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PDF grátis : “O livro do desassossego”, de Fernando Pessoa


“O livro do desassossego” , do lisboeta Fernando Pessoa (1888- 1935) é uma das obras mais fascinantes da nossa língua portuguesa. Pessoa utilizou um heterônimo, Bernardo Soares, para assinar a obra. Pessoa era tão rico, vasto e intenso, que um só era pouco, teve que criar personagens para poder expressar toda a sua arte.

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A obra é uma espécie de diário, pensamentos, reflexões, tudo muito profundo, existencial. Talvez seja o livro que mais tenha mostrado o escritor pessoalmente.  Inclusive, Bernardo trabalha num escritório na Baixa de Lisboa,  onde Fernando também trabalhava. Há uma série de similitudes do personagem com o autor, o que nos faz pensar que é um ortônimo, ou seja, ele mesmo. Podemos sentir toda a sua solidão, temores, o que ele achava da vida, da morte, do amor e vários outros temas sobre o homem e a sua existência. Uma alma realmente intranquila, desassossegada, angustiada e, por vezes, pessimista (ele diz que é triste). No prólogo da edição de referência que deixo no final do post, conta que Bernardo é a máscara que Fernando utilizou para fazer confissões pessoais. A visão que Fernando tinha de si mesmo era dura, parece que não era feliz mesmo, mas… como ser feliz sabendo e sentindo tanto?! A felicidade é só para os inocentes e/ou ignorantes.

Fernando escreveu um prefácio dizendo que passou a observar Bernardo, um homem que frequentava o mesmo restaurante que ele. Descreveu suas impressões sobre o rapaz (p.8):

Era um homem que aparentava trinta anos, magro, mais alto que baixo,
curvado exageradamente quando sentado, mas menos quando de pé, vestido
com um certo desleixo não inteiramente desleixado. Na face pálida e sem
interesse de feições um ar de sofrimento não acrescentava interesse, e era
difícil definir que espécie de sofrimento esse ar indicava — parecia indicar
vários, privações, angústias, e aquele sofrimento que nasce da indiferença que
provém de ter sofrido muito

É um livro póstumo. Reuniram textos dispersos encontrados no espólio do autor e o livro foi publicado quase cinquenta anos depois da morte de Pessoa.

O livro inteiro é destacável. Esse é para ter na cabeceira, vale a pena ler e reler. Separei algumas frases que gosto:

“Tudo me interessa e nada me prende.”

“Tenho fome da extensão do tempo e quero ser eu sem condições.”

“Há em olhos humanos, ainda que litográficos, uma coisa terrível: o aviso inevitável da consciência, o grito clandestino de haver alma.”

“Não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou.”

“Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa- não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas para aquele respeito alheio a nós mesmos, a que propriamente chamamos de asseio.”

“A solidão desola- me; a companhia oprime- me. A presença de outra pessoa descaminha- me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distração especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir.”

” Cada um tem a sua vaidade, e a minha vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma igual. A minha vaidade são algumas páginas, uns trechos, certas dúvidas…”

“Nunca vou para onde há risco. Tenho medo a tédio dos perigos.”

“Entre mim e a vida há um vidro ténue. Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não posso lhe tocar.”

“A minha vida é como se me batessem com ela.”

“Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!”

“A vida prejudica a expressão da vida. Se eu tivesse um grande amor nunca o poderia contar.”

“A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida”.

“Somos todos míopes, exceto para dentro. Só o sonho se vê com o olhar.”

“Eu não sou pessimista, sou triste.”

“Omnia fui, nihil expedit- fui tudo, nada vale a pena.”


O livro já é de domínio público e pode ser encontrado facilmente na Internet (Domínio Público, iBooks…). Vou deixar uma edição para quem quiser fazer o download. É um PDF que está correto e a capa é bem bonita, uma foto de da extensão do tempoFernando no Chiado, bairro no centro de Lisboa que o autor costumava frequentar. Clica no link:

Livro do Desassossego-Fernando Pessoa- www.falandoemliteratura.com

fernan

 

 

 

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