Sobre a fidelidade

A fidelidade é uma virtude relacionada à memória, à lembrança do que a gente prometeu pra alguém ou pra gente mesmo. (Gabriel Chalita)

É na Filosofia onde encontro as respostas mais convincentes sobre temas capitais da humanidade.

Outro dia eu assisti ao vivo o melhor filósofo do Brasil, Gabriel Chalita, e o tema era fidelidade. Ele falava sobre esta virtude exatamente como eu a entendo. Gabriel ilustra sempre os seus pensamentos com poemas e aforismos.

As pessoas, normalmente, pensam na fidelidade mais em relação às pessoas, que em relação ao pensamento, como a fidelidade entre casais, por exemplo. Só que a fidelidade é algo mais complexa que isto.

Uma pessoa precisa ser fiel ao conceito da verdade (Gabriel Chalita)

A fidelidade também é constância. Um casal prometeu fidelidade há vinte anos, só que com o tempo mudou, ambos já não são as mesmas pessoas e nem sentem a mesma coisa… não é necessária mais a fidelidade? Não é bem assim, porque a promessa de fidelidade foi em relação à uma ideia, ao conceito de amor, não à pessoa e nem à religião, por exemplo.

O fundamento do meu ser e de minha identidade é puramente moral: ele está na fidelidade à fé que jurei a mim mesmo. Não sou realmente o mesmo de ontem; sou o mesmo unicamente porque me confesso o mesmo, porque assumo um certo passado como sendo meu, e porque pretendo, no futuro, reconhecer meu compromisso presente como sempre meu. (Michel de Montaigne)

Se um casal consegue manter a fidelidade durante muitos anos, é porque tem uma excelente memória e consegue cumprir o prometido, não exatamente por causa do amor romântico, que possa ser que nem exista mais.

E também há os que pulam a cerca, mas não conseguem terminar o relacionamento, justamente por essa promessa de fidelidade. Na cabeça dessas pessoas, não estão sendo infiéis, já que continuam mantendo o compromisso que fizeram a si mesmos de manter o relacionamento. Só que falta honestidade com a outra pessoa. E isto também é ruim.

Chalita recita Vinícius de Moraes, Soneto da Fidelidade (1946):

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

A fidelidade também deve acontecer com ex- casais. A fidelidade à história que aconteceu, ao amor vivido, aos segredos de ambos.

A importância de ser fiel ao que se acredita é essencial para o bem- estar do sujeito. A pessoa deve expor suas necessidades, mesmo que esta estiver em contra aos interesses do outro.

Chalita também cita Simone de Beauvoir e Sartre que eram fiéis um ao outro em um relacionamento aberto. A infidelidade não acontece exatamente quando há terceiras pessoas no relacionamento.

Uma moça me contou uma história curiosa: ela viveu uma história incrível de amor com seu primeiro namorado; um dia, por imaturidade de ambos, por um motivo fútil, o relacionamento acabou, estavam muito apaixonados ainda. Por orgulho, mantiveram- se separados e cada qual acabou casando com outras pessoas. No entanto, ela manteve- se fiel ao amor. Quando casou, sentia que o traído era o primeiro. E viveu fiel a ele, mesmo casada com outra pessoa. Nunca permitiu que outra pessoa entrasse no mais profundo do seu coração, onde o outro já ocupava cadeira cativa. Reencontrando seu primeiro amor, descobriu que ele fez a mesma coisa. Veja como a fidelidade é um assunto complexo.

Melhor que vocês mesmos assistam ao vídeo, que é muito rico, clica aqui.

2 comentários sobre “Sobre a fidelidade

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