Poesia concreta brasileira


O Concretismo no Brasil “impôs- se” em 1956, segundo Alfredo Bosi. Antes disso, em 1952, surgiu uma antologia “Noigrandes”, composta por Haroldo Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, creio que os escritores mais importantes e, digamos, “puros” nesse gênero, pois desenharam uma poesia carregada de significados, poesia pra ver. Veja alguns exemplos:

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Essa é uma das minhas preferidas, de Décio Pinatari. Vai continuar tomando Coca- Cola?!décio

Essa também é de Décio Pignatari:

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A leitura de poesia concreta é diferente da poesia convencional, porque a forma é muito importante. As palavras soltas no espaço têm muito mais liberdade artística e de significado. Elas podem ser lidas de baixo pra cima, do meio pro final, de trás para frente, não têm uma ordem, os versos podem ser livres, fixos, sem rimas, com rimas, não têm sistema definido. O leitor é convidado à anarquia, à rebelião e é um sujeito muito ativo no processo leitor, na construção de significados. A forma do poema antecede a leitura convencional. O leitor pode até parar por aí, se quiser, só na forma do poema. Os modernistas vieram para isto, para quebrar esquemas, ritmos, leituras, tradições, destruir e recriar  algo novo, diferente.

Referência bibliográfica: Bosi, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira, Cultrix, 36ª ed., SP, 1994.

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Os reis da Espanha entregarão amanhã o prêmio Cervantes ao escritor Sergio Ramirez


O escritor nicaraguense Sergio Ramirez (Masatepe, 05/08/1942) receberá amanhã, no Dia Internacional do Livro,  o Prêmio Cervantes, o mais importante outorgado a escritores espanhóis e hispano- americanos. A solenidade acontecerá na cidade de Alcalá de Henares, terra natal de Miguel de Cervantes, e será presidida pelos reis da Espanha, Felipe VI e Letizia Ortiz. Sérgio é o primeiro centro- americano a conseguir esse prêmio, que começou há 42 anos. A grande Nélida Piñón está na Espanha e assistirá a solenidade, já que  Ramirez é um grande amigo da escritora.

23559504_2001428196761021_5087737475304710830_nSergio Ramirez, sua esposa e Nélida Piñón. (Facebook da autora)

Sergio Ramirez, apesar de ser um dos escritores mais celebrados na Europa e América Latina, não foi editado no Brasil, pelo menos eu não achei nenhuma edição em português. Os editores brasileiros precisam “espabilar”, como falamos na Espanha, “acordar”, prestar mais atenção e oferecer também aos leitores brasileiros não só enlatados e best- sellers, mas também qualidade literária, mesmo que as vendas sejam inferiores. Creio que todo editor deveria ter este compromisso moral.

Este problema não tenho na Espanha. Toda a premiadíssima obra de Sergio Ramirez foi editada por aqui. Segue a lista:

Castigo divino (1988).

Un baile de máscaras (1998).

Cuentos completos, com prólogo de Mario Benedetti (1998).

Margarita, está linda la mar (1998).

Mentiras verdaderas (ensaios sobre a criação literária, 2001).

Catalina y Catalina ( Contos, 2001)

El reino animal (2007).

Sombras nada más (2002).

Mil y una mortes (2005).

El cielo llora por mim (2008).

 La fugitiva (2011).

Adiós muchachos (2007).

Tambor olvidado (2008).

Cuando todos hablamos (2008).

Noche tibia (2012).

Flores oscuras (2013).

Juan de Juanes (2014).

Sara (2015).

El cielo llora por mi (2016).

Ya nadie llora por mí (2017).

¿Te dio miedo la sangre? (2018).

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A maioria pela editora Alfaguara, veja.

Sergio Ramirez também esteve envolvido com política, foi vice- presidente da Nicarágua. Veja um vídeo curtinho para saber um pouco sobre a sua vida e obra (em espanhol), clica aqui.

Amanhã a RTVE deve transmitir ao vivo o evento de entrega do Prêmio Cervantes 2017. É só você voltar aqui amanhã e clicar neste link.

 

 

 

 

A “transparência” como linguagem


Observando as redes sociais, adivinha quem tem mais seguidores em se tratando de empresas e/ou pessoas? Os que aparentam ser mais transparentes. Detalhe importante: isso não tem a ver, necessariamente, com a verdade. A imprensa brasileira que o diga. A era da privacidade acabou e se você quiser “existir” no mundo virtual, conquistar clientes e pessoas, tem que parecer o mais natural possível.

As empresas mais sólidas e confiáveis são as mais transparentes; os bloggers e personalidades mais seguidos e amados (odiados também, sempre há “haters”) são os que mostram a “realidade” de suas vidas. Mesmo que seja uma realidade inventada.

No nosso tempo há uma contradição iminente, a hipocrisia em duas faces: pessoas que só mostram uma vida idílica de viagens, restaurantes caros, amores perfeitos e sucesso profissional e, em contrapartida, o do naturalismo pós- moderno, onde a escatologia reina junto com um excesso de linguagem de baixo calão. Certos personagens filmam- se na privada, na cama, em situações íntimas familiares, seus excessos, seu tédio, suas dores, fragilidades e também doenças.

Ninguém é tanto, nem tão pouco. Todos criam falsas situações para vender e conquistar seus objetivos. Em ambos, há encenação.

A tal da “naturalidade” é muito subjetiva. Quanto mais sucesso, mais surgem situações pré-fabricadas e cada vez vão mais longe em suas tentativas.

Ainda assim, com situações forçadas, a “transparência” é a linguagem que dá certo nas redes sociais. Só não sei qual é o limite, se é que existe, e também não sei se as pessoas estão preparadas para pagar o preço dessa ultra- exposição.

Tudo fica gravado na internet. Com as capturas de tela e vídeos, nada mais fica impune. Portanto, cuidado com a encenação que faz de si mesmo, porque pode ter o efeito contrário ao esperado.

O discurso que querem emitir com imagens ou textos tão forçados, desesperados até…qual a intenção por trás? O que nos querem vender? Saber ler além do evidente, saber ler as entrelinhas, é importantíssimo para não se deixar enganar ou manipular. Isto, em todos os aspectos da vida…e mais do que nunca.

 

Por que o Falando em Literatura existe?


No início do ano fui convidada pelo produtor do programa “Trilha de Letras” da TV Brasil para divulgar o Falando em Literatura.

Mandei um vídeo, envergonhada, avisando sobre a minha incapacidade de produzir vídeos legais e que o dispensassem se não servisse. Não entrou no ar até agora e acho que não vai entrar, porque é muito ruim mesmo…hahaha! Então, posto aqui pra vocês o meu fracasso como videomaker.

Vídeo no Falando em Literatura

Ah, aproveita e se inscreva no canal 🙂

Resenha: “Ciranda de pedra”, de Lygia Fagundes Telles


Tenho uma leve lembrança da novela “Ciranda de Pedra”, que passou na minha infância (1981), mas nada significativo em relação ao enredo, só lembro do rosto de Lucélia Santos; portanto, essa obra era como uma desconhecida para mim. Sei que a novela da Globo foi um tremendo sucesso, foi reprisada e ganhou um remake em 2008. De novela eu não entendo, não as vejo desde 2004, época da minha expatriação “definitiva”. Quem entende do assunto é a minha amiga Alana Freitas, vejam lá o “Entretelas”, blog especializadíssimo nessa arte de massas. Em tempo: a adaptação de “Ciranda de Pedra” (a de 2008) também foi vista em Portugal.

A história começa com uma menina revoltada, triste, deprimida, que chora junto à Luciana, a empregada mulata, que cuida de toda a família. Esta obra foi escrita em 1954 e nota- se a opressão e preconceito que os negros sofriam. A cor estava associada à feiura (referência dos cabelos) e à tristeza. Os anjos só podiam ser brancos:

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Virgínia utiliza a cor de Luciana para atacá- la e menosprezá- la em momentos de tensão. Luciana é um personagem forte, porque faz as revelações mais importantes da narrativa, que é bem melodramática na primeira parte, por isto deve ter virado novela na TV, tem elementos de folhetim. Mas não foi ameno, levei alguns sustos, é uma narrativa abrupta dividida em duas partes. Já na primeira desenvolve- se todo o dramalhão. Não posso negar que não haja verossimilhança com a vida. Aliás, a vida é muito pior.

Os pais estão separados e a mãe, Laura, sofre demência, algo parecido com Alzheimer algumas vezes, e também sofre alucinações e desconecta do mundo “real”. Ela não lembra que Virgínia é sua filha, mas tem alguns momentos de lucidez.

A narrativa está entremeada em uma teia de fragilidades, rupturas e analogias entre pessoas, pássaros e animais invertebrados como beija- flores, formigas, aranhas e borboletas. Laura vê besouros: é o sinal de que Virgínia perdeu a mãe mais uma vez. A obra é enigmática, há uma aura de mistério e dor.

Vamos descobrindo mais sobre quem é Laura nos seus momentos de lucidez; no entanto, não dá para saber se os fatos são reais ou fruto de sua loucura. Ela conta que sua mãe era atriz e que seus pais morreram num incêndio. Daniel é o seu marido. Ela abandonou o ex, Natércio, pai de Virgínia, por causa dele. Laura e Natércio têm outras duas filhas, Bruna e Otávia, que moram com o pai.

A impressão é que Daniel pode ter algo de responsabilidade pela doença de Laura. Ele proíbe a entrada de Virgínia no quarto da mãe, não dá para saber se por proteção ou algo estranho. Virgínia o vê participando da loucura da mãe. Depois Daniel a envia para morar com o pai. Mais tarde descobrimos o motivo disso tudo, não vou contar, porque seria spoiler grande.

Na casa de Natércio quem cuida das meninas é Frau Herta, antipática e até cruel com Virgínia, a repreende a todo momento e exalta a qualidade de suas irmãs. Natércio é rico e mora num casarão.

Virgínia tenta negar a doença da mãe e afirma em reiterada vezes que melhorou, mesmo sabendo que não é verdade, principalmente por medo. Ela teme perder a mãe. Daniel explica o seu conceito de morte à Virgínia:

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Daniel lê um livro de Charles Manson, “Sparkenbroken”, publicado em 1936, que diz o seguinte (adaptado pelo editor): “A noite passada voei para a árvore da morte;/ De súbito uma brisa fez- me pairar; / E eu, mísero boneco de penas arremessado,/ Envolvido no meu elemento, voltei a ser pássaro.”

Para Daniel há vida após a morte e esta é a libertação. Virgínia gosta do “tio Daniel”, mas tem que fingir que não, afinal, foi por causa dele que os seus pais se separaram. O médico é muito mais carinhoso que o seu pai. Elas, Otávia e Bruna, desprezavam a pequena, que não é parecida em nada com as duas, nem em gestos, comportamento ou aparência. Claro que já dá pra desconfiar que Virgínia é filha de Daniel e não de Natércio e esse foi o motivo da separação do casal, a infidelidade de Laura. Mas, se isso é certo, por que ainda não contaram à Virgínia a verdade?

A narrativa na primeira parte da obra intercala- se em três ambientes: a casa do pai, a casa da mãe e a imaginação de Virgínia. Na segunda parte, Virgínia foi morar num colégio interno de freiras.

Há outros dois personagens, Afonso e Conrado, irmãos e vizinhos da casa de Natércio. Virgínia tinha uma queda por Conrado, mas o moço não prestava atenção nela e sim na irmã Otávia. O tempo passou e  Afonso casou- se com Bruna, tiveram uma filha. Frau Herta, doente, já não é mais a governanta e sim a portuguesa Inocência. Conrado mudou- se depois da morte da mãe para uma chácara e Natércio aposentou- se. E sobre Daniel e Laura, essa parte não vou contar. Também não vou contar o que aconteceu com Virgínia, você vai ter que ler o livro…só vou contar que ela, já crescida, sai do colégio interno e volta para a casa de Natércio.

É uma obra bem escrita e que me provocou sensações de choque e angústia por vários motivos.

Creio que na novela há mais dicotomia de personagens vilões e mocinhos, vítimas e algozes. No romance não, são só humanos…

Qual caminho escolher? Essas encruzilhadas que a vida nos impõe e suas inexoráveis consequências. É uma história cheia de bifurcações e despedidas, e essas, nunca são alegres.

Esta é a edição portuguesa lida, ainda sem as correções do acordo ortográfico:

29571360_965128723642688_6404595740615182933_n       Telles, Lygia Fagundes. Ciranda de Pedra. Presença, Lisboa, 2008. 204 páginas

Se quiser comprar a mesma edição que a minha, clica aqui.

Quarenta (e um) passos para ser bastante infeliz


Existe muito livro de auto- ajuda e textos pela Internet dando lições sobre como ser feliz. Coisa que eu acho impossível, já que as pessoas são felizes (ou infelizes) de formas muito diferentes. Mas, sobre como ser infeliz ninguém fala. É tão óbvio como cavar a própria infelicidade, mas passa por alto. Hoje estava pensando nas coisas cotidianas que podem tornar as pessoas bastante infelizes sem perceberem; às vezes, entram por caminhos sinuosos e inecessários, apenas com pensamentos recorrentes, ações diárias e a percepção que têm sobre os demais. Eu comecei a escrever e saiu quarenta (e um) itens que devemos evitar a todo custo. Caramba, parece auto- ajuda, mas lá vai:

  1. Pense em todos, menos em você.
  2. Pense só em você, esqueça os demais.
  3. Mantenha relacionamentos que não deseja.
  4. Coloque doses diárias de pessimismo em tudo o que fizer.
  5. Conforme- se, não faça nada, fique parado assistindo TV ou Netflix.
  6. Escute todo mundo, menos o seu coração.
  7. Pense em futilidades e não cultive o seu mundo interior.
  8. Acredite em tudo o que os outros falam.
  9. Trabalhe em algo que detesta.
  10. Não trabalhe ou estude, não faça nada produtivo e que possa te sustentar no presente ou futuro.
  11. Tenha muito medo de errar.
  12. Tenha medos infundados e deixe que te dominem.
  13. Crucifique- se por suas falhas.
  14. Não aprenda nada novo.
  15. Viva no passado.
  16. Culpe os outros por tudo.
  17. Espere que outros façam tudo por você.
  18. Não assuma os seus erros.
  19. Seja invejoso.
  20. Nunca cante e dance.
  21. Viva isolado, seja bastante antissocial.
  22. Não viaje, não conheça outras culturas.
  23. Seja racista e preconceituoso.
  24. Coma muito e de tudo sem se preocupar com amanhã.
  25. Nunca faça revisões médicas.
  26. Viva na sujeira e desordem.
  27. Tenha muitos pensamentos derrotistas.
  28. Olhe a todos como se fossem inimigos.
  29. Seja desconfiado sempre.
  30. Dê muitas facadas pelas costas (cuidado, no sentido figurado!) e cuspa no prato que comeu.
  31. Economize sorrisos. Gargalhadas nem pensar.
  32. Seja perfeccionista e não tolere erros próprios e alheios.
  33. Cobranças são algo que incomodam bastante. Então, incomode muito a sua família, marido, esposa, mãe, pai, irmãos, filhos, com elas.
  34. Não tenha empatia nem solidariedade pela dor alheia, quanto mais frio, melhor.
  35. Julgue muito e, na dúvida, sempre condene.
  36. Nunca beije, muito menos abrace.
  37. Corra dos problemas alheios, vai que precisam de sua ajuda.
  38. Finja muito, nunca seja verdadeiro, nunca diga a verdade.
  39. O ódio é algo a ser cultivado, quanto mais odiar, mais infeliz será.
  40. Sempre queira algo em troca por tudo que fizer.
  41. Essa vai de lambuja: mande bastante indiretas no Facebook, nunca fale abertamente sobre o que te incomoda.

Se você conhecer alguém que se encaixa em dez itens pelo menos…xiiii….compartilha!

 

 

 

Resenha de filme: “A livraria”, de Isabel Coixet


Estreou no Brasil nesta última semana, o filme “A livraria”, da cineasta espanhola Isabel Coixet. O filme ganhou o Goya de melhor direção na Espanha. Merecido prêmio: a direção é primorosa. E a atriz protagonista, Emily Mortimer, também levou o Goya. O filme foi baseado no livro da inglesa Penelope Fitzgerald, “The Bookshop” e acontece no final dos anos 50 na Inglaterra, na cidade de Hardborourgh . Amei a fotografia e o figurino. Há cenas exteriores que foram gravadas nas praias de Barcelona, além da Irlanda do Norte.

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“A livraria”(2017) é um excelente filme, mas não é pra todo mundo. Ele é cheio de sutilezas e silêncios carregados de significados, que muitos não saberão interpretar e poderão achar lento. A obra mostra, principalmente, uma relação maniqueísta. A viúva sem filhos, Florence Green (Emily Mortimer) mora numa cidadezinha da Inglaterra, ama ler e decide montar uma livraria, o seu sonho. Ela acredita que sua vida ganhará mais sentido, como uma missão, mesmo sabendo que é um negócio de alto risco e que pode lhe dar prejuízo. Escolhe uma casa abandonada há anos, a “Old House”.  Pede um empréstimo no banco, que lhe é concedido com muita dificuldade, e compra a casa velha e úmida. Arruma o básico e muda- se logo na primeira semana.

Tudo vai bem até a esposa rica de um militar, Violet Gamard (Patricia Clarkson), uma socialite filantropa (a maldade costuma usar este tipo de recurso, filantropia e religião, numa tentativa de  integrar- se e ser respeitado socialmente para poder estender amplamente a sua sombra envenenada), convida Florence para uma festa em sua casa ao saber que esta iria montar uma livraria na cidade.

A bruxa, quer dizer, Violet, tenta “convencê-la” (soa à ameaça) a montar na casa um centro cultural, porque considera melhor, mas Florence continuou com o seu sonho. Os livros chegaram e ela montou sim a biblioteca, a “The Old House Library”.

A inveja. A inveja é um sentimento terrível, porque, na verdade, ela não quer possuir o que tem o outro, ela só deseja que o outro não tenha o que tem. E não mede sacrifícios para isto.

A casa estava abandonada há anos, mas Violet, só agora, a queria. Ela era tão poderosa, que em um ano, conseguiu que uma lei de patrimônio histórico fosse aprovada para despejar Florence da sua própria casa, que era antiga, mas não tinha valor histórico.

Durante todo o filme vemos as armadilhas de Violet e a bondade de Florence. O bem contra o mal, a eterna luta. É algo muito, muito real, cotidiano. Infelizmente, há muitas Violets atravancando caminhos e arrebatando coisas que não lhe pertencem maquiavelicamente…só por maldade, inveja, porque querem algo que naturalmente jamais teriam.

Dois personagens importantes: a ajudante da livraria, uma menina que trabalha pela tarde, mas que foi impedida de continuar o trabalho que amava por artimanha da bruxa e Edmund Brundish (Bill Nighy), um senhor que vivia isolado numa casa antiga, leitor voraz, que odiava os seres humanos justamente por causa de pessoas como Violet, mas que acaba sendo conquistado pela bondade e coragem de Florence.

O filme é cheio de referências bibliográficas, com destaque para “Lolita”, de Vladimir Nabokov e “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, esse tem resenha aqui no Falando em Literatura.

Infelizmente, amigos, o bem nem sempre vence. Mas, o que nunca as Violets da vida poderão nos roubar é o amor verdadeiro, a bondade e os sonhos, coisas que jamais conhecerão. Florence deixou uma semente plantada. Essa é a mensagem do filme.

Veja o trailer do filme, aqui.

O livro que deu origem ao filme está completamente esgotado na Espanha. Penelope Fitzgerald escreveu “A livraria” em 1978. Eis a autora:

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Penelope nasceu em 1916 e faleceu no ano 2000 em Londres, era casada com um soldado irlandês e teve três filhos. Uma pena não ter visto a sua obra no cinema. Ela publicou seu primeiro livro aos 58 anos, apesar do seu pai ser editor, foi uma “late bloomer“. A autora escreveu outros nove livros.