Fotos para ler: o mestre André Kertész


O fotógrafo André Kertész (Budapeste, Hungria, 1894- Nova York, 1985) foi um dos melhores fotógrafos que já existiu. Ele imigrou para Paris e depois para os Estados Unidos na época da grande guerra, ele era judeu.

Serviu, e serve, de inspiração para muitos outros fotógrafos. Separei uma série de fotos, todas de leitores. André os fotografava furtivamente em cenas do cotidiano e também foi pioneiro fazendo selfies. 

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Abaixo, um selfie de André.andre7

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É muito reconfortante, aquece o coração, observar que a leitura serviu de companhia para muita gente em situações muito desfavoráveis. E hoje, por mais tecnologia que exista, a melhor companhia continua sendo o livro.

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Fofoca literária: Mario Vargas Llosa e a ex de Julio Iglesias juntos?


A notícia hoje em todas as revistas e programas de fofocas na Espanha: Isabel Presley (64 anos, há 9 meses viúva de Miguel Boyer, político, economista e professor espanhol), a primeira esposa de Julio Iglesias, mãe do famoso cantor Enrique Iglesias, mantém uma relação estreita com o Nobel da Literatura Mario Vargas Llosa (79), que acabou de completar bodas de ouro com Patrícia Vargas Llosa e celebraram em Nova York junto com toda a família.

patricia-vargas-llosa--644x362Patrícia e Llosa (foto: Efe)

A Hola diz que Vargas Llosa está separado da mulher e que ambos mantém uma relação magnífica. Só que a mulher já saiu dizendo que ficou surpresa com as fotos e sentiu pena (veja as fotos da celebração dos 50 anos do casamento do casal).

Estranho é Vargas Llosa ter acompanhado a Presley em um evento benéfico no Palácio de Buckingham, a cara da Presley, que já foi casada com três milionários. Depois, já em Madri, foram fotografados saindo de um restaurante de braços dados. O novo casal (?) se conhece há mais de 20 anos, quando Isabel entrevistou Llosa para a Revista Hola.

Verdade ou mentira? Logo vamos saber.

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O coração é assim, não, quem manda nele? Eu admiro gente que tem coragem de assumir o que sente e enfrenta as suas consequências. Viva el amor!

10 escritoras que participarão da Feira do Livro de Madrid 2015


Existe uma avalanche de oportunistas na Espanha, escritores de ocasião, gente da mídia, que aproveita a sua popularidade para vender livros. Para selecionar as dez escritoras abaixo, tive que passar por dezenas deles. Uma sensação estranha de invasão, de desrespeito à arte literária. Escrevi essa outra lista (clique) de escritores- estrelas, há mulheres, que não repeti nessa nova lista. Das selecionadas, as mais interessantes para o meu gosto são as escritoras nº1 e 2, veja:

1. A espanhola Mercedes Vega (Madri, 1960) é socióloga e cientista política. Romancista, escreveu “O professor de inglês” e seu último livro “Quando estávamos vivos”, narrativa de época que conta uma história de amor antes da guerra civil espanhola.

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2. A chilena Carla Guelfenbein (Santiago, 1959) formada em Biologia na Inglaterra,  ganhou o Prêmio Alfaguara  2015 (130 mil euros) com o romance “Contigo na distância”, inspirado na nossa ilustre Clarice Lispector. A história foi a  escolhida entre 707 manuscritos. Esse livro eu quero!

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3. A argentina Agustina Guerrero, radicada na Espanha,  é desenhista e criou um romance gráfico (um livro em quadrinhos) chamado “Diário de uma volátil”, que parece muito interessante.

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4. A espanhola Emilia Luna Martín (Emy Luna) é professora, radialista e contista premiada. Seu livro é “Olhos de menina sobre o estreito”.

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5. A peruano- canadense Gloria Macher também virá à Madri apresentar seu último livro ambientado no Peru “Minha rainha”. Ela escreveu também “As artérias de Dom Fernando”.

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6. A espanhola Susana Pérez de Pablo (Cuenca 1965, Sue Pérez) é jornalista e chefe de Ciências e Tecnologia do El País, também especialista em Educação. Curiosamente, seu livro não tem nada a ver com isso: escreveu um livro de receitas de pães junto com seu marido Jesús Cerezo, “Pan Con Webos Fritos”.

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7. A espanhola Dolores Redondo (San Sebastián, 1969) estudou Direito e é especialista em livros de suspense/terror. Sua última obra: “Oferenda à tempestade”.

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8. A americana Laura Rojas Marcos (Nova York, 1970) residente na Espanha desde 1978, é psicóloga e escreve livros, digamos, de auto- ajuda. Seu último,  “A família”, fala das relações tóxicas entre familiares e como mudar isso. Ela também escreveu um livro “Sentimento de culpa”. Esses livros não têm valor artístico, mas em determinados momentos podem ajudar pessoas que passam por dificuldades.

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9. A espanhola Nieves Concostrina (Madri, 1961) é jornalista (um predomínio notável dos escritores que têm essa profissão) já escreveu sete livros, o último, “Antonia”, ambientado em Madri de 1930.

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10. A espanhola Aloña Fernández Larrechi também é jornalista. Ela escreveu um guia interessante sobre os lugares que aparecem nas séries ambientadas na Big Apple, “Nova York em séries”, ou seja, Aloña é especialista em séries americanas. Ela trabalha em programas de rádio falando sobre esse assunto.

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Peneirando e ainda assim passaram algumas que não são escritoras literárias, literatura arte, digo. Tenho que pensar sobre o assunto. Não sei, às vezes tenho a impressão que a ficção está morrendo e a poesia, principalmente, está em seus últimos suspiros. Uffff…

Aqui você pode consultar horários e stands para os autógrafos.

O FOTÓGRAFO SEBASTIÃO SALGADO RETRATADO EM “O SAL DA TERRA”


Sebastião Salgado (Aymorés, Minas Gerais, 08/02/1944) formado em Economia, é o maior fotógrafo brasileiro da atualidade e de toda a história do Brasil, consagrado entre os melhores do mundo. Em 1969, exilou- se em Paris por causa da ditadura no Brasil. Ganhou o “Príncipe de Astúrias” na Espanha. O fotógrafo lançou o livro Genesis,  Como o próprio nome diz, é sobre a natureza mais selvagem e primitiva, que o fotógrafo registrou durante 8 anos em suas andanças pelo mundo. Seu filho criou o documentário “Sal da Terra”….

Continue lendo o texto original postado lá no PalomitaZ, na Revista BrazilcomZ (Espanha).

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Cinco livros para ler no carnaval


Nem todo mundo gosta de carnaval, muitos brasileiros ficam em casa ou viajam para longe da folia.  Fiz uma lista com quatro livros de literatura brasileira e um português curtos, pelo menos um dá para ser lido até a quarta- feira de cinzas, e se você estiver disposto ou disposta, dá para ler todos. Vamos lá!

1. O silêncio dos amantes, de Lya Luft: vinte contos da escritora brasileira

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2. O operário em construção, de Vinícius de Moraes: quarenta e nove poemas do poeta brasileiro:

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3. Noite na Taverna, Álvares de Azevedo: sete contos fantásticos do escritor brasileiro.

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4. Bichos, Miguel Torga, quatorze contos do escritor português.

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5. Os melhores contos, Lima Barreto: vinte e um contos do escritor brasileiro.

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Essas são edições que tenho e que já li. Se você ler algum desses, conta se gostou, combinado?! Feliz carnaval!

Livro grátis: “A metafísica do amor”, Arthur Schopenhauer


Você pode ler o PDF de “A metafísica do amor” e “A metafísica da morte” do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (Danzig, 22/02/1788 – Prussia, 21/09/1860.) totalmente grátis!

O autor acreditava que era possível chegar no mais profundo do ser humano, do Eu, pela introspecção, que ele identificou como um princípio metafísico, criou uma teoria sobre a vontade. As duas obras citadas vão nessa linha de pensamento, a vontade (que é um sistema complexo) no amor, no sexo, na morte sob uma visão metafísica.

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Você pode ler direto no link e salvar o PDF no seu computador, clique aqui.

Resenha: Vidas provisórias, Edney Silvestre


Sabe aquele cara competente e bonitão da Globo, voz linda, jornalista consagrado e conhecido por todos? Sim, esse mesmo, Edney Silvestre ou Edney Célio Oliveira Silvestre (Valença, Rio de Janeiro, 27 de abril de 1950). Edney também é um baita escritor de ficção, talvez a melhor faceta de Edney entre tantas geniais! O talento para a escritura começou quando ele era muito jovem, tentou publicar seu primeiro conto aos 12 anos. Edney apresenta o Globo News Literatura (veja a entrevista com a antropóloga Françoise Héritier, que lançou seu livro “O sal da vida”). O escritor foi correspondente internacional da Rede Globo em Nova York durante muitos anos, fez reportagens incríveis, participou ativamente da cobertura do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York. Edney tem um currículo extenso e intenso, vamos falando aos poucos. É um escritor acessível, participa das redes sociais como Facebook, Twitter e Instagram, muito atencioso e gentil com seus leitores, o que o torna uma estrela completa, na forma e conteúdo. Como é o meu post de iniciação em Edney Silvestre, além da resenha de “Vidas provisórias”, também conto um pouco sobre seus outros livros.

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Edney Silvestre, foto de Leo Aversa no Instagram do autor.

A bibliografia do autor é recente, começou a publicar em 2009 com grande aceitação da crítica e leitores. Veja:

1. “Se eu fechar os olhos agora” (2009), primeiro livro, ganhou o Prêmio Jabuti como melhor romance, ficou na frente de Chico Buarque e Luís Fernando Veríssimo. A obra foi editada em vários países, inglês, francês, italiano, alemão, veja algumas:

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Edição portuguesa, editora Planeta

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Edição em inglês

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A edição brasileira pela Record

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Edição francesa pela Belfond

2. Felicidade fácil (2011), o segundo romance do autor, também foi traduzido para o inglês e francês:

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Veja o vídeo do lançamento do livro onde Edney explica um pouco a obra:

3. “Outros tempos” é uma reunião de crônicas e memórias do tempo em que Edney foi correspondente internacional em Cuba e no Oriente Médio:edn

4. “Vidas provisórias” (2013), objeto dessa resenha. Vamos lá:

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Silvestre, Edney. Vidas provisórias. Intrínseca, Rio de Janeiro, 2013. Em papel ou e-book. 367 páginas

Parece um livro de contos, mas não é. A obra é dividida em capítulos curtos, histórias paralelas de personagens que tiveram que emigrar à força. Paulo Roberto Antunes, um jovem universitário, irmão de um militar que o desprezava, foi sequestrado no seu apartamento no Rio de Janeiro e brutalmente torturado na década de 70. Essa história confunde- se com a própria história do autor que teve o seu apartamento invadido em Copacabana, preso como subversivo. As “cenas” (porque tudo é muito visual, como num filme) são fortes, chegam a doer, nos transformamos em Paulo e também em Bárbara. Ela, uma adolescente de 17 anos que foge do país e imigra para os Estados Unidos com passaporte falso fugindo da violência, seu pai foi assassinado, a narrativa começa quando Bárbara pega um vôo com passaporte falso nos anos 90.

Essa viagem ao desconhecido, a incerteza, o medo, talvez seja um sentimento experimentado pela maioria dos imigrantes, independente do motivo do exílio (claro que muito pior para os que imigram por causa da violência). Identifiquei- me muito com Bárbara, nessa “vida provisória”, essa sensação de estar só de passagem, como se a expatriação fosse uma doença passageira, doença, porque é incômoda, dói, é um transe indesejado (que às vezes demora demais). Isso quando a imigração não é voluntária, quando não se tem escolha, obviamente. A história de Bárbara começa a misturar- se com a minha própria, passei a ser Bárbara, apesar dos perfis muito diferentes, há algo que nos une:

(…) Esta é uma vida provisória, ela acredita. Tem que ser uma vida provisória, precisa acreditar. (p.39)

Certas sutilezas desses sentimentos (palavra repetida muitas vezes aqui) de imigrante só encontrei no livro de Edney. O escritor também foi imigrante, ele deve ter conhecido muitas ou algumas “Bárbaras”. Imigrante ilegal que faz faxina para sobreviver, e os muitos “Paulos” que fugiram da violência, da tortura da ditadura no Brasil. Quase todo mundo conhece alguém que viveu situações limites no Brasil dos anos tristes, onde a censura amordaçou a palavra, feriu e matou quem pensasse diferente. Ainda hoje o Exército nega que houve tortura no Brasil. Quer prova maior que o depoimento dos próprios torturados?! Meu tio, Normando Leão Sampaio foi preso e torturado na Bahia. Ele era estudante e só tinha 18 anos! Uma das cenas de tortura.

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Edney  conseguiu capturar no papel o que sinto/sentimos ao morar em outro país. As fases do estranhamento, da (in)adaptação, da autopreservação, da saudade, do distanciamento emocional do passado em prol da sobrevivência e do constante pensamento do retorno, a eterna sensação de estar de passagem, de falta de raízes. A sensação de não ser bem vindo. Os imigrantes acabam se unindo no exterior, senão acabam sozinhos mesmo. Vamos pelo geral, certo? Claro que há exceções.

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O sofrimento cansa também, Bárbara decidiu sair do quarto alugado na casa de uma família latina e decidiu conhecer Nova York. Começou a passear, conheceu uma patroa que a ajudou a aprender o idioma. Bárbara depois de 10 anos morando nos Estados Unidos ainda não sabia inglês. Isso é mais comum do que se pensa. Acontece o mesmo na Espanha, vejo muitos brasileiros que falam “portunhol” e que desaprenderam o português. Além de não aprenderem o idioma local perdem o próprio. Há que se olhar para os lados, aprender, estudar. Perdem também a família, muitos ficam sós, Bárbara não tem ninguém, mas ela acostumou- se a perder. Perdeu o passado, o presente…mas, e o futuro?

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Bárbara começou a ler em inglês e começou a perder o medo. Perder às vezes também é bom, vê?! O exercício da leitura, a prática a fez aprender o idioma. A patroa, Sonia, queria ajudá- la também a legalizar a sua situação no país. O verso da foto acima é da poetisa Elizabeth Bishop, falecida em 1979, ela morou 15 anos no Brasil (Santos- SP), onde recebeu o Prêmio Pulitzer. Ela traduziu ao inglês Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. A imigrante Elizabeth também aprendeu a perder:

A arte de perder

A arte de perder não é nenhum mistério; 
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. 
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 
Depois perca mais rápido, com mais critério: 
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita. 
Nada disso é sério. 
Perdi o relógio de mamãe. 
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 
Perdi duas cidades lindas. 
E um império que era meu, dois rios, e mais um continente. 
Tenho saudade deles. 
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. 
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério

Não posso deixar de citar o personagem Sílvio, também imigrante nos Estados Unidos, um carioca lindo, bissexual (mas preferia os homens) que teve um triste final.

Fiquei intrigada para chegar no final e descobrir que desfecho Edney encontrou para essa história. E digo que foi surpreendente. Ele optou pela esperança. Espero que “a minha vida provisória” tenha um final feliz. Essa obra também é uma confissão de amor ao nossos sabores e aromas brasileiros, e  algo invisível, talvez ainda sem nome (cultura, idioma? não sei), que é a nossa essência e que nos faz ser como somos. Além de relembrar esse tema espinhoso da ditadura, que espero, jamais volte a acontecer.


Toda a obra de Edney Silvestre você pode encontrar em papel ou em e-books nas melhores livrarias físicas e online.

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