Foi você quem disse, Drummond?! Quiz!


O que você sabe sobre um dos maiores escritores modernistas do Brasil? O mineiro Carlos Drummond de Andrade nos deixou uma obra preciosa e que vale a pena ser lida e relida. Preparei um quiz rápido, sete perguntas para você testar os seus conhecimentos sobre o autor. Vamos brincar?!

Segue o link. clica aqui.

estátua ItabiraEstátua de Drummond na sua cidade natal, Itabira- Minas Gerais

No próximo post irei explicar cada uma das questões.

 

Anúncios

Sim, nós falamos de amor: II Oficina Falando em Literatura


Falar de amor em tempos de cólera é necessidade. É antídoto para a desesperança, para a dor. É o único caminho. Amor- próprio, amor ao outro, amor à família, amor à natureza, à literatura, à música, às artes, ao belo. A tudo que faz bem.  Amor sincero, verdadeiro, genuíno. O amor puro seja qual for,  nunca é errado ou motivo para repressão e vergonha. Se ama, diga…Purifique- se, regenere- se, liberte- se.

Algumas cenas da oficina “O amor na poesia de Carlos Drummond de Andrade”:

simoneSimone recitando o seu poema.

rafaelO poeta Rafael.

turmaSherlen, Rafael, a pequena Helena, Simone e Deborah participaram na I Oficina e voltaram para a segunda.

Um abraço apertado para a querida Renata, que foi hospitalizada ontem e não tivemos o prazer de contar com a sua presença. Melhoras, querida. E obrigada a todos que participaram!

A próxima oficina será na quarta- feira, 16/11 e vamos falar sobre Antônio Torres, um dos meus escritores favoritos:

oficina-madri


Entre tantas nuances da vasta obra de Drummond escolhi o amor para a oficina de ontem (10/11), porque o amor é o caminho e a solução para tudo. Para os dramas pessoais e coletivos.  “Amar” de Drummond na voz da inesquecível Marília Pêra:

Que pode uma criatura senão,
Entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar,
Amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal, senão
Rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
O que é entrega ou adoração expectante,
E amar o inóspito, o áspero,
Um vaso sem flor, um chão de ferro,
E o peito inerte, e a rua vista em sonho,
E uma ave de rapina.
Este o nosso destino: Amor sem conta,
Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
Doação ilimitada a uma completa ingratidão,
E na concha vazia do amor à procura medrosa,
Paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
E na secura nossa, amar a água implícita,
E o beijo tácito, e a sede infinita.

(C.D.A.)


Que o amor seja a tua motivação, nada mais.

114 anos de Carlos Drummond de Andrade


No próximo dia 31 de outubro, o escritor mineiro de Itabira, completará 114 anos de nascimento. Jornalista,  funcionário público, poeta, contista e cronista, Drummond deixou uma marca forte e inexorável na literatura brasileira. Não entrou para a Academia Brasileira de Letras, mas é mais imortal que muitos imortais. Drummond teve 13 irmãos e seus pais eram primos.

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Casou uma vez e teve dois filhos. Um menino que faleceu recém- nascido e Maria Julieta, paixão do escritor. Ela também foi escritora, mas sem o sucesso do pai. Morreu de câncer aos 57 anos. Drummond, de enfarte doze dias depois, não aguentou a perda da filha.

O autor fez parte do movimento modernista brasileiro (1922- 1960), que é dividido em três períodos com características diferentes. Carlos Drummond fez parte da segunda geração, publicou seu primeiro livro em 1930, “Alguma poesia”, oito anos depois da Semana de Arte Moderna, que inaugurou o Modernismo no Brasil. Os poemas de Drummond falavam da condição do homem, seus sentimentos e problemas cotidianos com muito “lirismo”. A poesia lírica comunica através de ritmo e imagens os sentimentos e emoções do poeta, seu interior.

Há críticos (acabei de ler Jorge Henrique Bastos) que consideram que Drummond foi a voz mais importante da poesia brasileira do século XX.

De hoje até o dia 31, irei postar poemas de Drummond no Facebook, acompanha lá!

O que escolhi para hoje:

NÃO PASSOU

Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?

Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.

As cartas da filha de Drummond para o seu pai


Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31/10/1902- Rio de Janeiro, 17/ 08/ 1987) poeta consagrado no Brasil, tinha um lado doce, carinhoso, era um paizão com a sua única filha Julieta, que faleceu de câncer generalizado 12 dias antes da morte do poeta. Ele tinha um relacionamento super estreito com a filha e não suportou a sua partida.

Fonte: Estadão

Os dois trocavam apelidos carinhosos: Enquanto Drummond chamava Maria Julieta de “julica”, “filha amada” e “filhareca”, Julieta retribuia com “Cacá”, “papai querido” e “poeta amado”.

Olha o capricho de Julieta Drummond escrevendo ao seu pai com apenas 8 anos:

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

( “As sem- razões do amor”)

No dia da morte de Carlos Drummond de Andrade


No dia da morte de Carlos Drummond de Andrade (17/08/1987), há 23 anos, eu estava vivendo o meu primeiro amor na Bahia, chovia e estava nublado no Rio de Janeiro, o Vasco comemorava o campeonato Estadual, estavam acontecendo os jogos Pan- Americanos, Nelson Piquet ficou em 2º lugar no GP na Áustria, também seu aniversário, e o nosso querido Senna havia ficado em 5º lugar.

Como a vida muda. Como a vida é muda. Como a vida é nula. Como a vida é nada. Como a vida é tudo. Tudo que se perde.

No dia da morte de Carlos Drummond de Andrade, o presidente era o José Sarney, os fiéis de um rito esotérico saudavam a nova era na praia, o Brasil jogava a Copa América e estava nas semi- finais contra o México, a estreia nos cinemas era “Sem perdão”, com Richard Gere e Kim Basinger, você podia comprar um Monza dourado, ano 1987, por 570.000 reais.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz. A mão- a tua mão, nossas mãos- rugosas, têm o antigo calor de quando éramos vivos. Éramos?

A gente não tem a ideia que a vida passou não, sabe? é uma experiência que você não pode apreender bem, só mesmo a gente se vendo… Você olhando pra trás,  vê que foi extremamente rápido, é uma coisa curiosa isso, não dá pra gente sentir a idade não,dá pra sentir que o negócio foi muito veloz, um processo demasiado rápido, como se você tomasse um avião superssônico, coisa assim. Eu me lembro de coisas da minha infância, como se tivesse passado ontem, então cheguei à conclusão que tudo passa num minuto mesmo.

Hoje somos mais vivos do que nunca. Mentira, estarmos sós. Nada, que eu sinta, passa realmente. É tudo ilusão de ter passado.

No dia que Carlos Drummond de Andrade morreu, a vida continuou a mesma: fez sol, chuva, o povo foi trabalhar, o dólar subiu, o real baixou, nada mudou, nada.

Os ombros suportam o mundo Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco.

No dia que Carlos Drummond De Andrade morreu, a notícia nem saiu no jornal, porque as edições eram só impressas e saíam de manhã cedo. A notícia saiu no dia seguinte, 18/08/1987, Drummond faleceu de tristeza, disseram que foi do coração, edema e dispnéia, mas ele desistiu de viver. Morreu 12 dias após a morte da sua filha Julieta.

A filha Maria Julieta, a esposa Dolores e Carlos Drummond de Andrade*

Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.

* foto: http://www.fotolog.com.br/ondaalta/20292908