Resenha: “A livraria”, de Penelope Fitzgerald


Depois de ter assistido o filme (leia a resenha aqui), fiquei com vontade de ler a obra que inspirou a diretora espanhola Isabel Coixet, “A livraria”.

“A livraria” (1996) foi dividida em dez capítulos e é uma obra com fundo autobiográfico. A autora, Penelope Fitzgerald, mudou nomes e alguns dados nesse seu primeiro romance (de oito escritos), e o mais importante da narrativa tem a ver com a sua própria vida. No posfácio ilustrado com gravuras da autora e intitulado “A comédia humana”, o genro de Penelope nos deixa dados curiosos sobre a semelhança da obra e a vida da sogra. Penelope escreveu esta história quando tinha 61 anos, seu marido havia falecido há pouco tempo, como a personagem principal, Florence Green.

Florence é descrita como uma mulher sem grandes atributos físicos, nem financeiros, pouco vaidosa e que leva uma vida, digamos, “medíocre”, sobrevivendo com a pensão de viúva. É comum as pessoas se acomodarem em situações ruins, por medo de que fique pior, caso tentem algo diferente. Florence era assim também, prudente, só que ela decidiu que era primordial comprovar se era capaz de sobreviver com o próprio esforço. É um motivo excelente para uma mudança. E assim o fez. Comprou uma casa velha de frente para a praia, com muita dificuldade, pedindo um empréstimo ao diretor do banco, que não estava muito convencido do sucesso do seu empreendimento.

Entendo o sentimento de Florence. Há coisas aparentemente absurdas que temos que fazer sim ou sim, independende das consequências. Ao montar a livraria “Old House” numa casa caindo aos pedaços e cheia de mofo, a possibilidade de sucesso num povoado frio e ventoso da costa inglesa, era mínima. Em Hardborough (que significa “Cidade dura”) não é que existissem muitos leitores. A autora passou por circunstâncias similares vinte anos antes de escrever este livro, tempos duros, só que na cidade Suffolk e depois em Southwold. O marido, um advogado sem sucesso, trabalhava em Londres e ela arranjou um trabalho de meio período na livraria “Sole Bay Books” (fechada em 1990), foi essa livraria e sua dona, Neame, as inspirações dessa obra. Na Sole Bay rondavam fantasmas, um “poltergeist” citado no livro. No filme de Coixet esses fantasmas não tiveram protagonismo e, de um modo geral, os filmes são só “baseados” em obras, são sempre diferentes dos livros. Esse não é diferente.

A notícia de que Florence iria abrir uma livraria correu como o vento. E isso despertou muita inveja.

“Old House”, uma casa que já havia sido alagada várias vezes e resistiu, além de ser mal- assombrada, era a segunda casa mais antiga do povoado, só perdia para a casa do senhor Brandish, a “Holt House” (“A casa do bosque”), construída há 500 anos. Os fantasmas são chamados de “rappers” (golpeadores) na cidadezinha. E por isso a casa tinha ficado abandonada vários anos, ninguém quis comprar por causa dos fantasmas.

Os seres humanos são muito piores que os fantasmas, são terríveis. Bastou alguém se interessar pela casa abandonada que outros colocaram o olho em cima também. Acontece na vida constantemente, reparou? Você se interessa por algo ou alguém, aparecem vários querendo o mesmo; o moço (ou moça) lá sozinho, basta alguém se interessar, que vem alguém querendo o que é de outro. Parece que desperta a cobiça, a maldade ou a inveja mesmo.

Abaixo, a edição espanhola lida, muito caprichada, com cartas manuscritas, além de várias fotos e outros documentos reais da personagem protagonista retratada, o alter ego da autora. Não vou colocar todas para preservar os direitos da autora.

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30629497_974289716059922_4084566975701843968_nFitzgerald, Penelope. La librería. Editora Impedimenta, 2ª edição, Madrid, 2017. Páginas: 202

Ps: Obrigada a todos que enviaram mensagens nesse período ausente (quase quatro meses). Sou uma bloqueira nata, eu vou, mas sempre volto. Valeu!

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Resenha: “Bartleby e companhia”, de Enrique Vila- Matas


O prolixo Enrique Vila- Matas (Barcelona, 1948), publicou o seu primeiro livro em 1973, “Mulher no espelho contemplando a paisagem”; a última obra recém- publicada (2017), “Mac e seu contratempo”, é o 29º romance. Também é ensaísta, possui  treze livros publicados nesse estilo, além de outros textos em coletâneas. É um dos escritores mais premiados da atualidade, cerca de 24 prêmios pelo mundo, mas ainda não ganhou os dois mais importantes: o Cervantes  e o Nobel.

Enrique é formado em Direito e Jornalismo. Morou em Paris dois anos em um apartamento alugado de Marguerite Duras. Sua obra foi traduzida para 27 idiomas.

paratybrasilEnrique em 2012 em Paraty, onde participou da FLIP. Será que ele gostou do cafezinho brasileiro?!

No Brasil, ficou mais conhecido, quando a finada Cosac & Naify publicou alguns dos seus livros, entre eles, esse: “Bartleby e companhia”(2000), motivo dessa resenha. A minha edição é espanhola (vocês sabem que eu moro na Espanha), de bolso, da Penguin Randon House, bem modesta, nada a ver com as lindas edições que a Cosac costumava fazer.

Vamos ao texto…

Começo esclarecendo quem é “Bartleby”: Herman Melville escreveu um conto chamado “Bartleby, o escrivão” (1853). O personagem, um jovem escrivão, ávido trabalhador, de repente, deixou de sê- lo. Perdeu o interesse, o tesão, a inspiração. Quando era exigido, dizia: “Prefiro não fazer”. Só pelo título já temos a pista do que pode nos contar a obra, reforçada pelo pensamento da epígrafe:

A glória ou o mérito de certos homens consiste em escrever bem; o de outros consiste em não escrever. (Jean  de La Bruyère)

O próprio Herman Melville considerava- se um bartleby, por isso escreveu o conto. Em 1853, com 34 anos e depressivo, concluiu que havia fracassado. O escritor de “Moby Dick” não suportou as críticas (injustas) sobre a sua obra. Morreu em 1891, esquecido.

O personagem começa a escrever um diário no dia 8 de julho de 1999. Exceto pelo trabalho desgraçado, a falta de sorte com as mulheres e a solidão, considera- se um sujeito feliz. Há vinte e cinco anos, ele havia escrito um livro sobre a impossibilidade do amor e nunca mais escreveu nada. Tamanho o trauma, tornou- se um “bartleby”. Ele usa o termo como adjetivo. Começou a “caçar” bartlebys, escritores que abandonaram a escrita. Será que ele achou Raduan Nassar? O recente ganhador do prêmio Camões não escreve há trinta anos? Não, o distinguido escritor não é citado na obra de Vila- Matas.

O narrador deixou de escrever por causa do seu pai que o obrigou a escrever  em seu nome, uma dedicatória que ele não queria. Parece um motivo meio bobo, não é? Mas pra ele foi motivo suficiente. Isso foi usado como pretexto para contar as histórias (reais) de escritores da literatura mundial.

E foi assim, que o narrador começou a pesquisar autores que entraram no “labirinto do não”, da não- escrita.  Cita alguns nomes e explica o caso de cada um deles, como o de Robert Walser, o escritor suíço, que ganhou a admiração de Kafka e Musil, ficou deprimido, abandonou a sociedade, isolou- se para escrever. Terminou mal, morreu no Natal de 1956,  perto da clínica psiquiátrica que estava internado, deitado na neve.

Vila- Matas diz sobre “Burtleby e Companhia”, que as pessoas deixam de escrever, porque deixam de existir (vai sem tradução, assim você treina espanhol):

Contrariamente a lo que se cree, no hablo exactamente en este libro de escritores que dejaron de escribir sino de personas que viven y luego dejan de hacerlo.  De fondo, eso sí, el gran enigma de la escritura que parece estar diciéndonos que en la literatura  una voz dice que la vida no tiene sentido, pero su timbre profundo es el eco de ese sentido.*

É mais normal do que se pensa isso de deixar de existir, deixar de viver, ainda estando vivo. E o autor dá exemplo de outros copistas, dos mexicanos Juan Rulfo e Augusto Monterroso, que trabalharam em repartições horríveis e que também se comportaram como bartlebys. Outro bartleby muito famoso: Arthur Rimbaud.

Contou também a história do catalão Felipe Alfau, depois de dois livros publicados, o seu silêncio durou 51 anos. Imigrante nos Estados Unidos, a sua desculpa: estava ocupado aprendendo inglês.

Outros escritores que deixaram o ofício por longos períodos: Salinger, Fernando Pessoa e até Cervantes.

O livro é muito interessante, uma biografia de autores que tiveram condutas parecidas; no entanto, o gênero não concorda com a sua forma, que adapta- se melhor à biografia ou ensaio. Não é um romance. Achei desnecessário usar um personagem para contar o livro, poderia ser a voz do próprio autor. Inclusive em forma de tópicos, um guia de autores bartlebys, muito mais fácil para consultas. O narrador praticamente não aparece. De todas as formas, recomendadíssimo! Para quem ama a literatura é um prato muito bem servido.

O ofício do escritor é um dos mais complicados, porque é mente, emoção, (des)equilíbrio. Tudo isso está no cérebro, esse indomável.

  enrique-vila-matas-bartleby-y-compan%cc%83iaVila- Matas, Enrique. Bartleby y Compañía. Debolsillo, Penguin Randon House, Barcelona, 2016. Páginas: 173

Está chegando: 75ª Feira do Livro de Madrid (com uma “pitada” de desânimo)


Feiras de livros são oportunidades fantásticas para conhecer todos os tipos de autores, de todos os gêneros e lugares. A Feira do Livro de Madri, cidade onde moro, dura 22 dias e, normalmente, traz um país convidado. Esse ano: a França. Isso implica que teremos a oportunidade de conhecer autores franceses contemporâneos. Já contei que tenho uma quedinha pelos franceses? Leia aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A lista de escritores que estarão presentes já começou a ser atualizada, até o dia da feira irão entrando mais nomes. Por exemplo:

No dia 5 de junho, você poderá conhecer em pessoa o dono do melhor restaurante do mundo, Ferrán Adrià e seus livros com receitas maravilhosas.

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Julia Navarro, escritora espanhola, essa vale a pena conhecer. Eu li o “Dime quien soy” e gostei bastante. Ela vai estar em vários dias, melhor consultar a lista.julia

Ainda não divulgaram os escritores franceses que estarão presentes.

A lista, por enquanto, deixou- me muito desanimada. Viram a minha animação do início? Pois é, c’est fini. A literatura de não- ficção deve entrar, pois há coisas muito úteis que precisamos. Eu mesma citei o Ferràn Adrià. Há ensaios, divulgação científica, dicionários, fotografia, gastronomia, muita coisa bacana, mas não vale tudo.

Nos últimos três anos, principalmente, a onda de youtubers e “gente nada a ver com literatura” invadiram a feira e o nosso mundo literário. A literatura vai minguando. Qualquer um acha que pode escrever um livro. Poder até pode, mas não é literatura. Há livros muito respeitáveis de não- ficção, que são úteis e necessários, mas não é o caso da lista que acabei de ver. Desânimo.

Isso pode ter consequências muito negativas: a juventude só vai ler porcaria; os escritores decentes não vão querer participar da palhaçada; os consumidores de literatura (ficção, artística, principalmente) deixarão de ir e a feira acabará se transformando numa festa de babacas, adolescentes alucinados e curiosos querendo tirar fotos com artistas e youtubers.

Eu mesma, na feira de 2014, fui cedinho para “ficar na fila”, pois adoraria conhecer Luis Goytisolo (1935) pessoalmente. Um escritor de primeira linha, membro da Real Academia Española (irmão do também escritor, o célebre Juan Goytisolo), escreveu livros incríveis como “Antagonía”, uma obra- prima. Esse autor espanhol é comparado com Proust. Cheguei esbaforida, “Ué, cadê a fila?!”. Não havia ninguém. A minha surpresa foi tanta que o autor percebeu. “Não sou um autor popular”. A vantagem é que pude conversar bastante com ele e tenho o privilégio de ter quase toda a sua obra (carinhosamente) autografada. Mas, não consegui evitar a sensação de tristeza e desencanto: “se ninguém lê um autor desses…que fazemos?!”

Caramba, nosso espaço já é muito restrito, será mesmo que eles têm que invadir a nossa praia?! Claro que sim, as editoras e “escritores” (que normalmente nem escrevem, alguém faz isso por eles) querem é ganhar dinheiro, não importa com quê. Oportunistas.

Cartel FLM16O cartaz desse ano é de Emilio Gil, um artista gráfico.

Vou aguardar para ver se melhora. Será que virá pelo menos algum desses escritores franceses: Patrick Modiano, Pierre Lemaitre, Fred Vargas, Laurent Mauvignier, J. M. G. Le Clézio, Frédéric Beigbeder? Senão, fico aqui com a minha maravilhosa biblioteca.

400 anos sem Cervantes e “Dom Quixote de La Mancha” para download grátis.


Hoje completa 400 anos do falecimento de Miguel de Cervantes, que está sepultado em Madri, no Convento de las Trinitarias, no Barrio de las Letras. Hoje tem festa na cidade, “La noche de los Libros”, promovido pela prefeitura, com eventos em muitos lugares.

Eu estou lendo a obra e fiz duas resenhas só com dados básicos e a introdução do livro, que é muito complexo e que deve ser lido e resenhado com parcimônia e respeito.

Leia aqui e aqui, as duas resenhas (em breve, mais uma).

Vou te convidar pra ler comigo, topa?! Não tem desculpa, já que vou te deixar abaixo dois e-books grátis. Por que dois? Porque Cervantes escreveu Dom Quixote em duas partes, em épocas diferentes e te deixo aqui a obra completa. Vamos?!

“Dom Quixote”, primeira parte.

“Dom Quixote”, segunda parte.

Amanhã é o Dia Internacional do Livro. A festa começou na Espanha e espalhou- se pelo mundo todo. A tradição é presentear com rosas e livros.  Comemore lendo um livraço e conte- me depois, combinado?!

Aproveito para mostrar essa dupla incrível, que mora na minha biblioteca:

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Por escritores como Miguel de Cervantes, que transcendem o tempo, tudo isso aqui vale a pena. Cervantes deu vida ao “Dom Quixote”, que parece tão real e atual, por esse tipo de literatura viva, artística, profunda, linda, que eu continuo aqui; com esperança de conquistar alguns leitores dessas grandes obras.

Resenha I- Dom Quixote de La Mancha


Dom Quixote de La Mancha começa bem curioso e engraçado. Uma série de protocolos da época, uma carta de Cervantes ao rei, uma do rei, carta do escrivão, de um licenciado em Letras que dá a sua palavra que as erratas estão de acordo com o livro, tudo isso antes de começar a narrativa propriamente dita. Depois vem o prólogo de Cervantes. Ele dirige- se diretamente ao leitor. Só as duas primeiras palavras já fizeram- me rir: “Desocupados leitores”. Por que será que ele acreditava que só os “desocupados” leriam a sua obra? Por que não a considerava boa ou por sua extensão? Nada disso, ironia pura.

Ele explica que os pais quando têm um filho muito feio e sem graça, normalmente, o protegem, “colocam uma venda nos olhos” e por causa do amor que lhes têm, fingem não enxergar seus defeitos. Mas ele, “que, ainda que pareça um pai, sou padrasto de dom Quixote, não quero ir com a corrente usual (…)” (p.7). Ou seja, ele vai delatar o pobre do Dom Quixote em todas as suas faltas, e a si mesmo (no prólogo) com muita ironia.

Só com o prólogo, que é super bem elaborado, você já recebe uma aula de espanhol (delícia ler essa obra no original!), conheci conjugações verbais que ainda não tinha lido em nenhum lugar, um léxico desconhecido, fora a aula prática de literatura, como se deve escrever um texto.  Cervantes deveria ser leitura obrigatória para todo aspirante a escritor.

Começou emocionante, deu aquele friozinho na barriga e a pergunta interna que não cala até agora: “por que eu não li isso antes?!” Ele inovou ao escrever o prólogo. Disse que não iria fazer como todos faziam: colocar citações de Aristoteles, Platão e de nenhum filósofo, nem a Bíblia. Cervantes, com 57 anos, disse que era um homem de “poucas letras”, por isso não iria mostrar falsa erudição colocando prólogo nem conclusão no livro. Há ironia nisso e, certamente, uma alfinetada nos seus contemporâneos, principalmente o popular poeta Lope de Vega, seu desafeto. Depois diz que é preguiça mesmo. Acho que estava cansado da mesmice do seu tempo. Mais ao menos como nós agora. Ele cita duas frases de Horácio, uma de Ovídio e duas do evangelho, todas em latim, que seus colegas usavam na época, em modo ironia. Coloco uma aqui de Ovídio, que ele utilizou para ridiculizar os escritores, atribuiu a autoria a Catón (p.11), insinuando a falsa erudição dos colegas, que nem sabiam de quem eram os dísticos que utilizavam.

Enquanto és feliz terás muitos amigos; se os tempos forem difíceis, estarás sozinho.

Só o prólogo já deu pano pra manga. Eu não vou contar tudo, mas Cervantes deu uma coça na turma da época. O que me dá mais coragem para seguir em frente com o meu papel de crítica, detonando as obras- “basura”, que estão enfiando goela abaixo do leitor inexperiente. A quantidade de escritor medíocre que anda surgindo me provoca um arrepio de mal estar. Que critiquem a crítica, estou vacinada, o que penso sobre a arte literária e os que estão longe dela, será dito.

Nesse prólogo de 20 páginas (veja o livro no final do post) é escárnio puro. Zomba dos colegas sem nenhum pudor. Depois ele explica um pouco quem é o famoso Dom Quixote: um apaixonado, honrado e valente cavaleiro de Montiel, que tem um fiel escudeiro, Sancho Pança. Termina o prólogo com uma palavrinha: “Vale”. Parece que não significa nada, não é? Errado. É uma alusão ao frei “Antonio de Guevara, autor das “Epístolas familiares”, que usa o nome de três prostitutas da Antiguidade no seu livro e apoderou- se da autoria. Um falso erudito.

Há que se fazer uma leitura atenta de Cervantes, pois nada é por acaso. A obra é muito trabalhada, muita “transpiração”.  Depois do prólogo, Cervantes colocou dez sonetos de sua autoria contrariando, outra vez, o costume de colocar poemas de amigos abrindo as obras.  O “cara” escreveu os poemas “Al libro de Don Quijote de la Mancha” e “Del donoso poeta entreverado, a Sancho Panza y Rocinante” cortando ao meio todas as palavras no final dos versos, tipo…deu uma banana à tradição da época e os que pensavam que sabiam tudo e queriam que os outros fizessem igual.  Cervantes foi o primeiro poeta concretista! 🙂

Aconselho que você preste atenção quando for comprar essa obra, porque há muitas adaptações. Compre alguma edição com o texto integral. As adaptações são um insulto ao leitor, pois tentam encurtar ou “facilitar” a leitura, maculando e depredando verdadeiras obras- primas.

Quando vier à Espanha, não deixe de visitar o Museu Casa Natal de Cervantes, que fica na charmosa cidade de Alcalá de Henares ( adoro!) pertinho de Madri. A entrada é gratuita e você pode conhecer onde nasceu um dos maiores escritores do mundo e de todos os tempos. Até o dia 14 de fevereiro está acontecendo uma exposição de ilustrações do espanhol Miguelanxo Prado:

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Como eu não quero posts muito longos, termino por aqui. Já viram que não vai dar pra ser sucinta com esse livro.

Possivelmente, a edição abaixo seja a melhor em formato low cost dessa obra. Custa só 13, 90 euros e vem com textos de Dario Villanueva, que é o diretor da Real Academia Española, Mario Vargas Llosa, Francisco Ayala, Martín de Ríquer (falecido em 2013), que eu reverencio, pois era um incrível especialista em literatura medieval, ele tem uma obra chamada “Os trovadores”, que é de chorar de tão incrível. A edição e notas são de Francisco Rico. Só fera!

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Cervantes, Miguel de. Don Quijote de La Mancha. Edición Conmemorativa VI centenario Cervantes. Alfaguara, 2015. Páginas: 1249

Leia aqui o primeiro post sobre esse livro, o de introdução.