Joncour sente nostalgia por algo que nunca viveu. Recorda a mulher que estava deitada no colo de Hara Kei a primeira vez que foi ao Japão. Ela não tinha traços orientais. O mistério dessa mulher, também a que ele transa, a que ele recebe uma mensagem de socorro e uma longa carta em japonês que recebe, só é desvendado do final da história.

Em 1866, o Japão liberou a exportação de ovos com larvas de seda. A seda artificial foi patenteada por Chardonnet em 1884. A parte informativa é interessante. O final da história tem a beleza das coisas simples.

Essa é a edição espanhola que eu li, a capa faz referência ao idioma japonês, e complementando, o fundo vermelho com flores delicadas como uma tela japonesa:

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Baricco, Alessandro. Seda. Anagrama, Barcelona, 2009. 125 páginas

O que é ser intelectual?


Nos comentários de um post recente, Rosângela Neres, professora na Universidade Estadual da Paraíba, escreveu o seguinte: “(…) a intelectualidade de uns também é questionável. Nunca fui muito fã desse termo, afinal o que quer dizer ser intelectual, não é mesmo? Todos não temos propensão ao intelecto? Tem gente que só porque leu muitos livros e falou sobre eles já se denomina assim.” E eu fiquei pensando…afinal, o que é ser intelectual na pós- modernidade?

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Em primeiro lugar, na minha opinião, existem pessoas que são intelectuais e outras que não são. Nem todas as pessoas, aliás, a maioria, não é. Apesar dessa “propensão ao intelecto”, como citou Rosângela, que é um pensamento difundido pelo filósofo italiano Antonio Gramsci  (Ales, 22 de janeiro de 1891 – Roma, 27 de abril de 1937). Para o filósofo, “intelectual” não se refere, como costumamos fazer, a certos indivíduos particularmente dotados, distantes da massa, que normalmente são filósofos, artistas, literatos ou cientistas. Para ele, o intelectual só pode ser entendido pela sua base histórica e seu meio social. Cada pessoa é diferente e deve ser “analisada” individualmente. Até aí  estou de acordo. Mas, para ele, todos os seres humanos são filósofos, médicos, advogados, todo mundo pode ser tudo. Ser intelectual é algo orgânico para Gramsci, já nasce inerente ao sujeito. Meritocracia.. o sujeito pode ser tudo? Não existem condições financeiras e/ou sociais que te impeçam de ser o que quiseres? Sim, claro que existem impedimentos, sabemos que na prática é assim. Uma pessoa pode estar apta fisiologicamente para desenvolver atividades mentais, mas a maioria da população mundial não desenvolve essas faculdades. A maioria exerce funções mecânicas, repetitivas, braçais. Não falo desse tipo de intelectual orgânico.  A minha referência nesse post é para os letrados despreparados que criticam sem fundamento, que não aprenderam o suficiente nos seus anos de estudo e deveriam voltar às salas de aula ao invés de serem os professores. É indignante ler erros ortográficos gritantes, professores universitários que mal sabem escrever. Minha crítica é para esse tipo de pseudo- intelectual, que tem a obrigação de saber as regras gramaticais elementares e também as complexas, mas escrevem como crianças de 8 anos. Somado a isso, uma pessoa letrada deveria aceitar a opinião alheia, já que faz parte da intelectualidade a pluralidade. Gente que ocupa cadeiras nas universidades brasileiras, mas que deveria voltar para a alfabetização, ser aluno e não professor. Vamos às definições para o termo intelectual:

 Dicionário Priberam

1. Que é do domínio da inteligência.

2. Relativo à inteligência.

3. Espiritual.

4. Que ou quem tem gosto predominante pelas coisas do espírito.

5. Que ou quem tem uma atividade intelectual permanente ou predominante.

6. Que ou quem tem grande cultura.

Ou seja, todas as faculdades mentais e espirituais, gente que trabalha com alguma atividade intelectual (há exceções, gente que não tem preparação para exercer atividades desse gênero, mas atuam na área por outros motivos, muitas vezes políticos ou administrativos, nepotismo e afins, portanto, há ressalvas) e gente que não trabalha com isso, mas que detêm cultura variada e informação, pessoas que viajam muito, que tratam com gente diversificada, pessoas que leem, que escrevem, que têm um nível de retórica superior, que se preocupam com o bem falar, com a linguagem de um modo geral, que falam mais de um idioma, que têm uma boa cultura geral em áreas que as pessoas mais “simples” muitas vezes não ousam tocar, enfim, as pessoas cultas e os auto- didatas. Todos esses ítens juntos ou alguns deles. Não é necessário ter frequentado uma universidade para ser intelectual.

Um artigo de Jean Paulo Pereira de Menezes, Mestre em História pela FCH/UFGD-MS, docente do curso de Serviço Social e Pedagogia da Unilago-SP, diz o seguinte:

A palavra intelectual passou a ser empregada a partir de 1898 em Paris para se referir a Emille Zola e seus correligionários que buscavam inferirem através da crítica no espaço público da política francesa. De início a palavra intelectual foi carregada de uma depreciação, pois os intelectuais de Zola eram entendidos pelo governo francês como alguma espécie de bisbilhoteiros da política do tempo presente. Assim mesmo, o termo intelectual pegou e passou a ser um designativo nada pejorativo, uma vez que o intelectual buscava a preservação dos valores burgueses universais como liberdade, justiça etc.

Graças a Emile Zola, o termo “intelectual” passou a ser usado, a princípio como algo negativo, porque atacava o governo francês, e logo, como um elogio. Ser intelectual era atribuído ao sujeito que lutava publicamente através da retórica pelo bem da sociedade. Com o marxismo, esse termo mudou de forma e segundo Antonio Gramsci,  “todo mundo é intelectual” (como acha a professora Rosângela):

O conceito de intelectual em Gramsci é muito mais amplo. O intelectual no sentido gamsciano não é necessariamente apenas o palestrante, o literato, os homens das letras diante de seus posicionamentos. Para Gramsci, intelectual é todo sujeito que exerce uma intelecção. Assim, todos os sujeitos são intelectuais.

Um encanador pode ler um livro e um professor de física quântica pode trocar um cano furado eventualmente. Mas Gramsci faz uma ressalva: ele diz que há “graus” de intelectualidade. A grosso modo: há intelectuais medíocres, médios e brilhantes.

Jean Paulo continua explicando que as universidades são fábricas de arquétipos de intelectuais que são movidos por interesses político- administrativos do Estado, comodismo ou interesses próprios. Leia artigo. Tais arquétipos podem ser altamente nocivos, já que se afastam muito do termo intelectual original de Zola, no sentido de usar e trabalhar com a mente para o “bem geral”.

A modo de conclusão: nem sempre a profissão que o sujeito exerce o transforma num intelectual. Há professores que não deveriam ser professores, mas pode existir algum mecânico que é um exímio leitor e entende mais de gramática e literatura que muitos letrados. Todo professor e todo aquele que trabalha com o intelecto deveria ser um intelectual, mas nem sempre é assim; todas as pessoas (exceto as que nasçam com alguma doença) nascem com as suas faculdades mentais prontas para serem desenvolvidas, mas a maioria não tem a oportunidade/ vontade de o fazer e partem para as profissões braçais e mecânicas, já que o estudo e uma boa preparação têm um custo financeiro muito alto, além de outras exigências pessoais, como a constância e tenacidade, que nem todos os indivíduos possuem. Ou seja, a propensão ao intelecto existe, mas nem todos a desenvolvem, mesmo os que têm um canudo na mão. É bem típico dessa nossa “pós- modernidade líquida” (termo do sociólogo Zygmunt Bauman) a falta de definições mais contundentes, o caos social e a falta de clareza, impedem a categorização precisa dos fatos sociais.

De certa forma, esse discurso é um apelo a não- propagação da ignorância. As redes sociais vieram para denunciar o que antes só ficava entre os muros dos centros de ensino: alunos e professores universitários (de Letras e outras áreas) que não sabem gramática básica. Professores universitários que formam outros profissionais deveriam ser escolhidos com critérios mais exigentes. Professores merecem receber um salário condizente com a importância da profissão, mas também têm que fazer um exame de  consciência e averiguar se estão fazendo um bom trabalho. Estão? Todo mundo pode melhorar, basta deixar a poltrona do comodismo e arregaçar as mangas! Se os resultados estão sendo ruins (principalmente na Educação pública) algo falha.