Poesia concreta brasileira


O Concretismo no Brasil “impôs- se” em 1956, segundo Alfredo Bosi. Antes disso, em 1952, surgiu uma antologia “Noigrandes”, composta por Haroldo Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, creio que os escritores mais importantes e, digamos, “puros” nesse gênero, pois desenharam uma poesia carregada de significados, poesia pra ver. Veja alguns exemplos:

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Essa é uma das minhas preferidas, de Décio Pinatari. Vai continuar tomando Coca- Cola?!décio

Essa também é de Décio Pignatari:

décio2

haroldo

Haroldo de Campos:Haroldo2

A leitura de poesia concreta é diferente da poesia convencional, porque a forma é muito importante. As palavras soltas no espaço têm muito mais liberdade artística e de significado. Elas podem ser lidas de baixo pra cima, do meio pro final, de trás para frente, não têm uma ordem, os versos podem ser livres, fixos, sem rimas, com rimas, não têm sistema definido. O leitor é convidado à anarquia, à rebelião e é um sujeito muito ativo no processo leitor, na construção de significados. A forma do poema antecede a leitura convencional. O leitor pode até parar por aí, se quiser, só na forma do poema. Os modernistas vieram para isto, para quebrar esquemas, ritmos, leituras, tradições, destruir e recriar  algo novo, diferente.

Referência bibliográfica: Bosi, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira, Cultrix, 36ª ed., SP, 1994.

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Três poemas concretos


A poesia concreta é uma espécie de poesia experimental em forma de ideogramas. São textos visuais que exprimem ideologias, ideias. As letras e as formas se complementam formando um todo cheio de significados.

José Paulo Paes (Taquaritinga, 1926 – São Paulo, São Paulo, 9 de outubro de 1998).

José Paulo

Veja como a força dos cincos versos de uma palavra só podem expressar toda a frieza e caráter dos banqueiros:

Epitáfio Para Um Banqueiro

Negócio 
Ego 
Ócio 
Cio 
O

Décio Pignatari (Jundiaí, 20 de agosto de 1927 – São Paulo, 2 de dezembro de 2012)

Décio Pignatari 10

Esse é um poema que dá para gente brincar, fazer várias interpretações, ler de baixo para cima, de cima para baixo, ler intercalando versos, é um poema vivo, que parece que se movimenta mesmo:

(sem título)

PV Rio de Janeiro (RJ) 06/12/2012 Poema de Décio Pignatari Foto: Divulgação

Augusto de Campos (São Paulo, 14 de fevereiro de 1931)

augusto de campos

Brincar com palavras, a fragmentação enigmática. O fagote é um instrumento de sopro e o esôfago faz parte do aparelho digestivo. O poema vai descendo, descendo…as palavras vão sendo degustadas, digeridas. O poema é muito longo, aí está a metade:

Bestiário para fagote e esôfago

sim
poeta
infin
itesi
(tmese)
mal
(em tese)
existe
e se mani
(ainda)
festa
nesta
ani
(triste)
mal
espécie
que lhe é
funesta
 
ao ver- se
perse
guido
bufa
lo se
esconde
flor de
estufa
sua
língu
a  conde
corada
a extingu
ir- se
 
ou
para
sita
para 
li
ti
co
se
equi
[con
dor]
para
[no
vôo]
libr
brisa]
ista
à
seca
lista
de
zebra
em 
zoo
 
se
tem
fome
come
fama (…)