Dez anos e um adeus


Parece que tudo secou, todas as velhas vontades, os antigos suspiros e desejos. As coisas boas e ruins, ainda bem, um dia acabam. O fim é o destino de tudo. É preciso reinventar- se, destruir para reconstruir.

As palavras fogem esbaforidas de mim, chegaram ao fim da linha e vão caindo no despenhadeiro do fim da página. Estão todas aqui brigando, empurrando- se, procurando os seus lugares, só que já não sinto mais vontade de ajudá- las, de colocá- las nos seus devidos lugares ao sol. Elas são frágeis e eu também; se não podem ser livres, melhor não ser. Ser, eis a questão.

Vamos continuar em algum lugar, em algum caderno ou livro fechado, até que algum dia alguém nos venha, quem sabe, despertar. Até então, a palavra e eu, nos conjugamos e nos bastamos.

Agradeço a quem fez parte disto durante (longos) dez anos.

A gente vai se reencontrar algum dia. Sejam felizes…

Fernanda Sampaio Carneiro

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Veja como foi a “III Oficina Falando em Literatura” em Madri


No último dia 16 de novembro, aconteceu a oficina literária sobre a obra do escritor baiano Antônio Torres. A turma foi animada e participativa. Contei aos participantes sobre a maravilhosa trilogia do sertão: “Essa terra”, “O cachorro e o lobo” e “Pelo fundo da agulha”, além da bibliografia urbana- histórica- carioca, do autor imortal da ABL, passamos também pela literatura infanto- juvenil.

A intenção dessas oficinas, além de estimular a leitura de grandes obras e autores, é também a de despertar ideias, a criatividade. Que encontrem seus próprios caminhos para desenvolver a escritura artística.

Veja algumas fotos do nosso último encontro:

img_2286“Lola” (Maria Dolores) e Deborah.

img_2293Márcio e Simone.

img_2300Márcio em “ação”.

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Mãe e filha.  Dona Suely e Renata. Houve depoimentos que nos deixaram emocionados.

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Dona Suely, recém chegada de Recife.

img_2313Escritura criativa.

img_2289Simone.

img_2305Renata.

img_2303Deborah.

img_2302Lola.

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15073307_862185890550436_8351533164920597600_n Saiu uma nota sobre as oficinas na coluna de Ancelmo Gois do jornal “O Globo” (16/11):

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img_2308A turma na Casa do Brasil no último dia 16 de novembro de 2016.

E amanhã tem Nélida Piñón! Se você está em Madri e quer participar , escreva para o e-mail: falandoemliteratura@gmail.com. As oficinas são patrocinadas pelo Itamaraty com o apoio do Consulado do Brasil em Madri e são gratuitas para os participantes.

Agenda de feiras de livros no Brasil (Agosto/Setembro) e algum desabafo


Veja as feiras de livros que estão acontecendo agora ou que começarão em setembro:

Eu fiquei tão constrangida quando vi a lista de “autores” que dariam autógrafos, que nem vou reproduzir aqui. O panorama literário brasileiro, infelizmente, vai de mal a pior. Qualidade literária zero em muitas feiras, reflexo dos leitores? Quem domina quem? O mercado ou os leitores que pedem literatura descartável?

Acho que essa só vale a pena pra passear e pegar algum desconto nos livros (de verdade).

Aonde?

Pavilhão do Anhembi
Segunda à Sexta: 9h às 22h 
Sábado e Domingo: 10h às 22h 
Dia 04/09 das 10h às 21h
  • 3ª Festa Literária Internacional de Maringá (FLIM), de 13 a 18 de setembro, veja programação.

Essa é uma feira que você terá a oportunidade de conhecer pessoalmente autores estrangeiros como o português Antônio Vilhena, o angolano José Eduardo Agualusa e o americano William C. Gordon (ex- marido da escritora Isabel Allende); e a prata da casa: Ana Maria Machado,  Caco Barcellos e José Castello.

Aonde?
Centro de Convivência Renato Celidônio, anexo ao Paço Municipal.

Escritores de peso participarão dessa feira: Luis Ruffato, Milton Hatoum e Laurentino Gomes, por exemplo (veja a lista). 

Aonde?

Fundação Cultural Calmon Barreto
Praça Arthur Bernardes, nº 10, Centro Araxá / MG
Informações: (34) 3691-7133
E-mail: fliaraxa@fliaraxa.com.br

 7º Festa Literária de Marechal Deodoro, VII FLIMAR, 31 de agosto a 3 setembro 2016. Site.

Essa feira em Alagoas vai começar amanhã, os homenageados são Fagner e Nice de Oliveira. Veja a programação.

Aonde?

Não sei. No site não aparece o endereço (fail!) e se aparecer está beeeem escondido. Se você quiser ir, escreva para: flimar.marechaldeodoro@gmail.com


Fiquem atentos, pois no final de setembro, aqui no Falando em Literatura, estará a agenda de feiras mais importantes do Brasil e do mundo. Outubro será bem interessante.


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As feiras de livros, principalmente as financiadas com dinheiro público, devem servir para fomentar a leitura (a boa literatura), atrair leitores, devem promover grandes autores, de relevância (mesmo que não sejam populares), mas bons autores, para que as pessoas, não só tenham motivação para ir até essas feiras, mas que levem para casa livros que acrescentem algo positivo. Mais que isso: deveriam existir palestras ensinando a importância da leitura, do estudo, das letras na vida das pessoas. As Letras, Ciências Humanas e Sociais estão morrendo, meu povo!

Caso contrário, será um grupo de escritores amigos se auto- promovendo, editoras enchendo as burras de dinheiro e o pior: a promoção da literatura medíocre como na Bienal Internacional do Livro de São Paulo está fazendo agora, promovendo literatura vagabunda, que nem deveria ser chamada de “literatura”… youtubers, popozudas e essa baixaria toda. Ou seja, isso é perder tempo e dinheiro suado do bolso do brasileiro. Não faz sentido!

O panorama literário brasileiro nunca esteve pior. A força que está ganhando a mediocridade é absoluta em um país sem tradição leitora, com um índice alto de analfabetismo ainda por combater, livro parece objeto completamente descartável.

A UNESCO disse em 2014, que no Brasil havia 14 milhões de adultos analfabetos. E os analfabetos funcionais?! Aqueles que sabem escrever o nome, leem mal, escrevem quase nada, não sabem interpretar um texto, mas que estão fora dessas estatísticas? Um batalhão! Não vamos “tapar o sol com a peneira”, vamos falar a verdade. As feiras têm que servir, ao menos, para inspirar e não deseducar e banir leitores!

Confesso, amigos, que nunca estive tão desanimada. Como disse Drummond: “Lutar com palavras/ é a luta mais vã”, mas vamos lá, respiremos fundo: “Entanto lutamos/ mal rompe a manhã”.

13 de setembro: aniversário de Antônio Torres


Antônio Torres (Sátiro Dias, Bahia, 13 de setembro de 1940), jornalista e escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, completa hoje 74 anos. Torres saiu de um povoado no interior da Bahia, o Junco (hoje Sátiro Dias), morou em Alagoinhas, Salvador, Lisboa e São Paulo, hoje vive em Itaipava (Petrópolis, Rio de Janeiro) em uma aconchegante casa. Sua obra sofre influências das suas raízes, principalmente na fantástica trilogia “Essa terra”, “O cachorro e o lobo” e “Pelo fundo da agulha”, mas também no seu primeiro romance “Um cão uivando para a lua”. Veja toda a bibliografia do autor, aqui. Torres é um autor premiado e com traduções de suas obras em 11 países. A memória tem importância fundamental na obra do escritor.

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Antônio Torres em Salvador, 2013.

Às vezes, escrevo e leio o que escrevi em voz alta, como se estivesse aqui, falando com vocês, falando esse texto para o meu leitor. Não quero perder essa oralidade que vem da infância, da escola rural. Sou produto dessa cultura rural e de uma cultura oral, também. Meu imaginário foi feito dentro disso. Das histórias que me eram contadas e cantadas, do cordel. O cordel vem dessa cultura oral, dessas histórias muito imaginosas, sem tempo nem espaço, que me influenciaram muito. Adoro isso de ler em voz alta. Nas oficinas literárias que faço, boto todo mundo para ler em voz alta. (Leia toda a entrevista aqui)

Veja esse bela entrevista “Um escritor na biblioteca” (2011).

O menino do interior da Bahia, de origem humilde, era uma esponja, absorvia tudo de positivo, declamou Castro Alves em plena praça pública e fez o povo chorar. Ele queria ser Castro Alves. Poeta não se tornou, mas transformou- se em um dos maiores escritores do Brasil e do mundo! Com a ajuda da mãe aprendeu a ler, quando entrou na escola já estava alfabetizado. A escola primária teve importância fundamental na futura carreira de Antônio Torres. Um homem que venceu pelas letras. Toda a nossa admiração ao homem e escritor. Feliz aniversário!

Casa do Leitor, Madri- Espanha


Eu participei na última terça e quarta- feira (29 e 30 de janeiro) de um curso intensivo  sobre literatura infantil em Madri, Espanha. “Leer sin saber leer” (“Ler sem saber ler”) voltado para o público de 0 a 6 anos. Fiquei absolutamente surpresa com a riqueza literária existente para essa faixa- etária. Literatura para bebês e pais de bebês também. Fascinante. Nesse post só vou mostrar um pouco o local do curso e depois vou contando as minhas descobertas literárias para a turminha. O curso aconteceu na “Casa del Lector”, no centro cultural “Matadero”, que era um antigo matadouro e mercado de gado do princípio do século XX e que manteve suas características originais nos seus 42 edifícios.

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