Quantas palavras existem na língua portuguesa?


Léxico é o conjunto de lexemas de uma língua, ou simplesmente as palavras, o nosso vocabulário. O léxico da língua portuguesa é bastante extenso, mas utilizamos pouquíssimas palavras no nosso dia- a- dia.  No dicionário Aurélio Online estão catalogados  435.000 verbetes (“verbetes” são as palavras com seus significados no dicionário).

Também chamado de “pai dos burros”, o dicionário também deve ser lido, consultado e estudado por todos (e também por aqueles que vivem em outros países, pois as palavras vão sendo esquecidas) como forma de relembrar, conhecer e enriquecer o nosso vocabulário.

A palavra mais extensa do nosso idioma é: Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconitico (46 letras)  que significa: (pneumo- + -ultra- + microscópico + latim silex, -icis, pedra, pedra vulcânica + latim vulcanus, -i, fogo + coniose) s. f. Med. Doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas (dicionário Priberam online)

Todos os dias são criadas novas palavras e esses novos vocábulos vão sendo incorporados às  novas edições dos dicionários,  os neologismos, como as palavras usadas na informática, como deletar.

Dicionários disponíveis na rede:

Priberam

Aurélio

Michaelis

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O que é Saudade


“Saudade non ten tradución a ningunha língua. Compartida por galegos e portugueses, ten unha diferenza entre ambos. Para os portugueses é ausencia de calquera cousa; para os galegos só da terra, de Galiza, presenza que, aínda estando nela, non é completa. Dicía Rafael Dieste que unha vez nela (Galiza) a terra pide máis, algo que un non sabe o que mís é.”

“Saudade não tem tradução à nenhuma língua. Compartida por galegos e portugueses, tem uma diferença entre ambos. Para os portugueses é ausência de qualquer coisa; para os galegos só da terra, presença que, ainda estando nela, não é completa. Dizia Rafael Dieste que uma vez nela (Galiza) a terra pede mais, algo que a pessoa não sabe o que mais é.”

No encarte do cd “Saudade”, do grupo de música celta galego “Luar na Lubre”, da Galiza, Espanha.

Além do Minho


Maravilhoso blog que fala sobre a cultura e língua galega: “Além do Minho”

Poema em galego de Federico Garcia Lorca:

MADRIGAL A CIBDA DE SANTIAGO

“Chove en Santiago
meu doce amor.
Camelia branca do ar
brila entebrecida ô sol.

Chove en Santiago
na noite escrura.
Herbas de prata e de sono
cobren a valeira lúa.

Olla a choiva pola rúa,
laio de pedra e cristal.
Olla o vento esvaído
soma e cinza do teu mar.

Soma e cinza do teu mar
Santiago, lonxe do sol.
Agoa da mañán anterga
trema no meu corazón.”

Que tal? Fácil de entender, não?!

“Coito”


Minha filha de seis anos:

“Mãe, que significa coito?”

” (…) “- susto!

“Aonde você ouviu essa palavra filha?”

“Quando os miúdos brincam de “apanhada” (esconde- esconde) eles gritam “coito” quando estão salvos.”

Ufffffff…

Coito no Brasil é usado  para referir- se ao ato sexual; já em Portugal, vocês já viram… a palavra “coito” (ou “couto”) é usada também  numa brincadeira infantil com o significado de refúgio, local privado, proibido passar…

O problema da tradução


A tradução é um tema bastante complexo, tanto que há cursos universitários em todas as partes do mundo que tratam só dele,  da tradução. Deixo aqui um texto bastante interessante da Rosângela Neres, onde ela relata a atitude de um professor que indica aos seus alunos que não sabem francês, que leiam Madame Bovary no original. Ela defende a tradução e crê ser absurda a atitude do professor- pensamento ao qual estou de acordo, “Traduzindo a tradução”:

Fico impressionada com a falta de critério de certos comentários. Algumas pessoas falam do que não conhecem com tanta propriedade que chega até a convencer cabecinhas ainda mais desavisadas. Um ex-aluno meu contou-me da vontade enorme de ler Madame Bovary, e que a falta dessa leitura lhe seria sempre frustrante. Então perguntei o porquê de ele ainda não ter lido. Ele respondeu que não sabia francês. Daí, retruquei novamente, perguntando o porquê de ele não ter lido, só porque não sabia francês. E me veio a grande surpresa: um certo professor dele havia dito que ele só poderia ler Madame Bovary se soubesse francês. Foi então que mais uma vez perguntei: E por que você não compra uma boa tradução? Ele ficou espantado.

Continue a leitura aqui.

Reforma Ortográfica entrou em vigor


Vai haver muita confusao, isso sim:  a nova ortografia da língua portuguesa entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2009. Temos que nos adaptar e ter cuidado com as novas ediçoes, pois é bem provável que os próprios editores cometam erros. Estamos de olho.

Falando em erros, teclado de Mac sem til.

Para quê os homônimos e os parônimos?!


É curiosa essa nossa língua portuguesa, complicada muitas vezes, mas só porque querem.

No último livro do Saramago, “A viagem do elefante”, eu notei a palavra “espectadora”  numa frase que fazia referência à “rainha catarina”, escrita assim mesmo em minúscula: “(…) ela participa regularmente nas reuniões de estado, onde nunca se comportou como passiva espectadora“. (p.28)*

Falando nele, adoro Saramago justamente porque ele é um transgressor das regras gramaticais, como no caso do nome da rainha citado acima, e dos seus diálogos que não têm pontuação e não fazem falta. Isso prova que há um excesso de regras desnecessárias.

Eu acho muito sutil a diferença de significado entre espectador, que é aquele que assiste a um concerto, à uma peça de teatro, à televisão, enfim o que assiste a qualquer coisa….e expectador é aquele que espera algo, que tem expectativa. De certa maneira os dois esperam algo, quem assiste e quem tem expectativa. Eu acho que devia ser expectativa tanto para expectador quanto para espectador. Ficava mais simples e fácil.

Na língua portuguesa existem palabras homônimas e parônimas demais que causam confusão, uma bobagem do nosso idioma. Eu reformularia o léxico nesse sentido, pois facilitaria a escrita e a vida de estudantes e leitores.

As palavras com mesmo significado ou significados parecidos deveriam se fundir. Pronto.  As que têm a mesma grafia com significados diferentes deveria desaparecer uma das duas e para a “desaparecida” usaríamos um sinônimos  para não haver confusão. Por exemplo,  duas que são  homônimas imperfeitas ( porque tem o mesmo som, com grafia diferente):

Intenção: propósito
Intensão: intensidade ou força

Como de “boas  intenções o inferno está cheio”, intenção é a palavra mais conhecida das duas e  eu a manteria, e com “intensão” eu simplesmente a tiraria do dicionário. Intensão não é força? Pronto, usaríamos força.

O simples é que é o difícil.

* Saramago, José. A viagem do elefante, Caminho, 2008.