Resenha: O prazer do texto, de Roland Barthes


Texto de prazer: aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, não rompe com ela, está ligado a uma prática confortável de leitura.

Texto de fruição: aquele que coloca em situação de perda, aquele que desconforta (talvez até chegar a um certo aborrecimento), faz vacilar as bases históricas, culturais, psicológicas do leitor, a consistência dos seus gostos, dos seus valores e das suas recordações, faz entrar em crise a sua relação com a linguagem. (Roland Barthes)

Eu nunca vi um livro teórico tão gostoso de se ler. São reflexões e lições sobre leitura e escrita, escritor e leitor. Mostra como ele se comunicava com o leitor para atraí-lo, considerava isto um jogo. Parece que condenava os textos chatos, irrisórios, tagarelas. Textos assim são meio egocêntricos, satisfazem o escritor, mas aborrecem o leitor.

Ele tentou encontrar o ponto exato, o espaço onde acontece o prazer do texto ( o espaço semiológico). Barthes achava que esse lugar ficava entre duas margens: “uma margem obediente, conforme, plagiária (…) o estado canônico da língua e a outra móvel, vazia (…) Estas duas margens encenam, são necessárias.” (p.40)

O prazer do texto, tudo indica, é um espaço subversivo:

O prazer do texto é semelhante a esse instante insustentável, impossível, puramente romanesco, que o libertino aprecia no fim de uma maquinação ousada, ao fazer cortar a corda que o suspende, no momento em que atinge a fruição. (p.40)

A desconstrução do texto, as rupturas, e ainda assim, o texto permanecer legível, talvez seja neste momento que a linguagem converta- se em Arte. Ele cita Flaubert como exemplo. “É um momento muito sutil, quase insustentável, do discurso.” (p.43)

Ele faz uma analogia interessante entre o texto e o erotismo. O ponto mais interessante da sedução não é o corpo descoberto, mas a intermitência, a anterioridade entre a peça de roupa e o corpo. Com a linguagem é igual, a palavra escancarada perde valor. A margem é mais interessante. O suspense narrativo é que mantém a tensão.

Barthes nos ensina a ler mostrando como ele lia um texto literário. O autor não julgava nenhum texto pelo prazer, “isto é bom ou ruim”. Ele preferia, “isto é para mim, isto não é para mim”. Ou seja, há leitores para todo tipo de texto.

E não há hierarquia. Autor e leitor estão no mesmo nível diante do texto:

Na cena do texto não existe ribalta: não há por detrás do texto ninguém ativo (o escritor) nem diante dele ninguém passivo (o leitor); não há um sujeito e um objeto. O texto prescreve as atitudes gramaticais: é o olho indiferenciado que fala um autor excessivo (Angelus Silesius): ‘O olho com que eu vejo Deus é o mesmo olho com que ele me vê.’ (p.52)

“Roland Barthes (Cherbourg 12 de Novembro de 1915 — Paris 26 de Março de 1980) foi um escritor sociólogo crítico literário semiólogo e filósofo francês.|Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris fez parte da escola estruturalista influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique – CNRS.|Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente o primeiro tratava da percepção simples superficial; e o segundo continha as mitologias como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão.” (Edições 70)

O prazer do texto é o momento em que meu corpo vai seguir as suas próprias ideias- pois o meu corpo não tem as mesmas ideias que eu. (p.53)

Paro por aqui, senão vou contar o livro todo e a obra é curta. Vale muito a pena, Barthes era MUITO bom!

A minha edição portuguesa da Edições 70

Quem quiser comprar esta obra em português, pode clicar aqui. A minha edição é mais antiga e está esgotada.

Estamos perto de atingir DOIS MILHÕES de visualizações! Obrigada por participar deste blog literário, um dos mais longevos (senão o mais) escrito em português.

Até a próxima!

Anúncios

Livros raros (e caros) para presente de Natal


Um presente bastante especial para o Natal que se aproxima, são os livros raros e antigos autografados por algum escritor de renome. Só que essas obras não para qualquer bolso, os preços são bastante elevados.

Por exemplo, “Odas elementales”, de Pablo Neruda, edição limitada de 1954, só saíram duzentas cópias numeradas e assinadas pelo autor, custa R$ 4.942,55 (ou 1.304, euros). Veja:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Outra obra interessantíssima é essa edição do grande Gabo, Gabriel García Márquez, autor do maravilhoso “Cem anos de solidão”. O colombiano faleceu em 2014 e seus livros autografados já valem mais que ouro,  “Diatriba de amor contra un hombre sentado”, de 1994, custa quase seis mil reais! Reparem que Gabo desenhou uma flor junto com a dedicatória, lindo!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Achou caro os dois anteriores? Então, prepare- se para o próximo: edição de 1942 de Jorge Luís Borges, “El jardín de senderos que se bifurcan”, custa quase 15 mil reais!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Os três anteriores foram livros em espanhol, mas na nossa língua encontrei um muito especial, primeira edição de “Rampa” (1930), de Adolpho Rocha, pseudônimo do escritor português Miguel Torga. Essa joia, amigos, só vai levar quem dispuser de R$ 31.634,26!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Agora, um dos livros que mais interessantes e que mais me emocionam, confesso, é esse exemplar do francês Guy de Maupassant. Primeira edição numerada (só 150 exemplares) de “Notre coeur” (“Nosso coração”), de 1890. Ele custa R$ 13.076,54. O livro tem 127 anos e está cheio de anotações do Guy. Não é o máximo?!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Qual é o seu preferido? Aceito qualquer um de presente de Natal, tá? 😀

SORTEIO de livros: “Quem são os leitores do Falando em Literatura?”


Queremos traçar o perfil dos nossos leitores e saber o que vocês gostariam de ver por aqui. O seu nome, cidade e idade vai ter prêmio: dois livros! Quem se manifestar e dizer (exemplo): “Oi, sou Fulano, tenho 18 anos, moro em Manaus e gostaria de ler mais sobre Machado de Assis”. Quem cumprir as regras (abaixo) vai entrar para o sorteio de DOIS livros da série “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust. Os dois livros serão para UMA só pessoa. Regras:

  • Curtir a página do Falando em Literatura  no Facebook (Clica) 
  • Compartilhar esse post no Facebook
  • Seguir o Falando em Literatura no Twitter (Clica)
  • Seguir o Falando em Literatura no Instagram (Clica)
  • Deixar nos comentários aqui no blog, o seu nome, idade, cidade e o que gostaria de ler mais aqui no Falando em Literatura.
  • UPDATE: se você não estiver em todas essas redes sociais, vale as que você participar.

É imprescindível seguir todas as regras, caso o sorteado não tenha cumprido todos os itens, será realizado novo sorteio. O sorteio acontecerá no dia 12 de dezembro, às 22h (hora espanhola). Pode participar gente de qualquer parte do mundo. Os livros sorteados serão esses a seguir, livros de bolso, edição portuguesa, 2º e 3º volumes da obra “Em busca no tempo perdido”:

11026246_533020320186866_307788683045180943_n

Participe e compartilhe com os amigos!

UPDATE: se você não estiver em todas essas redes sociais, vale as que você participar.

“No café da juventude perdida”, Patrick Modiano


(…) Às vezes te oprime o coração quando pensa nas coisas que podiam ter sido e que não foram, ainda digo agora inclusive, que a casa continua vazia esperando- nos. (Ronald, p. 128)

Prepare uns sapatos confortáveis porque você vai caminhar muito pelas ruas de Paris! Livro com encanto, tom nostálgico, de memórias, mistério, de um amor inesquecível passe o tempo que passe, aconteça que acontecer. A cafeteria “Le Condé”, em Paris, é o ponto- de- encontro de jovens e de gente madura com espírito boêmio. O que um filósofo sentimental chamava de ‘juventude perdida’ (p.14). Anos 60, a época do surrealismo francês em uma das suas faces mais aloucadas, a patafísica de Alfred Jarry, Boris Vian, Eugène Ionesco e Julio Cortázar. Ainda não foi editado no Brasil.

1144-2123.main_p

 Patrick Modiano (Boulogne-Billancourt, 30/06/1945) na bela biblioteca da sua casa. (Foto: France Today). Modiano ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2014.

Os personagens são Louki, Zacharias, Tarzan, Jean- Michel, Fred, Ali Cherif, Annet, Seu Carlos, Mireille, Adamov e o doutor Vala. A dona da cafeteria é a dona Chadly. Um dos narradores- personagem encontra- se com Chadly às margens do Sena, quando a cafeteria já havia fechado há muitos anos, em seu lugar havia uma loja de bolsas. A senhora temia pelo futuro daquela turma sem futuro . “Que será que foi deles?” Eles não estavam preocupados com o futuro, viviam só o presente, queriam descobrir quem eram.

A história gira em torno de Louki, que vai sendo construída aos poucos, o livro é cheio de sutilezas, converte em grande o que parece ser normal, cotidiano, descreve o que pensamos e sentimos em centelhas de segundos, aquelas percepções, insights, sensação de déjà vu, “eu já vi isso antes”…esse livro me fez sorrir…isso é boa literatura!

O cenário parisiense, toda a cartografia da cidade vai sendo desenhada: os encontros na Avenue de la Grande- Armée, o rio Sena, o bairro Porte- de- Maillot, os metrôs, Neuilly (uma cidade metropolitana de Paris), enfim, nesse livro temos um mapa da cidade das luzes.

Pimms2

Pimm’s é um licor que serve como base para coquetéis criado em 1823 pelo escocês James Pimm. Louki e a amiga Jeannette tomam um “Pimm’s champagne” no bar “Le Canter” (Jeannette é uma das donas), na rua de La Rochefoucauld.

Tem gente que faz coisas que parecem insignificantes ou inúteis, veja o que fazia Bowing: ele escrevia num caderno todos os nomes das pessoas de frequentavam a cafeteria, simplesmente para que existissem. Quando a gente coloca nome em alguém, ela deixa de ser uma a mais na multidão. Isso te parece inútil?! Ele queria acabar com o anonimato da grande cidade.

(…) Bowing estava desejando salvar do esquecimento as borboletas que dão voltas durante breves instantes ao redor de uma lâmpada.(Caisley, p.16)

Mas também tem uma coisa: um nome sem significado e sem história é só um nome marcado à tinta num papel. O doutor Vala comentou com Bowing que achava engraçado esse experimento dele “de patafísica”, mas o narrador corrige: “Ele confundia tudo: patafísica, o letrismo, a escritura automática, as metagrafías e todos os experimentos que realizavam os frequentadores mais literatos do Le Condé (…)”. (p.22)

Ninguém da turma do Le Condé sabe o nome verdadeiro de Louki. Ela mora perto do cemitério de Montparnasse.

Caminhava com essa sensação de leveza que, às vezes, sentimos em sonhos. Já não temos medo à nada, todos os perigos são irrisórios. Se as coisas ficam feias de verdade, basta despertar- se. Somos invencíveis. Caminhava, impaciente por chegar ao final, ali aonde não havia mais que  céu azul e um vazio. (Louki, p.84)

O narrador 1 mora no boulevard Saint- Michel, nº 85, em um quarto alugado, é aluno da Escola Superior de Minas na Sorbonne, ele mantém segredo aos colegas da cafeteria, tanto sobre o lugar onde mora quanto sobre o lugar que estuda, não parece muito convencido da sua escolha profissional.

“Vivemos à mercê de certos silêncios. Sabemos muito uns de outros. Assim que fazemos por encontrar- nos.” (Ronald, p.29)

Um outro narrador, que chamarei de 2,  (pensamos que é um narrador, só no final do livro que descobrimos que são dois) tem uma obsessão por descobrir quem é Louki. E foi conseguindo: o nome, “Jacqueline Choureau”, de solteira “Delanque”. Foi casada com Jean- Pierre Choureau, a quem Louki havia abandonado há dois meses. Ela, 22, o ex- marido, 36. A mãe trabalha no Moulin Rouge. O romance vai sendo construído aos pedaços, o tempo vai e volta, presente- passado. Também vamos descobrir quem é o narrador, mas não vou revelar, vou deixar para vocês descobrirem também. Só o nome: Caisley. Nessa obra nada é por acaso, tudo vai sendo amarrado, costurado com uma precisão matemática! Seu primeiro nome só vamos descobrir na última página.

5188b620447955.48029606.page_slider_8

O restaurante “Au chien qui fume” (“O cachorro que fuma”), na rua Cherche- midi, Montparnasse, citado pelo narrador 1, (p.33), ele entrou para tomar um conhaque, nervoso com a possibilidade de encontrar Louki. Ficção e realidade. O restaurante realmente existe (foto acima), como muitos lugares citados no livro, que nos leva pela mão num passeio gostoso por Paris. Vous vous promenez? Paris é uma cidade dividida por 20 distritos (arrondissements), que começa no ponto mais central e vai circulando a cidade em forma de aspiral.

Na metade do livro mais ou menos (p. 59) vai ficar ainda mais interessante, porque agora entra Louki com própria voz para explicar a sua história e como ela vê os frequentadores do Le Condé, a mesma coisa que fez Caisley.

Louki sofria ataques de pânico, Modiano conseguiu explicar esse problema incômodo e o que passa na cabeça da pessoa com um ataque de ansiedade. A metáfora de fios desunidos é perfeita! É isso, é como se a pessoa estivesse desconectada do mundo e de si mesma, o mal-estar toma conta de tudo:

“De repente, sentia uma sensação de vazio pela rua. A primeira vez foi diante do bar que havia ao lado do Cyrano. Passava muita gente, mas isso não me tranquilizava. Cairia redonda e essa gente continuaria seu caminho sem fazer- me caso. Caída de tensão. Corte de corrente. Tinha que esforçar- me para voltar a unir os fios.” (Louki, p. 78)

Ela tinha “agorafobia”, não podia sair dos limites do seu bairro. Sentia que não podia ultrapassar a fronteira. Traumas do seu passado. O medo de viver às vezes é tão grande que o cérebro procura um meio de desconectar. Ela estava só, sua mãe morreu há quatro anos e ela cresceu sem o pai. Não tem família.  Frequenta as sessões de Guy de Vere (nome de um personagem do poema “Lenore” de Edgar Allan Poe), uma espécie de guru espiritual. Jacqueline o conheceu na Livraria Vega, que realmente existe e é uma editora de livros esotéricos, espiritualistas.

Desse livro eu senti falta de uma descrição física mais detalhada de Louki, Caisley e Ronald. Não consegui visualizá- los. Gosto de Andersen, Proust ou Dostoiévski, por exemplo, que desenham os personagens, fazem um retrato- falado dos personagens.

photo2

Essa é a “Place de la République”, onde nossos dois “flâneurs” Louki e Ronald passeiam. A famosa estátua que simboliza “Liberdade, fraternidade e igualdade”. Essa noite dormiram no mesmo quarto de hotel.

Encontram- se Louki e Ronald. O narrador cita um fenômeno interessante que acontece com a maioria de nós,  o “Eterno Retorno”, uma teoria filosófica de Nietzsche que tem a ver com o tempo e a repetição periódica de acontecimentos, a inevitável alternância de coisas boas e ruins:

Ainda hoje acontece algumas vezes: ouço, pela noite, uma voz que, pela rua, chama o meu nome. Uma voz rouca. Arrasta um pouco as sílabas e a reconheço rápido: a voz de Louki. Dou a volta e não há ninguém. (…) Tudo volta a começar, igual que era antes. Os mesmos dias, as mesmas noites, os mesmos lugares, os mesmos encontros. ‘O Eterno Retorno’. (Ronald, p. 95)

Já teve essa sensação alguma vez?

É uma única história contada sob várias perspectivas. Uma delas é como Ronald vê a relação entre Louki e Jeannette Gaul. Assim que percebemos que tudo, todas as histórias têm mais de um ponto de vista, tudo é relativo. As histórias condicionadas pelo tempo, o vivido e o lembrado, podem ser diferentes.

Quando de verdade amamos uma pessoa, temos que aceitar a parte de mistério que existe nela…Porque é por isso que a amamos, verdade (…)? (Ronald, p. 118)

Essa história é sobre Paris e sobre um relacionamento que acaba, mas que o amor nunca termina. Não é um romance romântico, é tudo muito sutil, conta sem contar, um verdadeiro quebra- cabeças. O final…melhor não contar. Surpreendente.

E aí, vai colocar na sua lista? Essa é a edição espanhola lida:

cafe

Modiano, Patrick. En el café de la juventud perdida, Anagrama, Barcelona, 6ª edição, 2014.

Preço: R$ 92,14, Saraiva (Brasil).

Preço: EUR 14, 90, Casa del Libro (Espanha), dependendo do frete, compensa.

Páginas: 131

A famosa Charlie Hebdo nº 1178


republique-francaise

Demorei para escrever sobre a Charlie, que continua firme depois da tragédia sofrida. A revista francesa Charlie Hebdo foi alvo de um covarde atentado terrorista no último dia 7 de janeiro com 12 pessoas falecidas. A maioria dos componentes do jornal foram vítimas, inclusive o editor da revista Stéphane Charbonnier, o Charb.

Ao contrário do que os radicais islamistas imaginaram, os sobreviventes não se intimidaram. Lançaram a edição habitual da revista só que com uma tirada de 7 milhões de exemplares, em 17 idiomas e foi distribuída em vários países. A edição 1178 será vendida até 10 de março, enquanto isso a redação está se recompondo da tragédia:

10424291_411912288964337_1488784730283618010_n

A Charlie Hebdo é uma revista satírica, que debocha das ações alheias. Não inventa nada gratuitamente. Se a Charlie fala sobre algum tema, tenha certeza que o “alvo” deu motivo para isso. As pessoas interpretam de maneira equivocada, chocam- se com as charges da capa, mas não procuram entender a motivação das mesmas e acusam a revista de racista ou que não tem respeito pelas religiões. Nada disso. O brasileiro caiu na onda do “Eu não sou Charlie”, por ignorância, por desconhecer os fatos. Quando a Charlie colocou a ministra francesa como macaca, foi um ataque ao partido nacionalista francês, que colocou na sua revista a ministra e ofereceu- lhe uma banana. Ao contrário do que muitos pensaram, a capa da Charlie denunciou o partido Front National, esse sim racista. Leia este artigo muito bom, explica essa história com detalhes. Algo parecido acontece com as charges religiosas.

A Charlie desenhou uma suposta santa trindade em posição sexual. A capa foi feita na época da discussão do casamento homossexual na França, a Igreja foi contra e na mesma época surgiram vários escândalos de padres homossexuais dentro da instituição, casos sabidos e consentidos. A charge foi para denunciar a hipocrisia da Igreja. Há muitas reportagens e notícias no exterior sobre padres, bispos e freiras homossexuais, curiosamente em português não existe quase nada.Tema tabu no Brasil. Ou será que no Brasil não há gays na igreja?

O mesmo com a religião islâmica, que comete absurdos e atrocidades em nome de Alah, Maomé. Os radicais acreditam que matar lhes garantirá um lugar num paraíso cheio de virgens. Como não fazer piada com isso?! Seria engraçado se não fosse trágico.

Veja o interior da edição pós- ataque terrorista:

1504991_411912188964347_6986014770479694709_n 1560743_411912222297677_6805075198423729545_n 10978655_411912238964342_485364690994976324_n 11001740_411912272297672_9177137501441138731_n

As pessoas e instituições é que dão material para as revistas de humor. O absurdo da vida transformado em sátira. Je suis Charlie!

“A sociologia do corpo”, David Le Breton- PDF grátis


 2007_08_14_16_00_23

“A sociologia do corpo” é um livro muito bom para os estudos de investigação do corpo para o pessoal de Letras e Ciências Humanas. Estava tentando comprá- lo pela internet e está esgotado, achei esse PDF e compartilho com vocês.

693286

David Le Breton (23/10/1953) é um renomado sociólogo francês, professor na Universidade de Estrasburgo (França).

Salve o arquivo no seu computador antes que desapareça, CLIQUE AQUI.  😉

UPDATE: o PDF em português já não está disponível, mas encontrei ESSE AQUI, CLICA, em espanhol.

O Brasil será o país homenageado no Salão do Livro de Paris 2015


Ahhhh…que maravilha! Uma constelação literária brasileira vai estar reunida nessa Feira. E em Paris, oh là là, c’est magnifique! Vamos?! O nosso Brasil será o país homenageado e representado por 48 escritores brasileiros, entre eles: Antônio Torres, Edney Silvestre, Luiz Ruffato, Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Nélida Piñón, Affonso Romano de Sant’Anna, entre outros. De chorar de alegria, não é?!

F_a3dea4bb080383ce9050663a06ee9a2e541ae604beabb

O Salão do Livro de Paris vai acontecer entre os dias 20 a 23 de março de 2015, de 10 às 22 h, a entrada geral custa 12 euros, criança não paga, estudantes e maiores de 65 anos pagam a metade. Você pode comprar sua entrada online. O endereço é Porte de Versailles – Pavillon 1- Paris.