Qual o futuro da nossa mente?


O cérebro é ainda o grande desconhecido da Ciência, que busca entendê- lo, melhorá- lo e fortalecê- lo. O livro do nipo- americano Michio Kaku, em uma linguagem bastante acessível, com muitas referências literárias e histórias interessantes, repassa as descobertas científicas na obra “O futuro da nossa mente” (minha edição é uma espanhola no final do post). Ele percorre a história das descobertas científicas no campo neurológico com exemplos variados e curiosos.

Os apaixonados e os loucos têm os cérebros em ebulição…

O lunático, o amante e o poeta

vivem todos dominados pela sua imaginação.

(William Shakespeare, “O sonho de uma noite de verão”)

A obra é dividida em três partes: “A mente e a consciência”, “A mente sobre e matéria” e “Consciências alteradas”:

O que é a consciência? A consciência pode ser vista por um físico? Sim, pode, apesar de parecer algo místico, coisa “da alma” ou a própria “alma”. A consciência é feita de matéria, é consequência da sua “anatomia e fisiologia, e de nada mais”. Isto dito por Carl Sagan. Falando nele, anote este nome, foi uma personalidade e cientista interessantíssimo.

Sabe uma expressão popular utilizada principalmente no Nordeste? “Tá broca (ou “broco”) ?!, quando a pessoa quer falar algo e esquece? Pois, os nordestinos não estão enganados com a expressão. Existe um problema cerebral que acontece perto da orelha esquerda, que foi descoberto pelo doutor francês Pierre Paul Broca, a “afasia de Broca” (p.36), que afeta a fala, daí a sábia expressão popular.

O doutor Wilder Penfield descobriu as conexões elétricas entre o cérebro e corpo. Começou a operar pessoas com epilepsia para ajudá- las a livrarem- se das esgotadoras convulsões que podiam ser fatais. Quando o caso era muito grave, ele abria o crâneo e deixava o cérebro descoberto. A cirurgia era sem anestesia geral, só uma local, porque não havia sensores de dor. A pessoa permanecia consciente e ele podia ir descobrindo quais áreas do cérebro conectavam com o corpo. Inclusive, algumas áreas estimulavam memórias esquecidas. Estas descobertas foram uma revolução entre a comunidade científica em 1951. O doutor criou o mapa do córtex motor, que mostra as áreas do cérebro que controlam as diferentes partes do corpo (p.39):

O primeiro encefalograma foi utilizado em 1929. Depois vieram os escâneres de tomografia e o TES: o escâner eletromagnético transcraneal. Também há uma forma de ver o cérebro transparente, a optogenética.

O autor faz uma analogia do cérebro como se fosse uma grande empresa com muita burocracia, autoridades, com enorme fluxo de informação canalizado em diferentes escritórios, mas a informação importante vai para o CEO e é “ele”, que toma as decisões finais. Mas ele não tem consciência das informações que chegam nos outros departamentos. Complicado, não? Parece que o cérebro é um órgão com vários órgãos nele mesmo. E é isso mesmo. As imagens de escâner do cérebro mostram que o órgão não é uma unidade.

Kaku fala das emoções e da razão. As primeiras são imediatas, é como se acendesse uma luz vermelha e acontecessem num nível mais superficial. A razão acontece mais lenta e num nível mais profundo. “Temos pouco controle consciente sobre as emoções” (p.61). Por isso, não diga a alguém que está nervoso para ficar calmo, porque provavelmente vai acontecer o contrário e muito menos peça a um apaixonado que o deixe de estar, porque é impossível.

Sentimento é diferente de emoção. O cientista cita a autora Rita Carter (“O novo mapa do cérebro”):

As emoções não são em absoluto sentimentos, senão um conjunto de mecanismos de sobrevivência arraigados no corpo que desenvolvemos para manter- nos longe de perigos e para nos impulsionar a fazer coisas que podem ser benéficas.

O medo exagerado paralisa. Quando isto acontecer, respira fundo e tenta raciocinar: “O que está me provocando pânico pode me machucar realmente?”.

O cérebro produz energia equivalente a uma lâmpada de baixa intensidade. Tem a temperatura certa para não queimar os tecidos. Os cientistas podem descrever vários desses processos, mas não podem explicar como acontecem.

Quase tudo que a gente vê na realidade é uma imagem distorcida, irreal. O cérebro corrige imprecisões. Incrível, não?! O mundo seria muito pior se não fosse o cérebro em modo Photoshop.

Com a força do cérebro é possível mover objetos, é a telecinésia. E não é ficção científica.

Um cientista, em 1960 na Espanha, controlou um touro bravo, desembestado, apertando só um botão. O bicho freou, travou, na sua frente. José Rodriguez Salgado havia implantado uns elétrodos no cérebro do animal e conseguiu mudar a sua hierarquia cerebral modificando seus movimentos. Este cientista passou dos limites: começou a usar animais como marionetes vivas.

O autor conta diversas histórias interessantíssimas sobre o controle mental na CIA, com uso de drogas, na Guerra Fria…

Na Idade Média, as pessoas esquizofrênicas eram consideradas possuídas pelo demônio. Imagina o que faziam com elas…pobres doentes que ouviam vozes e tinham pensamentos desorganizados. O autor ainda fala das obsessões, do TOC, das alucinações, transtorno bipolar e das doenças mentais de uma forma geral. E o papel da genética em alguns casos.

Kaku comenta sobre a inteligência artificial: computadores, robôs…veja como as emoções são mais impostantes do que a maioria pensa, pois elas nos ajudam a tomar decisões, a fazer juizos de valores, as emoções são imprescindíveis, segundo o cientista:

Os pesquisadores de inteligência artificial começaram a perceber que as emoções podem ser a chave para a consciência. (p.301)

Há um capítulo dedicado à “mente extraterrestre” e sobre o pensamento dos animais. Os animais pensam?

Kaku, Micho, El futuro de nuestra mente. Debate, 2014.

Terminei esta obra fascinada. Só dei pinceladas, porque é uma obra extensa, consta de 479 páginas, uma melhor que a outra.

Às vezes procuramos respostas no exterior, mas está tudo aqui dentro, no nosso cérebro, que é uma obra- prima incompreendida, sem dúvida. Mas eles, os cientistas, e nós, empiricamente, vamos tentando. Recomendadíssimo!

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“Conhecer- se a si mesmo é o princípio da sabedoria.” (Sócrates)

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