PDF grátis: “Cartas a um jovem escritor”, de Mario Vargas Llosa


Mais uma joia para o pessoal de Letras: “Cartas a um jovem escritor”, de Mario Vargas Llosa (Arequipa, 28 de março de 1936), prêmio Nobel de Literatura 2010. Este é um ensaio epistolar com tom autobiográfico, Llosa nos conta como nascem os romances, fala sobre temas essenciais: o estilo, a persuasão, o espaço, o tempo do narrador, a ficção, a autenticidade, enfim, tudo o que envolve o trabalho de criação da narrativa. Só um detalhe: está em espanhol, mas isso não é problema, não é pessoal?! A edição é da Ariel, editora de Barcelona, Espanha.

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Resenha: Para que serve a literatura?, de Antoine Compagnon


Um pouco de teoria. Todo estudante de Letras deveria ter esse livro, porque dá muitas noções básicas e essenciais sobre a teoria da literatura em poucas páginas, é o bê a bá da literatura.

Talvez seja mais importante responder “Para que serve a literatura?”, do que a costumeira “O que é a literatura?”.

O belga Antoine Compagnon (Bruxelas, 20/06/1950), é acadêmico do antigo e tradicional Collège de France (1530). É escritor de ficção, mas principalmente, teórico da história da literatura. Especialista em literatura francesa, principalmente Proust, é um escritor premiado e com muitas distinções, membro da Academia de Letras de Londres, entre outras. Foi professor catedrático na Sorbonne e na Columbia de Nova York. Ele escreveu vários livros importantes, entre eles, “Um verão com Montaigne“, na área de Educação, onde coloca como causa principal da baixa qualidade de ensino e desprestígio da classe docente, a massificação da Educação. Obra a ser comentada em outro post.

L'HISTORIEN ANTOINE COMPAGNON.

Antoine Compagnon. Foto: Le Figaro

Para que serve a literatura é um livro muito ligeiro, apenas 54 páginas, mas concentrado de muito bom conteúdo e muitas referências importantes para futuras consultas . O texto é a aula inaugural de Antoine Compagne no College de France em 2007.

College_de_france

College de France, endereço: 11 Place Marcelin Berthelot 75231 Paris

Lecionar também é aprender:

(…) sempre ensinei o que não sabia e aproveitei as aulas que dava para ler o que ainda não lera, e aprender por fim o que ignorava. (p.11)

O autor começa levantando algumas questões fundamentais que fogem um pouco da tradicional pergunta O que é a literatura?. Ele vai mais pelo lado crítico e político: O que pode a literatura, que valor a sociedade e a cultura contemporâneas atribuem à literatura? Que utilidade? Que papel? (p. 7) E cita Ítalo Calvino  questionando se ainda podemos acreditar na mesma coisa: A minha confiança no futuro da literatura, assenta na certeza de que há coisas que só a literatura pode nos dar.

Compagnon fala da literatura francesa (moderna e contemporânea no século XXI) e a considera a mais difícil de tratar. Diferencia os tipos de crítica, veja:

A tradição teórica considera a literatura como ‘una’ e a ‘mesma’, a presença imediata, valor eterno e universal; a tradição histórica encara a obra como ‘outra’. Nos termos de hoje e de ontem, falar-se- á de ‘sincronia’ (ver as obras do passado como se nos fossem contemporâneas) e de ‘diacronia’ (ver, ou tentar ver, as obras como como o público a que se destinam). (p.13)

Essa dicotomia, essa disputa entre tipos de crítica, história X teoria, filologia X retórica, deixou de fazer sentido no final do século XX. Foi Roland Barthes que “reconciliou” essas tradições literárias. Segue Compagnon:

(…) O estudo literário deve e pode consertar a ruptura entre a forma e o sentido, a inimizade factícia entre a poética e as humanidades. (p 17)

A literatura perdeu espaço nas escolas nessa última geração em detrimento dos textos documentais. E umas das perdas que isso ocasiona? A “deseducação” através dos sentimentos que só a literatura pode provocar. Quando o leitor sai da própria vida e encarna no papel do personagem, ele conhece mais do outro e de si mesmo e da vida. Só a arte/literatura podem fazer isso. Portanto, a literatura nunca será prescindível, ao contrário, quanto mais leitores, mais humanismo e humanidade. O autor cita Proust, o mesmo trecho que citei (na extensa) resenha sobre “No caminho de Swann”, que fala justamente de uma função importantíssima da literatura:

A verdadeira vida, a vida por fim desvendada e esclarecida, a única vida por conseguinte realmente vivida é a literatura. (…) Só pela arte, podemos sair de nós, saber o que a outra pessoa vê deste universo que não é o mesmo que o nosso, e cujas paisagens nos teriam ficado tão desconhecidas quanto as que pode haver na lua. (p. 19)

Não vou falar muito mais, porque senão contarei o livro todo. Um livro que serve de introdução para questões fundamentais, que deixa uma mensagem de defesa da literatura e seus benefícios para o indivíduo e a sociedade.

capa compagnon (1)Compagnon, Antoine. Para que serve a literatura?. Deriva, Portugal, 2010. 54 páginas

Rainer Maria Rilke: “Da Natureza, da Arte e da Linguagem”


“Nao importa o que os seres humanos tenham realizado, nao há um deles que haja alcançado tamanha grandeza a ponto de a natureza dividir com ele a sua dor ou unir- se a ele no seu júbilo”.

Foto: lastfm.es

Rainer Maria Rilke (04/ 12/ 1875 , Praga- 29 /12/1926, Val-Mont, Suíça), seu nome de nascimento é “René”, filho de um militar, foi educado numa academia militar. O poeta neoromântico fez sucesso na primeira metade do século XX na Alemanha (escrevia em alemão) e rápido a sua lírica espalhou- se pela Europa, mas “Da Natureza, da Arte e da Linguagem” reúne textos curtos, pensamentos do autor em relação a esses itens: natureza, arte e linguagem.

“É assustador pensar em quantas coisas sao feitas e desfeitas com as palavras; elas têm a sua vida, e nós, a nossa.”

Foto: lastfm.es

“Arte significa nao saber que o mundo já existe, e fazer um.”

Preço: 7 euros


O bilinguismo em crianças imigrantes


Há muitas opiniões e estudos científicos na Internet sobre o bilinguismo em crianças imigrantes com pais imigrantes.

No meu caso particular,  sempre falo com a minha filha em português (às vezes em espanhol) e dessa forma ela não adquiriu o idioma (ela nasceu e cresceu na Espanha): entende, mas não fala. O que me faz pensar que o ambiente é muito importante no processo de aquisição da linguagem; só eu como interlocutora não foi suficiente para que ela  desenvolvesse a língua portuguesa (versão brasileira). Confesso que não forcei e nem induzi o processo: ela me responde em espanhol e eu não a forço que fale em português. Talvez se o pai fosse também brasileiro, ela teria tido mais êxito na aquisição do idioma- é o que normalmente acontece.

Moramos durante seis meses (apenas) em Lisboa e a minha filha com seis anos  aprendeu a falar o português com um sotaque perfeito, com nenhum sinal ou acento espanhol.  Passados seis meses já em Madri,  ela não esqueceu o idioma luso e continua a falar como uma verdadeira portuguesinha com meus pais em Lisboa. Concluo que as crianças podem aprender perfeitamente o idioma de outro país, como a um nacional, sem interferir na sua língua materna. São compartimentos diferentes e totalmente compatíveis, onde elas abrem as gavetas conforme a necessidade. Comigo ela nunca falou em português, porque sabe que eu sei espanhol.

Há opiniões diversas, mas já não tão contraditórias sobre o assunto,  como a do jornalista conservador alemão que diz que crianças imigrantes cujos pais não falam alemão, terão resultados ruins na escola, porque não aprendem bem o alemão. Em contrapartida, um estudo italiano (está em alemão) conclui que as crianças que sabem mais de um idioma, têm um melhor desempenho escolar, pois aprendem mais fácil devido à uma rede de células criadas para os idiomas, que depois de criada, fica mais fácil aprender qualquer idioma. O artigo científico pode ser comprado aqui por 15 dólares.

Uma vez aberto esse “canal” cerebral a facilidade de adquirir idiomas é muito alta, independentemente do grau de inteligencia da crianças como aponta a diretora de um colégio belga no País Vasco, que diz que crianças com QI elevado ou baixo aprendem idiomas com a mesma facilidade; também existem crianças com QI elevado que não conseguem aprender outro idioma, portanto, a aprendizagem de idiomas não depende do nível de inteligencia, mas do processo e do meio, opinião essa já particular. Também acredito que a criança cujos pais não falam o idioma local, irão aprender na escola a língua independente de que seus pais falem ou não o idioma, discordando totalmente do jornalista alemão já citado.

Uma opinião unânime e incontestável é essa sobre a facilidade de aquisição de um segundo idioma nas crianças, como afirma esse artigo que cita um estudo do departamento de neurologia do Memorial Sloan de Nova York, onde afirma que as crianças possuem um “circuito virgem, com potencial infinito, capaz de memorizar dois idiomas de forma simultânea na mesma região cerebral num único circuito”, ao contrário dos adultos que precisamos acionar áreas diferentes do cérebro, guardar as informações para depois traduzi- las.

Portanto, as crianças imigrantes com pais imigrantes não só aprendem, como têm facilidade para aprender , sem nenhum prejuízo. E com o idioma aprendido (em torno de seis meses pela experiência citada com a minha filha) não há justificativa para ter um pior desempenho escolar. Os pais imigrantes podem ficar tranquilos que seus filhos irão aprender tranquilamente o idioma do país de acolhida.

 

Concurso de ensaios sobre Oscar Niemayer


Oscar Niemayer (clique aqui para ver a fundaçao Oscar Niemayer) é o arquiteto brasileiro mais internacional, consagrado por suas obras originais, criativas, inovadoras. Foi o arquiteto que projetou Brasília, a capital do Brasil e que mais recentemente fez um projeto arrojado, um edifício futurista, o Mac (Museu de Arte Contemporânea que fica em Niterói, no Rio de Janeiro).

Oscar vai fazer 100 anos e a Universidade do Porto lançou um concurso de ensaios para comemorar a data, destinado a estudantes brasileiros e portugueses, ao que transcrevo abaixo:

No âmbito da celebração do 100º aniversário de Oscar Niemeyer a Faculdade de Arquitectura lança um concurso para elaboração de um texto de reflexão teoria/crítica, em português, aberto a todos os estudantes de arquitectura de faculdades portuguesas e brasileiras e a todos os estudantes da Universidade do Porto.

OBJECTIVO
Elaboração de um texto original (não publicado) de reflexão sobre a obra e/ou vida de Oscar Niemeyer.

APRESENTAÇÃO
O texto não poderá exceder os 7.500 caracteres (notas e eventuais legendas incluídas); o título será destacado; fonte Times New Roman 12; a 1, 5 espaços; justificado.
Serão entregues cinco impressões do ensaio (texto e imagens) em papel A4 branco; todas as páginas serão identificadas pelo mesmo número de código no canto superior direito e numeradas (1/x, 2/x(…), x/x) no canto inferior direito.
Imagens (facultativo): as imagens ou serão directamente integradas no corpo do texto ou se forem enviadas em folhas próprias, estas deverão ser numeradas e identificadas pelo mesmo número de código, acompanhadas ou não de legenda(s).

DATA LIMITE
A data limite para entrega dos ensaios é 15 de Setembro de 2008 (carimbo dos correios).

MAIS INFORMAÇÕES:
Serviço de Relações Públicas e Internacionais
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
T: +351 22 605 71 03/15
F: +351 22 605 71 98
Email: sre@arq.up.pt
http://sigarra.up.pt/faup/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=566