Resenha: Os melhores contos de Lima Barreto


Affonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13/05/1881- Rio de Janeiro, 01/11/1922) foi um grande escritor, da altura de Machado de Assis, por exemplo, só que de uma forma mais moderna, sua linguagem é mais próxima à realidade do povo. Ele falou dos pobres e seus subúrbios, deu voz à essa gente; falou das classes sociais, políticos e a maneira pouco honesta de conquistarem o poder. Isso deve ter incomodado muita gente da recente república brasileira (decretada em 1889 com Marechal Deodoro). Affonso foi excluído das rodas literárias mais seletas, da Academia Brasileira de Letras, por exemplo. Candidatou- se três vezes.

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Além de tudo, era mulato. Raros eram os escritores mestiços no seu tempo, a abolição da escravatura era coisa recente. Teve uma vida difícil, de ascendência humilde, nasceu na rua Ipiranga, nº 18, em uma casa que já não existe mais no Rio de Janeiro. A mãe, dona Amália, era professora de escola pública. Ela faleceu quando Lima tinha 7 anos; e o pai, João, era tipógrafo e depois administrou uma colônia de “alienados” na Ilha do Governador.

Lima teve um padrinho rico que lhe custeou os estudos, o Visconde de Ouro Preto, um advogado, político abolicionista e senador do Império. Lima recebeu uma boa educação, estudou em bons colégios. Em 1903, seu pai enlouqueceu. Terá sido influenciado pelo ambiente do seu trabalho? Nessa época, com 22 anos, Lima teve que parar de estudar engenharia em uma escola técnica e foi trabalhar para sustentar a família numerosa. Trabalhou como professor particular e funcionário público, mas não foi feliz. Ele era um artista e não se adaptou ao ambiente nada criativo de uma repartição pública. No começo, foi um bom trabalhador, mas com o tempo, ficou difícil suportar, faltava, até que deixou o trabalho e entregou- se à vida boêmia entre botequins. Sua vida particular destruiu o escritor, que morreu muito cedo, aos 40 anos. O pai doente mental, a carga familiar, o mulato Lima Barreto sentia- se discriminado, o alcoolismo, a depressão, a tristeza, que o fazia sofrer alucinações. Lima foi internado algumas vezes em um hospício. Possivelmente, também devia ter alguma predisposição genética herdada do pai, que faleceu dois dias depois do escritor de “O triste fim de Policarpo Quaresma”.

Publicou contos em pequenas revistas e o seu primeiro romance “Recordações do escrivão Isaías Caminha” (1907)  começou a ser publicado na revista “Floreal”, mas só apareceu em livro dois anos depois, editado em Portugal. É considerado um autor pré-modernista (ele faleceu no ano da famosa “Semana de Arte Moderna”, que tem como marco o início do Modernismo no Brasil).

Lima critica bastante a sociedade carioca nos seus textos, foi pioneiro no Brasil em escrever  literatura de crítica social em uma linguagem mais acessível, menos portuguesa e mais brasileira, o que provocou, tudo indica, a repulsa dos literatos da época. Infelizmente, a crítica que ele fazia ainda continua muito atual na sociedade brasileira. A trambicagem e falta de honestidade é coisa enraizada. O dinheiro gera influência e poder, o que faz deixar pra trás quem tem competência e mérito.

Faleceu na casa que morou por vinte anos, na rua Major Mascarenhas nº 26, subúrbio carioca de Todos os Santos.

Vamos ao livro. A obra consta de dezenove contos:

  1. Numa e a Ninfa

De origem modesta, Numa Pompílio de Castro, ascende a cargos públicos e políticos por amizade e indicação, nunca por mérito. Casou- se com Gilberta por interesse financeiro e social. Com o casamento e o prestígio que consegue com a união, elege- se deputado. Sua mulher é muito mais preparada que o marido e escreve os seus discursos, que são um sucesso. Numa descobriu- se corno, mas deixou para lá, não queria escândalos e nem perder a sua “ghost- writer” (que não ficou muito claro se é a mulher ou o amante dessa, que é poeta). Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência? Será que Lima quis mandar uma indireta para alguém da época? Eu acho que sim! Um conto fantástico e muito atual!

  1. O único assassinato de Cazuza

Hildegardo Brandão (Cazuza), cinquenta e três anos, não conseguiu ter êxito na vida, apesar de muitos esforços. Solitário, sem família, doutor Ponciano era um dos poucos amigos. Ambos reuniam- se na casa do médico aos domingos para ler os jornais. Vou destacar um trecho, parece que foi escrito hoje:

­- Mata- se à toa por dá cá aquela palha. As paixões, mesquinhas paixões políticas, exaltam o ânimo de tal modo, que uma facção não teme eliminar o adversário por meio de assassinato, às vezes o revestindo da forma mais cruel. O predomínio, a chefia política local é o único fim visado nesses homicídios, quando não são questões de família, de herança, de terras, e às vezes, de causas menores. Não leio os jornais que não me apavore com tais notícias. Não é aqui nem ali; é em todo o Brasil, mesmo às portas do Rio de Janeiro. É um horror! Além desses assassinatos, praticados por capangas – que nome horrível! -, há os praticados pelos policiais e semelhantes nas pessoas dos adversários dos governos locais, adversários ou tidos como adversários. Basta um boquejo, para chegar uma escolta, varejar fazendas, talar plantações, arrebanhar gado, encarcerar ou surrar gente que, pelo seu trabalho, devia merecer mais respeito. Penso, de mim para mim, ao ler tais notícias, que a fortuna dessa gente que está na câmara, no senado, nos ministérios, até na presidência da república se alicerça no crime, no assassinato. Que acha você? (Hildegardo para Ponciano, p.21)

Imagino a cara dos políticos da época lendo esse texto na Revista Souza Cruz (1922). Lima era muito corajoso!

  1. O homem que sabia javanês

Um texto irônico, engraçado e que critica, também, a sociedade carioca (publicado na Gazeta da Tarde em 1911). O charlatão Castelo encontra seu amigo Castro em uma confeitaria e começa a contar uma de suas peripécias. Tinha sido adivinho em Manaus e depois professor de javanês. Castelo estava na pindaíba, não tinha emprego nem dinheiro para pagar a pensão onde estava hospedado. Vê um anúncio no jornal pedindo “professor de javanês”. Quem sabe javanês a não ser os de Java? Isso ele pensou. E foi atrás do emprego. Fingindo saber falar javanês chegou a ser diplomata. A crítica? Quanta gente finge ser o que não é consegue chegar mais longe, muitas vezes, do que quem realmente entende da matéria…. Quem disse que a vida é justa? Lima cita “Gil Blas”, uma obra para colocar na lista. Trata- se do romance satírico do francês Alain-René Lesage (1668-1747) que conta uma história sobre um sujeito parecido com Castelo.  Depois de muitas agruras na sua vida consegue vencer pela astúcia, enganando quem era muito poderoso e que se achava muito inteligente.

Esse conto virou filme em 2004, com Carlos Alberto Riccelli como Castelo e Sérgio Mamberti no papel de Castro.

4. O jornalista

Este conto foi dedicado ao escritor sergipano Ranulfo Prata, que anda esquecido. O autor já está na minha lista para pesquisa e leitura (anota na sua também!).

Essa é a história de Salomão Nabor de Azevedo, um jornalista muito popular da cidade de Sant’Ana dos Pescadores. O jornalista provoca um incêndio no prédio mais importante da cidade para ter notícia de um grande acontecimento no seu jornal. Foi preso. (Publicado em julho de 1921)

5. Um músico extraordinário

O narrador Mascarenhas conta a história de Ezequiel Beiriz, um colega de internato da adolescência. O rapazinho era franzino, triste, retraído, adorava as histórias de Jules Verne e sonhava viajar pelo mundo. Adultos, 30 anos maios ou menos, encontraram- se no bonde em uma situação inusitada: Ezequiel não tinha dinheiro para pagar a passagem e travou uma discussão com o “recebedor”. Foi Mascarenhas que pagou a passagem. Ezequiel contou todas as peripécias que viveu até então, todas as profissões e lugares que andou. A impressão que fica é que é tudo mentira, como toda a ficção que lia quando menino ou ao contrário, que ele conseguiu materializar de alguma forma os sonhos de criança. Foi tudo sem nunca ter sido, tal como o título do conto.

Lima também frequentou um internato. Pode ser alguma memória da adolescência.

6. Porque não se matava

A vida continuava sem esmorecimentos, indiferente que houvesse tristes e alegres, felizes e desgraçados, aproveitando a todos eles para o seu drama e a sua complexidade. (p.48)

O narrador conta a história de um amigo muito enigmático e muito contraditório. Esse amigo acha que não tem motivos para viver, mas não tem coragem de suicidar- se. A conversa acontece no bar do Adolfo, entre chopes, que pode ser mesmo um bar que existiu no centro do Rio, chamado Bar Adolph em 1915. Hoje ainda existe, chama- se Bar Luiz e tem 120 anos, vai ser tombado como patrimônio histórico da cidade.

Pode ser que Lima tenha tomado uns chopes nesse boteco com Olavo Bilac (falecido no final do ano de 1918, membro da ABL). Tal como o “amigo” do conto, Bilac, nosso poeta parnasiano, faleceu solteiro aos 53 anos. Era boêmio e gostava de um chopinho. Ele bateu seu carro numa árvore, foi o primeiro caso de acidente automobilístico no Brasil.

7. O cemitério (sem data)

Passeando entre túmulos de um cemitério da Rua do Ouvidor, o narrador (parece alter ego do autor) depara- se com o retrato de uma linda mulher enterrada ali:

Que resultados teve a sua beleza na terra? Que coisas eternas criaram os homens que ela inspirou? Nada, ou talvez outros homens, para morrer e sofrer. Não passou disso, tudo mais se perdeu; tudo mais não teve existência; tudo mais não teve existência, nem mesmo para ela e para os seus amados; foi breve, instantâneo , e fugaz.

8.  A biblioteca

Dedicado a Pereira da Silva. Suponho que tenha sido o poeta e jornalista Antônio Joaquim Pereira da Silva, falecido em 1944 (membro da ABL).

Comum em quase todos os contos, é a descrição das ruas do Rio de Janeiro, bondes, casas, casarões, comércio. Um rico material histórico nos deixou Lima Barreto sobre a cidade carioca. Nesse, o narrador, Fausto Carregal, descreve um casarão na Tijuca, recordação de infância, a casa onde morou e todos os seus objetos. E a biblioteca.

A biblioteca do seu pai, o Conselheiro Carregal, era muito rica, cheia de tesouros literários antigos. Esse conto serve para anotar referências bibliográficas.

Fausto guardou a biblioteca do pai, ele não dera para as letras, não entendia os livros, para repassá- la a um dos quatro filhos. Os três mais velhos também não deram para as letras e a sua última esperança era Jaime, o caçula. Mas o menino não conseguia aprender a ler. O que fez então com a biblioteca?

O final desse conto é inusitado.

9. O feiticeiro e o deputado

De “seu Ernesto” o povo dizia que era feiticeiro e que tinha um passado de criminoso. Cultivava uma horta, cortava lenha e era muito misterioso. Não havia sido bandido, mas sim, entendia de “mandingas”. As pessoas iam pedir- lhe ajuda. Seu Ernesto “curou” até um alcoólatra. Era um “feiticeiro” do bem.

O deputado Braga foi visitar o feiticeiro achando que iria encontrar algum degenerado. Saiu de lá encantado também.

10. A doença do Antunes

O médico clínico dr. Gedeão era uma verdadeira celebridade, saía mais nos jornais que o próprio presidente. A consulta com o médico era caríssima, mas valia a pena uma consulta com o milagroso médico.

José Antunes Bulhões, dono de um armazém de secos e molhados, sofria uma dor de estômago incurável, já havia consultado vários, médicos, curandeiros e afins, mas não tinha dado resultado, a dor persistia. Consultou o milagroso doutor Gedeão. Mas para saber qual é a doença de Antunes…leia! 🙂

11. A nova Califórnia (10/11/1910)

Um conto muito criativo. O misterioso Raimundo Flamel encomendou ao pedreiro Fabrício a construção de um forno dentro da sua sala. O trabalhador viu na casa muitos livros e recipientes para experimentos químicos. O povo da pequena vila de Tubiacanga entrou em polvorosa tentando adivinhar o que faria o forasteiro.

O boticário Bastos acalmou o povo dizendo que devia ser algum sábio. Era um alquimista. Três cidadãos ilustres da cidade foram convidados por Raimundo Flamel para serem testemunhas de uma descoberta que havia conseguido.

Algumas tumbas da pacata cidade de três mil habitantes foram violadas. O alquimista transformava ossos em ouro. Quando a população descobriu foi uma verdadeira loucura. Começou uma caça aos ossos. Todo mundo queria o ouro fácil. E isso acabou trazendo a desgraça para Tubiacanga.

O único que sobrou foi o bêbado Belmiro.

12. O falso Dom Henrique V- Episódio da História de Bruzundanga

Lima era muito criativo e hilário na escolha dos nomes dos seus personagens e cidades fictícias. Essa é uma história que acontece na República de Bruzundanga (lembra o Brasil, óbvio).

A história acontece em um reino e a sua transição à monarquia através de um golpe.

No país monárquico, havia paz e os camponeses viviam bem, não passavam fome. O imperador Dom Sajon não gostava de luxos, usava carros antigos e obrigava que os nobres não explorassem os camponeses, tinha um bom coração. O único filho, o príncipe Dom Henrique, que nem queria ser rei, foi assassinado. E o neto de Sajon de 8 anos, sequestrado. Passou a governar Trétreth, da dinastia mais próxima à família. O povo empobreceu, adoeceu, andava quase nu, ficou miserável e os ricos, cada vez mais ricos exportando cana-de-açúcar.

Qualquer semelhança com a realidade não foi mera coincidência. Por isso Barreto não era muito popular entre a classe privilegiada do seu tempo.

13. Um e outro (1913)

Dedicado a Deodoro Leught, achei com a grafia “Leucht”. Não descobri quem foi, se alguém souber deixe nos comentários, por favor.

Esse conta a história da prostituta Lola de 50 anos, amante de Freitas, que a sustentava junto com a filha. Mas ela saía com outro, um “chauffeur” de carro de luxo.

É o primeiro conto do livro com um narrador- personagem feminino. O ambiente, como sempre, é o Rio de Janeiro, o bonde, suas ruas e o cais.

Freitas usava a mulher como um troféu. Ter uma amante dava um certo prestígio. E Lola o usava para dar- lhe boa vida, mas estava apaixonada pelo motorista…ou pelo seu carro? É um conto engraçado, embora um pouco machista. Aquele clichê que as mulheres só amam homens com bons carros (no caso de Lola sim). Comprovo que esse pensamento vem de longas datas.

14. Miss Edith e o seu tio (1914)

Um conto engraçado. A história acontece na pensão familiar “Boa Vista”, no bairro do Flamengo, dirigida por Madame Barbosa, uma mulher de 50 anos, “gorda e atochada”. Teve vários filhos e tinha uma ainda solteira “Dona Irene”, que vez por outra ficava noiva de um dos hóspedes. O casarão é feio e lúgubre.

A moça já tinha sido noiva de um estudante de Direito, um de Medicina, outro de Engenharia e também um dentista. Sem sucesso, então a moça voltou- se para os funcionários públicos. Irene sonhava em casar. “A preta” Angélica era o braço direito direito e confidente da Madame Barbosa.

Chegou um casal de ingleses, tio e sobrinha, Edith. Causaram reboliço  entre os hóspedes e a dona da pensão encantada com os gringos ricos. Cada hóspede criou uma história imaginária a respeito dos “ilustres” hóspedes. Tio e sobrinha? Será? Imagina aí…

15. O pecado (1924)

Esse conto é uma porrada. Curto e forte. Acontece no céu com São Pedro que faz a seleção de almas: as que vão para o purgatório e as que ficarão “à direita do altíssimo”. Um homem é julgado. Ele tem um expediente perfeito, é bom, humilde e honesto. Mas vai para o purgatório, porque é preto.

É como um protesto, um grito de dor. Ser preto era um pecado. 😦

16. Uma noite no lírico

Acontece no Teatro Pedro II. O narrador, Frederico Bastos, sente um certo incômodo em estar em um ambiente que não é o seu. O seu colega Cardoso o introduziu “nesse mundo” (da alta sociedade) frequentado por fidalgos, desembargadores, comandantes  e dos poderosos novos ricos.

Ao entrar na sala encontra um amigo rico, Alfredo Costa, mas que detesta esse mundo e os dois começam a zombar de todos os presentes. Com muito desdém, Alfredo vai contando como cada um alcançou a riqueza, revelando seus “podres” e toda a hipocrisia da sociedade carioca. Quantos deles se identificaram, colocaram a carapuça? Não me estranha que Lima tenha sido persona non grata entre eles, por revelar essas verdades.

17. Como o “Homem” chegou.

Esse conto vem com esse prólogo de Nietzsche:

Deus esta morto; a sua piedade pelos homens matou- o.

Começa elogiando a polícia da república, no seu trato igualitário entre pobres e ricos, o que soa bastante irônico. Acho que quis dizer exatamente o contrário. E também é uma crítica ácida em relação à imprensa, que publica só o que pode beneficiar certos setores.

Uma cidadezinha pacata, onde não havia roubos nem violência. O delegado só aparecia de mês em mês e chamava- se “Cunsono” (sacou, né?). Ele recebeu ordens de prender um louco, que era empregado da delegacia fiscal. A partir daí começa uma verdadeira saga para ir prender o homem em Manaus.

18. Um especialista

Conto dedicado a Bastos Tigre, que foi um homem das letras, escritor, humorista, bibliotecário e publicitário de sucesso. Lembra do slogan: “Se é Bayer é bom”? É dele.

A história começa num bar no largo da Carioca entre “cafés e licores”, charutos e o bilhar. O Comendador, casado, 50 anos, e o coronel Carvalho, viúvo, ambos portugueses, são os protagonistas. Os compadres batiam ponto no boteco todas as tardes para conversar sobre tudo. O casado adorava as mulatas; o viúvo, ao contrário, adorava as estrangeiras. Ambos burgueses.

Uma das mulatas, Alice, vida muito sofrida, “comeu o pão que o diabo amassou”, por acaso, encontrou o seu pai: um dos portugueses.

19. O filho da Gabriela

Dedicado a Antônio Noronha dos Santos, escritor e melhor amigo de Lima Barreto. Conheceram- se na época da Escola Politécnica (que Lima abandonou, pois teve que trabalhar). Há semelhanças com a história da infância de Lima, como a perda da mãe muito cedo e os padrinhos ricos.

A narrativa começa com um discussão entre a “ama”, dona Laura, e a criada Gabriela. O filho desta está doente e ela precisa levá- lo ao médico no dia seguinte, mas patroa nega, não permite que a criada se ausente.

Gabriela pediu demissão e durante um mês ficou procurando trabalho. Enquanto isso, o filho estava de favor na casa de uma amiga, um quarto tão úmido que parecia uma “masmorra” e sendo maltratado pela dona da casa. O menino sentia muito medo, ficava calado e sofria todos os tipos de privações, sede e fome. O que modificou o caráter do menino.

No final, Gabriela aceitou voltar para a casa da antiga ama como cozinheira. Dona Laura e o Conselheiro Calaça pediram para batizar o menino, Horácio (4 anos), pois sentiram piedade do menino que estava pedindo esmola na rua. O casal não teve filhos e dona Laura tinha amantes.

A mãe de Horácio faleceu quando ele tinha 6 anos, o menino fechou- se ainda mais e perdeu toda a alegria. Sentia falta dos carinhos da mãe. O ambiente escolar hostil, o padrinho severo e distante. Tudo foi contribuindo para a tristeza de Horácio. O autor descreve o seu processo de depressão. Horácio delira, tem alucinações. As mesmas vividas pelo escritor. 😦


A novela da Globo “Fera Ferida” (1993) foi baseada na obra de Lima Barreto, em contos citados nessa resenha como “A nova Califórnia”, “Numa e a Ninfa”, “O homem que sabia javanês”, e os romances “Clara dos Anjos”, “Memórias do escrivão Isaías Caminha”, “Triste fim de Policarpo Quaresma” e”Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá”. A princípio, a novela iria chamar- se “A nova Califórnia”. A novela completa está disponível no YouTube.

Os dados biográficos citados a princípio  constam nessa edição lida. Altamente recomendada para estudantes, pois é bastante didática, vem com biografia, bibliografia, inclusive possui um questionário de sondagem no final do livro e o custo é baixo. Fiquem de olho na editora Martin Claret e nessa coleção “Obra-prima de cada autor”, mas não esperem uma encadernação bonita, pois é a mais simples possível, edição de bolso.

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Barreto, Lima. Os melhores contos de Lima Barreto. Martin Claret, São Paulo, 2005. Páginas: 159

A obra de Lima Barreto, assim como a de Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Fernando Pessoa, por exemplo, já estão livres de direitos autorais e estão disponíveis em www.dominiopublico.gov.br . Portanto, só gasta dinheiro quem preferir os livros em papel;  mas só fica sem ler grandes obras quem quiser, já que o investimento é zero. Os arquivos estão em PDF e podem ser lidos em computadores, notebooks, tablets ou smartphones.

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A 1ª Oficina “Falando em Literatura” em Madri: sucesso!


Ontem aconteceu em Madri, a primeira oficina de leitura e escrita “Falando em Literatura”. O evento aconteceu na Casa do Brasil e reuniu um grupo seleto de pessoas que amam a boa literatura. Resultado: duas horas de bom papo sobre Clarice Lispector. Construímos um ambiente agradável, onde as ideias, impressões e troca de experiências foram surgindo naturalmente.

Os participantes produziram microcontos muito interessantes!

Na próxima semana tem mais! Quinta- feira, dia 10/11, das 19-21h, será a vez do grande poeta Carlos Drummond de Andrade. Inscreva- se logo, é gratuito e as vagas são limitadas, o grupo é bastante reduzido, pois a intenção é que haja interatividade e que todos possam expressar as suas ideias.

 img_2270Os participantes da 1ª Oficina “A literatura psicológica de Clarice Lispector. Como construir e identificar narrativas interiores”.

img_2277-2Da esquerda para a direita: Simone Schwambach, Renata Barbalho (que ganhou um livro de contos de Clarice no sorteio), Deborah Cole, Cristina Pacino (atrás), Luz Bastos, Mila Paiva, Sherlen Sarmento acompanhada da pequena Helena, que com apenas três meses, comportou- se como uma mocinha; e eu, Fernanda Sampaio. Ah, o único rapaz (que aparece na foto anterior), é Rafael Manjares, marido de Sherlen e pai de Helena. O crédito dessa foto vai para ele.

Agradeço a presença simpática de todos os participantes! Fiquei muito feliz com o resultado. Realmente um grupo nota dez!

Lembrando que o evento foi possível devido ao incentivo do Itamaraty com o apoio do Consulado do Brasil em Madri.

Veja abaixo o cronograma com os seguintes eventos, inscreva-se pelo e-mail: falandoemliteratura@gmail.com

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Nos vemos na próxima quinta!

Falando em Literatura e Revista BrazilcomZ, parceria de sucesso


Saiu hoje a edição de dezembro da Revista BrazilcomZ e tenho duas novidades pra vocês…convidei doze personalidades do mundo das Letras para responder a seguinte frase: “Literatura é…”. Uma “galera” de peso teve a gentileza de participar, entre eles, Luiz Ruffato, Nádia Battella Gotlib, Lya Luft, e vários escritores bacanas. Segue o link para ver saber o que todos disseram!

Clica aqui.

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Saiu também a entrevista que fiz com a cineasta carioca Mini kerti. Ela é diretora de cine e TV. Já fez alguns documentais ligados à música muito interessantes. Vale a pena conhecer a pessoa e a obra! Mini esteve em Madri para apresentar o seu filme “Muitos homens num só”.

Dá uma olhada aqui.

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Volta pra me contar o que achou 😉

O livro que vai mudar a sua vida


Primeiro: vença a preguiça e a ideia de que “não gosta de ler”. Todo benefício exige um mínimo de esforço e vontade. Se você não gosta do que está recebendo e não faz nada, tudo vai continuar igual. Pensamento e ação!

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Os livros são muito inspiradores e cheios de ideias que podem servir para você, podem indicar caminhos, despertar a sua criatividade e a sua vontade de desenvolver coisas, projetos, sonhos. Eles podem te dar a certeza do rumo que você quer dar à sua existência. Quem sabe, lendo Stephen Hawking, você descobre que quer cientista, físico e tentar descobrir os mistérios do Universo…ou lendo Fernando Pessoa descobre no mais profundo da sua alma que é  poeta; ou com Sigmund Freud, seria ele a despertar algo mágico em você? “Quero ser psicanalista!”. Ou qualquer obra que não tenha relação direta com nenhuma profissão: às vezes uma frase, um acontecimento, uma memória, podem mudar o seu “destino”. Mas se você não ler estará desperdiçando essa forma tão viável de descobrir, “de se encontrar”, de perceber aonde é o seu lugar no mundo.

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Já leu alguma obra que mexeu contigo, que mudou algo na sua vida?

Abra um livro. Você pode estar ali: dentro dele.

Escrita com estilo: Mont Blanc, edição escritores


A famosa empresa Mont Blanc, fundada há 106 anos por dois alemães, criou uma linha de canetas e penas homenageando os escritores Honoré de Balzac (Tours, 20/05/1799 – Paris, 18/08/1850) e Daniel Defoe (Londres, 10 de outubre de 1660 – Londres; 24/04/1731), três versões para cada escritor. A mais barata custa EUR 670, 00 e a mais cara EUR 890,00.  Todo detalhe dourado é ouro. Qual a sua preferida?

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Linha Defoe

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Claro que é um luxo para poucos. E não é a caneta que faz o escritor, quantos dos bons devem ter rabiscado suas obras com a boa e velha Bic?!

Lá no site da Mont Blanc fizeram uma breve descrição dos escritores (em espanhol). Daqui não me permitem acessar o site brasileiro. Aí também saiu essa linha?

Ah, meu aniversário é no dia 4 de agosto. 😀

A estrutura do pensamento na escrita, por Rômulo Pessanha


Texto enviado por Rômulo Pessanha, formado em Letras,  que veio contribuir com a nossa Oficina de Escritura Criativa. Sobre o pensamento e o ato de escrever. Muito bom, não deixe de ler!


 

A estrutura do pensamento na escrita

Inicialmente observemos um pequeno trecho do texto do livro Livro de José Luís Peixoto:

“Maman.

O toque do xaile em que me embrulhava.

Oui, maman.

Baixa as pálpebras. Sai do quarto. Devagar. A porta a fechar-se como quando me deixava a adormecer.

Abro o livro e leio a primeira frase:

A mãe pousou o livro nas mãos do filho.”

(…)

Até aqui, como podemos verificar, tudo não passa de uma breve descrição do filho sendo coberto pela mãe ou o filho lembrando a cena da mãe que coloca o personagem para dormir. Seria apenas a lembrança de um personagem contando para nós um fato de seu passado mas, como se trata de um personagem ele é fruto da imaginação de quem o criou. Ou seja, poderia ser dito que o personagem enquanto criação ficcional do autor, estaria aos poucos se desprendendo de seu criador e tomando vida própria. A criação passa a criar e a pensar por si mesma e assim uma nova vida surge já adulta contando o seu passado quando era bebê. Então, poderíamos supor que a imaginação criaria novas vidas que seguiriam autônomas e independentes de quem as criou. Prossigamos:

“Este livro podia acabar aqui. Sempre gostei de enredos circulares. É a forma que os escritores, pessoas do tamanho das outras, têm para sugerir eternidade. Se acaba conforme começa é porque não acaba nunca. Mas tu, eu, os Flauberts, os Joyces, os Dostoievskis sabemos que, para nós, acaba. Com um ligeiro desvio, os círculos transformam-se em espirais e, depois, basta um ponto como este: . O bico de uma caneta espetada no papel. Um gesto a acertar na tecla entre , e -. Um movimento entre um quadradinho de plástico. Isto: . Repara Como é pequeno, insuficiente para espreitarmos através dele, floco de cinza a planar, resto de formiga esmagada. Se o pudéssemos segurar entre os dedos, não seríamos capazes de senti-lo, grão de areia. Mas tu ainda estás aí, olá, eu ainda estou aqui e não poderia ir-me embora sem te agradecer.”

Escrever é um ato de agradecimento para todos aqueles que irão um dia, nos ler. É uma forma de pela escrita, pelo tecido do texto, (que até mesmo parece redundância falar em texto e em tecido numa mesma frase) de nos tornarmos imortais. Esse agradecimento só é possível se nos tornarmos criação, personagens feitos por nós.

Cada ponto é um ato de bravura e de luta da parte de quem viveu para contar. A nossa voz poderá ser um ponto de vista a partir do olhar do outro. Dessa forma, acabaríamos, acabaremos, sendo criação dos leitores, entendidos como aqueles outros que nos leem, mesmo que falássemos em primeira pessoa. Como dar forma à nossas vidas? Algo sobre isso nos fala Georg Lukács em “As almas e as formas literárias”:

El valor vital de um gesto. Dicho de outro modo: el valor de la forma em la vida, el valor de las formas, que crea vida y la exalta. El gesto es solo el movimento que expressa claramente lo inequívoco, y la forma es el único caminho de lo absoluto em la vida; el gesto es lo único que es consumado em sí mismo, uma realidade y más que mera possibilidade. Sólo el gesto expressa la vida. Pero?se puede expressar uma vida? ? No es ésta la tragédia de todo arte vital, que quiere construir com aire um castillo de cristal, que quiere construir entre los hombres el puente de sus formas mediante el encuentro y la separación de las almas? ?Puede haber gestos? ?Tiene sentido el concepto de forma desde la perspectiva de la vida?”

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Como permanecer vivo? Escrevendo, criando, seria uma resposta simples. O pensamento situando-se nas palavras e as palavras carregadas de sentido e esse sentido criando formas de expressão seria, e aqui poderíamos dizer praticamente de forma afirmativa, que a própria pessoa estaria desdobrada na sua forma de escrever. A nossa existência se completaria com a forma que damos ao nosso texto. E tomando o texto que escrevemos como decorrência do que somos no que diz respeito a todos os aspectos da personalidade humana, somos exatamente aquilo que escrevemos. Escrevendo permaneceríamos eternamente pensando com as mentes dos leitores que por sua vez multiplicariam a nossa existência em várias outras da mesma forma que criamos personagens e lhes damos vidas independentes. O problema é que o pensamento é rápido e a escrita deve ser moldada para captar tal fenômeno. Outro problema é que a vida humana também é rápida e sendo apenas um instante em que se escreve, a vida deve possuir um objetivo para que possa ser dado um impulso criador e iniciante dessa vida que se pretende começar e iniciar na escrita. Escrever é um momento de uma vida de um autor real. O personagem vive para sempre, ele e a forma que o autor lhe deu.

Assim, a professora Cinda Gonda* nos diz então que:

“Dois princípios — continuidade e descontinuidade —  parecem presidir o percurso da existência. Talvez aí, na tensão de limites fixados por Eros e Thánatos, resida a noção de insólito. Insólita é a vida, insólito é o pacto com o instante, aquele que, na condição de mortais, nos foi concedido. Variados caminhos, feitos de desvios e atalhos, se delineiam à nossa frente, na tentativa fugaz de assegurarmos a permanência. A arte é um deles. Se insólita é a vida, a arte seria o seu duplo.”

Aqui devemos perceber que talvez Thánatos possua um valor de destruição dos tecidos criadores da vida. Eros construiria enquanto Thánatos destruiria. Entendo que Eros é dualidade e se ele, que pode ser vida e morte, se junta à destruição que é a Thánatos, então Eros seria a força que levaria todos os seres vivos somente para a morte. Deixo bem claro que os conceitos de Thánatos, Eros e Psyché devem ser bem detalhadamente estudados para que não seja feita confusão entre seus sentidos ou conceitos. Aqui são vistos apenas superficialmente.

Prefiro dizer ainda aqui em primeira pessoa, que acredito muito mais na arte como vida. Então Eros se casaria perfeitamente com a Psiché. Se a vida é pura forma de pensamento então a existência humana não é nem morte nem vida, o que estaria de acordo com o par Eros – Thánathos, porém seria apenas um vir a ser, uma possibilidade de ser e nunca uma certeza de morte absoluta. Mas, a partir do momento em que percebemos que através da forma escrita sobrevivemos à destruição da vida causada pela morte, então a Psiché humana sobrevive de uma forma que vai muito além da dualidade morte-vida contida em Eros. A Psiché se torna quintessência de pensamento que não pode ser destruída nem pela forma de expressão mesmo que ela seja até mesmo impedida de se manifestar e concretizar pelo aspecto material, como palavras, sons, pinturas, pois sendo quintessêncializada a Psiché, se indentificando com a consciência ou o pensamento humano possuria uma força criadora muito mais potente e eficaz para se manifestar e criar a sua forma de expressão que seria a princípio, a nossa velha vontade de arte, a vontade de criar arte. A arte estaria escrita no pensamento como a vontade ou impulso como uma construção a imagem e semelhança de si mesma.

A ficção então é insólita porque a vida é insólita. Qual o sentido da vida? Qual o sentido do tempo de vida que possuímos? Porque aceitamos tão fielmente como realidade aquilo que já nos é dado a conhecer de antemão como ficção? Por que se podemos dar vida aos nossos personagens, não conseguimos controlá-los? Por que, se somos donos de nossos destinos e dos rumos de nossas próprias vidas, não conseguimos planejar tudo certinho como queremos? Enfim, se por um lado nem conseguimos controlar as nossas criações ficcionais pelo outro, não conseguimos manter um controle total sobre nossas vidas pelo menos o tempo todo.

Porque:

“Agradeço-te por teres aceitado que este livro se transformasse em ti e pela generosidade de te teres transformado nele, agradeço-te pela claridade que entra por esta janela e por tudo aquilo que me constitui, agradeço-te por me teres deixado existir, agradeço-te por me teres trazido à última página e por seguires comigo até à última palavra. Sim, tu e eu sabemos, isto: . Insignificância, pedaço de nada, interior da letra ó. Mas isso será daqui a pouco. Por enquanto, aproveitemos, ainda estamos aqui.”

Aqui quero fazer uma observação quanto à “isto: .”. Repare que só coloquei ponto depois das aspas. É porque “Isto: .” é especial. “isto”, escrito como está com dois pontos, me passa a ideia de que entre “isto”, ou seja, aquilo que queremos apresentar ou dizer e o ponto, que sempre é a marca de final das orações, existe justamente aquilo que se gostaria de dizer: a vida, a nossa oração. Ou porque não, nossas vidas poderiam começar de uma insignificância: .

A construção do ser é uma permissão. É facultado à nós todos que lemos e escrevemos, terminar ou continuar a escrita e a leitura do texto. Não significaria, por tudo que foi dito acima, em suicídio, apesar de todas as interpretações serem possíveis. Seria apenas uma interrupção. Uma busca por outro caminho. Mas devemos sempre agradecer por fazer parte de uma construção.

Assim sendo, a nossa vida seria escrita com a estrutura do nosso pensamento que sendo substância quintessêncializada, se materializaria pela nossa força de vontade e desejo de construção, em escrita, texto, literatura, arte e a vida eterna tecida na estrutura do texto, e este na estrutura do pensamento e na estrutura do pensamento, a escrita da vida.

*Cinda Gonda: É professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e eu fui seu aluno da graduação no curso de letras. Aprendemos juntos.

BIBLIOGRAFIA:

José Luís Peixoto. Livro. Páginas 262 e 263. (sem data, sem edição e editora, apenas uma folha contendo a cópia dessas duas páginas.)

Georg Lukács. La forma se rompe al chocar com la vida. (Sören Kierkegaard y Regina Olsen). Página 57. (sem data, edição ou editora, o texto utilizado está sem bibliografia.)

Cinda Gonda. O insólito pacto com o instante. Página 157. (sem data, edição, editora, apenas a cópia do texto sem bibliografia.)

 

 

Retrô 2009 e lá vem 2010!


Com os micro- blogs (Twitter, Facebook) o meu blog ficou mais abandonado do que nunca. Comecei e deixei nos rascunhos diversos posts. Mas para não deixar o blog sem um post- despedida de 2009 (que podia ter sido melhor) vamos a algumas reflexões:

* A Internet está diminuindo muito o hábito de ler (livros), porque ler exige silêncio, tempo e dedicação. A Net é mais rápida e fácil. E todo mundo vai pelo caminho mais fácil. Muita gente compra livros que servem só de enfeites na estante.

* Os e- books ainda não substituíram os livros de papel, mas acho que isso vai acontecer nos próximos anos, onde o papel vai ser só recordação e saudosismo para os amantes da literatura. Os e- books são muito mais ecológicos e precisamos disso.

* O Nobel de literatura esse ano foi para uma mulher.  Mas ainda somos a minoria a ter destaque nas Ciências Humanas e Letras (embora seja uma área com maioria feminina). Ainda não existe uma igualdade social e nem em divisão de tarefas efetiva entre homens e mulheres. Nós temos menos tempo para a dedicação ao trabalho científico- literário, tempo esse que tem que ser compartilhado com o cuidado dos filhos e a casa. E isso serve como fator de exclusão. Solução: mais creches do governo nas universidades, concursos com vagas 50% pra homens, 50% pras mulheres.

* Esse ano a vitória vai para os livros de vampiros. O público- leitor jovem aprovou e aderiu.

* Os meus louros literários  vão para o poeta Manoel de Barros, o maior poeta brasileiro da atualidade.

“Não tenho bens de acontecimentos.

O que não sei fazer desconto nas palavras.

Entesouro frases. Por exemplo:

– Imagens são palavras que nos faltaram.

– Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.

– Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.”

FELIZ 2010!!!