O dia em que me tornei espanhola ou a fábrica de fazer espanhóis

Esta é uma das crônicas que ficaram nos rascunhos sem postar. Escrevi no dia 14 de novembro de 2019, depois da cerimônia de juramento da nacionalização espanhola. Eis: Uma mulher multinacional, agora eu tenho três nacionalidades, além da permissão de … Continuar lendo O dia em que me tornei espanhola ou a fábrica de fazer espanhóis

Em quantos países se fala o português?

Se você tem o português como idioma nativo, você deveria saber responder esta pergunta: em quantos países o português é falado? Soube responder? Parabéns! Já você que pensa que a nossa língua é coisa só de portugueses e brasileiros: aprender … Continuar lendo Em quantos países se fala o português?

Manuel Bandeira e Drummond no Parque dos Poetas em Portugal

Alguns sonhadores pensaram que seria uma boa ideia criar um parque onde a poesia fosse a grande atração. E realmente foi uma excelente ideia! Alguns dos idealizadores do parque:  Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras (1985-1989), o poeta e escritor David … Continuar lendo Manuel Bandeira e Drummond no Parque dos Poetas em Portugal

Resenha: “O seminarista”, de Bernardo Guimarães #RevisitandoOsClássicos #1

“Crescent illae, et vos crescentis, amores” (“As árvores hão de crescer, e com elas haveis de crescer vós, meus amores” – Virgílio citado na p. 88) Aqui começa uma série: Revisitando os Clássicos Brasileiros. O que significa? São livros que … Continuar lendo Resenha: “O seminarista”, de Bernardo Guimarães #RevisitandoOsClássicos #1

Resenha: “Cada homem é uma raça”, Mia Couto

“-A minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia.” (Mia Couto) António Emílio Leite Couto, Mia Couto ( Beira, Sofala, Moçambique, 05/07/1955 ) é o escritor moçambicano mais traduzido e conhecido no mundo. Escritor … Continuar lendo Resenha: “Cada homem é uma raça”, Mia Couto

Resenha: A hora do diabo, de Fernando Pessoa

A música, o luar e os sonhos são as minhas armas mágicas. (Fernando Pessoa, p.44) Este livro, “A hora do diabo”, são folhas soltas escritas por Fernando Pessoa, fazem parte do espólio do autor depositado na Biblioteca de Lisboa. Foram organizadas pela … Continuar lendo Resenha: A hora do diabo, de Fernando Pessoa

“O tempo envelhece depressa”, Antonio Tabucchi

Perguntei- lhe por aquele tempo, de quando éramos ainda realmente jovens, ingénuos*, arrebatados, patetas, incautos. Alguma coisa ficou, a juventude não- respondeu. (p. 11) O escritor italiano morava em Lisboa e era apaixonado pela língua portuguesa. Tabucchi morreu no ano passado de câncer. Conheci a obra de Tabucchi depois de sua partida no ano passado (Vecchiano, Pisa, Itália 24/ 09/ 1943 – Lisboa, Portugal 25/ 03/ 2012). O primeiro livro que li foi Requiem: uma alucinação, uma obra muito interessante, sobrenatural, mística. Fiquei com vontade de conhecer mais e comprei “O tempo envelhece depressa”, um título que me identifico muito, porque ultimamente é uma preocupação e luta constantes … Continuar lendo “O tempo envelhece depressa”, Antonio Tabucchi

Gente linda é gente que lê

Quando andamos pela rua e vemos gente compenetrada com suas leituras, não dá vontade de ler também? “Ahhh…por que não trouxe meu livro!” Gente linda, é gente que lê no ônibus, no metrô, no banco da praça, no avião, embaixo de uma árvore, na sala de espera do médico, na cafeteria…gente que não pode andar sem um livro, gente que inspira! (Todas as fotos são minhas, cópias com créditos, ok?) O leitor e a bicicleta, Parque del Retiro, Madri Lendo em dupla, Parque del Retiro, Madri Leitor solitário, Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa Leitura e descanso, jardim do Museu do Prado, … Continuar lendo Gente linda é gente que lê

“José e Pilar” ou “Pilar e José”?

“José e Pilar” é um documentário de Miguel Gonçalves Mendes lançado em 2010, Fernando Meirelles é um dos produtores, no filme aparece a bela cena em que Saramago, emocionado, chora ao assistir “Blindness” em 2008. Gravado durante os anos de fevereiro de 2006 até  finais de 2008 ( o escritor faleceu em junho de 2010). Começa com a criação de uma biblioteca em Lanzarote (ilha espanhola em que residia Saramago e a esposa Pilar del Rio, jornalista espanhola). Nesse período o escritor escreveu “A viagem do elefante”, que foi interrompido com cinquenta e poucas páginas por uma doença grave, que … Continuar lendo “José e Pilar” ou “Pilar e José”?

Resenha: “Claraboia”, de José Saramago

             Claraboia: s. f. Parte envidraçada de um telhado para entrar claridade. José Saramago (Azinhaga, 1922- Lanzarote, 2010) foi o único escritor em língua portuguesa a ganhar um prêmio Nobel de Literatura. Veja a sua obra completa e biografia no site da Fundação José Saramago, que é transcrito literalmente na orelha da edição póstuma de “Claraboia” e que vem com uma falha ao não citar a primeira esposa, Ilda Reis, mãe de sua única filha, Violante (só cita Pilar del Rio). Saramago casou- se com apenas 22 anos de idade (1944) e o casamento durou 26 anos, … Continuar lendo Resenha: “Claraboia”, de José Saramago

Português de Portugal X Português do Brasil (4)

Apesar de Margarida Rebelo Pinto escrever em um português mais “neutro”, digamos assim, sem tantas expressões lusas, retirei alguns vocábulos do seu livro “O dia em que te esqueci”, que seriam escritos diferentes em português brasileiro: Portugal   X    Brasil 1. Piroso – brega 2. Pilinha- pintinho (pênis) 3. Espaguerte- espaguete 4. Alcunha- apelido 5. Forreta- pão- duro 6. Pucarinho- na cara-de-pau, na ponga (ser hospedado e alimentado na casa de alguém grátis, por exemplo) 7. Jeans ruços- jeans velhos, desgastados 8. Engodo- isca, armadilha 9. Bonomia- humildade Você pode consultar outras listas aqui, aqui e aqui.   Continuar lendo Português de Portugal X Português do Brasil (4)

O império do efêmero, Zygmunt Bauman (conferência, Madrid, 2010)

Estamos vivendo a era do passageiro. Quase nada é feito para durar, tudo passa veloz e acaba caindo na insignificância.  Todo mundo tem pressa, urgência, ninguém entra mais em labirintos, a preferência é pelos atalhos. Chega- se antes, mas não se aprecia a paisagem, o caminho. A aprendizagem, que só o tempo proporciona fica prejudicada. Os bons pratos precisam de tempo para serem degustados, mas o fast- food prevalece. Até as pessoas são descartáveis na hora das relações de trabalho. A balança é descompensada e sofre o lado mais fraco. A troca é injusta, desigual. Quantos precisam sofrer para um … Continuar lendo O império do efêmero, Zygmunt Bauman (conferência, Madrid, 2010)

Nova ortografia do português

Ainda nova para muita gente, as mudanças ortográficas costumam ser questionadas  em relação a sua utilidade e necessidade, devido às diferenças culturais dos países lusófonos: Em janeiro de 2011 completará 2 anos da implantação da nova ortografia. Modificou algo no seu quotidiano? Dúvidas, dificuldades, facilidades ou é como se nunca estivesse existido? Continuar lendo Nova ortografia do português

O blog do Saramago

O último texto do Saramago no seu blog: Nem leis, nem justiça Fevereiro 13, 2010 Em Portugal, na aldeia medieval de Monsaraz, há um fresco alegórico dos finais do século XV que representa o Bom Juiz e o Mau Juiz, o primeiro com uma expressão grave e digna no rosto e segurando na mão a recta vara da justiça, o segundo com duas caras e a vara da justiça quebrada. Por não se sabe que razões, estas pinturas estiveram escondidas por um tabique de tijolos durante séculos e só em 1958 puderam ver a luz do dia e ser apreciadas pelos … Continuar lendo O blog do Saramago