Congresso literário na Espanha contará com a presença de Nélida Piñón e Domício Proença


O I Congresso Internacional de Literatura Brasileira em Salamanca, na Espanha, contará com a presença de dois imortais brasileiros: Nélida Piñón e Domício Proença, ambos já foram presidentes da Academia Brasileira de Letras, o atual é Marco Lucchesi. Esse primeiro congresso literário dedicado à nossa literatura, homenageia à Nélida Piñón, as linhas de pesquisa estão voltadas para a sua obra.

Nélida Piñón é filha de espanhóis e tem uma ligação forte com o país de Cervantes. Ela é a autora brasileira mais lida e reconhecida no país, inclusive ganhou o prêmio “Príncipe de Asturias” (2005), além de ser a melhor escritora do Brasil, na minha opinião. Ah, e não deixem de ler “A república dos sonhos”, uma obra- prima!

E quem já não estudou com algum livro de Domício Proença Filho?! O autor tem livros didáticos, de poesia, ensaios, contos, já escreveu para cinema e televisão.

Vamos aos dados importantes:

O Congresso acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2018, em Salamanca.

Quem quiser apresentar uma comunicação, pode enviar a proposta até o dia 3 de setembro, um resumo com até 120 palavras ao e-mail: literaturabrasileira@usal.es, em espanhol ou português. O custo é de 80 euros para comunicantes e 60 euros para estudantes.

Para todas as demais informações e dúvidas, não duvide em escrever para Esther, que vai te ajudar com tudo o que precisar. Clica aqui.

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Poesia concreta brasileira


O Concretismo no Brasil “impôs- se” em 1956, segundo Alfredo Bosi. Antes disso, em 1952, surgiu uma antologia “Noigrandes”, composta por Haroldo Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, creio que os escritores mais importantes e, digamos, “puros” nesse gênero, pois desenharam uma poesia carregada de significados, poesia pra ver. Veja alguns exemplos:

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Essa é uma das minhas preferidas, de Décio Pinatari. Vai continuar tomando Coca- Cola?!décio

Essa também é de Décio Pignatari:

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A leitura de poesia concreta é diferente da poesia convencional, porque a forma é muito importante. As palavras soltas no espaço têm muito mais liberdade artística e de significado. Elas podem ser lidas de baixo pra cima, do meio pro final, de trás para frente, não têm uma ordem, os versos podem ser livres, fixos, sem rimas, com rimas, não têm sistema definido. O leitor é convidado à anarquia, à rebelião e é um sujeito muito ativo no processo leitor, na construção de significados. A forma do poema antecede a leitura convencional. O leitor pode até parar por aí, se quiser, só na forma do poema. Os modernistas vieram para isto, para quebrar esquemas, ritmos, leituras, tradições, destruir e recriar  algo novo, diferente.

Referência bibliográfica: Bosi, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira, Cultrix, 36ª ed., SP, 1994.

Os reis da Espanha entregarão amanhã o prêmio Cervantes ao escritor Sergio Ramirez


O escritor nicaraguense Sergio Ramirez (Masatepe, 05/08/1942) receberá amanhã, no Dia Internacional do Livro,  o Prêmio Cervantes, o mais importante outorgado a escritores espanhóis e hispano- americanos. A solenidade acontecerá na cidade de Alcalá de Henares, terra natal de Miguel de Cervantes, e será presidida pelos reis da Espanha, Felipe VI e Letizia Ortiz. Sérgio é o primeiro centro- americano a conseguir esse prêmio, que começou há 42 anos. A grande Nélida Piñón está na Espanha e assistirá a solenidade, já que  Ramirez é um grande amigo da escritora.

23559504_2001428196761021_5087737475304710830_nSergio Ramirez, sua esposa e Nélida Piñón. (Facebook da autora)

Sergio Ramirez, apesar de ser um dos escritores mais celebrados na Europa e América Latina, não foi editado no Brasil, pelo menos eu não achei nenhuma edição em português. Os editores brasileiros precisam “espabilar”, como falamos na Espanha, “acordar”, prestar mais atenção e oferecer também aos leitores brasileiros não só enlatados e best- sellers, mas também qualidade literária, mesmo que as vendas sejam inferiores. Creio que todo editor deveria ter este compromisso moral.

Este problema não tenho na Espanha. Toda a premiadíssima obra de Sergio Ramirez foi editada por aqui. Segue a lista:

Castigo divino (1988).

Un baile de máscaras (1998).

Cuentos completos, com prólogo de Mario Benedetti (1998).

Margarita, está linda la mar (1998).

Mentiras verdaderas (ensaios sobre a criação literária, 2001).

Catalina y Catalina ( Contos, 2001)

El reino animal (2007).

Sombras nada más (2002).

Mil y una mortes (2005).

El cielo llora por mim (2008).

 La fugitiva (2011).

Adiós muchachos (2007).

Tambor olvidado (2008).

Cuando todos hablamos (2008).

Noche tibia (2012).

Flores oscuras (2013).

Juan de Juanes (2014).

Sara (2015).

El cielo llora por mi (2016).

Ya nadie llora por mí (2017).

¿Te dio miedo la sangre? (2018).

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A maioria pela editora Alfaguara, veja.

Sergio Ramirez também esteve envolvido com política, foi vice- presidente da Nicarágua. Veja um vídeo curtinho para saber um pouco sobre a sua vida e obra (em espanhol), clica aqui.

Amanhã a RTVE deve transmitir ao vivo o evento de entrega do Prêmio Cervantes 2017. É só você voltar aqui amanhã e clicar neste link.

 

 

 

 

A “transparência” como linguagem


Observando as redes sociais, adivinha quem tem mais seguidores em se tratando de empresas e/ou pessoas? Os que aparentam ser mais transparentes. Detalhe importante: isso não tem a ver, necessariamente, com a verdade. A imprensa brasileira que o diga. A era da privacidade acabou e se você quiser “existir” no mundo virtual, conquistar clientes e pessoas, tem que parecer o mais natural possível.

As empresas mais sólidas e confiáveis são as mais transparentes; os bloggers e personalidades mais seguidos e amados (odiados também, sempre há “haters”) são os que mostram a “realidade” de suas vidas. Mesmo que seja uma realidade inventada.

No nosso tempo há uma contradição iminente, a hipocrisia em duas faces: pessoas que só mostram uma vida idílica de viagens, restaurantes caros, amores perfeitos e sucesso profissional e, em contrapartida, o do naturalismo pós- moderno, onde a escatologia reina junto com um excesso de linguagem de baixo calão. Certos personagens filmam- se na privada, na cama, em situações íntimas familiares, seus excessos, seu tédio, suas dores, fragilidades e também doenças.

Ninguém é tanto, nem tão pouco. Todos criam falsas situações para vender e conquistar seus objetivos. Em ambos, há encenação.

A tal da “naturalidade” é muito subjetiva. Quanto mais sucesso, mais surgem situações pré-fabricadas e cada vez vão mais longe em suas tentativas.

Ainda assim, com situações forçadas, a “transparência” é a linguagem que dá certo nas redes sociais. Só não sei qual é o limite, se é que existe, e também não sei se as pessoas estão preparadas para pagar o preço dessa ultra- exposição.

Tudo fica gravado na internet. Com as capturas de tela e vídeos, nada mais fica impune. Portanto, cuidado com a encenação que faz de si mesmo, porque pode ter o efeito contrário ao esperado.

O discurso que querem emitir com imagens ou textos tão forçados, desesperados até…qual a intenção por trás? O que nos querem vender? Saber ler além do evidente, saber ler as entrelinhas, é importantíssimo para não se deixar enganar ou manipular. Isto, em todos os aspectos da vida…e mais do que nunca.

 

Por que o Falando em Literatura existe?


No início do ano fui convidada pelo produtor do programa “Trilha de Letras” da TV Brasil para divulgar o Falando em Literatura.

Mandei um vídeo, envergonhada, avisando sobre a minha incapacidade de produzir vídeos legais e que o dispensassem se não servisse. Não entrou no ar até agora e acho que não vai entrar, porque é muito ruim mesmo…hahaha! Então, posto aqui pra vocês o meu fracasso como videomaker.

Vídeo no Falando em Literatura

Ah, aproveita e se inscreva no canal 🙂