Três séries baseadas em livros

Os melhores filmes e séries, talvez sejam os que são baseados em livros. Há muitos clássicos da literatura que foram para a tela ou para os palcos, tal como várias obras da literatura moderna ou contemporânea. Vou contar um pouco sobre três séries que vi recentemente:

  1. Outlander

Outlander (“Forasteira”, 1991), é baseada numa saga com o mesmo nome, da escritora americana Diana Gabaldon (1952). Já são oito livros. No Reino Unido, foi publicado como “Cross Stitch”, no Brasil, como “A viajante do tempo” e em Portugal, “Nas asas do tempo”. Tratam- se de romances históricos sobre a guerra entre a Escócia e a Inglaterra, mas com muitos outros elementos: romance, aventura e o fantástico.

A série, aviso, é tremendamente violenta. Nos primeiros capítulos a coisa é mais suave, mas com o desenrolar da história, as cenas ficam tremendas. Confesso que fechei os olhos em alguns momentos e em outros, até me revirou o estômago. Cenas fortes e duras. Você vai se afeiçoando aos personagens e vê- los sofrer vai ficando difícil. Apesar de não ser apta para pessoas muito sensíveis, é uma excelente história baseada em fatos reais.

A paixão entre a inglesa Claire Randall, viajante no tempo, e o escocês Jamie Fraser, é o tipo de romance incondicional que povoa a cabeça dos românticos sonhadores. Claire introduz o elemento místico, misterioso, inexplicável da história: ela é uma bruxa branca. E de forma inesperada, ela entra em uma espécie de portal que a transporta do ano 1945 ao 1743, quando havia uma rebelião na Escócia, pois os ingleses haviam destituído o rei e imposto a coroa inglesa.

Claire é casada, em 1945, com um homem que tem ancestrais escoceses em 1743. Essa é a parte que eu mais gosto, o círculo da vida, onde nada acontece por acaso, é causa e consequência. Mesmo Claire conhecendo a história passada, não consegue modificá- la para evitar tragédias, como se as coisas realmente fossem pré- determinadas.

O principal cenário são as highlanders escocesas, com seu modo de vida e costumes. Um povo duro, violento e com seus códigos de honra particulares. No quesito crueldade, os ingleses e franceses também não ficam atrás. A história contemporânea tem que viver na base do perdão e ter consciência do passado para não repetir os mesmos erros.

O elenco é espetacular, fotografia e caracterização, idem, impecáveis. Menção especial ao escocês protagonista Sam Heughan, que dá vontade de levar pra casa. Ele usa peruca, porque tem cabelos loiros e o personagem Jamie Fraser é ruivo de cabelos cacheados.

Inclusive o ator lançou um livro, com audiobook também, junto a outro ator da série, Graham McTavish, chamado “Clanlands”. Os dois saíram pelas highlands escocesas em uma van, mostrando as paisagens da série e costumes escoceses. Sabia que os kilts, as típicas saias escocesas com tecido xadrez, foram proibidos pelos ingleses durante 100 anos?

Recomendo a série, mas aviso que não é apta para gente sensível ou para crianças. Eu estou vendo na Netflix.

2. Anne com “E”, de Lucy Maud Montgomery

Quem viu esta série na Netflix?

Amybeth McNulty na pele da encantadora Anne Shirley

Baseada no livro “Anne of green Gables” (1908), da canadense Lucy Maud Montgomery (1847-1942), também é uma obra que virou uma série apta para todos os públicos. Aliás, virou série, filme, desenho animado, um grande sucesso. Anne Shirley é uma orfã de 11 anos, que vive numa fazenda com dois irmãos solteiros. Anne é encantadora, tagarela, sonhadora, bondosa, solidária e…incompreendida. A vida não é fácil e Anne tem que enfrentar muitos obstáculos, como o bullying na escola e o desprezo social, e também conviver com as tristes lembranças do orfanato.

Primeira edição de Anne with E, ela está sendo vendida por quase 35 mil dólares.

O que aconteceu com o livro foi curioso: apesar por de ter sido escrito no Canadá por uma canadense, só foi publicado 35 anos depois no país. A primeira edição foi americana, com muito sucesso. Parece mesmo que a prata da casa nunca é valorizada.

Uma história bonita e que te vai emocionar em muitos momentos. Recomendo!

3. The Handmaid’s Tale, de Margareth Atwood

Livro que deu origem à série

Esta história é assustadora. Assombra, porque apesar de ser ficção em um mundo distópico, fiquei com a sensação de algo muito real, que pode acontecer no futuro (não muito distante).

Um ataque terrorista simulado pelo próprio governo para enganar a população, acabou com a Constituição e a democracia. Esse governo culpou mulheres e homossexuais pelo caos social. Gays são executados e as mulheres, devido à baixa natalidade, são retiradas dos seus trabalhos e de suas vidas, para procriar, escravas sexuais. Tudo em nome de Deus. Em nome de Deus e da moral, foi gerada uma sociedade cuja barbárie prevalece, pior que na Idade Média.

As músicas do nosso tempo me fizeram pensar que esse mundo estranho, ditatorial, está bem próximo de nós: The Smiths, Bob Marley, Jay Reatard…

Não posso deixar de pensar em Bolsonaro e seus milhares de pensamentos irresponsáveis, indecentes, criminosos e anti- constitucionais. Jair Bolsonaro seria um líder perfeito para este cruel mundo distópico de Margaret Atwood. A coletânea de frases infelizes deste homem, já ultrapassou todos os limites do que é bom, saudável, decente, legal e normal. Relembrando o que disse para Preta Gil:

“Eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o seu”. (Veja)

Mas não, ele é líder eleito do Brasil. Tal como essa epidemia do COVID-19, Jair Bolsonaro me provoca espanto, estranheza e sensação de incredulidade, igual quando você tem um pesadelo ruim. Às vezes, penso que viajei para a Idade Média, uma total involução.

Leiam ou assistam “The Handmaid’s Tale”, e deixem sua opinião.

Prometo que não vou demorar para voltar aqui. Até breve! #falandoemliteratura

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