Estreou no Brasil nesta última semana, o filme “A livraria”, da cineasta espanhola Isabel Coixet. O filme ganhou o Goya de melhor direção na Espanha. Merecido prêmio: a direção é primorosa. E a atriz protagonista, Emily Mortimer, também levou o Goya. O filme foi baseado no livro da inglesa Penelope Fitzgerald, “The Bookshop” e acontece no final dos anos 50 na Inglaterra, na cidade de Hardborourgh . Amei a fotografia e o figurino. Há cenas exteriores que foram gravadas nas praias de Barcelona, além da Irlanda do Norte.

La-Librería-Cartel

“A livraria”(2017) é um excelente filme, mas não é pra todo mundo. Ele é cheio de sutilezas e silêncios carregados de significados, que muitos não saberão interpretar e poderão achar lento. A obra mostra, principalmente, uma relação maniqueísta. A viúva sem filhos, Florence Green (Emily Mortimer) mora numa cidadezinha da Inglaterra, ama ler e decide montar uma livraria, o seu sonho. Ela acredita que sua vida ganhará mais sentido, como uma missão, mesmo sabendo que é um negócio de alto risco e que pode lhe dar prejuízo. Escolhe uma casa abandonada há anos, a “Old House”.  Pede um empréstimo no banco, que lhe é concedido com muita dificuldade, e compra a casa velha e úmida. Arruma o básico e muda- se logo na primeira semana.

Tudo vai bem até a esposa rica de um militar, Violet Gamard (Patricia Clarkson), uma socialite filantropa (a maldade costuma usar este tipo de recurso, filantropia e religião, numa tentativa de  integrar- se e ser respeitado socialmente para poder estender amplamente a sua sombra envenenada), convida Florence para uma festa em sua casa ao saber que esta iria montar uma livraria na cidade.

A bruxa, quer dizer, Violet, tenta “convencê-la” (soa à ameaça) a montar na casa um centro cultural, porque considera melhor, mas Florence continuou com o seu sonho. Os livros chegaram e ela montou sim a biblioteca, a “The Old House Library”.

A inveja. A inveja é um sentimento terrível, porque, na verdade, ela não quer possuir o que tem o outro, ela só deseja que o outro não tenha o que tem. E não mede sacrifícios para isto.

A casa estava abandonada há anos, mas Violet, só agora, a queria. Ela era tão poderosa, que em um ano, conseguiu que uma lei de patrimônio histórico fosse aprovada para despejar Florence da sua própria casa, que era antiga, mas não tinha valor histórico.

Durante todo o filme vemos as armadilhas de Violet e a bondade de Florence. O bem contra o mal, a eterna luta. É algo muito, muito real, cotidiano. Infelizmente, há muitas Violets atravancando caminhos e arrebatando coisas que não lhe pertencem maquiavelicamente…só por maldade, inveja, porque querem algo que naturalmente jamais teriam.

Dois personagens importantes: a ajudante da livraria, uma menina que trabalha pela tarde, mas que foi impedida de continuar o trabalho que amava por artimanha da bruxa e Edmund Brundish (Bill Nighy), um senhor que vivia isolado numa casa antiga, leitor voraz, que odiava os seres humanos justamente por causa de pessoas como Violet, mas que acaba sendo conquistado pela bondade e coragem de Florence.

O filme é cheio de referências bibliográficas, com destaque para “Lolita”, de Vladimir Nabokov e “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, esse tem resenha aqui no Falando em Literatura.

Infelizmente, amigos, o bem nem sempre vence. Mas, o que nunca as Violets da vida poderão nos roubar é o amor verdadeiro, a bondade e os sonhos, coisas que jamais conhecerão. Florence deixou uma semente plantada. Essa é a mensagem do filme.

Veja o trailer do filme, aqui.

O livro que deu origem ao filme está completamente esgotado na Espanha. Penelope Fitzgerald escreveu “A livraria” em 1978. Eis a autora:

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Penelope nasceu em 1916 e faleceu no ano 2000 em Londres, era casada com um soldado irlandês e teve três filhos. Uma pena não ter visto a sua obra no cinema. Ela publicou seu primeiro livro aos 58 anos, apesar do seu pai ser editor, foi uma “late bloomer“. A autora escreveu outros nove livros.

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12 comentários »

  1. Acabei de assistir ao filme e resolvi escrever também uma resenha (mais opinião própria que resenha). Gostei demais do filme e também me interessei pelo livro, mas não consegui encontrá-lo. Li também a resenha sobre o livro e percebi que o livro é espanhol. Deduzi que não há no Brasil, uma versão em português, correto? Será, que nem em Portugal?

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