Poesia concreta brasileira


O Concretismo no Brasil “impôs- se” em 1956, segundo Alfredo Bosi. Antes disso, em 1952, surgiu uma antologia “Noigrandes”, composta por Haroldo Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, creio que os escritores mais importantes e, digamos, “puros” nesse gênero, pois desenharam uma poesia carregada de significados, poesia pra ver. Veja alguns exemplos:

31224765_980710278751199_3401499590308921344_n

31239309_980710272084533_1062192910344126464_n

Essa é uma das minhas preferidas, de Décio Pinatari. Vai continuar tomando Coca- Cola?!décio

Essa também é de Décio Pignatari:

décio2

haroldo

Haroldo de Campos:Haroldo2

A leitura de poesia concreta é diferente da poesia convencional, porque a forma é muito importante. As palavras soltas no espaço têm muito mais liberdade artística e de significado. Elas podem ser lidas de baixo pra cima, do meio pro final, de trás para frente, não têm uma ordem, os versos podem ser livres, fixos, sem rimas, com rimas, não têm sistema definido. O leitor é convidado à anarquia, à rebelião e é um sujeito muito ativo no processo leitor, na construção de significados. A forma do poema antecede a leitura convencional. O leitor pode até parar por aí, se quiser, só na forma do poema. Os modernistas vieram para isto, para quebrar esquemas, ritmos, leituras, tradições, destruir e recriar  algo novo, diferente.

Referência bibliográfica: Bosi, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira, Cultrix, 36ª ed., SP, 1994.

Anúncios

Canção do Exílio, de Gonçalves Dias


O escritor e professor Gonçalves Dias nasceu em 1823 na cidade de Caxias (Maranhão) e faleceu dentro do navio Ville de Boulogne nas costas do Maranhão em 1864. Ele voltava da Europa muito doente, mas não morreu disso, o navio naufragou já pertinho de casa. Filho de um português e uma brasileira cafusa (mistura de negro e índio), por isso se dizia descendente das três raças que formaram a etnia brasileira. Estudou Leis em Coimbra, inspirou- se em Garret e Herculano (escritores portugueses), notórias influências em sua escrita. Voltou ao Brasil em 1845 e foi nomeado professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II. Quem terão sido os alunos de Gonçalves Dias?

descarga

Sua obra: Primeiros cantos (1846), Segundos cantos e sextilhas de Frei Antão (1848) e Últimos cantos (1851), todos com temática romântica (natureza-pátria-religião) e o amor impossível, de caráter autobiográfico, já que ele pediu em casamento uma jovem chamada Ana Amélia, mas ela recusou, pois sua família foi contra. A causa? Preconceito de cor. Gonçalves esteve no Amazonas e dessa viagem escreveu o livro Brasil e Oceânia (1852) e o Dicionário da Língua Tupi (1858). Deixou inacabado o poema épico Os Timbiras.*

Foi Gonçalves que escreveu um dos poemas mais bonitos da literatura brasileira. Em Canção do Exílio está contido todo o sentimento do imigrante longe da sua terra natal, a saudade, a  melancolia, a distância que transformou o Brasil numa terra idílica:

Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar –sozinho, à noite– 
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que disfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu’inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.  

De Primeiros cantos (1847)

Coitado, né? Voltar ele voltou, pena que morreu no mar, não deu tempo de ouvir o canto do sabiá outra vez.

Referência bibliográfica: BOSI, Alfredo, História concisa da literatura brasileira, 36ª edição, Cultrix, SP, 1994.