Agenda de feiras de livros no Brasil (Agosto/Setembro) e algum desabafo


Veja as feiras de livros que estão acontecendo agora ou que começarão em setembro:

Eu fiquei tão constrangida quando vi a lista de “autores” que dariam autógrafos, que nem vou reproduzir aqui. O panorama literário brasileiro, infelizmente, vai de mal a pior. Qualidade literária zero em muitas feiras, reflexo dos leitores? Quem domina quem? O mercado ou os leitores que pedem literatura descartável?

Acho que essa só vale a pena pra passear e pegar algum desconto nos livros (de verdade).

Aonde?

Pavilhão do Anhembi
Segunda à Sexta: 9h às 22h 
Sábado e Domingo: 10h às 22h 
Dia 04/09 das 10h às 21h
  • 3ª Festa Literária Internacional de Maringá (FLIM), de 13 a 18 de setembro, veja programação.

Essa é uma feira que você terá a oportunidade de conhecer pessoalmente autores estrangeiros como o português Antônio Vilhena, o angolano José Eduardo Agualusa e o americano William C. Gordon (ex- marido da escritora Isabel Allende); e a prata da casa: Ana Maria Machado,  Caco Barcellos e José Castello.

Aonde?
Centro de Convivência Renato Celidônio, anexo ao Paço Municipal.

Escritores de peso participarão dessa feira: Luis Ruffato, Milton Hatoum e Laurentino Gomes, por exemplo (veja a lista). 

Aonde?

Fundação Cultural Calmon Barreto
Praça Arthur Bernardes, nº 10, Centro Araxá / MG
Informações: (34) 3691-7133
E-mail: fliaraxa@fliaraxa.com.br

 7º Festa Literária de Marechal Deodoro, VII FLIMAR, 31 de agosto a 3 setembro 2016. Site.

Essa feira em Alagoas vai começar amanhã, os homenageados são Fagner e Nice de Oliveira. Veja a programação.

Aonde?

Não sei. No site não aparece o endereço (fail!) e se aparecer está beeeem escondido. Se você quiser ir, escreva para: flimar.marechaldeodoro@gmail.com


Fiquem atentos, pois no final de setembro, aqui no Falando em Literatura, estará a agenda de feiras mais importantes do Brasil e do mundo. Outubro será bem interessante.


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As feiras de livros, principalmente as financiadas com dinheiro público, devem servir para fomentar a leitura (a boa literatura), atrair leitores, devem promover grandes autores, de relevância (mesmo que não sejam populares), mas bons autores, para que as pessoas, não só tenham motivação para ir até essas feiras, mas que levem para casa livros que acrescentem algo positivo. Mais que isso: deveriam existir palestras ensinando a importância da leitura, do estudo, das letras na vida das pessoas. As Letras, Ciências Humanas e Sociais estão morrendo, meu povo!

Caso contrário, será um grupo de escritores amigos se auto- promovendo, editoras enchendo as burras de dinheiro e o pior: a promoção da literatura medíocre como na Bienal Internacional do Livro de São Paulo está fazendo agora, promovendo literatura vagabunda, que nem deveria ser chamada de “literatura”… youtubers, popozudas e essa baixaria toda. Ou seja, isso é perder tempo e dinheiro suado do bolso do brasileiro. Não faz sentido!

O panorama literário brasileiro nunca esteve pior. A força que está ganhando a mediocridade é absoluta em um país sem tradição leitora, com um índice alto de analfabetismo ainda por combater, livro parece objeto completamente descartável.

A UNESCO disse em 2014, que no Brasil havia 14 milhões de adultos analfabetos. E os analfabetos funcionais?! Aqueles que sabem escrever o nome, leem mal, escrevem quase nada, não sabem interpretar um texto, mas que estão fora dessas estatísticas? Um batalhão! Não vamos “tapar o sol com a peneira”, vamos falar a verdade. As feiras têm que servir, ao menos, para inspirar e não deseducar e banir leitores!

Confesso, amigos, que nunca estive tão desanimada. Como disse Drummond: “Lutar com palavras/ é a luta mais vã”, mas vamos lá, respiremos fundo: “Entanto lutamos/ mal rompe a manhã”.

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O novo romance do espanhol Carlos Ruiz Zafón


Quem ainda não leu “A sombra do vento” do espanhol Carlos Ruiz Zafón, coloque na lista, o livro é muito bacana!

A história acontece na primeira metade do século XX, na cidade de Barcelona, a atmosfera é misteriosa, intrigante. O personagem Daniel Sampere entra em uma biblioteca, “O cemitério dos livros esquecidos”, e encontra um livro maldito que vai mudar a sua vida. O romance foi lançado em 2001, eu li em 2002, quando cheguei na Espanha, nem tinha esse blog ainda. Vou reler (espero que em breve) para deixar a resenha aqui.

Na sequência, Zafón lançou em 2008 “O jogo do anjo”, que é a segunda parte de “A sombra do vento”.

Depois, em 2012, a história continuou com “O prisioneiro do céu”, e no próximo dia 17 de novembro, virá a quarta sequência, ” O labirinto dos espíritos”, livro muito esperado pelos fãs.

Abaixo, a edição espanhola que será lançada pela editora Planeta:

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No site  da editora Planeta Brasil não há ainda notícia sobre o lançamento do livro no país, mas suponho que não vai demorar muito.

Está chegando: 75ª Feira do Livro de Madrid (com uma “pitada” de desânimo)


Feiras de livros são oportunidades fantásticas para conhecer todos os tipos de autores, de todos os gêneros e lugares. A Feira do Livro de Madri, cidade onde moro, dura 22 dias e, normalmente, traz um país convidado. Esse ano: a França. Isso implica que teremos a oportunidade de conhecer autores franceses contemporâneos. Já contei que tenho uma quedinha pelos franceses? Leia aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A lista de escritores que estarão presentes já começou a ser atualizada, até o dia da feira irão entrando mais nomes. Por exemplo:

No dia 5 de junho, você poderá conhecer em pessoa o dono do melhor restaurante do mundo, Ferrán Adrià e seus livros com receitas maravilhosas.

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Julia Navarro, escritora espanhola, essa vale a pena conhecer. Eu li o “Dime quien soy” e gostei bastante. Ela vai estar em vários dias, melhor consultar a lista.julia

Ainda não divulgaram os escritores franceses que estarão presentes.

A lista, por enquanto, deixou- me muito desanimada. Viram a minha animação do início? Pois é, c’est fini. A literatura de não- ficção deve entrar, pois há coisas muito úteis que precisamos. Eu mesma citei o Ferràn Adrià. Há ensaios, divulgação científica, dicionários, fotografia, gastronomia, muita coisa bacana, mas não vale tudo.

Nos últimos três anos, principalmente, a onda de youtubers e “gente nada a ver com literatura” invadiram a feira e o nosso mundo literário. A literatura vai minguando. Qualquer um acha que pode escrever um livro. Poder até pode, mas não é literatura. Há livros muito respeitáveis de não- ficção, que são úteis e necessários, mas não é o caso da lista que acabei de ver. Desânimo.

Isso pode ter consequências muito negativas: a juventude só vai ler porcaria; os escritores decentes não vão querer participar da palhaçada; os consumidores de literatura (ficção, artística, principalmente) deixarão de ir e a feira acabará se transformando numa festa de babacas, adolescentes alucinados e curiosos querendo tirar fotos com artistas e youtubers.

Eu mesma, na feira de 2014, fui cedinho para “ficar na fila”, pois adoraria conhecer Luis Goytisolo (1935) pessoalmente. Um escritor de primeira linha, membro da Real Academia Española (irmão do também escritor, o célebre Juan Goytisolo), escreveu livros incríveis como “Antagonía”, uma obra- prima. Esse autor espanhol é comparado com Proust. Cheguei esbaforida, “Ué, cadê a fila?!”. Não havia ninguém. A minha surpresa foi tanta que o autor percebeu. “Não sou um autor popular”. A vantagem é que pude conversar bastante com ele e tenho o privilégio de ter quase toda a sua obra (carinhosamente) autografada. Mas, não consegui evitar a sensação de tristeza e desencanto: “se ninguém lê um autor desses…que fazemos?!”

Caramba, nosso espaço já é muito restrito, será mesmo que eles têm que invadir a nossa praia?! Claro que sim, as editoras e “escritores” (que normalmente nem escrevem, alguém faz isso por eles) querem é ganhar dinheiro, não importa com quê. Oportunistas.

Cartel FLM16O cartaz desse ano é de Emilio Gil, um artista gráfico.

Vou aguardar para ver se melhora. Será que virá pelo menos algum desses escritores franceses: Patrick Modiano, Pierre Lemaitre, Fred Vargas, Laurent Mauvignier, J. M. G. Le Clézio, Frédéric Beigbeder? Senão, fico aqui com a minha maravilhosa biblioteca.

Resenha: A poesia da notícia, de Thiago David


Quem planta violência/ não colhe cidadão. (Thiago David)

Um pouco de literatura brasileira contemporânea. Thiago David estreia com “A poesia da notícia”. Ele é um jovem poeta e compositor carioca nascido em 1987. É publicitário, mas não exerce, sonha em poder viver só de literatura.

Esse livro foi uma grata surpresa, principalmente por se tratar de poesia. Estamos carentes de bons poetas na pós- modernidade (desculpe a quem ofender possa). Thiago conseguiu algo que eu desejava há tempos: um reflexo do nosso tempo, a nossa cara, – mais que isso- , a representação de um pensamento coletivo, é algo mais profundo ( e nem sempre agradável de se constatar). Acho que ele conseguiu de uma forma bem interessante com versos simples e eficazes. Parece que tudo está no lugar, não sobra nem falta.

Thiago resgata o que há de humano em nós. O problema do outro… é do outro?

thiagoFoto: Facebook do autor

Notícia pode virar poesia? Claro! O consagrado modernista Manuel Bandeira fez isto, veja o “Poema tirado de uma notícia de jornal”.

O cotidiano está cheio de poesia, mas as notícias são descartáveis, amanhã terá uma nova e a de hoje estará na cesta de lixo. A poesia é uma boa tentativa de imortalizar o “banal”. A repetição torna as pessoas insensíveis, o comovente não comove mais ninguém, exceto quando o fato acontece com elas ou alguém próximo. A poesia é uma forma de reeducação sentimental.

Vamos à obra:

“A poesia da notícia” está dividida em 13 temas: Cotidiano e Sociedade, Policial, Política, Eleições, Internacional, Esporte, Cultura, LGBT, Racismo, Mulher, Saúde, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, ou seja, abarca uma boa parte dos fatos sociais.

Os títulos dos poemas são manchetes de jornais. No poema abaixo, uma notícia tão repetida, mas interpretada com um olho poético, veja como muda. Essa manchete carrega um verdadeiro drama. Veja (p.10):

PREÇOS DE IMÓVEIS EM SP NÃO VÃO PARAR DE SUBIR, DIZ ESPECIALISTA

Olhando os classificados,
pensando de onde tirar tanto dinheiro
(em comparação com meu salário),
torço imensamente pra que essa alta de preços,
não afete o mercado 
que vende papelão.
É bom ter a certeza de que algo cobrirá o chão.

Muita gente passou por isso. Perder um objeto é muito mais que uma questão financeira. Nisso mora a diferença entre o preço e o apreço, o valor real das coisas. Outro ponto que chama a atenção no título é o “circula livremente”. Como se livro e biblioteca não precisassem de atenção, cuidado e vigilância (p.12):

BANDIDO INVADE BIBLIOTECA NACIONAL NA MADRUGADA, CIRCULA LIVREMENTE E ROUBA COMPUTADOR E MONITOR

Roubaram um laptop
e um monitor de madrugada.
Mas não sabem como foi difícil encontrar a versão original
de Macunaíma e Na estrada.
A antologia poética de Drummond era pesada
a do Pessoa, impossível de ser carregada.
Coube no laptop todas as obras
oficiais, traduzidas e raras
para serem levadas 
digitalizadas

No poema acima, vejo a preocupação do poeta com a musicalidade, as rimas, a cadência do poema. As palavras foram escolhidas e estudadas para ficarem no lugar correto, não é aleatório, nota- se o trabalho.


O próximo poema parte de uma notícia que chocou muita gente. Vocês devem lembrar do adolescente que foi amarrado em um poste no Rio de Janeiro, não? Alguns festejaram o ato de barbárie. O castigo foi inválido, o menor voltou a roubar. Leia a sábia conclusão do poeta:

MENOR PRESO AO POSTE É FLAGRADO EM NOVO ROUBO

Suponho, observando aqui,
que esses tais "justiceiros"
imaginaram ter dado uma grande lição.
Mas pelo que eu entendo,
chicote deixa marca,
mas a marca mais a raiva
do que qualquer instrução.
Quem planta violência
não colhe cidadão.

E o absurdo do nosso tempo, todo mundo colado nas redes sociais, na internet, até numa situação extrema (p.129):

FACEBOOK CRIA BOTÃO PARA SOBREVIVENTES DE DESASTRES

De baixo da lama
da terra, da lava,
da bomba, da água,
da chuva, da pedra,
do fogo, na queda,
no susto, no escuro,
no meio do medo,
uma reza em silêncio
insiste:
– Que ainda haja internet! –


Eu gostei muito desse livro, uma leitura agradável, corre fácil, ao mesmo tempo que te faz pensar. É dos poucos que tenho lido onde a literatura é genuinamente nacional. Alguns escritores brasileiros escrevem como europeus. E eu não vejo nenhum europeu escrevendo como brasileiro. Ainda se faz literatura europeia no Brasil. Isso era para ter acabado no Romantismo.

“A poesia da notícia” é também um documento histórico do nosso tempo (por causa dos títulos), mas, por causa da poesia, atemporal. Vou arriscar com essa afirmação: daqui a 20, 30, 50 anos, vai continuar atual. Thiago acertou com esse livro.

Quem é brasileiro vai se identificar e quem é estrangeiro vai aprender como é o Brasil.

Habemus poeta!

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David, Thiago. A poesia da notícia. Editora Oito e Meio, Rio de Janeiro, 2016. Páginas: 148

400 anos sem Cervantes e “Dom Quixote de La Mancha” para download grátis.


Hoje completa 400 anos do falecimento de Miguel de Cervantes, que está sepultado em Madri, no Convento de las Trinitarias, no Barrio de las Letras. Hoje tem festa na cidade, “La noche de los Libros”, promovido pela prefeitura, com eventos em muitos lugares.

Eu estou lendo a obra e fiz duas resenhas só com dados básicos e a introdução do livro, que é muito complexo e que deve ser lido e resenhado com parcimônia e respeito.

Leia aqui e aqui, as duas resenhas (em breve, mais uma).

Vou te convidar pra ler comigo, topa?! Não tem desculpa, já que vou te deixar abaixo dois e-books grátis. Por que dois? Porque Cervantes escreveu Dom Quixote em duas partes, em épocas diferentes e te deixo aqui a obra completa. Vamos?!

“Dom Quixote”, primeira parte.

“Dom Quixote”, segunda parte.

Amanhã é o Dia Internacional do Livro. A festa começou na Espanha e espalhou- se pelo mundo todo. A tradição é presentear com rosas e livros.  Comemore lendo um livraço e conte- me depois, combinado?!

Aproveito para mostrar essa dupla incrível, que mora na minha biblioteca:

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Por escritores como Miguel de Cervantes, que transcendem o tempo, tudo isso aqui vale a pena. Cervantes deu vida ao “Dom Quixote”, que parece tão real e atual, por esse tipo de literatura viva, artística, profunda, linda, que eu continuo aqui; com esperança de conquistar alguns leitores dessas grandes obras.

Pablo del Barco, o tradutor da nossa literatura na Espanha


Pablo del Barco é um artista espanhol que traduz, pinta, escreve, edita…ele tem uma relação muito especial com a arte, literatura e cultura brasileira. Eu tive a oportunidade de entrevistá- lo para a Revista BrazilcomZ na Espanha. Pablo é considerado o maior poeta concretista da terra de Cervantes.

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(foto: João Compasso)

Você pode ler a entrevista que eu fiz com ele em uma charmosa cafeteria de Madri, aqui. (abra o link “revista digital”, e clique em Revista “BrazilcomZ Espanha”, edição 99, de janeiro)

 

Cepe lança a segunda edição do Prêmio Nacional de Literatura


Uma boa oportunidade para o ano que vem, vá preparando os seus textos! A Cepe (Companhia Editora de Pernambuco) nos enviou o texto da coletiva de imprensa (que publico na íntegra):

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Concurso distribuirá um prêmio total de R$ 80 mil

Considerado um dos principais concursos literários do país, o Prêmio Nacional Cepe de Literatura terá o edital de sua segunda edição disponibilizado no dia 12 de fevereiro de 2016, através do endereço http://www.cepe.com.br.

Em entrevista coletiva realizada na Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), o diretor-presidente da Cepe, Ricardo Leitão, informou que, com exceção da ampliação do prazo de inscrição – que irá de 1º de março a 15 de junho –, o edital adotará os mesmos critérios do da edição anterior do prêmio.

Como na primeira edição, o concurso distribuirá um prêmio total de R$ 80 mil, sendo R$ 20 mil para os primeiros lugares de cada categoria: romance, conto, poesia e literatura infantojuvenil. Cada concorrente só poderá se inscrever em apenas uma das quatro categorias.

Lançado em 2015, dentro das comemorações dos 100 anos da Imprensa Oficial de Pernambuco, o prêmio, em sua primeira edição, contabilizou 579 inscrições, oriundas de quase todos estados brasileiros. Também se inscreveram brasileiros residentes em outros países, como Portugal, Chile, Estados Unidos e Holanda.