O britânico Kazuo Ishiguro ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2017


O Nobel de Literatura 2017, Kazuo Ishiguro, 62 anos, é japonês, mas optou pela nacionalidade britânica em 1982. A lei japonesa não permite a dupla nacionalidade.

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O autor foi escolhido pela Academia, porque…

“suas novelas de grande força emocional que mostram o abismo baixo nosso ilusório sentido de conexão com o mundo”.

Depois do polêmico vencedor do ano passado, Bob Dylan, venceu agora um autor dedicado só à literatura. No anúncio disseram que sua escrita é uma mistura de Kafka com Jane Austen. Parece interessante!

Já vou ali correndo buscar  Os resíduos do Dia (1989), parece um livraço!

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Congratulations, Kazuo!

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Resultado da enquete: “Quem vai ganhar o Nobel de Literatura 2016”


Votaram 126 vezes na enquete: “Quem ganhará o Nobel de Literatura 2016?”.

Parabéns aos sete que votaram em Bob Dylan! A pena é que não deixaram comentário no post, era obrigatório e a única forma de identificar a pessoa e seu voto.

Veja os números:

Resposta/ Votos/ Porcentagem
Lygia Fagundes Telles (brasileira) 56- 31%
António Lobo Antunes (português) 20- 11%
Haruki Murakami (japonês) 18- 10%
Milan Kundera (checo) 17- 9%
Mia Couto (moçambicano) 17- 9%
Philip Roth (americano) 10 5%
Ngugi Wa Thiong’o (queniano) 7- 4%
Bob Dylan (americano) 7- 4%
Joyce Carol Oates (americana) 5- 3%
Amos Oz (israelita) 4- 2%
Adonis (sírio) 4- 2%
Ismail Kadare (albanês) 4- 2%
Javier Marias (espanhol) 4- 2%
Jon Fosse (noruego) 2- 1%
Juan Goytisolo (espanhol) 1- 1%
Salman Rushdie (indiano) 1- 1%
Cormac McCathy (americano) 1- 1%
Don DeLillo (Americano) 1- 1%
Mircea Cartarescu (romeno) 1- 1%
Nawal El Saadawi (egípcia) 1- 1%
Margaret Atwood (canadense) 1- 1%
Enrique Vila-Matas (espanhol) 0- 0%
Joan Didion (americana) 0- 0%
Colm Tobin (irlandês) 0- 0%
Tom Stoppard (checo) 0- 0%
Charles Portis (americano) 0- 0%
Francisco Sioni José (filipino) 0- 0%
Ko Un (sul- coreano) 0- 0%
Gerald Murnane (australiano) 0- 0%
Jussi Adler-Olsen (dinamarquês) 0- 0%
David Malouf (australiano) 0- 0%
Yevgeny Yevtushenko (russo) 0- 0%
Jaan Kaplinski (estônio) 0- 0%

O box literário composto por caneca, post-its, canetas, caderno, coisinhas fofas e um livro que seria do ganhador do Nobel, ficará para outra oportunidade, mesmo porquê nem sei se Bob Dylan publicou algum livro. Que mancada da academia!

O ganhador do Nobel de Literatura 2016 é Bob Dylan!!


O cantor e compositor americano Bob Dylan (1941) é o ganhador do Nobel de Literatura 2016, o maior prêmio literário do mundo. Além do prestígio, do reconhecimento mundial e propaganda internacional (que ele nem precisa), o vencedor normalmente leva mais de 1 milhão de euros (que ele também não precisa). Na minha opinião ganhou a zebra. Se gostei? Não. Preferiria alguém que se dedica só à literatura.

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Tudo bem, é um músico excelente (a voz nem tanto), mas já não tem o Grammy pra isto?! Bem, vamos lá, então vamos cantar: clica aqui e ouça 10 canções do Nobel.

Creio que ninguém votou em Bob na nossa enquete, então os prêmios ficarão para um próximo sorteio (em breve).

Xícaras literárias da Vista Alegre, porcelana portuguesa


A fábrica portuguesa de porcelanas Vista Alegre é uma das mais famosas e prestigiosas do mundo. A fábrica (1920) fica na cidade de Ílhavo (Aveiro) e suas peças estão espalhadas pelo mundo todo, expostas em museus e usadas pela realeza. No entanto, essa plebeia, não resistiu e trouxe de Lisboa para o Falando em Literatura esse conjunto de “chávenas” para café com caricaturas de escritores consagrados. As peças sempre levam a assinatura de algum artista. A fábrica tem um museu, mas agora está em reformas, fechado para visitas.

As xícaras fazem parte de uma coleção chamada “A viagem”, do artista António Antunes (Vila Franca de Xira, 1953). Ele é diretor do Salão de Humor Gráfico World Press Cartoon. António fez uma série de desenhos que podem ser vistos na estação Aeroporto do Metrô de Lisboa. São 50 figuras em 49 painéis espalhados pela estação e estão divididas em músicos, escritores, atores e pintores, que também foram parar nas porcelanas da tradicional Vista Alegre.

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Os escritores são:

Natália Correia (Fajã de Baixo, São Miguel, 13/09/1923 — Lisboa, 16/03/1993), consagrada escritora portuguesa de prosa e verso, deixou uma rica e vasta obra. Foi política, presa, teve sua obra censurada. Casou quatro vezes, trabalhou na tv, foi jornalista. Com um pé no surrealismo, era amiga de Mário Cesariny, outro escritor que também faz parte dessa séria de “xícaras literárias”. Uma vida muito intensa, refletida nas suas escrituras, e arrebatada, repentinamente, por um ataque ao coração. Conheça mais sobre essa grande escritora portuguesa aqui.

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De amor nada mais me resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto;
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

(in, «Poesia Completa», D. Quixote, Lisboa, 1999)


José Saramago (Azinhaga, Portugal, 16/11/1922 – Lanzarote, Espanha, 18/06/2010), esse dispensa apresentações, não é? Creio que é o mais conhecido escritor português, junto a Fernando Pessoa. O único escritor em língua portuguesa que ganhou um Nobel de Literatura. Sua escritura é caracterizada pela falta de pontuação e sua crítica ácida à sociedade portuguesa, que considerava passiva, parece que mantinha uma relação amor- ódio com o seu país. Eu sou absolutamente apaixonada pela obra de Saramago. “Claraboia” (primeira foto) foi seu publicado postumamente. Foi o seu segundo livro, mas parece que o autor não gostava muito e o deixou engavetado. O viúva tratou de publicá- lo depois de sua morte. Leia mais sobre ele aqui.  Veja a resenha do último livro de Saramago, “Alabardas”, romance que, infelizmente, ficou inacabado. Saramago sai com a cara meio enfezada na caricatura, mas era bem o contrário, era uma pessoa doce, bem humorada e simpática:

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E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? (in, “A maior flor do mundo”, José Saramago)


Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 02/06/2004) foi uma escritora de prosa e verso, dessas imperdíveis, seus versos são cânticos às memórias da sua infância e da sua terra. O mar é um tema constante na sua escritura. Foi a primeira portuguesa a ganhar o Prêmio Camões. Professora universitária, formada em Letras e mãe de cinco filhos.

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Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

(in No Tempo Dividido, 1954, Sophia de Mello)


Mário Cesariny (Lisboa, 09/08/1923 – Lisboa, 26 de Novembro de 2006) poeta e pintor, principal representante do surrealismo português.  Anarquista, revolucionário e questionador, de humor ácido. Fascinante! Coloca na sua lista.

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Eu, Sempre…
Eu sempre a Platão assisto.
Pessoalmente, porém, e creia que não
Tenho qualquer insuficiência nisto,
Sou um romano da decadência total,
Aquela do século IV depois de Cristo,
Com os bárbaros à porta e Júpiter no quintal.
( in “O Virgem Negra”, Mário Cesariny)


O Facebook de António Antunes, clique aqui.

A web da Vista Alegre, clique aqui.


Estás convidada e convidado para um café literário aqui no Falando em Literatura. Vem!

Patrick Modiano, Nobel de Literatura 2014


Ele é francês de Boulogne-Billancourt, Patrick Modiano, 69 anos, é o último Prêmio Nobel de Literatura.

PATRICK MODIANO : "ECRIRE, C'EST COMME CONDUIRE DANS LE BROUILLARD".

Ele é muito alto, muito gentil, meio desengonçado e muito tímido. Vive numa casa antiga em Paris perto do Jardim de Luxemburgo. O autor confirma que a sua infância triste é a chave de toda a sua escritura. A memória é muito importante na sua obra narrativa.

Suas obras mais conhecidas e consideradas perfeitas são Dora Bruder e No café da juventude perdida. Anote na sua lista de leitura! Eu já anotei na minha, vamos?!

Feira do Livro de Madri 2013


Já foi definida a data da Feira do Livro de Madri na sua 72ª edição: acontecerá entre os dias 31 de maio a 16 de junho de 2013, horário de segunda a sexta: de 11:00 às 14:00 e de 18:00 às 21:30.  Todos os anos a Feira acontece no maior parque público da cidade, o Parque del Retiro.  A entrada é gratuita. O evento homenageia sempre um país estrangeiro, trazendo a literatura desse país junto com seus escritores. No ano passado foi a Itália, esse ano ainda não divulgaram o país escolhido. Bem que podia ser Portugal, Brasil ou qualquer país africano de língua portuguesa, não?!

A constelação de escritores nacionais e internacionais que podemos ver nessa feira é extensa, só nos três últimos anos estiveram presentes Joistein Gaarder (“O mundo de Sofia”), Isabel Allende (“A casa dos espíritos”), Eduardo Galeano (“Os filhos dos dias”), Alberto Vázquez Figueroa (extensa obra em espanhol), Mario Vargas Llosa (Prêmio Nobel de Literatura), Arturo Pérez- Reverte, Ana Maria Matute (umas das poucas espanholas a entrar para a Academia Espanhola de Letras), entre outros.

Vídeo que gravei de Vargas Llosa na feira do ano passado, fila quilométrica para pegar um livro autografado:

“José e Pilar” ou “Pilar e José”?


“José e Pilar” é um documentário de Miguel Gonçalves Mendes lançado em 2010, Fernando Meirelles é um dos produtores, no filme aparece a bela cena em que Saramago, emocionado, chora ao assistir “Blindness” em 2008. Gravado durante os anos de fevereiro de 2006 até  finais de 2008 ( o escritor faleceu em junho de 2010). Começa com a criação de uma biblioteca em Lanzarote (ilha espanhola em que residia Saramago e a esposa Pilar del Rio, jornalista espanhola). Nesse período o escritor escreveu “A viagem do elefante”, que foi interrompido com cinquenta e poucas páginas por uma doença grave, que quase o levou à morte.

O filme é chato, aborrecido, lento, sem nenhum recurso cinematográfico interessante para torná- lo mais atraente. As únicas partes realmente interessantes são as opiniões do escritor sobre a vida e a literatura, o demais sobra. Sobra a esposa que quer aparecer mais que o escritor Nobel da Literatura, sobra a esposa prepotente e manipuladora, que leva o marido idoso à estafa com viagens intermináveis e uma agenda impossível para qualquer pessoa, quanto mais uma pessoa de 84 anos naquela época.

Vemos Saramago completamente esgotado, pálido, cansado, em momentos quase não lhe saía a voz. Eu assisti ao vídeo chocada, com pena do escritor que tinha que cumprir aquela agenda criada pela esposa déspota, fria a calculista. Tão fria que não pôde interromper a sua agenda para ir ao enterro da sua própria mãe em 2007. Foi depois de MESES  à cidade de sua mãe, onde cantou no cemitério, como se fosse uma festa.

Os dois únicos netos não aparecem no filme e a filha tem uma participação mínima e faz uma reclamação sobre o tratamento que o pai recebia em Portugal e de não haver um museu sobre o seu pai em Portugal, o que é desmentido no próprio filme já que Saramago é recebido com pompa de rei em Lisboa pelo primeiro ministro José Sócrates.

A mulher oportunista casou oficialmente com o idoso Saramago, quando este parecia nem ter mais vontade própria, parecia uma marionete na mão de Pilar, que comandava e programava tudo, Saramago tinha sua vida completamente controlada por Pilar del Rio, que passa uma imagem prepotente, de uma frieza chocante e uma antipatia inerente, que contrasta com a doçura de Saramago, do frágil Saramago que aparece no vídeo. Inclusive as cartas dos leitores, era ela que abria e rasgava o que achava que não interessava antes de chegar às mãos do escritor. José parecia apaixonado e deixou-se manipular. Como ele mesmo escreveu em “Claraboia”: “Da Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”.

Pilar del Rio lamenta no Twitter que o documentário “José e Pilar”, não tenha sido indicado aos Oscar. Ela considera que seria um “ato poético apresentar esse filme”. Então a Academia e eu vimos filmes diferentes, pois de poesia tem muito pouco.

José Saramago podia ter passado muito bem sem esse documentário, pois ele já é imortal, sua literatura jamais vai desaparecer. O vídeo parece uma promoção a Pilar del Rio, que inclusive ganhou uma rua com seu nome na cidade natal de Saramago, Azinhaga. Ela quis mostrar nesse filme como era importante na vida do escritor, mas acho que o tiro saiu pela culatra, terminei o vídeo horrorizada com a esposa déspota, que levou Saramago aos eventos em cadeira de rodas depois da doença grave, sendo que ele nem conseguia falar. Ela mesma diz no vídeo, enquanto ele estava no hospital, que o ritmo acelerado havia trazido consequências para sua saúde e que “só por cima do cadáver dela” que isso voltaria acontecer. E foi o homem sair do hospital e voltar tudo na mesma. O dinheiro e fama foram irresistíveis demais. Ela estirou a corda até o final, até a estafa, até a morte. Isso é amor? Saramago disse que não teve férias por mais de 20 anos (quase o período inteiro junto a Pilar). Em São Paulo, já no final da sua vida, Pilar del Rio aparece tirando a pressão do marido, querendo passar a imagem de uma excelente e cuidadosa esposa. Na minha opinião, ela teria sido uma excelente esposa, ficando em sua casa, cuidando realmente do marido velho, cansado e doente, fazendo- o desfrutar dos seus últimos dias de vida, sem tanto trabalho. Ela, uma jornalista desconhecida da Espanha, que foi encontrar o escritor em Lisboa para “conhecê- lo”, não tinha entrevista nenhuma em mãos. Uma jornalista sem entrevista. O que ela foi fazer lá? Ela era quase 30 anos mais jovem que Saramago e fez com que ele seguisse seu ritmo. Sim, Pilar…era hora do Saramago “colocar uma manta nas pernas” e descansar, olhar a bela paisagem de Lanzarote ou de Lisboa, escrever e nada mais, y no seguir con tus caprichos de ‘niña’ consentida. No vídeo também aparece a criação da Fundação Saramago, que o próprio diz que “não pintava nada”, ele não podia assinar nada, perdeu o direito sobre as suas próprias coisas, Pilar passou a ter o domínio sobre todo o legado de Saramago e “amarrou” tudo muito bem para continuar vivendo do escritor mesmo depois da sua morte. A mulher de personalidade forte, dominante, que colocou o dinheiro e fama acima de tudo, como se vê no documentário.

Tirem as suas próprias conclusões. Eu achei tudo muito triste. Vejam o trailler:

Saramago durante o vídeo disse que a vida é “nascer, crescer e morrer”, ele era ateu, mas no início e fim do vídeo diz a frase: “Pilar, nos vemos em algum outro lugar”, deixando a impressão de um reencontro pós- morte. Manipulação ou contradição?