Vinte e quatro livros para 2018


Numa tentativa de ser mais disciplinada, listei vinte e quatro livros que eu tenho grande vontade de ler e resenhar neste ano que vai começar amanhã. Alguns deles não são nada populares no Brasil, inclusive nem têm edição brasileira, por isso mesmo o meu interesse. Vamos colocar no ar novidades e não livros mais que mastigados, não é?! Fora que há que se traduzir mais e mais autores estrangeiros no Brasil, como há que se traduzir muito mais literatura brasileira no exterior. Forçar esse intercâmbio faz circular autores, idiomas, livros e mais conhecimento.

E como sugestão: aprenda idiomas! Espanhol e inglês são obrigatórios se você quiser ser um cidadão do mundo, além de expandir seu próprio universo interior, também para a sua vida profissional.  Saber idiomas é a chave para entender melhor outras culturas e saberes. E no âmbito literário, saber inglês, francês, espanhol, fora o nosso português, te abre um leque imenso de opções literárias, ainda mais com a Internet e a possibilidade de ler em e-books. E você, estrangeiro, que está lendo isto com tradutor, aprenda também português. 🙂

Vamos às minhas escolhas (as capas são as edições que eu tenho).

  1. “A ópera dos mortos”, de Autran Dourado

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Este é um livro que quero ler há muito tempo, por isso é o primeiro da fila. O mineiro Autran Dourado, falecido em 2012,  foi um dos maiores escritores do Brasil. O romance “A ópera dos mortos” (1967), é considerado por muitos a obra- prima do autor.
Ópera dos mortos. Romance. [Tapa blanda] by DOURADO, Autran.-

2. “A grama vermelha” (“L’erbe rouge”/ “La hierba roja”), de Boris Vian.

La hierba roja

Esse não achei tradução em português, mas não deve demorar. O francês Boris Vian (1920-1959), morreu com 39 anos, foi engenheiro, cantor, músico, tradutor, inventor entre outros, uma vida intensa. Ele tem uns títulos de livros “curiosos”: “Escupiré sobre vuestra tumba (Pocket) (“Irei cuspir- vos nos túmulos” ou “Que Se Mueran Los Feos ” (Qu”e morram os feios”). Eu tenho outro que está na lista Espuma dos Dias (Em Portuguese do Brasil), esse com edição brasileira da finada Cosac Naify.

3. “Contigo na distância” (“Contigo en la distancia”), de Carla Guelfenbein.

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A autora é chilena e Contigo En La Distancia (Premio Alfaguara 2015)” (“Contigo na distância”) ganhou um prêmio literário importante na Espanha, o Alfaguara (2015). A história foi baseada na vida de Clarice Lispector.

4. “A cidade sitiada”, de Clarice Lispector.

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Livro sem ler de Clarice não dá! A autora é para ser lida e relida, sempre. “A cidade sitiada” é o terceiro romance da autora.

A cidade sitiada

6. “Grandes esperanças”, de Charles Dickens

9788420654959

Este clássico do inglês Dickens deve ser daqueles que provocam lágrimas. Conta a história de um órfão, Pip e as dificuldades que enfrenta na vida.

Grandes esperanzas (El Libro De Bolsillo – Literatura)

7. “A camisa do marido”, de Nélida Piñón

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São nove contos da grande Nélida Piñón, escritora carioca, uma das minha autoras favoritas.

A Camisa do Marido (Em Portuguese do Brasil)

8. Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles

9789722339650

Esse já comecei a ler várias vezes e não avancei por problemas alheios ao livro.

Ciranda de Pedra

9. Paris não acaba nunca (livre tradução), de Enrique Vila- Matas

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O escritor espanhol me contou na Feira do Livro de Madri (2017), que estava em negociações com uma editora brasileira. Algumas de suas obras fora editadas pela finada Cosac Naify. Por enquanto, você pode ler em espanhol.

 París No Se Acaba Nunca (CONTEMPORANEA)

10. “1984”, de George Orwell

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Eu li “A revolução dos bichos” em 1996, lembro o ano, e adorei. Este, “1984”, está na lista há milênios, não pode passar de 2018.

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11. “13,99€”, de Frédéric Beigbeder

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Eu não tenho nenhuma referência do autor nem do livro, exceto o que conta na contracapa. A gente tem que fazer isso sim, “comprar livros pela capa”. Fiquei curiosa na livraria e vou pagar (já paguei, literalmente) pra ver.

13,99 Euros (Compactos)

12. “O grande Gatsby”, de F.S. Fitzgerald

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Outro clássico que está na estante faz tempo. Achei uma edição bilingue português- inglês baratinha:

O Grande Gatsby: The Great Gatsby: Edicao Bilingue

13. “Elegia”, de Philip Roth
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Elegía (CONTEMPORANEA)

14. “O clube da boa estrela”, de Amy Tan

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Conheci essa autora americana de origem chinesa, aqui em Madri. Tenho duas obras autografadas.

El Club de la Buena Estrella

15. “Matar um rouxinol”, de Harper Lee
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Matar a un ruiseñor: SERIE: CINE

16. “Trópico de capricórnio”, de Henry Miller

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17. “Um mundo feliz”, de Aldoux Huxley

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18.”O buda dos subúrbios”, de Hanif Kureishi

El Buda De Los Suburbios (Otra vuelta de tuerca)

19. “Os maias”, de Eça de Queirós

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Os Maias

20. Os filhos da América, de Nélida Piñón

Outro da Nélida. A edição que eu tenho é a espanhola. O nome ficou muito diferente: “La épica del corazón”

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La épica del corazón

21. “Em busca do tempo perdido- À sombra das meninas em flor”, de Marcel Proust

9788420652733

Li a primeira parte e adorei! Veja aqui a resenha.

En busca del tiempo perdido. Estuche (13/20)

22. “Viagens na minha terra”, de Almeida Garrett

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Viagens na Minha Terra (Completo) (Portuguese Edition)

23. “Memorial de Aires”, Machado de Assis.

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Memorial de Aires (Série Machadiana Livro 4) (Portuguese Edition)

24. “Onde andará Dulce Veiga”, de Caio Fernando Abreu

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Onde Andará Dulce Veiga ? (Em Portuguese do Brasil)

A lista é muito otimista, são vinte e quatro livros, dois por mês, mas alguns são bem extensos, como “Grandes esperanças”, com quase 800 páginas, “Os Maias”, com mais de 700 e assim por diante, mas a intenção é administrar o tempo para dar certo.

O que você achou das minhas escolhas? Vamos embarcar comigo nessas leituras?!

Aproveito para desejar um feliz 2018, espero que você comece o ano com esperanças renovadas, com projetos, sonhos, e que ao longo do ano, todos eles se realizem com alegria e saúde!

 Em 2018, mais e melhor! Feliz ano novo!

 

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Era bruxa Clarice Lispector?


Um livro curioso me chamou bastante atenção e quero compartilhar com vocês: O segredo de Clarice Lispector, de Marcus Deminco.

Sinopse:

A verdade sobre Clarice Lispector que ninguém jamais contou.

Mas afinal, por que a autora era conhecida como A Grande Bruxa da Literatura Brasileira? Que espécie de vínculo Clarice teria estabelecido com o universo mágico da feitiçaria? Por que seu próprio amigo Otto Lara Resende advertia aos leitores para tomarem cuidado com Clarice, afirmando não se tratar apenas de literatura, mas de bruxaria? “O 7 era meu número secreto e cabalístico. Há 7 notas com as quais podem ser compostas todas as músicas que existem e que existirão, e há uma recorrência de adições teosóficas que podem ser somados para revelar uma quantia mágica […] Eu vos afianço que 1978 será o verdadeiro ano cabalístico. Portanto, mandei lustrar os instantes do tempo, rebrilhar as estrelas, lavar a lua com leite, e o sol com ouro líquido. Cada ano que se inicia, começo eu a viver outra vida”. E apesar de ter morrido algumas semanas antes de iniciar o então ano cabalístico, decerto todos esses seus hábitos ritualísticos, esclareçam porque Clarice teria aceitado com presteza e entusiasmo o inusitado convite do ocultista colombiano Bruxo Simón, para participar como palestrante do 1º Congresso Mundial de Bruxaria.


Para quem quer conhecer o lado místico da autora, parece que esse livro (apesar do tom sensacionalista) pode ajudar.

Você pode comprar baratinho, com desconto, aqui no Falando em Literatura (EUR 4,21, cerca de 16 reais), “O segredo de Clarice Lispector”, de qualquer lugar do mundo, já que está em formato digital. Você pode ler através do Kindle, iBooks ou qualquer e-reader, no celular, tablet, computador ou iPad. É só clicar no link abaixo:

O Segredo de Clarice Lispector (Portuguese Edition)

Depois me diz o que achou. Boa leitura!

Trinta prazeres da leitura


A leitura de um livro pode proporcionar vários prazeres. Eu listei abaixo trinta dos meus:

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  1. Começar a leitura de um livro com aquela sensação de ter aberto a porta para um universo desconhecido.
  2. Visitar novas e velhas bibliotecas.
  3. Lembrar de uma leitura da infância.
  4. Fazer uma resenha (oral ou escrita) de um livro recém lido.
  5. Relembrar um personagem querido (e sentir falta dele).
  6. Conhecer bibliotecas públicas.
  7. Sentir o cheiro de um livro novo.
  8. Terminar um livro imenso.
  9. Contar um conto de fadas para uma criança.
  10. Conhecer pessoalmente o autor de um livro incrível.
  11. Ter uma coleção de livros autografados.
  12. Entrar numa casa ou cafeteria cheia de livros.
  13. Descobrir um livro que conta a nossa história pessoal.
  14. Ganhar um livraço de presente.
  15. Dar um livraço de presente.
  16. Ir a um sarau de poesia.
  17. Ler poesia com os amigos.
  18. Descobrir dentro de livros usados, fotos, dedicatórias, desenhos e anotações.
  19. Chorar e/ou rir com um livro.
  20. Ler na cama.
  21. Esperar ansiosamente o lançamento de algum grande autor.
  22. Ir em feiras de livros.
  23. Vasculhar livrarias.
  24. Organizar a biblioteca de casa.
  25. Comprar edições especiais ou únicas.
  26. Ler ao ar livre.
  27. Ler numa rede.
  28. Ler anotações em livros já lidos.
  29. A sensação de companhia estando com um livro aberto.
  30. Ter uma coleção completa de um autor favorito.

 

Os Natais de Fernando Pessoa


A ceia de Natal em Portugal chama- se “consoada”, de “consolar”. O prato principal, normalmente, é o bacalhau com ovos e couves regado com muito azeite de oliva. De sobremesa, o bolo rei e as rabanadas.

Apesar dessa data ser feliz para muita gente por causa das reuniões familiares, dos comes e bebes, além da troca de presentes, outros tantos consideram a data triste.

Deixo alguns poemas de Fernando Pessoa sobre o Natal. Curiosa a visão nostálgica e pessimista do autor sobre esta data. Definitivamente, não parecia ser a preferida de Pessoa, veja:

Natal na Província

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Chove. É dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Natal

O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Natal

Nasce um deus. Outros morrem.
A Verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.
Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.

Espero que o seu Natal seja bem mais feliz do que foram para a voz poética do poema (que pode ser o alter ego de Fernando).

O fim de ano do Falando em Literatura…


Claro que eu tinha que vir desejar um feliz Natal a todos que passaram pelo Falando em Literatura neste ano de 2017!

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Desejo, amigo e amiga, grandes esperanças para 2018 e muita tranquilidade, já que Paris não acaba nunca. Muitas viagens no ano que entra, mas não passe a camisa do marido, deixe que ele mesmo faça isso, isso é coisa de 1984, ou de antes, ninguém deve ser mais a escrava Isaura. E não tenha medo de cem anos de solidão, isto é só para quem é oco por dentro, não é o nosso caso, claro. Mas, quem sofrer de solidão, sempre é hora de ir em busca do tempo perdido. Claro que todo mundo deseja e merece um mundo feliz. Comigo na distância, eu sei, é um pouco difícil, fazer o quê?! Ficar perto do coração selvagem nem sempre é fácil, mas o amor é deste mundo e do outro, sempre prevalece. Também desejo que o nosso país se torne a república dos sonhos, já que o Brasil, país de futuro, vai tomar o rumo correto (vamos, sem demora!). Essa terra, apesar dos problemas, é feita por gente forte, de fé e trabalhadora, uma gente feliz com lágrimas. Lágrimas essas, só de alegria (assim deve ser!).

E não esqueçam: olhai os lírios do campo, respirem, olhem e cuidem da natureza, de vocês mesmos, façam das suas casas, a casa da paixão, do amor, das boas energias…vamos deixar em 2017 o que não serve e entrar 2018 novinhos em folha. É a última semana para fazer essa limpeza emocional (e da casa).

Em 2018, mais e melhor! Boas festas!

Ps: Semana que vem eu volto para contar sobre os vinte livros que selecionei para resenhar no ano que vem. 😉

 

Manuel Bandeira e Drummond no Parque dos Poetas em Portugal


Alguns sonhadores pensaram que seria uma boa ideia criar um parque onde a poesia fosse a grande atração. E realmente foi uma excelente ideia! Alguns dos idealizadores do parque:  Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras (1985-1989), o poeta e escritor David Mourão-Ferreira e o escultor Francisco Simões.

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Poesia com vistas ao mar. Esse é o labirinto.

O Parque dos Poetas é grande, tem “22 hectares de área verde. Quarenta artistas plásticos. Sessenta esculturas dos maiores poetas de sempre. Um museu ao ar livre. Equipamento desportivos, infantis, lúdicos. O magnífico Templo da Poesia. O único parque de poesia no mundo está em Oeiras.” É o único parque do mundo dedicado só à poesia!

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O parque tem um edifício para exposições. No último andar, um mirador com vistas ao mar e uma sala de leitura com alguns livros, onde também se pode tomar um cafezinho e descansar.

Nele estão representados os 20 maiores poetas portugueses do século XX, 13 trovadores e poetas do Renascimento e 27 esculturas de poetas.

As  informações acima estão num planfleto informativo/mapa, que peguei quando visitei o parque nesse mês. Quem assina o texto é o atual presidente da Câmara, Paulo  Vistas. Ele esqueceu de mencionar os poetas de outros países lusófonos. Brasileiros há dois: Carlos Drummond de Andrade, que vai ficar para uma próxima visita (o parque é gigante, não deu tempo!) e Manuel Bandeira, que tem um cantinho muito especial no parque.

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O pernambucano Manuel Bandeira (Recife, 19/04/1886- Rio de Janeiro, 13/10/1968) foi poeta, cronista, tradutor, imortal da ABL (1940). Dele é o famoso poema “Vou- me embora pra pasárgada”:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Pasárgada foi uma cidade persa que não existe mais, hoje é território do Irã; um lugar, ironicamente, não muito conhecido por ser pacífico. A Pasárgada de Bandeira é mais idílica.

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Versos de Manuel Bandeira no Parque dos Poetas (Portugal)

Quem criou o conjunto de esculturas de Manuel Bandeira no Parque dos Poetas foi também um pernambucano, o fantástico Francisco Brennand (11/06/1927):

Francisco Brennand

O artista plástico pernambucano Francisco Brennand (Facebook)

Conheça um pouquinho mais do parque no vídeo abaixo (é curtinho). No chão do monumento à Bandeira está o poema “Canção das duas Índias”:

Entre estas Índias de leste
E as Índias ocidentais
Meus Deus que distância enorme
Quantos Oceanos Pacíficos
Quantos bancos de corais
Quantas frias latitudes!
Ilhas que a tormenta arrasa
Que os terremotos subvertem
Desoladas Marambaias
Sirtes sereias Medeias
Púbis a não poder mais
Altos como a estrela d’alva
Longínquos como Oceanias
— Brancas, sobrenaturais —
Oh inacessíveis praias!…

Para a web do Parque dos Poetas, clique aqui.

Fotos para ler: o mestre André Kertész


O fotógrafo André Kertész (Budapeste, Hungria, 1894- Nova York, 1985) foi um dos melhores fotógrafos que já existiu. Ele imigrou para Paris e depois para os Estados Unidos na época da grande guerra, ele era judeu.

Serviu, e serve, de inspiração para muitos outros fotógrafos. Separei uma série de fotos, todas de leitores. André os fotografava furtivamente em cenas do cotidiano e também foi pioneiro fazendo selfies. 

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Abaixo, um selfie de André.andre7

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É muito reconfortante, aquece o coração, observar que a leitura serviu de companhia para muita gente em situações muito desfavoráveis. E hoje, por mais tecnologia que exista, a melhor companhia continua sendo o livro.