Os Natais de Fernando Pessoa


A ceia de Natal em Portugal chama- se “consoada”, de “consolar”. O prato principal, normalmente, é o bacalhau com ovos e couves regado com muito azeite de oliva. De sobremesa, o bolo rei e as rabanadas.

Apesar dessa data ser feliz para muita gente por causa das reuniões familiares, dos comes e bebes, além da troca de presentes, outros tantos consideram a data triste.

Deixo alguns poemas de Fernando Pessoa sobre o Natal. Curiosa a visão nostálgica e pessimista do autor sobre esta data. Definitivamente, não parecia ser a preferida de Pessoa, veja:

Natal na Província

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Chove. É dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Natal

O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Natal

Nasce um deus. Outros morrem.
A Verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.
Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.

Espero que o seu Natal seja bem mais feliz do que foram para a voz poética do poema (que pode ser o alter ego de Fernando).

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Colisões Bestiais (Particula)res, de Kátia Gerlach


Kátia Gerlach é uma carioca radicada em Nova York, estreou em 2009 com “Forrageiras de jade” , “Forasteiros” (2013) e este ano lançou Colisões Bestiais (Particula)res, livros de contos.  Surpreendeu muito, tanto positivamente, quanto negativamente, nesse livro com extremos tão marcados.

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Kátia Bandeira de Mello Gerlach é advogada e mestre em Direito Internacional (Facebook da autora)

Comecei a leitura com uma boa impressão, já na primeira frase do primeiro conto, que vem em formato epistolar. Um desconhecido dirige- se a Julio Cortázar: “Padeço de celafeias intermitentes e acendo os sonhos com a cabeça de um fósforo.” (p.11) “Opa!”, pensei. Um livro que começa assim não pode ser ruim. Agarrei- me na leitura, Kátia é original.

Autor? Pense muito bem na primeira frase do seus livro. É por causa dela que muita gente pega ou larga.

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O meu exemplar autografado. Obrigada, Kátia!

O livro consta de 18 contos narrados, ora em clave poética, ora teatral, muitos trechos são herméticos, a escritura é cheia de figuras de linguagem, de analogias, não é uma linguagem coloquial, está muito trabalhada (como deve ser a literatura arte, a que gostamos, mas cuidado com os exageros). Dá para notar que Kátia viajou e estudou outras paragens, pois há elementos culturais e vários códigos linguísticos, como “La promenade” (“O passeio”) no conto Bicho na cabeça (p.13), que é todo fragmentado, cheio de subtítulos. Os personagens são russos, “da Rússia profunda”, e a descrição de Juarez, nome adotado em homenagem a Velázquez, é descrito de forma muito interessante em tópicos devidamente explicados como “satanista”, “domador de anões” (ele também é anão e protagonista desta história) ou “chupador de mangas frescas”, e outros. Original, gostei!

Em Coleiras de Estimação, a história começa na “Praça do Tempo” também há alguém que faz xixi na rua, como no anterior, e também existe outro Juarez, esse, banqueiro de Jogo do Bicho. Otto, o narrador, é um jogador de xadrez, seu escritório é a praça e os adversários são os pedestres. Inexistente civilmente, não tem certidão de nascimento. A praça serve de abrigo para quem não tem abrigo. Uma frase em francês (p.31) me desconcertou um pouco. Um morador de rua, um idioma e jogo do bicho, houve uma incompatibilidade aí, não tem como ligar os fios. Literatura tem que ter lógica? Não sei, mas tem que convencer. Otto conversa com Borges, o cego (uma clara referência a Jorge Luis Borges), esse que fala francês. Nesse conto encontrei algumas falhas, algumas afirmações improcedentes (quando você lê um texto e fica discordando dele por falta de verossimilhança, ele entra em descrédito), como “A loucura e a imundície andam de mãos dadas” (p. 35). Como há mil controvérsias, há loucos, muitos, com mania de limpeza, é o tipo de afirmação a ser evitada, principalmente quando depois não argumentos suficientes para convencer o leitor. A partir daí, aconteceu uma mistura de assuntos desconexos, nenhum sentido, naufragou a narrativa. Passei ao conto seguinte:

O Columbídeo de Monsieur Le Pain

Eu, você e a maioria das pessoas teria que jogar no Google a palavra “columbídeo”, foi o que fiz: um pombo. O sujeito é adepto ao “mesmerismo”, outra vez o Google: é uma doutrina que usa o magnetismo animal. Como?! Segui a leitura para ver se a história seria explicada e tudo ficaria claro sem a ajuda de recursos externos. Sim, ficou. Esse texto acontece em Nova York. A mistura do espanhol sem a tradução no pé de página me desgostou um pouco, ainda que sejam frases simples, eu acho que sempre têm que estar traduzidas.

Circe e os olhos misteriosos do bode (p.45) tem um subtítulo: Pela hora da morte de Whitney Houston (aí sim com explicação no pé da página sobre a cantora). Esse texto é perigoso, porque pode ferir sensibilidades. Falar de suicídio é bastante complicado. Acho que a literatura deve ser uma arte livre, deve- se falar de tudo (ou quase tudo), mas também o leitor é livre para largar o texto e foi o meu caso quando li: “Suicidar- se é crime de pena inexecutável”. A opção sempre, sempre, sempre deve ser a vida, mas não julguemos ninguém.

Em Chinchilas na peleteria, Darlene é a protagonista, uma cabeleireira de cabelos crespos que mora em um conjunto habitacional, é amiga da Edileuza, Creuza e Marlene e quase esposa do Waldecy. O estranhamento que a escritura de Kátia me provoca pode ser porque, apesar dela colocar nomes tão brasileiros, parece uma gringa falando sobre brasileiros. Se é ruim? Não sei.

E ainda, Cuspe no Aquário, sobre um casal de idosos em um asilo, estranho, como todos os anteriores; em Colecionadores fotogênicos, dividido em três espectros, começa com uma frase tão esquisita, que fiquei pensando nela o resto do conto e não consegui pensar em mais nada: “A esterilidade atmosférica impede repetições” (p. 71). O primeiro espectro parece um monte de frases soltas, sem nenhuma conexão entre elas. Se a autora quis fazer um “jogo de inversões”, eu não consegui desvendar o mistério. No segundo espectro, um conto dentro do conto, que não parece ter conexão com o primeiro e a mesma sensação de frases que parecem descontextualizadas. O terceiro espectro começa assim: “Ninguém sabe como Deus se sustenta”. O que vem depois também não tem nenhuma relação com essa afirmação estranha.

Em Sanatório Número Seis, eu já estava quase precisando de um sanatório mesmo. A narrativa linear deu um alívio. Aí chega mais uma afirmação dessas a ser evitadas: “Piétrov, como os homens acima dos cinquenta anos, recusava- se a absorver conceitos novos.” (p.76). Por quê? Porque você e eu, muitos de nós, conhecemos homens acima de cinquenta que não são assim e vai faltar verossimilhança, você não vai concordar e discordar muitas vezes (ou o tempo todo) de um livro é o caminho mais fácil para abandoná- lo.

Juarez aparece no último conto outra vez, Salmoura. Todo fragmentado, lotado de subtítulos, parecido com o primeiro, reencontro de personagens do livro.

A atmosfera desse livro é misteriosa e enigmática (em excesso). A autora parece que sofreu uma clara influência de Borges e a Cortázar (argentinos, que também moraram na Europa). O afã de erudição, intencional ou não, carregou os textos em alguns momentos, como se estivessem poluídos por um excesso de informações. E muitas frases estão desalinhavadas do conjunto do texto, sem coerência nem coesão. Não sei se isso é para desconcertar o leitor mesmo, se são contos quebra- cabeças, com enigmas, só que errou na dose. De todas as formas, é um bom livro, ainda que tenha me deixado confusa, é agradavelmente estranho. Estranho é o adjetivo para esse livro.

Quer brincar de esconde- esconde? Pode ser interessante, só que na minha opinião, nada substitui uma boa e simples história bem contada, sem tanto malabarismo.

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Gerlach, K.B. de M., Colisões Bestiais (Particula)res, Oito e Meio, Rio de Janeiro, 2015. 147 páginas

Xícaras literárias da Vista Alegre, porcelana portuguesa


A fábrica portuguesa de porcelanas Vista Alegre é uma das mais famosas e prestigiosas do mundo. A fábrica (1920) fica na cidade de Ílhavo (Aveiro) e suas peças estão espalhadas pelo mundo todo, expostas em museus e usadas pela realeza. No entanto, essa plebeia, não resistiu e trouxe de Lisboa para o Falando em Literatura esse conjunto de “chávenas” para café com caricaturas de escritores consagrados. As peças sempre levam a assinatura de algum artista. A fábrica tem um museu, mas agora está em reformas, fechado para visitas.

As xícaras fazem parte de uma coleção chamada “A viagem”, do artista António Antunes (Vila Franca de Xira, 1953). Ele é diretor do Salão de Humor Gráfico World Press Cartoon. António fez uma série de desenhos que podem ser vistos na estação Aeroporto do Metrô de Lisboa. São 50 figuras em 49 painéis espalhados pela estação e estão divididas em músicos, escritores, atores e pintores, que também foram parar nas porcelanas da tradicional Vista Alegre.

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Os escritores são:

Natália Correia (Fajã de Baixo, São Miguel, 13/09/1923 — Lisboa, 16/03/1993), consagrada escritora portuguesa de prosa e verso, deixou uma rica e vasta obra. Foi política, presa, teve sua obra censurada. Casou quatro vezes, trabalhou na tv, foi jornalista. Com um pé no surrealismo, era amiga de Mário Cesariny, outro escritor que também faz parte dessa séria de “xícaras literárias”. Uma vida muito intensa, refletida nas suas escrituras, e arrebatada, repentinamente, por um ataque ao coração. Conheça mais sobre essa grande escritora portuguesa aqui.

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De amor nada mais me resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto;
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

(in, «Poesia Completa», D. Quixote, Lisboa, 1999)


José Saramago (Azinhaga, Portugal, 16/11/1922 – Lanzarote, Espanha, 18/06/2010), esse dispensa apresentações, não é? Creio que é o mais conhecido escritor português, junto a Fernando Pessoa. O único escritor em língua portuguesa que ganhou um Nobel de Literatura. Sua escritura é caracterizada pela falta de pontuação e sua crítica ácida à sociedade portuguesa, que considerava passiva, parece que mantinha uma relação amor- ódio com o seu país. Eu sou absolutamente apaixonada pela obra de Saramago. “Claraboia” (primeira foto) foi seu publicado postumamente. Foi o seu segundo livro, mas parece que o autor não gostava muito e o deixou engavetado. O viúva tratou de publicá- lo depois de sua morte. Leia mais sobre ele aqui.  Veja a resenha do último livro de Saramago, “Alabardas”, romance que, infelizmente, ficou inacabado. Saramago sai com a cara meio enfezada na caricatura, mas era bem o contrário, era uma pessoa doce, bem humorada e simpática:

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E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? (in, “A maior flor do mundo”, José Saramago)


Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 02/06/2004) foi uma escritora de prosa e verso, dessas imperdíveis, seus versos são cânticos às memórias da sua infância e da sua terra. O mar é um tema constante na sua escritura. Foi a primeira portuguesa a ganhar o Prêmio Camões. Professora universitária, formada em Letras e mãe de cinco filhos.

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Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

(in No Tempo Dividido, 1954, Sophia de Mello)


Mário Cesariny (Lisboa, 09/08/1923 – Lisboa, 26 de Novembro de 2006) poeta e pintor, principal representante do surrealismo português.  Anarquista, revolucionário e questionador, de humor ácido. Fascinante! Coloca na sua lista.

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Eu, Sempre…
Eu sempre a Platão assisto.
Pessoalmente, porém, e creia que não
Tenho qualquer insuficiência nisto,
Sou um romano da decadência total,
Aquela do século IV depois de Cristo,
Com os bárbaros à porta e Júpiter no quintal.
( in “O Virgem Negra”, Mário Cesariny)


O Facebook de António Antunes, clique aqui.

A web da Vista Alegre, clique aqui.


Estás convidada e convidado para um café literário aqui no Falando em Literatura. Vem!

Morre José Saramago aos 87 anos


O meu ídolo maior das letras portuguesas, José Saramago, foi “embora” hoje na sua residência situada na Ilha de Lanzarote,  Espanha. Acompanhava cada lançamento literário seu com grande ansiedade: “Caim”, o último. Saramago também escrevia um blog, seus posts foram reunidos em dois volumes: “O cadernos” e O caderno 2″. com prefácio de Umberto Eco.

Saramago na Ilha espanhola de Lanzarote, onde viveu até os seu último dia. (foto Pedro Walter)

Hoje a literatura portuguesa perdeu um dos seus maiores e mais originais escritores- Portugal, que muitas vezes não o entendeu, não soube aceitar as críticas, a ironia desse escritor que levou o nome de Portugal para o mundo. O escritor que começou a publicar tarde, por volta dos 60 anos, é o único que chegou ao topo, o único representante da língua portuguesa a ganhar um prêmio Nobel de literatura.

Difícil falar em Saramago no passado, porque ele está e estará presente (para sempre).

O que é Saudade


“Saudade non ten tradución a ningunha língua. Compartida por galegos e portugueses, ten unha diferenza entre ambos. Para os portugueses é ausencia de calquera cousa; para os galegos só da terra, de Galiza, presenza que, aínda estando nela, non é completa. Dicía Rafael Dieste que unha vez nela (Galiza) a terra pide máis, algo que un non sabe o que mís é.”

“Saudade não tem tradução à nenhuma língua. Compartida por galegos e portugueses, tem uma diferença entre ambos. Para os portugueses é ausência de qualquer coisa; para os galegos só da terra, presença que, ainda estando nela, não é completa. Dizia Rafael Dieste que uma vez nela (Galiza) a terra pede mais, algo que a pessoa não sabe o que mais é.”

No encarte do cd “Saudade”, do grupo de música celta galego “Luar na Lubre”, da Galiza, Espanha.

Curiosidades da Gastronomia Portuguesa


Que tal provar essas iguarias portuguesas?

Moelas de frango no Brasil também são apreciadas e preparadas de várias formas, inclusive em espetinhos e em farofas.

Pica- pau é um prato de bife, com ovo e batatas, clica na receita e na foto.

Pipis são miúdos, tal como a moela, coração e entranhas, geralmente comidos como tira- gosto.

Já os túbaros não têm nada a ver com tubarões não… é o prato mais exótico de todos: você provaria testículos de borrego (cordeiro)?! Então esse é o seu prato! Veja receita.

Bom apetite!

O novo acordo ortográfico em Portugal


No Brasil, a reforma ortográfica entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2009; o povo português mais hostil às mudanças,  será  obrigado a utilizar a nova maneira de escrever o português a  partir de 2010.

Para muitos portugueses, a nova ortografia não é mais a língua portuguesa, e sim o brasileiro– dizem de forma depreciativa (ver comentários nessa matéria do Público, jornal português). Para alguns dos que opinaram no artigo “Aplicar a nova ortografia em 2010 é uma precipitação?” é inclusive uma “humilhação” a língua portuguesa sofrer mudanças que se aproximam mais à variante brasileira, veja comentário “Quem colonizou”:

Quem colonizou?

Mais uma vez Portugal rebaixa-se, porque razão é que temos que ser nós a mudar e não os brasileiros, eles é que não tiveram inteligência suficiente para aprender a lingua correctamente, e agora por causa disso somos nós que temos que aprender a nossa lingua novamente? Como é que vamos pôr nas cabecinhas das nossas crianças que a maneira como aprenderam a escrever agora já não é a correcta. Quanto a mim vou continuar a escrever como sempre escrevi, sou portuguesa não sou brasileira…

O comentário fez- me rir, já que é contraditório em si mesmo. Segundo essa pessoa anônima os “burros brasileiros” não conseguiram aprender o idioma português, mas agora as crianças portuguesas também não irão aprender a nova ortografia…então, são burras também?! Claro que não. Nem brasileiros nem os portugueses são “burros”. A portuguesa do comentário deve ter faltado à aula de variação linguística na escola. Cada cidade (portuguesa, brasileira ou africana), cada país falante do português tem suas próprias idiossincrasias, seus regionalismos, seus neologismos…puro preconceito linguístico o pensamento dessa senhora.

Essa pessoa pode escrever como quiser, mas de acordo com as novas regras vigentes, estará escrevendo errado…também diria que a época da colonização acabou faz tempo e que quem impõe as mudanças são os próprios falantes, e como os brasileiros são mais de 180 milhões… O português brasileiro é mais ágil, mais fácil de ser entendido pelos estrangeiros e mais atualizado nesse sentido, de acordo com os novos tempos e demandas.

Fora os preconceitos linguísticos dos portugueses ( que chegam tocar os raciais em muitos casos), o ranço colonialista e a resistência às mudanças naturais da sociedade e  a evolução natural do idioma levou a essa (ainda) tentativa de unificação da LP para um fortalecimento frente à comunidade internacional. A nova ortografia é fato (ou “facto” permitida grafia dupla) consumado. Quer gostem ou não. Entendido? Escrevi em português ou brasileiro?