Resenha: Os melhores contos de Lima Barreto


Affonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13/05/1881- Rio de Janeiro, 01/11/1922) foi um grande escritor, da altura de Machado de Assis, por exemplo, só que de uma forma mais moderna, sua linguagem é mais próxima à realidade do povo. Ele falou dos pobres e seus subúrbios, deu voz à essa gente; falou das classes sociais, políticos e a maneira pouco honesta de conquistarem o poder. Isso deve ter incomodado muita gente da recente república brasileira (decretada em 1889 com Marechal Deodoro). Affonso foi excluído das rodas literárias mais seletas, da Academia Brasileira de Letras, por exemplo. Candidatou- se três vezes.

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Além de tudo, era mulato. Raros eram os escritores mestiços no seu tempo, a abolição da escravatura era coisa recente. Teve uma vida difícil, de ascendência humilde, nasceu na rua Ipiranga, nº 18, em uma casa que já não existe mais no Rio de Janeiro. A mãe, dona Amália, era professora de escola pública. Ela faleceu quando Lima tinha 7 anos; e o pai, João, era tipógrafo e depois administrou uma colônia de “alienados” na Ilha do Governador.

Lima teve um padrinho rico que lhe custeou os estudos, o Visconde de Ouro Preto, um advogado, político abolicionista e senador do Império. Lima recebeu uma boa educação, estudou em bons colégios. Em 1903, seu pai enlouqueceu. Terá sido influenciado pelo ambiente do seu trabalho? Nessa época, com 22 anos, Lima teve que parar de estudar engenharia em uma escola técnica e foi trabalhar para sustentar a família numerosa. Trabalhou como professor particular e funcionário público, mas não foi feliz. Ele era um artista e não se adaptou ao ambiente nada criativo de uma repartição pública. No começo, foi um bom trabalhador, mas com o tempo, ficou difícil suportar, faltava, até que deixou o trabalho e entregou- se à vida boêmia entre botequins. Sua vida particular destruiu o escritor, que morreu muito cedo, aos 40 anos. O pai doente mental, a carga familiar, o mulato Lima Barreto sentia- se discriminado, o alcoolismo, a depressão, a tristeza, que o fazia sofrer alucinações. Lima foi internado algumas vezes em um hospício. Possivelmente, também devia ter alguma predisposição genética herdada do pai, que faleceu dois dias depois do escritor de “O triste fim de Policarpo Quaresma”.

Publicou contos em pequenas revistas e o seu primeiro romance “Recordações do escrivão Isaías Caminha” (1907)  começou a ser publicado na revista “Floreal”, mas só apareceu em livro dois anos depois, editado em Portugal. É considerado um autor pré-modernista (ele faleceu no ano da famosa “Semana de Arte Moderna”, que tem como marco o início do Modernismo no Brasil).

Lima critica bastante a sociedade carioca nos seus textos, foi pioneiro no Brasil em escrever  literatura de crítica social em uma linguagem mais acessível, menos portuguesa e mais brasileira, o que provocou, tudo indica, a repulsa dos literatos da época. Infelizmente, a crítica que ele fazia ainda continua muito atual na sociedade brasileira. A trambicagem e falta de honestidade é coisa enraizada. O dinheiro gera influência e poder, o que faz deixar pra trás quem tem competência e mérito.

Faleceu na casa que morou por vinte anos, na rua Major Mascarenhas nº 26, subúrbio carioca de Todos os Santos.

Vamos ao livro. A obra consta de dezenove contos:

  1. Numa e a Ninfa

De origem modesta, Numa Pompílio de Castro, ascende a cargos públicos e políticos por amizade e indicação, nunca por mérito. Casou- se com Gilberta por interesse financeiro e social. Com o casamento e o prestígio que consegue com a união, elege- se deputado. Sua mulher é muito mais preparada que o marido e escreve os seus discursos, que são um sucesso. Numa descobriu- se corno, mas deixou para lá, não queria escândalos e nem perder a sua “ghost- writer” (que não ficou muito claro se é a mulher ou o amante dessa, que é poeta). Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência? Será que Lima quis mandar uma indireta para alguém da época? Eu acho que sim! Um conto fantástico e muito atual!

  1. O único assassinato de Cazuza

Hildegardo Brandão (Cazuza), cinquenta e três anos, não conseguiu ter êxito na vida, apesar de muitos esforços. Solitário, sem família, doutor Ponciano era um dos poucos amigos. Ambos reuniam- se na casa do médico aos domingos para ler os jornais. Vou destacar um trecho, parece que foi escrito hoje:

­- Mata- se à toa por dá cá aquela palha. As paixões, mesquinhas paixões políticas, exaltam o ânimo de tal modo, que uma facção não teme eliminar o adversário por meio de assassinato, às vezes o revestindo da forma mais cruel. O predomínio, a chefia política local é o único fim visado nesses homicídios, quando não são questões de família, de herança, de terras, e às vezes, de causas menores. Não leio os jornais que não me apavore com tais notícias. Não é aqui nem ali; é em todo o Brasil, mesmo às portas do Rio de Janeiro. É um horror! Além desses assassinatos, praticados por capangas – que nome horrível! -, há os praticados pelos policiais e semelhantes nas pessoas dos adversários dos governos locais, adversários ou tidos como adversários. Basta um boquejo, para chegar uma escolta, varejar fazendas, talar plantações, arrebanhar gado, encarcerar ou surrar gente que, pelo seu trabalho, devia merecer mais respeito. Penso, de mim para mim, ao ler tais notícias, que a fortuna dessa gente que está na câmara, no senado, nos ministérios, até na presidência da república se alicerça no crime, no assassinato. Que acha você? (Hildegardo para Ponciano, p.21)

Imagino a cara dos políticos da época lendo esse texto na Revista Souza Cruz (1922). Lima era muito corajoso!

  1. O homem que sabia javanês

Um texto irônico, engraçado e que critica, também, a sociedade carioca (publicado na Gazeta da Tarde em 1911). O charlatão Castelo encontra seu amigo Castro em uma confeitaria e começa a contar uma de suas peripécias. Tinha sido adivinho em Manaus e depois professor de javanês. Castelo estava na pindaíba, não tinha emprego nem dinheiro para pagar a pensão onde estava hospedado. Vê um anúncio no jornal pedindo “professor de javanês”. Quem sabe javanês a não ser os de Java? Isso ele pensou. E foi atrás do emprego. Fingindo saber falar javanês chegou a ser diplomata. A crítica? Quanta gente finge ser o que não é consegue chegar mais longe, muitas vezes, do que quem realmente entende da matéria…. Quem disse que a vida é justa? Lima cita “Gil Blas”, uma obra para colocar na lista. Trata- se do romance satírico do francês Alain-René Lesage (1668-1747) que conta uma história sobre um sujeito parecido com Castelo.  Depois de muitas agruras na sua vida consegue vencer pela astúcia, enganando quem era muito poderoso e que se achava muito inteligente.

Esse conto virou filme em 2004, com Carlos Alberto Riccelli como Castelo e Sérgio Mamberti no papel de Castro.

4. O jornalista

Este conto foi dedicado ao escritor sergipano Ranulfo Prata, que anda esquecido. O autor já está na minha lista para pesquisa e leitura (anota na sua também!).

Essa é a história de Salomão Nabor de Azevedo, um jornalista muito popular da cidade de Sant’Ana dos Pescadores. O jornalista provoca um incêndio no prédio mais importante da cidade para ter notícia de um grande acontecimento no seu jornal. Foi preso. (Publicado em julho de 1921)

5. Um músico extraordinário

O narrador Mascarenhas conta a história de Ezequiel Beiriz, um colega de internato da adolescência. O rapazinho era franzino, triste, retraído, adorava as histórias de Jules Verne e sonhava viajar pelo mundo. Adultos, 30 anos maios ou menos, encontraram- se no bonde em uma situação inusitada: Ezequiel não tinha dinheiro para pagar a passagem e travou uma discussão com o “recebedor”. Foi Mascarenhas que pagou a passagem. Ezequiel contou todas as peripécias que viveu até então, todas as profissões e lugares que andou. A impressão que fica é que é tudo mentira, como toda a ficção que lia quando menino ou ao contrário, que ele conseguiu materializar de alguma forma os sonhos de criança. Foi tudo sem nunca ter sido, tal como o título do conto.

Lima também frequentou um internato. Pode ser alguma memória da adolescência.

6. Porque não se matava

A vida continuava sem esmorecimentos, indiferente que houvesse tristes e alegres, felizes e desgraçados, aproveitando a todos eles para o seu drama e a sua complexidade. (p.48)

O narrador conta a história de um amigo muito enigmático e muito contraditório. Esse amigo acha que não tem motivos para viver, mas não tem coragem de suicidar- se. A conversa acontece no bar do Adolfo, entre chopes, que pode ser mesmo um bar que existiu no centro do Rio, chamado Bar Adolph em 1915. Hoje ainda existe, chama- se Bar Luiz e tem 120 anos, vai ser tombado como patrimônio histórico da cidade.

Pode ser que Lima tenha tomado uns chopes nesse boteco com Olavo Bilac (falecido no final do ano de 1918, membro da ABL). Tal como o “amigo” do conto, Bilac, nosso poeta parnasiano, faleceu solteiro aos 53 anos. Era boêmio e gostava de um chopinho. Ele bateu seu carro numa árvore, foi o primeiro caso de acidente automobilístico no Brasil.

7. O cemitério (sem data)

Passeando entre túmulos de um cemitério da Rua do Ouvidor, o narrador (parece alter ego do autor) depara- se com o retrato de uma linda mulher enterrada ali:

Que resultados teve a sua beleza na terra? Que coisas eternas criaram os homens que ela inspirou? Nada, ou talvez outros homens, para morrer e sofrer. Não passou disso, tudo mais se perdeu; tudo mais não teve existência; tudo mais não teve existência, nem mesmo para ela e para os seus amados; foi breve, instantâneo , e fugaz.

8.  A biblioteca

Dedicado a Pereira da Silva. Suponho que tenha sido o poeta e jornalista Antônio Joaquim Pereira da Silva, falecido em 1944 (membro da ABL).

Comum em quase todos os contos, é a descrição das ruas do Rio de Janeiro, bondes, casas, casarões, comércio. Um rico material histórico nos deixou Lima Barreto sobre a cidade carioca. Nesse, o narrador, Fausto Carregal, descreve um casarão na Tijuca, recordação de infância, a casa onde morou e todos os seus objetos. E a biblioteca.

A biblioteca do seu pai, o Conselheiro Carregal, era muito rica, cheia de tesouros literários antigos. Esse conto serve para anotar referências bibliográficas.

Fausto guardou a biblioteca do pai, ele não dera para as letras, não entendia os livros, para repassá- la a um dos quatro filhos. Os três mais velhos também não deram para as letras e a sua última esperança era Jaime, o caçula. Mas o menino não conseguia aprender a ler. O que fez então com a biblioteca?

O final desse conto é inusitado.

9. O feiticeiro e o deputado

De “seu Ernesto” o povo dizia que era feiticeiro e que tinha um passado de criminoso. Cultivava uma horta, cortava lenha e era muito misterioso. Não havia sido bandido, mas sim, entendia de “mandingas”. As pessoas iam pedir- lhe ajuda. Seu Ernesto “curou” até um alcoólatra. Era um “feiticeiro” do bem.

O deputado Braga foi visitar o feiticeiro achando que iria encontrar algum degenerado. Saiu de lá encantado também.

10. A doença do Antunes

O médico clínico dr. Gedeão era uma verdadeira celebridade, saía mais nos jornais que o próprio presidente. A consulta com o médico era caríssima, mas valia a pena uma consulta com o milagroso médico.

José Antunes Bulhões, dono de um armazém de secos e molhados, sofria uma dor de estômago incurável, já havia consultado vários, médicos, curandeiros e afins, mas não tinha dado resultado, a dor persistia. Consultou o milagroso doutor Gedeão. Mas para saber qual é a doença de Antunes…leia! 🙂

11. A nova Califórnia (10/11/1910)

Um conto muito criativo. O misterioso Raimundo Flamel encomendou ao pedreiro Fabrício a construção de um forno dentro da sua sala. O trabalhador viu na casa muitos livros e recipientes para experimentos químicos. O povo da pequena vila de Tubiacanga entrou em polvorosa tentando adivinhar o que faria o forasteiro.

O boticário Bastos acalmou o povo dizendo que devia ser algum sábio. Era um alquimista. Três cidadãos ilustres da cidade foram convidados por Raimundo Flamel para serem testemunhas de uma descoberta que havia conseguido.

Algumas tumbas da pacata cidade de três mil habitantes foram violadas. O alquimista transformava ossos em ouro. Quando a população descobriu foi uma verdadeira loucura. Começou uma caça aos ossos. Todo mundo queria o ouro fácil. E isso acabou trazendo a desgraça para Tubiacanga.

O único que sobrou foi o bêbado Belmiro.

12. O falso Dom Henrique V- Episódio da História de Bruzundanga

Lima era muito criativo e hilário na escolha dos nomes dos seus personagens e cidades fictícias. Essa é uma história que acontece na República de Bruzundanga (lembra o Brasil, óbvio).

A história acontece em um reino e a sua transição à monarquia através de um golpe.

No país monárquico, havia paz e os camponeses viviam bem, não passavam fome. O imperador Dom Sajon não gostava de luxos, usava carros antigos e obrigava que os nobres não explorassem os camponeses, tinha um bom coração. O único filho, o príncipe Dom Henrique, que nem queria ser rei, foi assassinado. E o neto de Sajon de 8 anos, sequestrado. Passou a governar Trétreth, da dinastia mais próxima à família. O povo empobreceu, adoeceu, andava quase nu, ficou miserável e os ricos, cada vez mais ricos exportando cana-de-açúcar.

Qualquer semelhança com a realidade não foi mera coincidência. Por isso Barreto não era muito popular entre a classe privilegiada do seu tempo.

13. Um e outro (1913)

Dedicado a Deodoro Leught, achei com a grafia “Leucht”. Não descobri quem foi, se alguém souber deixe nos comentários, por favor.

Esse conta a história da prostituta Lola de 50 anos, amante de Freitas, que a sustentava junto com a filha. Mas ela saía com outro, um “chauffeur” de carro de luxo.

É o primeiro conto do livro com um narrador- personagem feminino. O ambiente, como sempre, é o Rio de Janeiro, o bonde, suas ruas e o cais.

Freitas usava a mulher como um troféu. Ter uma amante dava um certo prestígio. E Lola o usava para dar- lhe boa vida, mas estava apaixonada pelo motorista…ou pelo seu carro? É um conto engraçado, embora um pouco machista. Aquele clichê que as mulheres só amam homens com bons carros (no caso de Lola sim). Comprovo que esse pensamento vem de longas datas.

14. Miss Edith e o seu tio (1914)

Um conto engraçado. A história acontece na pensão familiar “Boa Vista”, no bairro do Flamengo, dirigida por Madame Barbosa, uma mulher de 50 anos, “gorda e atochada”. Teve vários filhos e tinha uma ainda solteira “Dona Irene”, que vez por outra ficava noiva de um dos hóspedes. O casarão é feio e lúgubre.

A moça já tinha sido noiva de um estudante de Direito, um de Medicina, outro de Engenharia e também um dentista. Sem sucesso, então a moça voltou- se para os funcionários públicos. Irene sonhava em casar. “A preta” Angélica era o braço direito direito e confidente da Madame Barbosa.

Chegou um casal de ingleses, tio e sobrinha, Edith. Causaram reboliço  entre os hóspedes e a dona da pensão encantada com os gringos ricos. Cada hóspede criou uma história imaginária a respeito dos “ilustres” hóspedes. Tio e sobrinha? Será? Imagina aí…

15. O pecado (1924)

Esse conto é uma porrada. Curto e forte. Acontece no céu com São Pedro que faz a seleção de almas: as que vão para o purgatório e as que ficarão “à direita do altíssimo”. Um homem é julgado. Ele tem um expediente perfeito, é bom, humilde e honesto. Mas vai para o purgatório, porque é preto.

É como um protesto, um grito de dor. Ser preto era um pecado. 😦

16. Uma noite no lírico

Acontece no Teatro Pedro II. O narrador, Frederico Bastos, sente um certo incômodo em estar em um ambiente que não é o seu. O seu colega Cardoso o introduziu “nesse mundo” (da alta sociedade) frequentado por fidalgos, desembargadores, comandantes  e dos poderosos novos ricos.

Ao entrar na sala encontra um amigo rico, Alfredo Costa, mas que detesta esse mundo e os dois começam a zombar de todos os presentes. Com muito desdém, Alfredo vai contando como cada um alcançou a riqueza, revelando seus “podres” e toda a hipocrisia da sociedade carioca. Quantos deles se identificaram, colocaram a carapuça? Não me estranha que Lima tenha sido persona non grata entre eles, por revelar essas verdades.

17. Como o “Homem” chegou.

Esse conto vem com esse prólogo de Nietzsche:

Deus esta morto; a sua piedade pelos homens matou- o.

Começa elogiando a polícia da república, no seu trato igualitário entre pobres e ricos, o que soa bastante irônico. Acho que quis dizer exatamente o contrário. E também é uma crítica ácida em relação à imprensa, que publica só o que pode beneficiar certos setores.

Uma cidadezinha pacata, onde não havia roubos nem violência. O delegado só aparecia de mês em mês e chamava- se “Cunsono” (sacou, né?). Ele recebeu ordens de prender um louco, que era empregado da delegacia fiscal. A partir daí começa uma verdadeira saga para ir prender o homem em Manaus.

18. Um especialista

Conto dedicado a Bastos Tigre, que foi um homem das letras, escritor, humorista, bibliotecário e publicitário de sucesso. Lembra do slogan: “Se é Bayer é bom”? É dele.

A história começa num bar no largo da Carioca entre “cafés e licores”, charutos e o bilhar. O Comendador, casado, 50 anos, e o coronel Carvalho, viúvo, ambos portugueses, são os protagonistas. Os compadres batiam ponto no boteco todas as tardes para conversar sobre tudo. O casado adorava as mulatas; o viúvo, ao contrário, adorava as estrangeiras. Ambos burgueses.

Uma das mulatas, Alice, vida muito sofrida, “comeu o pão que o diabo amassou”, por acaso, encontrou o seu pai: um dos portugueses.

19. O filho da Gabriela

Dedicado a Antônio Noronha dos Santos, escritor e melhor amigo de Lima Barreto. Conheceram- se na época da Escola Politécnica (que Lima abandonou, pois teve que trabalhar). Há semelhanças com a história da infância de Lima, como a perda da mãe muito cedo e os padrinhos ricos.

A narrativa começa com um discussão entre a “ama”, dona Laura, e a criada Gabriela. O filho desta está doente e ela precisa levá- lo ao médico no dia seguinte, mas patroa nega, não permite que a criada se ausente.

Gabriela pediu demissão e durante um mês ficou procurando trabalho. Enquanto isso, o filho estava de favor na casa de uma amiga, um quarto tão úmido que parecia uma “masmorra” e sendo maltratado pela dona da casa. O menino sentia muito medo, ficava calado e sofria todos os tipos de privações, sede e fome. O que modificou o caráter do menino.

No final, Gabriela aceitou voltar para a casa da antiga ama como cozinheira. Dona Laura e o Conselheiro Calaça pediram para batizar o menino, Horácio (4 anos), pois sentiram piedade do menino que estava pedindo esmola na rua. O casal não teve filhos e dona Laura tinha amantes.

A mãe de Horácio faleceu quando ele tinha 6 anos, o menino fechou- se ainda mais e perdeu toda a alegria. Sentia falta dos carinhos da mãe. O ambiente escolar hostil, o padrinho severo e distante. Tudo foi contribuindo para a tristeza de Horácio. O autor descreve o seu processo de depressão. Horácio delira, tem alucinações. As mesmas vividas pelo escritor. 😦


A novela da Globo “Fera Ferida” (1993) foi baseada na obra de Lima Barreto, em contos citados nessa resenha como “A nova Califórnia”, “Numa e a Ninfa”, “O homem que sabia javanês”, e os romances “Clara dos Anjos”, “Memórias do escrivão Isaías Caminha”, “Triste fim de Policarpo Quaresma” e”Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá”. A princípio, a novela iria chamar- se “A nova Califórnia”. A novela completa está disponível no YouTube.

Os dados biográficos citados a princípio  constam nessa edição lida. Altamente recomendada para estudantes, pois é bastante didática, vem com biografia, bibliografia, inclusive possui um questionário de sondagem no final do livro e o custo é baixo. Fiquem de olho na editora Martin Claret e nessa coleção “Obra-prima de cada autor”, mas não esperem uma encadernação bonita, pois é a mais simples possível, edição de bolso.

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Barreto, Lima. Os melhores contos de Lima Barreto. Martin Claret, São Paulo, 2005. Páginas: 159

A obra de Lima Barreto, assim como a de Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Fernando Pessoa, por exemplo, já estão livres de direitos autorais e estão disponíveis em www.dominiopublico.gov.br . Portanto, só gasta dinheiro quem preferir os livros em papel;  mas só fica sem ler grandes obras quem quiser, já que o investimento é zero. Os arquivos estão em PDF e podem ser lidos em computadores, notebooks, tablets ou smartphones.

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Paulo Miklos é Adoniran Barbosa


Será que preciso apresentar Adoniran Barbosa e Paulo Miklos? Na dúvida, apresento sim:

Adoniran Barbosa (Valinhos, 06/08/1910 – São Paulo, 23711/1982 ) é um dos mais cantados compositores da Música Popular Brasileira, sua especialidade era o samba. O samba paulistano que eu adoro, o samba- canção, chorinho, o samba irrevente, divertido e inocente ao mesmo tempo. Quem não conhece “Trem das onze” ou “Ronda”, por exemplo? (duas das minhas favoritas). Adoniran também era ator. Esse leonino (como eu), se vivo fosse, teria feito ontem 105 anos. Sua única filha, Maria Helena Rubinato,  é tradutora, professora e cronista no Blog do Noblat desde 2005, veja.

Leia o post completo lá no PalomitaZ, o nosso blog de cinema!

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Resenha: “Boa noite a todos”, de Edney Silvestre


Em “Boa noite a todos” (2014), o escritor, apresentador e jornalista Edney Silvestre (Valença, Rio de Janeiro, 27/04/1950) conseguiu encontrar um ponto de intersecção importante, onde todos somos iguais, sujeitos despidos de vestes (literalmente), convenções, dinheiro e poder. Nada material importa. O autor resgatou o Humanismo, colocou o ser humano sozinho no palco, na sua essência original, na hora inevitável: a morte,  motivada pela solidão e a enfermidade. O misticismo e a moral, que podem ser muito variáveis, deram lugar à ética. Edney opta pela dignidade do ser humano, empurrando Maggie em um precipício antes que ela se perdesse. Trágico? Sim, mas o personagem labiríntico não tem outra alternativa.


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Edney Silvestre em setembro do ano passado no lançamento do livro, que teve leitura dramatizada pela grande Fernanda Montenegro. A obra também foi protagonizada no teatro por Christiane Torloni (foto: Blog Lu Lacerda)


A leitura começa pelo título e a capa do livro (fantástica por sinal, de Leonardo Iaccarino), que não nos deixa dúvidas: alguém se despede, um sapato feminino elegante assomado no parapeito de um edifício e vários outros prédios entrelaçados abaixo, confusos, dando a impressão de vertigem.  O personagem é uma mulher suicida. As primeiras páginas deram- me uma impressão equivocada da obra, achei que era uma dondoca fútil que iria cometer suicídio por falência financeira. Não. Maggie (Margareth) divorciada três vezes, não teve filhos por infertilidade, foi deixada por um dos maridos que se apaixonou por outro homem, o último marido a deixou por uma jovenzinha, Maggie estava sim falida e sozinha, mas a motivação do suicídio foi a doença. Ela planeja a sua morte antes que perca totalmente a memória e a sanidade. Em nenhum momento o autor cita o Alzheimer, mas os sintomas de Maggie são parecidos, ela começa a esquecer fatos da sua vida, nome de pessoas, esquece que tem que pegar um avião, esquece até do nome do seu pai e sua mãe, começa a perder o controle das funções fisiológicas voluntárias do corpo.

A história toda acontece em poucas horas, começa no táxi durante o trajeto até o hotel que escolheu para morrer. O hotel foi escolhido porque ela acha que ali antes estava construída a casa da sua família. Ela vai tentando reconstruir a sua vida, já não sabe o que é real ou imaginação. Ela dialoga com uma voz, que pode ser o resto de lucidez que lhe sobra, que vai corrigindo os lapsos e dados incertos. A linguagem, muitas vezes repetitiva, acompanha o fluxo do pensamento da personagem, ela esquece o que acabou de dizer, então reitera. Muito fidedigno.

O livro é dividido em três partes: primeiro o romance, depois a peça teatral só em 1ª pessoa, há acréscimos de dados sobre a vida de Maggie e uma terceira parte onde Edney explica como surgiu Boa noite a todos.  muitas referências musicais, livros, poemas, filmes, citações de nomes de atrizes, tudo comentado pelo autor nessa última parte. Ednei explica que Maggie é uma conjunção de várias mulheres, concentra no personagem o drama de muitas pessoas. Geralmente ele leva pra ficção pessoas conhecidas, aconteceu em obras anteriores. Não se preocupe se não entender as citações em inglês e alemão, está tudo no final.

Uma música que acompanha Maggie durante a sua despedida é de Richard Strauss, “Quatro últimas canções”. Strauss  musicou um poema de Herman Hesse, “Ao dormir”:

Depois que o dia exausto me deixou,
amavelmente a noite constelada
há de acolher meu ardente desejo
como a uma criança fatigada.

Mãos, esquecei todos os afazeres!
Rosto, deixa o pensar ao abandono!
Agora todos os sentidos meus
querem afundar no sono.

A alma, sem ter quem tome conta dela,
em vôos libérrimos quer flutuar
e no circulo mágico da noite
a vida de mil formas esgotar.

Hermann Hesse


 É um livro que mexe com nossos medos, pelo menos os meus, um deles é o de perder a noção da realidade, a loucura ou o esquecimento. O medo de não ter o controle de si mesmo, alienar- se, no sentido original do termo. É o medo de Maggie, ela não tinha saída. Uma pessoa sem memória está morta. Maggie planejou a sua morte e estava tranquila. Maggie sofria alucinações e decidiu voar.

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Para conhecer um pouco mais sobre o autor, leia essa interessante entrevista, onde Edney revela fatos tristes e marcantes da sua vida, e mostra- se uma pessoa de gostos simples, que prescinde de luxos, o que o faz realmente feliz é escrever.

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Edney na biblioteca do seu apartamento no Leblon no Rio de janeiro. (Revista Quem)

Eu li “Vidas provisórias” e fiquei impressionada com a obra (leia a resenha). Em “Boa a noite a todos” o personagem principal também é uma imigrante, que trouxe na sua bagagem de vida (desculpem- me o clichê fácil) todas as experiências que viveu nos países que morou e escolheu morrer na cidade e local onde a viu crescer. A gente pertence mesmo ao lugar que nos viu nascer?

Ednei teve coragem de tocar em um tema tabu, o suicídio. Muitas vezes visto como sinal de fraqueza e condenado pelo lado místico, “é falta de Deus”. O suicídio vai muito além dessas análises superficiais e até cruéis ( motivadas pelas religiões). Sempre há muita dor de viver e sentimento de impotência, de fim de linha, motivados por doenças físicas ou psicológicas, quase sempre. Não quero falar muito sobre esse tema, porque daqui a pouco vai aparecer algum maluco achando que estou fazendo apologia ao suicídio. Ao contrário, gostaria que as pessoas prestassem mais atenção nas outras; se bem que, na maioria das vezes, a fatalidade é inevitável, se o sujeito realmente tem o firme propósito. A opção sempre deve ser a vida, no caso da Maggie, ela não tem escolha, é irreversível.

E para finalizar, quero acrescentar que Edney Silvestre está ganhando um posto importante na nossa literatura contemporânea. Seus romances urbanos, bem alinhavados, ricos em referências e cultura geral, com doses fortes de emoção, corajosos, cheios de humanidade, colocando um espelho diante das nossas faces, vieram para enriquecer a nossa biblioteca. Voilà! Perfeito!

jjjjjSilvestre, Edney. Boa noite a todos. Record, Rio de Janeiro, 2014. ePub, 168 páginas

Paris é uma festa! Coluna de Ancelmo Gois


Assim intitulou Ancelmo Gois a sua coluna no O Globo, “Paris é uma festa!”. A festa literária brasileira a partir do dia 20 de março, devido ao Salão do Livro de Paris, que acontecerá em três dias, mas depois haverá apresentações e eventos na Sorbonne, por exemplo, até o fim do mês. Veja a coluna, eventos e autores:

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Com um agradecimento ao mestre Antônio Torres que nos manda notícias fresquinhas nessa ponte Brasil-Espanha!

Resenha: Vidas provisórias, Edney Silvestre


Sabe aquele cara competente e bonitão da Globo, voz linda, jornalista consagrado e conhecido por todos? Sim, esse mesmo, Edney Silvestre ou Edney Célio Oliveira Silvestre (Valença, Rio de Janeiro, 27 de abril de 1950). Edney também é um baita escritor de ficção, talvez a melhor faceta de Edney entre tantas geniais! O talento para a escritura começou quando ele era muito jovem, tentou publicar seu primeiro conto aos 12 anos. Edney apresenta o Globo News Literatura (veja a entrevista com a antropóloga Françoise Héritier, que lançou seu livro “O sal da vida”). O escritor foi correspondente internacional da Rede Globo em Nova York durante muitos anos, fez reportagens incríveis, participou ativamente da cobertura do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York. Edney tem um currículo extenso e intenso, vamos falando aos poucos. É um escritor acessível, participa das redes sociais como Facebook, Twitter e Instagram, muito atencioso e gentil com seus leitores, o que o torna uma estrela completa, na forma e conteúdo. Como é o meu post de iniciação em Edney Silvestre, além da resenha de “Vidas provisórias”, também conto um pouco sobre seus outros livros.

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Edney Silvestre, foto de Leo Aversa no Instagram do autor.

A bibliografia do autor é recente, começou a publicar em 2009 com grande aceitação da crítica e leitores. Veja:

1. “Se eu fechar os olhos agora” (2009), primeiro livro, ganhou o Prêmio Jabuti como melhor romance, ficou na frente de Chico Buarque e Luís Fernando Veríssimo. A obra foi editada em vários países, inglês, francês, italiano, alemão, veja algumas:

se eu fechar os olhos agora

Edição portuguesa, editora Planeta

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Edição em inglês

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A edição brasileira pela Record

9782714452108

Edição francesa pela Belfond

2. Felicidade fácil (2011), o segundo romance do autor, também foi traduzido para o inglês e francês:

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Veja o vídeo do lançamento do livro onde Edney explica um pouco a obra:

3. “Outros tempos” é uma reunião de crônicas e memórias do tempo em que Edney foi correspondente internacional em Cuba e no Oriente Médio:edn

4. “Vidas provisórias” (2013), objeto dessa resenha. Vamos lá:

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Silvestre, Edney. Vidas provisórias. Intrínseca, Rio de Janeiro, 2013. Em papel ou e-book. 367 páginas

Parece um livro de contos, mas não é. A obra é dividida em capítulos curtos, histórias paralelas de personagens que tiveram que emigrar à força. Paulo Roberto Antunes, um jovem universitário, irmão de um militar que o desprezava, foi sequestrado no seu apartamento no Rio de Janeiro e brutalmente torturado na década de 70. Essa história confunde- se com a própria história do autor que teve o seu apartamento invadido em Copacabana, preso como subversivo. As “cenas” (porque tudo é muito visual, como num filme) são fortes, chegam a doer, nos transformamos em Paulo e também em Bárbara. Ela, uma adolescente de 17 anos que foge do país e imigra para os Estados Unidos com passaporte falso fugindo da violência, seu pai foi assassinado, a narrativa começa quando Bárbara pega um vôo com passaporte falso nos anos 90.

Essa viagem ao desconhecido, a incerteza, o medo, talvez seja um sentimento experimentado pela maioria dos imigrantes, independente do motivo do exílio (claro que muito pior para os que imigram por causa da violência). Identifiquei- me muito com Bárbara, nessa “vida provisória”, essa sensação de estar só de passagem, como se a expatriação fosse uma doença passageira, doença, porque é incômoda, dói, é um transe indesejado (que às vezes demora demais). Isso quando a imigração não é voluntária, quando não se tem escolha, obviamente. A história de Bárbara começa a misturar- se com a minha própria, passei a ser Bárbara, apesar dos perfis muito diferentes, há algo que nos une:

(…) Esta é uma vida provisória, ela acredita. Tem que ser uma vida provisória, precisa acreditar. (p.39)

Certas sutilezas desses sentimentos (palavra repetida muitas vezes aqui) de imigrante só encontrei no livro de Edney. O escritor também foi imigrante, ele deve ter conhecido muitas ou algumas “Bárbaras”. Imigrante ilegal que faz faxina para sobreviver, e os muitos “Paulos” que fugiram da violência, da tortura da ditadura no Brasil. Quase todo mundo conhece alguém que viveu situações limites no Brasil dos anos tristes, onde a censura amordaçou a palavra, feriu e matou quem pensasse diferente. Ainda hoje o Exército nega que houve tortura no Brasil. Quer prova maior que o depoimento dos próprios torturados?! Meu tio, Normando Leão Sampaio foi preso e torturado na Bahia. Ele era estudante e só tinha 18 anos! Uma das cenas de tortura.

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Edney  conseguiu capturar no papel o que sinto/sentimos ao morar em outro país. As fases do estranhamento, da (in)adaptação, da autopreservação, da saudade, do distanciamento emocional do passado em prol da sobrevivência e do constante pensamento do retorno, a eterna sensação de estar de passagem, de falta de raízes. A sensação de não ser bem vindo. Os imigrantes acabam se unindo no exterior, senão acabam sozinhos mesmo. Vamos pelo geral, certo? Claro que há exceções.

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O sofrimento cansa também, Bárbara decidiu sair do quarto alugado na casa de uma família latina e decidiu conhecer Nova York. Começou a passear, conheceu uma patroa que a ajudou a aprender o idioma. Bárbara depois de 10 anos morando nos Estados Unidos ainda não sabia inglês. Isso é mais comum do que se pensa. Acontece o mesmo na Espanha, vejo muitos brasileiros que falam “portunhol” e que desaprenderam o português. Além de não aprenderem o idioma local perdem o próprio. Há que se olhar para os lados, aprender, estudar. Perdem também a família, muitos ficam sós, Bárbara não tem ninguém, mas ela acostumou- se a perder. Perdeu o passado, o presente…mas, e o futuro?

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Bárbara começou a ler em inglês e começou a perder o medo. Perder às vezes também é bom, vê?! O exercício da leitura, a prática a fez aprender o idioma. A patroa, Sonia, queria ajudá- la também a legalizar a sua situação no país. O verso da foto acima é da poetisa Elizabeth Bishop, falecida em 1979, ela morou 15 anos no Brasil (Santos- SP), onde recebeu o Prêmio Pulitzer. Ela traduziu ao inglês Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. A imigrante Elizabeth também aprendeu a perder:

A arte de perder

A arte de perder não é nenhum mistério; 
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. 
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 
Depois perca mais rápido, com mais critério: 
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita. 
Nada disso é sério. 
Perdi o relógio de mamãe. 
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 
Perdi duas cidades lindas. 
E um império que era meu, dois rios, e mais um continente. 
Tenho saudade deles. 
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. 
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério

Não posso deixar de citar o personagem Sílvio, também imigrante nos Estados Unidos, um carioca lindo, bissexual (mas preferia os homens) que teve um triste final.

Fiquei intrigada para chegar no final e descobrir que desfecho Edney encontrou para essa história. E digo que foi surpreendente. Ele optou pela esperança. Espero que “a minha vida provisória” tenha um final feliz. Essa obra também é uma confissão de amor ao nossos sabores e aromas brasileiros, e  algo invisível, talvez ainda sem nome (cultura, idioma? não sei), que é a nossa essência e que nos faz ser como somos. Além de relembrar esse tema espinhoso da ditadura, que espero, jamais volte a acontecer.


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