Como aprender um idioma com sucesso

Você tenta aprender alguma língua e não consegue? Gasta uma fortuna em cursos de idiomas, materiais, livros, intercâmbio, viagens ao estrangeiro e sente que não avança? Irei contar a minha experiência com a aprendizagem de idiomas.

Normalmente, as crianças têm mais facilidade de aprender idiomas mais por questões psicológicas, que biológicas. Os adultos sentem dificuldades, porque os sons do idioma nativo acabam interferindo na pronunciação do novo idioma. Não só a pronúncia, como o ritmo também. Cada idioma tem sua “música” própria. A solução é desprender- se do aprendido e sacramentado, e estar aberto às novas experiências. Abandone o sentimento de estar sendo ridículo e o medo ao erro. Justamente esta é a segunda interferência: a timidez.

O estudante deve imitar os sons do idioma estrangeiro. A primeira coisa a fazer é entender que as vogais e consoantes são diferentes da língua portuguesa. Comece pelo alfabeto, internalize os sons. É necessário modificar esses registros para que soe inteligível.

Voltando ao tempo, relembrei como aprendi espanhol e constatei dois fatores essenciais que me fizeram aprender sem ter consciência: a vontade e a memória.

No ano de 2001, eu havia conhecido o que hoje é o meu marido, precisava aprender espanhol para me comunicar sem “passar vergonha” (a vergonha foi usada para algo positivo). Sorri ao ler os meus primeiros e-mails: eu achava que sabia escrever espanhol, mas não sabia nada, mesmo tendo feito alguns semestres na universidade. A conversação também não ficava atrás, penosa. Todo mundo começa assim errando.

A vontade, a motivação e a necessidade são fortes estímulos para a aprendizagem de qualquer coisa. Se você estuda algo que acha que nunca irá utilizar, provavelmente estará menos motivado e terá menos sucesso.

Em três meses, eu já estava fluente (estudando e falando todos os dias). Podia conversar sem grandes dificuldades e a partir daí fui só incorporando vocabulário e conhecimentos gerais sobre a Espanha. Mas eu não percebi esse processo, foi bem suave, sem nenhum trauma ou dificuldade. Eu estava aberta ao novo, não tinha vergonha dos erros, ao contrário, me divertia com eles. E confesso que tive a facilidade de ter sempre ao lado um dicionário ambulante ( o namorado na época, que me serviu de professor). Quando não entendia uma palavra, imediatamente já tinha a resposta. Mas, se você não tiver um “dicionário humano”, hoje temos excelentes dicionários virtuais e tradutores, que nos dão respostas imediatas. A internet democratizou muito a aprendizagem.

Eu já tinha trinta anos, a idade não foi problema e não deve ser em idade alguma. A idade não é um empecilho para aprender um idioma, só o seu preconceito consigo mesmo, isso sim. Parece que a idade paralisa muita gente, como se aprender fosse só para os jovens. Abandonem essa ideia. A aprendizagem dura até o final, só deixa de aprender quem já morreu. Aliás, aprender é o nosso principal motivo de estarmos aqui nesta Terra.

Descobrir um novo idioma é também abrir as portas a um novo mundo. É mágica a sensação de entender e ser entendido. A comunicação é tão básica quanto comer e dormir, é uma necessidade primária. Essa sensação tive mais presente com o segundo idioma estrangeiro que aprendi, o inglês.

Eu não senti dificuldade em aprender espanhol, porque a gramática é parecida à nossa e muita coisa se entende também. Já o inglês foi mais complicado pela falta de familiaridade. Minha base na infância foi zero. Estudei numa escola municipal em São Paulo e não havia inglês. Já na Bahia, estudei em uma escola estadual na quinta e sexta séries, e havia francês, que eu adorei estudar e tirava notas excelentes. O inglês só vi na sétima série em uma escola privada e com uma defasagem enorme, foi confuso. Faltava a base de cursos anteriores, conseguia aprovar, mas sem vontade e nem amor pelo idioma. Era uma lista enorme de verbos e tempos sem fim para decorar, que hoje vejo, é a pior forma de se “aprender” um idioma. Ninguém aprende dessa forma.

De volta às escolas públicas até chegar à universidade, o inglês ficou para trás. Só na Espanha, que voltei a estudar inglês em períodos entrecortados. Só nos últimos dois anos que avancei. Estudei no British Council até o B1 (intermediário baixo), depois passei um mês na Inglaterra e foi quando mais aprendi em toda a minha vida. A necessidade fez meu cérebro trabalhar rápido. A memória foi ativada e buscou recursos que nem eu mesma sabia que tinha. Precisei me comunicar em restaurantes, repartições públicas (até tirei um documento que me permite trabalhar no Reino Unido, fiz entrevista telefônica e em pessoa, entendi e fui entendida), com os donos da casa que aluguei, com os motoristas dos ônibus, taxistas, atendentes de lojas. Eu já tinha 45 anos, e sim, aprendi muito mais do que aos 15 anos.

Lembra que eu comentei antes que é mais difícil aprender o que a gente acha que nunca vai usar? A gente acaba usando algum dia, conhecimento e leitura nunca são demais.

Não me considero fluente em inglês da mesma forma que sou em espanhol, ainda tenho que melhorar, mas tenho uma satisfação pessoal por ter conseguido me defender na terra da rainha. Por isto digo: não se limitem. A idade pode ser até um fator favorável, nos dá mais traquejo e menos pudor ao erro, como quando éramos adolescentes.

Constância+memória+vontade= a fórmula mágica para o aprendizado de uma língua estrangeira. Dez minutos por dia bastam. Fale com nativos, assista filmes legendados, leia no idioma que você quiser aprender, mesmo catando palavras, no início é assim. Aprenda dez palavras novas por dia. Concentre- se nas que têm mais dificuldade de memorizar, não deixe que te vençam. Aprenda as estruturas gramaticais, o esquema da língua. Leia sobre a cultura, apaixone- se.

Cada dia estou mais apaixonada pela cultura britânica. Se irei ser 100% fluente? Não tenho nenhuma dúvida.

Se você quiser praticar a língua portuguesa (redação, literatura, gramática para concursos ou português para estrangeiros) ou a língua espanhola, entre em contato que damos aulas online muito divertidas, você vai aprender de forma natural. Eu (Fernanda), nativa brasileira, e ele (Toni), nativo espanhol. E-mail: falandoemliteratura@gmail.com

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