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Quem faz a “bookesfera”? Entrevista: Francine Ramos (Livro & Café)


Os bloggers ou blogueiros de livros são uma categoria especial no mundo dos blogs. Além de entretenimento e informação, influenciam e formam novos leitores. E não pode ter influência mais interessante e proveitosa que esta.

Apesar de outras redes sociais terem bombado nos últimos anos tirando um pouco o protagonismo dos blogs, eles permanecem e permanecerão como a rede mais longeva da Internet. Para muita gente, eles já não são só um hobby, geram lucros e contatos profissionais importantes. Ser blogueiro pode ser uma profissão interessante e rentável, que te dá liberdade geográfica para trabalhar de qualquer lugar do mundo. Mas aviso: não é fácil. Gerar conteúdo para blogs literários exige responsabilidade, pesquisa, conhecimento e muita leitura.

Para tecer uma ponte entre blogueiros, tentar delimitar um pouco essa trama infinita de blogs literários e conhecer um pouco os seus idealizadores, inauguro uma série de entrevistas. Quem está por trás desses blogs tão trabalhosos e que exigem tanto esforço pessoal?

A primeira entrevistada é Francine Ramos (Sorocaba, São Paulo,  25/08/1982), criadora do blog “Livro & Café”, que acompanho desde o início (2011) e cresceu bastante.

A Fran tem formação acadêmica, é professora e pós- graduada em Literatura Inglesa. Seu blog tem muita informação e resenhas sobre a obra da inglesa Virgínia Woolf, autora paixão da blogueira.

Francine tem um canal no YouTube, veja o vídeo “Você é um leitor comum ou um leitor crítico”? 

Segue a entrevista!

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Francine Ramos, do blog Livro & Café

  1. Fran, quando começou a sua paixão pela literatura? Você lembra do primeiro livro que leu?

Eu não lembro exatamente o primeiro livro, mas tenho várias lembranças de minha infância: quando meu pai contava histórias para mim; da coleção de livro de contos clássicos que vinha com o disco de vinil junto, para ouvir a história; lembro também que eu ganhei de uma tia o livro “Heidi” e eu achava muito difícil, mas, de uma certa forma, isso me instigou, porque eu ficava curiosa e queria adivinhar a história a partir das ilustrações na obra. E lembro que, na escola, eu li o livro “O cachorrinho Samba na fazenda”. Eu li o livro e não entendi porque o cachorro não dançou samba na fazenda. Demorou um certo tempo para eu perceber que o nome dele era Samba. Hahaha

  1. Como e quando surgiu o “Livro & Café”?

O Livro & Café surgiu em 2011. Na época eu morava em Salvador (BA) e tinha um blog que chamava “A Contadora”, espaço que comecei a escrever sobre os livros que eu lia. Percebi que eu gostava realmente de escrever sobre isso, então tive a ideia de mudar o nome do blog, vincular o site a algo mais focado em literatura mesmo. Lembro que passei dias procurando por um nome, fiz uma lista enorme, até que, numa manhã, tomando café, surgiu o nome.

  1. Você encara o “Livro & Café” como um trabalho ou um passatempo? Ele gera benefícios?

Ele é um trabalho sim, mas eu tento evitar para mim mesma essa classificação para não se tornar algo obrigatório, pois sempre quero fazer pelo prazer. É claro que exige organização e muito tempo, mas quando estou cuidando do site, me sinto muito bem. É pelo site que comecei a fazer a mediação do Clube de Leitura do SESC, porque o SESC viu o meu trabalho pela internet, com a página no Facebook, principalmente. Outros benefícios são as comissões da Amazon e Google AdSense.

  1. Você fundou uma espécie de clube de leitura em Sorocaba, sua cidade natal. Conta sobre ele, quando e onde acontece?

Então, o SESC aqui de Sorocaba, viu meu trabalho nas redes sociais e me convidou para uma conversa, rapidamente nos entendemos e começamos a fazer o clube de leitura. Ele acontece todo mês, no SESC Sorocaba.

  1. Eu te conheci por causa de sua paixão por Virgínia Woolf, seu blog é uma referência sobre a autora. Conta sobre esse amor e qual o seu livro preferido da autora.

A Virginia Woolf é o motivo para eu ter me tornado uma leitora, porque, antes, eu gostava de ler, mas eu ficava apenas “paquerando” os livros. A partir de uma frase que li dela – em um livro que não lembro o nome, mas era da área de sociologia – eu fiquei curiosa para saber quem era aquela mulher. Então, comecei a pesquisar e ler os livros da autora. Fui me apaixonando cada vez mais. De repente, na mesma época em que eu decidi mudar de profissão (eu era Contadora de uma empresa de médio porte), aproveitei para mergulhar em outros livros e estudar Letras.

  1. Eu conheci o “Livro & Café” no comecinho, o blog cresceu muito, a que você atribui esse sucesso? Que dicas você pode dar para novos bloggers literários?

Organização e paixão. Acho que essas duas palavras podem mover muita coisa. E também tempo! Tudo o que publico no site é fruto de pesquisa e muita leitura. Gosto também de saber o que os outros blogs/sites estão publicando e, principalmente, quais escritores estão em destaque, sejam contemporâneos ou clássicos. Outra dica valiosa é conhecer um pouco sobre web designer, HTML, programação, SEO, WordPress etc, pois isso facilita muito a vida.

  1. Além de você, quem está por trás do “Livro & Café”, quantos na sua equipe?

Hoje a equipe conta comigo mesma! rs Sou eu que organizo tudo, mas eu tenho bons amigos que me ajudam com posts, ideias e também na divulgação. São pessoas que conheci também pelo site que, por gostarem da proposta do site, mandam textos para publicação. Eles ficam muito à vontade para contribuir quando é possível, pois são pessoas que possuem outros trabalhos, estudos e profissões.

  1. Recomenda um livro aos leitores do “Falando em Literatura…”, um que eles não podem deixar de ler de jeito nenhum.

Ao Farol, de Virginia Woolf. É um dos livros mais bonitos que li na vida. Eu poderia recomendar outros da autora, mas acredito que Ao Farol combina com o público do “Falando em literatura…”. O livro possui um enredo simples – a história de uma família que decide fazer um passeio até um farol – porém, as relações familiares caminham para algo muito difícil, de uma profundidade psicológica incrível.

  1. Até onde você deseja ou pretende chegar com o “Livro & Café? Algum projeto?

Eu gostaria que o Livro & Café se tornasse uma revista literária. Estou trabalhando para isso, mas faço tudo no meu tempo, no tempo possível, pois, além do Livro & Café, sou professora de Língua Portuguesa uma escola bilíngue aqui em Sorocaba.

  1. Qual sua relação com os autores? Eles são acessíveis, levam a sério o blog?

Não me relaciono muito com os escritores, não. Percebo que eles se mantem um pouco distante deste mundo, não sei se por desconhecimento ou preconceito. Por mais que seja pouco, percebo que a crítica literária em um jornal conta muito mais que as resenhas escritas em site ou divulgadas em vídeos no You Tube, por exemplo. Eu gostaria também de manter uma relação com os jovens autores, que sempre procuram o site, porém, eu prezo muito pela qualidade dos livros que leio (lembrando que o meu conceito de qualidade tem a ver também com o meu gosto pessoal, é algo muito subjetivo), então, os jovens autores que me procuram, escrevem sobre temas que eu não considero interessante. E os livros que eu gosto, os autores são distantes. Que dilema!

  1. Você gera um benefício social falando sobre obras importantes da literatura nacional e estrangeira, mas, o que a literatura faz por você?

Eu acredito que se eu não tivesse seguido o caminho dos livros, eu seria uma pessoa muito diferente do que sou hoje. E eu gosto de ser quem eu sou. Sem os livros, eu não conseguiria me colocar no lugar do outro, tampouco me emocionar com as pequenas coisas da vida. A literatura, por fim, parece ser isso: uma investigação sobre o que é a vida, seus prazeres e dores.


Quer conhecer mais o conteúdo de Francine Ramos? Clica no Livro & Café.

Instagram: @fran_livroecafé

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7 Comments »

  1. Meu primeiro livro foi um que meu pai me deu, quando fui alfabetizada na primeira série. Me lembro até hoje, tinha capa dura vermelha, e várias estórias de bichinhos como lebre, ursinho, raposas. adorei. Ensinei meus filhos a lerem desde pequenos, comprava livros de tecidos para eles brincarem desde bebês. Até hoje frequentamos livrarias e adoramos ficar horas lá dentro, pesquisando o que iremos levar para casa. Muito bom ler, ler é melhor que estudar. Eu li essa frase uma vez na bienal do livro em São Paulo e concordo com ela. Pois quem lê muito já está estudando sozinho. É autodidata. E isso é bom demais.

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