A briga pelo poder é mais importante que o Brasil

O Brasil é um palco irreconciliável. Direita e esquerda disputam um cabo-de-guerra, como naquela brincadeira infantil. Só pode haver um lado vencedor e o outro tem que acabar no chão, espatifado, na lama, humilhado e sujo, de outra forma não serve.

O Brasil não importa. Derrotar o outro, sim, é fundamental, não importa o preço. Nem que esse preço seja a imoralidade, o crime, a corrupção, a indecência, a mentira, a manipulação, a fraude, a violência, a destruição de famílias, onde até a morte faz parte do jogo, não há limites.

E nesta confusão toda, o povo, em sua costumeira alienação, é a corda. O povo não lê e é facilmente hipnotizado e manipulado pela mensagem pronta do WhatsApp, no Messenger, vídeos sem autor e rosto, são presas fáceis dessas vozes misteriosas com textos bem narrados e estruturados, dando a impressão de veracidade, só que sem nenhuma fonte. Os leitores de memes e de fakenews se digladiam nas redes, uma ode à imbecilidade. O importante é ridicularizar e ofender. E todo mundo entra na dança. É assim que o ódio é alimentado. Eles sabem o que fazem ao puxar as cordas dos títeres.

Cada lado acha- se o mais inteligente, o mais culto, o mais sabido, o mais correto, o mais digno, o mais decente. O inimigo é o outro. É o outro?

Enquanto isto, o poder deita e rola. Os apoiadores, mais preocupados em destruir o adversário do que outra coisa, dizem amém a tudo, até ao esdrúxulo, ao estapafúrdio, até chegar ao nível hardcore da patafísica, que é o surrealismo extremo. Se quiser conhecer o que é, tem até resenha aqui do patafísico Eugène Ionesco, O rinoceronte, inclusive com PDF grátis.

Psicose coletiva, senhor Dudard, psicose coletiva é o que isso é! É como a religião que é o ópio dos povos! (“O rinoceronte”, de Eugène Ionesco)

Os psicóticos, quer dizer, apoiadores, não prestam contas, não cobram, não sabem o que fazem com seu dinheiro. Não é necessário que nada seja feito, enquanto se mantenha o outro bando fora do poder, porque não há nada pior que isto, ainda que os números do inimigo fossem muito melhores, mas…pensando bem, inclusive por isto. São facilmente reconhecidos: quando falam de política espumam pela boca, gritam, soltam frases feitas repetidas mil vezes, como autômatos. Têm sangue olhos, as veias explodem por causa da ira. Inclusive lembram- me o personagem Mr. Hyde, o louco do livro de Robert Louis Stevenson, “O médico e o monstro”. O Dr. Jekyll é um respeitável médico durante o dia, mas de noite, transforma- se e vira um monstro. Mas no Brasil, esta estranha enfermidade pode atacar em qualquer horário, inclusive é bastante comum na classe médica do país. Curioso: a ficção antecede a vida. Pode ver a resenha aqui.

Enquanto o povo briga, o Brasil é um Boing perdido no Triângulo das Bermudas, à deriva, sem combustível e piloto, porque ficou perdido dando voltas, depois teve uma diarreia e está preso no banheiro. Foi brincar com o trinco da porta e agora não sabe abrir, “direita, esquerda, pra que lado é, pô?!”; o copiloto ficou brincando de tiro-ao-alvo com o aeromoço, tomaram um porre de cachaça e acabaram dormindo, bêbados e abraçados, no fundo do avião. O resto dos tripulantes fez uma roda de pôker, esses que são especialistas em blefar. Entre uma nuvem de marijuana e altas apostas em dinheiro negro, a disputa é sobre quem será o próximo a ganhar no GTA 5, um jogo de vídeo- game que cultuam.

E o Brasil ó….que palco triste.

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