Entrevista com o poeta Lúcio Autran (filho de Autran Dourado)


Para quem ainda não sabe, eu escrevo uma coluna literária (também chamada “Falando em Literatura”) na revista BrazilcomZ (impressa) na Espanha e que também pode ser lida online nesse link aqui (veja). A matéria de capa é sobre um debate polêmico, a legalização da maconha no Brasil.

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Na Falando em Literatura desse mês de outubro saiu uma entrevista muito bacana que eu fiz com o grande poeta Lúcio Autran, filho do saudoso e maravilhoso Autran Dourado, com fotos lindíssimas da família, a opinião de Lúcio sobre o mercado editorial no Brasil, sobre poesia, sobre a Espanha e muito mais. A versão online saiu a entrevista na íntegra, na impressa foram quatro páginas, veja só o início:

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Mas não esquece de passar lá na revista online, lá dá pra ver melhor e assim nos incentiva a continuar falando sobre literatura. E para quem está em Madri ou Barcelona, você pode pegar a revista no consulado do Brasil nessas cidades e nos pontos de distribuição.

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Resenha: “O centro das nossas desatenções”, de Antônio Torres.


(…) Com sua numerosa Corte traz a Biblioteca Nacional, com mais de 14 mil livros, além de documentos, salvos do terremoto de Lisboa, em 1795. (p.68)

Por que as pessoas nascidas na cidade do Rio de Janeiro são chamadas de cariocas? Por que o Rio de Janeiro recebeu esse nome? Quando e como aconteceu o primeiro grande baile na cidade? Como se deu a colonização carioca? Aonde começou a cidade? Por que os “almofadinhas” são chamados assim, qual a origem do termo? Quer conhecer essas e outras curiosidades sobre a cidade do Rio de Janeiro colonial, imperial e republicano? Leia essa obra!

Já começa interessante pelo título, boa sacada: “O centro das nossas desatenções”. Normalmente, os centros da cidades brasileiras parecem que não recebem a atenção merecida, nem por parte das autoridades, dos comerciantes e empresas em geral, nem pelos pedestres, que passam diariamente sem ver as suas mudanças paulatinas e constantes durante o tempo.  O centro fica lá, um monumento carregado de histórias e esquecimento. Quer dizer, ficava. Antônio Torres (Sátiro Dias, 13/09/1940) com o seu olhar atento de turista (que nunca se deve perder, mesmo sendo nativo, mesmo morando num lugar há muito tempo) desfaz essa injustiça em relação ao centro da Cidade Maravilhosa. Mas não só: aponta também as suas mazelas, a parte perigosa e desagradável da cidade; também as invenções arquitetônicas que não deram certo. No Rio tem de tudo. Tudo mesmo!

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Este livro é uma crônica de memórias, autobiografia, um pequeno tratado da história do Rio de Janeiro em todas as suas fases, desde a sua dominação até a contemporaneidade.  Esse livro resgata a história da colonização e cita Cunhambebe, personagem de “Meu querido canibal”, livro espetacular do mestre Antônio, traduzido na Espanha. Um passeio pela arquitetura da cidade, suas ruas, bares, pontos-de- encontro, seus personagens e muita informação, tudo isso entremeado com fotografias reais dos lugares descritos. Antônio Torres conhece o Rio de Janeiro “como a palma de sua mão”. E aposto: mais que muitos nativos e até os mendigos, residentes fixos no centro da cidade.

Eu sou uma apaixonada pelos centros das cidades de um modo geral; no centro mora o caos sim, mas também mora toda a história e as “aves raras”, as mais interessantes; ali está a arte em todas as suas vertentes, todos os ritmos e sabores; é no centro que mora a boemia. Gente de subúrbio, de condomínios, de bairros nobres…é tão…tão…padronizada. Passear pelo centro é uma aventura sim,  é onde tudo pode acontecer. O mestre Antônio Torres cita Érico Veríssimo:

Amar é conhecer.

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 Torres, Antônio. O centro das nossas desatenções. Record, Rio de Janeiro, 2015. 79 páginas

Morreu hoje também o Nobel de Literatura Günter Grass


Mal havíamos sabido da morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano e chegou mais essa notícia: faleceu hoje também o Nobel de Literatura (1999), o alemão Günter Grass aos 87 anos em uma clínica na cidade de Lübeck. A página da sua editora, a alemã Steidl está estática e inteira com uma foto do escritor.

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O autor saía em todas as suas fotos com esse cachimbo na boca.

Günter Grass revelou bastante tarde no livro “Descascando a cebola”, já um escritor consagrado, que serviu aos nazistas na Segunda Guerra mundial e isso gerou muita polêmica. Ele era um soldado, e “soldado mandado não comete crime”. Ele escreveu uma obra importante na pós- guerra e parece que foi um cidadão honrado. Acho que isso basta. Basta? Ele foi testemunha, estava lá no meio do Holocausto,  depois foi prisioneiro dos Estados Unidos. Difícil, as opiniões são bem divididas, muitos não conseguiram separar o escritor da pessoa. Social- democrata, Grass foi contra a unificação alemã e contou nos seus livros o sofrimento do seu povo na guerra. No seu próprio país pediram que ele renunciasse ao Nobel. O escritor pediu perdão pelo seu “pecado” de juventude. Em Israel ele era persona non grata. Há quem diga Grass sentia vergonha e torturou- se durante toda a sua vida por ter pertencido ao nazismo aos 17 anos e que toda sua obra foi um exercício de penitência.

Lá se foi o escritor, a obra ficou. Independente de suas ideologias e de seu passado, ele escrevia muito bem. Você decide, você escolhe se deve ler a sua obra ou não.

Patrick Modiano, Nobel de Literatura 2014


Ele é francês de Boulogne-Billancourt, Patrick Modiano, 69 anos, é o último Prêmio Nobel de Literatura.

PATRICK MODIANO : "ECRIRE, C'EST COMME CONDUIRE DANS LE BROUILLARD".

Ele é muito alto, muito gentil, meio desengonçado e muito tímido. Vive numa casa antiga em Paris perto do Jardim de Luxemburgo. O autor confirma que a sua infância triste é a chave de toda a sua escritura. A memória é muito importante na sua obra narrativa.

Suas obras mais conhecidas e consideradas perfeitas são Dora Bruder e No café da juventude perdida. Anote na sua lista de leitura! Eu já anotei na minha, vamos?!

Um passeio por Madri no Dia Internacional do Livro


Enquanto o Brasil ainda dorme, eu já fui dar um passeio por algumas livrarias de Madri nesse Dia de São Jorge. Leia como essa data passou a ser a festa do livro: você conhece a tradição espanhola de presentear flores e livros? Hoje é o dia. Todo dia é dia de leitura, mas hoje é especial. Serve para festejar, para comprar livros com descontos, presentear, agitar o mercado editorial, conhecer autores pessoalmente, pedir autógrafos, se inspirar, conhecer, ler mais ainda e pensar em literatura!

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Uma das minhas livrarias preferidas em Madri é a Casa del Libro da Calle Alcalá, 96. O edifício fica no bairro de Goya e nele morou por três anos o poeta e dramaturgo Federico García Lorca (Fuente Vaqueros5 de Junho de 1898 – Granada19 de Agosto de 1936).10310617_294338974055003_2716666937744803195_n 3

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A Casa del Libro é uma livraria bem completa, vende desde literatura infantil aos clássicos, livros de bolso, ciências humanas e sociais, etc.10153021_294338920721675_6746424988163043035_n 2
Os passeios ainda vazios, mais tarde vai ser difícil entrar, quanto mais fotografar (bom, não?!)
10294375_294338887388345_6153025178195816227_n 2O prédio numa das esquinas privilegiadas de Madri.
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Hoje as livrarias da cidade estão dando 10% de desconto nos livros. Essa é a livraria do El Corte Inglés, a loja de departamentos mais chique da Espanha:10299061_294338794055021_556052245793954224_n (1) 2
O El Corte Inglés colocou bancas de livros na calçada:1625539_294338804055020_6183191144383679885_n 2Eu já comprei os livros e as flores para os meus amores, agora vou esperar os meus!

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E aí, conta como foi/vai ser o seu Dia Internacional do Livro… Feliz dia! Salve Sant Jordi!

Os 10 escritores Prêmios Nobel de Literatura mais populares


A lista é a oficial do próprio site do Prêmio Nobel. Hoje vai sair o nome ganhador do Nobel de Literatura 2013, vamos esperar!

 

A Feira do Livro de Madri começa nesse mês de maio


A 72ª edição da Feira do Livro de Madri começará no dia 31 de maio e vai até 16 de junho. A lista dos escritores que participarão da Feira já está disponível no site da Feira. Esse ano não vai ter país convidado, o que é uma pena, pois deixamos de conhecer autores de outros países. Será a crise? De todas as formas, podemos visitar 353 stands no Parque del Retiro, pulmão verde bem no centro de Madri.

Esse é o cartaz oficial de 2013 feito pelo desenhista e fotógrafo argentino radicado na Espanha, Juan Gatti:

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Eu amo essa Feira, todos os anos participo ativamente, nela conheci muitos escritores famosos internacionalmente. Estou fazendo uma coleção de livros autografados. Esse ano vou querer autógrafo de Ildefonso Falcones que vai autografar seu último livro “A rainha descalça”, ele é o escritor da bela narrativa “A catedral do mar”. Vou aqui fazendo a minha listinha de desejos!