O que é Saudade


“Saudade non ten tradución a ningunha língua. Compartida por galegos e portugueses, ten unha diferenza entre ambos. Para os portugueses é ausencia de calquera cousa; para os galegos só da terra, de Galiza, presenza que, aínda estando nela, non é completa. Dicía Rafael Dieste que unha vez nela (Galiza) a terra pide máis, algo que un non sabe o que mís é.”

“Saudade não tem tradução à nenhuma língua. Compartida por galegos e portugueses, tem uma diferença entre ambos. Para os portugueses é ausência de qualquer coisa; para os galegos só da terra, presença que, ainda estando nela, não é completa. Dizia Rafael Dieste que uma vez nela (Galiza) a terra pede mais, algo que a pessoa não sabe o que mais é.”

No encarte do cd “Saudade”, do grupo de música celta galego “Luar na Lubre”, da Galiza, Espanha.

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“A trança de Inês”, Rosa Lobato de Faria


“Um não sei quê que nasce não sei de onde

Vem não sei como e dói não sei porquê”

Luis de Camões

Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa em 1932 e faleceu recentemente, no último 02  de fevereiro aos 77 anos. Estava internada há uma semana por uma grave anemia, consequência de uma cirurgia que sofreu há 6 meses.

Era poeta, escritora, compositora e atriz.  Participou da primeira novela portuguesa “Vila Faia” (1983).

O livro “A trança de Inês” ( 2001) baseado na lenda de “Pedro e Inês”, narra a história de dois apaixonados que desejam, tentam, mas não podem ficar juntos por obra do Destino. São várias histórias simultâneas, os mesmos personagens vivendo em épocas diferentes, reencarnações e recordações dessas histórias que atormentam a Pedro, que está internado num hospício. As histórias acontecem num passado remoto, num passado recente, no presente e no futuro- sim, no futuro. Um amor atemporal, que vence as limitações do tempo.

A autora conta um sonho de Pedro, um sonho místico: ele entra numa sala onde pode escolher o seu Destino, antes de ser enviado para a próxima “viagem” que completaria a sua evolução. Só que nesse lugar não existe a memória, não existe a recordação de nenhum fato, só a intuição. Numa tela começam a aparecer palavras, ele só pode escolher uma, o seu Destino. Entre muitas palavras como “fortuna, poder, altruísmo, mar, música, etc”, sem saber o motivo ele escolhe “paixão”: Inês.

Um romance com clara tendência espírita: “a evolução não passa pelo que se vive mas pela forma como se vive aquilo que se tem que passar” (p. 137).

Nesse romance não- lineal, os diálogos são apresentados ao estilo “saramaguiano”, sem nenhuma pontuação e em letras minúsculas.

A vida de Pedro com Inês no futuro é a mais original e surpreendente. A autora criou uma sociedade muito bem estruturada no ano de 2090, onde as pessoas são  prescindidas em favor da natureza, que deve ser preservada a todo custo, numa sociedade onde o ser humano individualmente não tem valor. Os casais são selecionados por sua genética superior (inteligência, altura, beleza, histórico familiar de doenças, educação, etc) para poder procriar e existe um controle de natalidade rigoroso com o intuito de diminuir a população mundial, pois tanta gente prejudica a natureza.

Pedro escolheu a “paixão” como destino. E você? A gente pode mesmo escolher o nosso destino?

E a Rosa? A Rosa já foi para mais uma “viagem”- espero que o destino “Letras” tenha sido e seja bem feliz.

Faria, Rosa Lobato de, A trança de Inês, Leya, Alfragide, 2001.

UPDATE:  A história de Pedro e Inês que deu origem ao livro, aconteceu em Coimbra, Portugal, entre o rei e a criada nesse casarão na “Quinta das Lágrimas” (fotos de Acyro, do Flickr)

Curiosidades da Gastronomia Portuguesa


Que tal provar essas iguarias portuguesas?

Moelas de frango no Brasil também são apreciadas e preparadas de várias formas, inclusive em espetinhos e em farofas.

Pica- pau é um prato de bife, com ovo e batatas, clica na receita e na foto.

Pipis são miúdos, tal como a moela, coração e entranhas, geralmente comidos como tira- gosto.

Já os túbaros não têm nada a ver com tubarões não… é o prato mais exótico de todos: você provaria testículos de borrego (cordeiro)?! Então esse é o seu prato! Veja receita.

Bom apetite!

Palácio Nacional de Mafra, Portugal


Hoje eu conheci Mafra, uma cidadezinha encantadora que fica a 25km da cidade de  Lisboa. Nela está o Palácio Nacional de Mafra e o Convento de Nossa Senhora e Santo Antonio de Mafra construídos em 1717 pelo rei dom João V, edificações consideradas obras- primas do barroco português.

É proibido tirar fotos no interior, mas transgredi por uma boa causa: para mostrar arte, beleza, cultura e história pra quem quiser ver:

A biblioteca do Palácio de Mafra é impressionante, grandiosa, imponente com seu piso de mármore em três cores diferentes, estantes de madeira ao estilo rococó repletas com 40.000 livros entre os séculos XIV ao XIX . Estão encadernados em couro com títulos gravados em ouro.  Entre esses livros está a 2ª edição de “Os Lusíadas” de Luis de Camões.

Olha aonde foi parar o ouro do Brasil: na capa de livros.

Detalhe do Barroco português na Biblioteca do Palácio de Mafra.

O Palácio é ligado ao Convento. Essa é a enfermaria onde os doentes graves, os freis franciscanos, ficavam para recuperar- se ou então para serem retirados cadáveres pela escadinha anexa. Ao fundo, o altar. As camas que ficam nesses reservados eram arrastadas para o centro do corredor para que os doentes pudessem assistir a missa aos domingos.

Essa foi a minha sala preferida, a sala dos pianos. Imagino os saraus que  faziam aí.

Vida de reis para plebeu ver.

O pedófilo e estuprador: Roman Polanski


O franco-polonês Roman Polanski,  cineasta pedófilo e estuprador de uma menina de 13 anos (confessou o crime em 1977, ele tinha 44 anos ). Usou como cenário do crime a casa do amigo Jack Nicholson nos Estados Unidos (esse protagonizou “Chinatown”, autoria e direção de Polanski) drogou a menina e depois a violentou. “Chinatown” foi indicado para o Oscar em onze categorias, levou na de melhor roteiro original).

O cineasta já consagrado, cometeu o pior dos crimes que é atentar sexualmente contra uma menor de idade e  com o agravante de que ela estava inconsciente, pois estava drogada, não havia nenhuma chance de reação. Depois de um acordo com a vítima nos tribunais, ela retirou a denúncia por violação (suponho que recebendo muito dinheiro) mas a denúncia por manter relações sexuais com uma menor seguiu em frente, mas ele fugiu dos Estados Unidos.

Ele fugiu para Europa (França) e só ia a países onde sabia que não podia ser extraditado.

Não vou comentar toda a sua filmografia, mas foram muitos filmes depois do crime hediondo e ele continuou aclamado pela crítica, pelos colegas de trabalho e pelo público (pior) como se fosse uma pessoa “normal”.

Agora vem a pergunta: se ele fosse um assalariado… seria tratado da mesma forma? Creio que há também muito desconhecimento sobre esse criminoso.

Os amigos e companheiros de profissão o defendem, dizem que já pagou o crime. Sentem pena, porque teve uma infância difícil (é sobrevivente do Holocausto) e teve sua primeira esposa assassinada. Se todas as pessoas no mundo com tragédias pessoais saíssem cometendo crimes, o que aconteceria? Nada justifica o crime que cometeu. Quando o pedófilo é artista, perdoa- se?! Trinta e três anos livre do crime bárbaro que cometeu.

Em 27 de setembro de 2009 ele foi preso na Suiça quando ia buscar um prêmio pelo filme “O pianista”, onde está em prisão domiciliar. Os Estados Unidos pedem a extradição para julgá- lo como deveria ter sido há trinta e três anos.

Quando você for assistir a um filme do Polanski, lembra dessa história, do violador pedófilo que está por trás dele. Pensa duas vezes, quem sabe assim você muda de canal ou de sala no cinema, pois você pode estar alimentando, embalando o próprio diabo, como em “O bebê de Rosemary”.

“O silêncio dos amantes”, Lya Luft


Eu acho que escolheram mal o título, há algo de erótico nele  e disso o livro  tem muito pouco.  Algumas exceções muito sutis como o belíssimo “Encontros” sobre a dona-de- casa que ganha asas, ou o “Adria”, uma história de amor  dessas que não acabam nem com a morte.

“O silêncio dos amantes”, reúne 20 contos do gênero fantástico, onde o sobrenatural, o obscuro, a família,  a morte e o mistério andam de mãos dadas. Tudo parece tão veraz que nos transporta a esse mundo mágico sem percebermos e acabamos fazendo parte dele  através dos nossos próprios medos, dúvidas, dores, experiências e recordações de infância.

Nesse mundo místico criado pela Lya, existe espaço para pessoas especiais com poderes paranormais e mágicos, onde  intuição e a loucura sao permeados pelo amor- ao filho, à mãe, à irmã, ao marido, à avó. Amor que vem inexoravelmente acompanhado da dor, “A dor faz parte”-  a  última frase do livro, sentença ditada no conto que leva o mesmo da obra “O silêncio dos amantes”.

Miguel Delibes, “Um povo sem literatura é um povo mudo”


No dia 12 de março de 2010 faleceu um dos maiores escritores da língua castelhana, Miguel Delibes, vítima de câncer. O escritor espanhol, nascido em Valladolid em 17 de outubro de 1920, não gostava de aparecer e nem de dar entrevistas, talvez por timidez.  Não deu fórmulas sobre como escrever um bom livro, mas disse o que não é necessário:

“Para escrever um bom livro não considero imprescindível conhecer Paris nem haver lido o Quixote. Cervantes, quando escreveu o Quixote, ainda nao o havia lido”.

“Para escribir un buen libro no considero imprescindible conocer París ni haber leído el Quijote. Cervantes, cuando escribió el Quijote, aún no lo había leído”.
Uma crítica à sociedade espanhola, fria e materialista, uma constatação que pode servir como alerta:

“De lo que más hablan los españoles es de dinero”.

“Do que mais falam os espanhóis é de dinheiro”.

O jornal El País fez um especial sobre a vida e obra de Miguel Delibes, que vale a pena ler e ver, sua vida  relembrada por imagens.

Lá se foi um dos poucos escritores que tinham uma aura mágica, desses que a arte literária aparece mais que a pessoa, quase impossível de se encontrar hoje em dia.