PDF grátis: “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector


Nesta obra, “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector, que você pode baixar gratuitamente aqui, há um dos melhores contos da literatura brasileira: “Felicidade clandestina”, que deu nome ao livro.

Clarice Lispector

Que felicidade ter um livro querido e desejado nas mãos, não é? A menina do conto, talvez a voz da menina Clarice, sentiu essa “felicidade clandestina” ao conseguir o livro de sua “algoz”. Não deixe de ler!

Anúncios

O encantador de pássaros


A observação de pássaros remonta à Idade da Pedra. Os homens pré- históricos desenhavam aves nas cavernas demonstrando assim, o seu interesse e fascínio por esses animais deixando gravados seus dados empíricos. Aristóteles, 350 a.C., possivelmente, tenha sido o primeiro ornitólogo da humanidade. Os ornitólogos e os poetas, veja Manoel de Barros, encarregam- se de estudar o comportamento dos pássaros. Mas hoje, um homem é que foi observado.

Madri é uma cidade encantadora no outono. A estação começa em meados de setembro, mas é só em novembro que as folhas começam a cair formando um tapete amarelinho, amarelinho. E essa paisagem convida- me a dar longos passeios pelo Parque do Retiro, que fica no centro da cidade. O parque é um remanso de paz, é como cruzar para outra dimensão, esqueço dos barulhos da cidade.

Costumo ir de ônibus, a linha 146, e desço na Calle Alcalá. Frequento a biblioteca que fica dentro do Retiro. Tenho que cruzar metade do parque até chegar ao meu destino.

No caminho, encontrei um senhor carregando uma sacola de supermercado cheia de migalhas de pão. Ele andava rápido, ia jogando o pão e uma revoada de pássaros o seguia; vez por outra, parava e alguns pássaros comiam diretamente da palma de sua mão.

Pintassilgos, alvéolas- brancas e estorninhos, muito comuns na Europa, periquitos, pardais e pombas, esses todo mundo conhece no Brasil, todos sob a batuta do homem. Os pássaros dançavam, o homem e sua orquestra de pássaros. Era um tal de piu, piu, gru gru, crá crá, aquela algazarra.

Eu fui andando atrás, incrédula, tentando não fazer ruído para não espantar a orquestra. Os pássaros seguiam o homem, sem medo, pareciam íntimos, um diálogo muito fluido interespécies.  Os que não voavam, caminhavam atrás do homem, tal como o Flautista de Hamelin faz com os ratos, só que com finalidades bem diferentes. Tive a certeza que, enquanto aquele senhor viver, os pássaros têm em quem confiar.

O mundo é mágico sim, Rosa. Só que, perdoe- me um adendo: algumas pessoas ficam encantadas enquanto vivas também. Hoje eu conheci o Encantador de Pássaros e eu tenho a prova:

encantadorencantador2encantador4IMG_3613IMG_3614IMG_3620IMG_3624

 

 

Veja a lista de livros que o presidente Obama está lendo no verão


O presidente Barack Obama dos Estados Unidos é uma simpatia, não?! Adoro a sua postura sempre correta e respeitosa, mesmo com os que o ofendem; sempre alegre, bem humorado, simples e atencioso com os cidadãos; o mesmo para a primeira- dama, Michelle.

E Obama também é um bom leitor, entre avião e avião deve abrir algum livro. Veja a lista de leituras do presidente nesse verão (inverno no Brasil):

  1. O primeiro livro da lista, de William Finnegan, não tem tradução brasileira*, nem espanhola. O autor é jornalista internacional e escreve sobre racismo, os conflitos na África do Sul e México. Quem souber ler em inglês, coloca na lista “Barbarian days: A surfing list”.
  2. “The underground railroad” também não tem tradução, ainda, em português e espanhol. Mas tem tradução de um outro livro do autor, “A intuicionista”, que parece bem interessante.  O americano está ganhando vários prêmios literários.
  3. O terceiro já tem tradução: “F de Falcão”, de Helen MacDonald. Baseado na história da autora que perde o pai, entra em depressão e para superar o luto, começa a adestrar um falcão.
  4. “A garota no trem”, de Paula Hawkins. Esse livro de suspense  está fazendo muito sucesso no momento. Está na minha lista.
  5. “Seveneves”, de Neal Stephenson, foi um dos mais vendidos nos Estados Unidos no ano passado. Não achei tradução brasileira, mas tem espanhola. É um livro de ficção científica que me lembrou “Star Trek”. No livro,  sete civilizações vivem fora da Terra 5000 anos depois do apocalipse. Esse também quero ler.

lista

Você pode saber também o que escuta o presidente americano, veja aqui a sua playlist, que inclui o brasileiro Caetano Veloso.

essaBarack e as filhas Sasha e Malia em uma livraria em Washington.

Fonte: Casa Branca

*A minha busca foi feita na livraria Saraiva.

Como escrever? O processo de escritura criativa


Como escrever?

Por Rômulo Pessanha, colaborador

Fiz- me essa pergunta e imaginei- me caminhando numa rua de um lugar desconhecido, mas desconhecido porque ficcional. Escrever é como imaginar que uma vida nova está se tornando uma realidade.

A pergunta contém a resposta: como escrever? É o como escrever.

Percorri então a rua: era eu, único que ditava o ritmo de toda a situação. Assim supunha. Através de minha imaginação a rua ganhava mais e mais passantes, andarilhos e personagens desconhecidos, transeuntes e figurantes para uma vida que julgamos que somos, cada um de nós, protagonistas de uma longa história fictícia?, sem fim.

A rua ainda sem cor ganhava alguma tonalidade negra. Estava ficando boa e tudo estava ficando perfeito e quando percebi, reparei que outras vozes também queriam falar: eram outros personagens que surgiam no caminho.

Sendo eu quem dá as regras do jogo, cada um poderia ter sua existência confirmada ou negada. Os personagens precisamente deviam estar ali para serem cúmplices de um ato de existir e não meramente rebeldes sem causa e se rebeldes fossem, melhores ainda seriam tanto a história como os personagens.

Uma personagem surgiu de repente. Seus olhos negros, cabelos negros que continha algum fio ou outro de cabelo branco, pele branca, lábios pálidos, mas que me provocavam atração como o imã atrai o metal, ela era rebelde, eu queria ser seu súdito. Ainda seu corpo, magro, lembrava vela acesa e que a luz era calor transmitido a mim diretamente só pelo olhar que me endereçava. Andava até a mim, conversávamos um pouco e pelos gestos e palavras suas sempre dizia não, não ao que dizia eu com minhas atitudes de apaixonado, palavras que não são ditas nem escritas, mas que podem ser lidas no corpo, sem embargo, de tudo em mim dizer sim, ela era sempre o não.

Sim e não se atraem, porque se anulam. Não há resistência e tudo pode fluir perfeitamente como na imaginação daquele que vive um sonho bom, assim é viver um grande amor ainda que inventado pela imaginação devaneante, nada melhor do que viver imaginando do que imaginar viver um grande espetáculo.

Escrever deve ser algo que penso dizer ou que digo enquanto penso. Quando escrevo penso que estou a pensar o que estou a escrever, ou, que por já ter pensado me pus a escrever. Escrever é sempre o registro de algo passado e acontecido e que futuramente nos tornará realizado, pois esse fazer, de palavrear num papel é manter acesa nossa luz no mundo sem que ela esmaeça e se apague por ter tremeluzido. Luz forte como sol, a minha língua renasce sempre mais forte, cada dia, luminoso arrebol.

Queria então que a misteriosa moça passasse a escrever toda minha vida. Desejava mesmo que minha vida fosse reescrita por completo, mas ela parecia não aceitar a tarefa. Então desejei que essa personagem sumisse de meu pensamento, na minha história mando eu.

Ela não ia embora e entre uma esquina e outra, novamente surgia e também ao fim de uma estrada ou de uma rua sem saída ela, sempre ela, inominável desejo que insiste em fazer parte do que crio mesmo sem ter sido chamada.

Ela era a página para cada nova história que eu criava, meu desejo de possuí-la era para também registrá-la em meu corpo arenoso e evanescente de memória, cada grão de areia um acontecimento longínquo. Como pode a nossa criação tomar juízos e nos desobedecer? É porque ela não sabe que foi inventada por mim ou talvez ela tenha inventado o amor e colocou no meu coração. Eu, apaixonado, coloquei tudo no papel. A mesma coisa que fazê-la interpretar o papel que lhe dei, ela age assim personalíssima sempre contraditória ao que digo. Se eu falo sim, ela diz não. Outra página em branco e outra vez ela retorna, mas para quê? Talvez já não seja ela, a paixão de fato, mas a loucura insana da criação decadente e terrena que não vislumbra teor de vida no lugar que paira ideias. Assim é a vida, página em branco para preencher, num corpo vermelho de paixão, inspiração, oxigênio da alma, quando escreve, sangue, a alma falando ao corpo seu desejo.

Na minha filosofia, a minha razão. Na minha vida, e na falta dessa racionalidade, tudo que for sem razão deverá fazer parte de um raciocínio maior: acrescente um pouco mais de chocolate ao leite diante de uma tela impressa com texto, ou como uma tela, o texto, ou o livro, e dirá você meu leitor, que delícia é isto, pois eu também lhe digo que fazer você ler isso e fazer seu pensamento dizer o que digo e imaginar o que eu imagino, só que à sua maneira e modo é que é para mim, grande delícia, prazer saboroso.

Assim deve ser escrever, desejo selvagem e indomável, víbora venenosa essa a do escrever, cavalo que não se deixa montar e veloz e furioso corre e foge se transformando em altaneiro pássaro anunciando que o amor é livre expressão do que sonha a alma e do que deseja o corpo: ser aprisionado pelas palavras de amor quando se está amando livremente e a declaração de amor que ganho a cada página que escrevo, como nova possibilidade de amar.

Rio de Janeiro, 18 de junho de 2016.

“O amor assim, cura tudo”, uma análise do conto”Substância”, de Guimarães Rosa


Por Rômulo Pessanha

Essência

O texto que segue é sobre um pouco de brincadeira e diversão sobre Substância, conto que integra Primeiras Estórias de João Guimarães Rosa.

primeiras-estorias

Ah, o amor! Ai dessas claridades que nos deixam vislumbrar caminhos invisíveis. A pergunta essencial: você emitiu sua luz? Ou será quando toda luz que vem do alto se mistura com a que vem de dentro?

Ao brilharmos viemos ao mundo ou, nos dando a luz, nossa mãe, nascemos? A luz é a nossa mãe iluminada, luz pura das épocas do amor. Quando os pássaros sobejam no céu é porque os rebuliços na terra sucedem aos amantes e só beijam querendo voar os sentimentos que os namorados abraçam com todo olhar, amor é amar e amar é luzir.

Ah, o mês das noivas, dos apaixonantes apaixonados. É a riqueza mais viva que a vida assim é o amor quando ao nosso se junta mais, número infinito, o verdadeiro amor, a bem querência nossa e a da pessoa que amamos. Diria até ser primavera, mas todas as cores se perdem nos olhos dela, que é a mais bela, na fruta doce da vida, esperando por nós ser colhida, para cearmos da farta ceia o amor, nossa colheita que nada ceifa a não ser o amor, que nem perece até mesmo quando a dor nos enegrece e amarga a vida, porém a calmaria vem, pois tudo é certo: se há noite no dia quando tristes, dia virá para nossa noite, pois felizes estaremos. As coisas são assim eternamente intercalações. E se amor é eterno é só porque está em algum lugar dentro entre os corações.

Os três personagens Sionésio, Maria Exita e Nhatiaga caminham num palco iluminado do quê mesmo? Talvez pela sua própria existência e cada um executa o seu papel. Sionésio duvida, faz questões, se pergunta e se interroga, exita? Maria Exita não exita, responde logo e desconcerta e faz perceber que ela já sabia das intenções de Sionésio. Olhos firmes no trabalho que é sustento, fonte e luz para vida.

O amor pega Sionésio de jeito de forma tal que se o amor o incomodava, ao final, juntou-se a ele, e, perto, aconchegou-se: será? Será que Maria Exita sabia mesmo das intenções de seu patrão Sionésio?

Ah, todo amor tem sua luz, e toda vida seu amor para quem quiser experimentar seu lume. Amar no debaixo do ouro quente do meio-dia e encima da prata refletora do amido é como ter na mente a imagem de uma jóia viva: quando percebemos o amor não apaga sua luz dentro de nós e queremos apenas viver assim quando mesmo até dizemos perecer dela, em verdade vivemos dela e por ela, para ela, as portentosas luminosidades de amar, é alvo que não se apaga.

O pó nos lembra vida, quanto a morte nem nada é, e sendo menos que possibilidade de fato, ela, a de todos certa sorte, nem existe. A energia do amor contida ali nos luzentes: a amada e o amante. Mexendo e tornando pó a energia pura e verde da vida da planta da vida, a energia do amor armazenada e dispendida: quanto mais amor mais acúmulo de energia. Fartura em nós é o alimento do estado de graça, transcendências de nossas humanas sensações. O amor assim, cura tudo. A vida é para a vida toda? Exita nem pisca responde: claro que é, é claro que eu quero. Parece irreflexão responder assim tão rápido ou foi demorada a pergunta? O amor é um espelho em que a gente nem se vê direito o que a gente é, o que gente foi e nem o como a gente está.

O amor é afetuoso raciocínio e por isso a tal vez chega na hora de se pensamor nos raciocínios dos coraçãomentes modos de ver as coisas. Apaixonar e amar é nossa condição, somos do amor a sub instância em forma viva e pensante que igual ao sentimento não sabe ponderá-lo nem dizê-lo apenas se vive e se ama: você me quer? E como resposta: por demais da conta e para até nos depois de sempre. O lugar principal de nossa existência é o amor e seu palco é todo iluminado: o amor é o lugar que une os que amam. É algo que atua em nós de modo brusco, supetão, subitamente enquanto interpretamos nos palcos da vida seu significado intentando significá-lo e dar-lhe consistência.

Assim é quando amamos, ficamos percebendo e padecendo a luz do outro, um ponto num tempo infinito que percorre todos os caminhos de nossa existência e nos faz querer ter para nós somente aquele luminar de olhos que se remexem ao nos ver e a gente vendo assim, ficamos a brotar amor, nos fazendo estremecer, fazem nossos pássaros brilharem, e todo nosso ser voar pelos ares, todos percebem a festa e o sagrado do momento: joguem arroz!, joguem o pó!, trabalhem!, festejem! E mais a Nhatiaga servindo ali de vigia, para tornar abençoado o sagrado do momento. Enfim, ao final podemos dizer: se um dia estive aceso foi só porque amei alguém e esse alguém que amei me deu essa sua luz que entreguei novamente em forma de amor. E assim sendo, dois, que se amam para sempre muito, e para muitos e para todos o amor é a substância essencial de um ato para além das cortinas que se fecham ante o palco que aplaude.

Rio de Janeiro, Capital, 22 de Maio de 2016.

 

 

Resenha: “Sagarana”, de João Guimarães Rosa


Esse livro é essencial na biblioteca de todo bom leitor. É simplesmente um LIVRAÇO! Uma celebração à literatura, essa arte maior, que podia ser apreciada por muitos, mas poucos ainda entram para esse mundo mágico. Por isso o Falando em Literatura existe: para puxar a sua orelha. Que tal começar?! Larga aí esse vídeo- game, o celular, sai do Facebook, do Instagram, Snapchat, Twitter, deixa esses best- sellers bobos e pega um livro de verdade! Quando o professor da escola pedir, você já vai ter lido e não vai precisa usar o Mr. Google para fazer um trabalhinho superficial. As resenhas servem como guias, mas você precisa ter a sua própria opinião sobre as obras. #atitudeinteligente

E para os maiorzinhos que estejam procurando uma excelente leitura: anotem esse.

O doutor João Guimarães Rosa (Cordisburgo, Minas Gerais, 27/06/1908 – Río de Janeiro, 19/11/1967) foi um dos grandes, um escritor sui generis, único, difícil de aparecer outro similar. Atordoou e atordoa ainda com a sua genial literatura, dá “coisa” por dentro (será Síndrome de Stendhal?). A escritura de Rosa contem elementos raros na literatura: originalidade, criatividade e inovação, desses, quem sabe, o primeiro seja o mais difícil.

guimaraesrosa

João Guimarães Rosa era estiloso, sempre com essa gravata borboleta

No âmbito familiar, Rosa foi casado duas vezes, a primeira com Lygia (de apenas 16 anos), tiveram duas filhas, Vilma e Agnes. Vilma, a mais velha,  diz que era muito carinhoso, brincalhão e atencioso com as filhas.

Também foi casado com uma mulher incrível, Aracy Rosa, que conheceu quando foi vice-cônsul em Hamburgo (Alemanha) entre 1938-1942. Ambos ajudaram alguns judeus a escaparem da morte certa. Aracy é considerada uma heroína contra o antissemitismo.

Para entender um pouco como é a escritura de Guimarães Rosa: ele era um cara super culto, diplomata, médico, um poliglota, erudito, aprendeu muitos idiomas sozinho, um autodidata. Ele misturou essa erudição, seu conhecimento amplo de vários idiomas, usou isso tudo misturado com o português oral, reproduziu o falar do sertanejo, arquitetou enredos fantásticos e foi assim que produziu a magia. O que Rosa conseguiu foi espetacular, o colocou no patamar dos clássicos, dos imortais.

Existe um dicionário do léxico de Rosa, de Nilce Sant’Anna Martins, para ajudar a entender muitos vocábulos da obra, mas notei que o conhecimento de outros idiomas ajuda na compreensão do texto, por exemplo, “volva” ( do verbo “volver”, “voltar”, p.16), que consta no nosso dicionário, mas pouco usado no Brasil,  é muito utilizado em espanhol; portanto, um outro idioma ajuda na compreensão da nossa própria língua materna. Estudem idiomas, o nosso em primeiro lugar.

Segundo Vilma Rosa nessa entrevista, seu pai nunca havia estado no sertão quando escreveu seus primeiros livros. Quem o ajudava com dicas era o pai do autor. Ou seja, ele reproduziu o sertão mineiro sem nunca ter estado. A imaginação é a solução. Eu não acho que para escrever seja necessário viajar (viajar enriquece muito, mas para a literatura, seu instrumento é a imaginação e a memória, a criatividade e a capacidade de criação). Ainda segundo Vilma, os personagens dessa obra existiram realmente, são antepassados de personalidades da cidade de Itaguara, cidade natal do seu avô que era caçador, coronel, dono de uma venda, vereador e juiz de paz, ou seja, alguém muito importante na época. Rosa teve uma boa fonte de inspiração.

A escritura de Rosa tem o poder de mostrar o desconhecimento que temos sobre o nosso próprio idioma, o leque de opções é imenso, mas a opção, normalmente, é caminho batido. Abrir o dicionário é coisa de sábios. 

“Sagarana” é a junção de duas palavras, um neologismo, “saga”, que é uma palavra envolta em misticismo, pertence à mitologia escandinava, pode ser bruxa ou feiticeira, também o traje do guerreiro, e que usamos normalmente para designar narrativas lendárias ; e  “rana”, que no livro “O léxico de Guimarães Rosa”, de Nilce Martins, diz que é de origem tupi, mas a origem é mais antiga, vem do Latim, “ragire”, uma onomatopeia, não só referente ao coaxar das rãs, mas de outros animais como frangos e tigres (tem onça , sapo- bezerro e sapo em Sagarana, no primeiro conto que abre o livro), também é o nome de uma planta rasteira que cobre lugares pantanosos (veja aqui). O nome do livro e o seu significado dão o tom, condensam bem a essência dessa obra.

O seu único romance é uma obra- prima “O grande sertão: veredas” (leia resenha), mas os contos, não ficam atrás não, Rosa era um contista de primeira grandeza. “Sagarana” (1946) foi a sua primeira obra publicada quando tinha 38 anos, consta de nove contos.

“Sagarana” foi escrito antes do ano de 1938, nesse, ele participou de um concurso de contos, Guima usou o pseudônimo de “Viator” e o livro “Contos”, ficou em segundo lugar. Luis Jardim ficou em primeiro com “Maria Perigosa”, foi um escritor de muita relevância, mas já não é muito citado. Anotado na minha lista.

Vamos pincelar os contos, cada um deles dá uma tese de doutorado, são muitos os aspectos interessantes:

1. O burrinho pedrês

Lendo esse conto de umas 60 páginas, dá vontade de incorporar algumas expressões do “rosês”: “Manhã noiteira” (p.13), não é lindo isso? Aquelas manhãs que custam a clarear. Literatura- arte é isso:  trabalhar a linguagem e tornar o comum muito mais bonito, interessante.

Rosa deu voz, sentimento, coração a um burrinho chamado “Sete-de-ouros”, de estimação,  já está muito velho e quase cego, mas foi convocado para “tocar boiada”, motivo de chacota entre as mulheres da casa. O burrinho é o narrador em alguns momentos. Como ver os homens da perspectiva de um animal?

Major Saulo (o dono da boiada), Sinoca, Zé Grande, Tote, João Manico, Francolim, Benevides, Sebastião dos Lados, Leofredo, Raymundão, Juca Bananeira, Cata-Brasa, Silvino, Badu (Balduíno), Sebastião, que toca o berrante e evoca cantigas sertanejas, iniciando a marcha para trazer a boiada, 460 bois. João Manico vai montado em Sete-de-Ouros, o burrinho. No final do conto, montado por Badu. Ninguém queria montar o burrinho, dava vergonha, ele só era a opção quando não havia escolha.

Os vaqueiros vão contando seus “causos”: “Eu estou quase não creditando mais, Raymundão…”(p.37)

E essa sabedoria mística do homem do sertão (Rosa também acreditava): “(…) A lua não é boa…Ano acabando em seis…” (p.37).

Esse conto narra o difícil trabalho dos boiadeiros que cruzam o gado por rios, sol, chuva, frio, lama, condições adversas, profissão tão sacrificada e pouco reconhecida, ainda muito presente no sertão brasileiro.

–Escuta uma pergunta séria, meu compadre João Manico: você acha que burro é burro?(p.40)

E o touro bravo, assassino, o Calundu, amansado com simpatia e morto por um espírito ruim. E o pretinho chorão com sua cantiga bonita que emocionou os peões , “Aquilo parecia: que a vaqueirada toda virando mulher” (p.64). O menino, parece, lançou um feitiço que botou o gado todo a perder, “Causos” da roça contados com muita graça, apesar de serem trágicos.

O burrinho, que vive de teimoso, entre a “morrência” (essa não está no dicionário formal e nem no de Guimarães Rosa) e a vontade de querer viver, emociona. Sete-de- Ouros no tarot é representada por um jardineiro que está parado observando as suas plantas. Misticamente, significa uma análise do passado e seus resultado no futuro, o que vivemos é o resultado das nossas escolhas.  Esse naipe pode significar doçura, inocência, purificação. O lado negativo é a lentidão, a inatividade, a falência. Como em Guimarães Rosa nada é por acaso, esse nome também não é.

2. Traços biográficos de Lalino Salathiel ou A volta do marido pródigo:

Esse conto também começa com um burrinho. O cenário é rural,  trabalhadores extraem amianto de uma jazida nas terras de “Seo” Remígio. Constroem uma estrada. Brasileiros e espanhóis, negros e brancos, “seo” Marra (“Marrinha”) é o chefe. Os trabalhadores: Pintão, Laio, Lalino (Eulálio de Souza Satãthiel, Laio), Correia, Generoso, Tercino, Sidu, Waldemar, o espanhol Ramiro. Comem em marmitas e as esquentam em um foguinho improvisado. “Lalino trouxe apenas um pão-com-linguiça.”(p.82)

Laio é um sonhador. Ele quer montar uma peça de teatro na roça. “Ou então, seo Marra, os homens mesmo podem fantasiar de mulher…Fica até bom…” (p.86)

E o sonhador Laio também quer comprar umas terrinhas e conta tudo o que vai plantar nelas.Quem sonha e luta, pode realizar, independente do ambiente em que se encontre. O sonho modifica tudo. Quem tem a cabeça povoada de bons propósitos, contagia:

–Mulatinho levado! Entendo um assim, por ser divertido. E não é adulador, mais sei que não é covarde. Agrada a gente, porque é alegre e quer ver todo-o-mundo alegre, perto de si. Isso, que remoça. Isso é reger o viver. (p.87)

O capítulo encerra como se fosse tudo tivesse sido uma peça de teatro, isso dá uma remexida, uma reviravolta em tudo o que havia pensado antes. Um parágrafo de duas linhas quebrou o esquema todo, fantástico!

É um conto cheio de referências raciais, de cor. Hoje, quem sabe, Rosa não teria a mesma liberdade de escrever esse conto na era do politicamente correto. Ou sim? Não sei. Os tempos andam estranhos, há gente radical com poder que mistura ficção com realidade, e devia cuidar é da vida (real) para que a literatura não reflita realidades ruins.

Voltando ao conto, eu dei umas boas risadas com esse.

3. Sarapalha

“Sarapalha” é um lugar perto do cenário desse conto.

A história começa em “Tapera do Arraial”, uma povoado no Pará que está abandonado por causa de uma epidemia de malária. O povo debandou com medo da doença que dava uma “tremedeira que não desmontava” (p.127). Mosquito tinhoso, são as fêmeas as portadoras da doença.

Esse conto é uma aula de botânica, da flora e da fauna paraense. Que beleza. A descrição da paisagem é uma aula prática do que deve ser uma excelente descrição. Prestem atenção, meninos e meninas.

Perto de Sarapalha tem uma fazenda com alguns habitantes remanescentes: “uma negra” e “dois homens”, dois velhos, que não são velhos. A preta que passa um bom tempo sem nome e os primos Argemiro e Ribeiro. A empregada é “Ceição”. Os dois estão com malária, o médico deu um ano de vida. Eles vão vivendo entre as lembranças, a esperançada cura e a resignação da morte anunciada. E o sonho, o amor:

(…) Se ela chegasse, até a febre sumia… (p.136).

Ela o abandonou por outro, com ele já doente. Ele era obrigado a matar os dois, mas com a doença não poderia mesmo ficar com ela, então a deixou partir ilesa.

É um dos melhores contos escritos em língua portuguesa! É também uma história de desamor e de um amor impossível.

4. Duelo

Turíbio Todo, nascido em Borrachudo e seleiro de profissão. Um sujeito ruim, “mas no início dessa história ele estava com a razão”. (p.151)

Turíbio foi pescar, voltou antes do tempo e encontrou a sua mulher fisgada, dona Silivana (“a com belos olhos grandes, de cabra tonta”), por um cabo do Exército, Cassiano Gomes de 28 anos. Foi embora em silêncio para matutar uma vingança. Só que a vingança saiu mal executada. Xiiii….esse era o tempo em que vingança era feita com sangue.

O caçador virou o caçado. Só que o caçado, Turíbio, inventou uma estratégia para matar sem matar. Deu certo? Pensa que vou contar é? Leia!

5. Minha gente

José Malvino chega de trem a um arraial para empreender, a cavalo, o resto da viagem até a fazenda do tio Emílio do Nascimento. Ia passando Santana, inspetor escolar, que percorre povoados a trabalho. Decidiram ir juntos para Tucanos, 4 horas de viagem. Santana é viciado em xadrez e leva consigo um tabuleiro e muita literatura sobre o jogo. Os dois, um montado em um cavalo e o outro em um burro, vão jogando xadrez pelo caminho.

O tom e o léxico desse conto é totalmente diferente dos anteriores. É mais erudito, o narrador é Malvino, que é um “capiau” letrado, e Santana, seu interlocutor, fala “corretamente”. A paisagem é rural, mas os homens são sertanejos escolarizados, estudaram, Santana mais que o outro. Malvino sabe dos perigos do mato, do que pode ou não pode fazer ou comer, mas aprendeu o jeito da cidade.

O aprendizado do “capiau” vem da observação da natureza ou de casa, dos pais e mais velhos. Disse o pescador Bento:

– Ai, que mundo triste é este, que a gente está mesmo nele só p’ra mor de errar!…E quando a gente quer concertar*, ainda erra mais…” (p.205, “concertar” com “c” mesmo).

Esse é o conto mais enigmático. Não dá pra prever nada do que vai acontecer. A vida mansa dá uma reviravolta e um acontecimiento inusitado abala a paz da fazenda, mas a história segue ainda cheia de elementos inesperados.

O amor sempre andando e desandando tudo. Esse texto, nas últimas páginas, principalmente, tem um lirismo romântico, trechos de prosa poética, doces.  A vida e o amor, vistos como um jogo de xadrez.

6. São Marcos

É um dos contos que mais gosto, ri muito e li em voz alta. Tente sempre fazer isso, a literatura quando ganha voz acontece uma aura mágica. Começa engraçado, depois fica sério.

O narrador- personagem dessa história é o José (“Zé”) e é uma das mais engraçadas. Fala das superstições do povo da roça, Zé acredita, mas diz não acreditar. Existe uma série de palavras proibidas, porque atraem maus sortilégios e lugares também proibidos, passar depois da meia- noite nem pensar!

Você tem que ler esse conto, o livro todo na verdade, com calma, se pular um trecho faz falta, tudo é essencial.

E se você ficasse cego no meio do mato, sozinho, e não pudesse esquivar- se dos perigos? A causa e a solução? Só lendo! Fantástico!

7. Corpo fechado

Esse conto começa com um fato trágico, mas contado de forma tão engraçada que não dá pra evitar a gargalhada. Rosa era muito brincalhão e divertido (segundo Vilma Rosa) e isso está sim refletido na sua obra. Ele tinha bom humor, um sujeito divertido.

Pra você aí, o sujeito que coça a cabeça… é piolho ou sinal de indecisão? Morro com o Guima! hahaha

Manuel Fulô foi contando sobre os valentões, os que bebiam cachaça, aprontavam, matavam e que morreram de forma trágica, todos castigados, lá no povoado de Laginha, onde mora. Lugar “monótono” (como?!), olha essa sinestesia que engraçada:

–Mas, gente, que é que vocês fazem de noite?

–De noite, a gente lava os pés, come leite e dorme. (p.271)

Mané Fulô também gostava de cachaça, de mulheres, de conversa fiada e de não trabalhar. O narrador- personagem, a voz que trava os diálogos com Fulô é o doutor do povoado. Mané Fulô, dona da égua Beija- Flor ou Beija- Fulô, vivia de aparências, “tira onda” montado na sua mula e diz que é filho do maior comerciante do local. Um trambiqueiro. Trabalhou para os ciganos, que eram mais trambiqueiros que ele, depois quis se vingar. Algumas partes hilárias, ele contratou dois homens e foi até o dentista deles, modificando seus dentes para que se parecessem ciganos, para enganá- los vendendo cavalos ruins. E enganou. Ninguém queria mais fazer negócio com Fulô, pois ele “enganava até cigano”.

Targino, o valentão local, se engraçou com a das Dor, a moça que Fulô estava de casamento marcado. Fulô amarelou, mas usou uma estratégia para vencer o adversário poderoso. Magia!

8. Conversa de bois

Manuel Timborna, das Porteirinhas, afirma que os bichos falam com os humanos. E ele toca a contar “um caso que se deu”. Quem frequenta ou frequentou alguma roça no interior do Brasil, sabe: as rodas de “causos” são bem comuns.

Para os bois, o bicho é o homem:

– O homem é um bicho esmochado, que não devia de haver. Não convém espiar muito para o homem. É o único vulto que faz ficar zonzo, de se olhar muito. é comprido demais, para cima, e cabe todo de uma vez, dentro dos olhos da gente. (p.312)

Eu nunca ouvi um boi falar, mas que eles falam, falam.

9. A hora e a vez de Augusto Matraga

O tom desse conto é um pouco mais sério, com passagens emotivas.

Matraga não é Matraga, não é nada. Matagra é Esteves. Augusto Esteves, filho do Coronel Afonso de Esteves, das Pindaíbas e do Saco-da-Embira. Ou Nhô Augusto (…) (p.335)

Casado com dona Dionóra, pai de Mimita de 10 anos. Um homem poderoso, com muitos capangas, anda entre as fazendas e com outras mulheres, não dá atenção à esposa e filha. A esposa teme o marido.

Levaram duas mulheres para serem leiloadas para a igreja. Como?! hahaha…sim. Augusto ficou com a capenga e foi assim que tratou a pobrezinha:

(…) Você tem perna de manuel- fonseca, uma fina e outra seca! E está que é só osso, peixe cozido sem tempero…Capim p’ra mim, com uma assombração dessas!… Vá- se embora, frango- d’água! Some daqui! (p. 339)

Disse o tio de Dionóra:

–Sorte nunca é de um só, é de dois, é de todos…Sorte nasce cada manhã, e já está velha ao meio- dia… (p.341)

Ovídio Moura levou embora as duas pra viver com ele e mandou Quim Recadeiro avisar Augusto, que está endividado, prestes à falência e os capangas correram, não quiseram “justiçar” o patrão, foram todos com Major Consilva. Antes de matar Ovídio e Dionóra, ele tem que matar primeiro o Major e os capangas. Mas foi executado pelos mesmos- isto é- foi o que pensaram. Pensa que vou contar o resto? Não! 🙂

-Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria…Cada um tem sua hora e a sua vez: você há de ter a sua. (p.350)

Esse é um conto que trata de honra, da redenção pelo arrependimento e pela fé.

11402998_619363471499347_2017071032095490125_nRosa, J. Guimarães, Sagarana, Nova Fronteira, 28ª edição. Rio de Janeiro, 1984. 380 páginas

Na verdade, eu já tinha lido essa obra na época de estudante universitária. Quando você pega um livro que leu há muito tempo e relê, você é outra pessoa e o livro também, é como se fosse a primeira vez. Livros como esse são fontes inesgotáveis, sempre há algo novo.

Esse livro exige esforço. E isso é bom. Pela minha experiência, ler livros ruins, “fáceis”, não é melhor do que não ler nada. Literatura ruim não proporciona benefícios, nem mesmo os cognitivos, pois não desafiam o cérebro. Você vai desperdiçar dinheiro e tempo, que é a coisa mais preciosa que temos na nossa vida. Repense suas escolhas! E não venham me dizer o contrário, “que ler qualquer coisa é melhor que não ler nada”, já tem gente demais defendendo isso. A nossa praia aqui do Falando em Literatura é outra. Nossa defesa é em prol da literatura- arte.

Eu não sei, só sei que Guima deve estar feliz, aonde estiver, sentindo as vibrações que provoca a sua literatura nas pessoas. Fazer sorrir, fazer gargalhar em literatura é muito difícil. Passei dias divertidos  e emocionantes lendo esses contos.

“Sagarana” está sempre em movimento, as pessoas sempre de passagem nas suas paisagens sacramentadas, incorruptíveis, perenes. Uma metáfora para a própria vida. O homem, só de passagem, vira história.

Resenha: “Convivência”, de Carola Saavedra


Carola Saavedra (Santiago, 1973), imigrou para o Brasil aos três anos, sotaque carioca, é uma das representantes da Literatura Contemporânea brasileira. Está agora na Salão do Livro de Paris selecionada pelo Ministério da Cultura do Brasil.

3312946_x360

(foto: GNT)

Fiz o download do livro, quer dizer, livro não, um conto de oito páginas no iTunes, acho que não chegou a custar 2 euros. E não vale.

Primeiro, o texto começa com um diálogo, a autora dispensou o narrador, a impressão que fica é que o conto iniciou pelo meio. Detesto narrativas que começam com travessão. Parece fora do lugar. Para começar assim o texto tem que ser muito bom.

Segundo, o texto curto é um punhado de clichês que me provocaram bocejos. Nada novo. Vou resumir: escritora-álcool-fumaça-penumbra. Moda. Parece redação de colégio, verde. Taça de vinho na capa. O vinho nunca esteve tão desprestigiado. A personagem, uma escritora que dialoga com o personagem que criou, ele ganha autonomia. E o pior é que ela explica isso, como se não tivesse ficado claro:

– Além do que, todos sabemos que a partir de um certo ponto da trama, os personagens adquirem vida própria. Todo autor diz isso as entrevistas. (p.6)

Um conto de oito páginas que me custou ler. Não é dos piores contos que já li, mas não é bom. O que eu peço dos escritores é um mínimo, um mínimo de originalidade, não gosto de ler e ter a impressão que já li o texto mil vezes antes. Se a ideia não é das mais inovadoras, que a forma, a estrutura ofereça alguma novidade pelo menos. O texto falta. Não sei se esse projeto que a Carola participou é algum desses de contos curtos, que há dezenas na internet, que veio suprir o sonho de todos os que querem virar escritores, mas não têm um mínimo de bagagem, trabalho, leituras necessárias, técnica, a prolixidade necessária para escrever (e às vezes nem talento). Essa é a era do texto rápido, ligeiro, porque falta tempo para ler (e para escrever). Parece que descartou também o fazer narrativo bem escrito, bem elaborado, surgiu a literatura de guardanapo (cadê, já foi?). Literatura melhor ou pior escrita, mas com temas muito parecidos, um copiando do outro. Falta personalidade, estilo próprio. Literatura “fast” e uniformizada é o que temos. Você engole isso? Eu não. Por isso acabo voltando aos clássicos, porque dá muito desânimo “perder tempo” com a literatura produzida agora.

Curiosamente, depois de escrever o parágrafo acima, encontrei no livro de Antônio Cândido (PDF grátis aqui), “A educação pela noite e outros ensaios”, o crítico literário que mais admiro, que vem corroborar exatamente com o meu pensamento em relação ao conto de Carola Saavedra. Ai, Literatura Contemporânea, qual é mesmo a sua cara? Na mosca, veja (p.213):

candido

Na resenha sobre “Balada da infância perdida”, de Antônio Torres, no final, eu coloco também essa questão da literatura contemporânea inconsistente. Veja lá.

Não vou descartar a autora por causa desse conto, se ela anda fazendo sucesso no Brasil, não deve ser por causa desse texto. Qual é o bom, quem indica? Alguém que tenha lido “de verdade”, por favor.

A Carola parece simpática e deve ser um amor de menina. Mas não posso ser crítica (e sincera) se pensar na sensibilidade do escritor, tenho que dizer o que penso, eu vou no texto. Vá lá, pegue o conto, leia e venha me dizer o que achou, quero saber a sua opinião. Falando em Literatura a gente se entende.

Unknown

 Saavedra, Carola. Convivência (conto). Formas breves. E-Galáxia. Epub, 2014. 14 páginas