A última oração


Já que um músico ganhou o Nobel 2016, vamos começar a apostar pelos nossos: Caetano, Gil, Chico, Djavan, Milton, todos têm muitas possibilidades. E quem sabe, até A Banda Mais Bonita da Cidade

Oração

Meu amor, essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor, essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor, essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração

A banda mais bonita da cidade (vídeo)

Puro pretexto pra postar algo desta banda que adoro:  🙂

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Primeiro dia da Feira do Livro de Madri (vídeo)


Irei reativar o canal Falando em Literatura no YouTube. Não sei se tenho pique para ser “booktuber”, mas pelo menos meus passeios literários irei colocando por lá. 


Eu tinha colocado esse vídeo no meu canal pessoal, mas acabei desistindo desse, meu caso mesmo é com a literatura.

 O vídeo foi editado e está disponível no canal, vai lá ver, inscreva- se e deixe o link para o seu, pois também quero conhecer o seu canal.

A Feira do Livro de Madri 2017 escolheu Portugal como país homenageado. A inauguração foi na última sexta com a presença de muitas autoridades espanholas e português esse, inclusive os reis da Espanha e o presidente de Portugal. Detalhe: ganhei tchauzinho dos reis.

 Hoje irei por gravar algumas conferências sobre Lobo Antunes e Saramago,  depois conto pra vocês.
Falando em Literatura no YouTube.

Resenha: “Intimidade”, do inglês Hanif Kureishi


“Ferir alguém é um ato de involuntária intimidade” (p.08)

Ler esse livro foi como entrar em um profundo transe, um abandono completo do mundo exterior. Poucos livros têm me despertado essa sensação, terminei impressionada. Isso sim é boa literatura, intensa e o motivo de manter esse blog há nove anos!

Hanif fez o difícil parecer muito fácil. É um dos melhores livros que li nos últimos tempos. A resenha saiu grande, tenha paciência, quando o livro é bom eu me empolgo. Nem falei sobre a bio do autor, fica para um próximo post.


Como é acabar um casamento? O que passa pela cabeça das pessoas que querem se separar?

Esse é um romance psicológico que faz refletir muito sobre sentimentos, necessidades e relações, o fim de um relacionamento importante e tudo o que isso implica. A maior parte da narrativa o autor nos joga dentro dos pensamentos do protagonista. A história descreve a agonia de um homem, Jay, de quarenta e poucos anos, que deseja acabar com o seu casamento de seis, com dois filhos pequenos. Luta entre a necessidade do ser e a obrigação, a pena contra a ânsia de liberdade. A estabilidade contra a falta de desejo. A hipocrisia contra a verdade. O imposto pelo real. O real: um amor do passado, que nunca passou.

Conforme vai contando os detalhes do seu casamento, compreendemos o que sente e entendemos que ninguém merece viver dessa forma. A maioria das pessoas julga o fracasso de um casamento, “qual o problema deles?”, sem nenhum conhecimento de causa. Ah, levianos…

“Será amanhã”, está convencido da decisão, mas não encontra a melhor forma, a que provoque menos dor. Tem consciência que vai machucar a família, mas é inevitável. E fica a briga entre a razão e a emoção. Começa a argumentar, encontra vários motivos e vê que ele não é um louco irresponsável. Muitos casamentos, cada vez menos (ainda bem) são uma cárcere de pena perpétua, asfixiam.

Jay não suporta Susan, está cansado fingir, de não poder ser realmente quem é. A mulher é do tipo de pessoa que sempre fala mal de alguém, porque assim parece que ela é melhor, sabe? Susan é exigente com os outros, cheia de cobranças.

O narrador- personagem com pretensão à fuga começa a descrever a vida familiar, a intimidade do casal, o dia a dia maçante. As crianças pedem biscoitos, ele as serve como se fosse um mordomo, elas não agradecem e nem tiram os olhos do televisor.  A casa confortável, mas não tem nada a ver com ele, tudo do gosto da mulher, com os móveis e objetos que ela gosta.

“Mas não me sinto em casa na minha casa, Amanhã pela manhã abandonarei tudo isso. definitivamente. Adeus.” (p. 14)

Ele senta no chão ao lado das crianças. Quer gravar bem na memória todo o mal estar que sente para poder recordar depois, na casa do amigo Victor, para não voltar atrás. Sente até náuseas, vontade de gritar. Sabe que vai poder ver os filhos quantas vezes quiser, mas também é consciente que vai sentir falta de algumas coisas, a voz filhos, vê- los andar de bicicleta, por exemplo,  tudo relacionado com as crianças.

Ele, com a vida acomodada, roteirista de televisão e cinema, “tem tudo para ser feliz”, como costumam dizer…mas e os sentimentos? Essa parte as pessoas normalmente não levam em consideração, como se o mundo interior fosse menos importante, fraqueza, por isso a depressão vem sendo um grave problema. Sentimento é tabu.  Fingir que não sente é como se estivesse tudo resolvido. Não está.

(…) é melhor que as coisas nos provoquem medo, que tédio. A vida sem amor é um tédio inacabável. (…) É fácil matar- se sem morrer. (p.17)

Ele conta o tempo que passou deprimido, anos, e chega à conclusão que foi maior que todo o prazer sexual que sentiu no casamento. Ele não quer ser como muitos que “aceitam um estado de relativa infelicidade, como se fosse uma obrigação”. (p.17)

E até por preguiça, não é? Por acomodação, falta de coragem, medo, covardia, por achar que o padrão se repetirá. Ele compara a esposa com a mãe. Muitas esposas, com fim de manter seus casamentos falidos, assumem esse papel. Problemas de auto- estima/dignidade/valores caducos ou falta de recursos financeiros- estas últimas estão perdoadas, as primeiras, não.

Uma frase que achei muito interessante, quando Jay fala da vulgaridade da televisão e sobre uma coisa que  detesta: “a democratização forçada do intelecto“. Os governos populistas tentam democratizar a universidade, mas esse é um caminho equivocado. A universidade não deve ser democrática,  é uma das poucas coisas que não devem ser assim, pois precisa ser um campo de excelência e das ciências superiores, onde devem estar os melhores. Não fomentemos a era da mediocridade também nas universidades.

Voltando ao nosso protagonista: ele começa a somatizar a ansiedade, vai para o corpo toda a agonia de viver uma vida que não quer. As coisas do coração deixam marcas profundas, as melhores e piores na vida das pessoas.

“Me palpita o nervo ocular. Parece que tremem as minhas mãos. Me sinto vazio e os nervos em carne viva, como se me tivessem enfiado algo mortal. Meu corpo sabe o que passa (…) (p. 25)

Jay recorda um amor do passado, não consegue esquecer Nina;

(…) sempre estará comigo de certa forma (…). Ainda sou incapaz de deixá- la ir embora. (p.26)

Ele perdeu o apetite. A esposa acaricia o seu rosto, enquanto ele pensa em Nina. Essa traição (involuntária e incontrolável), talvez seja a pior, a física não é nada perto disso. Mas Susan é muito perspicaz, como a maioria das mulheres:

 “Talvez ela perceba a velocidade e confusão dos meus pensamentos”. (p.26)

Se ela fosse irresponsável, seria mais fácil, mas Jay não encontra argumentos práticos: ela é uma esposa fiel, excelente dona de casa, ótima cozinheira e mãe. Um “eu sempre amei mais outra pessoa que você”, bastaria?

Ela é uma mulher eficaz e organizada. Nossas geladeiras e congeladores sempre estão cheios de sopa, verduras, vinho, queijos e sorvetes; as flores e arbustos do jardim estão perfeitamente classificados; a roupa das crianças, lavada, passada e dobrada (…) (p.29)

Outro dia eu li algo interessante sobre os diferentes tipos de amor (desculpe a falta de referência bibliográfica, foi folheando um livro na biblioteca),  classificando- o em dois tipos: “o amor de alma” e o “amor funcional”. O amor de alma (a “alma- gêmea”) é um amor que quase nunca dá certo, porque ambos não conseguem administrar a intensidade. É algo tão forte e incontrolável que assusta (sorte de quem consegue, é o sentimento mais incrível e inexplicável que existe!); já o amor funcional, a grande maioria dos casos, é aquele que funciona, justamente porque é morno, fácil de controlar, previsível, o amor funcionário público, mas também não é pra todo mundo, muita gente não suporta.

O nosso protagonista não conseguiu ficar nesse tipo de amor funcional,  ele escolheu o movimento, preferiu desconstruir para construir algo melhor. Cita um verso de um poema que leu na juventude, “Em movimento”, de Thom Gunn (p.28):

Alguém sempre está mais perto quando não fica quieto.

A mulher é muito previsível e isso o irrita. Eles se conhecem desde crianças. Começa a descrever o psicológico da mulher. Ela sempre pensando em reformas da casa. Lê livros sobre culinária. No casamento está tudo muito bem dividido, cada um com suas tarefas. E confessa (p.31):

Não foi sua inteligência nem beleza que me fascinaram. Nunca houve uma grande paixão; talvez esse seja o problema. Mas houve satisfação. Eu gostava da sua destreza e habilidade para sair de problemas. Não estava indefesa diante o mundo, diferente de como eu me sentia. Ela era sincera e firme, sabia como fazer as coisas bem; sempre invejei a sua capacidade; me conformaria em possuir só metade do que ela tem. (…) Se eu fosse muito forte e capaz, não precisaria dela e teríamos que nos separar.

Isso é típico do “amor” funcional: a utilidade. O coração é que deve escolher.

No trabalho, Susan é cruel com quem é inseguro e não tem nenhuma piedade em fazer com que o outro se sinta inútil. O vigor de Susan é esgotador, ela não cansa de repetir mil vezes sobre o esplendor da sua alma e mente. É implacável, mas fingida, sempre tem no rosto um sorriso (falso). É tão auto-suficiente, nunca se decepciona consigo mesma, jamais vai cair num caos interior, porque calcula tudo muito bem, é fria, quase maquiavélica.

É tirana, dura, severa, raramente chora, mas estoura com facilidade. É esnobe e fútil, adora títulos e admira quem tem classe social superior. Jay odeia isso, detesta a “putrefata” casta social, que ela adora participar ativamente.

Jay nunca tem tempo para os próprios pensamentos e a satisfação de não fazer nada. “Não fazer nada era a melhor maneira de fazer algo” (p.52). Ele percebe um certo desespero na hiperatividade da esposa, “como se fosse o seu trabalho o que a mantivesse inteira.” (p.52).

As coisas e pessoas frágeis não se sustentam por si sós, usam escudos: trabalho, religião, casamento, esportes (em excesso). Pensar e perceber as mataria.

Foi a esposa que o afastou do seu auto- conhecimento, de ter opinião, decisão e necessidades próprias, porque foi se acostumando a todas as situações que lhe foram sendo impostas, ou seja, uma marionete, subterfúgio, escada para as necessidades da mulher.

Jay repete toda hora: “hoje é o ultimo dia”, “amanhã acaba tudo”. Ele quer se livrar das ordens da esposa tirana, que ele não gosta e sempre acaba fazendo tudo o que ela quer.  A mulher nota que o marido está deprimido e o chama para conversar. Cobra coisas e até uma foto dela na sua escrivaninha. Mas a foto que ele deseja é a de Nina (p.40):

Se tão só eu pudesse ver o seu rosto outra vez. Mas nem sequer tenho uma fotografia.

(…) Minha infelicidade não beneficia a ninguém, nem a Susan, nem aos meninos, nem a mim mesmo. Mas, talvez a felicidade- esse estado que se experimenta uma satisfação global, em que a pessoa tem tudo, incluída a música- é o resultado de uma aprendizagem. E é óbvio que não encontrei nesta casa. Talvez não tenha procurado ou não soube assimilá- la.” (p.41)

Eu poderia destacar o livro todo, muito bom! Ele dá respostas sobre a infelicidade em casamentos aparentemente estáveis. O personagem não estava disposto a cumprir as expectativas sociais, as aparências, em detrimento da sua morte diária como homem, como pessoa, como ser independente. Matar a pessoa como se isso fosse obrigação, um assassinato consentido, é caro demais, não acha? Ele mesmo se faz a pergunta e dá a resposta (p.42):

Quando as coisas começaram a ir mal com Susan? Quando eu tirei a venda dos olhos, quando decidi que queria ver as coisas.

Fingir que as coisas não existem, não as farão desaparecer. Que bom seria se todos nós afrontássemos as verdades com todas as suas consequências. O casamento como forma de controle, não de prazer. Adivinha quem inventou essas regras? Na minha opinião, a instituição mais fake e desmoralizada que já inventaram (p.44):

O povo não quer que desfrutes demais, acreditam que é ruim para você. Poderíamos começar a desejar todas as horas. Que perturbador é o desejo! É um demônio que nunca dorme nem está quieto. O desejo é travesso e não se dobra aos nossos ideais e por isso temos tanta necessidade dele. O desejo zomba dos nossos esforços humanos e os fazem dignos de consideração. O desejo é o anarquista mais antigo e o primeiro agente secreto (…). E justo quando acreditamos que o temos baixo controle , nos decepciona e nos enche de esperança.

São os homens que têm que ir embora. A culpa fica com eles, como culpariam a mim. Entendo a necessidade de culpabilizar; a ideia de que alguém com mais vontade, coragem ou sentido do dever havia agido de outra maneira. Tem que haver, em alguma parte, a vulneração deliberada da moral que vá mais longe que a simples anarquia, para preservar a ideia de justiça e de sentido no mundo”.

Sobre “são os homens que têm que ir embora”, não concordo, isso independe do gênero. Uma escolha errada é fácil de acontecer por muitos motivos, mas isso não tem que ser cadeia perpétua, sempre é tempo de ratificar.

Jay começa a pensar no seu (excelente) pai e no que ele pensaria se estivesse vivo. Começam os problemas de consciência. Sabe que seu pai ficaria horrorizado com a sua fuga escondida, indigno, desleal. Susan procurava o sogro quando eles brigavam e o homem repreendia o filho em prol da mulher, “ela é uma joia” (p. 54). O senhor, machista, achava que as mulheres não podiam valer- se sozinhas, o filho herdou um pouco isso também. O pai de Jay, falecido há seis anos, era funcionário público e escritor. O fracasso fazia mais fortes as convicções do homem, “Era um tipo duro” (p. 55). Para o seu pai tudo devia ser feito sem nenhuma espécie de recompensa, assim pensava:

“O matrimônio proporciona poucos prazeres. Não podes ir embora e aproveitar a vida. Tanto ele como mamãe estavam frustrados e eram incapazes de encontrar uma maneira de conseguir aquilo que desejavam, fosse o que fosse. Mas mantinham a fidelidade e honestidade um com o outro. Mas infiéis e desonestos consigo mesmos.” (p. 56)

Um casal de classe média baixa dos anos cinquenta jamais teria se separado. Meus pais permaneceram debaixo do mesmo teto a vida inteira. (p.57)

 Grave é que isso continue acontecendo em 2017, não é? A mãe de Jay preferia passar o dia todo fora, que em casa com o marido, estar com outras pessoas era mais agradável.

Susan o acusa constantemente de falta de entrega. Ele tentava, mas… (p.59)

Creio que a mente sempre está concentrada..em alguma coisa que interessa (…) como o rosto de Nina e as carícias dos seus dedos compridos.”

(…) Continuo considerando minha falta de amor por Susan uma fragilidade, um fracasso de que sou responsável.

E mais uma parte do drama sentimental e dos absurdos que as pessoas se submetem (p.62):

 – Quando penso que minha mulher e eu estivemos juntos todas aquelas noites e aqueles anos estéreis e complicados, não entendo nada. talvez fosse uma espécie de idealismo louco. Eu havia feito uma promessa que teria que cumprir a qualquer preço. Mas, por quê? O mundo jamais se recuperaria com o fim do meu casamento (…) era uma obsessão absurda e cega”.

Jay começa a pensar em coisas triviais como a roupa que vai levar na sua fuga. A única coisa que pensa são em alguns ternos (ele foi indicado a um Oscar), sapatos elegante e confortáveis, a fotografia autografada de John Lennon e alguns discos.

Não pense que ele quer desfazer seu casamento por Nina. Jay tem consciência que ninguém vai substituí- la. Ele quer ir embora por si mesmo e para acabar com a farsa. Antes,  pediu Nina em casamento. Ela não quis.

Jay não leva muito em conta a opinião de sua mãe, ela também queria fugir no seu tempo, mas não tinha dinheiro. Sabe que a mãe vai dizer que é ruim para as crianças. O machismo vomitivo:

“Susan se sentia orgulhosa de mim. Um homem pode proporcionar a uma mulher dignidade e status”

“Ela preferia uma relação desequilibrada e deteriorada a não ter nenhuma” (p.71)

Susan trabalha muito e mesmo muito cansada, mas não falta aos muitos eventos sociais que é convidada. Adora ser popular e requisitada, ter muitos contatos, pois para ele isso é símbolo de um bom status. Jay sabe que ser uma mulher separada será um drama para Susan.

Uma mulher de meia idade com filhos não tem muito “charme” e Susan sabe disso. (p.70) Eu usei um eufemismo para “charme”, na verdade, o autor usou “cachê”. Jay e Susan são misóginos e sexistas. Pior é a mulher, porque joga pedra no próprio telhado. Mas a história é reflexo, não poderia ser diferente.

Ele não suporta a mulher, mas continua pensando em ter relações sexuais com Susan. Esse é um tabu desfeito, creio. As pessoas já sabem diferenciar um desejo físico de amor até nos últimos minutos antes de dormir, na sua última noite na casa; aliás, a história toda acontece nessa noite. Jay dá exemplo da cultura indiana: os casais “copulam” quando sentem necessidade e depois cada um vai para o seu lado, que nessa cultura as relações não são muito românticas.

Jay é completamente apaixonado por Nina. Ele não entende o motivo. O amor quando chega, não se explica, é impossível, às vezes nada tem a ver com o que desejamos. O amor é um bicho desgovernado. Ele se entregou à Nina, inevitável.

Eu podia ter me esforçado mais com Susan? (p.86)

Nenhum esforço é suficiente, é só um prolongamento da mentira, das aparências. Amor não se força, se o amor dependesse da nossa vontade, que maravilha seria!

Caros amigos e amigas, não desanimem. O amor, o dos bons, existe sim.  Reciprocidade é a chave. Todo mundo deseja esse tipo de amor, nada é tão incrível e fascinante como ele. Quando você estiver com alguém que algo consiga parar os ponteiros do relógio no seu mundo, preste muita atenção. É ele ou ela. 

Esse livro me escolheu, não fui eu quem o escolhi. O caixa da Casa del Libro que me indicou: “quer ler um livro fantástico sobre o amor?”. Eu não sabia que esse livro, assim do acaso, se tornaria um dos meus preferidos.

Pessoal, o final me fez chorar.


Abaixo, Hanif Kureishi. Eu o conheci pessoalmente em Madri. Tenho outros dois livros do autor autografados, veja aqui, que espero ler o mais brevemente possível.

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E essa é a edição espanhola lida, espero que você o encontre na sua cidade, um dos livros mais fantásticos da vida! O nome original em inglês é “Intimacy”.

18768621_800383593450536_9012993706213832746_oKureishi, Hanif. Intimidad. Anagrama, Edição limitada, Barcelona, 2015. Páginas: 143

Você conhece Gertrude Stein?


A escritora Gertrude Stein (Pittsburgh, 03/02/1874- Paris, 27/07/1946) poeta, biógrafa e romancista, era amiga pessoal de vários escritores e pintores, inclusive Picasso, Matisse, Hemingway e Joyce, por exemplo. A biografia dela é muito interessante, merece um post exclusivo, que espero fazer em breve.

56-284966-5225360456-769966a61b-oGertrude e o seu retrato feito por Picasso (1906).

A autora ficou popularmente conhecida depois do filme de Woody Allen, “Midnight in Paris”, ela é uma das personagens.

O tradutor brasileiro, Elton Uliana, mestrando em Tradução na University College em Londres, gentilmente nos enviou a tradução de “Tender Buttons” (1914). Ele teve a máxima atenção com os detalhes, não quis modificar nem uma vírgula do texto original.

“Botões ternos” é a primeira obra de Stein publicada em inglês, onde ela transportou à arte verbal a sua experiência com as obras de arte tão presentes em sua vida. É uma experiência semiótica interessante, que inovou e abriu caminhos. A linguagem pode ter infinitas possibilidades, experimentar e criar coisas novas é preciso. A linguagem é tão plástica quanto uma obra de arte.

O conto de Gertrude Stein é uma viagem literária muito interessante. Veja a tradução de Elton Uliana (obrigada!):


BOTÕES TERNOS

Objetos · Comida · Quartos

Gertrude Stein

UMA GARRAFA, OU SEJA, UM VIDRO CEGO.

Um tipo de vidro e um primo, um espetáculo e nada de estranho uma única cor ferida e um arranjo em um sistema para apontar. Tudo isso e  não ordinário, não desordenado em não se assemelhar. A diferença está se espalhando.

BRILHO VITRIFICADO.

Níquel, o que é o níquel, é originalmente livre de uma tampa.

A mudança nisto é que o vermelho enfraquece a hora. A mudança chegou. Não há procura. Mas há, há aquela esperança e aquela interpretação e, por vezes, com certeza qualquer uma é indesejável, em algum momento há respiração e haverá uma sinecura e um encanto muito encanto é limpo isto e purificador? Certamente o cintilante é bonito e convincente.

Não há gratidão em misericórdia e na medicina. Pode haver quebras em japonês. Isso não é programa. Isso não é cor escolhida. Foi escolhida ontem, que mostrou cuspir e talvez lavar e polimento. Certamente não mostrou nenhuma obrigação e, talvez, se empréstimo não é natural há alguma utilidade em dar.

UMA SUBSTÂNCIA NUMA ALMOFADA.

A mudança de cor é provável e uma diferença uma muito pequena diferença é preparada. Açúcar não é um vegetal.

Insensível é algo que endurece as folhas por trás do que vai ser suave se houver um interesse genuíno em que estejam presentes tantas mulheres quanto homens. Faz isto alguma alteração. Isto mostra que a sujeira é limpa quando existe um volume.

Uma almofada tem esta capa. Suponha que você não gosta de mudar, suponha que é muito limpo que não haja nenhuma mudança na aparência, suponha que não há regularidade e roupa isto é pior que uma ostra e uma permuta. Chega a estação em que há qualquer uso extremo em penas e algodão. Não há muito mais alegria em uma mesa e mais cadeiras e muito provavelmente redondeza e um lugar para colocá-las.

Um círculo de fina cartolina e uma oportunidade para ver um pingente.

Qual é o uso de um tipo violento de deleite se não há prazer em não ficar cansado disso. A questão não vem antes que haja uma cotação. Em qualquer tipo de lugar há uma tampa para a cobertura e é um prazer de qualquer modo há alguma aventura em se recusar a acreditar em absurdo. Isto mostra que utilidade há em uma peça inteira se alguém usá-la e é extrema e muito provavelmente as pequenas coisas podem ser mais queridas mas em qualquer coisa há uma barganha e se há a melhor coisa a fazer é levá-la para longe e usá-la e depois ser imprudente ser imprudente e resolvida em retornar a gratidão.

Azul claro e o mesmo vermelho com roxo faz uma mudança. Isso mostra que não há erro. Qualquer rosa mostra isto e muito provavelmente isto é razoável. Muito provavelmente não deve haver um  presente sedutor mais fino. Algum aumento significa uma calamidade e esta é a melhor preparação para três e mais estarem juntos. Um pouco de calma é tão comum e em qualquer caso há doçura e um pouco daquilo.

Um selo e fósforos e um cisne e uma hera e um terno.

Um armário, um armário não se conecta debaixo da cama. A banda se é branca e preta, a banda tem uma corda verde. Uma visão uma visão total e um pequeno gemido rosnando faz de um corte um canto tão docemente triturado e uma coisa vermelha não uma coisa redonda, mas uma coisa branca, uma coisa vermelha e uma coisa branca.

A desgraça não está na falta de cuidado, nem mesmo na costura ela sai para fora do caminho.

Como é a faixa da cintura. A faixa não é como qualquer coisa mostarda não é como a mesma coisa que tem listras, não é nem mais doída que isto, ela tem uma parte superior.

UMA CAIXA.

Da bondade vem vermelhidão e da grosseria vem rápida a mesma pergunta, de um olho vem pesquisa, da seleção vem gado doloroso. Então a ordem é que uma forma branca de ser redonda é algo que sugere um alfinete e é decepcionante, não é, é tão rudimentar ser analisado e ver uma substância fina estranhamente, é tão sério ter um verde apontando não para o vermelho mas para apontar novamente.

UM APARELHO DE CAFÉ.

Mais que duplo.

Um lugar em nenhuma mesa nova.

Uma única imagem não é esplendor. O sujo é amarelo. Um sinal de mais em não mencionar. Um aparelho de café não é um detentor. A semelhança com o amarelo é mais suja e mais distinta. A mistura limpa é mais branca e não cor de carvão, não mais cor de carvão do que completamente.

A visão de um motivo, a mesma visão mais ligeira, a visão de uma resposta negativa mais simples, a mesma sirene dolorida, a intenção de desejo, o mesmo esplendor, o mesmo mobiliário.

O tempo para mostrar quando uma mensagem é tarde demais e mais tarde não há nada de se pendurar em ruínas.

Uma cor rosa-madeira não rasgada. Se não é perigoso então um prazer e mais do que qualquer coisa se é barato não é mais barato. O lado engraçado é que quanto mais cedo houver menos mais certo é a decaída da necessidade. Supondo que o caso continha rosa-madeira e uma cor. Supondo que não houve nenhuma razão para angústia e mais provavelmente para um número, supondo que não houve espanto, não é necessário que se misture espanto.

A decisão de limpar os móveis é uma forma de não quebrar e desmantelar. A única maneira de usar o costume é usar sabão e seda para a limpeza. A única maneira de ver o algodão é ter um desenho concentrando a ilusão e a ilustração. A maneira perfeita é acostumar a coisa a ter um forro e a forma de uma fita e ser sólida, muito sólida em pé e usar um peso pela manhã. Isto é leve o suficiente. Isto tem forma agradável. Muito agradável não pode ser um exagero. Enfático demais pode ser sinceramente desmaiante. Pode ser estranhamente bajulador. Pode não ser estranho em tudo.

Tradução: Elton Uliana

Resenha: “A teoria de tudo”, de Stephen W. Hawking


Esta é uma obra que eu estava com muita vontade de ler desde que assisti o filme em 2014, “A teoria de tudo”, baseado na autobiografia da ex-mulher de Hawking, Jane Wilde, que mostrou a vida do casal, ainda namorados na universidade e como surgiu a doença do cientista, além de todas as suas consequências.

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Stephen e Jane no dia do casamento

Mas não confunda: esse livro não tem nada a ver com o filme, esse é de caráter científico e reúne sete conferências do cientista inglês Stephen Hawking (Oxford, 08/01/1947), que padece ELA- Esclerose Lateral Amiotrófica ou doença de “Lou Gehrig”. A síndrome levou o nome de um dos maiores jogadores de beisebol americano que sofreu esse mal degenerativo e incurável.

Tenho uma boa notícia: lembra daquele desafio do balde de gelo que rolou entre os famosos em 2014? Foram arrecadados 115 milhões de dólares e com esse dinheiro foi possível avançar na investigação da doença. Descobriram três genes e um deles é responsável por 65% dos casos. Identificando aonde está o mal, pode ser que avancem também no tratamento e, quem sabe, encontrem  uma solução. Fé na Ciência!

lou-gehrig-062415-sn-ftrjpg_71l5redgftrc12onri2qfdijd.jpgLou Gehrig

Hawking é físico, matemático, doutor pela Oxford e uma inspiração para todos. Uma pessoa admirável, que mesmo com uma doença tão difícil, fez e ainda faz coisas geniais, ele é um dos físicos teóricos mais proeminentes da atualidade e ainda tem um senso de humor incrível, já participou de alguns episódios de The Big Bang Theory e é uma clara inspiração para os roteiristas.

stephen

Devido à sua paralisia, ele usa um sintetizador de voz que desenvolveu junto com a Intel, o software está disponível gratuitamente  na Internet, chama- se ACAT.

O cientista casou duas vezes e tem três filhos. Uma das filhas, Lucy, é escritora.

Vamos ao livro.  O cientista fez um prólogo explicando o teor de cada conferência. A obra científica tem uma linguagem acessível e pode ser lida por qualquer pessoa, de qualquer idade. O autor percorreu a história do pensamento científico desde o principio, desde a época dos filósofos gregos até a atualidade. Ele chama “a história da história do universo” (p.11).

Primeira conferência: Ideias sobre o Universo

Hawking começa citando Aristóteles, que em 340 a.C., no livro “Sobre o céu” já achava que “a Terra era uma bola redonda” e não um “disco plano”. Sabe como ele descobriu? Com vários argumentos muito inteligentes, pela observação da natureza, entre eles, que “a sombra da Terra sobre a lua era sempre redonda, o que só podia ser certo se a Terra fosse esférica”. (p.15)

Ptolomeu também contribui para a Ciência observando os planetas e suas trajetórias no século I.d.C., ele criou um modelo do Cosmos bem razoável, que serviu para localizar a posição dos corpos celestes. E Nicolau Copérnico (sacerdote polaco), muito depois, em 1514, ofereceu um modelo mais simples, mas certeiro: foi dele a proposta de que o sol estava em repouso no centro e que a Terra e os planetas circulavam ao seu redor, a teoria “heliocêntrica” que a gente estuda na escola. Coitado, ninguém o levou a sério. Copérnico merece um estudo à parte, foi uma figura incrível.

Um século depois de Copérnico, dois caras retomaram a teoria heliocêntrica: Johannes Kepler e Galileo Galilei, esse último inventou o telescópio e começou a observar o céu noturno. Foi Kepler que revisou a teoria de Copérnico e comprovou que os planetas não se moviam em círculos e sim em elipses.

Hawking ainda cita Newton, Bentley, Olbers e a teoria da gravidade universal; também fala sobre as origens do universo, desde a visão bíblica ao big bang.

Segunda conferência: o universo em expansão

Aqui ele fala sobre a Via Láctea. O cientista americano Edwin Hubble demonstrou em 1924, que a nossa não era a única galáxia. Esses estudos foram muito importantes para avançar no conhecimento sobre o universo. Hawking afirma que foi a grande revolução do século XX. Hubble descobriu que o universo não era estático, que expandia- se, porque a distância entre as galáxias aumentava sempre.

O físico russo Alexander Friedmann começou a estudar a força anti- gravidade e que o universo não era estático.

Arno Penzias e Robert Wilson, cientistas americanos, estudaram as microondas. Essas ondas eram resultado da explosão do Big Bang. Os “caras” descobriram que elas podiam estar no universo em algum lugar pelo efeito expansão. Bob Dicke e Dim Peebles, também americanos, estavam estudando a mesma coisa, só que depois dos anteriores. Sabe o que aconteceu? A segunda dupla ganhou o Nobel em 1978. Hawking considerou esse Nobel injusto.

Terceira conferência: Buracos negros

Quem inventou esse termo, “buraco negro”, foi o cientista americano John Wheeler para “uma descrição gráfica de uma ideia que remonta há duzentos anos atrás.” (p. 47) Nessa época, diziam que a luz era composta por partículas e outros diziam que era feita por ondas. As duas são corretas.

Hawking cita vários cientistas que estudaram os buracos negros  e explica de uma forma simples o que são: “para entender como podem formar- se os buracos negros, temos que entender primeiro o ciclo vital de uma estrela. Uma estrela forma- se quando uma grande quantidade de gás, principalmente hidrogênio, começa a chocar- se contra si mesma devido à ação gravitacional”. (p. 48). Não vou explicar tudo, leia o livro, é interessantíssimo!

E vou deixar uma pergunta: como os buracos negros podem ser detectados se não emitem nenhuma luz?

Quarta conferência: os buracos negros não são tão negros

Hawking estudava a teoria da relatividade geral em meados dos anos 60, se o big bang foi um evento único ou repetiu- se várias vezes. Ele conta um episódio de 1970: “em uma noite de novembro do citado ano, pouco depois do nascimento da minha filha Lucy, comecei a pensar nos buracos negros antes de ir dormir. Minha invalidez faz com que esse processo seja bastante lento, então tinha muito tempo. Até essa data não havia nenhuma definição precisa de quais pontos no espaço- tempo ficam dentro de um buraco negro e quais ficam fora.” (p.67)

Então, amigos…foi a partir desse dia antes de dormir, que Stephen Hawking formulou várias teorias sobre os buracos negros, sobre termodinâmica, física quântica e avançou muito no conhecimento sobre esses fenômenos da natureza. Ele afirma que nada é por acaso, que o universo, assim como os seres humanos, estão quase que completamente regidos por leis da Física.

Quinta conferência: a origem e o destino do universo

Na década de 70, Hawking dedicou- se praticamente só ao estudo dos buracos negros. Mas em 1981, o interesse sobre questões ligadas à origem do universo reavivou depois de uma conferência sobre cosmología que ele assistiu no Vaticano. A Igreja Católica atrapalhou a Ciência quando proibiu Galileo de afirmar que o sol não girava ao redor da Terra. Então, parece que tentaram retratar esse erro do passado convidando vários cientistas para expor suas teorias. Hawking conheceu o Papa nessa ocasião, que disse que era muito bom estudar o big bang, porque isso era criação de Deus (Hawking é ateu).

Nessa conferência no Vaticano, Hawking explicou como pode ter acontecido o big bang, mas deixou perguntas abertas, nem tudo pode ser explicado ainda, mas descarta totalmente a figura de algum “Criador” (Deus), já que por suas próprias características intrínsecas, o universo não tem fronteira nem bordas, isso seria impossível.

Sexta conferência: a direção do tempo

O cientista começa com uma citação interessante de L. P. Hartley: “O passado é um país estranho. Nele as coisas são feitas de forma diferente; mas, por que o passado é tão diferente do futuro? Por que recordamos o passado, e não o futuro?” Em outras palavras: por que o tempo vai para frente? (p. 111)

As leis da física não diferenciam o passado do futuro. Isso explica várias questões: as coisas  do passado que nos importam, que nos doeram, que nos fizeram felizes, traumas ou alegrias, normalmente, nos proporcionam a sensação de presente, porque dentro da lei da física o tempo não faz essa diferença. Não é nossa culpa quando não conseguimos esquecer algo, é fisicamente impossível! O passado não existe, porque é presente fisicamente falando! Ele explica que a memória está relacionada com a termodinâmica. A “flecha do tempo” aponta de acordo com esse princípio.

Eu sempre procurei respostas em relação à memória em textos religiosos, psicológicos, antropológicos, filosóficos e a melhor resposta acabei de encontrar na Física! Só por isso a leitura dessa obra já valeu a pena. Resumindo: você não vai esquecer, por mais que tente, o que foi importante pra você no passado, bom ou ruim. Não diga para alguém: “esqueça!”, ela não vai conseguir.

Sétima conferência: a teoria de tudo

O desafio de Hawking e de muitos cientistas é encontrar uma teoria única que explique todo o universo. Einstein passou os seus últimos dias procurando essa teoria. Mas “parece que a teoria da incerteza é uma característica fundamental do universo que vivemos” (p. 125). Encontrar uma teoria que unifique todas as disciplinas, parece tarefa hercúlea.

O cientista considera que sabemos “muito mais do universo agora”, ou seja, naquele momento da conferência (1996), ele mostrava- se muito otimista. Agora será que continua assim  mais de 20 anos depois?

(…) Se descobrirmos uma teoria completa (…) Então seremos capazes de formar parte da discussão do porquê o universo existe. Se encontrarmos resposta para isso, será o triunfo definitivo da razão humana, pois então conheceríamos a mente de Deus.” (p. 139)

Hawking tem um site, acesse.

Esta é a edição espanhola que eu li:

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Hawking, Stephen W. La teoría del todo- El origen y el destino del universo, Debolsillo, Penguin Random House, Barcelona, 2015. Páginas: 151

Frase do meu marido: “quem estuda Ciências não é para ficar rico, é para melhorar o mundo”, assim como os professores e os artistas. Já de antemão, a maioria sabe que nunca vai ficar rico (poucas exceções) e que vai ter que batalhar o dobro, mas faz assim mesmo. São esses sonhadores que mudam o mundo.

Esse livro é recomendadíssimo para estudantes, pois dá uma visão geral das Ciências desde o princípio, uma introdução que pode despertar a vontade de estudar um ou mais assuntos mais profundamente. Realmente um livro inspirador!

Como ler mais rápido?


O que te impede de ler? O que te impede de ler livros extensos? Se você é do tipo que pega o livro mais fininho da biblioteca ou livraria, e ainda assim, demora semanas ou até meses para terminar o livro…não sinta- se mal,  nem culpado! Você não está só, acontece com muita gente.

Pior é desistir antes de começar: “Ai, que preguiça”, “Que chato!”, “Netflix olhando ali pra mim, ó!”, “Desperdiçar meu tempo livre com livro, nem pensar!”. A cultura do livro no nosso país, falo do Brasil, não é a prioridade e está longe de ser.

Hoje eu vou falar com você, que gostaria de começar ou que já é leitor, mas que gostaria de ler mais rápido e com eficácia. Porque ler rápido sem entender e/ou ir pulando tudo, não vale, isso é fingir que leu.

 A leitura exige tempo e dedicação; também é uma ação solitária, pede concentração e desconexão total. Desconexão de tudo, de todos e da Internet- esta última, o maior desafio.  E não falo só dos jovens, nessa rede caiu gente de todas as idades.

Mas, há quem tenha que ler por obrigação no trabalho, estudantes universitários, mestrandos, doutorandos, esses não têm escapatória. A demora com as leituras pode ser bastante prejudicial. Muitos podem até ficar pelo caminho. Portanto, aprender a ler com velocidade pode salvar o seu trabalho ou curso.

Não existe mistério: elimine o que trava o seu crescimento, as suas leituras. Se são as redes sociais, desconecte; se é o barulho na sua casa,  procure um lugar tranquilo fora de casa e desligue o telefone. O mundo vai continuar circulando e as pessoas continuarão vivendo se você fizer isso. Tire a urgência da sua vida, os whatsapps e e-mails podem esperar um pouco. Tire uma hora do dia só pra você.

Leve aquele livro maravilhoso que há muito está estacionado na prateleira e estipule uma meta: “20 páginas por dia” ou quantas você achar conveniente. Não deixe escapar um dia sequer.

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Concentre- se, entre na história. Viaje com o livro, assim a história vai deslizar, e obviamente, a leitura vai deslanchar. A leitura diária vicia. Esse é um dos poucos vícios que são beneficiosos.

Viu? Não é tão difícil. Comece agora!