O fim das bancas de jornais?


A era digital acabou com 50% das tradicionais bancas de jornais e revistas nos últimos 20 anos na Espanha. A tendência é mundial, assim também aconteceu no Brasil.

Bairro de San Pascual, Madri. As bancas são chamadas de “quiosco”.

A realidade parece pior que a estatística citada. Depois de ver a notícia no telejornal espanhol, comecei a observar as bancas nas ruas.

A solução aí e aqui é reinventar- se para não morrer. As bancas vendem água, refrigerantes, doces, badulaques, carregadores de celular, livros, brinquedos…e revistas e jornais. As bancas viraram bazares, mercadinhos, perderam a sua principal função.

É verdade. Deixamos de comprar jornais e revistas. Ou compramos muito de vez em quando. Primeiro, porque de tudo há versão digital ao alcance de um clique; segundo, porque não nos interessa mais gastar dinheiro com algo que não acompanha a velocidade desses tempos pós- modernos. Uma notícia impressa de madrugada, de manhã já é velha, todo mundo já sabe ao acordar e conectar o celular sem precisar nem levantar- se da cama.

Jornal era imprescindível, quase todo mundo procurava emprego nos Classificados. O mesmo para alugar e vender imóveis. Sem anunciantes e patrocinadores, de quê vive um jornal? Só de boa vontade.

Banca fechada em Madri

Contudo, o papel é documento. O mundo virtual e a tecnologia falham. Quem já não perdeu algo importante num computador irrecuperável, um cartão de memória ou um celular defeituoso? Papel pode durar séculos, se bem conservado. Ainda assim, o papel está perdendo as batalhas.

Penso nos donos e donas de bancas tradicionais com muito pesar. O que foi e o que será deles? É uma profissão em vias de extinção?

Recordo quando era menina e ia com muita ansiedade comprar os álbuns de figurinhas. Os álbuns estavam feitos para não serem completados, nunca consegui completar nenhum, e acumulava aquele bolo de figurinhas repetidas. Era um “ troca troca de figurinhas” (virou expressão popular) ou apostavámos “no bafo”, que consistia em colocar no chão o bolo de figurinhas, bater em cima delas com a mão em forma de concha, a levantando em seguida. As figurinhas do adversário viradas na ação ficavam com o participante. Era mais questão de jeito, que de força.

E adolescente, a revista Capricho era o máximo, tratava de assuntos que interessavam o mundo juvenil. Veja essa capa com a belíssima Ana Paula Arósio, de 1988. A moeda era o cruzado e o presidente , José Sarney:

Revista era momento de socialização, de troca e partilha com as amigas. Ah, sem esquecer dos signos. Os astros tinham uma importância crucial nas relações.

Eu não quero dizer que antes era melhor que agora, tudo tem seu lado bom e ruim. Antes tudo era mais difícil, a tecnologia facilitou a nossa vida, estudos, nos permitiu conectar com o mundo. A internet é genial, mas também prejudicial em excesso, como tudo na vida. Internet nos tornou mais solitários, a sina do nosso tempo.

O fato é que as bancas estão fechando. O tempo muda tudo, e nós aqui, observando as páginas virarem.

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PDF grátis: “Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas”


Um bom livro que reflete sobre as artes contemporâneas sob várias perspectivas: histórica, semiótica, filosófica, que serve como introdução às artes. Possui uma boa bibliografia para ajudar na sua pesquisa. A publicação é da Universidade Federal da Bahia.

Então segue o PDF grátis de “Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas”, da professora Maria Celeste de Almeida Wanner, clica aqui.

O meu em papel:

Boa leitura!

Resenha: “Uma furtiva lágrima”, de Nélida Piñón


Este é um dos melhores livros escritos em português. “Uma furtiva lágrima”, de Nélida Piñón é comparável ao “Livro do desassossego”, de Fernando Pessoa.

Narrar é prova de amor. O amor cobra declarações, testemunho do que sente. Fala da desesperada medida humana. Como amar sem os vizinhos saberem? Sem tornar pública a paixão que alberga os corpos na penumbra do quarto? (“Prova de amor, p.71)

Nélida Piñón passou um ano em Lisboa e acabou de voltar ao Rio de Janeiro neste mês de março de 2019. Nélida publicou este livro em terras lusas. Uma obra emotiva e transparente. Ela tem outros livros com teor biográfico, mas este é o mais íntimo e revelador.

A antologia consta de 146 textos (se não contei mal), com temáticas bastante diversas. Nélida narra em primeira pessoa, “Falar em primeira pessoa requer audácia” (“Sou múltipla”, p.197). E generosidade, completo. Nélida contou- se nesse livro. E contou a história dos seus ancestrais. Acredito nisto também, que somos multidão, carregamos na memória dos nossos gens, todos os que nos antecederam, além de carregar todas as leituras que fizemos. Ela mesma nos convida a vê- la sem véus, “vejam- me como sou” (“Eternidade”, p.97).

Nélida fala da sua infância no Rio de Janeiro, sua terra natal citada muitas vezes, dos passeios que fazia com a tia Teresa pelo centro do Rio. Teatro, cinema, o lanche na Americana. O sabor de um Rio de Janeiro mágico (em “A primeira vida”, p. 63).

“Uma furtiva lágrima” é uma aula magna sobre literatura. Nélida conta- nos sobre a sua profissão. Leia “Meu ofício” (p.18).

“Não há poesia na Morte” (p.19).

Concordo, a morte é dor. Nélida, no final de 2015, recebeu uma sentença de morte, “de seis meses a um ano”. O oncologista a sentenciou antes mesmo dos exames definitivos. Nélida pensou em escrever um diário, um resumo do seu final. Dá para entender o motivo da força deste livro, a autora acreditava que estava nos seus últimos dias, despedia- se da vida. Ela recebeu consolo dos seus dois cachorrinhos, Suzy e o falecido Gravetinho, sua paixão, seu “amuleto” (p.71), citado várias vezes. Esta obra é dedicada a ele. Nélida “contava os dias”, os que acreditava últimos. E pouca gente soube. Graças a Deus, o médico estava errado.

Viajamos com Nélida. Viagens “reais” a países e cidades; e viagens até os mitos gregos. O rastro de todas as suas leituras nos deixa uma rica bibliografia a ser anotada. “A imaginação é razão de viver.” (p.22)

A família é um assunto importante neste livro. E foi justamente um texto sobre este tema que me fez desmanchar, literalmente, em lágrimas. Eu li, reli, li de novo, e se ler agora outra vez, será pranto. É lindo, verdadeiro, mexeu com as minhas mais profundas emoções. Esta beleza chama- se “Estatuto do amor” (p.25).

Nélida é descendente de espanhóis. Em “Minhas quimeras (p.80), a autora declara o seu amor ao Brasil e reivindica suas raízes “recentes”, como qualificou no seu discurso da Academia Brasileira de Letras. No entanto, aqui meio que arrependida, talvez, finca seu pé no Brasil, terra de seus plenos direitos:

(…) Brasil agora é meu naufrágio, minha salvação, meu amor. E as raízes que brotam de qualquer rincão do país aninham- se igualmente no meu peito. E falo dele agora sem sanções, adquiri todos os direitos. Sou tão arcaica quanto quem aqui esteve no albor desta terra. (“A civilização do mundo”, p.92)

Por certo: Clarice e Nélida eram amigas. Clarice é citada nesta obra também, ela gostava de se olhar no espelho, tal como Lygia Fagundes, outra amiga de Nélida. (p.78).

Nélida fala sobre muitos outros autores. Machado de Assis, autores estrangeiros, e de João Cabral de Melo Neto (que morou na Espanha), disse que o autor de “Morte e vida severina”(clica), era “peculiar, que odiava música” (p.58); conta sobre a confissão de Carlos Heitor Cony (clica), que jamais havia amado tanto alguém como a sua cachorra Mila e ela a ele (p.60).

“Uma furtiva lágrima” será publicado no Brasil em abril pela Record:

A mais recente obra de Nélida Piñón (2019) publicada em Portugal.

Nélida fala da Bíblia, que a “deleita”. Fala no seu sentido narrativo e como ela inspira o escritor moderno (p.86). Cita Eclesiastes e Machado, que dominava estes textos. Sobre religião, Nélida declara- se “às vezes panteísta” (p.88). Eu também, só que sempre. Acho que é a definição perfeita de como sinto a vida.

Nossa melhor escritora brasileira perdeu bastante visão. Isso eu já sabia por ela mesma, mas agora contou em “Olhos” (p.167). A autora teme não poder ler nem escrever, que são a sua vida. Deus queira que isto não chegue a acontecer.

Nélida Piñón em Madri (Palace Hotel), no dia 25/11/2017. (foto: Fernanda Sampaio)

Depois de ler esta obra, estou com um livro sobre mitos gregos na cabeceira para reavivar a memória; esta, que também é mito representado pela deusa Mnemósine. A memória prodigiosa de Nélida Piñón a caracteriza, embora ela tenha dito num texto que “a memória é frágil”. (p.126). Que seria dos humanos, sobretudo se são autores, sem a memória?

A arte narrativa, além de avaliar o que foi pretérito e hoje é presente, perpetua a fala da alma, restaura a crença no que há por trás da harmonia e da discórdia. (p.71)

A obra pode ser lida sem ordem, os textos são independentes. Eu me apaixonei por muitos, li e reli, porque me seduziram completamente. Fazia tempo que eu não sentia pena ao acabar um livro.

Não esqueça que esta obra será lançada no Brasil no próximo mês de abril. Anota na sua lista, este você precisa ter, garanto que você vai gostar.

Nesta obra há muitos outros tesouros, alguns eu quero guardar só para mim. Encontre os seus também. Boa leitura!


Como ter uma memória de elefante


“Os elefantes nunca esquecem quando foram maltratados por alguém, nem esquecem o cheiro da roupa da tribo que os atacou anteriormente, são capazes de distinguir o chamado de mais de cem indivíduos diferentes e de recordar rotas concretas que os levem às mais diversas fontes de alimento e água”

Tudo começa pelo pensamento. Um pensamento correto é o que te leva ao seu objetivo. Se você não consegue chegar até a sua meta, é porque o seu pensamento está te conduzindo ao lugar errado. Às vezes, é só questão de um pequeno ajuste. Se o objetivo é passar num concurso, por exemplo, não se distraia com outras coisas. Isso serve para tudo. Concentre- se no que importa. Aprenda a estudar concentrado no que te interessa.

A memória é a nossa capacidade mental de armazenar informações e ela funciona de várias formas: pelo tato, visão, olfato, audição e pelas emoções. Ela fica armazenada em compartimentos diferentes e em diversos níveis, superficiais ou profundos, recentes ou remotos.

O esquecimento é uma memória que deixou de ser utilizada e com o tempo acabou desaparecendo. Por isso, quanto mais um pensamento ruim for lembrado, mais demorará para ser esquecido. Se quer esquecer algo dolorido, não o evoque, se distraia dele, nesse caso sim, a distração é útil.

Mas, as distrações como as redes sociais são péssimas, porque quebram a concentração. Sabe aquela espécie de transe que entramos quando estamos concentrados em algo? É o estado ideal para a aprendizagem. Então, já sabe: quando quiser memorizar algo, elimine todas as distrações. Eu sei, é difícil, mas você consegue.

Você sabe de memória o número do celular da sua irmã, melhor amigo ou pai? Pense que antes dos celulares, computadores e tablets, as pessoas precisavam memorizar tudo, inclusive números de telefones. Muita gente não sabe o próprio número. A memória anda preguiçosa.

Vamos para uma solução mais prática. Existe uma técnica de memorização, a “mnemotécnica”, que é um sistema de aprendizagem fácil e agradável de ser posto em prática. Por exemplo: memorize uma palavra qualquer, por exemplo, “violão”. Use todos os seus sentidos.

Qual a cor do violão? O formato? O cheiro? A textura? Visualize. Reforce a recordação,  isso vai fazer você interiozar o objeto. Se escolher uma palavra por dia e fizer este exercício , lembrará facilmente das palavras. Experimente.

Há outra técnica que é relacionar o que precisa ser lembrado, como uma palavra em inglês, por exemplo, com algo conhecido. Também é possível pela repetição. Se você ouvir uma música muitas vezes, irá memorizar a letra. Se a sua memória anda ruim e você não tem nenhum problema físico, então é só questão de falta de atenção e treino. A memória atrofia por falta de uso.

Você pode se aprofundar no assunto se quiser, há uma ampla bibliografia no Brasil, clica aqui. A minha referência bibliográfica foi um livro de dois espanhóis, que são craques em memorização:

Podemos controlar a nossa memória a nosso favor e ter mais qualidade de vida. O que nos fez mal deve ser esquecido, não alimente recordações destrutivas. Esquecer ou recordar é questão de treino.

Resenha: “Ciranda de pedra”, de Lygia Fagundes Telles


Tenho uma leve lembrança da novela “Ciranda de Pedra”, que passou na minha infância (1981), mas nada significativo em relação ao enredo, só lembro do rosto de Lucélia Santos; portanto, essa obra era como uma desconhecida para mim. Sei que a novela da Globo foi um tremendo sucesso, foi reprisada e ganhou um remake em 2008. De novela eu não entendo, não as vejo desde 2004, época da minha expatriação “definitiva”. Quem entende do assunto é a minha amiga Alana Freitas, vejam lá o “Entretelas”, blog especializadíssimo nessa arte de massas. Em tempo: a adaptação de “Ciranda de Pedra” (a de 2008) também foi vista em Portugal.

A história começa com uma menina revoltada, triste, deprimida, que chora junto à Luciana, a empregada mulata, que cuida de toda a família. Esta obra foi escrita em 1954 e nota- se a opressão e preconceito que os negros sofriam. A cor estava associada à feiura (referência dos cabelos) e à tristeza. Os anjos só podiam ser brancos:

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Virgínia utiliza a cor de Luciana para atacá- la e menosprezá- la em momentos de tensão. Luciana é um personagem forte, porque faz as revelações mais importantes da narrativa, que é bem melodramática na primeira parte, por isto deve ter virado novela na TV, tem elementos de folhetim. Mas não foi ameno, levei alguns sustos, é uma narrativa abrupta dividida em duas partes. Já na primeira desenvolve- se todo o dramalhão. Não posso negar que não haja verossimilhança com a vida. Aliás, a vida é muito pior.

Os pais estão separados e a mãe, Laura, sofre demência, algo parecido com Alzheimer algumas vezes, e também sofre alucinações e desconecta do mundo “real”. Ela não lembra que Virgínia é sua filha, mas tem alguns momentos de lucidez.

A narrativa está entremeada em uma teia de fragilidades, rupturas e analogias entre pessoas, pássaros e animais invertebrados como beija- flores, formigas, aranhas e borboletas. Laura vê besouros: é o sinal de que Virgínia perdeu a mãe mais uma vez. A obra é enigmática, há uma aura de mistério e dor.

Vamos descobrindo mais sobre quem é Laura nos seus momentos de lucidez; no entanto, não dá para saber se os fatos são reais ou fruto de sua loucura. Ela conta que sua mãe era atriz e que seus pais morreram num incêndio. Daniel é o seu marido. Ela abandonou o ex, Natércio, pai de Virgínia, por causa dele. Laura e Natércio têm outras duas filhas, Bruna e Otávia, que moram com o pai.

A impressão é que Daniel pode ter algo de responsabilidade pela doença de Laura. Ele proíbe a entrada de Virgínia no quarto da mãe, não dá para saber se por proteção ou algo estranho. Virgínia o vê participando da loucura da mãe. Depois Daniel a envia para morar com o pai. Mais tarde descobrimos o motivo disso tudo, não vou contar, porque seria spoiler grande.

Na casa de Natércio quem cuida das meninas é Frau Herta, antipática e até cruel com Virgínia, a repreende a todo momento e exalta a qualidade de suas irmãs. Natércio é rico e mora num casarão.

Virgínia tenta negar a doença da mãe e afirma em reiterada vezes que melhorou, mesmo sabendo que não é verdade, principalmente por medo. Ela teme perder a mãe. Daniel explica o seu conceito de morte à Virgínia:

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Daniel lê um livro de Charles Manson, “Sparkenbroken”, publicado em 1936, que diz o seguinte (adaptado pelo editor): “A noite passada voei para a árvore da morte;/ De súbito uma brisa fez- me pairar; / E eu, mísero boneco de penas arremessado,/ Envolvido no meu elemento, voltei a ser pássaro.”

Para Daniel há vida após a morte e esta é a libertação. Virgínia gosta do “tio Daniel”, mas tem que fingir que não, afinal, foi por causa dele que os seus pais se separaram. O médico é muito mais carinhoso que o seu pai. Elas, Otávia e Bruna, desprezavam a pequena, que não é parecida em nada com as duas, nem em gestos, comportamento ou aparência. Claro que já dá pra desconfiar que Virgínia é filha de Daniel e não de Natércio e esse foi o motivo da separação do casal, a infidelidade de Laura. Mas, se isso é certo, por que ainda não contaram à Virgínia a verdade?

A narrativa na primeira parte da obra intercala- se em três ambientes: a casa do pai, a casa da mãe e a imaginação de Virgínia. Na segunda parte, Virgínia foi morar num colégio interno de freiras.

Há outros dois personagens, Afonso e Conrado, irmãos e vizinhos da casa de Natércio. Virgínia tinha uma queda por Conrado, mas o moço não prestava atenção nela e sim na irmã Otávia. O tempo passou e  Afonso casou- se com Bruna, tiveram uma filha. Frau Herta, doente, já não é mais a governanta e sim a portuguesa Inocência. Conrado mudou- se depois da morte da mãe para uma chácara e Natércio aposentou- se. E sobre Daniel e Laura, essa parte não vou contar. Também não vou contar o que aconteceu com Virgínia, você vai ter que ler o livro…só vou contar que ela, já crescida, sai do colégio interno e volta para a casa de Natércio.

É uma obra bem escrita e que me provocou sensações de choque e angústia por vários motivos.

Creio que na novela há mais dicotomia de personagens vilões e mocinhos, vítimas e algozes. No romance não, são só humanos…

Qual caminho escolher? Essas encruzilhadas que a vida nos impõe e suas inexoráveis consequências. É uma história cheia de bifurcações e despedidas, e essas, nunca são alegres.

Esta é a edição portuguesa lida, ainda sem as correções do acordo ortográfico:

29571360_965128723642688_6404595740615182933_n       Telles, Lygia Fagundes. Ciranda de Pedra. Presença, Lisboa, 2008. 204 páginas

Se quiser comprar a mesma edição que a minha, clica aqui.

Cinquenta frases literárias


As frases literárias expressam, em poucas palavras, pensamentos e sentimentos universais. Elas ilustram o que precisamos dizer e nem sempre conseguimos com as nossas próprias palavras. Além do mais, são utilizadas em trabalhos escolares, teses de mestrado e doutorado, em prefácios de livros, apresentações em congressos e afins. Portanto, decidi colecioná- las e fazer essa coletânea.

O nosso banco de frases literárias ficará num ícone fixo no alto do blog, sempre disponível, e em constante atualização, já que começa bastante modesto. Todas as quartas- feiras serão acrescentadas frases novas.


 

Frases sobre literatura

  • “O mundo acabará de ferrar- se no dia em que os homens viagem de primeira classe e a literatura no vagão de carga.” (“Cem anos de solidão”, Gabriel García Márquez).
  • “A morte definitiva de um escritor tem lugar quando absolutamente ninguém lê seus livros. Essa é a verdadeira morte.” (José Saramago)
  • “Não se pode ter demasiado cuidado com as palavras, já que mudam de opinião tão rápido quanto as pessoas.” (José Saramago)
  • “Pode ser que a linguagem escolha os escritores que precisa, fazendo uso deles para que cada um expresse uma mínima parte do que realmente é.” (José Saramago)
  • “Quando eu não escrevo, eu estou morta” (Clarice Lispector na sua última entrevista)

Frases sobre a vida

  • “A vida não trata de encontrar- se a si mesmo, senão de criar- se a si mesmo.” (George Bernard Shaw)
  • “Viver não é necessário. Necessário é criar.” (Fernando Pessoa)

Frases sobre o trabalho

  • “Dizem que a sorte surge proporcionalmente ao teu suor. Quanto mais sues, mais sorte terás.” (Ray Kroc)

Frases sobre o amor

  • “Pois haviam vivido juntos o bastante para perceberem que o amor era o amor em qualquer tempo e em qualquer lugar, mas quanto mais denso, mais perto da morte”. ( “O amor em tempos de cólera”, Gabriel García Márquez)
  • “Não havia poder humano capaz de derrotar aquele amor obstinado.” (“Viver para contar- la”, Gabriel García Márquez)
  • “Nunca amamos ninguém. Amamos, tão somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso- em suma, é a nós mesmos- que amamos. Isso é verdade em  toda escala de amor.” (“Livro do desassossego”, Fernando Pessoa)
  • “O amor e o trabalho são os pilares da nossa humanidade.”  (Sigmund Freud)
  • “Nunca estamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos.”  (Sigmund Freud)
  • “A pessoa fica muito louca quando está apaixonada.”  (Sigmund Freud)

Frases sobre a felicidade

  • “Não tem remédio que cure o que não cura a felicidade.” (“Do amor e outros demônios”, Gabriel García Márquez)

Frases sobre sonhos

  • “De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos.” (“Livro do desassossego”, Fernando Pessoa)
  • “O sonho é a liberação do espírito da pressão da natureza externa, um desprendimento da alma das cadeias da matéria.”  (Sigmund Freud)
  • “O sonho não é um fenômeno somático, senão psíquico.”  (Sigmund Freud)

Frases sobre nostalgia

  • A nostalgia, como sempre, havia apagado as más recordações e magnificado os bons.” (Viver para contá- la”, Gabriel García Márquez).

Frases sobre a velhice

  • “O primeiro sintoma de velhice é quando a pessoa começa a parecer- se com seu pai.” (“Memórias de minhas putas tristes”, Gabriel García Márquez)

Frases sobre Deus/Bíblia/religião

  • É inútil que continue rezando. Até Deus sai de férias em agosto. (“Dezessete ingleses envenenados”, Gabriel García Márquez)
  • “As pessoas que honravam a Bíblia eram os falsos profetas. Aqueles que chamamos de profetas eram os que prendiam e mandavam ao deserto.” (Noam Chomsky)
  • A religião é comparável a uma neurose de infância.”  (Sigmund Freud)
  • “Entregue- se  a Deus com todo o coração, que muitas vezes costuma chover suas misericórdias no tempo em que mais estão secas as esperanças.” (Miguel de Cervantes)

Frases sobre moral/ética

  • “A vergonha tem má memória”. (“A hora má”, Gabriel García Márquez).
  • “Podemos escapar de tudo, exceto de nós mesmos.” (José Saramago)
  • “Creia em si, mas não duvide sempre dos outros.” (Machado de Assis)
  • “Ser totalmente honesto consigo mesmo é um bom exercício.” (Sigmund Freud)
  • “De nossas vulnerabilidades vêm as nossas fortalezas.” (Sigmund Freud)
  • “A senda da virtude é muito estreita e o caminho do vício, largo e espaçoso.” (Miguel de Cervantes)

Frases sobre a morte

  • “Não há nada de dramático sobre a morte, exceto que a pessoa perde a vida.” (José Saramago)
  • “A meta da vida é a morte.”  (Sigmund Freud)

Frases sobre família

  • “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” (Machado de Assis)

Frases sobre sorte/destino

  • “O acaso é um Deus e um diabo ao mesmo tempo.” (Machado de Assis)
  • “Não existe nenhum ponto de partida se não se sabe bem aonde ir.” (Sigmund Freud)

Frases sobre a liberdade

  • “A liberdade sem oportunidades é um presente endemoniado e negar- se a dar essas oportunidades é criminoso”. (Noam Chomsky)
  • “A liberdade do indivíduo não é um presente da civilização. Era maior antes de existir qualquer civilização.” (Sigmund Freud)
  • “A maioria das pessoas não quer a liberdade realmente, porque a liberdade implica responsabilidade e a maioria das pessoas teme a responsabilidade.”  (Sigmund Freud)
  • “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” (Clarice Lispector)
  • “A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus.” (Miguel de Cervantes)
  • “Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade.” (“Água viva”, Clarice Lispector)

Frases sobre a palavra

  • “A pessoa é dona do que cala e escrava do que fala.”  (Sigmund Freud)
  • “A palavra é o meu domínio sobre o mundo.” (Clarice Lispector)
  • “É assustador pensar em quantas coisas sao feitas e desfeitas com as palavras; elas têm a sua vida, e nós, a nossa.” (Rainer Maria Rilke)

Frases sobre a verdade

  • “A verdade a cem por cento é tão rara quanto o álcool a cem por cento.”  (Sigmund Freud)
  • “Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada”. (“Água viva”, Clarice Lispector)

Frases (ou parágrafos) sobre a saudade

  • “Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer- se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.” (Clarice Lispector)

Frases sobre a inteligência

  • “Não é o grau que separa a inteligência do gênio, mas a qualidade. O gênio não é tanto uma questão de poder intelectivo, mas da forma por que se apresenta esse poder. Pode- se assim ser facilmente mais inteligente que um gênio.” (“Perto do coração selvagem”, Clarice Lispector)

Frases sobre o tempo

  • “Confia no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.” (Miguel de Cervantes)

Frases sobre a arte

  • “Arte significa nao saber que o mundo já existe, e fazer um.” (Rainer Maria Rilke)

 

 

 

 

 

 

Lista de obras de leitura obrigatória FUVEST 2018


Lista de obras de leitura obrigatória  FUVEST 2018