O ganhador do Nobel de Literatura 2016 é Bob Dylan!!


O cantor e compositor americano Bob Dylan (1941) é o ganhador do Nobel de Literatura 2016, o maior prêmio literário do mundo. Além do prestígio, do reconhecimento mundial e propaganda internacional (que ele nem precisa), o vencedor normalmente leva mais de 1 milhão de euros (que ele também não precisa). Na minha opinião ganhou a zebra. Se gostei? Não. Preferiria alguém que se dedica só à literatura.

140624-bob-dylan-1457_fc36cf65fb1e95993f7f2af408bc9600-nbcnews-ux-2880-1000

Tudo bem, é um músico excelente (a voz nem tanto), mas já não tem o Grammy pra isto?! Bem, vamos lá, então vamos cantar: clica aqui e ouça 10 canções do Nobel.

Creio que ninguém votou em Bob na nossa enquete, então os prêmios ficarão para um próximo sorteio (em breve).

Anúncios

Dez incríveis primeiros parágrafos


Um livro te pega pela capa, pelo título, sinopse, autor ou primeiro parágrafo? Eu escolho pelo autor e primeiro parágrafo.

Selecionei dez primeiros parágrafos de livros que podem agarrar o leitor pela curiosidade que despertam, veja:

1.”Intimidade”, de Hanif Kureish

Essa é a noite mais triste, porque vou embora e não voltarei. Amanhã de manhã, quando a mulher com que vivi durante seis anos tenha ido trabalhar na sua bicicleta e nossos filhos estejam no parque brincando de bola, colocarei umas coisas em uma mala, sairei discretamente de casa, esperando que ninguém me veja, e tomarei o metrô para ir ao apartamento de Victor: ali, durante um período indeterminado, dormirei no chão do pequeno quarto junto à cozinha que amavelmente me ofereceu. Cada manhã arrastarei o fino e estreito colchão até o quarto de despejo.

  • Por que será que ele fugiu?

2. “As intermitências da morte”, José Saramago

No dia seguinte ninguém morreu. O fato, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenômeno semelhante, passar- se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e noturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. (…)

  • A morte que deixa de matar. Por que será que aconteceu isso?!

3. “A confissão”, de Flávio Carneiro

A senhora ouça- me, por favor. Em primeiro lugar, peço desculpas pelo mau jeito. Sei que não foi nada gentil da minha parte interceptar o seu carro àquela hora da madrugada e apontar uma arma à sua cabeça, ordenando, ou pedindo, depende do modo como se vejam as coisas, creio ter- lhe pedido para descer do carro, embora o gesto de lhe apontar a arma possa indicar que era uma ordem, não um pedido, pode ser, não vamos discutir por ninharias, de qualquer maneira reconheço que não fui gentil.

  • Bandido ou polícia?

4. “O jogo do anjo”, de Carlos Ruiz Zafón

Um escritor nunca esquece a primeira vez que aceita umas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez que sente o doce veneno da vaidade no sangue e acredita que, se consegue que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de colocar um teto sobre a sua cabeça, um prato quente ao final do dia e o que mais deseja: seu nome impresso em um miserável pedaço de papel que seguramente viverá mais que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento, porque então já está perdido e sua alma tem um preço.

  • Genial, não?! Esse livro é a segunda parte da saga de “A sombra do vento”. No mês de novembro vai sair na Espanha a quarta parte, “O labirinto dos espíritos”.

5. “Numa e ninfa”, de Lima Barreto (conto)

Na rua não havia quem não apontasse a união daquele casal. Ela não era muito alta, mas tinha uma fronte reta e dominadora, uns olhos de visada segura, rasgando a cabeça, o busto erguido, de forma a possuir não sei que ar de força, de domínio, de orgulho; ele era pequenino, sumido, tinha a barba rala, mas todos lhe conheciam o talento e a ilustração. Deputado há bem duas legislaturas, não fizera em começo grande figura; entretanto, surpreendendo todos, um belo dia fez um ‘brilharete’, um lindo discurso tão bom e sólido que toda a gente ficou admirada de sair dos lábios que até então ali estiveram hermeticamente fechados.

  • Esse primeiro parágrafo eu escolhi, porque Lima contou toda uma história, genialmente descrita, em poucas palavras.

6. “Banguê”, José Lins do Rêgo

Afastara- me uns dez anos de Santa- Rosa. O engenho vinha sendo para mim um campo de recreio nas férias do colégio e da universidade. Fizera- me um homem entre gente estranha, nos exames, nos estudos, em casas de pensão. O Mundo cresceu tanto para mim que Santa- Rosa se reduzira a um grande nada. Vinte e quatro anos, homem, senhor do meu destino, formado em Direito, sem saber fazer nada. Nada de grande tinha aprendido, nenhum entusiasmo trazia dos meus anos de aprendizagem. Agora tudo estava terminado. Um simples ato de fim de ano, e a vida devia tomar outro rumo.

  • É um dos meus livros preferidos da literatura brasileira. O ar melancólico, o romantismo, o amor impossível são os seus principais ingredientes. O primeiro parágrafo dá o tom que acompanha todo o livro. Leia a resenha aqui.

7. “Saber perder”, de David Trueba

O desejo trabalha como o vento. Sem esforço aparente. Se encontra as velas estendidas nos arrastará à velocidade de vertigem. Se as portas e  janelas estiverem fechadas, golpeará durante um tempo em busca das gretas ou fissuras que lhe permitirão filtrarem- se. O desejo associado a um objeto de desejo nos condena a ele. Mas há outra forma de desejo, abstrata, desconcertante, que nos envolve como um estado de ânimo. Anuncia que estamos prontos para o desejo e só nos falta esperar, soltar as velas, que sopre o vento. É o desejo de desejar.

  • Acho genial a analogia que o autor fez sobre o desejo de uma forma poética e certeira. A tradução ao espanhol é minha, se você pegar alguma edição em português, pode ser que esteja diferente.

 8. “O Grande Gatsby”, Francis Scott Fitzgerald

Na minha primeira infância meu pai me deu um conselho que, desde então, não cessou de dar- me voltar pela cabeça.
‘Cada vez que te sintas inclinado a criticar alguém- me disse- tenha presente que nem todo mundo teve as suas vantagens…’

  • Na verdade, são os dois primeiros parágrafos, precisei do segundo para completar o primeiro. Adoro o conselho do pai do personagem, acho que serve pra todo mundo.

9. “O professor”, de Frank McCourt

Já estão chegando.
E eu não estou preparado.
Como iria estar?
Sou um professor novo, e estou aprendendo com a prática.

Os quatro primeiros parágrafos carregados de significados. A falta de preparação e prática nas universidades (do mundo!) fazem com que os recém- formados utilizem, sem querer, os alunos como cobaias, na base do erro e acerto, como se fossem seu laboratório, experimentos científicos. Esse livro (vai ter resenha!) é autobiográfico, o professor americano Frank McCourt conta as suas experiências em mais de 30 anos de profissão.

10. Anna Karenina, Liev Tolstói

familia

Todas as famílias felizes são semelhantes; cada família infeliz é infeliz a seu modo.

Um dos melhores livros de um dos maiores escritores da literatura mundial, “Anna karenina”, começa assim, com essa oração curtinha e uma sentença pra pensar.


Você leria algum desses livros por causa do seu primeiro parágrafo?

Agenda de feiras de livros no Brasil (Agosto/Setembro) e algum desabafo


Veja as feiras de livros que estão acontecendo agora ou que começarão em setembro:

Eu fiquei tão constrangida quando vi a lista de “autores” que dariam autógrafos, que nem vou reproduzir aqui. O panorama literário brasileiro, infelizmente, vai de mal a pior. Qualidade literária zero em muitas feiras, reflexo dos leitores? Quem domina quem? O mercado ou os leitores que pedem literatura descartável?

Acho que essa só vale a pena pra passear e pegar algum desconto nos livros (de verdade).

Aonde?

Pavilhão do Anhembi
Segunda à Sexta: 9h às 22h 
Sábado e Domingo: 10h às 22h 
Dia 04/09 das 10h às 21h
  • 3ª Festa Literária Internacional de Maringá (FLIM), de 13 a 18 de setembro, veja programação.

Essa é uma feira que você terá a oportunidade de conhecer pessoalmente autores estrangeiros como o português Antônio Vilhena, o angolano José Eduardo Agualusa e o americano William C. Gordon (ex- marido da escritora Isabel Allende); e a prata da casa: Ana Maria Machado,  Caco Barcellos e José Castello.

Aonde?
Centro de Convivência Renato Celidônio, anexo ao Paço Municipal.

Escritores de peso participarão dessa feira: Luis Ruffato, Milton Hatoum e Laurentino Gomes, por exemplo (veja a lista). 

Aonde?

Fundação Cultural Calmon Barreto
Praça Arthur Bernardes, nº 10, Centro Araxá / MG
Informações: (34) 3691-7133
E-mail: fliaraxa@fliaraxa.com.br

 7º Festa Literária de Marechal Deodoro, VII FLIMAR, 31 de agosto a 3 setembro 2016. Site.

Essa feira em Alagoas vai começar amanhã, os homenageados são Fagner e Nice de Oliveira. Veja a programação.

Aonde?

Não sei. No site não aparece o endereço (fail!) e se aparecer está beeeem escondido. Se você quiser ir, escreva para: flimar.marechaldeodoro@gmail.com


Fiquem atentos, pois no final de setembro, aqui no Falando em Literatura, estará a agenda de feiras mais importantes do Brasil e do mundo. Outubro será bem interessante.


ffc2d01a641e832afbe8d696b3485d2c

As feiras de livros, principalmente as financiadas com dinheiro público, devem servir para fomentar a leitura (a boa literatura), atrair leitores, devem promover grandes autores, de relevância (mesmo que não sejam populares), mas bons autores, para que as pessoas, não só tenham motivação para ir até essas feiras, mas que levem para casa livros que acrescentem algo positivo. Mais que isso: deveriam existir palestras ensinando a importância da leitura, do estudo, das letras na vida das pessoas. As Letras, Ciências Humanas e Sociais estão morrendo, meu povo!

Caso contrário, será um grupo de escritores amigos se auto- promovendo, editoras enchendo as burras de dinheiro e o pior: a promoção da literatura medíocre como na Bienal Internacional do Livro de São Paulo está fazendo agora, promovendo literatura vagabunda, que nem deveria ser chamada de “literatura”… youtubers, popozudas e essa baixaria toda. Ou seja, isso é perder tempo e dinheiro suado do bolso do brasileiro. Não faz sentido!

O panorama literário brasileiro nunca esteve pior. A força que está ganhando a mediocridade é absoluta em um país sem tradição leitora, com um índice alto de analfabetismo ainda por combater, livro parece objeto completamente descartável.

A UNESCO disse em 2014, que no Brasil havia 14 milhões de adultos analfabetos. E os analfabetos funcionais?! Aqueles que sabem escrever o nome, leem mal, escrevem quase nada, não sabem interpretar um texto, mas que estão fora dessas estatísticas? Um batalhão! Não vamos “tapar o sol com a peneira”, vamos falar a verdade. As feiras têm que servir, ao menos, para inspirar e não deseducar e banir leitores!

Confesso, amigos, que nunca estive tão desanimada. Como disse Drummond: “Lutar com palavras/ é a luta mais vã”, mas vamos lá, respiremos fundo: “Entanto lutamos/ mal rompe a manhã”.

Está chegando: 75ª Feira do Livro de Madrid (com uma “pitada” de desânimo)


Feiras de livros são oportunidades fantásticas para conhecer todos os tipos de autores, de todos os gêneros e lugares. A Feira do Livro de Madri, cidade onde moro, dura 22 dias e, normalmente, traz um país convidado. Esse ano: a França. Isso implica que teremos a oportunidade de conhecer autores franceses contemporâneos. Já contei que tenho uma quedinha pelos franceses? Leia aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A lista de escritores que estarão presentes já começou a ser atualizada, até o dia da feira irão entrando mais nomes. Por exemplo:

No dia 5 de junho, você poderá conhecer em pessoa o dono do melhor restaurante do mundo, Ferrán Adrià e seus livros com receitas maravilhosas.

ferran_adria_recetas

Julia Navarro, escritora espanhola, essa vale a pena conhecer. Eu li o “Dime quien soy” e gostei bastante. Ela vai estar em vários dias, melhor consultar a lista.julia

Ainda não divulgaram os escritores franceses que estarão presentes.

A lista, por enquanto, deixou- me muito desanimada. Viram a minha animação do início? Pois é, c’est fini. A literatura de não- ficção deve entrar, pois há coisas muito úteis que precisamos. Eu mesma citei o Ferràn Adrià. Há ensaios, divulgação científica, dicionários, fotografia, gastronomia, muita coisa bacana, mas não vale tudo.

Nos últimos três anos, principalmente, a onda de youtubers e “gente nada a ver com literatura” invadiram a feira e o nosso mundo literário. A literatura vai minguando. Qualquer um acha que pode escrever um livro. Poder até pode, mas não é literatura. Há livros muito respeitáveis de não- ficção, que são úteis e necessários, mas não é o caso da lista que acabei de ver. Desânimo.

Isso pode ter consequências muito negativas: a juventude só vai ler porcaria; os escritores decentes não vão querer participar da palhaçada; os consumidores de literatura (ficção, artística, principalmente) deixarão de ir e a feira acabará se transformando numa festa de babacas, adolescentes alucinados e curiosos querendo tirar fotos com artistas e youtubers.

Eu mesma, na feira de 2014, fui cedinho para “ficar na fila”, pois adoraria conhecer Luis Goytisolo (1935) pessoalmente. Um escritor de primeira linha, membro da Real Academia Española (irmão do também escritor, o célebre Juan Goytisolo), escreveu livros incríveis como “Antagonía”, uma obra- prima. Esse autor espanhol é comparado com Proust. Cheguei esbaforida, “Ué, cadê a fila?!”. Não havia ninguém. A minha surpresa foi tanta que o autor percebeu. “Não sou um autor popular”. A vantagem é que pude conversar bastante com ele e tenho o privilégio de ter quase toda a sua obra (carinhosamente) autografada. Mas, não consegui evitar a sensação de tristeza e desencanto: “se ninguém lê um autor desses…que fazemos?!”

Caramba, nosso espaço já é muito restrito, será mesmo que eles têm que invadir a nossa praia?! Claro que sim, as editoras e “escritores” (que normalmente nem escrevem, alguém faz isso por eles) querem é ganhar dinheiro, não importa com quê. Oportunistas.

Cartel FLM16O cartaz desse ano é de Emilio Gil, um artista gráfico.

Vou aguardar para ver se melhora. Será que virá pelo menos algum desses escritores franceses: Patrick Modiano, Pierre Lemaitre, Fred Vargas, Laurent Mauvignier, J. M. G. Le Clézio, Frédéric Beigbeder? Senão, fico aqui com a minha maravilhosa biblioteca.

Quer colaborar com o Falando em Literatura?


Tem vontade de publicar, mas não tem coragem? Nós te damos a oportunidade!

Resenhas críticas, artigos de opinião, crônicas, notícias, tudo o que envolve o mundo da literatura, cinema e artes em geral, tudo é muito bem- vindo!

Escreva para: falandoemliteratura@gmail.com e faça parte da nossa história!

Portrait of diligent pupil sitting on pile of books and looking at camera

Sete anos do Falando em Literatura na Feira do Livro de Madri


O nosso Falando em Literatura começou há 7 anos com o nome de “A última flor do Lácio”. Surgiu como um blog para os meus alunos de português na Espanha, para que eles praticassem o nosso idioma. Depois transformou- se, mudou o nome, e continuou como blog literário. Para a fugacidade dos nossos tempos,  nós estamos persistindo há 2555 dias, mais fortes e animados do que nunca!

A cada ano, o número de leitores vai aumentando. Diariamente, tendo ou não post novo, cerca de 1000 pessoas passam por aqui, no mínimo. Por mês, são mais de 30 mil pessoas. Parece pouco? Mas não está nada mal para um blog literário ( com literatura de qualidade) e sem patrocínio, sem choramingar por leitores, sem spam. Eu não retribuo as visitas de ninguém ( não tenho tempo, mas respondo todos os comentários), quem vem, chega aqui porque quer, sem esperar nada em troca (a não ser a troca de ideias). Trabalho com liberdade, quando e como quero, lendo só o que tenho vontade, sem a imposição de livrarias e/ou editoras. Houve um tempo em que fiz parceria com a Editora Planeta, mas não gostei, achei que não valia a pena, desisti no primeiro mês. “Liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus” (Miguel de Cervantes, em Dom Quixote”).

A comemoração hoje foi na Feira do Livro de Madri, que vai até o dia 16 de junho. Veja algumas fotos:

DSC_0048

A Feira abre às 11:00h. Cheguei 40 minutos antes e foi o tempo que levei para chegar no final dos stands. Com a feira vazia pude observar detalhes impossíveis de perceber quando está lotada.
DSC_0053Reparem na boa fé dos expositores. As cargas de livros chegam cedo e ficam esperando nas ruas do parque ou na frente dos stands sem nenhuma vigilância. A minha cabeça de brasileira pensou logo, “no Brasil não ficaria um!”. Pena, não é?

DSC_0054

As caixinhas esperando seu dono chegar. Stand de “comics”, que são as histórias em quadrinhos no Brasil ou banda desenhada em Portugal. Um mercado cada vez mais interessante, que pretendo conhecer mais profundamente em breve.

DSC_0063 As bibliotecas da cidade de Madri têm quase 3 milhões de sócios. Você faz a carteirinha e pode pegar livros em qualquer uma delas.

DSC_0064

Só na cidade de Madri existem 47 bibliotecas públicas. Juntando com as do estado são 202 bibliotecas. Fantástico!

DSC_0066

A TVE, a rede de televisão pública do país, esquentando os motores.

DSC_0067

Não posso deixar de citar essa presença deliciosa na Feira, meu sorvete preferido, o Ben & Jerry’s de baunilha! hahahaDSC_0072

O editor da Léeme, uma editora jovem e muito bacana, com livros atuais, divertidos, bem acabados. Em outro post vou falar das minhas aquisições e dos presentes que deu-me José, esse rapaz simpaticíssimo e que faz um trabalho fantástico atrás do balcão. Em breve (será que breve mesmo?! hahaha) resenhas de três obras dessa editora legal. Um dos livros da Léeme tem o Sócrates na capa:

DSC_0074

Depois eu conto tudo, tudo, tudo!

DSC_0082

Outra simpática editora, a Marian. Ela é da Editora Nevsky, alguns livros têm as capas lindíssimas, depois eu mostro os que trouxe, muito especiais. Os títulos são ótimos, vou virar freguesa. A especialidade deles é a literatura russa.

DSC_0085

As pessoas começando a chegar.

DSC_0075

Olha o livro da Nádia, a primeira biógrafa da Clarice, livro que ajudou demais os pesquisadores. Tradução espanhola!DSC_0076

Livro polêmico do escritor austríaco que foi para o Brasil fugindo do nazismo e acabou suicidando- se com a esposa no Rio de Janeiro, pois pensavam que o nazismo iria dominar o mundo. Tenho muita curiosidade para ler esse livro, está na mão!

DSC_0078

Esse livro eu não conhecia, fiquei curiosa. Roberto Arlt, um argentino com uma obra vasta, falecido em 1942 aos 42 anos, jovem. Vou voltar pra comprar esse depois.


Eu tenho muitaaaas novidades da Feira, vou parar, senão o post vai ficar imenso. Voltarei em breve!

Continuamos sonhando com um mundo de leitores, onde o mal e as guerras só acontecem na ficção. V’ambora, sonhadores! A literatura salva.

Livrarias de Madri (3ª): “Pasajes”


A livraria internacional Pasajes (“Passagens”) é especializada em livros em outros idiomas, mas como sempre, o português é muito pouco privilegiado, uma estante pequena com uma maioria de escritores portugueses e três ou quatro livros de escritores brasileiros. Clarice Lispector, Nélida Piñón e Rubem Fonseca. Bons, mas tenho todos.

11136743_445717635583802_2469613516527440444_n

Essa livraria foi fundada em 1999 e ganhou um prêmio de “Bibliodiversidade” em 2008 da Associação de Editores de Madri. Os funcionários sabem falar diferentes idiomas, o que facilita a busca de livros para quem chega e não sabe falar espanhol.

15568_445717428917156_7723586494150428344_nA livraria pertence à Editora Trotta, que editou toda a obra de Walter Benjamin. O nome da livraria vem de um livro do escritor “Passagens”, “o ar livre de um céu azul sem nuvens curvado sobre a folhagem, e no entanto, ficou coberto com o pó de muitos séculos por milhões de folhas às que se agitavam à fresca brisa do afã, o pesado fôlego do pesquisador, a tormenta do tesão juvenil e o sopro indolente da curiosidade”. (livre tradução)

10277816_445717338917165_6670362753547267318_n

No alto das estantes fotos de grandes personalidades literárias.

10258768_445717702250462_4984630117413659975_n

Na vitrine, livros em francês expostos.

10384696_445717538917145_8650561888847470906_n

Em “Pasajes” há livros em espanhol, inglês, francês, alemão, português, russo, italiano, chinês, entre outros.

10959615_445717378917161_486990526975800026_n

A livraria é bem “standard” no quesito arquitetônico/decorativo, o único elemento diferente é essa coluna, suponho que da construção original e que foi mantida.

11039248_445717568917142_8442221173146050034_n

São várias salas distribuídas em dois andares.

11062022_445717398917159_2274770087911729829_n

Em cada sala há um funcionário para das informações.

11156195_445717515583814_6670721829529031894_n

O acervo é bom, mas tem algo nessa livraria que faz com que eu não me sinta muito à vontade. Normalmente entro, compro o que preciso e saio rápido. Não sinto vontade passear e olhar livros. Falta charme e janelas. Acho que é meio claustrofóbica. Por isso e pela escassa oferta de literatura brasileira, vai levar uma nota 5. Já que é internacional, deveria valorizar mais o idioma, que também pertence à União Europeia. É uma livraria de “passagem” mesmo, já que não tem lugar pra sentar e nem cafeteria.

11164820_445717482250484_1257390428149051359_n

Um espaço para os professores oferecerem seus serviços.

11159542_445717672250465_3890819050657416297_n

O acesso à livraria é fácil. Saindo da Plaza de Colón (uma com a enorme bandeira espanhola), na rua justo em frente é a Génova. Na Praça de Colombo também fica o Consulado do Brasil.

Librería Pasajes

Callé Génova, 3- Madrid

Aberta de segunda à sábado de 09:30- 21:30


Veja as outras livrarias resenhadas AQUI.