Pablo del Barco, o tradutor da nossa literatura na Espanha


Pablo del Barco é um artista espanhol que traduz, pinta, escreve, edita…ele tem uma relação muito especial com a arte, literatura e cultura brasileira. Eu tive a oportunidade de entrevistá- lo para a Revista BrazilcomZ na Espanha. Pablo é considerado o maior poeta concretista da terra de Cervantes.

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(foto: João Compasso)

Você pode ler a entrevista que eu fiz com ele em uma charmosa cafeteria de Madri, aqui. (abra o link “revista digital”, e clique em Revista “BrazilcomZ Espanha”, edição 99, de janeiro)

 

Cepe lança a segunda edição do Prêmio Nacional de Literatura


Uma boa oportunidade para o ano que vem, vá preparando os seus textos! A Cepe (Companhia Editora de Pernambuco) nos enviou o texto da coletiva de imprensa (que publico na íntegra):

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Concurso distribuirá um prêmio total de R$ 80 mil

Considerado um dos principais concursos literários do país, o Prêmio Nacional Cepe de Literatura terá o edital de sua segunda edição disponibilizado no dia 12 de fevereiro de 2016, através do endereço http://www.cepe.com.br.

Em entrevista coletiva realizada na Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), o diretor-presidente da Cepe, Ricardo Leitão, informou que, com exceção da ampliação do prazo de inscrição – que irá de 1º de março a 15 de junho –, o edital adotará os mesmos critérios do da edição anterior do prêmio.

Como na primeira edição, o concurso distribuirá um prêmio total de R$ 80 mil, sendo R$ 20 mil para os primeiros lugares de cada categoria: romance, conto, poesia e literatura infantojuvenil. Cada concorrente só poderá se inscrever em apenas uma das quatro categorias.

Lançado em 2015, dentro das comemorações dos 100 anos da Imprensa Oficial de Pernambuco, o prêmio, em sua primeira edição, contabilizou 579 inscrições, oriundas de quase todos estados brasileiros. Também se inscreveram brasileiros residentes em outros países, como Portugal, Chile, Estados Unidos e Holanda.

 

Entrevista com Edney Silvestre


Originalmente publicada na revista impressa BrazilcomZ (Espanha), nº93,  julho de 2015. Leia a revista online.


EDNEY SILVESTRE

Sou testemunha do sofrimento, do isolamento, da solidão, das dores e tristezas de quem foi obrigado, seja por que razão for, a viver fora de sua terra.

Entrevista exclusiva com o grande jornalista da Rede Globo, Edney Silvestre (Valença, Rio de janeiro, 24/04/1950), que publicou sua primeira obra “Se eu fechar os olhos agora” (2010) depois dos 50 anos, “como Henry Miller e Cervantes”, livro premiado com o Jabuti. O autor revelou que está trabalhando em um novo livro de contos. Mostrou- se incômodo com a visão de alguns franceses sobre os brasileiros no Salão do Livro de Paris: Os franceses, muitos deles, ainda nos vêm – nós, os criadores de cultura no Brasil e na América Latina – como papagaios exóticos. Quanto mais coloridos e barulhentos formos, mais eles consideram que se trata de “autêntica literatura latino-americana”. E também comenta sobre a questão da imigração, da solidão, da leitura no Brasil e alguns temas polêmicos. Leia a entrevista completa:

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O escritor e jornalista Edney Silvestre de 65 anos, de origem humilde, forjou uma bela e sólida carreira no competitivo mercado de trabalho brasileiro. (foto: Leo Aversa)

(F.S.) No seu último livro, “Boa noite a todos”, a capa sugere um personagem suicida, o leitor já tem essa informação prévia. Com a leitura da obra, certamente vai perceber que Maggie não tem saída. O que você diria ao leitor que pode pensar que você foi excessivamente pessimista?

(E.S.) Maggie tentou todas as saídas que lhe eram possíveis. Desde o começo da sua vida, porém, o destino, ou que nome se dê aos acontecimentos que nos formam, foi cruel com ela. Sua mãe, prostrada pela depressão, a ignorava. Seu pai foi-se para outro país, onde se casou com uma mulher igualmente alheia às necessidades da menina Maggie. Harry poderia ter sido seu porto seguro. Entretanto ela, jovem demais para entender a complexidade do rapaz, afastou-se dele. E por aí foi, abraçando o mundo glamoroso e vazio das celebridades. Não fui pessimista. Ao final Maggie ganha o alívio na memória e na arte – no caso a música de Richard Strauss.

(F.S.) Além de ser um escritor que conseguiu o respeito da crítica especializada conquistando um lugar de destaque na literatura contemporânea, com vários prêmios, antes você já era jornalista de primeiro escalão. Atualmente, apresenta o Globo News Literatura e é repórter especial da TV Globo. Você pretende transformar algum dia a literatura na sua principal atividade?

(E.S.) Gosto de chegar à redação e estar com os colegas jornalistas, gosto de sair para fazer reportagens na rua, gosto de escrever reportagens, gosto de editar imagens e textos de reportagens. Quando penso no meu futuro – e penso pouco, minha preocupação é com o aqui e agora – não me vejo fora do jornalismo. Quando, finalmente, publiquei meu primeiro romance, “Se eu fechar os olhos agora”, eu era jornalista há mais de 3 décadas. Continuo. É uma profissão que me permite estar sempre em contato com o real, que vem me dando a chance de conhecer profundamente o meu país e os brasileiros, assim como me leva a entender melhor as contradições da história contemporânea ao me fazer testemunha de acontecimentos como os atentados terroristas em Nova York em 11 de setembro de 2001, o horror sofrido pelo povo no Iraque, a dor das vítimas de furacões em Honduras, o desencanto e a esperança na vida de Cuba.

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No lançamento de “Boa noite a todos”, seu último romance. (Foto: Vera Donato)

(F.S.) Vender muitos livros é sinônimo de sucesso? O que é o sucesso pra você?

(E.S.) Gabriel García Márquez vendia muitos livros. Salinger vendeu muito, também. Jorge Amado foi um autor best-seller. Um colombiano, um americano, um brasileiro. São apenas três, dos muitos exemplos, de escritores de qualidade com obras acatadas por um grande público. Sucesso, sem dúvida. A permanência deste sucesso, no entanto, é outra história. A morte, em geral, apaga alguns escritores da lembrança dos leitores. Falo no sentido do grande público, aquele que transforma um romance como “Amor em tempo de cólera” em fenômeno de vendas. Ainda que este trio Amado-Salinger-Marques não se encontre hoje nas listas dos mais vendidos, continua sendo cânone, continua sendo referência, como continuam os menos lembrados e outrora escritores de enorme sucesso, como Rachel de Queiroz e João Ubaldo Ribeiro.

(F.S.) A pós- modernidade lançou diversos escritores midiáticos, que exercem profissões paralelas (atores, cantores, humoristas e padres), o que gera muita desconfiança na crítica, a maioria com fundamento, já que são obras inexpressivas e sem valor artístico- literário. Edney Silvestre, jornalista e um rosto conhecido no Brasil. Com a publicação do seu primeiro livro, como viveu esse período de prova? Sofreu algum estigma, mesmo sendo jornalista e tendo familiaridade com a escritura? Com expectativa, ansiedade ou não te afetou?

(E.S.) Eu não era uma celebridade quando lancei meu primeiro romance, nem o sou agora, portanto não me encaixaria na categoria “escritor midiático. Sempre escrevi textos de ficção, apenas publiquei meu primeiro romance depois dos 50 anos. Cervantes também publicou depois dos 50. Henry Miller foi outro. Sou, fui e serei meu crítico mais atento. Se, mesmo com os prêmios literários que ganhei, eu ainda tivesse dúvidas se me acolhiam porque eu era jornalista de televisão, essas dúvidas teriam se dirimido com a publicação de meus romances na França, na Grã-Bretanha, na Sérvia, na Holanda, em Portugal, na Itália e na Alemanha – onde ninguém tinha a menor ideia de quem eu era. E, aliás, continua não tendo. E ainda assim leem minha obra.

(F.S.) Você já entrevistou diversos escritores consagrados, como é estar do outro lado, ser o entrevistado? Sente- se confortável falando de si?

(E.S.) Eu tenho muito prazer em conversar – e ouvir – pessoas inteligentes, como José Saramago, João Ubaldo Ribeiro, Adélia Prado, Nardine Gordimer, Milton Hatoun. Aprendi e aprendo com essas pessoas. Quando estou do outro lado, e estou sendo entrevistado por alguém que se preparou, pesquisou, estudou, leu minha obra, tenho a chance de repensar e analisar o que fiz, porque fiz, como fiz. É um prazer, também, de outro tipo. Mesmo que eu não consiga responder a essas questões.

(F.S.) Em “Vidas provisórias”, você narra a vida de imigrantes brasileiros no exterior. Você também já esteve nesta situação. O que emprestou das suas experiências aos personagens do livro? É verdade que os seus personagens viveram situações pessoais extremas e difíceis, mas você acredita que exista um ponto de intersecção entre todos? Você também sentiu em algum momento a sensação de perda de identidade? De ter que se reinventar? E a solidão?

(E.S.) Sou testemunha do sofrimento, do isolamento, da solidão, das dores e tristezas de quem foi obrigado, seja por que razão for, a viver fora de sua terra. É muito, muito duro. É claro que não me refiro aos ricos empresários ou artistas que se divertem em temporadas passadas em suas belas e confortáveis casas e apartamentos em Paris ou Miami, indo a bons restaurantes e assistindo a espetáculos bacanas. Falo das pessoas que ralam, que trabalham duro, que se sentem discriminadas. Fui morar nos Estados Unidos com visto de trabalho, o que fazia de mim um privilegiado. Mas convivi com gente que temia ser pego pela imigração e deportado, aquelas pessoas que precisam trabalhar, seja no que for que aparecer, para não apenas se sustentarem, mas também mandarem dinheiro para suas famílias que ficaram no Brasil. Nunca senti que perdia a identidade pois creio que o brasileiro não a perde, de forma alguma. Quanto à solidão… Essa eu conheci desde muito cedo, com pouco mais de 15 anos, quando me mudei de minha cidade no interior para o Rio de Janeiro.

(F.S.) A crítica negativa incomoda? Você lê tudo o que escrevem sobre seus livros? Acompanha o retorno dos leitores? Lê as resenhas dos “blogueiros”?

(E.S.) Tem uma frase ótima que o dramaturgo Edward Albee me falou numa entrevista, quando eu comparei as boas críticas que tinha recebido na época da peça “Quem tem medo de Virginia Woolf”, das ruins que deram à sua peça mais recente (então), “A cabra”. Ele me disse mais ou menos assim: “Se elogia, eu considero (o crítico) inteligente por ter percebido minhas intenções; se fala mal, é porque trata-se de um tolo”.
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O amor à literatura chegou muito cedo, ainda menino, quando sofria de anemia profunda e ficava na lendo na cama. O escritor em Paris com a tradução francesa de “A felicidade é fácil”.

(F.S.) Os seus livros ganharam traduções em vários idiomas. Como está sendo a recepção da sua obra pelo leitor estrangeiro?

Muito além do que eu jamais poderia imaginar. Na França o jornal Le Monde e a revista L’Express aplaudiram meus dois romances publicados ali, em Portugal e na Holanda idem, o inglês The Guardian e o alemão Stern me deram página inteira nas resenhas elogiosas a “Se eu fechar os olhos agora” e, no ano passado, “A felicidade é fácil” foi considerado um dos dez melhores romances policiais do ano na Inglaterra. Ano que vem “A felicidade é fácil” sai na Alemanha.

(F.S.) Você acha que já escreveu a sua obra- prima ou esta ainda está para ser escrita?

(E. S.) Será que um escritor com um mínimo de senso crítico, mesmo aquele com ego gigantesco, acha mesmo que escreveu, ou está escrevendo, ou acabará por escrever uma obra-prima? Nos estados unidos eles, os autores, sempre se referem à tentação de escrever “o grande romance americano” que estaria por vir. Isso os esmaga. Não acredito que Saramago pretendeu, jamais, escrever uma obra- prima. Entretanto deixou-nos seu Evangelho. Drummond deixou-nos várias obras- primas – e sempre se disse um aprendiz.

(F.S.) Está escrevendo algum livro? Já tem o título da sua próxima obra?

(E.S.) Estou construindo em um livro de contos onde tenho a chance de experimentar temas e linguagens. É possível que venha a publicar no ano que vem. Ainda não tenho um título definitivo, embora eu venha trabalhando desde o ano passado com um.

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O escritor na biblioteca do seu apartamento no Leblon, no Rio de Janeiro (foto: Revista Quem)

(F.S.) Edney leitor. Quais são os seus livros favoritos? Quais autores são essenciais na sua biblioteca?

(E.S.) Não tenho favoritos, Fernanda. Gosto de ler, ponto. Leio de tudo, inclusive quadrinhos, quadrinhos mesmo, tipo Tio Patinhas e Asterix. Se tomar como guia os livros que tenho em minhas estantes: toda a obra de Drummond, toda a obra de Graciliano Ramos, toda a obra de Guimarães Rosa, toda a obra de José Saramago, muita coisa de Eugene O’Neil e Tennessee Williams, muita coisa de Fernando Pessoa, a obra completa de Machado de Assis, todo Cervantes, quase tudo do teatro de Nelson Rodrigues, um tanto de Marguerite Duras, outro tanto de Camus, praticamente tudo o que se conhece de Shakespeare (nao lido na maior parte), Elizabeth Bishop, muitos livros de Patricia Highsmith, Georges Simenon e F. Scott Fitzgerald.

(F.S.) Edney escritor. A alteridade, viver outros “alguéns” provoca desconforto, angústia, alívio, salvação, redenção? Como é o seu processo criativo?

(E.S.) Um escritor é um canal para transmitir vozes, desejos, ânsias, frustrações, esperanças de seu tempo. E tenta ser o canal mais limpo e aberto possível. Eu tento.

(F.S.) Livro tradicional ou livro digital? Você aderiu aos e- books?

(E.S.) Livro, ponto. Leio em ambas as formas. Digital é mais prático, sem dúvida. Mas nem vale a pena comentar, pois está afundando no mundo inteiro.

(F.S.) Brasileiro ainda lê muito pouco, mesmo na era digital com muita literatura gratuita na rede (muitos ainda não têm acesso à Internet). Como formar leitores no nosso país que, infelizmente, ainda não tem como prioridade a Educação?

(E.S.) Os números mostram que o brasileiro lê cada vez mais. Basta ver as pesquisas da SNEL. De onde você tirou essa conclusão que lê pouco? Educação tem que ser política pública. De que adianta comentar aqui? É política pública, não pessoal.

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No Salão do Livro de Paris (2015)

(F.S.) Como foi participar do Salão do Livro de Paris 2015 como autor convidado?

Os franceses, muitos deles, ainda nos vêm – nós, os criadores de cultura no Brasil e na América Latina – como papagaios exóticos. Quanto mais coloridos e barulhentos formos, mais eles consideram que se trata de “autêntica literatura latino-americana”. A culpa é do Gabriel Garcia Marques, que escrevia esplendidamente tramas que jamais poderiam se passar senão em selvas, cidades perdidas, verdejantes, habitadas por personagens peculiares, carregando amores ao longo de séculos. Ele era uma força original. Nada tinha de “papagaio exótico”. Mas aqueles que encaram superficialmente nossa cultura não entendem isso. E só querem reconhecer, no caso do Brasil, o “soft power” de samba, mulatas e futebol. Falei contra isso o tempo todo. Espero ter aberto a cabeça de alguns. Outros se irritaram. Incitei-os a lerem o que me parece a literatura mais original e diversificado do mundo neste momento, a brasileira, que reúne autores tão diversos quanto Milton Hatoun, Luiz Ruffatto, Alberto Mussa, Nélida Piñón, para citar apenas quatro contemporâneos.

(F.S.) Você ganhou o prêmio Jabuti em 2010 com “Se eu fechar os olhos agora”, sua obra de estreia, com os votos da crítica especializada e depois perdeu para Chico Buarque, que foi votado pelo público, mas continua sendo o ganhador moral. Existe algum constrangimento entre você e Chico por causa dessa história?

(E.S.) Não conheço Chico Buarque pessoalmente, não frequentamos os mesmos lugares, não temos amigos em comum. Ele é uma instituição, autor de clássicos da MPB como “A banda” e “Sabiá˜, vencedor de vários prêmios literários. Chico Buarque nunca disse uma palavra desabonadora a meu respeito, mesmo tendo perdido o Jabuti de Melhor Romance para mim, um autor estreante, mesmo depois de toda a campanha que reuniu mais de 15 mil assinaturas . Tem sido elegante, espero me comportar da mesma maneira.

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Edney foi correspondente internacional da Globo em Nova York, foi o primeiro repórter a chegar no local do atentado terrorista às Torres Gêmeas em 2001.

(F.S.) Você é muito ativo nas redes sociais, usa Facebook, Instagram, Twitter. O que essas redes trouxeram de bom e de ruim? Qual o saldo?

Gosto de conhecer pessoas, gosto de papear, nós do interior somos assim, colocamos a cadeira na calçada e falamos com quem passa. É como vejo as redes sociais. Saí do Messenger recentemente, por conta de assédio de quem só se aproximava porque queria ser entrevistado no programa de literatura da Globonews. Passei anos explicando cordialmente que aquela era uma página pessoal, que a página a procurar era a do Globonews Literatura. Porém, após algumas agressões gratuitas e exibições de vaidade, entendi que era melhor cair fora. Muito do aumento da leitura de livros, hoje, deve-se ao incentivo trazido pelas redes sociais. Particularmente para leitores com menos de 35 anos.

(F.S.) Sobre o Acordo Ortográfico entre os países lusófonos. Contra ou a favor? Já aderiu à nova ortografia?

(E.S.) Não fui chamado a opinar antes da decisão. Ninguém é consultado. A decisão fica numa esfera totalmente fora do alcance. Depois dela, os livros didáticos têm que ser impressos novamente, milhões deles. Todos os livros, enfim. A quem isso beneficia? Mas já foi, está feito. Não adianta nada comentar agora.

(F.S.) E qual a sua relação com a Espanha? Conhece bem o país? Quando vem nos visitar?!

(E.S.) Gostarei muito quando meus livros forem publicados na Espanha, o que ainda não aconteceu. Sinto uma grande identificação com a cultura iconoclasta que deu origem a Gaudi, a Buñuel, a Cervantes, a Garcia Lorca, a Picasso, a Almodóvar.

(F.S.) Dá para definir o que é a literatura na sua vida em três palavras?

(E.S.) Acho que não. (risos) Tem três palavras na frase, não é mesmo?        

                                                                                                        

Fofoca literária: Mario Vargas Llosa e a ex de Julio Iglesias juntos?


A notícia hoje em todas as revistas e programas de fofocas na Espanha: Isabel Presley (64 anos, há 9 meses viúva de Miguel Boyer, político, economista e professor espanhol), a primeira esposa de Julio Iglesias, mãe do famoso cantor Enrique Iglesias, mantém uma relação estreita com o Nobel da Literatura Mario Vargas Llosa (79), que acabou de completar bodas de ouro com Patrícia Vargas Llosa e celebraram em Nova York junto com toda a família.

patricia-vargas-llosa--644x362Patrícia e Llosa (foto: Efe)

A Hola diz que Vargas Llosa está separado da mulher e que ambos mantém uma relação magnífica. Só que a mulher já saiu dizendo que ficou surpresa com as fotos e sentiu pena (veja as fotos da celebração dos 50 anos do casamento do casal).

Estranho é Vargas Llosa ter acompanhado a Presley em um evento benéfico no Palácio de Buckingham, a cara da Presley, que já foi casada com três milionários. Depois, já em Madri, foram fotografados saindo de um restaurante de braços dados. O novo casal (?) se conhece há mais de 20 anos, quando Isabel entrevistou Llosa para a Revista Hola.

Verdade ou mentira? Logo vamos saber.

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O coração é assim, não, quem manda nele? Eu admiro gente que tem coragem de assumir o que sente e enfrenta as suas consequências. Viva el amor!

Uma biblioteca ilustre


Especialmente para todos os que amam bibliotecas.

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Martín de Riquer na sua biblioteca.

Martín de Riquer (Barcelona, 03/0571914 – Barcelona17/09/2013) foi um doutor em Filologia Românica, especialista em literatura medieval e trovadoresca, escreveu vários livros teóricos sobre literatura, como “Para ler  Cervantes“. Foi professor emérito na Universidade de Barcelona, membro da Academia Real de Letras Espanhola, ganhou prêmios importantes na área de Letras e Ciências Sociais. Riquer, como todo bom investigador que se preze, tinha uma biblioteca impressionante, imensa e com obras raras. Fez da sua casa uma biblioteca. No vídeo (em espanhol), a filha de Riquer nos explica um pouco sobre o conteúdo da biblioteca e como ela foi criada pelo pai falecido no ano passado:

BIBLIOTECAS | MARTÍN DE RIQUER from La Central on Vimeo.

“Os trovadores”, livro indispensável para os amantes e estudiosos da literatura medieval. São 1760 páginas de poesia, uma jóia, um presente para os nossos sentidos:

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Quem é a crítica literária no Brasil?


A pergunta não é “O que é a crítica literária?”, e sim, “Quem é a crítica literária no Brasil?”. Os críticos são citados normalmente sem o nome, eternos sujeitos indeterminados: “o autor foi aclamado pela crítica”, “o livro não agradou a crítica.” Mas, quem foi e quem é a Crítica Literária?
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Alguns autores andam reclamando da crítica contemporânea, olhando com certo saudosismo a crítica do passado e menosprezando o que há na pós- modernidade, como declarou o escritor peruano Mario Vargas Llosa recentemente para o El País, leia:
“A crítica literária tem agora mais responsabilidades em um mundo com excesso de informação e excesso de livros. E é responsável pela marginalidade em que vive ao ter perdido o protagonismo que tinha e deveria recuperar. Não temos críticos de grande responsabilidade nem em outras áreas. Parecem limitar-se a resenhas, quase como publicidade, a banalizaram e se esqueceram da função de apresentar os elementos para que as pessoas apreciem o bom e o menos bom de cada livro, e algo muito importante é que devem ter claro o lugar que essa obra ocupa em seu contexto, e contar isso aos leitores. Especialmente nestes tempos em que a Internet tende a dar o mesmo valor a tudo…”
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Não concordo com quase nada do que ele disse, já que não considero o crítico marginalizado. O que acontece hoje em dia é que o formato mudou, surgiram muitos críticos com a inclusão digital e a caída dos jornais em papel. Antigamente, o crítico tinha um status e destaque maiores pelo próprio meio em que se apresentava, todo mundo lia a mesma coisa; hoje não, há uma variedade enorme de material e de meios. Os tempos são outros. E eu prefiro hoje, sinceramente. Não gosto do monopólio, do saber centralizado e privilégio de poucos, o veredito ditado por três críticos e acabou- se. No caso brasileiro, destaco: Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins e Sérgio Milliet, nascidos no século XIX e princípio do século XX:
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Sérgio Milliet (São Paulo20/09 1898 – São Paulo, 09/11/1966
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Otto Maria Carpeaux (Viena, 09/031900 – Rio de Janeiro, 03/02/1978)
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Álvaro Lins (Caruaru14/12/1912 – Rio de Janeiro, 04/06/1970)
Não concordo com Llosa sobre a “banalização” que cita. O que ele chama de “banalização”, eu chamo de “inclusão”. Pense que existe muitos blogs de gente muito jovem, mas muito jovem mesmo, 11, 14, 16 anos, que está pensando em literatura, falando em literatura, lendo e refletindo sobre o que leu. Com erros, obviamente, mas pense como será essa geração de leitores/críticos no futuro? Acho animador e prometedor. Se ele quer ler blogs profissionais, com críticas consistentes, que dizem o que o livro tem de bom e ruim, há centenas espalhados pela web, basta selecionar. Devemos sim aprender com os críticos que fizeram história, absorver o que nos convém, mas com a liberdade de traçar os nossos próprios caminhos. Só com a distância, com o discernimento que o tempo proporciona é que se saberá o valor do que estamos fazendo nos anos 2000.
Há 23 anos anos, em 1991 no programa Roda Viva (Cultura), Rachel de Queiroz já reclamava da crítica de então, e dá como referência Otto Maria Carpeaux, que parece ser o expoente máximo da crítica literária brasileira. Veja o tom pejorativo de Rachel em relação à crítica do seu tempo:
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Caio Fernando Abreu: Os críticos não eram melhores?

Rachel de Queiroz: Havia uma crítica profissional que não há mais hoje. Hoje eles dão noticiazinhas, em geral encomendadas pelas editoras. A figura do crítico desapareceu, não sei por quê. Talvez seja a evolução dos estudos literários, aquela crítica era impressionista, era a crítica do “gostei, não gostei”, podia ser formulada em boas frases, mas eram, na verdade… Não sei se são os novos estudos de literatura que influíram na liquidação do crítico pontificando…

Maria Alice Barroso: Perdão. Minha primeira intervenção. [risos] Peço passagem…Caio Fernando Abreu: Os críticos não eram melhores?
Rachel de Queiroz: Havia uma crítica profissional que não há mais hoje. Hoje eles dão noticiazinhas, em geral encomendadas pelas editoras. A figura do crítico desapareceu, não sei por quê. Talvez seja a evolução dos estudos literários, aquela crítica era impressionista, era a crítica do “gostei, não gostei”, podia ser formulada em boas frases, mas eram, na verdade… Não sei se são os novos estudos de literatura que influíram na liquidação do crítico pontificando…Jorge Escosteguy: Maria Alice Barroso, por favor.
Maria Alice Barroso: Você acha, Rachel, que nós tenhamos agora, por exemplo, um crítico da categoria de Álvaro Lins [(1912-1975) professor, jornalista, ensaísta e diplomata, mas sua consagração deu-se como crítico literário]?
Maria Alice Barroso: Você acha, Rachel, que nós tenhamos agora, por exemplo, um crítico da categoria de Álvaro Lins [(1912-1975) professor, jornalista, ensaísta e diplomata, mas sua consagração deu-se como crítico literário]?

Caio Fernando Abreu: Eu estava pensando nisso.

Rachel de Queiroz: Não, não temos, é o que digo, a figura do crítico… do Alceu, do Álvaro, do Carpeaux, que nós citamos agora. Essas figuras desapareceram, não sei, talvez fossem dinossauros que tinham que desaparecer, mas tinham grande peso e grande importância.

Caio Fernando Abreu: Mas acho que a dignidade nunca tem que desaparecer.

Rachel de Queiroz: Mas não é a dignidade. Acho que é o estilo. É uma questão de moda literária e de estilo, desapareceu o crítico.

Caio Fernando Abreu: O que vejo hoje em dia nos jornais, pega-se um livro… Trabalhei em jornal, sou jornalista também. Dizem assim: “Quem quer baixar o pau nesse cara?” [risos] Aí um garoto qualquer de vinte anos vai lá e baixa o pau.

Rachel de Queiroz: É o instituto do patrulhamento.

Marcos Faerman: Acho que um problema que acontece com a crítica, que é bem diferente, por exemplo, desse período dos grandes mestres, né, Agripino Grieco [(1888-1973) poeta, ensaísta e crítico literário reconhecido por sua língua ferina ao escrever suas críticas], Álvaro Lins, Alceu Amoroso Lima [(1893-1983) conhecido também pelo pseudônimo de Tristão de Ataíde, foi professor de literatura, pensador e crítico literário. Ao denunciar pela imprensa o cerceamento da liberdade de pensamento, tornou-se forte opositor do regime militar de 1964], o deslumbrante Otto Maria Carpeaux [(1900-1978) um dos mais renomados críticos literários brasileiros, cuja obra é imprescindível para o estudo da literatura ocidental. Com o golpe de 64, que depôs Jango, Carpeaux passou a combater o regime militar, deixando a crítica literária em segundo plano], mestres que eram pensadores da literatura. Agora, não vejo isso que o Caio fala, assim, acho que um pouco levianamente…

Caio Fernando Abreu: Nunca sou leviano.

Caio Fernando Abreu: Rachel, continuando a ser leviano, [risos] você acha que isso que está se passando em relação à crítica literária não está se passando em todos os níveis no Brasil? Como diz o Darcy Ribeiro [(1922-1997) professor, etnólogo, antropólogo, foi senador, reitor da Universidade de Brasília, ministro de Estado no governo João Goulart – ver entrevista no Roda Viva], não é um processo de africanização – com o perdão [do termo], porque o Brasil está passando pela mesma coisa –, de sucateamento, como diz o Moacir Amâncio [poeta paulista e professor de língua e literatura hebraica na Universidade de São Paulo, também atuou como repórter e redator em várias publicações], de vulgarização de tudo?

Rachel de Queiroz: Não sou tão pessimista. Acho que as coisas estão difíceis, o mundo inteiro está atravessando uma fase difícil, o Brasil está atravessando uma fase dificílima e isso se reflete em todos os níveis da cultura, que é a primeira afetada por essas crises. Mas eu, que sou pessimista profissional, acho que vamos sair dessa. Há muito talento por aí, há muito interesse por artes, por letras, por estudos, de forma que não estou pessimista nisso, não. Essa meninada, você vê nessa Bienal Nestlé, há muito interesse da meninada, a paixão com que eles vêem, com que eles procuram saber, se informar, conhecer a gente, tocar na gente para saber que é mesmo aquela pessoa. De forma que isso tudo mostra que há interesse e esses meninos não vão ficar parados nem vão ficar calados.
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Da velha escola, cito Antônio Cândido (Rio de Janeiro24 de julho de 1918) como o meu crítico preferido, ele ainda atua e é a minha referência principal, figuras como ele já são espécie em extinção:
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A crítica contemporânea é uma legião de blogueiros, principalmente, muitos escrevem em blogs e para jornais virtuais e impressos. É a democratização da escritura, e nunca, nunca, baixo nenhuma hipótese, deve- se condenar quem fala sobre literatura, pior ou melhor, estão falando sobre Arte e falar sobre Arte é o caminho.