Francisco Brennand, o Gaudí brasileiro


Pesquisando para o post sobre o Parque dos Poetas em Portugal, descobri o artista pernambucano Francisco Brennand e fiquei completamente fascinada. Descobri que existe uma semelhança de estilo com o Gaudí catalão (pelo menos eu acho!), o que criou a Sagrada Família em Barcelona. Os brasileiros cruzam o Atlântico para conhecer as obras de Gaudí, o que está muito bem, mas não se esforçam para conhecer a prata da casa. Estou errada?!

Lembro que aprendi na escola a fazer uma caixinha com palitos de picolé. Artesanato é legal, mas a teoria e história da Arte são muito importantes. Artistas brasileiros dessa grandeza deveriam ser matéria obrigatória na escola.

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu a 11 de junho de 1927, na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco, tem  91 anos (a biografia completa você pode ler no site do artista, aqui).

Agradeço à Revista Isto É, que deixou a reportagem aberta (de 2016), porque outros jornais só permitem o acesso aos assinantes. A foto também é da Isto É, entrevista de Celso Masson:

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Brennand nunca se considerou um escultor, uma vez que não esculpe e sim molda peças no barro. “Eu aprendi por tabela, com os artesãos e especialistas em porcelana vindos da Europa e dos Estados Unidos para trabalhar com meu pai. Sou um artista que soube tirar proveito do conhecimento não só familiar como também dos estrangeiros que andaram por aqui”, afirma. “À medida que eu estudava a origem dessas terras, onde se inscreve a Batalha de Guararapes, pude compreender que esse lugar deveria ser eternizado. Aqui há uma história a glorificar. Tem a dimensão do sagrado”.

O ateliê de Brennand fica no subúrbio de Recife e é possível visitar. É um museu, na verdade, um lugar incrível. O artista criou um mundo mágico, excepcional.

Abaixo as fotos do “templo” que Brennand criou em Oeiras, no Parque dos Poetas, em Portugal:

Não deixem de conhecer e pesquisar sobre esse artista brasileiro incrível!

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Manuel Bandeira e Drummond no Parque dos Poetas em Portugal


Alguns sonhadores pensaram que seria uma boa ideia criar um parque onde a poesia fosse a grande atração. E realmente foi uma excelente ideia! Alguns dos idealizadores do parque:  Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras (1985-1989), o poeta e escritor David Mourão-Ferreira e o escultor Francisco Simões.

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Poesia com vistas ao mar. Esse é o labirinto.

O Parque dos Poetas é grande, tem “22 hectares de área verde. Quarenta artistas plásticos. Sessenta esculturas dos maiores poetas de sempre. Um museu ao ar livre. Equipamento desportivos, infantis, lúdicos. O magnífico Templo da Poesia. O único parque de poesia no mundo está em Oeiras.” É o único parque do mundo dedicado só à poesia!

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O parque tem um edifício para exposições. No último andar, um mirador com vistas ao mar e uma sala de leitura com alguns livros, onde também se pode tomar um cafezinho e descansar.

Nele estão representados os 20 maiores poetas portugueses do século XX, 13 trovadores e poetas do Renascimento e 27 esculturas de poetas.

As  informações acima estão num planfleto informativo/mapa, que peguei quando visitei o parque nesse mês. Quem assina o texto é o atual presidente da Câmara, Paulo  Vistas. Ele esqueceu de mencionar os poetas de outros países lusófonos. Brasileiros há dois: Carlos Drummond de Andrade, que vai ficar para uma próxima visita (o parque é gigante, não deu tempo!) e Manuel Bandeira, que tem um cantinho muito especial no parque.

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O pernambucano Manuel Bandeira (Recife, 19/04/1886- Rio de Janeiro, 13/10/1968) foi poeta, cronista, tradutor, imortal da ABL (1940). Dele é o famoso poema “Vou- me embora pra pasárgada”:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Pasárgada foi uma cidade persa que não existe mais, hoje é território do Irã; um lugar, ironicamente, não muito conhecido por ser pacífico. A Pasárgada de Bandeira é mais idílica.

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Versos de Manuel Bandeira no Parque dos Poetas (Portugal)

Quem criou o conjunto de esculturas de Manuel Bandeira no Parque dos Poetas foi também um pernambucano, o fantástico Francisco Brennand (11/06/1927):

Francisco Brennand

O artista plástico pernambucano Francisco Brennand (Facebook)

Conheça um pouquinho mais do parque no vídeo abaixo (é curtinho). No chão do monumento à Bandeira está o poema “Canção das duas Índias”:

Entre estas Índias de leste
E as Índias ocidentais
Meus Deus que distância enorme
Quantos Oceanos Pacíficos
Quantos bancos de corais
Quantas frias latitudes!
Ilhas que a tormenta arrasa
Que os terremotos subvertem
Desoladas Marambaias
Sirtes sereias Medeias
Púbis a não poder mais
Altos como a estrela d’alva
Longínquos como Oceanias
— Brancas, sobrenaturais —
Oh inacessíveis praias!…

Para a web do Parque dos Poetas, clique aqui.

Passeando pelo “The British Museum” em Londres


Um dos melhores e maiores museus do mundo, o The British Museum em Londres, é gratuito. É impossível ver tudo em uma visita, é um museu para voltar várias vezes. Há coleções de todos os continentes e épocas.

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Vou contar um pouco sobre o que vi por lá:

Antes de entrar há guardas revistando as bolsas. O hall de entrada é circular e muito alto, há várias portas para as coleções.

18402647_789795984509297_6799591225346952881_nO leão guardião logo na entrada é uma escultura grega de 1350.

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Em todos os andares têm lanchonetes com sanduíches, cookies, bolos, chás, cafés, sucos, refrigerantes e mesas coletivas.

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No térreo também fica a livraria. Eu trouxe um livro lindo, depois vou mostrar aqui.

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 Logo à esquerda no térreo, fica a coleção do antigo Egito. E do lado direito, romanos e gregos. Há coleções desde a pré- história. Toda a história da humanidade contada através de objetos, estátuas, restos de templos e até pessoas. Há múmias como de uma das Cleópatras (foram sete).

Uma peça que chama muito a atenção é a que fica logo na entrada: a pedra Roseta de 196 a.C.. Essa pedra com hieróglifos do antigo Egito desvendada foi crucial para entender o homem daquele tempo e sua escritura, trouxe muitos conhecimentos à era moderna.

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Estátuas dos filósofos gregos:

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As esculturas gregas são em mármore e são chamadas ” Esculturas de Elgin” ou “Esculturas do Partenon”. O Paternon foi construído em 447 a.C. e essas esculturas ficaram no templo. A Grécia está brigando para reaver essas peças, mas o Museu Britânico parece que não vai devolver. Foi um antepassado inglês, Thomas Bruce Elgin, arqueólogo e militar, que levou as peças para a Inglaterra em 1801. Ele era oficial, servia na Grécia.

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“Discóbolo” de Miron, uma das estátuas mais conhecidas do mundo.

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A parte egípcia é muito interessante. A múmia mais interessante é uma que está completamente exposta. A de um rapaz que viveu há 2500 anos. Ele morreu apunhalado no peito. Só de ver um cadáver já é chocante, ainda mais sabendo que viveu numa época tão remota. Ele tem cabelos ruivos e encaracolados (no vídeo dá pra ver melhor):

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Essa é uma múmia de uma criança de oito anos. O tamanho é que quatro.

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Essa é uma visita essencial na cidade de Londres, reserve um dia inteiro ou então divida em dois dias, pois é impossível ver tudo em uma única visita. Visite e o site e veja as coleções.

Todos os ângulos do Museu do Prado


O Museu do Prado em Madri, é um dos mais importantes museus de arte do mundo, recebeu mais de 3 milhões de visitantes em 2016. O Prado foi fundado em 1819, o atual diretor é Miguel Zugaza. No museu, acontecem várias atividades para estudantes, exposições temporárias, além das permanentes, cursos de arte, restauração, oficinas de desenho, cursos para professores, exibição de filmes, conferências e várias outras atividades. É um espaço muito bem aproveitado. Os espanhóis sabem cuidar e conservar o seu patrimônio histórico e cultural.

O edifício belíssimo fica no Paseo del Prado, no centro da cidade, que é um lindo corredor arborizado, que inicia em Atocha (onde fica a estação mais famosa da cidade) e termina na fonte de Cibeles, onde está a prefeitura de Madri. Nesse corredor fica também o Museu Thyssen e o Museu La Caixa. Muito pertinho também fica o Museu Rainha Sofia, ou seja, um dos lugares mais ricos do mundo. Ah, também fica o Jardim Botânico da cidade, portanto, parada obrigatória para quem visita a capital da Espanha.

A fachada mais conhecida é a da foto abaixo, com a estátua do mestre Velázquez:

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Acima, as outras fachadas. O museu foi desenhado por Juan de Villanueva em 1795, antes era um gabinete de ciências naturais. Algumas obras famosas que estão no museu (clique nos links para vê- las): “O Jardim das Delícias”, de El Bosco; “A Sagrada Família”, de Rafael; “As meninas”, de Velázquez; “A família de Carlos IV”, de Goya; você pode conhecer todo o acervo, clicando aqui.

O que é Arte? O que é Literatura?


Eu vejo muita gente falando sobre literatura nas redes sociais, blogs, vlogs, páginas no Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat e afins. A maioria (dá para notar fácil) não lê o livro, pois é impossível, fisicamente, ler e resenhar um ou mais livros por dia como alguns querem nos fazer acreditar. Leitura, leitura…não. Não mesmo. O que eu vejo é que lêem as sinopses. Isso é falar sobre Literatura mesmo?

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Literatura é uma Arte. E a Arte vem sofrendo tentativas de definições desde a Antiguidade. Aristóteles, por exemplo, disse que  a Arte é mimesis, uma imitação da realidade, essa é a que eu mais gosto; Kant falou que a Arte não tem que ter nenhuma utilidade, ela é movida pela beleza, pelo prazer que proporciona. Os filósofos, principalmente, estudam a Estética, que é o belo, o bom, o feio, o ruim, e tudo isso está implicitamente ligado à Literatura.

É impossível citar todos os teóricos que tentaram definir a Arte, porque praticamente todos de todos os tempos deram a sua opinião sobre o assunto. Eles estão certos e estão errados, porque a Arte não é uma única coisa, acho que ela é tudo junto, todas as definições juntas, ainda que contraditórias, porque a Arte é assim mesmo, um reflexo do ser humano cheio de beleza e horror, de alegria e tragédia, de sutileza e aberração, de pureza e malícia, de bondade e mesquinhez. Eu acho que a arte literária reflete bem tudo isso, literatura é espelho, é desbravar a alma, cenários, pensamentos, sentimentos, experiências  humanas contadas de diferentes formas, material inesgotável e que expõe os feitos de épocas e sociedades, ficção sim, mas reflete verdades. Quando a gente lê Machado de Assis, por exemplo, dá para imaginar como viviam e pensavam as pessoas na época.

Mas nem tudo o que está na livraria é Arte. Muita coisa vendida como Literatura não é. As obras literárias artísticas têm estruturas, formas de desenvolver o texto, de construir cenários e personagens, tempos, narradores, de trabalhar a linguagem, isso você pode aprender estudando em uma universidade ou estudando sozinho. Mas estude. A intuição ajuda, mas se você se propôs a criar um blog ou vlog literário, que pelo menos saiba do que está falando. Muitos livros nos blogs e vlogs que andei vendo não podem ser considerados Literatura, porque não são Arte. É urgente a necessidade de criar- se um termo para a não- literatura fantasiada de literatura. Porque a Literatura exige um tipo de linguagem figurada, tropos, recursos linguísticos que a torna isso, Arte. O diálogo pode ser até coloquial em algum momento, mas não o tempo todo. Isso empobrece o texto, o torna menor. A boa literatura está intimamente ligada com a prosa poética. Quando mais a prosa tenha ares poéticos, mais rica e sublime fica. Aí já é opinião pessoal. Nem todo mundo tem talento (aliás, a maioria não tem) ou a capacidade para escrever textos sublimes, com sutilezas, inovações e vernizes que fazem estremecer o nosso interior de beleza ou de qualquer coisa. São textos assim que eu desejo.

Você que fala sobre Literatura na Internet precisa, pelo menos, saber o que são os gêneros literários e as figuras de linguagem, é só consultar em livros de colégio ou em qualquer manual de teoria de literatura.

Fica a dica.

Xícaras literárias da Vista Alegre, porcelana portuguesa


A fábrica portuguesa de porcelanas Vista Alegre é uma das mais famosas e prestigiosas do mundo. A fábrica (1920) fica na cidade de Ílhavo (Aveiro) e suas peças estão espalhadas pelo mundo todo, expostas em museus e usadas pela realeza. No entanto, essa plebeia, não resistiu e trouxe de Lisboa para o Falando em Literatura esse conjunto de “chávenas” para café com caricaturas de escritores consagrados. As peças sempre levam a assinatura de algum artista. A fábrica tem um museu, mas agora está em reformas, fechado para visitas.

As xícaras fazem parte de uma coleção chamada “A viagem”, do artista António Antunes (Vila Franca de Xira, 1953). Ele é diretor do Salão de Humor Gráfico World Press Cartoon. António fez uma série de desenhos que podem ser vistos na estação Aeroporto do Metrô de Lisboa. São 50 figuras em 49 painéis espalhados pela estação e estão divididas em músicos, escritores, atores e pintores, que também foram parar nas porcelanas da tradicional Vista Alegre.

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Os escritores são:

Natália Correia (Fajã de Baixo, São Miguel, 13/09/1923 — Lisboa, 16/03/1993), consagrada escritora portuguesa de prosa e verso, deixou uma rica e vasta obra. Foi política, presa, teve sua obra censurada. Casou quatro vezes, trabalhou na tv, foi jornalista. Com um pé no surrealismo, era amiga de Mário Cesariny, outro escritor que também faz parte dessa séria de “xícaras literárias”. Uma vida muito intensa, refletida nas suas escrituras, e arrebatada, repentinamente, por um ataque ao coração. Conheça mais sobre essa grande escritora portuguesa aqui.

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De amor nada mais me resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto;
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

(in, «Poesia Completa», D. Quixote, Lisboa, 1999)


José Saramago (Azinhaga, Portugal, 16/11/1922 – Lanzarote, Espanha, 18/06/2010), esse dispensa apresentações, não é? Creio que é o mais conhecido escritor português, junto a Fernando Pessoa. O único escritor em língua portuguesa que ganhou um Nobel de Literatura. Sua escritura é caracterizada pela falta de pontuação e sua crítica ácida à sociedade portuguesa, que considerava passiva, parece que mantinha uma relação amor- ódio com o seu país. Eu sou absolutamente apaixonada pela obra de Saramago. “Claraboia” (primeira foto) foi seu publicado postumamente. Foi o seu segundo livro, mas parece que o autor não gostava muito e o deixou engavetado. O viúva tratou de publicá- lo depois de sua morte. Leia mais sobre ele aqui.  Veja a resenha do último livro de Saramago, “Alabardas”, romance que, infelizmente, ficou inacabado. Saramago sai com a cara meio enfezada na caricatura, mas era bem o contrário, era uma pessoa doce, bem humorada e simpática:

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E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? (in, “A maior flor do mundo”, José Saramago)


Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 02/06/2004) foi uma escritora de prosa e verso, dessas imperdíveis, seus versos são cânticos às memórias da sua infância e da sua terra. O mar é um tema constante na sua escritura. Foi a primeira portuguesa a ganhar o Prêmio Camões. Professora universitária, formada em Letras e mãe de cinco filhos.

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Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

(in No Tempo Dividido, 1954, Sophia de Mello)


Mário Cesariny (Lisboa, 09/08/1923 – Lisboa, 26 de Novembro de 2006) poeta e pintor, principal representante do surrealismo português.  Anarquista, revolucionário e questionador, de humor ácido. Fascinante! Coloca na sua lista.

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Eu, Sempre…
Eu sempre a Platão assisto.
Pessoalmente, porém, e creia que não
Tenho qualquer insuficiência nisto,
Sou um romano da decadência total,
Aquela do século IV depois de Cristo,
Com os bárbaros à porta e Júpiter no quintal.
( in “O Virgem Negra”, Mário Cesariny)


O Facebook de António Antunes, clique aqui.

A web da Vista Alegre, clique aqui.


Estás convidada e convidado para um café literário aqui no Falando em Literatura. Vem!

“Eu me chamo Antônio”, um bom legado de 2013


A internet ajuda a lançar nomes na música e também na literatura. Surgiu em 2013 uma maneira criativa e inusitada de se fazer versos desenhados em guardanapos. “Antônio”, nome fictício de Pedro Gabriel (1982), nascido na África e radicado no Brasil desde os 12 anos é o responsável por essa revolução literária na internet. Quem já não viu um guardanapo de “Antônio”?  Pedro é assíduo frequentador do bar Lamas no Rio de Janeiro e começou a desenhar em guardanapos apoiado no balção e acompanhado de um chope. Seus versos desenhados têm sacadas, jogos de palavras com muito sentimento, que conquistaram o coração des milhares de seguidores na internet.

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O criativo trabalho de Pedro Gabriel virou livro publicado pela Intrínseca. O autor é publicitário, quem sabe tal faceta o ajudou a divulgar os seus guardanapos, já que a figura de Antônio, misterioso, solitário e apaixonado, despertou a curiosidade de muita gente. Alguns poemas visuais do artista:

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