PDF grátis: “Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas”


Um bom livro que reflete sobre as artes contemporâneas sob várias perspectivas: histórica, semiótica, filosófica, que serve como introdução às artes. Possui uma boa bibliografia para ajudar na sua pesquisa. A publicação é da Universidade Federal da Bahia.

Então segue o PDF grátis de “Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas”, da professora Maria Celeste de Almeida Wanner, clica aqui.

O meu em papel:

Boa leitura!

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“Olhos nos olhos”, crônica de Ana Maria Machado


A“Pátria Educadora” apregoada nos slogans continua nos dando lições. E não apenas com oportunos lembretes sobre a herança greco-romana, neste momento em que historiadores protestam contra a alarmante notícia de que a nova Base Nacional Comum Curricular pretende abolir de vez o estudo da antiguidade ocidental, da Idade Média, do Renascimento e do Iluminismo, além de promover uma degola geral em outros temas. Para salvar um pouco da influência clássica, o Ministério Público e a Polícia Federal vão batizando suas ações de modo a nos lembrar alguns pontos dessa rica contribuição cultural. A Operação Erga Omnes sublinhava que a lei se aplica a todos e ninguém a ela está imune, nem mesmo poderosos empreiteiros. A Operação Catilinárias trouxe à memória os discursos de Cícero contra o corrupto conspirador Catilina no Senado romano. Também em dezembro, com seu nome a se referir aos bem situados e bem postos em cargos estratégicos, a Operação Positus foi deflagrada para apurar fraudes e desvios de milhões do fundo de pensão dos Correios, o Postalis.

Mas nem só de latim vive a educação.

Entre as lições que recebemos nesta Pátria Educadora, uma das mais recentes e necessárias nos foi dada em dezembro pelos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, no STF, por ocasião do julgamento do rito do impeachment: pessoas consideradas de campos totalmente opostos podem estar de acordo, em assuntos fundamentais e da maior importância, com argumentos poderosos. Foi o que se viu nos votos dos dois na ocasião. Por mais surpreendente que pudesse parecer. Quem não concordava com a opinião deles nesse momento, como a maioria dos juízes que seguiu o voto do ministro Barroso, podia se basear também em um raciocínio igualmente lógico, convincente, bem fundamentado e respeitável. Ou seja, ninguém é dono da verdade. Conversar com amigos (ou mesmo desconhecidos) pode nos mostrar outro ângulo da questão. Não precisamos de um Fla-Flu simplório e redutor, repetindo posições previsíveis, frases feitas e xingamentos, como o que nos últimos tempos parece dominar qualquer possibilidade de troca de ideias e entendimento de outros pontos de vista, diferentes dos nossos.

Esse fenômeno não é novo. O “nós contra eles” se acentua a cada campanha eleitoral, insuflado pela estratégia marqueteira de transformar adversário em inimigo. Piora muito com o uso de redes sociais em reações exacerbadas e imediatas, muitas vezes manipuladas. Piora mais ainda quando políticos se esquecem de que poderiam, ao menos, pensar no país em primeiro lugar e ter como meta alguma imagem de estadista — mesmo como simples modelo remoto.

Precisamos interromper esse abandono da velha e boa conversa, agora substituída por agressões e ameaças. Não querer impor nossa visão. Ouvir os argumentos alheios. E, se não nos convencem, argumentar de volta, em vez de desqualificar o outro. Mais razão e menos paixão.

Sabemos que, ao se eleger por pequena diferença, a presidente não fez o gesto de estender a mão aos adversários. Mas também o adversário, que elegantemente soube reconhecer a derrota e cumprimentar a vencedora, em pouco tempo estava mudando, em busca de atalhos fáceis (como sugestões de recontagem de votos e alianças diabólicas em busca de impeachment). Foi uma pena não ter se mantido fiel a sua promessa inicial após a eleição — a ideia de que a oposição iria constituir um shadow cabinet e que esses especialistas, ministros na sombra, produziriam um projeto alternativo para o país, enquanto não chegasse sua hora de ocupar o poder. Teria sido útil.

Quem acabou propondo possíveis saídas, com “Uma ponte para o futuro”, foi o PMDB, da base aliada. Sua Excelência, o Fato, traz a lógica ao debate. E algumas reformas estruturais inevitáveis, como idade mínima para a aposentadoria, o fim de privilégios inaceitáveis na área de pensões e flexibilização de regras trabalhistas vão aos poucos sendo ventiladas pelo próprio governo — que chega a admitir erros, pela boca do ministro da Casa Civil. Agora até mesmo a presidente reconheceu que não soube avaliar as consequências de sua política econômica. Antes tarde do que nunca.

Pode-se, por exemplo, debater o parlamentarismo, tema levantado logo no início da crise por Eduardo Jorge, do PV, e, em seguida, mantido em foco por políticos de um espectro variado, de José Serra a Roberto Freire, passando por formas híbridas de semipresidencialismo e semiparlamentarismo, lembradas por outros. Não para mudar as regras no meio do jogo e reduzir os poderes de alguém eleito segundo outro modelo. Mas para o futuro, a fim de que o assunto deixe de ser tabu ou remédio mágico, lembrado apenas quando se evidencia que o sistema de pesos e contrapesos não está funcionando a contento e faz falta a garantia constitucional de uma função moderadora.

E no plano pessoal, em vez de hostilidade e ameaça de olho por olho, ainda é bom ouvir Chico: “Olhos nos olhos quero ver o que você diz”.

O Globo, 09/01/2016

23 de abril: Dia Internacional do Livro


Com a coincidência do falecimento de William Shakespeare e Miguel de Cervantes, nos dias 23 e 22, respectivamente, fixou- se no dia 22 de abril o Dia Internacional do livro que começou na Catalunha (Espanha) há 89 anos. A tradição é presentear flores e livros no dia de hoje. Cai no Dia de São Jorge, então costumam chamar a festa  de “Sant Jordi”. Bancas de livros nas calçadas e muitas rosas, além de diversos eventos literários por toda a geografia espanhola.

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Aqui nota- se muito mais as comemorações do que no Brasil. Nem os sites das livrarias brasileiras fizeram menção à data. O livro hoje na terra de Cervantes é o protagonista. As livrarias, centros culturais, bibliotecas, museus, promovem autógrafos de livros, debates, vários eventos voltados para a literatura. Um muito bacana promovido pela prefeitura de Madri: “A noite dos livros”. Com 600 atividades e 500 autores, muitas estrelas literárias, visitas à Real Academia Espanhola, à Casa de América, à Casa Natal de Cervantes, à Casa Museu de Lope de Vega, enfim, muita coisa bacana!

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Hoje as livrarias abrem até mais tarde, na maioria delas há eventos especiais e descontos nos livros. Na Fnac de 10%, na La Central, 10% e a Casa del Libro com 10% de desconto e frete grátis.


Feliz Dia Internacional do Livro!

Resenha: “Casa de bonecas”, de Henrik Ibsen, baixe a obra grátis


Vamos agilizar nossas leituras? Acumulou tudo, não é? Então vamos, falta pouco para terminar o ano!

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Quem ama literatura não vai deixar de se emocionar com esse tesouro: o manuscrito original de “Casa de bonecas” (1879), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (Skien, 20/03/1828 – Oslo, 23/05/1906). Ibsen é o dramaturgo mais importante da Noruega, influenciou o teatro mundial, considerado o “pai do drama realista moderno”.

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Veja aqui o manuscrito de Ibsen, que era super organizado, caligrafia bonita, muito bom de apreciar (ainda que não saibamos norueguês)!

Vamos à resenha:

“Casa de Bonecas” é uma obra dramática escrita em três atos. Ibsen levou a realidade ao teatro, mostrando o cotidiano de uma família burguesa da época. A estreia dessa peça gerou muita polêmica, muita gente não gostou do espelho diante dos seus olhos. Ibsen foi crítico, corajoso e transgressor levando em conta a época em que foi escrita a obra.

Torvald Helmer, advogado

Nora, sua esposa,

Rank, médico

Senhora Linde

Krogstad, advogado

Os três filhos pequenos de Helmer

Anna- Maria, a babá

Helena, a criada

O Entregador

A ação no primeiro ato acontece na casa de Helmer, confortável, mas sem luxo. Helmer e Nora, casal que passa por problemas econômicos, mas tenta manter as aparências. Ela é uma mulher que vive para a casa e o marido; ele por sua vez, tenta recompensá- la com mimos e presentes. Nora é submissa e serviçal, impregnada no seu papel de dona-de-casa exemplar, sua conduta vai de acordo com a forma que a sociedade acha que deve ser. O marido a mantém confinada, sua vida social é totalmente controlada pelo marido e o dinheiro também. Nora não faz nada que desagrade ao marido, ele é a peça mais importante da família, todos são satélites que giram ao redor do homem, seus desejos são ordens. Acontece que Nora não é tão angelical como pode pensar o seu marido. Ela tem uma vida obscura, mentirosa e até delitiva, já que cometeu estelionato falsificando a assinatura do pai moribundo. Coisa inadmissível ao moralista Helmer Torvald, advogado e diretor de um banco, que inclusive culpa às mães pelos crimes futuros dos filhos. Fala com a mentirosa esposa, sem ter consciência de fato:

Helmer- Como advogado já vi isso muitas vezes, querida. Quase todos os jovens que se voltaram para o crime tiveram mães mentirosas. (p. 44)

A falta de liberdade, a opressão familiar e social geram a hipocrisia, a mentira…assim vivia Nora, mais vítima que carrasca numa sociedade completamente machista, assim encenou o polêmico Ibsen. A trama está centrada nisso, nos bastidores da vida, a verdadeira, o que há por trás das vidas aparentemente perfeitas.

A história continua excelente. Nora se rebela depois de um acontecimento importante. Ela descobre ser uma boneca, um objeto inanimado, primeiro na casa do pai, depois na casa do marido. Decide não brincar mais de casinha e descobre- se pessoa. Esse pensamento é libertador. Transporte o pensamento abaixo para o século XIX, em uma sociedade machista (p. 98):

Helmer– Antes de mais nada você é esposa e mãe.

Nora– Já não creio nisso. Creio que antes de mais nada sou um ser humano, tanto quanto você…ou pelo menos, devo tentar vir a sê- lo. Sei que a maioria lhe dará razão, Torvald, e que essas ideias também estão impressas nos livros. Eu porém já não posso pensar pelo que diz a maioria nem pelo que se imprime nos livros. Prefiro refletir sobre as coisas por mim mesma e tentar compreendê- las.

Em todos os tempos, e ainda hoje, existe imensa quantidade de mulheres que sacrificam- se diariamente muito mais que os homens. Renunciam mais, anulam- se, cumprem seus deveres de mãe, esposa, trabalhadora, dona-de-casa e o machismo impede de compartilhar tudo isso, de dividir o peso com o outro. A união de Torvald e Nora ainda tão corrente…quantos deles ainda entre nós? Quantos casais vivem em uniões de aparência e não em verdadeiros casamentos? Gente que não fala sobre coisas importantes, porque não poderiam suportar o peso das verdades. Casais que preferem levar o cotidiano só na base das superficialidades pelo nome de tudo: religião, filhos, sociedade, comodidade, mas esquecem do amor. Tenho certeza que você conhece algum casal assim, que mal pode conviver, mas por conveniências financeiras e sociais continuam amargando- se juntos. Nora não, Nora foi muito valente. Nora foi embora, deixou casa, marido e filhos. Possivelmente, Ibsen tenha sido o primeiro feminista da história!

Eu gostei muito dessa obra, porque o autor conseguiu ir de menos a mais, a tensão foi subindo, subindo e o final foi um BUM! A casa caiu!

Encene essa obra na sua escola, no centro social do seu bairro, na sua rua. Recomendo!

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Faça o download do livro “A casa de bonecas” grátis em PORTUGUÊS, em ESPANHOL, ou INGLÊS.

191 anos da morte de Gonçalves Dias, poeta


 “Gonçalves Dias (Antônio G. D.), poeta, professor, crítico de história, etnólogo, nasceu em Caxias, MA, em 10 de agosto de 1823, e faleceu em naufrágio, no baixio dos Atins, MA, em 3 de novembro de 1864. É o patrono da Cadeira n. 15, por escolha do fundador Olavo Bilac. ” (Fonte: ABL)

Amanhã completará 191 anos do falecimento do poeta romântico Gonçalves dias. Os seus dois poemas mais conhecidos, “A canção do exílio” (1843), poema autobiográfico, ele estudou em Coimbra (Portugal) e contou em forma de versos a saudade do Brasil; e o poema épico “I- Juca- Pirama“, um poema indianista incrível, tanto na forma quanto conteúdo. Graças a Gonçalves Dias e a José de Alencar, principalmente, começou a ser escrita uma literatura genuinamente brasileira no país.

Dias não teve sorte no amor, apaixonou- se por uma menina de 14 anos, mas foi rejeitado pela família da moça por sua casta inferior. Ele era filho de um comerciante português e de uma mestiça, uma união não oficializada, o que era muito mal visto na época. Acabou sendo criado pela madrasta. Leia a biografia mais detalhada  e também a bibliografia do autor. Enfim, não conseguiu casar com o seu grande amor, o que fez mais tarde com outra por conveniência, não foi feliz e o casamento terminou. Tiveram um filho que faleceu ainda criança. E para terminar, seu final foi trágico: voltava de Portugal de navio, estava doente, o barco naufragou já no Brasil, na sua casa (Maranhão), todos sobreviveram, menos o poeta, não saiu da cama, possivelmente debilitado pela tuberculose. Pena. Eu me pergunto: por que os dramaturgos, cineastas, escritores brasileiros ainda não fizeram uma obra sobre a vida de Gonçalves Dias? Dá um filme, uma novela, um livro! A gente choraria horrores, não?!

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Veja o Romantismo romântico de Gonçalves Dias, se se morre de amor? Quase sempre, mas se morre mais pela falta dele. Agora leia de verdade, verso a verso, tenha paciência, “entre na leitura” e deixe aquela coceguinha ir te invadindo por dentro. “Coceguinha”, mais conhecida como “emoção”:

Se se morre de amor!

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compr’ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d’ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

Se tal paixão porém enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas — em puro céu d’êxtases puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;

Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?
Pode o raio num píncaro caindo,
Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;
Pode rachar o tronco levantado
E dois cimos depois verem-se erguidos,
Sinais mostrando da aliança antiga;
Dois corações porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, — se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!

Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!

Resenha: Para que serve a literatura?, de Antoine Compagnon


Um pouco de teoria. Todo estudante de Letras deveria ter esse livro, porque dá muitas noções básicas e essenciais sobre a teoria da literatura em poucas páginas, é o bê a bá da literatura.

Talvez seja mais importante responder “Para que serve a literatura?”, do que a costumeira “O que é a literatura?”.

O belga Antoine Compagnon (Bruxelas, 20/06/1950), é acadêmico do antigo e tradicional Collège de France (1530). É escritor de ficção, mas principalmente, teórico da história da literatura. Especialista em literatura francesa, principalmente Proust, é um escritor premiado e com muitas distinções, membro da Academia de Letras de Londres, entre outras. Foi professor catedrático na Sorbonne e na Columbia de Nova York. Ele escreveu vários livros importantes, entre eles, “Um verão com Montaigne“, na área de Educação, onde coloca como causa principal da baixa qualidade de ensino e desprestígio da classe docente, a massificação da Educação. Obra a ser comentada em outro post.

L'HISTORIEN ANTOINE COMPAGNON.

Antoine Compagnon. Foto: Le Figaro

Para que serve a literatura é um livro muito ligeiro, apenas 54 páginas, mas concentrado de muito bom conteúdo e muitas referências importantes para futuras consultas . O texto é a aula inaugural de Antoine Compagne no College de France em 2007.

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College de France, endereço: 11 Place Marcelin Berthelot 75231 Paris

Lecionar também é aprender:

(…) sempre ensinei o que não sabia e aproveitei as aulas que dava para ler o que ainda não lera, e aprender por fim o que ignorava. (p.11)

O autor começa levantando algumas questões fundamentais que fogem um pouco da tradicional pergunta O que é a literatura?. Ele vai mais pelo lado crítico e político: O que pode a literatura, que valor a sociedade e a cultura contemporâneas atribuem à literatura? Que utilidade? Que papel? (p. 7) E cita Ítalo Calvino  questionando se ainda podemos acreditar na mesma coisa: A minha confiança no futuro da literatura, assenta na certeza de que há coisas que só a literatura pode nos dar.

Compagnon fala da literatura francesa (moderna e contemporânea no século XXI) e a considera a mais difícil de tratar. Diferencia os tipos de crítica, veja:

A tradição teórica considera a literatura como ‘una’ e a ‘mesma’, a presença imediata, valor eterno e universal; a tradição histórica encara a obra como ‘outra’. Nos termos de hoje e de ontem, falar-se- á de ‘sincronia’ (ver as obras do passado como se nos fossem contemporâneas) e de ‘diacronia’ (ver, ou tentar ver, as obras como como o público a que se destinam). (p.13)

Essa dicotomia, essa disputa entre tipos de crítica, história X teoria, filologia X retórica, deixou de fazer sentido no final do século XX. Foi Roland Barthes que “reconciliou” essas tradições literárias. Segue Compagnon:

(…) O estudo literário deve e pode consertar a ruptura entre a forma e o sentido, a inimizade factícia entre a poética e as humanidades. (p 17)

A literatura perdeu espaço nas escolas nessa última geração em detrimento dos textos documentais. E umas das perdas que isso ocasiona? A “deseducação” através dos sentimentos que só a literatura pode provocar. Quando o leitor sai da própria vida e encarna no papel do personagem, ele conhece mais do outro e de si mesmo e da vida. Só a arte/literatura podem fazer isso. Portanto, a literatura nunca será prescindível, ao contrário, quanto mais leitores, mais humanismo e humanidade. O autor cita Proust, o mesmo trecho que citei (na extensa) resenha sobre “No caminho de Swann”, que fala justamente de uma função importantíssima da literatura:

A verdadeira vida, a vida por fim desvendada e esclarecida, a única vida por conseguinte realmente vivida é a literatura. (…) Só pela arte, podemos sair de nós, saber o que a outra pessoa vê deste universo que não é o mesmo que o nosso, e cujas paisagens nos teriam ficado tão desconhecidas quanto as que pode haver na lua. (p. 19)

Não vou falar muito mais, porque senão contarei o livro todo. Um livro que serve de introdução para questões fundamentais, que deixa uma mensagem de defesa da literatura e seus benefícios para o indivíduo e a sociedade.

capa compagnon (1)Compagnon, Antoine. Para que serve a literatura?. Deriva, Portugal, 2010. 54 páginas

A festa da rosa e do livro: Dia Internacional do Livro, 23 de abril


Você sabe porquê o dia 23 de abril é o Dia Internacional do Livro?

É uma tradição que vem desde a Idade Média na Espanha, na região da Catalunha (que compreende as províncias de Barcelona, Gerona, Lérida e Tarragona). No dia 23 de abril, dia de São Jorge (Sant Jordi, em catalão), padroeiro da Catalunha, a tradição é presentear as pessoas queridas com flores e livros. E como no mês de abril faleceram William Shakespeare (dramaturgo inglês), Josep Pla (escritor catalão) e Miguel de Cervantes (escritor espanhol), a UNESCO decidiu, em 1995, fixar a data como o Dia Mundial do Livro.

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O governo espanhol criou o evento “La noche de los libros” (“A noite dos livros”) que acontecerá no dia 23 de abril com o lema “¿Me regalas un libro? Te regalo un libro.” (“Me dá um livro? Eu te dou um livro.”).

1334866129_718542_1334866887_noticia_normalO abril espanhol é efervescente, há dezenas de eventos literários durante o mês todo. As livrarias colocam bancas nas calçadas das cidades e vendem os livros com descontos. Que tal celebrar o Dia Mundial do Livro na sua cidade dessa forma? Uma flor…um livro.

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Você me dá um livro? Eu te dou um livro e uma flor.