Resenha: Flores tardias (Late bloomers), de Brendan Gill


Livro é uma coisa que me deixa muito feliz. Vou mostrar uma joinha que encontrei perdida “no tempo”.

Nunca é tarde para tentar, recomeçar, ir atrás do que você deseja, e digo sem hipocrisia, eu acredito mesmo nisto. Não existe uma idade determinada para as coisas acontecerem, cada sujeito é único e tem seu tempo próprio de acordo com as suas circunstâncias. Quer começar uma faculdade com 50 anos? Comece! Quer casar de véu e grinalda com 65? Case! Quer se divorciar com 70? Pois, faça! Quem leva em consideração tudo o que pensam os demais e não ouve a si mesmo, não consegue ser feliz.

Na literatura, há inúmeros autores que publicaram tarde e que encontraram tarde o amor. Exemplo: Mario Vargas Llosa terminou um casamento de cinquenta anos para recomeçar com um novo amor aos 79 anos. Está com quase 82 anos agora e feliz da vida. A vida é muito veloz… nosso único objetivo deveria ser a felicidade e não as convenções sociais e religiosas, que mudam com o tempo e são discutíveis. A felicidade não, ela é preciosa sempre.

Quero te deixar exemplos de grandes personalidades que não tiveram medo, não se conformaram por causa do tempo.

Encontrei um livro muito gostoso, “Late bloomers” (1996), escrito pelo jornalista e crítico de cinema e teatro, Brendan Gill (1914- 1997). Ele escreveu para a revista “The New Yorker” por mais de sessenta anos.

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“Late Bloomers”- “Flores tardias” (livre tradução, infelizmente, essa obra não foi traduzida ao português), reúne setenta e oito personalidades das Artes, Ciências e Letras que começaram tarde nos seus ofícios. Os textos vêm acompanhados de fotos.

O autor explica o termo. Existe uma metáfora estadunidense utilizada na botânica, “late bloomer”, para as flores que nascem no final da estação; o termo também é usado na Educação para alunos com problemas de aprendizagem, ou simplesmente, “alunos que não fizeram o que deveriam ter feito” (p.10). Gill aplicou o termo para grandes personalidades que, por motivos diversos, não tiveram a oportunidade de começar cedo. Vou listar alguns nomes de “late bloomers”, que já servem também como dica de leitura:

Miguel de Cervantes

Dispensa apresentações, não é? É o maior representante da literatura em espanhol.  Cervantes publicou tarde, porque sua vida foi uma verdadeira aventura, um milagre ter saído vivo. Era soldado, lutou na Batalha de Lepanto, foi ferido e preso na Argélia. Publicou a primeira parte de “Dom Quixote” em 1605, e a segunda, em 1615, quando tinha cinquenta e oito anos. Faleceu um ano depois.

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Daniel Defoe

Curiosa vida do escritor inglês Daniel Defoe (1660- 1731). Gill conta que o escritor de Robinson Crusoé vivia entre fracassos e sucessos, que era comerciante, vivia correndo dos cobradores e das ameaças de prisão. Era casado e teve sete filhos. Foi agente secreto e jornalista. Com essa profissão começou a publicar artigos. Mais tarde, perto dos sessenta, que descobriu uma forma diferente de escrever, o romance.

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Jonathan Swift 

Foi só com cinquenta e nove anos que o autor de “As viagens de Gulliver” ficou famoso. O irlandês Jonathan Swift (1667- 1745) era filho bastardo e viveu na infância com um tio bastante pobre. Foi padre, mas não celibatário, teve relacionamentos com duas mulheres. Morreu por causa do Alzheimer.

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Edith Wharton

A rica americana Edith Wharton (1862- 1937) nasceu Edith Newbold Jones, o Wharton era do marido, proprietário do Banco de Boston, Edward Wharton. O casamento acabou, porque o marido não lhe satisfazia sexualmente, além de ser infiel. Aos quarenta, Edith divorciou- se e foi para Londres, onde recuperou os anos perdidos, a sua vida amorosa parece ter sido bastante animada. Uma mulher livre, um grande feito naquele tempo.  Edith tinha uma mansão em Massachussetts e outra na França. A vocação como novelista apareceu tarde, mas antes era uma leitora voraz. Está enterrada em Paris.

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São muitos “late bloomers”, cito mais alguns: André kertész, um fotógrafo fantástico, já falei sobre ele aqui, clica; Paul Cézanne, pintor francês; o suiço Jean- Jacques Rosseau, escritor, filósofo, botânico, entre outros; a estilista francesa Coco ChanelIsaac Bashevis Singer, escritor polaco que ganhou o Nobel em 1978; o escritor polaco Joseph Conrad, considerado um dos maiores escritores da língua inglesa…

O incrível é que encontrei este livro em um sebo online por acaso, enquanto procurava outro livro. Inclusive deixo aqui o link do Iberlibros, que reúne várias livrarias de livros usados da Europa. “Late Bloomer” veio de uma livraria inglesa, “Better World Books”, e eu paguei só oitenta e cinco céntimos de euro! O livro veio novo, impecável, como se nunca tivesse sido lido e chegou rapidíssimo.

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Gill, Brendan, Late Bloomers, Artisan, New York, 1996.

Infelizmente, “Late bloomers” está esgotado, mas é possível encontrar alguns exemplares usados. Eu tive muita, mas muita sorte, vi na Amazon uma edição anterior com menos personalidades e sem capa dura por 799 euros! Mas eu achei uma edição igualzinha a minha por 15, 26 euros, corre que só tem um! Clica aqui.

“Late bloomers” foi publicada um ano antes da morte do autor. É uma obra inspiradora, Gill nos deixou um belo legado. Livros assim não podem morrer.

 

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400 anos sem Cervantes e “Dom Quixote de La Mancha” para download grátis.


Hoje completa 400 anos do falecimento de Miguel de Cervantes, que está sepultado em Madri, no Convento de las Trinitarias, no Barrio de las Letras. Hoje tem festa na cidade, “La noche de los Libros”, promovido pela prefeitura, com eventos em muitos lugares.

Eu estou lendo a obra e fiz duas resenhas só com dados básicos e a introdução do livro, que é muito complexo e que deve ser lido e resenhado com parcimônia e respeito.

Leia aqui e aqui, as duas resenhas (em breve, mais uma).

Vou te convidar pra ler comigo, topa?! Não tem desculpa, já que vou te deixar abaixo dois e-books grátis. Por que dois? Porque Cervantes escreveu Dom Quixote em duas partes, em épocas diferentes e te deixo aqui a obra completa. Vamos?!

“Dom Quixote”, primeira parte.

“Dom Quixote”, segunda parte.

Amanhã é o Dia Internacional do Livro. A festa começou na Espanha e espalhou- se pelo mundo todo. A tradição é presentear com rosas e livros.  Comemore lendo um livraço e conte- me depois, combinado?!

Aproveito para mostrar essa dupla incrível, que mora na minha biblioteca:

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Por escritores como Miguel de Cervantes, que transcendem o tempo, tudo isso aqui vale a pena. Cervantes deu vida ao “Dom Quixote”, que parece tão real e atual, por esse tipo de literatura viva, artística, profunda, linda, que eu continuo aqui; com esperança de conquistar alguns leitores dessas grandes obras.

Resenha II: Dom Quixote de La Mancha


A resenha era pra ser do capítulo I ao X, mas a edição de uma revista na Espanha arrebatou totalmente o meu tempo. Fica aqui um pouco da bio de Cervantes e a resenha até o capítulo II.

Um pouco da biografia de Miguel de Cervantes. 

Nascido em na cidade de Alcalá de Henares, na Comunidade de Madri, Espanha, provavelmente no dia 29 de setembro de 1547 (dia de São Miguel, por isso seu nome) Miguel de Cervantes Saavedra, filho de Rodrigo Cervantes, um “zurujano sangrador”, que era uma mistura entre médico e barbeiro, e filho de Leonor de Cortinas. O casal teve sete filhos, três meninas e quatro meninos, Miguel foi o quarto. Ele nasceu em casa, onde hoje funciona seu museu. Morou pouco tempo em Alcalá de Henares, a família mudou- se para Valladolid quando Miguel tinha 4 anos. A família alugou uma casa na rua Rastro (hoje funciona um museu de Cervantes), mas durou pouco também, apenas dois anos. Voltaram para Alcalá de Henares outra vez. Depois disso Cervantes mudou para Córdoba, Sevilha, Toledo e Madri, durante sua vida adulta não parou muito tempo em nenhum lugar. Os estudiosos dizem que seu pai fugia dos cobradores. Cervantes voltou adulto para Valladolid e foi nessa cidade que escreveu o prólogo de “Dom Quixote”, leia aqui a resenha.

No ano passado, historiadores, arqueólogos e geofísicos afirmaram (ainda que não seja possível afirmar 100%, já que o DNA está deteriorado depois de 400 anos) que os restos mortais de Cervantes estão na igreja das Trinitárias, em Madri. Aqui na Espanha, o evento foi transmitido ao vivo na TV, um grande rebuliço, cientistas e pesquisadores dando seus pareceres favoráveis ao achado. Então, até que provem o contrário, Miguel de Cervantes é meu vizinho, jaz na cidade de Madri junto a sua esposa Catalina Salazar Vozmediano. Não tiveram filhos. Cervantes, aos 37 anos, era apaixonado por Ana Franca de Rojas (uma mulher casada), com quem teve sua única filha, Isabel de Saavedra. Cervantes não acabou com o seu grande amor, ele estava comprometido com Catalina e Ana morreu cedo. Nas próximas resenhas irei contando mais.

Continuando a leitura de “Dom Quixote”.

O livro é dividido em duas partes, a primeira com 52 capítulos. E para introduzir a segunda parte, acontecem de novo todos os protocolos do início da primeira, a burocracia, pagamento de taxas, erratas, aprovação e também um novo prólogo, como se fosse um segundo livro.

1ª parte: os capítulos são  introduzidos com um título. O primeiro:

I. Que trata da condição e exercício do famoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha

O célebre início:

Em algum lugar de La Mancha, cujo nome não quero recordar, não faz muito tempo que vivia um fidalgo…(p.27)

A descrição de dom Quixote: 50 anos, magro, rosto fino, gosta de acordar cedo e de caçar. O sobrenome, “dizem”, Quijada ou Quesada.  Tudo indica que dom Quixote (antes Quijada)  tenha existido mesmo, é um personagem real, famoso antes desse livro, que foi sendo reconstruído à base de testemunhas, nem sempre concordantes entre si. Quijada era um grande leitor, tanto, que até esquecia de administrar a sua fazenda e de caçar. Vendeu terras para comprar coleções de livros de cavalaria, gostava do escritor Feliciano de Silva. Desses livros de Feliciano destacou essa frase (p. 29):

La razón de la sinrazón que a mi razón se hace, de tal manera mi corazón enflaquece, que con razón me quejo de vuestra fermosura. 

(Algo assim: “A razão da irracionalidade que faço a minha razão, dessa forma o meu coração  enfraquece, que com razão me queixo de sua beleza.”)

Quijada ia lendo essas coisas e perdendo o juízo. Ele tentava entendê- las, mas nem Aristoteles as entenderia, pensava. Por causa dessas leituras sentia também vontade de escrever. Há muitas referências bibliográficas, autores medievais de romances de cavalaria, caso você queira conhecer esse tipo de literatura fascinante e antiga, como Amadís de Gaula, Palmerín de Inglaterra, Belianís, por exemplo. E uma obra de referência, uma verdadeira enciclopédia sobre o assunto, é o livro de Ríquer, “Os trovadores”, depois mostro em outra ocasião.

Quijada varava as noites lendo, tantas sem dormir, que perdeu o juízo, já não diferenciava a realidade da ficção. E quis viver tudo o que lia nas histórias de cavalaria, decidiu sair pelo mundo. Assim surgiu “dom Quixote”, que saiu pelo mundo com a arma velha dos seus bisavós e com seu cavalo Rocinante, “um nome alto, sonoro e significativo” (p.32). Os fidalgos não recebiam o tratamento de “dom”, mas Quijana ao mudar seu status para “cavaleiro”, ganhou esse direito. Escolhidos o nome do cavalo e o seu próprio, “Quixote”, que é uma parte da armadura que protege a coxa, agora “só faltava encontrar a dama a quem apaixonar- se, porque o cavaleiro andante sem amores era árvore sem folhas e sem fruto e corpo sem alma” (p.33).

A moça escolhida foi uma lavradora chamada Aldonza Lorenzo, que Quixote achou melhor mudar para estar mais a sua altura, decidiu chamá- la”Dulcinea del Toboso”. Toboso fica atualmente na província de Toledo. “(…) nome, a seu parecer, músico e peregrino e significativo, como todos os demais que a ele e suas coisas havia posto”. (p.33)

Capítulo II: Que trata da primeira saída que da sua terra fez o engenhoso dom Quixote:

Os capítulos são curtos, cinco ou seis páginas mais ou menos. Nesse segundo, o narrador conta como o mais novo desbravador da velha Espanha saiu pela primeira vez do seu “pueblo” (povoado).

Uma curiosidade: saber português está ajudando na leitura de Cervantes sem a adaptação ao espanhol atual. Muitas notas explicam o que Cervantes quis dizer, colocam sinônimos, mas a maioria delas para os lusofalantes são desnecessárias (creio eu), pois nos são familiares.

Quixote, armado e vestido, sai montado em Rocinante de madrugada sem comunicar a ninguém sobre a aventura prestes a ser empreendida. Foi quando percebeu que estava cometendo um engano. Os cavaleiros não usavam arma de fogo, só “arma branca” (facas, espadas e afins) e que um digno cavaleiro como os dos romances que lia, usavam mesmo era um escudo e uma espada. . E dessa forma, temos o Dom Quixote vestido e paramentado, como no desenho abaixo:

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Dom Quixote, determinado, ingênuo e sonhador tinha a certeza que no futuro, um sábio escreveria as suas façanhas. O recém- nomeado cavaleiro antecipava os fatos: seu cavalo era famoso sem ser, Dulcinea, sua namorada, sem conhecê- la, o que o narrador classifica de “disparate” (p. 36), considera o recém- cavaleiro um desmiolado.

O narrador conta a história como se Quixote fosse real: “há autores que dizem que a primeira aventura que lhe aconteceu foi a de ‘Puerto Lápice’; outros dizem que foi a dos moinhos de vento.” (p.36)

A edição lida nesse post:

Cervantes, Miguel de. Don Quijote de La Mancha. Edición Conmemorativa VI centenario Cervantes. Alfaguara, 2015. Páginas: 1249

Crédito da imagem: clica.

Vinte dicas de livros para o Natal, “whish list”.


Quer presentear (ou receber) livros de Natal e não sabe qual escolher? Então segue uma lista de livros com edições incríveis, especiais, para agradar todos os gostos. Todos eles você pode comprar online:

Da Livraria Cultura (Brasil) selecionei esses boxes e edições especiais:

1. Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, em forma de novela gráfica. O texto original foi preservado.

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O principal romance da literatura brasileira do século XX ganha adaptação inédita em graphic novel, preservando o texto de Guimarães Rosa, considerado um dos maiores escritores nacionais. Riobaldo recebe um visitante em sua fazenda para quem conta sua história. As memórias do narrador vão de sua infância até as reviravoltas do destino que o levaram a se tornar um jagunço. Envolve-se com Zé Bebelo, que pretendia pacificar o sertão, e em guerras entre os bandos de Hermógenes e Joca Ramiro. Riobaldo atravessa a vastidão do sertão ao lado de Diadorim, participando de disputas por riqueza e vingança. A graphic novel respeita a complexidade de Grande Sertão – Veredas. Com roteiro do diretor de cinema Eloar Guazzeli, a obra transpõe cenas de batalhas surpreendentes para os quadrinhos, dando um ritmo cinematográfico. O ilustrador Rodrigo Rosa não se limita a retratar as paisagens do sertão, mas explora os seus contrastes, a natureza se torna um elemento narrativo, que compõe o clima do romance gráfico. A adaptação convida os fãs do romance a redescobri-lo e apresenta aos novos leitores a grandeza dessa obra. Outro destaque da edição é o projeto gráfico, concebido para uma tiragem limitada. O livro é protegido por uma luva de acetato vermelho e fora dela, um trecho do livro se revela na capa. Além disso, o volume tem a lombada solta, e artesanal, de forma que a ilustração da capa possa ser vista por inteiro e expondo detalhes como a lombada e a costura dos cadernos.Alice no País das Maravilhas, edição comemorativa dos 15o anos (2 volumes).

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Link para o livro aqui.

2. Alice no País das Maravilhas:

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Era uma vez uma garotinha que dormitava ao lado da irmã quando de repente viu passar um coelho branco de ar apressado, que tirou um relógio do colete, exclamou “Vou chegar muito atrasado!” e assim deu início às extraordinárias Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Publicado há exatos 150 anos, o clássico de Lewis Carroll não perdeu nada de seu poder de encantar e intrigar as crianças e os adultos dispostos a acompanhar a jovem heroína, seja nesse País das Maravilhas em que parecem abolidas as regras, fronteiras e proporções, seja no enigmático mundo que se descortina no segundo volume, Através do espelho e o que Alice encontrou lá. Para celebrar o primeiro século e meio de Alice, a Editora 34 e a Coleção Fábula relançam a tradução integral do poeta Sebastião Uchoa Leite, com diversos poemas traduzidos por Augusto de Campos e com as 92 ilustrações originais de John Tenniel.42893816_9_G     Link para o livro, clique aqui.  

3. Trilogia Star Wars:

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As histórias clássicas de Luke Skywalker, Han Solo, Princesa Leia, Mestre Yoda e Darth Vader vão ganhar as páginas luxuosas de ‘Star Wars – A Trilogia’. Este livro reúne os romances inspirados nos três primeiros filmes do universo fantástico criado por George Lucas – Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi.

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Link para os livros, clique aqui.

4. A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, edição comemorativa dos 50 anos.

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Romance original, desprovido das características próprias do gênero, ‘A paixão segundo G.H.’ conta, através de um enredo banal, o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco, processando-se, então, uma revelação. G.H. sai de sua rotina civilizada e lança-se para fora do humano, reconstruindo-se a partir desse episódio. A protagonista vê sua condição de dona de casa e mãe como uma selvagem. Clarice escreve – ‘Provação significa que a vida está me provando. Mas provação significa também que estou provando. E provar pode ser transformar numa sede cada vez mais insaciável.’

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Link para o livro, clique aqui.

5. Obras completas de José Saramago (dois volumes):

Os dois volumes incluem: 1º, Coleção de livros do autor José Saramago. Inclui os títulos ‘Memorial do convento’, ‘Levantado do chão’, ‘Manual de pintura e caligrafia’, ‘O ano de 1993’ e ‘As pequenas memórias’; 2º,  Inclui os títulos ‘Ensaio sobre a cegueira’, ‘Ensaio sobre a lucidez’, ‘Que farei com este livro?’, ‘In nomine dei’ e ‘Don Giovanni’.

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Link para o primeiro volume.

Link para o segundo volume.

6. Histórias da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux, 10 livros (alguém poderia me dar essa coleção de presente!) 🙂

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Depois da publicação de História da Literatura Ocidental em quatro volumes, a Leya lança agora a produção de Otto Maria Carpeaux em uma caixa que contém sua mais famosa obra em dez volumes menores, no formato bolso. Da literatura grega à contemporânea (Carpeaux constrói sua narrativa até a década de 1970), o autor tece suas críticas em um estilo completamente único. Seu tão aclamado eruditismo nos leva ao conhecimento dos mais importantes autores da literatura ocidental. Conteúdo da obra por volume; História da Literatura Ocidental, volume 1 – Dos gregos e romanos ao primeiro século do cristianismo; (dimensão 17x12x0,02; peso 0,15 gramas páginas 160) História da Literatura Ocidental, volume 2 – A fundação da Europa, o universalismo cristão, a literatura dos castelos e das aldeias, o Trecento (Dante, Petrarca, Boccaccio), o realismo e o misticismo medievais; (dimensão 17x12x0,02; peso 0,200 gramas; páginas 250) História da Literatura Ocidental, volume 3 – Os humanistas italianos e a literatura renascentista europeia, os humanistas cristãos e a reforma; (dimensão 17x12x0,04; peso 0,200 gramas; páginas 304) História da Literatura Ocidental, volume 4 – Poesia e teatro da contrarreforma, pastorais, epopeias e romance picaresco, o barroco protestante, a literatura oposicionista; (dimensão 17x12x0,05; peso 0,200 gramas; páginas 576) História da Literatura Ocidental, volume 5 – As origens neobarrocas, o arcadismo, o classicismo racionalista, o pré-romantismo, os enciclopedistas, o último classicismo; (dimensão 17x12x0,06; peso 0,300 gramas; páginas 560) História da Literatura Ocidental, volume 6 – Das origens do romantismo ao fim do movimento – o evasionismo, o byronismo, os radicais e utopistas; (dimensão 17x12x0,06; peso 0,300 gramas; páginas 496) História da Literatura Ocidental, volume 7 – O romance burguês, darwinismo e fatalismo, o romance psicológico, o século XIX; (dimensão 17x12x0,07; peso 0,350 gramas; páginas 528) História da Literatura Ocidental, volume 8 – O simbolismo, o fim do século XIX, a época do equilíbrio europeu (1900 a 1914). Nietzsche, Oscar Wilde, Mallarmé, Rimbaud e outros; (dimensão 17x12x0,07; peso 0,350 gramas; páginas 528) História da Literatura Ocidental, volume 9 – As vanguardas europeias, as revoltas modernistas, a I Guerra Mundial. Freud, Joyce, Proust, O’Neill, Franz Kafka, entre outros; (dimensão 17x12x0,04; peso 0,200 gramas; páginas 288) História da Literatura Ocidental, volume 10 – A literatura contemporânea, o existencialismo, a II Guerra Mundial e suas consequências. Saint-Exupéry, George Orwell, Camus, Calvino, Gabriel García Márquez, Cortázar, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e outros autores; (dimensão 17x12x0,04; peso 0,200 gramas; páginas 336)

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Link para a caixa (não se esqueçam de mim!) 🙂

Da Livraria Saraiva, Brasil, selecionei esses livros:

7.  O mochileiro das galáxias (5 livros). Esse é para a galera geek- nerd e afins:

É uma série que surgiu na década de 70, do escritor e comediante inglês Douglas Adams. Ele era roteirista de Monty Phython e acabou virando uma obra de culto. (Quem quiser e dar de presente também aceito!). 🙂

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Link para a coleção.

8. Poesias completas de Mário de Andrade. (Esse também pode me enviar numa boa!):

Descrição
Em 1943, no plano de suas Obras Completas, que Mário de Andrade polígrafo (1893-1945) arma para a Livraria Martins Editora, Poesias completas deveria ampliar o conteúdo de Poesias, seleta que, em 1941, revisita os títulos publicados no modernismo da década de 1920 – Pauliceia desvairada (1922), Losango cáqui (1926), Clã do jabuti (1927) –, e em 1930, Remate de males, trazendo também os inéditos “A costela do Grã Cão” e “Livro azul”. Poesias completas abrangeria a integralidade dos livros até 1930, os inéditos divulgados em 1941 e novos inéditos como O carro da Miséria. Apenas em 1955, dez anos após a morte do autor, a obra se concretiza. A presente edição de Poesias completas busca restituir, nos textos apurados mediante o confronto com edições em vida e manuscritos, o projeto original de Mário de Andrade para esse livro. Anotada e acrescida de documentos, contribui vivamente para a história da literatura no Brasil.

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Da Livraria Submarino, Brasil, selecionei esses livros:

9. Box Jane Austen Bilíngue – Português/Inglês:

Jane Austen foi uma das maiores escritoras de romances do mundo. Considerada uma das responsáveis pela grande aceitação do gênero entre as mulheres, suas obras sempre lidam o lado feminino da burguesia inglesa de seu tempo.

A obra desta aclamada escritora tem sido constantemente adaptada para o teatro, cinema e televisão; nos meios acadêmicos, tem gerado abundantes e fecundos estudos de sua dimensão estética, sociológica e histórica; em vários países, inclusive o Brasil, são-lhe dedicados ativos e entusiasmados fã-clubes; e, na web, há um número assombroso de paginas que remetem a Jane Austen.

Este Box Jane Austen conta com grandes clássicos da escritora, obras que também entraram para o cânone dos melhores livros em literatura inglesa. Todos os livros são em edição bilíngue, e você pode acompanhar o original em inglês e aprofundar ainda mais seus conhecimentos sobre língua e literatura inglesa.

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10. Box Clássicos Zahar Edições Bolso de Luxo, que Brilham no Escuro II. Lindos!

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11. Coleção O Tempo e o vento (7 Livros), quero!

Os sete volumes da trilogia O tempo e o vento agora reunidos numa caixa. São 150 anos de história do Brasil protagonizados por personagens inesquecíveis, como a forte Ana Terra e o valente capitão Rodrigo Cambará. As disputas familiares, as brigas pelo poder e as guerras civis são narradas por Erico Verissimo nesta que é uma das mais célebres sagas da literatura brasileira.
Todos os volumes trazem ilustrações de Paulo von Poser e uma cronologia que relaciona fatos históricos a acontecimentos ficcionais da trilogia e a dados biográficos de Erico Verissimo.

A caixa contém:
– O Continente: Vols. 1 e 2
– O Retrato: Vols. 1 e 2
– O Arquipélago: Vols. 1, 2 e 3

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Da Estante Virtual (Brasil), eu selecionei toda a obra de Autran Dourado, um dos autores que vou resenhar em 2016:

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Link para os livros.

Da Bertrand Livreiros (Portugal), eu selecionei:

12. Pack Peanuts de Charles M. Schulz (Eu amo a turma do Snoopy!)

Uma das mais famosas tiras cómicas da história aclamadas pelo público leitor de todo o mundo. As personagens de Charles M. Schulz – Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus, Schroeder e muitos outros – tornaram-se ícones mundiais. Em 1999, um júri americano de peritos em comics afirmou os Peanuts como as segundas melhores tiras cómicas do século XX. Em 2002, um estudo identificou os Peanuts como um cartoon reconhecido por 94% do total do público leitor americano, sendo apenas suplantados pelo rato Mickey. Os Peanuts nasceram em 1950 e foram publicados em cerca de 2600 jornais e em 21 línguas diferentes. No volume 5 editam-se-se as tiras publicadas em 1959 e 1960 e no volume 6 editam-se-se as tiras publicadas em 1961 e 1962.

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Link para o pack.

13. Pack Grandes Thrillers, para quem gosta de suspense.

A um preço imbatível, a editor reúne três obras em que os leitores irão ser arrebatados pela intriga, acção, suspense e enredos apaixonantes. O Codex Maia de Douglas Preston, um thriller arqueológico fascinante com um clímax de cortar a respiração, O Falsificador de Da Vinci de Thomas Swan, um mistério verdadeiramente emocionante sobre o mercado internacional de arte, e O Prestígio de Christopher Priest, uma história sobre segredos obsessivos e uma rivalidade levada ao extremo por dois mágicos do século passado. Três thrillers soberbos com histórias inesquecíveis, agora disponíveis num pack a que o leitor não ficará indiferente.

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Da Livraria Wook (Portugal), gostei dessa edição:

14. Edição comemorativa do quarto centenário da publicação de “Os Lusíadas”:

Obra editada no IV centenário da publicação da obra. Desenhos originais de Gouvêa Portuense, prefaciada pelo Professor Doutor Manuel Lopes de Almeida Obra encadernada. Ilustrada ao longo das suas 1102 estâncias com cerca de 1500 Iluminuras, impressas a 9 cores.
As dez aberturas do Poema foram pintadas, numa alusão ao canto.
Texto fac-similado, em homenagem à primeira edição.

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Da Livraria La Central (Espanha), escolhi esses livros:

15. “Mi planta de naranja lima”, de José Mauro de Vasconcelos. O nosso Zezé em espanhol.

De mayor Zezé quiere ser poeta y llevar corbata de lazo, pero de momento es un niño brasileño de cinco años que se abre a la vida. En su casa es un trasto que va de travesura en travesura y no recibe más que reprimendas y tundas; en el colegio es un ángel con el corazón de oro y una imaginación desbordante que tiene encandilado a su maestra. Pero para un niño como él, inteligente y sensible, crecer en una familia pobre no siempre es fácil; cuando está triste, Zezé se refugia en su amigo Minguinho, un arbolito de naranja lima, con quien comparte todos sus secretos, y en el Portugués, dueño del coche más bonito del barrio. Publicada por primera vez en 1968, Mi planta de naranja lima es la emocionante historia de un niño al que la vida hará adulto precozmente. En esta novela, José Mauro de Vasconcelos recreó sus recuerdos de infancia en el barrio carioca de Bangú con un lirismo y una ternura que cautivaron a los lectores desde su aparición y que la han convertido en uno de los libros más leídos de la literatura brasileña contemporánea.

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Da Livraria Pasajes (Espanha), recomendo estes:

16. O livro do desassossego, de Fernando Pessoa.

O «Livro do Desassossego é um dos maiores feitos literários do século XX. Obra-prima póstuma, retrato da cidade de Lisboa e do seu retratista, compõe-se de centenas de fragmentos, oscilando entre diário íntimo, prosa poética e narrativa, num conjunto fundamental para compreender o lugar de Fernando Pessoa na criação da consciência do mundo moderno.
Jerónimo Pizarro, reconhecido estudioso pessoano, regressa às fontes dos textos que Fernando Pessoa pretendia incorporar no «Livro do Desassossego e redefine o cânone da sua autoria. Com uma nova organização e aperfeiçoando a decifração de quase todos os fragmentos, este livro reúne os atributos para se tornar a edição de referência.

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17. A chinela turca, contos fantásticos de Machado de Assis.

Os contos fantásticos de Machado de Assis, bem pautados pelo estilo francês, concentram o teor mágico e insólito das suas narrativas no elemento onírico. É por meio do sonho, loucura, delírios ou alucinações que os protagonistas se defrontam com aparições fantasmagóricas, aventuras inacreditáveis, ameaças de morte, encontros com cientistas insanos e viagens astrais. Geralmente o enredo tem início em ambientes verosímeis, que em nada remetem ao surreal. E dessa forma Machado conduziu muito bem os seus textos deste teor. Vivendo num mundo crível, monótono e enraizado no quotidiano, os protagonistas são repentinamente lançados em ambientes mágicos, maravilhosos, e que fogem das leis normais da compreensão humana, como em A Chinela Turca, conto que dá título a este livro.

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Da Fnac Brasil, escolhi esses:

18. Os melhores contos brasileiros de todos os tempos, seleção de Flávio Moreira da Costa.

Espero que a seleção corresponda ao título. Sempre é bom ter uma coletânea de bons textos.

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19. Miguel Angelo – Obra completa. Para o pessoal que aprecia Arte:

Resenha
Before reaching the tender age of thirty, Michelangelo Buonarroti (1475-1564) had already sculpted David and Pièta, two of the most famous sculptures in the entire history of art. Like fellow Florentine Leonardo da Vinci, Michelangelo was a shining star of the Renaissance and a genius of consummate virtuosity. His achievements as a sculptor, painter, draughtsman, and architect are unique—no artist before or after him has ever produced such a vast, multi-faceted, and wide-ranging oeuvre. Only a handful of other painters and sculptors have attained a comparable social status and enjoyed a similar artistic freedom. This is demonstrated not only by the frescoes of the Sistine Chapel but also by Michelangelo’s monumental sculptures and his unconventional architectural designs, whose forms went far beyond the accepted vocabulary of his day. Such was his talent that Michelangelo was considered a demigod by his contemporaries and was the subject of two biographies during his lifetime. Adoration of this remarkable man’s work has only increased on the intervening centuries. Following the success of our XL title Leonardo da Vinci, TASCHEN brings you this massive tome that explores Michelangelo’s life and work in more depth and detail than ever before. The first part concentrates on the life of Michelangelo via an extensive and copiously illustrated biographical essay; the main body of the book presents his work in four parts providing a complete analytical inventory of Michelangelo’s paintings, sculptures, buildings and drawings. Grorgeous, full page reproductions and enlarged details bring readers up close to the works. This sumptuous tome also takes account, to a previously unseen extent, of Michelangelo’s more personal traits and circumstances, such as his solitary nature, his thirst for money and commissions, his miserliness, his immense wealth, and his skill as a property investor. In addition, the book tackles the controversial issue of the attribution of Michelangelo drawings, an area in which decisions continue to be steered by the interests of the art market and the major collections. This is the definitive volume about Michelangelo for generations to come.

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E o último da livraria Iberlibro (Espanha):

20. El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha ilustrado por Dalí. Esse custa 8.900 euros!

Edição limitada com 993 exemplares ilustrados por Salvador Dalí.

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Link para o livro mais caro da lista.


 

Gostou da lista? Espero que ela te sirva de inspiração.

Resenha I- Dom Quixote de La Mancha


Dom Quixote de La Mancha começa bem curioso e engraçado. Uma série de protocolos da época, uma carta de Cervantes ao rei, uma do rei, carta do escrivão, de um licenciado em Letras que dá a sua palavra que as erratas estão de acordo com o livro, tudo isso antes de começar a narrativa propriamente dita. Depois vem o prólogo de Cervantes. Ele dirige- se diretamente ao leitor. Só as duas primeiras palavras já fizeram- me rir: “Desocupados leitores”. Por que será que ele acreditava que só os “desocupados” leriam a sua obra? Por que não a considerava boa ou por sua extensão? Nada disso, ironia pura.

Ele explica que os pais quando têm um filho muito feio e sem graça, normalmente, o protegem, “colocam uma venda nos olhos” e por causa do amor que lhes têm, fingem não enxergar seus defeitos. Mas ele, “que, ainda que pareça um pai, sou padrasto de dom Quixote, não quero ir com a corrente usual (…)” (p.7). Ou seja, ele vai delatar o pobre do Dom Quixote em todas as suas faltas, e a si mesmo (no prólogo) com muita ironia.

Só com o prólogo, que é super bem elaborado, você já recebe uma aula de espanhol (delícia ler essa obra no original!), conheci conjugações verbais que ainda não tinha lido em nenhum lugar, um léxico desconhecido, fora a aula prática de literatura, como se deve escrever um texto.  Cervantes deveria ser leitura obrigatória para todo aspirante a escritor.

Começou emocionante, deu aquele friozinho na barriga e a pergunta interna que não cala até agora: “por que eu não li isso antes?!” Ele inovou ao escrever o prólogo. Disse que não iria fazer como todos faziam: colocar citações de Aristoteles, Platão e de nenhum filósofo, nem a Bíblia. Cervantes, com 57 anos, disse que era um homem de “poucas letras”, por isso não iria mostrar falsa erudição colocando prólogo nem conclusão no livro. Há ironia nisso e, certamente, uma alfinetada nos seus contemporâneos, principalmente o popular poeta Lope de Vega, seu desafeto. Depois diz que é preguiça mesmo. Acho que estava cansado da mesmice do seu tempo. Mais ao menos como nós agora. Ele cita duas frases de Horácio, uma de Ovídio e duas do evangelho, todas em latim, que seus colegas usavam na época, em modo ironia. Coloco uma aqui de Ovídio, que ele utilizou para ridiculizar os escritores, atribuiu a autoria a Catón (p.11), insinuando a falsa erudição dos colegas, que nem sabiam de quem eram os dísticos que utilizavam.

Enquanto és feliz terás muitos amigos; se os tempos forem difíceis, estarás sozinho.

Só o prólogo já deu pano pra manga. Eu não vou contar tudo, mas Cervantes deu uma coça na turma da época. O que me dá mais coragem para seguir em frente com o meu papel de crítica, detonando as obras- “basura”, que estão enfiando goela abaixo do leitor inexperiente. A quantidade de escritor medíocre que anda surgindo me provoca um arrepio de mal estar. Que critiquem a crítica, estou vacinada, o que penso sobre a arte literária e os que estão longe dela, será dito.

Nesse prólogo de 20 páginas (veja o livro no final do post) é escárnio puro. Zomba dos colegas sem nenhum pudor. Depois ele explica um pouco quem é o famoso Dom Quixote: um apaixonado, honrado e valente cavaleiro de Montiel, que tem um fiel escudeiro, Sancho Pança. Termina o prólogo com uma palavrinha: “Vale”. Parece que não significa nada, não é? Errado. É uma alusão ao frei “Antonio de Guevara, autor das “Epístolas familiares”, que usa o nome de três prostitutas da Antiguidade no seu livro e apoderou- se da autoria. Um falso erudito.

Há que se fazer uma leitura atenta de Cervantes, pois nada é por acaso. A obra é muito trabalhada, muita “transpiração”.  Depois do prólogo, Cervantes colocou dez sonetos de sua autoria contrariando, outra vez, o costume de colocar poemas de amigos abrindo as obras.  O “cara” escreveu os poemas “Al libro de Don Quijote de la Mancha” e “Del donoso poeta entreverado, a Sancho Panza y Rocinante” cortando ao meio todas as palavras no final dos versos, tipo…deu uma banana à tradição da época e os que pensavam que sabiam tudo e queriam que os outros fizessem igual.  Cervantes foi o primeiro poeta concretista! 🙂

Aconselho que você preste atenção quando for comprar essa obra, porque há muitas adaptações. Compre alguma edição com o texto integral. As adaptações são um insulto ao leitor, pois tentam encurtar ou “facilitar” a leitura, maculando e depredando verdadeiras obras- primas.

Quando vier à Espanha, não deixe de visitar o Museu Casa Natal de Cervantes, que fica na charmosa cidade de Alcalá de Henares ( adoro!) pertinho de Madri. A entrada é gratuita e você pode conhecer onde nasceu um dos maiores escritores do mundo e de todos os tempos. Até o dia 14 de fevereiro está acontecendo uma exposição de ilustrações do espanhol Miguelanxo Prado:

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Como eu não quero posts muito longos, termino por aqui. Já viram que não vai dar pra ser sucinta com esse livro.

Possivelmente, a edição abaixo seja a melhor em formato low cost dessa obra. Custa só 13, 90 euros e vem com textos de Dario Villanueva, que é o diretor da Real Academia Española, Mario Vargas Llosa, Francisco Ayala, Martín de Ríquer (falecido em 2013), que eu reverencio, pois era um incrível especialista em literatura medieval, ele tem uma obra chamada “Os trovadores”, que é de chorar de tão incrível. A edição e notas são de Francisco Rico. Só fera!

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Cervantes, Miguel de. Don Quijote de La Mancha. Edición Conmemorativa VI centenario Cervantes. Alfaguara, 2015. Páginas: 1249

Leia aqui o primeiro post sobre esse livro, o de introdução.

Dez livros essenciais (que eu ainda não li)


Eu tenho uma lista de livros que eu ainda não li e que deixa- me bastante incomodada. São livros essenciais na biblioteca de qualquer bom leitor (leitor de qualidade e não de quantidade) e que eu necessito urgente eliminar dessa lista incômoda. Obviamente, o universo de excelentes e importantes livros é bem maior do que uma existência só pode abarcar. Escolhi alguns que estão na minha biblioteca e preciso devorá- los já!

  1. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra

Eu moro na Espanha, sou formada em Letras, mestre em Literatura, dona de um blog literário,  e ainda não li a principal obra do país que me acolheu e um dos livros mais importantes do planeta. Não é uma vergonha?! É! Por isso, esse é prioridade total e começarei hoje mesmo essa leitura.

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Essa é uma edição espanhola da Anaya, capa dura, com ilustrações do premiado José Ramón Sanchez, ou seja, bem caprichada e muito barata, acho que custou menos de 10 euros. O Quixote talhado na madeira está sem o Sancho, que foi vendido sem o amigo. Fiquei com pena dele e o trouxe lá de Santiago de Compostela. Preciso achar o Sancho parecido.

2. Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust

Eu não posso negar a minha quedinha pelos franceses. “Em busca do tempo perdido” é uma obra extensa, mais de 3 mil páginas divididas em sete livros. Eu só li o primeiro, “Em busca de Swann” , “Pelo caminho de Swann” (há variações, depende da edição). É uma obra que estou impaciente para terminar. A foto é do segundo livro:

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3. MacBeth, de William Shakespeare

O clássico dos clássicos, o maior escritor de língua inglesa. Como que a gente pode não ler esse cara?! Eu já li os sonetos, Hamlet e Romeu e Julieta. Tenho que ler a obra toda. Essa edição da Planeta é linda, ela está em um estojo e as ilustrações são de nada mais, nada menos que Salvador Dalí!

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4. As mil e uma noites, vários autores

Quem nunca ouviu falar da Scheherazade? Não é aquela do jornal do SBT não, viu? Eu já li histórias dispersas, mas gostaria de entender melhor o conjunto da obra. Nem sei se é possível isso,  já que é uma antologia de contos populares da antiga Pérsia, os países árabes, Índia. Nesse livro é possível entender muito do se escreve hoje em dia, influenciou e influencia ainda muitos escritores.

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5. Bel Ami, de Guy de Maupassant

É um autor que eu quero muito conhecer, vou começar pelo mais famoso e ir descobrindo a obra pouco a pouco.

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6. Antagonia, de Luis Goytisolo

Eu conheci pessoalmente esse autor e tenho quase toda a sua obra autografada, menos esse da foto, seu livro mais importante, que ficou em casa porque é um calhamaço, mais de 1000 páginas. A crítica diz que é o “Proust espanhol”. Goytisolo é da Real Academia Española.

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7. Retrato do artista adolescente, de James Joyce

Eu tenho uma relação amor-ódio com esse autor, porque não gostei do seu livro mais famoso, Ulisses e adorei o seu livro de contos Dublinenses. Eu quero ler o Retrato e reler Ulisses, acho que não era o momento de ter lido, tenho essa pedrinha no sapato.

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8. Mrs. Dalloway, de Virgínia Woolf

Posso confessar? Então confesso: a literatura inglesa não me atrai. Já comecei a ler mil vezes os livros de Virginia e de outras escritoras inglesas e empaquei. É como uma necessidade imperiosa de conseguir fazer essa leitura, tenho duas amigas, a Fran do Livro & Café, que é especialista em Woolf, inclusive ela está promovendo uma leitura coletiva de “Orlando”, quem quiser participar  chega lá; e outra amiga, a professora doutora Rosângela Neres, que são fãs da autora. Que ela é boa, não tenho dúvida. Eu é que tenho uma barreira a ser vencida, nem sei qual. Vou ler.

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9. Memorial de Aires, de Machado de Assis

Eu AMO Machado de Assis, mas envergonhada, confesso: não li ainda toda a sua obra. Falta esse, Memorial de Aires, faltam alguns contos, faltam todas as poesias, e alguns outros romances. Imperdoável!

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10. Os paraísos artificiais, de Charles Baudelaire

Eu quero ler toda a obra desse poeta “maldito” francês, o livro abaixo está só para representar. As flores do mal é o seu livro mais conhecido, que eu já li, mas que quero fazer uma releitura “esquematizada” para poder fazer uma resenha aqui.

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Esses livros todos juntos…não sei, deve dar umas cinco mil páginas (só Dom Quixote tem mais de 1300 páginas), não sei quanto tempo para ler isso tudo, mas vou tentar. Palavra de leitora. Tenho certeza que depois dessas leituras serei uma pessoa diferente. Acompanha- me?!