Resenha: “Sobre a seleção natural”, de Charles Darwin


Sempre leia o original. Claro que você pode e deve ler ensaios, resenhas e estudos sobre, mas são opiniões, textos que já foram mastigados por outros. Você tem que mastigar também o texto original. A leitura influenciada pela opinião alheia pode nos direcionar a caminhos que nem sempre nos convêm. Por isso a importância da fonte primária, aquela obra que originou todas as outras, essas são as mais interessantes, porque é o astro literário ou gênio científico, como nesse caso, em sua própria voz.

E assim fala Charles Darwin em “Sobre a seleção natural”, em primeira pessoa, em uma linguagem surpreendentemente simples, qualquer leigo em Ciências pode entender. Não é um livro “difícil”, nem é só para estudantes (aliás, nenhum professor recomendou a leitura desse livro na minha época de estudante, uma pena!), ele é para qualquer pessoa interessada na humanidade e suas origens.

Sem querer julgar a fé ou crença alheia, a alegoria bíblica em Gênesis é uma representação literária da criação do homem, é fisicamente impossível (eu já sei que “para Deus nada é impossível”. Estamos falando de Física e Ciência, ok?). Os escritores da época tinham que explicar de uma forma que as pessoas entendessem, de acordo com seus interesses e limitado entendimento. O ruim é que muita gente acredita ainda hoje, literalmente. Enfim, a fé é livre. Eu não sei de muita coisa, só sei que não fui criada da costela de Adão.

Quem foi Charles Darwin

O cientista inglês Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12/02/1809- Downe,  19/04/1882) foi um revolucionário que abalou as crenças vitorianas, e que, ainda hoje, sofre ataques dos criacionistas religiosos por causa de suas teorias sobre a criação do homem e evolução das espécies.

Darwin começa o livro falando sobre a cadeia alimentar, os animais que matam para sobreviver, “a luta pela existência”. Ele explica o termo: “(…) inclui não só  a vida do indivíduo, mas o êxito ao deixar descendência”. A natureza está programada para alimentar- se sem destruir-se– quer dizer– até chegar no homem, o maior depredador da natureza. Ainda assim, a Natureza resiste (por quanto tempo, não sei…).

Esse é um livro que mexe com as emoções mais profundas, porque nós– eu, pelo menos– enxerguei o homem como num quadro: somos parte de um processo inexorável, uma mecânica perfeita. Fazemos parte de uma cadeia natural, mas vivemos sem pensar muito nisso, mas creio que seja bom pensar. Acredito que a aproximação com a nossa essência primordial, a forma como estamos inseridos na natureza, pode nos ajudar a parar de gastar energias inutilmente para centrá- las em outras mais importantes. Sofrer antecipadamente com medo da morte, por exemplo, é uma delas. A morte na natureza é mais que necessária, o universo não suportaria a progressão geométrica (chamada “doutrina de Malthus”) se as espécies, inclusive o homem, se reproduzissem sem uma ordem: início, meio e fim. Veja:

Inclusive o homem, que é lento em reproduzir- se, duplicou- se em vinte de cinco anos e, segundo essa progressão, em menos de mil anos sua progênie não teria, literalmente, lugar para ficar de pé. 

Linneo calculou que se uma planta anual produz só duas sementes– e não existe nenhuma planta que seja tão pouco produtiva–, e suas plantinhas produzem outras duas no ano seguinte, e assim sucessivamente, aos trinta anos haveria um milhão de plantas.  (p. 9-10)

Esses cálculos, essas progressões, fizeram com que eu calculasse os membros da minha própria família: só a partir dos meus bisavós maternos, eles “produziram” gente demais! Faça essa “brincadeira” e conte os membros da sua família a partir dos seus bisavós e verá que mundo de gente!

Terminei a leitura encantada com o Mr. Darwin, que não só modificou a história da humanidade, como também foi um excelente escritor, fantástico comunicador, talvez isso o tenha ajudado a transmitir a importância das suas conclusões e ter- se feito ouvir. A linguagem a favor da Ciência. O autor toca a prosa poética para falar sobre a natureza. É um texto belíssimo!

Charles Darwin fala de algo que todos (alguns mais que outros) fazemos diariamente: lutar pela vida. Alguns ganham, outros perdem.

O livro resenhado é um extrato, um capítulo da obra maior de Darwin, “A origem das espécies”.

IMG_0622Darwin, Charles. Sobre la selección natural. Taurus- Santillana Ediciones Generales, España, 2012. Páginas: 157

Essa resenha eu tinha preparado para o Falando em Literatura, mas acabei publicando na Revista BrazilcomZ (março, com algumas adaptações), mas publico aqui também. Obra deliciosa, vale muito a pena!

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A biblioteca dos Templários, Ponferrada, Espanha


Há lugares no mundo que parecem mágicos, acabados de sair dos livros de contos de fadas ou dos filmes, mas que são reais, eles existem. Um desses lugares é o Castelo dos Templários em Ponferrada, Espanha.

IMG_7109  O castelo é uma fortaleza construída no século XV por D. Pedro Álvarez de Osório, Conde de Lemos. Há um castelo anterior em ruínas, do século XI, no mesmo terreno. A cidade era dominada pela “Ordem do Templo”, quando a Igreja tinha muito, mas muito poder. Ao redor do castelo formou- se uma vila romana.

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Dentro do Castelo há uma biblioteca muito especial com uma exposição chamada “Templum Libri” (“Templo do Livro” em latim) com alguns dos livros mais belos da história, que até pouco tempo estavam ocultos, pertenciam à coleções privadas, estavam em monastérios, universidades e museus. Primeiramente, tais livros só podiam ser apreciados pela igreja e realeza, a nobreza e a burguesia, quem os tinha, detinha o poder, o conhecimento.

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A maioria deles são códices e manuscritos com temáticas religiosas, ciências físicas e humanas, livros impressos ilustrados com grande valor artístico. A exposição é composta por fac-símiles (cópias idênticas às originais, costuma- se fazer quando são livros muito importantes, raros e de valor histórico) de livros, principalmente bíblias, de todo o território europeu.
IMG_7153O térreo da biblioteca:

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A coleção de bíblias é imensa, preciso de um post só para falar delas:

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A paixão pelo livro: o livro como portador de conhecimentos e obra de arte constitui uma das contribuições mais notáveis criadas pelo ser humano, o melhor da nossa herança cultural e intelectual.IMG_7292

Esses fac- símiles colocam diante dos nossos olhos um passado longínquo, que nos faz conhecer mais sobre nós mesmos como humanidade.11873484_504999292988969_4228809097412228199_n“O livro das horas”, de Medici Rothschild. Final do século XV, Inglaterra.IMG_7397

Os Cavaleiros Templários faziam parte de uma ordem militar religiosa medieval muito poderosa. Lutavam para defender e ganhar territórios.

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Libri nostri sunt. (“Os livros são nossos”). Vamos desfrutá- los!


Endereço:

 Avda. del Castillo s/n – 24400 Ponferrada- Espanha

http://www.ponferrada.org

“Uma vida filosófica”, Gilles Deleuze- PDF grátis


O filósofo francês Gilles Deleuze morreu o passado sábado em Paris, vítima de lesões causadas ao atirar- se da janela de seu apartamento na Avenida de Niel. Aposentado desde 1987 e professor emérito, Deleuze tinha 70 anos e há tempos sofria de uma grave insuficiência respiratória. Com ele desaparecem um dos mais importantes filósofos franceses deste século, e quem sabe, o mais heterodoxo. Junto a Michel Foucault (morreu por causa da AIDS em 1984), Louis Althusser (morreu em 1990, depois de ter assassinado sua mulher) ou Guy Debord (também escolheu o suicídio), a morte violenta de Deleuze soma- se à trágica estatística da escola parisiense. Sobre Deleuze disse Foucault que era ‘o único espírito filosófico da França’.

Assim o El País anunciou a morte de Gilles Deleuze em 6 de novembro de 1995.

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O PDF ” Una vida filosofica” (em espanhol) está disponível para você baixar no seu computador. Esta obra é um conjunto de textos, conferências de Deleuze, reunidos e publicados depois de um encontro em homenagem ao autor no Rio de Janeiro e São Paulo em 1996.

CLIQUE AQUI.

Dez filmes românticos com encanto


Sexta- feira, 13, mas hoje não é dia de falar de terror e sim de amor: amanhã é o “Dia dos Namorados” na Europa (“San Valentín na Espanha), Estados Unidos, países da América Central e alguns da América do Sul como a Venezuela e o Uruguai. Para comemorar essa data com uma alta dose de romantismo, escolhi dez filmes com magia e encanto para assistir acompanhado(a) ou sozinho(a)…

Continue lendo o post original lá no PalomitaZ, Revista Brazil com Z.

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