Resenha: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley


“Admirável mundo novo” foi publicado em 1932 e começa com um longo prefácio escrito em 1946, onde o autor tenta justificar suas falhas artísticas. Pensou em reescrever, corrigir, mas acreditou que perderia a essência da obra. Contudo, não deixou de sentir uma espécie de remorso artístico, deve ter recebido críticas ruins na época. E vai levar outra aqui. Agora entendo o porquê desse livro ser tão popular: é um tremendo besteirol! Literatura besta mesmo. Huxley deveria ter reescrito.

Sempre prefiro ler o prólogo no final, não gosto quando o autor tenta explicar, justificar, prevenir o leitor do que virá. Acho uma perda de tempo falar no início sobre personagens e fatos ainda desconhecidos. Para mim, um posfácio faz mais sentido. Mas, de todas as formas, é interessante ler o pensamento do autor sobre a sua própria obra. No entanto, leia depois de terminar.

Meu espírito já estava amarrando para ler este livro. “Surpreenda- me!”, pensei. Não surpreendeu, meu faro me dizia que devia ser ruim. Acertei. Quando li logo na terceira página do primeiro capítulo “ovo bokanovskiano” pensei em desistir, mas segui, mesmo ferindo o meu bom gosto literário.

A história começa num laboratório de manipulação genética, onde produzem óvulos de homens e mulheres para que sejam padronizados, o “Processo Bokanovsky”, o verbo é “bookvskizar”. Ai, Pai, esse livro não é sério:

-Noventa e seis gêmeos idênticos fazendo funcionar noventa e seis máquinas idênticas.

Eu costumo colocar a página nas minhas referências, mas o PDF lido não vinha numerado, uma falha grande da editora “Escrytos”.

Detectando que era não é um livro sério, nem sequer bem escrito, tentei me divertir com o que imaginou um homem de 38 anos, no princípio do século XX.

Nesse período da pós- guerra mundial, época da publicação, o acesso aos livros e às notícias não devia ser muito fácil. Mas deviam saber o que os nazistas faziam com os prisioneiros, eles já barbarizavam desde a I grande guerra. O desgraçado do médico Josef Menguele, por exemplo, o que fugiu para o Brasil, viveu e morreu no litoral de São Paulo, fazia experimentos terríveis com os prisioneiros no campo de concentração na II Guerra, o monstro usava gêmeos para provas genéticas muito cruéis. Quem sabe pode ter surgido desses casos, de algum precedente, a semente desse livro…ou nada a ver, quem sabe?

Sinceramente, não considero mérito nenhum Huxley ter criado esse mundo com clones humanos. Creio que a humanidade imagina esse tipo de coisa desde o princípio da Idade Moderna.

Este livro é ruim em 1937 ou 2018. É uma obra supervalorizada. Também é certo que não é o tipo de literatura que gosto, um livro muito desgostoso pra mim, que preguiça de livro! Vai ver é manjar para você. Não me leve a sério, é só a minha opinião.

Falando em opinião, essa será a base das resenhas em 2018. Já não vou escrever posts didáticos desmembrando a obra, descrevendo personagens e tudo mais, não vou fazer análise textual, porque não vou mais mastigar pelos demais, ler por quem não lê e vem aqui só para copiar resenhas para a escola. Quero influenciar (ou não) leituras e não dar leituras prontas. Acredite: tenho motivos sólidos.

Não recomendo esse livro, mas se você quiser ler só para contrariar, então lá vai…

A edição que comecei em espanhol (foto) foi substituída por uma portuguesa, um ebook, que você pode comprar aqui na melhor livraria online de Portugal, Wook.  O e- book é bem acessível, custa €3,99 (cerca de 16 reais).

26195921_1184382081664147_626662719178770417_nHuxley, Aldous. Un mundo feliz, Random House Mondadori, Barcelona, 2009. Páginas: 255

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15 comentários »

  1. É um livro que me marcou positivamente. Achei maravilhoso o que te deixou entediado. Mas concordo contigo quando diz que é a sua opinião. Provavelmente algum livro que você gosta outros odeiam, e isso faz parte. Eu realmente fico incomodado com os comentários do tipo: “como que você não gostou desse livro?” “se você não gostou você não leu direito”, etc, etc.
    Adorei seu texto.
    Abraço.

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  2. Espero que uma resenha negativa não trague comentários desagradáveis só pela opinião contrária.

    Também faço resenhas com base na minha opinião. Como o meu objetivo é incentivar a leitura, acho que não publicarei análises negativas. Já tenho certeza que não farei com obras nacionais, optarei por conversar com o autor em particular.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Um resenha breve, mas interessante. Concordo em parte, precipuamente ao fato de que a obra não me “tocou” também, em que pese a época e circunstâncias. Aliás, sobre isso, ensejou o meu ponto de discordância. Explico.
    Acredito que tenhas feito uma pequena confusão cronológica da história para sustentar a sua argumentação. Falaste que os nazistas já barbarizavam com os prisioneiros desde a Primeira Guerra. Todavia, os nazistas ainda não dispunham das barbáries que ocorreram na segunda, estavam ainda na consolidação do partido nazista, da sua posição política na Alemanha, promovendo a chancelaria a Hitler em 1933. Notadamente, ainda, quando citas Mengele (o qual só veio a ingressar no partido em 1937), referindo-se aos experimentos genéticos em gêmeos, induzindo que esses casos poderiam/ou não ter servido de uma “semente” para a obra de Huxley. Ocorre que o livro é datado de 1932, como bem falaste, e a Segunda Guerra, de 1939 a 1945. Portanto, seria mais fácil dizer – apenas seguindo a sua analogia -, que foi Mengele que usou o livro como “semente” para as suas experiências e não o contrário (risos).
    Por fim, não é demais lembrar que Huxley viveu grande parte da década de 20 na Itália, sob o regime fascista de Mussolini e, na sua obra, certamente trouxe-lhe influências – negativas, que acabaram por se replicar em sua obra.
    Um abraço.

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