Onze conselhos de Ray Bradbury para escritores novatos


Em 2001, Ray Bradbury participou de um simpósio de escritores na PLNU (Universidade de Point Loma Nazarene- San Diego, Califórnia), deixando onze conselhos para escritores novatos.

20ventura600Ray Bradbury, aos 88 anos (junho 2009), para o NYT: “Eu não acredito em escolas e universidades. Eu acredito em livrarias”

Se você tem 15 ou 75 anos e sonha em ser escritor, dá uma olhada nesses excelentes conselhos para sonhadores de todas as idades:

1– Comece pelos contos curtos
Bradbury aconselha a não começar pelo romance. “O problema com os romances é que você  pode ficar um ano escrevendo um e pode não ficar bom, já que você ainda não aprendeu a escrever”. O ideal é escrever muitos contos curtos, mesmo que sejam ruins, servem para treinar. “Te desafio a escrever cinquenta e dois contos ruins. Não se pode”. E praticando… “certamente chegará uma história maravilhosa”.

2. Não tente imitar os seus autores favoritos
Procure o seu próprio estilo. Bradbury cita como um erro da sua juventude, quando tentava imitar os autores que ele admiraba, entre os quais, Julio Verne, Arthur Conan Doyle e H.G. Wells. “Você não pode ser nenhum deles” (…) “você pode amá- los, mas não pode vencê-los”.

3. Aprenda com os grandes contistas
Bradbury cita como mestres dos contos curtos: Roald Dahl, Guy de Maupassant, John Cheever, Nigel Kneale, Edith Wharton e John Collier, que o aspirante a escritor deve ler e estudar. Também aconselha afastar- se das histórias contemporâneas como as publicadas pela revista New Yorker, pois “carecem de metáforas”, só retratam a vida cotidiana.

4. Use muitas metáforas
“Metáfora” é uma figura retórica de pensamento e talvez seja o recurso mais utilizado pelos escritores, de um modo geral (quer um post sobre as metáforas? Se sim, escreva seu desejo nos comentários!).

Bradbury não se considera um romancista nato, mas um “colecionador de metáforas”. Por isso,  o escritor novato tem que “engolir” obras literárias clássicas, para ampliar os seus recursos, que serão depois utilizados para criar as suas próprias histórias.  O autor sugere a leitura, todas as noches, de um conto, um poema e um ensaio, especialmente os de George Bernard Shaw. Segundo Bradbury, com essa rotina você vai acabar  “cheio de ideias e metáforas” na cabeça,  que combinadas com sua perspectiva e experiências de vida irão gerar novas metáforas e ideias.

5. Afaste- se das pessoas que não acreditam em você
Está cercado de pessoas que não acreditam no seu sonho de ser escritor e até tiram sarro disto? Conselho de Bradbury: “Chame- os hoje mesmo e despeça- se deles. Serve para qualquer coisa.

6. Visite a biblioteca com frequência
Bradbury não tinha nível superior, não pode pagar seus estudos, foi autodidata, se formou na biblioteca. Ele ia três, quatro vezes por semana, durante dez anos. “Viva na biblioteca, não no seu computador”. Sim pessoal, ler um livro é muito mais confiável, estimulante e completo, que pegar textos mastigados, curtos e duvidosos da internet. Vá direto na fonte: os livros. E o mais legal: viciam.

7. O cinema como fonte de inspiração
Bradbury frequentou cinemas desde criança. Cinema é magia pura e uma incrível fonte de inspiração para novos escritores. Procure os filmes clássicos, principalmente.

8. Divirta- se criando e escrevendo
Escreva para divertir- se, não se leve tão a sério, relaxe. Se começar a escrever e a história transformar- se em “trabalho”, jogue no lixo e tente outra vez. “Se a mente ficar em branco no meio de uma história, é o seu subconsciente te dizendo que não gosta do que está fazendo”.

9. Esqueça o dinheiro
Bradbury  foi valente e recusou grandes quantidades de dinheiro, quando lhe ofereceram para escrever sob encomenda, sabia que isso lhe “destruiria”, porque iria escrever o que não desejava. “Minha esposa e eu tínhamos  trinta e sete anos quando pudemos comprar o nosso primeiro carro”. Quem te disse que seria fácil?

10. Escreva duas listas
O que você ama e o que você odeia? “Escreva uma lista com dez coisas que ama apaixonadamente e escreva sobre elas. Faça uma lista com dez coisas que você odeia e as mate”. Escreva sobre as personas que você odeia, sobre seus medos, pesadelos e os mate.

11. Escreva sobre a primeira coisa que vier na sua cabeça
“Quando começo a escrever nunca sei aonde vou, todos meus livros foram surpresas”. O autor recomenda começar associando palavras que venham na cabeça. “Com sorte, no final da segunda página, começarão a aparecer personagens” provenientes da sua “verdadeira essência”. Dessa forma, você irá descobrir coisas sobre si mesmo que não sabia.

Deixo aqui a conferência de Ray Bradbury na íntegra. Mesmo que você não entenda inglês, vale a pena dar uma olhada, pelo menos para conhecer a voz do autor, muito simpático por sinal. Espero que estes conselhos te ajudem. Se você colocar esses exercícios de escritura criativa em prática venha me contar se funcionaram.

Ah, e volte rapidinho aqui, pois a resenha de “Fahrenheit 451”, a obra- prima de Bradbury, está para sair!

 

 

 

 

 

 

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Na ponta da caneta


Um pensamento quando ganha forma, ganha mais força.

Vamos espalhar o amor?! Veja o vídeo aqui, clica!

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Falando em Literatura no Youtube!


Hoje é só uma chamadinha, em breve, o primeiro vídeo feito com muito carinho pra você! Vamos expandir, procurar outra forma de comunicação, tentar fazer com que as nossas opiniões literárias cheguem a um público diferente. Vamos ver como será a experiência. Se eu for gongada logo no primeiro, estaciono o projeto e fico só por aqui mesmo. Espero que não, conto com o apoio de vocês, caros eleitores…quer dizer, leitores! hahaha

Veja a vinheta do Falando em Literatura (amadora, estou aprendendo ainda):

Inscreva- se logo para eu não me sentir tão sozinha, assim você não perde o vídeo de estreia. Nos vemos!

Ah, e quem tiver dons artísticos e quiser me dar de presente de Natal um logo mais bonitinho, oba!

Vídeos de Zygmunt Bauman, conferência Madrid, 2010


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foto: Fernanda Jiménez

O Falando em Literatura abriu seus arquivos e encontrou esses vídeos do renomado sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman (Polônia, 1925) em uma conferência na Universidad Complutense de Madrid no dia 10 de dezembro de 2010. São dois vídeos de qualidade duvidosa, o som começa  baixinho, mas aumenta no segundo 0:46, época em que Fernanda Jiménez ainda não dominava a arte de gravar em telefones celulares. Essa conferência foi sobre os tempos líquidos, termo do ensaísta, que define a nossa era que carece de definições, estas ainda estão sendo construídas (ou não). Vivemos a era da incerteza.

Demonstre que o dinheiro gasto pelo seus pais em cursinhos de inglês e espanhol valeu a pena! Veja os vídeos:


 

Leia mais sobre a conferência. Clique aqui.

Uma biblioteca ilustre


Especialmente para todos os que amam bibliotecas.

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Martín de Riquer na sua biblioteca.

Martín de Riquer (Barcelona, 03/0571914 – Barcelona17/09/2013) foi um doutor em Filologia Românica, especialista em literatura medieval e trovadoresca, escreveu vários livros teóricos sobre literatura, como “Para ler  Cervantes“. Foi professor emérito na Universidade de Barcelona, membro da Academia Real de Letras Espanhola, ganhou prêmios importantes na área de Letras e Ciências Sociais. Riquer, como todo bom investigador que se preze, tinha uma biblioteca impressionante, imensa e com obras raras. Fez da sua casa uma biblioteca. No vídeo (em espanhol), a filha de Riquer nos explica um pouco sobre o conteúdo da biblioteca e como ela foi criada pelo pai falecido no ano passado:

BIBLIOTECAS | MARTÍN DE RIQUER from La Central on Vimeo.

“Os trovadores”, livro indispensável para os amantes e estudiosos da literatura medieval. São 1760 páginas de poesia, uma jóia, um presente para os nossos sentidos:

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Para nós que vemos poesia em tudo


Viagem de carro Barcelona- Madri. Parada em posto de gasolina em Zaragoza. Pacote de balas ao acaso. No carro, vejo que as balinhas chamadas “adoquines” têm algo especial: a imagem da Virgen del Pilar e um desenho tipíco da terra de Calatayud em Zaragoza. Uma bala tradicional dura com sabores de frutas. Abro. Dentro de cada uma existe um poema feito para cantar, poemas populares espanhóis, “coplas”, músicas tradicionais andaluzas que normalmente são acompanhadas por uma dança chamada “jota”.

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Ya pues ponerte manico

otra nariz y otra cara

porque ha maridao el alcalde

que se arreglen las fachadas.

ya nos juntamos en casa

diez críos, cuñada y suegra

por algo dicen los sabios

que el amor todo lo llena

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A copla é um tipo de música muito antiga que se aproxima aos trovadores medievais, veja:

Uma bala, uma coisa tão simples e que evoca a tradição e a cultura de um povo!

“Cordas”, curta- metragem espanhol


Há alguns dias, vi esse vídeo lindíssimo, o curta- metragem que ganhou o Goya 2014 (que é a maior premiação do cinema espanhol). “Cordas” (“Cuerdas”) é baseado em fatos reais, vale a pena ver os quase 11 minutos. É uma criação de Pedro Solís, um desenhista que tem dois filhos: Alejandra, que quando tinha seis anos nasceu seu irmão Nicolás com paralisia cerebral, ele não se movimenta. O amor pelo irmão e as brincadeiras de Alejandra com ele inspiraram a criação dessa história. No final do vídeo, o pai o dedica à família: “à minha filha Alejandra, obrigado por inspirar- me essa história; ao meu filho Nicolás, quem dera nunca ter me inspirado essa história; à Lola, por tudo que você nunca chorou diante de mim.”

Eu fiz as legendas em português e coloquei no meu canal do Youtube, e para minha surpresa, espalhou feito pólvora, em três dias 117.774 visualizações! (até agora, 22 de fevereiro às 15: 21h)

Se você ainda não viu, não perca!

Clica aqui.

Update, 24 de fevereiro: a produtora do vídeo reclamou direitos autorais e pediu a retirada do vídeo no meu canal, infelizmente.