Você está cumprindo a sua meta de leitura?


A dois meses do final do ano, qual era (ou é) a sua meta de leitura? Conseguiu cumprir, falta muito? A minha era (ou é) tentar resenhar trinta livros por ano, mas a vida é imprevisível e os acontecimentos nos desviam dos objetivos. Mais um ano conturbado, possivelmente não conseguirei cumprir a minha meta. Mas seguimos, ainda temos dois meses, já se foram vinte e três. Cada um vai no seu ritmo e possibilidades, o importante é ler, mesmo que seja devagar. Então, qual o livro que está na sua cabeceira agora?

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Estou com alguns para terminar de ler, inclusive “Dublinenses”, do nosso clube de leitura. Eu peguei também “A estrada” do americano Cormac McCarthy. Uma história pós- apocalipse sobre a jornada de um pai e filho que viajam pelo mundo devastado e tentam sobreviver nesse meio inóspito. Esse livro ganhou prêmios importantes e virou filme, que eu não vi. Quem quiser ler junto comigo e depois mandar uma resenha, vamos nessa! Seria a leitura de novembro. Dessa vez eu não vou ler em PDF, eu tenho o livro, mas quem quiser baixar, segue os links abaixo:

PDF em espanhol, aqui.

PDF em português, aqui.

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Clube de leitura do Falando em Literatura


Buscando uma forma mais dinâmica e interativa com todos vocês, quero fazer uma proposta aos leitores do Falando em Literatura: um clube de leitura onde possam fazer parte de todo o processo leitura- resenha. Essa é uma forma também de aplicar autodisciplina, o Falando em Literatura vai te ajudar a transformar- se no leitor que você sempre quis ser, um leitor constante, crítico, que consegue entender tudo o que lê ( se você já é assim, perfeito!). Seguiremos os seguintes passos:

1. A escolha da obra. Vamos dar prioridade à literatura brasileira na primeira fase. O Falando em Literatura é que vai determinar o título para não gerar muitos conflitos de opinião.

2. A leitura. Vamos ter um mês para ler a obra escolhida. A leitura exige planificação e compromisso. Você tem que ler a quantidade de páginas adequadas ao tempo que dispõe. Nesse caso, você pode fazer um exercício de leitura dinâmica, que exige rapidez e concentração. Quanto mais leitura, mais rapidez e com muitos bons resultados de apreensão de conteúdo. Vá anotando ou sublinhando tudo o que achar importante. Essas notas irão ajudá- lo a relembrar para fazer a resenha depois. Você pode tirar dúvidas e tudo o que ocorrer durante o processo.

3. A resenha. Terminada a leitura, chegou a vez da escritura, a resenha, que é um resumo da obra com todos os seus aspectos mais importantes, além das suas percepções e crítica sobre a obra. Personagens, enredo, tempo, ambiente, linguagem, intertextualidade (a relação que a obra tem com outros textos), também a vida e obra do autor, curiosidades do texto e os seus sentimentos durante o processo de leitura. Sempre cite as fontes quando copiar algum texto, jamais aproprie- se de ideias alheias. Vá escrevendo a resenha durante a leitura, é mais prático. Publique no seu blog, caso tenha um.

4. Envio das resenhas. Feita a resenha, envie ao Falando em Literatura, que vai publicar  aqui num post todinho seu.

5. Resenha final. Todas as resenhas enviadas serão transformadas em um único post, uma super resenha com a opinião de todos os participantes.

6. Os membros do Clube serão numerados e terão alguns privilégios: sorteios de livros e afins, e maior visibilidade nas redes sociais.

Livros

E aí, gostou da ideia?! Já tenho em mente um livro muito legal, em e- book e GRATUITO! No próximo post divulgarei a obra. Custo zero. Conto com a participação de todos, mas se tiver um único participante vamos começar. Levanta o dedo quem vai participar!

Diálogo com o século XXII


Nós estamos (pelo menos eu estou) em uma profunda reflexão sobre o que passou na história da literatura e sobre o que está acontecendo agora. Qual é a nossa história? O que estamos “cozinhando” nesse momento? Quais as dimensões e influências que deixaremos para a literatura do século XXII? O que os críticos, escritores e teóricos de Letras vão pensar do que somos hoje? Deixaremos algum legado? Existe algum movimento literário acontecendo agora? Nosso maior legado será o advento dos leitores digitais? E na parte da criação, qual é a nossa onda? Os blogs literários deixarão alguma marca? E as academias de Letras, qual o papel delas nesse momento? O que precisa ser escrito?

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Um lápis e um livro podem mudar o mundo (Malala Yousafzai)

Vocês aí do futuro, o que acham de nós?

Essa questão eu nunca vou poder responder, mas todas as outras estou tentando encontrar respostas.

Livraria com charme: La central (Callao, Madri)


A livraria espanhola La Central foi fundada em 1995 em Barcelona, possui umas lojas encantadoras. É uma das minhas livrarias preferidas, pois encontro literatura brasileira original, coisa que não é tão fácil por aqui. Visitei ontem a loja que fica no centro de Madri, na Plaza de Callao e fiquei admirada em ver tantos escritores brasileiros traduzidos, coisa recente.

Lêdo Ivo na mesa dos recomendados pela livraria:

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O edifício é belo e antigo, com uma arquitetura cheia de encanto:

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A foto da janela na janela:IMG_8399 IMG_8400

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Detalhe das paredes:
IMG_8408 O teto:IMG_8410 A escadaria e à direita “El garito”, uma sala para eventos e apresentações de livros:IMG_8411 No térreo e no primeiro andar tem uma parte de papelaria irresistível!IMG_8416

Na vitrine, leitura além da morte:IMG_8397 O café- restaurante “El Bistrô”, fica no térreo:IMG_8398 “El Bistrô visto do 1º andar:IMG_8409

O site da livraria aqui, a “La Central” também é livraria virtual.

Escritores em topless


Pois é, nossos literatos também tinham seus momentos de descontração e lazer, onde apareciam “descamisados”, muito diferente do que estamos acostumados a ver. Veja:

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O grande escritor americano Mark Twain, que parecia tão formal, nos deixou esse registro fotográfico em 1883. 

Ernest Hemingway adorava ficar sem camisa, são muitas fotos do escritor de “O sol também se levanta” em “panos menores” e que dão ideia dos hobbies e gostos do escritor:

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Precisando de óculos novos:topless-hemingway-part-5topless-hemingway-3topless-hemingway-part-2

Veja mais fotos aqui.

Há na internet fotos de escritoras que foram flagradas em topless. Como são fotos sem autorização das fotografadas, fotos de paparazzi, não irei postar aqui, pois não gosto desse tipo de “jornalismo”.

A primeira escritora clássica do nosso século?


Meu presente do Dia do Livro foi “O pintassilgo”, tradução literal de “The Goldfinch”, de Donna Tartt, ainda não saiu tradução em português no Brasil, nem em Portugal. A edição em espanhol da Lumen chama- se “El jilguero”. Essa obra ganhou o Prêmio Pulitzer de Literatura 2014:

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O absurdo não liberta, prende. (Albert Camus)

A norte- americana Donna Tartt (Greenwood, Mississippi, 23/12/1963) tem os elementos ideais para virar uma das grandes estrelas literárias do século. Dizem que a escritora é uma verdadeira enciclopédia, tem uma memória de elefante, declama poemas inteiros e cita romances franceses com grande profundidade. Seus livros viram best- sellers, são campeões de vendas, mas com qualidade, segundo críticas. Ela tem um ar misterioso, silencioso, lúgubre com seus olhos verdes, quase nunca sorri. Desde o seu primeiro romance em 1992, O segredo, Donna Tartt vem sendo apontada como uma escritora clássica da nossa época:

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Donna Tart de 49 anos é comparada com Paul Auster e Dickens.

Tartt demora cerca de uma década para escrever seus livros, todos são extensos, The Goldfinch de 2014, saiu com 1147 páginas, portanto, a leitura é demorada, exige tempo e dedicação. Ela escreveu parte de The Goldfinch na biblioteca pública de Nova York na 5ª Avenida.

Uma escritora e um livro para colocar na nossa lista!

 

O triste abril de T.S. Eliot


T.S.Eliot (Thomas Stearns Eliot, St. Louis26/09/1888 – Londres, 04/01/1965) não é um poeta fácil. Seus versos são herméticos, sua expressão poética é cheia de alusões culturais, misturas de idiomas, o poeta utiliza elementos visuais, como se fossem collages. Os elementos místicos, as cartas do tarô, a magia, dão esse tom obscuro, simbólico. T.S.Eliot é um escritor para decifrar:

James McColgan - Midnight Tree2

James McColgan – Midnight Tree

I. O ENTERRO DOS MORTOS*

Abril é o mais cruel dos meses, brotando 
Lilases da terra morta, misturando 
Memória e desejo, removendo
Turvas raízes com a chuva da primavera. 
O inverno nos mantinha quentes, cobrindo 
A terra de neve esquecida, nutrindo 
Um pouco de vida os tubérculos secos. 
O verão nos surpreendeu, chegando em cima do Starnbergersee 


Com um dilúvio; paramos junto às colunas 
E continuamos com a luz do sol até Hofgarten, 
e tomamos café, e falamos por um bom tempo. 
Big gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch. 
E quando éramos crianças, estando com o arquiduque, 
Meu primo,  convidou-me para passear em um trenó. 
E tive medo. Disse-me ele, Maria, 
Maria, agarra-te forte. E para lá descemos. 
Nas montanhas, a pessoa se sente livre. 
Eu leio boa parte da noite, e no inverno vou ao sul. 


Quais são as raízes que me aferram, que galhos crescem 
Desse pétreo lixo? Filho de homem, 
Não podes dizer, nem imaginar, porque só conhece 
Um monte de imagens quebradas, que pegam o sol, 
A árvore morta não dá abrigo, nem o grilo dá alívio, 
Nem a pedra seca faz barulho água. Só 
há sombra debaixo desta rocha vermelha. 
(Entra debaixo da sombra desta rocha vermelha), 
E vou te ensinar algo diferente, tanto 
de tua sombra pela manhã caminhando atrás de ti 
como de tua sombra pela tarde subindo ao teu encontro; 
Vou te mostrar o medo num punhado de pó. 


Frisch weht er Wind 
Der Heimat zu 
Mein Irisch Kind, 
Wo weilest du? 


”Deste-me jacintos pela primeira vez há um ano; 
Chamavam-me a menina dos jacintos.” 
– Mas ao voltarmos, tarde, do Jardim dos Jacintos, 
Teus braços cheios de jacintos e teus cabelos molhados, não pude 
Falar, e me falharam os meus olhos, eu estava nem 
vivo nem morto, não sabia nada 
Olhando o coração da luz, o silêncio. 
Oed’ und leer das Meer. 


Madame Sosostris, famosa vidente, 
Tinha um forte resfriado; no entanto, 
É conhecida como a mulher mais sábia da Europa, 
Com seu perverso baralho. Aqui, disse, 
está sua carta, o Marinheiro Fenício afogado. 
(Pérolas são esses que foram seus olhos. Olha!) 
Eis aqui Beladona, a Madona das Rochas, 
A Dama das Situações. 
Aqui está o Homem dos Três Bastões, e aqui a Roda da Fortuna,

E aqui se vê o mercador caolho, e esta carta,

Que em branco, é algo que ele leva nas costas, 
Mas que me proibiram de ver. Não encontro 
O Homem Enforcado. Teme a morte por água. 
Vejo multidões que dão voltas em círculos. 
Obrigada. Se vê a minha querida Senhora Equitone, 
Diga-lhe que eu mesma lhe levarei o horóscopo: 
Nesses tempos há que se ter muito cuidado. 


Cidade irreal, 
Sob a névoa parda de um amanhecer de inverno, 
Uma multidão fluía pela Ponte de Londres, tantos, 
Que não acreditei que a morte tivesse desfeito a tantos. 
Exalavam suspiros, breves e pouco frequentes,
E cada um mantinha os olhos fixos ante os pés, 
Fluíam costa acima e descendo King William Street. 
onde Santa Maria Woolnoth dava as horas

Com um som morto na balangada final das nove 
Vi alguém que conhecia e o fiz parei, gritando: “Stetson, 
Você estava comigo nas galeras de Mylae! 
O cadáver que plantou ano passado em teu jardim 
Já começou a brotar? Florecerá este ano? 
Ou a geada imprevista estragou seu leito? 
Ah, mantêm longe daqui o cachorro, que é amigo do homem, 
Ou ele voltará a desenterrar com as unhas!

Você! Hypocrite lecteur! – mon semblable -, mon frère” 

 

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Eliot, T.S. Poesías Reunidas, 1909- 1962. Alianza, Madrid, 2002. P. 77-79

*Minha livre tradução.